livro de gramática da lingua portuguêsa:

Dicas de Português do Professor Sérgio Nogueira

Por Fascículo > 1. Vocabulário

A - FALSOS SINÔNIMOS
B - CARGAS CONOTATIVAS
C - SIMPLICIDADE
D - NEOLOGISMOS e ESTRANGEIRISMOS
E - PALAVRAS PARÔNIMAS
F - PALAVRAS HOMÔNIMAS
G - REDUNDÂNCIAS

A - FALSOS SINÔNIMOS
São palavras que parecem sinônimas, mas verdadeiramente não são.

OS CASOS

1. MESMO e IGUAL
Deu no JB: "Este ano, o Senado tem R$ 12 milhões para assistência médica
de servidores e parlamentares. A Câmara tem a MESMA verba para seus
funcionários."
Se a verba for realmente a MESMA, significa que Câmara e Senado vão
dividir os R$ 12 milhões. Na verdade, cada casa teria sua verba de R$ 12
milhões. Portanto, não era a MESMA verba, e sim uma verba IGUAL (=de
MESMO valor).
Com muita freqüência, podemos observar este erro. MESMO e IGUAL não são
sinônimos. MESMO é "um só"; IGUAL é "outro". Se você está com o MESMO
problema do ano passado, significa que o seu problema do ano passado não
foi resolvido. Se você está com um problema IGUAL ao do ano passado,
significa que você está com outro problema com as mesmas características
do anterior.
Caso a diferença não tenha ficado clara, sugiro um teste que você poderá
fazê-lo ainda hoje quando voltar para sua casa. Primeiro, coma um pão
IGUAL ao de ontem e, depois, se possível, o MESMO pão de ontem. Aquele
que já estiver duro é o "mesmo".
Observe um exemplo perfeito: "Fittipaldi explica que pilotos muito mais
experientes do que ele viveram uma situação IGUAL na MESMA corrida e
bateram." A situação foi IGUAL, pois foram várias batidas de muitos
pilotos, mas tudo aconteceu em uma única corrida (=na MESMA corrida).
Se ainda resta alguma dúvida, a minha última esperança fica depositada
no casal de velhinhos que foi visitar uma exposição de animais. Ao ver o
touro campeão, o velhinho perguntou ao proprietário o valor do animal.
Ficou espantado com o valor altíssimo e quis saber por quê. O dono do
animal lhe respondeu: "Num mês ele é capaz de cobrir 30 vacas". Aí, quem
ficou espantada foi a velhinha, que exclamou: "Tá vendo, meu velho!?" O
velhinho, ofendido, então perguntou: "Mas...é sempre a MESMA vaca?" "É
claro que não", respondeu o proprietário do touro. Então, o velhinho,
sentindo-se vingado, devolveu: "Tá vendo, minha velha!?"

2. EVENTUAL, POSSÏVEL, PROVÁVEL e POTENCIAL

Você sabia que EVENTUAL, POSSÍVEL, PROVÁVEL e POTENCIAL não são
sinônimos?
Talvez você já tenha lido ou ouvido frases como: "Lula é o EVENTUAL
candidato do PT à presidência da república". Ou "Uma EVENTUAL derrota no
próximo domingo deixará o Corinthians em péssima situação".
Com muita freqüência encontramos o adjetivo EVENTUAL fora do seu real
significado. EVENTUAL significa "esporádico, ocasional, o que ocorre de
vez em quando".
Ora, o Lula não é um candidato eventual. Na verdade, ele é o PROVÁVEL
candidato do PT. No segundo exemplo, o autor se referia a uma POSSÍVEL
derrota do Corinthians.
Observe outro exemplo: "O eleitor é convidado a expressar sua
preocupação com o EVENTUAL retorno dos comunistas ao poder." Está errado
também. Aqui o autor se referia a um "POSSÍVEL ou PROVÁVEL retorno dos
comunistas ao poder".
Interessante observarmos também a diferença entre POSSÍVEL e PROVÁVEL.
POSSÍVEL é "o que pode acontecer" e PROVÁVEL é "o que deve acontecer".
Analisando a tabela do campeonato brasileiro de 97, há duas ou três
rodadas, poderíamos afirmar que a classificação do Grêmio entre os oito
primeiros era POSSÍVEL, mas pouco PROVÁVEL. E isso se comprovou. Desta
vez, eles estão de fora.
Vejamos um exemplo correto: "Os EVENTUAIS problemas econômicos internos
não vão impedir que aquele país se associe também ao Mercosul."
(Problemas EVENTUAIS = problemas "esporádicos, que ocorrem de vez em
quando").
Agora vejamos mais exemplos errados:
"A crise se tornará maior com a EVENTUAL perda do título." (O certo é a
"POSSÍVEL perda do título").
"O Chicago Bulls é o EVENTUAL campeão desta temporada." (O certo é o
"PROVÁVEL campeão desta temporada").
Observe agora outro tipo de erro: "O grupo Ecotex é um EVENTUAL
candidato à compra". Nesse caso, EVENTUAL está sendo usado no sentido de
POTENCIAL (=o que pode vir a ser, tem poder de vir a ser). O grupo
Ecotex é um candidato POTENCIAL (=pode vir a ser candidato), e não um
candidato EVENTUAL (=candidato esporádico, ocasional).
Se a diferença não ficou clara, vamos fazer uma comparação. O
departamento da empresa onde você trabalha apresenta problemas EVENTUAIS
ou problemas POTENCIAIS. Os problemas EVENTUAIS são "aqueles que ocorrem
de vez em quando", e os problemas POTENCIAIS são aqueles casos que ainda
não são mas podem tornar-se problemas.
Mas se você ainda não percebeu a diferença, vamos a sua última chance.
Responda rápido: "Qual é a diferença entre um amante EVENTUAL e um
amante POTENCIAL? Se você sabe a resposta, não precisa explicar.

AS DÚVIDAS

1. HINDU ou INDIANO ?
Quem nasce na Índia é indiano. Hindu é o seguidor do Hinduísmo. Não
devemos confundir nacionalidade com religião. Confusão semelhante ocorre
com JUDEU e ISRAELENSE. Quem nasce em Israel é israelense. Judeu é
relativo ao povo.

2. EM PRINCÍPIO ou A PRINCÍPIO ?
EM PRINCÍPIO significa "por princípio, em tese, teoricamente";
A PRINCÍPIO significa "no começo, inicilamente".
Em "EM PRINCÍPIO éramos contra o projeto", significa que "EM TESE éramos
contra o projeto". Se queríamos dizer que "INICIALMENTE éramos contra o
projeto", a frase está errada. O certo é: "A PRINCÍPIO éramos contra o
prejeto".

3. AO INVÉS DE ou EM VEZ DE ?
AO INVÉS DE significa "ao contrário de" e só devemos usar quando houver
idéia "contrária, oposta": "Entrou à direita AO INVÉS DA esquerda";
"Subiu
AO INVÉS DE descer".
EM VEZ DE significa "em lugar de" e podemos usar sempre que houver idéia
de "troca, substituição", mesmo quando a idéia for "oposta".
A frase "O carioca foi ao shopping AO INVÉS DE ir à praia" está errada.
O certo é: "O carioca foi ao shopping EM VEZ DE ir à praia". É
importante observar que "shopping" e "praia" não se opõem.
Se você comprar o carro "preto AO INVÉS DO branco", está certo. No
entanto, se você comprar o carro "preto AO INVÉS DO vermelho", está
errado. Nesse caso, o correto é comprar o carro "preto EM VEZ DO
vermelho, porque a cor preta se opõe ao branco mas não se opõe ao
vermelho. É interessante observar que não há restrições ao uso de EM VEZ
DE. Essa forma pode ser utilizada mesmo quando houver a idéia de
"oposição". Portanto, se você quer facilitar a sua vida, use sempre EM
VEZ DE: Você jamais correrá o risco de errar.

4. DE ENCONTRO A ou AO ENCONTRO DE ?
Nossos consultores de Qualidade, com muita freqüência, afirmam:
"Qualidade é ir DE ENCONTRO ÀS expectativas do cliente". Essa qualidade
eu não quero! O que nós temos aqui é um verdadeiro choque. Ir DE
ENCONTRO A significa "ir CONTRA as expectativas do cliente". Nesse caso,
o certo é: "Qualidade é ir AO ENCONTRO DAS expectativas do cliente", ou
seja, "ir A FAVOR, estar de acordo, atender às expectativas do cliente".
Responda rápido: um bêbado "caminhando", com uma garrafa de cachaça na
mão, vai DE ENCONTRO AO poste ou vai AO ENCONTRO DO poste?
Se você respondeu "tanto faz", acertou. Mas não esqueça a diferença: se
o bêbado vai DE ENCONTRO AO poste, temos um choque; se ele vai AO
ENCONTRO DO poste, temos um "abraço" e uma garrafa de cachaça salva - o
que é muito importante.
Resumindo:
DE ENCONTRO A = ir contra;
AO ENCONTRO DE = ir a favor.

5. TODO ou TODO O ?
O uso do artigo definido modifica o sentido do pronome TODO:
"Ele faz TODO trabalho." (=QUALQUER trabalho);
"Ele fez TODO O trabalho." (=o trabalho INTEIRO).
A frase "TODO O contribuinte poderá obter esta espécie de nada-consta"
está errada. O certo é "TODO contribuinte poderá obter esta espécie de
nada-consta". "TODO O contribuinte" seria "o contribuinte inteiro". Na
verdade, só pode ser "TODO contribuinte", que significa "qualquer
contribuinte".
Observe a diferença:
"Com o temporal de ontem à noite, TODA cidade ficou inundada." Isso
significa "qualquer cidade". O autor, na verdade, queria dizer: "Com o
temporal de ontem à noite, TODA A cidade ficou inundada" (="TODA A
cidade" significa "a cidade inteira).
Para você entender melhor, observe outro exemplo:
"Ele é capaz de realizar TODA obra" (=qualquer obra);
"Ele é capaz de realizar TODA A obra" (=a obra inteira).
Portanto, se você conhece alguém que tem o hábito de "beijar TODO colega
de trabalho", é bom alertá-lo: pode ser perigoso "beijar TODO O colega
de trabalho".

6. INÚMEROS ou NUMEROSOS ?
INÚMEROS não é sinônimo de MUITOS ou NUMEROSOS. INÚMEROS significa
"incontáveis". Ao ouvir "Romário já fez INÚMEROS gols com a camisa do
Flamengo", fico pensando: será que o Romário fez tantos gols que é
impossível contá-los? Com certeza, não. Deve ser um exagero ou
ignorância do repórter. Qualquer emissora de rádio tem seu banco de
dados, capaz de nos dar essa informação com total precisão. O certo,
portanto, é: "Romário já fez MUITOS gols com a camisa do Flamengo."
Creio que a maioria das pessoas usa a palavra INÚMEROS sem saber o seu
real significado: "Fernanda Montenegro já recebeu INÚMEROS prêmios por
seu trabalho no teatro, no cinema e na televisão." Com certeza foram
"NUMEROSOS prêmios", mas não inúmeros.
Fico preocupado quando ouço uma adolescente dizer que "já teve INÚMEROS
namorados". Meu Deus! Vá ser "galinha" assim no inferno! Será que foram
tantos que já perdeu a conta? Duvido.

7. CONFISCO ou DESAPROPRIAÇÃO ?
A frase "O governo estadual pretende começar no mês que vem o CONFISCO
de imóveis para terminar a linha verde" está errada. Na verdade, haverá
"DESAPROPRIAÇÃO de imóveis".
No caso de uma DESAPROPRIAÇÃO existe alguma forma de indenização, o que
não ocorre no CONFISCO.
Observe um uso correto da palavra CONFISCO: "Raoul Wallengerg salvou
judeus, mas seu Banco, na Suíça, guardou riquezas CONFISCADAS."

8. ANAL ou RETAL ?
"Para se examinar a próstata, é necessário fazer o toque ANAL ou RETAL
?
ANAL é relativo ao ânus; RETAL é relativo ao reto (intestino).
Alguns médicos afirmam que "toque anal" não está errado; a maioria,
entretanto, diz que o termo correto é "toque RETAL", pois o "tal toque"
é feito no reto.

9. FRONTEIRA, DIVISA ou LIMITE ?
A frase "Os carros eram levados para Foz de Iguaçu, na DIVISA com o
Paraguai" está errada. O certo é: "Os carros eram levados para Foz de
Iguaçu, na FRONTEIRA com o Paraguai."
Entre países, nós temos FRONTEIRAS; as DIVISAS ficam entre os estados.
Por exemplo: "Estamos na DIVISA de São Paulo com o Paraná." Entre o
Brasil e o Paraguai, existe uma FRONTEIRA.
Costumamos ouvir: "Estamos falando diretamente da DIVISA do Rio de
Janeiro com São João de Meriti." É impossível! Não há DIVISA entre a
cidade do Rio de Janeiro e São João de Meriti. Entre municípios, há
LIMITES. A cidade do Rio de Janeiro faz LIMITE com São João de Meriti e
o estado do Rio de janeiro faz DIVISA com Minas Gerais.

10. PENALIZADO ou PUNIDO ?
Deu no JB: "É longa a lista de atletas PENALIZADOS pelo Tribunal
Esportivo da Federação de Futebol do Rio de Janeiro."
Na verdade, "É longa a lista de atletas PUNIDOS..."
PENALIZADO não é sinônimo de PUNIDO. Embora alguns professores defendam
o verbo PENALIZAR no sentido de "punir", prefiro o sentido original:
PENALIZADO fica quem tem "pena, dó, compaixão"; PENALIZAR é "causar pena
ou desgosto". Observe o exemplo: "A deputada ficou PENALIZADA ao ver
tanta miséria." No caso de: "A lei do Colarinho Branco PENALIZA com
reclusão", prefiro "...PUNE com reclusão".

B - CARGAS CONOTATIVAS

OS CASOS

1. A corrupção ENDÊMICA
Na semana que antecedeu a visita do presidente americano ao Brasil, em
outubro de 1997, causou polêmica o uso da palavra ENDÊMICA num documento
enviado a empresários americanos pelo Departamento de Comércio dos
Estados Unidos.
A embaixada americana reconheceu que a frase era inexata, desculpou-se e
retirou o adjetivo da tal frase: "A corrupção é ENDÊMICA na cultura
brasileira". Segundo James Robin, porta-voz do Departamento de Estado
americano, a intenção era usar a palavra widespread (=difundido, comum),
sem implicar ofensa alguma.
Aqui está o problema. Não tinha a intenção, mas ofendeu. Existem
palavras que possuem cargas negativas, ofensivas ou pejorativas. Observe
como o verbo MORRER tem um peso maior que FALECER. Isso não significa
que "quem faleça morra menos". É uma questão de carga, talvez de fundo
psicológico ou social. Compare LÁBIO e BEIÇO. BEIÇO é pejorativo e
preconceituoso. É usado para ofender e discriminar. É interessante
lembrar também o episódio do "paraíba" do Edmundo (desculpe a
ambigüidade).
Devemos ter cuidado com as palavras. Elas possuem "alma".
E a nossa corrupção é ou não ENDÊMICA ?
O Brasil reagiu. O nosso presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães,
aplaudido até pelos partidos de oposição, disse que os americanos não
têm moral para falar em corrupção. Se eles têm corrupção, não podem
falar da nossa. A nossa corrupção não pode ser ofendida assim, com uma
palavra tão "baixa".
É preciso defendê-la: "a corrupção é nossa e ninguém tasca". Ninguém
pode ofender assim um "orgulho nacional". Eles estão pensando o quê? Que
a nossa corrupção é "doente"? Que um dia, talvez, ela possa ser
erradicada? Não é não! A nossa corrupção é muito "sadia".
Lamentável. Reagimos e exigimos que retirassem o adjetivo, mas o
substantivo ficou. Feliz o dia em que lutaremos contra o substantivo.
Sem ele, não haverá adjetivos e talvez sobre alguma verba para
investirmos na educação, na formação dos professores, na luta contra a
miséria cultural.
Em tempo: é interessante lembrar que as ENDEMIAS são doenças de caráter
regional, com causa local, e duradouras.

2. O verbo DETONAR
O verbo DETONAR é, sem dúvida, o campeão. Se fôssemos escolher o maior
vício da linguagem jornalística de 1997, o DETONAR já estaria eleito. Eu
não estou me referindo ao enorme número de bombas que, infelizmente,
foram detonadas durante este ano. Na verdade, estou aludindo ao mau uso
do verbo DETONAR, nos mais variados sentidos. Hoje "detonam" qualquer
coisa. Eu diria que é o modismo lingüístico do ano, tendo superado até o
"famoso" A NÍVEL DE.
Durante 1997, tivemos a oportunidade de ler e ouvir "coisas" do tipo:
"Foi a avó que DETONOU nela a verdadeira paixão pela música."
"A estratégia foi suficiente para DETONAR uma intensa propaganda boca a
boca."
"O Presidente DETONA o que pode ser um difícil processo de
confirmação."
"É o mesmo fator que DETONOU a crise do México em 94."
É interessante observar que o verbo DETONAR ganhou várias acepções:
começar, iniciar, gerar, expandir, crescer, desenvolver...
Isso tudo sem falar na mania de usar o DETONAR como sinônimo de DIZER
ou AFIRMAR.
Além da pobreza de estilo (toda metáfora exageradamente repetida perde
a expressividade e a graça), devemos observar as ambigüidades. No
exemplo "Foi a avó que DETONOU nela a verdadeira paixão pela música", o
autor queria referir-se ao fato de ter sido "a avó quem DESPERTOU nela a
verdadeira paixão pela música". Porém, um desavisado poderia imaginar
que "a avó teria DESTRUÍDO a paixão pela música". Fenômeno semelhante
ocorre em "É o mesmo fator que DETONOU a crise do México em 94". Aqui, o
autor se referia "ao fator GERADOR ou ao fator que INICIOU a crise do
México em 94". Mais uma vez, o nosso leitor desavisado poderia dar outra
interpretação: para ele, é "o fator que ACABOU com a crise do México em
94".
Sugiro, portanto, que o verbo DETONAR seja detonado, no verdadeiro
sentido da palavra. E aqui, surge um novo problema:
"Terroristas EXPLODEM bomba em hotel lotado de turistas."
É impossível que terroristas tenham "explodido" uma bomba. É a bomba
que explode. O verbo EXPLODIR é intransitivo (=ninguém explode nada, é a
coisa que explode). Na verdade, "os terroristas DETONARAM uma bomba".
Esse é o uso correto do verbo DETONAR.
Agora, uma sugestão: não devemos substituir "detonar crise" por
"explodir crise". O problema é o mesmo.
Cuidado com as metáforas!
Com o desejo de não repetir o verbo DIZER, é freqüente vê-lo
substituído não só por DETONAR e EXPLODIR como também por "disparou,
fulano", "alfinetou, beltrano", "dinamitou, sicrano"...
Essa "criatividade" excessiva pode nos levar a "coisas" ridículas,
como: "Foram tantos sucessos que CATAPULTARAM o grupo para a fila do
gargarejo da MPB." Se você não entendeu a "metáfora", a "tradução" é a
seguinte: "o tal grupo estava, na parada de sucessos, em 10º lugar;
entretanto os últimos sucessos foram tantos que o grupo foi para o 1º
lugar".
Haja criatividade!
Assim não dá!
Se DETONAR já é difícil de aturar, imagine CATAPULTAR.

C - SIMPLICIDADE

OS CASOS

1. A EMULAÇÃO
Está escrito no nosso novo Código de Trânsito:
Art. 173. Disputar corrida por espírito de EMULAÇÃO.
Infração - gravíssima.
Penalidade - multa (três vezes), suspensão do direito de dirigir e
apreensão do veículo.
Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação e
remoção do veículo.
Se você não conhece a palavra EMULAÇÃO, não se preocupe que eu vou
explicar: EMULAÇÃO é o "ato de emular". Pronto, agora que você já sabe o
que é EMULAÇÃO, vamos ao que interessa. Você já deve ter entendido: se
você nunca emulou, não é agora que você vai emular. Você leu com toda a
"clareza": se disputar corrida por espírito de EMULAÇÃO, você vai ficar
sem a carteira de motorista e sem o carro. Portanto, não emule. Está
escrito: emular é uma infração gravíssima.
Se você imaginava que EMULAÇÃO é "dirigir como uma mula", quase que
acertou. Há quem tenha buscado a origem da palavra: o prefixo e(x) de
emigrar, emergir, emanar, exalar, exportar, externar... significa
"movimento para fora". Por esse raciocínio, poderíamos imaginar que
emular fosse "colocar para fora o espírito de mula que existe dentro de
você".
Se você está pensando que eu estou brincando, tenho algo a lhe dizer:
você tem toda a razão. Por outro lado, quem escreveu EMULAÇÃO não estava
brincando. É lógico que a intenção do autor é a de que todos entendam o
seu texto. Para isso, selecionou palavras bem "simples, acessíveis a
qualquer leitor".
Tudo isso me fez lembrar uma história que um velho amigo advogado me
contou há muitos anos. Ele telefonou para um cliente e avisou: "Teremos
que PROCRASTINAR a assinatura do contrato". O cliente lhe respondeu:
"Tudo bem, o senhor é quem sabe." Então, o advogado lhe perguntou:
"Então adiamos para quando?" O cliente contestou imediatamente: "Por
favor, ADIAR não pode."
Para que ninguém imagine que eu seja contra o enriquecimento vocabular,
quero deixar bem clara a minha idéia: o que eu defendo como simplicidade
tem por base o conceito de adequação vocabular, ou seja, o vocabulário
de um texto deve ser adequado a quem ele se destina. Não devemos
confundir simplicidade com vulgaridade ou pobreza vocabular:
simplicidade é "se você pode ADIAR, para que PROCRASTINAR?"
Em tempo: segundo nossos dicionários, EMULAÇÃO é "sentimento que incita
a imitar ou a exceder a outrem em merecimento; estímulo; rivalidade." E
EMULAR é "ter emulação, competir, emparelhar, rivalizar, disputar...".
Portanto, que fique bem claro: o artigo 173 do novo Código de Trânsito
proíbe o que popularmente chamamos de "pegas" ou "rachas".

2. A COISA
Após a derrota para o Botafogo, um dirigente do Fluminense afirmou:
"Agora a COISA ficou preta". Como tricolor por parte de filho, lamento
que o tal dirigente só tenha percebido "agora". O mais intrigante,
porém, é o uso da palavra COISA. Que COISA maravilhosa! COISA é uma
palavra sensacional: substitui qualquer COISA e não diz COISA alguma. É
a palavra de sentido mais amplo que conheço. Faltou sinônimo, lá vai a
COISA. É como o "trem" para os mineiros. Aqui, nós pegamos as COISAS e
esperamos o trem; lá, eles pegam os "trem" e esperam a COISA. COISA é
uma palavra tão versátil que já virou até verbo: "Eles estão COISANDO".
Lá sabe Deus o que eles estão fazendo! COISA é um substantivo, mas é
capaz de ser usado no grau superlativo absoluto sintético, como se fosse
adjetivo: "Não fiz COISÍSSIMA nenhuma".
Por tudo isso, é inadequado o uso da palavra COISA em textos mais
cuidados e formais.
Essa análise me fez lembrar a história de um fiscal da carteira
hipotecária de um grande Banco no interior do Paraná. Certo fazendeiro
fez um empréstimo no Banco, hipotecou a fazenda e, um mês depois,
morreu. O Banco, preocupado, mandou o nosso fiscal à tal fazenda. Lá
chegando, ficou feliz ai ver que tudo corria bem. A viúva trabalhava
duro, o dinheiro investido já trazia lucros para a fazenda e o pagamento
da hipoteca estava garantido. Ao retornar à sua cidade, o fiscal não
teve dúvida e escreveu no relatório que enviou ao seu chefe: "O
fazendeiro morreu, mas o Banco pode ficar tranqüilo porque a viúva
mantém a COISA em pleno funcionamento". Lá sabe Deus que COISA é essa!?

D - NEOLOGISMOS e ESTRANGEIRISMOS

O CASO

Em outubro de 1997, tivemos em Brasília o Seminário AGRONEGÓCIO de
Exportação. O Itamaraty, patrocinador do evento, exigiu o uso de
AGRONEGÓCIO em vez de AGROBUSINESS, que era o termo preferido pelos
empresários do setor.
Ponto para o Itamaraty.
Sem querer ser purista, devemos defender a Língua Portuguesa. O uso
desenfreado dos chamados "estrangeirismos", aportuguesados ou não,
muitas vezes me parece modismo. Não vejo necessidade alguma de usarmos o
infeliz do startar ou mesmo estartar. Por que não INICIAR, COMEÇAR ou
PRINCIPIAR? Num seminário recente, ouvi do palestrante, após o coffee
break: "Vamos reestartar."Se não bastasse estartar, agora querem
reestartar. É demais!
Outra desgraça é o paper. Além de mal traduzido, ainda está sendo usado
num sentido muito amplo. Tudo virou paper. Quando me pedem um paper, não
sei se é um relatório, um fax, uma carta ou uma proposta. Só falta o
paper higiênico.
Também sugiro a substituição de uma péssima performance por um melhor
DESEMPENHO sexual.
É lógico que existem alguns estrangeirismos inevitáveis. SOFTWARE e
MARKETING, por exemplo, são palavras consagradas entre nós. Já tentamos
traduzi-las e depois aportuguesá-las. Luta em vào. São palavras que
todos nós usamos e até podemos, hoje, escrevê-las sem aspas (aqui, no
JB, nós costumamos usar os estrangeirismos em itálico, porém os mais
consagrados já dispensam o grifo).
Algumas palavras suscitam polêmica, como é o caso de DELETAR e ACESSAR.
São palavras facilmente aportuguesadas e que, no meu modo de ver, são
restritas à área de informática. Imagine uma manchete no JB: "Policial
deleta marginal". Seria ridículo! Você diz que o Presidente teve acesso
à tribuna de honra, mas jamais diria que ele "acessou" a tribuna de
honra (o verbo ACESSAR não tem esse sentido genérico de "ter acesso").
Há estrangeirismos cujas traduções são questionáveis ou "não pegam".
KNOW HOW e IMPEACHMENT são exemplos disso. KNOW HOW seria "conhecimento
ou tecnologia", mas eu tenho a certeza de que "quem vende KNOW HOW cobra
mais caro". No caso do IMPEACHMENT ocorre algo curioso. Na Constituição
Brasileira, a palavra é IMPEDIMENTO. Quando se começou a falar sobre o
IMPEACHMENT do Collor, nós bem que tentamos usar o IMPEDIMENTO. Mas não
deu. Na época, eu tive a sensação de que IMPEDIMENTO era pouco, o que se
queria era IMPEACHMENT. Parece brincadeira, mas não é. Há palavras
estrangeiras cujas traduções não têm o "mesmo peso". O mesmo IMPEDIMENTO
que substitui maravilhosamente bem o velho off side no futebol é "fraco"
para substituir o IMPEACHMENT. Alguns alunos detestam quando eu afirmo
que há palavras que "não pegam". Ora, pior é vivermos num país onde
existem leis que "não pegam".
Outro problema difícil é o aportuguesamento. Há casos consagrados como
FUTEBOL, ABAJUR, ESPAGUETE, GRIFE e outros mais. Entretanto, há os
problemáticos: XAMPU ou SHAMPOO? A forma XAMPU já é bastante usada
quando nos referimos aos xampus em geral. Porém, nos rótulos dos
shampoos, continua a forma estrangeira. Talvez os fabricantes temam que
os brasileiros pensem que se trate de algum xampu vagabundo. Outro
exemplo é stress. Eu prefiro ESTRESSE, por ser facilmente aportuguesado
e, principalmente, para ser coerente com a forma derivada: ESTRESSADO.
Por outro lado, creio que o aportuguesamento de SHOW é do tipo que "não
pega", porque ficou preso à Xuxa, a rainha dos baixinhos e a mãe do XOU.
LEIAUTE é outro aportuguesamento que dificilmente será usado. A forma
inglesa é mais poderosa.
FEEDBACK é um exemplo curioso. O aportuguesamento FIDEBEQUE ficou
horroroso e traduzi-la por retroalimentação é perigosíssimo na linguagem
falada: alimentação por onde? REALIMENTAÇÃO ou RETORNO são boas
soluções.
Como você pôde observar, é muito difícil criar uma regra. Cada caso
merece uma análise individual. Entretanto, uma regra podemos seguir:
para qualquer novo estrangeirismo, primeiro devemos buscar uma palavra
correspondente em português. E antes de usarmos a forma estrangeira,
ainda devemos tentar o aportuguesamento.

E - PALAVRAS PARÔNIMAS
São palavras parecidas na forma, mas com significados diferentes.

AS DÚVIDAS

1. TRÁFICO ou TRÁFEGO ?
Deu no JB: "Controlador de TRÁFICO aéreo adquire repentinamente poderes
paranormais."
Perdoe-nos, o tal controlador paranormal é de TRÁFEGO aéreo.
É bom lembrar que TRÁFICO é um comércio ilegal: de drogas, de escravos,
de crianças, de mulheres, de influência...
Em relação a trânsito, a movimento, devemos usar TRÁFEGO. Grandes
"engarrafamentos" ocorrem em cidades, como São Paulo, onde o TRÁFEGO é
intenso.
Aqui vai um teste para os cariocas que conhecem bem a Rua São Clemente
no bairro de Botafogo. Responda rápido: "São Clemente é uma rua de muito
TRÁFEGO ou de muito TRÁFICO?" Se você respondeu "depende", parabéns.

2. DISCRIMINAR ou DESCRIMINAR ?
DISCRIMINAR é "segregar, separar, listar". Uma pessoa pode ser
discriminada devido à sua cor, à sua condição social ou cultural, à sua
religião... Uma nota fiscal DISCRIMINADA é aquela em que os itens estão
"listados, separados".
DESCRIMINAR é "inocentar, tirar a culpa de um crime, deixar de ser
crime". Muitos advogados preferem usar o neologismo DESCRIMINALIZAR.
A frase "O debate pode acabar com o preconceito contra a droga e levar à
DISCRIMINAÇÃO do seu uso" está errada. Nesse caso, o correto é "...levar
à DESCRIMINAÇÃO (ou DESCRIMINALIZAÇÃO) do seu uso". O autor não se
referia à possibilidade de o usuário da droga vir a ser DISCRIMINADO, e
sim ao fato de o uso da droga ser DESCRIMINADO (=DESCRIMINALIZADO), ou
seja, "deixar de ser crime".

3. DESAPERCEBIDO ou DESPERCEBIDO ?
Ouvimos freqüentemente: "Muitos detalhes passaram DESAPERCEBIDOS". Está
errado! O correto é: "Muitos detalhes passaram DESPERCEBIDOS".
DESAPERCEBIDO não significa, como muitos imaginam, "aquilo que não foi
percebido, notado, observado". DESAPERCEBIDO significa "desprovido, quem
não se apercebeu de alguma coisa, quem não está ciente, quem não tomou
consciência".
É uma questão de lógica. Observe: "quem não é leal é desleal, quem não
está preparado está despreparado, quem não está prevenido está
desprevenido"; portanto, "aquilo que não se percebeu passou
DESPERCEBIDO".
Em "O auditor estava DESAPERCEBIDO", sugiro que não se utilize a palavra
DESAPERCEBIDO mesmo no sentido correto (=desprovido, que não tomou
ciência). O leitor dificilmente vai entender, é capaz de imaginar que
"ninguém percebeu a presença do auditor, que ele não foi notado". Não
esqueça, portanto, a diferença:
DESPERCEBIDOS (=não percebidos) é derivado do verbo PERCEBER (=notar,
observar);
DESAPERCEBIDOS (=não apercebidos) é derivado do verbo APERCEBER-SE
(=tomar ciência, prover-se)
O mais importante é você não esquecer que, para aquilo que não se
percebeu, o correto é DESPERCEBIDO.

4. DESTRATAR ou DISTRATAR ?
DESTRATAR significa "tratar mal";
DISTRATAR significa "romper um trato".
Quando um contrato é rompido, o documento que se assina chama-se
DISTRATO.
Portanto, a frase "Ela foi DISTRATADA pelo marido na frente dos
vizinhos" está errada. O certo é: "Ela foi DESTRATADA pelo marido na
frente dos vizinhos".

5. ACIDENTE ou INCIDENTE ?
ACIDENTE é "um desastre, um acontecimento com conseqüências graves";
"INCIDENTE" é "um acontecimento com conseqüências menores, um episódio".
Observe a diferença:
"Cinco pessoas morreram no ACIDENTE. A Via Dutra ficou interrompida
durante quatro horas."
"Perdoe-nos pelo INCIDENTE de ontem. Esse tipo de discussão não mais se
repetirá."

F - PALAVRAS HOMÔNIMAS
As palavras homônimas homófonas (=iguais na pronúncia, com diferença na
grafia e sentidos diferentes) merecem atenção.

AS DÚVIDAS

1. SERRAR ou CERRAR ?
SERRAR é "cortar"; CERRAR é "fechar".
A frase "Ele SERROU os olhos e adormeceu" é um absurdo. Na verdade, "Ele
CERROU os olhos e adormeceu".
Este caso me faz lembrar o dia em que certo comerciante ordenou a seus
empregados: "Hoje, eu quero todas as portas da loja SERRADAS às 18:00h".
Foi prontamente atendido. No fim da tarde, todas as portas estavam pela
metade.

2. CASSAR ou CAÇAR ?
CASSAR significa "anular", portanto ninguém pode ser CASSADO.
A frase "O prefeito pode ser CASSADO a qualquer momento" é inadequada.
Deveríamos dizer: "O MANDATO do prefeito pode ser CASSADO a qualquer
momento". Na verdade, o poder de mando do prefeito é CASSADO (=anulado,
perde seu valor, fica sem o poder). Recentemente, li que uma certa
companhia de ônibus de Niterói foi CASSADA. Impossível! CASSADA foi a
licença ou o alvará da tal companhia de ônibus.
Portanto, deputados, vereadores, prefeitos não podem ser CASSADOS,
embora alguns mereçam ser CAÇADOS.

G - REDUNDÂNCIAS

O CASO

Com muita freqüência, ouvimos na televisão: "O filme é baseado em FATOS
REAIS." Eu acredito piamente pois, se não fossem REAIS, não seriam
FATOS. Para quem não sabe, todo FATO é REAL. Não existe "fato irreal".
Uma história pode ser real ou não; mas FATO é o "o que aconteceu".
Portanto, FATO REAL, FATO CONCRETO, FATO VERÍDICO e FATO ACONTECIDO são
redundâncias. É um tipo de pleonasmo. Não são tão grosseiros como os
tradicionais SUBIR PARA CIMA, DESCER PARA BAIXO, SAIR PARA FORA e ENTRAR
PARA DENTRO.
Outro pleonasmo que ouvimos muito é: "Zagallo vai pôr o Juninho para ser
o ELO de LIGAÇÃO entre a defesa e o ataque." Ora, todo ELO é de LIGAÇÃO.
Bastaria dizer: "Zagallo vai pôr o Juninho para ser o ELO entre a defesa
e o ataque." Ou "Zagallo vai pôr o Juninho para fazer a LIGAÇÃO entre a
defesa e o ataque."
Um leitor de Língua Viva enviou um documento da área médica em que se
lia: "Pode haver HEMORRAGIA de SANGUE." Não entendi o temor. Será que
pode haver HEMORRAGIA de urina ou de esperma.!?
Pior é o professor de matemática que pede ao aluno que divida a figura
em DUAS METADES IGUAIS. É a "redundância da redundância"! Metades são
sempre duas e, se não fossem iguais, não seriam metades. Criança é que
tem o hábito de pedir: "A metade maior é minha". Na verdade, ela quer o
pedaço maior.
Em 1996, fui convidado para um seminário em São Paulo. Eram duas
empresas organizadoras: uma de eventos e outra da área de Qualidade.
Para ser o palestrante, após muita discussão, recebi a seguinte
proposta: "Tiramos toda a despesa e dividimos o lucro em TRÊS METADES."
Imediatamente eu respondi: "Em TRÊS METADES eu não aceito." O
representante da empresa de Qualidade, amigo meu, ficou surpreso com a
minha recusa: "Se você aceitar, vai ganhar mais dinheiro." Mas eu fiquei
firme na minha posição: "Em TRÊS METADES eu não aceito, pois a minha
religião não permite."
É interessante lembrar que a ênfase, para alguns, justifica tantas
redundâncias que ouvimos por aí: CONSENSO GERAL, PLANEJAMENTO
ANTECIPADO, EVIDÊNCIA CONCRETA, PROTAGONISTA PRINCIPAL, EMPRÉSTIMO
TEMPORÁRIO, SURPRESAS INESPERADAS e outros mais.
Por Fascículo > 2. Concordância Verbal

1. A MAIORIA DE / A MAIOR PARTE / GRANDE PARTE DE / BOA PARTE
2. COLETIVOS
3. FRAÇÃO
4. INFINITIVO
5. METADE
6. MIL / MILHÃO / NUMERAIS
7. NÃO SÓ...MAS TAMBÉM / NÃO SÓ...COMO TAMBÉM
8. NEM ... NEM
9. OU
10. PERCENTAGEM
11. SE - PARTÍCULA APASSIVADORA
12. SE - PARTÍCULA INDETERMINADORA DO SUJEITO
13. NOMES PRÓPRIOS no PLURAL
14. TUDO / NADA / NINGUÉM
15. UM DOS QUE
16. VOSSA SENHORIA / SUA SENHORIA
17. Verbo CUSTAR
18. Verbos DAR / BATER / SOAR (aplicado a horas)
19. Verbos HAVER e EXISTIR
20. Verbo FAZER
21. Verbo SER

Regra básica: O verbo deve concordar com o sujeito em pessoa e número.

A) SUJEITO COMPOSTO - rigidamente o verbo deve concordar no PLURAL;
"As casas de veraneio e os pescadores COMPÕEM o cenário da região."
"SERIAM NECESSÁRIOS ainda mais de 100 médicos e muitos auxiliares de
enfermagem."
"Aos poucos a escatologia e a quantidade de mortos VÃO se
multiplicando."

OBSERVAÇÃO 1:
Quando o sujeito composto estiver posposto (=depois do verbo), é
aceitável a concordância atrativa (= no singular, concordando com o
núcleo do sujeito que estiver mais próximo):
"PASSARÁ o céu e a terra, mas minhas palavras ficarão."
"CHEGA hoje ao Rio o presidente e sua comitiva."

A nossa preferência, no JB, é a concordância do verbo no PLURAL:
"ACABAM o acúmulo de aposentadorias e a aposentadoria especial."
"VIAJARAM para Brasília o gerente e o diretor."

OBSERVAÇÃO 2:
Quando o sujeito é composto por duas ou mais orações (=infinitivos), o
verbo deve concordar no SINGULAR:
"Andar e correr FAZ bem."
"Trabalhar durante o dia e estudar à noite ainda não MATOU ninguém."

OBSERVAÇÃO 3:
Quando o sujeito composto tiver núcleos de pessoas diferentes, a 1a.
pessoa é predominante (Eu e tu = nós; eu e você = nós; ela e eu = nós ):
"Eu, tu e ele RESOLVEMOS o caso."
"O diretor e eu FOMOS à reunião."
A 2a. pessoa predomina sobre a 3a.pessoa (Tu e ele = vós):
"Tu e ele DEVEIS comparecer à reunião."
Na linguagem corrente, é freqüente o uso do verbo na 3ª pessoa":
"Em que língua tu e ele FALAVAM?"
Para evitarmos discussão, preferimos substituir TU por VOCÊ (Você e ele
= vocês):
"Você e ele DEVEM comparecer à reunião."

B) SUJEITO SIMPLES - o verbo deve concordar com o núcleo do sujeito:
"O preço dos aluguéis, que deram um salto de 208%, já ESTÁ praticamente
no mesmo nível."
"A remuneração das cadernetas BAIXOU..."
"As empresas de São Paulo EXPÕEM e VENDEM diretamente seus produtos."
"O índice de óbitos ESTÁ acima dos padrões normais."
"O cumprimento das metas dos programas de reestruturação também TEM
SIDO ANALISADO."
"Os preços dos pratos SÃO bem ACESSÍVEIS."
"Apesar de o preço das entradas TER SIDO BARATO ..."
"Fios expostos PÕEM em risco a segurança dos alunos."
"BASTAM não mais do que alguns quilômetros para decifrá-lo."
"Esta lei já existe na Suécia e no Canadá onde DIMINUÍRAM os acidentes
nas estradas."

Casos especiais:

1. A MAIORIA DE / A MAIOR PARTE / GRANDE PARTE DE / BOA PARTE
(Sujeito simples - núcleo = PARTITIVOS)

"A maioria dos candidatos já DESISTIU ou DESISTIRAM ?"

O verbo pode ficar no SINGULAR (concordando com o núcleo do sujeito =
MAIORIA) ou no PLURAL (concordando com o nome plural posposto ao
partitivo = CANDIDATOS):
"A MAIORIA dos candidatos já DESISTIU."
OU "A maioria dos CANDIDATOS já DESISTIRAM."

A nossa preferência, no JB, é o verbo no SINGULAR:
"A MAIORIA dos entrevistados REPROVA a administração municipal."
"A MAIORIA dos feridos FOI PISOTEADA."
"A MAIORIA das comunidades isoladas do Norte PODE se aproveitar da
biomassa de espécies..."
"Boa PARTE dos problemas TEM sua origem nos 'freemen' (homens livres)
chegados dos Estados Unidos."
"Grande PARTE das infecções PODE SER EVITADA ou CURADA."
"A MAIORIA das fraudes É COMETIDA durante longo tempo por empregados."
"A maior PARTE dos recursos VIRÁ da Brahma e da Embratel."
"PARTE das instalações FOI DEMOLIDA."

2. COLETIVOS

Um bando de ...
Um grupo de ...
Uma manada de ...

Embora alguns gramáticos aceitem o verbo no plural quando acompanha um
adjunto plural, nós devemos usar o verbo no SINGULAR:
"Um CASAL de turistas alemães não RESISTIU e CAIU no samba."
"Um GRUPO de artistas ainda iniciantes ALUGOU uma sala."
"Um GRUPO de crianças também É CONVIDADO."
"Um GRUPO de pessoas SAIU mais cedo"
"Um BANDO de marginais FUGIU ontem à noite."
"Uma MANADA de bois FOI VENDIDA para pagar a dívida."

OBSERVAÇÃO 1:
"Um GRUPO de mais de trinta mulheres TRABALHAM como voluntárias."
Nesse caso, devido ao predicativo plural (=voluntárias), preferimos o
verbo no plural.

OBSERVAÇÃO 2:
A concordância do verbo com o núcleo do sujeito é indiscutível.
Se você tem dificuldade para identificar o núcleo do sujeito, aqui vai
uma dica: "é o substantivo ou o pronome que antecede a preposição de":
"Boa parte dos candidatos já DESISTIU." (o sujeito simples é "boa parte
dos candidatos"; o núcleo é parte)
"Um bando de marginais FUGIU." (o sujeito simples é "um bando de
marginais"; o núcleo é bando)
"Metade dos alunos FOI APROVADA." (sujeito ="metade dos alunos"; núcleo
= metade)
"Alguém dentre nós FARÁ o trabalho." (sujeito ="alguém dentre nós";
núcleo = alguém)
"Muitos de nós LERAM o livro." (sujeito ="muitos de nós"; núcleo =
muitos)
"O presidente destas empresas VIAJOU para Brasília." (sujeito ="o
presidente destas empresas"; núcleo = presidente)
"Os diretores desta empresa VIAJARAM para Brasília." (sujeito ="os
diretores desta empresa"; núcleo = diretores)

3. FRAÇÃO

O verbo deve concordar com o numerador:
"UM terço COMPARECEU."
"DOIS terços COMPARECERAM."
"UM QUARTO das empresas pesquisadas PERDEU mais de US$ 1 milhão."
"UM TERÇO da população não TEM acesso a consultas médicas."
"TRÊS QUARTOS das fraudes FORAM COMETIDOS pelos empregados,"
"DOIS TERÇOS da frota CIRCULARAM."

4. INFINITIVO
...para RESOLVER ou RESOLVEREM
...de SAIR ou SAÍREM
...a FAZER ou FAZEREM

É um caso muito controvertido que merece várias observações:

A) "Os técnicos estão aqui PARA RESOLVER ou RESOLVEREM o problema?"
É facultativo. A nossa preferência é pelo SINGULAR:
"Os técnicos estão aqui PARA RESOLVER o problema."
"Duas novas ruas estão sendo abertas para FACILITAR o acesso."
"O projeto contempla o direito de pessoas com doenças incuráveis
interromperem um tratamento doloroso para MORRER dignamente."
"O curso tem reunido economistas do IBGE para CRIAR uma pesquisa mais
abrangente."
"Usineiros e representantes estarão em Brasília para PRESSIONAR o
governo federal."
"O técnico orientou seus jogadores para PRESSIONAR o Palmeiras."
"Os pais trintões voltam ao Teatro do Leblon para LEVAR seus filhos e
CANTAR juntos a trilha de Chico Buarque."

B) "Eles foram proibidos DE SAIR ou DE SAÍREM?"
"Eles foram obrigados A FAZER ou A FAZEREM o teste?"

Não se flexiona o infinitivo com preposição que funcione como
complemento de substantivo, adjetivo ou do próprio verbo principal.
No JB, não discutimos se é facultativo ou não. Preferimos o SINGULAR:
"Eles foram proibidos DE SAIR."
"Eles foram obrigados A FAZER o teste."
"Um em cada cinco enfermeiros está ajudando seus pacientes a MORRER..."
"Os paulistanos foram obrigados a PASSAR quatro horas no saguão do
aeroporto."
"O decreto obriga os trens a TRAFEGAR de portas fechadas."
"A falta de informação leva outros meninos a FAZER a mesma coisa todos
os dias."
"Um psiquiatra faz sucesso convencendo pacientes a AGIR como crianças."
"A lei proíbe os brasileiros de FUMAR na ponte-aérea."
"Ele proibiu seus músicos de PARTICIPAR de qualquer tipo de trabalho
com discos."

OBSERVAÇÃO 1:
Na voz passiva e com os verbos de ligação, devemos usar o infinitivo no
PLURAL:
"O TSE liberou duas das quatro parcelas do Fundo Partidário para SEREM
DIVIDIDAS por 26 partidos."
"O porta-voz francês informou que as medidas concretas a SEREM TOMADAS
contra o terror são iguais às da Inglaterra."
"As reservas técnicas dos museus reúnem peças quase nunca expostas, mas
que dão muito trabalho para SEREM CONSERVADAS."
"Elas tiveram que suar muito para SE TORNAREM as campeãs."
"Elas têm que malhar bastante para FICAREM magrinhas."
"As células-mãe são preparadas para SE TORNAREM resistentes."

OBSERVAÇÃO 2:
O verbo no plural enfatiza o agente em vez do fato. Em caso de
ambigüidade, sugerimos o plural para evitar dúvidas:
"Fernando Henrique Cardoso libera os seus ministros para SUBIREM em
palanque."

OBSERVAÇÃO 3:
Quando o sujeito está claramente expresso, a concordância é obrigatória:
"Houve uma ordem para os alunos FAZEREM todos os testes."
"O gerente mandou seus subordinados RESOLVEREM o problema."
"O aumento dos zíperes não fez o preço das roupas DISPARAR."
"Só tem espaço para PASSAREM no máximo duas pessoas ao mesmo tempo."
"Qual é a melhor maneira de se CONSEGUIREM bons resultados."

5. METADE

"METADE dos candidatos DESISTIU ou DESISTIRAM ?"

É a mesma regra dos PARTITIVOS (= uso facultativo). Preferimos o verbo
no SINGULAR, para concordar com o núcleo do sujeito:
"METADE dos candidatos DESISTIU." (ou DESISTIRAM)
"METADE dos fumantes do mundo VAI MORRER por causa do tabaco."
"Quase METADE dos executivos não TEM conhecimento..."
"METADE das ruas não TEM coleta de lixo."
"METADE do time não TEM visto."

Observação:
Com a forma MAIS DA METADE (=seguido de um substantivo no plural), o
mais usual é o verbo no plural:
"MAIS DA METADE dos médicos britânicos SÃO a favor..."
"MAIS DA METADE de todos entrevistados ESTÃO no mercado."
"MAIS DA METADE dos eleitores da capital catarinense ainda ESTÃO sem o
documento."
"MAIS DA METADE dos dependentes se CONTAMINARAM."
"MAIS DA METADE dos cheques consultados pelos comerciantes em julho,
através do telecheque, SÃO PRÉ-DATADOS."

6. MIL / MILHÃO / NUMERAIS

MIL

O numeral que antecede a MIL deve concordar com o substantivo a que se
refere:
"Ela é capaz de fazer VINTE E UMA MIL embaixadinhas."
"Ela é capaz de fazer quarenta e UMA mil, SETECENTAS e oitenta e DUAS
embaixadinhas."
"DUAS mil pessoas compareceram à reunião."
"Recebeu DOIS mil dólares."

OBSERVAÇÃO 1:
Não use "um mil" ou "uma mil", mas apenas:
"Recebeu MIL REAIS."
"MIL PESSOAS compareceram à reunião."

MILHÃO / BILHÃO / TRILHÃO

O numeral que antecede a MILHÃO fica sempre no masculino.
"Seria capaz de fazer UM MILHÃO e MEIO de embaixadinhas."
"Mais de DOIS MILHÕES de pessoas assistiram ao espetáculo."

OBSERVAÇÃO 2: Sujeito simples - núcleo = MILHÃO ou BILHÃO ou TRILHÃO
Um milhão de ...
Meio milhão de ...

"Um MILHÃO de pessoas VIVE ou VIVEM na China?"

É um caso facultativo.
"Um BILHÃO de dólares FOI GASTO nesta obra." (ou FORAM GASTOS)
"Um MILHÃO de pessoas VIVE na China." (ou VIVEM)
A nossa preferência é pelo PLURAL:
"Um milhão de doses de vacina FORAM RETIRADAS do mercado."
"Meio milhão de pessoas ESTÃO DESABRIGADAS."
"Mais de um milhão de dólares ESTÃO SENDO USADOS no projeto."
Se o verbo estiver antes, porém, o verbo concordará com MILHÃO ou
MILHÕES:
"FOI CONSTRUÍDO um milhão de casas populares só neste bairro."
"FORAM PREJUDICADOS 5 milhões de pessoas."
"EXISTE mais de 1,5 milhão de desempregados."

OBSERVAÇÃO 3:
Cerca de...
Perto de...
Por volta de ...
Em torno de ...
Mais de ...
Menos de ...
O verbo deve concordar com o substantivo (= núcleo do sujeito):
"Cerca de três mil pessoas ENTRARAM em confronto com a polícia."
"Perto de cinqüenta mil torcedores ASSISTIRAM ao jogo."
"Mais de duzentos inscritos FALTARAM à prova."

7. NÃO SÓ...MAS TAMBÉM / NÃO SÓ...COMO TAMBÉM

O verbo vai normalmente para o PLURAL, concordando com o sujeito
composto:
"Não só o aluno mas também o professor ERRARAM a questão."
"Não só o público como também os organizadores FICARAM insatisfeitos."

8. NEM ... NEM

Quando o sujeito é SIMPLES, o verbo fica no SINGULAR:
"Nem um nem outro diretor COMPARECEU à reunião."
"Ainda não CHEGOU nem uma nem outra candidata."

Quando o sujeito é COMPOSTO, a concordância é facultativa (singular ou
plural):
"Nem o gerente nem o diretor COMPARECEU ou COMPARECERAM à reunião."
"Nem eu nem você PODE ou PODEMOS viajar neste mês."

OBSERVAÇÃO:
Se houver idéia de alternativa (=o fato expresso pelo verbo só pode ser
atribuído a um dos sujeitos), devemos usar o verbo no SINGULAR:
"Nem o Pedro nem o José SERÁ ELEITO o presidente do grêmio estudantil."
(=só um pode ser eleito)

9. OU

a) Se houver idéia de "exclusão", o verbo concorda com o núcleo mais
próximo:
"Ou você ou eu TEREI de resolver o problema." (=apenas um resolverá o
problema)
"Ou eu ou o diretor TERÁ de viajar para São Paulo." (=apenas um
viajará)
"O Brasil ou Chile SERÁ a sede do próximo campeonato."

b) Se não houver idéia de "exclusão" (=e/ou), a concordância é
facultativa:
"O gerente ou o diretor PODE ou PODEM assinar o contrato." (=um ou os
dois podem assinar)
"Dinheiro ou cheque RESOLVE ou RESOLVEM o meu problema."

c) Se houver idéia "aditiva" (=e), o verbo deve concordar no plural:
"O pintor ou o escultor MERECEM igualmente o prêmio." (=o pintor e o
escultor merecem igualmente o prêmio)
"Futebol ou carnaval FAZEM a alegria do brasileiro."

d) Se houver idéia de "dúvida" (=retificação de número), o verbo deve
concordar com o mais próximo:
"Ladrão ou ladrões INVADIRAM o palacete do Morumbi."
"O assassino ou assassinos já DEVEM estar no exterior."

10. PERCENTAGEM

Sem especificador, o verbo deve concordar com a percentagem:
"1% VOTOU." (até 1,9% = verbo no singular);
"2% VOTARAM." (acima de 2% = verbo no plural).

OBSERVAÇÃO 1:
COM ESPECIFICADOR singular, o verbo pode concordar com o especificador
no singular:
"2% da população VOTOU."
"5% do ICMS VAI para os municípios."
"Noventa por cento da produção musical hoje É FEITA em CD."
"Dez por cento da população brasileira É SUBNUTRIDA."
"Trinta por cento da fazenda SERÁ OCUPADA."
"Vinte por cento da água ESTÁ CONTAMINADA."
"Oitenta por cento dessa quantia ERA ENTREGUE a clínicas conveniadas."
"Quase 90% do faturamento da Coleman do Brasil É PROVENIENTE de
produtos fabricados aqui."
"80% da área em torno do parque ESTÁ DESMATADA."
"Segundo a Secretaria dos Transportes, às cinco horas da manhã apenas
dois por cento da frota CIRCULOU."

OBSERVAÇÃO 2:
COM ESPECIFICADOR plural, o verbo deve concordar com o número:
"Em torno de 1% dos viciados MORRE a cada ano."
"40% dos eleitores entrevistados RESPONDERAM que não ESTAVAM
INTERESSADOS."
"Quase 90% dos empresários ACHAM que o risco de fraude é maior..."

OBSERVAÇÃO 3:
Quando o percentual é antecedido por um DETERMINANTE, a concordância é
feita com esse determinante:
"Esses trinta por cento da fazenda SERÃO OCUPADOS."
"Os restantes quinze por cento da produção VÃO SER ARMAZENADOS.

11. SE - PARTÍCULA APASSIVADORA

"ALUGA-SE ou ALUGAM-SE apartamentos ?"

Quando a partícula SE é apassivadora, significa que a frase está na voz
passiva (=sujeito "sofre" a ação verbal). Apartamentos é o sujeito e
está no plural. Portanto, o certo é: "ALUGAM-SE apartamentos".
É um caso de voz passiva sintética ou pronominal. Corresponde a
"Apartamentos SÃO ALUGADOS".
Quando vejo escrito numa placa "CONCERTA-SE bicicletas", primeiro fico
imaginando uma "sinfonia" de bicicletas e, depois, a necessidade de
CONSERTAR a plaquinha. O certo é: "CONSERTAM-SE bicicletas"(="Bicicletas
SÃO CONSERTADAS").
Para que a partícula SE seja apassivadora, é preciso que haja um "objeto
direto" para se transformar em sujeito passivo. O verbo deve concordar
com o sujeito passivo:
"VENDE-SE este automóvel." ( = Este automóvel é vendido);
"VENDEM-SE automóveis." ( = Automóveis são vendidos).
Vejamos mais exemplos:
"A idéia de SE CONVOCAREM mulheres e seminaristas para um serviço
obrigatório alternativo ..." (="A idéia de mulheres e seminaristas serem
convocados...")
"...para que SE USEM os veículos com moderação durante o inverno."
(=...para que os veículos sejam usados com moderação durante o inverno).
"Cada vez mais SE FAZEM diagnósticos do vírus."
"Quando SE EXCLUEM as importações de automóveis ..."
"Não faz busca por proximidade onde SE OBTÊM respostas."
"Já SE VÊEM alguns traços do futuro."
"Os sons da África vão revelando histórias que não se VÊEM." (=que não
são vistas)
"Não estamos contra que SE TAXEM as propriedades improdutivas."
"MULTIPLICAM-SE os casos de armas em mãos erradas."
"Não SE PERCEBERAM ainda todos os erros."
"Não SE PODEM PROIBIR as pessoas de fazer o que gostam."
"PODEM-SE FAZER passeios de charrete..."
"DEVEM-SE EVITAR as formas repolhudas."
"Estes são os livros que SE PODEM ler." (=...os livros que PODEM ser
lidos)
"Estas são as metas que SE DEVEM atingir." (=...as metas que DEVEM ser
atingidas)

12. SE - PARTÍCULA INDETERMINADORA DO SUJEITO

Se não houver "objeto direto" para virar "sujeito passivo", a partícula
SE é indeterminanadora do sujeito. O sujeito é indeterminado e o verbo
concorda no SINGULAR:
"PRECISA-SE de operários." (de operários = objeto indireto)
"Não SE NECESSITA mais de todos esses dados." (=objeto indireto)
"É necessário que SE RECORRA a soluções de impacto." (=obj.ind.)
"Não SE ACREDITA mais em marcas nacionais." (obj.ind.)
"DEVE-SE aspirar a melhores resultados." (=obj.ind.)
"MORRE-SE de frio e de fome nesta terra." (de frio e de fome = adjuntos
adverbiais de causa; nesta terra = adjunto adverbial de lugar)
"Não SE VIVE mais como naqueles tempos." (VIVER = verbo intransitivo)
"HÁ de SE viver com mais dignidade desta terra." (sem objeto direto)

13. NOMES PRÓPRIOS no PLURAL

Se o nome próprio vier antecedido de artigo plural, o verbo deve
concordar no plural:
"Os ESTADOS UNIDOS CONVIDARAM, mas a seleção brasileira corre o risco
de não participar da Copa Ouro, na Califórnia."
"Os ALPES SUÍÇOS CAUSARAM um grande deslumbramento."
"Os ANDES FICAM na América do Sul."
"Os ESTADOS UNIDOS não ACEITARAM as condições impostas..."
"As MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS CONSAGRARAM Machado de Assis."

OBSERVAÇÃO 1:
Se não houver artigo no plural, o verbo fica no SINGULAR:
"Memórias Póstumas de Brás Cubas CONSAGROU Machado de Assis."
"Santos FICA em São Paulo."
"O Amazonas DESÁGUA no Oceano Atlântico."

OBSERVAÇÃO 2:
Com nomes de obras artísticas, mesmo antecedidas de determinante no
plural, preferimos o verbo no SINGULAR:
"OS LUSÍADAS IMORTALIZOU Camões."
"OS SERTÕES NARRA a luta de Canudos."

OBSERVAÇÃO 3:
Com o verbo SER e o predicativo a seguir no singular, preferimos o verbo
no SINGULAR:
"Os Lusíadas É A OBRA MAIOR da literatura portuguesa."
"Os Três Mosqueteiros É UM LIVRO GENIAL."
"Os Estados Unidos É O MAIOR EXPORTADOR do mundo."
"Os Estados Unidos já FOI o primeiro mercado consumidor."

14. TUDO / NADA / NINGUÉM

Antes ou depois de vários substantivos. Verbo no SINGULAR:
"TUDO, jornais, revistas, televisão, só TRAZIA más notícias."
"Livros, canetas, cadernos, TUDO ESTAVA sobre a mesa."
"NINGUÉM, pais, irmãos, primos, VEIO ajudá-lo."
"Bacalhau, vinho, azeite, NADA ESTEVE em sua mesa no último Natal."

15. UM DOS QUE

"Ele é um dos que VIAJOU ou VIAJARAM ?"

Embora alguns gramáticos considerem a concordância facultativa, nós
devemos usar o verbo no PLURAL, para concordar com a palavra que
antecede o pronome relativo QUE:
"Ele é um DOS que VIAJARAM."
O raciocínio é o seguinte: "dentre aqueles que viajaram, ele é um".
Um outro motivo que nos leva a preferir o verbo no PLURAL é a
concordância nominal. Todos diriam que "ele é um dos artistas mais
BRILHANTES" (="que mais BRILHAM). Ninguém usaria o adjetivo BRILHANTE no
singular.
Portanto, depois de UM DOS...QUE, faça a concordância com o verbo no
PLURAL:
"Ela foi uma DAS MULHERES que SOCORRERAM as vítimas da enchente."
"É aniversário de um DOS MAIORES HOSPITAIS do país que TRATAM o câncer
infantil."
"Uma DAS LINHAS que TRAZEM energia de Itaipu foi desligada ontem."
"Um DOS que a CONVOCARAM foi o senador Rafael Michelini."
"Ela é uma DAS EMPRESAS CREDORAS que COMPÕEM o comitê de negociação."
"Eu fui um DOS que ACHAVAM que o Plano não daria certo."
"Um DOS FATOS que mais CHOCARAM os pesquisadores foi a excessiva
quantidade de prescrições."
"Ele foi um DOS INTELECTUAIS que mais SE DESTACARAM na luta contra o
regime ditatorial."

OBSERVAÇÃO 1:
É interessante lembrar que, caso haja idéia de "exclusividade", o verbo
ficará no SINGULAR:
"Senhora é um dos romances de José de Alencar que CAIU no último
vestibular." (Nesse caso, devemos entender que Senhora é o único romance
de José de Alencar que CAIU na prova do vestibular)

OBSERVAÇÃO 2:
Quando o sujeito for o pronome relativo QUE, o verbo deve concordar com
o antecedente:
"Fui eu que RESOLVI o problema."
"Fomos nós que RESOLVEMOS o problema."
"Eu fui o primeiro que RESOLVEU o problema." (ou "que RESOLVI ...")
"Nós fomos os últimos que SAÍRAM da sala." (ou "que SAÍMOS ...")

OBSERVAÇÃO 3:
Quando o sujeito for o pronome relativo QUEM, a concordância se faz
normalmente na 3ª pessoa do singular:
"Fui eu QUEM RESOLVEU o caso."
"Na verdade, são vocês QUEM DECIDIRÁ a data."
Observe que, se invertermos a ordem, não haverá dúvida alguma:
"QUEM RESOLVEU o caso fui eu."
"QUEM DECIDIRÁ a data são vocês."
Entretanto, embora pouco usual, não é considerado erro o fato de o verbo
concordar com o pronome que antecede o QUEM:
"Fomos nós quem RESOLVEMOS o caso."
"Não sou eu quem DESCREVO."

OBSERVAÇÃO 4:
Quando não houver o pronome QUE, o verbo deve obrigatoriamente concordar
com o núcleo do sujeito (=pronome que está antes da preposição DE):
"UM dos casais já TINHA mais de vinte anos de vida em comum."
"NENHUM de nós dois PÔDE comparecer ao encontro."
"ALGUÉM da equipe RESOLVEU o problema."
"QUAL de vocês CHEGOU em primeiro?"
"QUEM dentre nós ESTÁ DISPOSTO a sair?"
"MUITOS de nós LERAM o livro." (Nesse caso poderíamos usar "Muitos de
nós LEMOS o livro", se quiséssemos subentender a idéia de "eu também" =
ênfase no todo).

16. VOSSA SENHORIA / SUA SENHORIA

"Vossa Excelência DEVE ou DEVEIS viajar ?"

Os pronomes de tratamento (= VOSSA EXCELÊNCIA, VOSSA SENHORIA, VOSSA
SANTIDADE, VOSSA MAJESTADE, VOSSA ALTEZA...) são de 3a. pessoa (=VOCÊ).
"Vossa Excelência DEVE viajar."
"Vossa Senhoria PODE trazer seus convidados."
"Sua Excelência DEVERÁ comparecer à reunião."

OBSERVAÇÃO 1:
São formas rigorosamente femininas. Quando se tratar de homem, é
aceitável a concordância no masculino:
"Vossa Senhoria estava muito CANSADA ou CANSADO."
"Sua Excelência parece PREOCUPADA ou PREOCUPADO."
Se houver aposto, a concordância é obrigatória:
"Sua Excelência, o presidente, parece PREOCUPADO."

OBSERVAÇÃO 2:
VOSSA EXCELÊNCIA deve ser usado quando nos dirigimos à pessoa.
SUA EXCELÊNCIA deve ser usado quando falamos a respeito da pessoa.

17. Verbo CUSTAR

É unipessoal. Só deve ser usado na 3a. pessoa do singular.
"Francamente, CUSTEI a me acostumar e até achei o conjunto um pouco
feio."
Embora usual, essa forma não segue rigorosamente a gramática. O correto
seria "custou-me", mas isso é inadequado à fala de qualquer brasileiro.
Podemos substituir por outras formas:
"Francamente, FOI DIFÍCIL eu me acostumar ..."

OBSERVAÇÃO:
Sempre que o sujeito for "oracional", o verbo deve concordar no
singular:
"CUSTOU-me perceber a verdade."
"CUSTA a nós aceitar essas condições."
"FALTA chegarem dez convidados."
"No Vestibular, BASTA conseguir três mil pontos."
"É NECESSÁRIO convocar onze craques para poder sonhar com a Copa."

18. Verbos DAR / BATER / SOAR (aplicado a horas)

Quando houver sujeito (=relógio, sino...), o verbo deve concordar:
"O relógio DEU dez horas."
"O sino BATEU doze horas."

Se não houver o sujeito, o verbo concorda com as horas:
"DERAM dez horas."
"BATERAM doze horas."
"BATEU meia-noite."

19. Verbos HAVER e EXISTIR

O verbo HAVER, no sentido de "existir", "ocorrer" ou "tempo decorrido",
é IMPESSOAL (=sem sujeito); por isso só deve ser usado no SINGULAR.
Observe os exemplos:
"Nesta competição não HÁ titulares ou reservas." (=existem)
"Já HOUVE vários acidentes nesta curva." (=ocorreram, aconteceram)
"HAVIA meses que não nos víamos." (=tempo decorrido)
"Mas se não HOUVESSE projetos de lei para a Imprensa."
"Desfez o mito da época em que não HAVIA condições técnicas."
No presente do indicativo, ninguém erra. Ninguém diria: "Hão muitas
pessoas na reunião". A dúvida só existe quando o verbo está no pretérito
ou no futuro: "No próximo concurso HAVERÁ ou HAVERÃO muitos candidatos".
O certo é "HAVERÁ muitos candidatos". A regra não muda. É a mesma regra:
esteja o verbo no presente, pretérito ou futuro.
O erro mais grosseiro é o "famoso" houveram. É o caso da manchete de
jornal: "Houveram vários crimes na Baixada". Com certeza o primeiro
crime foi contra a língua portuguesa.

OBSERVAÇÃO 1:
Esta regra se aplica também às locuções verbais:
"DEVE HAVER muitas pessoas na reunião." (=devem existir)
"PODERIA TER HAVIDO alguns incidentes." (=poderiam ter ocorrido)
"O país tem centenas de microclimas em que PODE HAVER várias espécies."
"PODE HAVER várias especulações."
"DEVIA HAVER cinco anos que ele foi demitido."
Nas locuções verbais, o verbo principal é sempre o último; os demais são
verbos auxiliares. Se o verbo principal for impessoal (=sujeito
inexistente), o verbo auxiliar fica no SINGULAR.

OBSERVAÇÃO 2:
O verbo EXISTIR é pessoal (=com sujeito) e deve concordar com o seu
sujeito:
"EXISTEM no Brasil dois tipos de caipiras." (=sujeito plural)
"Na Polícia Federal não EXISTEM fotos dos traficantes."
"Nesta competição não EXISTEM titulares ou reservas."
"Praticamente não EXISTEM mais homens capazes de derrotá-lo."
"Ainda PODEM EXISTIR dúvidas para serem resolvidas."
Os verbos OCORRER e ACONTECER também são pessoais:
"Nesta rua, já ACONTECERAM muitos acidentes." (=sujeito plural)
"Neste julgamento, PODEM OCORRER algumas injustiças."
O verbo HAVER fica no singular porque não tem sujeito (=sujeito
inexistente), mas os seus sinônimos têm sujeito e devem concordar.

OBSERVAÇÃO 3:
O verbo HAVER pode ser usado no plural, desde que não tenha o sentido
"existir", "ocorrer" ou "tempo decorrido".
Observe os exemplos:
"Os professores HOUVERAM por bem adiar as provas." (=decidiram)
"Os alunos se HOUVERAM bem na defesa de tese." (=apresentaram, "se
deram", "se saíram")

20. Verbo FAZER

O verbo FAZER, referindo-se a "tempo decorrido", é IMPESSOAL (=sem
sujeito); por isso só deve ser usado no SINGULAR.
"FAZ dez anos que não nos vemos."
"FAZ sete ou oito minutos que ele não toca na bola."
É interessante lembrar que esta regra se aplica também às locuções
verbais. Quando o verbo principal for o FAZER (="tempo decorrido"), o
auxiliar deve ficar no SINGULAR:
"Já DEVE FAZER duas horas que ela saiu."
"VAI FAZER cinco anos que não nos vemos."

21. Verbo SER

a) Quando não tem sujeito (=referindo-se a tempo ou espaço), deve
concordar com a palavra seguinte:
"É uma hora da tarde."
"SÃO duas horas da tarde."
"SÃO treze horas."
"DEVE SER meio-dia e meia."
"PODERIAM SER doze horas e trinta minutos."
"ERAM dez para as três."
"SÃO treze quilômetros até o centro da cidade."

OBSERVAÇÃO:
Quanto aos dias do mês, para evitar a velha polêmica "hoje é ou são
treze de maio", sugerimos:
"Hoje É dia treze de maio.
"Amanhã SERÁ dia vinte,"

b) Se o sujeito estiver no singular e o predicativo no plural (ou
vice-versa) , a concordância se faz de preferência no PLURAL:
"Tudo SÃO hipóteses."
"O problema ERAM as chuvas."
"Muitos foram presos. A maioria SÃO menores."
"O resultado da pesquisa FORAM números assustadores."
"Esses dados SÃO parte de um relatório elaborado pela comissão especial
do Senado."
"As cadernetas de poupança ERAM a melhor garantia para o futuro."
"Estas providências FORAM a salvação da empresa."

c) Se o sujeito for nome de pessoa ou pronome pessoal, o verbo deve
concordar com o SUJEITO:
"Beto ERA as esperanças do time."
"Fernando Pessoa É muitos poetas ao mesmo tempo."
"Eu SOU o responsável."
"Ele é forte, mas não É dois."

d) Se o predicativo for nome de pessoa ou pronome pessoal, o verbo
concorda com o PREDICATIVO:
"As esperanças do time ERA o Beto."
"O responsável SOU eu."
"Os escolhidos FOMOS nós."

e) Se houver dois pronomes pessoais, o verbo SER concorda com o
primeiro:
"Eu não SOU você."
"Ele não É eu."
"Nós não SOMOS vocês."

f) Nas frases interrogativas, o verbo SER concorda com o predicativo:
"Quem SÃO os convocados?"
"Quem FORAM os responsáveis?"
"Que SÃO seis meses?"

g) Quando o sujeito for o pronome relativo que, o verbo fica no
SINGULAR:
"Eu moro neste edifício, que em breve SERÁ só escombros."
"Esta empresa, que hoje É só demissões, já foi líder de mercado."

h) Se o predicativo for o pronome demonstrativo o, o verbo SER fica no
SINGULAR:
"Inimigos É o que não lhe falta."
"Eleições diretas É o que o povo queria."

h) Antes de muito, pouco, bastante, demais...(=indicação de preço,
quantidade, medida, porção ou equivalente), o verbo SER fica no
SINGULAR:
"Mil dólares É MUITO por este trabalho."
"Dez quilômetros É DEMAIS para mim."
"Duas lutas SERÁ POUCO para ele ganhar experiência."

Por Fascículo > 3. Concordância Nominal e Plural

Regra básica: Os artigos, os adjetivos, os pronomes e os numerais devem
concordar com o substantivo em gênero e número.
"Mas não é só nos chamados mercados EMERGENTES."
"Muitos contêm bactérias CAUSADORAS de desidratação por diarréia."
"As empresas sentiram o quanto são IMPORTANTES estes encontros."
"Recebeu R$12.419 bilhões LÍQUIDOS."
"Vicentinho pediu EMPRESTADOS um paletó e uma gravata."
"Alguns índios já declaram guerra à espécie de jacaré mais AGRESSIVA
que vive no Brasil."
"Os fiscais apreenderam trinta quilos de peixe ESTRAGADO."
"Ele disse ter achado ESTRANHA a demora dos policiais em comunicar a
operação aos superiores."
"As bolsas brasileiras acompanharam a tendência americana e fecharam
praticamente ESTÁVEIS."
"Pediu EMPRESTADA a quantia de dez mil dólares."
"Ele tachou de ABSURDAS as declarações do deputado."
"O juiz considerou ILEGAIS os dois gols."
"Uma pequena parte do lixo é REAPROVEITADA."
"Devido a este acidente, ele ficou com parte do corpo PARALISADA."
"As praias estavam lotadas. A maioria, PAULISTANA."
ou "Na maioria, PAULISTANOS."

OBSERVAÇÃO 1:
"São cem metros LIVRES." e "São duzentos metros RASOS."
Porém: "São cem metros PEITO ou BORBOLETA."
"Vamos conferir os recordes dos cem metros nado BORBOLETA FEMININO."
"Cleber Machado narra os cem metros PEITO FEMININO."
Sugestão: Se usarmos a palavra NADO expressa na frase, jamais haverá
dúvida. Todos os adjetivos ficarão no MASCULINO SINGULAR:
"200 metros nado LIVRE MASCULINO"
"200 metros nado BORBOLETA FEMININO"
"200 metros nado PEITO MASCULINO"
"200 metros nado COSTAS FEMININO".

OBSERVAÇÃO 2:
O certo é "Seleção MASCULINA de vôlei", e não "Seleção de vôlei
masculino";
"Circuito mundial FEMININO de vôlei de praia, e não "Circuito mundial
de vôlei de praia feminino".

OBSERVAÇÃO 3:
Caso o adjetivo se refira a vários substantivos de gêneros diferentes, a
concordância deve ser feita no MASCULINO PLURAL:
"Pêlos, dentes e barbatanas foram ANALISADOS ..."
"Compraram motores e peças ESTRANGEIROS."
"Todo dia, o paulistano enfrenta trânsito e ruas CAÓTICOS."

Se os substantivos forem do mesmo gênero, o adjetivo mantém o gênero e
concorda no PLURAL:
"Os garis da Comlurb passaram o dia retirando a lama e as pedras que
ficaram ATRAVESSADAS na pista."
"A língua e a literatura INGLESAS foram as escolhidas."
"Estavam NERVOSOS o gerente e o diretor."

OBSERVAÇÃO 4:
Quando o adjetivo vier antes de vários substantivos, ele deve concordar
com o substantivo mais próximo:
"Escolheu MÁ hora e lugar."
"Escrevia LONGAS histórias e relatórios."

OBSERVAÇÃO 5:
Quando o substantivo é qualificado por mais de um adjetivo, tratando-se
de seres diferentes, o substantivo fica no PLURAL (ou no singular, se
repetir o artigo):
"Completou OS CURSOS básico e intermediário."
"Completou o CURSO básico e o intermediário."
"Precisam aprender AS LÍNGUAS inglesa, espanhola e alemã."
"Precisam aprender a LÍNGUA inglesa, a espanhola e a alemã."
"Esta é a última semana para inscrição no concurso de Metrô, para AS
ÁREAS administrativa e operacional."

Casos especiais:

1. O AGRAVANTE ou A AGRAVANTE ?
AGRAVANTE é palavra feminina.
"Havia UMA AGRAVANTE: o motorista estava alcoolizado."

OBSERVAÇÃO:
ATENUANTE também é palavra feminina:
"O advogado alegou a existência de ALGUMAS ATENUANTES."

2. ALERTA ou ALERTAS ?
É invariável.
"Nós ficamos ALERTA para isso."
"Os guardas estavam ALERTA."
ALERTA geralmente é um advérbio. Como adjetivo, alguns autores aceitam
a forma plural: "Nós ficamos ALERTAS e os guardas estavam ALERTAS".

OBSERVAÇÃO 1:
Os advérbios são invariáveis:
"A bola rola MACIO na Supercopa."
"Milhares de brasileiros vivem ILEGAL nos Estados Unidos." (Melhor:
"ilegalmente")

OBSERVAÇÃO 2:
TODO (=totalmente) é o único advérbio que se flexiona:
"A Ilha do Governador está TODA reformada."
"A porta está TODA fechada."

3. ANEXO ou EM ANEXO ?
É um adjetivo. Deve concordar.
EM ANEXO é invariável.
"O formulário segue ANEXO (ou EM ANEXO)."
"ANEXOS (=ou EM ANEXO) seguem os formulários."
"A nota e o troco vão ANEXOS."
"Encontramos o registro ANEXO à certidão."

4. Plural das palavras terminadas em "ÃO"
a) A maioria muda a terminação "ão" em "ÕES":
anfitriões, balões, botões, espiões, feijões, gaviões, limões, mamões,
melões, zangões...
OBSERVAÇÃO 1:
Neste grupo incluem-se todos os aumentativos:
casarões, chapelões, dramalhões, facões, narigões, paredões, pobretões,
vozeirões...

b) Um pequeno número de palavras muda "ão" em "ÃES":
afegães, alemães, cães, capelães, capitães, catalães, escrivães, pães,
sacristães, tabeliães...

c) Um pequeno número de palavras acrescenta um "s" (=ÃOS):
cidadãos, cortesãos, cristãos, grãos, irmãos, mãos, pagãos, vãos...
OBSERVAÇÃO 2:
Neste grupo incluem-se todas as palavras paroxítonas:
acórdãos, bênçãos, órfãos, órgãos, sótãos...

d) Muitas palavras admitem duas ou até três formas de plural:
alazães ou alazões;
aldeãos, aldeães ou aldeões;
anãos ou anões;
anciãos, anciães ou anciões;
artesãos (=artífice) ou artesões (=adorno arquitetônico);
castelãos ou castelões;
charlatães ou charlatões;
cirurgiães ou cirurgiões;
corrimãos ou corrimões;
ermitãos, ermitães ou ermitões;
faisães ou faisões;
guardiães ou guardiões;
hortelãos ou hortelões;
refrãos ou refrães;
sacristãos ou sacristães;
sultãos, sultães ou sultões;
verãos ou verões;
vilãos, vilães ou vilões;
vulcãos, vulcães ou vulcões.

5. BASTANTE ou BASTANTES ?
Como advérbio de intensidade (=muito) é invariável:
"Eles trabalharam BASTANTE para chegar até aqui."
"Eles ficaram BASTANTE cansados." (Neste caso, é preferível usar "MUITO
cansados")

OBSERVAÇÃO 1:
Como pronome indefinido (=antes de um substantivo), deverá concordar com
o substantivo:
"Está com BASTANTES problemas para resolver." (É melhor: "MUITOS
problemas)
"O dia fica aberto, com BASTANTE sol em todas as regiões."
(Simplesmente "com sol" seria melhor)
Devemos evitar o uso de BASTANTE como pronome indefinido.

OBSERVAÇÃO 2:
Como adjetivo (após um substantivo = suficiente), deve concordar com o
substantivo:
"Ele já tem provas BASTANTES para incriminar o réu." (É melhor: "provas
SUFICIENTES")
"As provas já são BASTANTES para incriminar o réu." (É melhor: "As
provas já são O BASTANTE para incriminar o réu." / É preferível: "As
provas já são SUFICIENTES para incriminar o réu.")

6. O CAIXA ELETRÔNICO ou A CAIXA ELETRÔNICA ?
O certo é: O CAIXA ELETRÔNICO.
O objeto é substantivo feminino: A CAIXA:
"A CAIXA registradora estava quebrada."
O funcionário pode ser masculino ou feminino, conforme o sexo da pessoa:
O CAIXA ou A CAIXA.
Em expressões como "passe NO CAIXA" ou "vou AO CAIXA", usamos o artigo
masculino, pois nos referimos ao funcionário genericamente, não
importando o seu sexo. Em razão disso, devemos usar O CAIXA ELETRÔNICO.

7. CHAPÉUS ou CHAPÉIS ?
O certo é: CHAPÉUS.
As palavras terminadas em "éu" fazem plural em "éus" (=com a desinência
"s"): réu / réus; troféu / troféus; fogaréu / fogaréus...

OBSERVAÇÃO:
As palavras terminadas em "el" fazem plural em "éis": papel / papéis;
pastel / pastéis; anel / anéis...

8. O COMA ou A COMA ?
COMA é uma palavra masculina:
"Ela entrou em COMA ALCOÓLICO."

9. Plural das palavras COMPOSTAS
a) Quando o substantivo composto é constituído de palavras que se
escrevem ligadamente, sem hífen, somente o último elemento vai para o
plural:
aguardentes, pontapés, vaivéns...

b) Quando a palavra composta, com HÍFEN, é constituída de substantivos,
os dois vão para o plural:
abelhas-mestras, amigos-ursos, capitães-tenentes, capitães-aviadores,
cartas-bilhetes, cirurgiões-dentistas, couves-flores, decretos-leis,
micos-leões, pesos-galos, porcos-espinhos, sacis-pererês,
tamanduás-bandeiras, tenentes-coronéis...

c) Quando a palavra composta, com HÍFEN, é constituída de substantivos e
segundo faz papel de adjetivo, só o primeiro vai para o plural:
bombas-relógio, canetas-tinteiro, carros-bomba, decretos-lei,
elementos-chave, homens-macaco, homens-rã, licenças-prêmio,
livros-caixa, mangas-rosa, navios-escola, operários-padrão,
papéis-moeda, peixes-boi, pombos-correio, salários-família,
tatus-bola...

OBSERVAÇÃO 1:
A diferença é a seguinte:
Em TENENTE-CORONEL, o segundo substantivo NÃO faz papel de adjetivo (=
tenente-coronel NÃO é um tipo de tenente). O plural é:
TENENTES-CORONÉIS;
Em OPERÁRIO-PADRÃO, o segundo substantivo faz o papel de adjetivo (=
operário-padrão é um tipo de operário). O plural é: OPERÁRIOS-PADRÃO.
Observe que algumas palavras aceitam as duas formas de plural:
DECRETOS-LEIS ou DECRETOS-LEI.
Observe também que muitas palavras NÃO seguem esta regra:
CIDADES-SATÉLITES, MICOS-LEÕES, TAMANDUÁS-BANDEIRAS...

d) Se a palavra composta, com HÍFEN, é constituída de um substantivo e
um adjetivo (ou adjetivo + substantivo), os dois elementos vão para o
plural:
altas-rodas, altos-fornos, amores-perfeitos, batatas-doces, boas-novas,
bóias-frias, bons-dias, cabeças-chatas, cachorros-quentes, dedos-duros,
ervas-doces, guardas-civis, lugares-comuns, mamões-machos, mãos-bobas,
marias-moles, matérias-primas, meias-luas, meios-fios, obras-primas,
ovelhas-negras, peles-vermelhas, puros-sangues...

OBSERVAÇÃO 2:
Observe a diferença:
Em LIVRO-CAIXA, LIVRO e CAIXA são dois substantivos. O segundo
substantivo (=CAIXA) faz o papel de adjetivo (livro-caixa é um tipo de
livro) = só o primeiro vai para o plural: LIVROS-CAIXA.
Em CAIXA-PRETA, CAIXA é substantivo e PRETA é adjetivo. Os dois
elementos devem ir para o plural: CAIXAS-PRETAS.

e) Se a palavra composta, com HÍFEN, é constituída de um numeral e um
substantivo, os dois elementos vão para o plural:
primeiros-ministros, segundos-sargentos, terças-feiras, quartas-feiras,
quintas-feiras, sextas-feiras...

f) Se a palavra composta, com HÍFEN, é constituída de um verbo e um
substantivo, somente o substantivo vai para o plural:
Arranha-céus, bate-papos, guarda-chuvas, lança-perfumes, lava-pés,
mata-borrões, pára-brisas, pára-choques, pára-lamas, porta-bandeiras,
porta-vozes, quebra-cabeças, quebra-molas, salva-vidas, vira-latas...

OBSERVAÇÃO 3:
Observe a diferença:
Em GUARDA-CIVIL, GUARDA é substantivo e CIVIL é adjetivo. Os dois vão
para o plural: GUARDAS-CIVIS, guardas-noturnos, guardas-florestais...
Em GUARDA-CHUVA, GUARDA é verbo e CHUVA é substantivo. Só o substantivo
vai para o plural: GUARDA-CHUVAS, guarda-louças, guarda-roupas,
guarda-costas...

g) Se a palavra composta, com HÍFEN, é constituída de dois ou mais
adjetivos, somente o último adjetivo vai para o plural:
Consultórios MÉDICO-CIRÚRGICOS
Candidatos SOCIAL-DEMOCRATAS
Atividades TÉCNICO-CIENTÍFICAS
Problemas POLÍTICO-ECONÔMICOS
Cabelos CASTANHO-ESCUROS
Olhos VERDE-CLAROS

OBSERVAÇÃO 4:
Os adjetivos compostos referentes a cores são INVARIÁVEIS quando o
segundo elemento é um substantivo: verde-garrafa, verde-mar,
verde-musgo, verde-oliva, azul-céu, azul-piscina, amarelo-ouro,
rosa-choque, vermelho-sangue...
Observe a diferença:
1. Olhos VERDE-CLAROS = cor + adjetivo (claro ou escuro);
2. Calças VERDE-GARRAFA = cor + substantivo.
Também são invariáveis: AZUL-CELESTE e AZUL-MARINHO.

h) Se houver uma preposição entre os dois substantivos, só o primeiro
elemento vai para o plural:
amigos-da-onça, bicos-de-papagaio, dores-de-cotovelo, estrelas-do-mar,
generais-de-divisão, grãos-de-bico, joões-de-barro, mulas-sem-cabeça,
pais-de-santo, pães-de-ló, pés-de-cabra, pés-de-moleque, pores-do-sol...

OBSERVAÇÃO 5:
Os FORA-DA-LEI, os FORA-DE-SÉRIE...são INVARIÁVEIS.

i) Se o primeiro elemento for advérbio, preposição ou prefixo, somente o
segundo elemento vai para o plural:
abaixo-assinados, alto-falantes, ante-salas, anti-semitas,
auto-retratos, bel-prazeres, contra-ataques, grão-duques,
recém-nascidos, sem-vergonhas, super-homens, todo-poderosos,
vice-campeões...

OBSERVAÇÃO 6:
Os SEM-TERRA, os SEM-TETO...são INVARIÁVEIS.

OBSERVAÇÃO 7:
Se a palavra composta é constituída por advérbio + pronome + verbo,
somente o último elemento varia: bem-me-queres, bem-te-vis,
não-me-toques...

j) Se a palavra composta é constituída pela repetição das palavras
(onomatopéias = reprodução dos sons), o segundo elemento vai para o
plural:
bangue-bangues, pingue-pongues, reco-recos, tique-taques...

k) Casos especiais:
Os arco-íris, as ave-marias, os banhos-maria, os joões-ninguém, os
louva-a-deus, os lugar-tenentes, os mapas-múndi, os padre-nossos, as
salve-rainhas, os surdos-mudos...

l) São INVARIÁVEIS:
· compostos de verbo + palavra invariável:
os bota-fora, os cola-tudo, os topa-tudo...
· compostos de verbos de sentido oposto:
os entre-e-sai, os leva-e-traz, os perde-ganha, os sobe-e-desce, os
vai-volta...
· expressões substantivadas:
os bumba-meu-boi, os chove-não-molha, os disse-me-disse...

10. CONFORME ou CONFORMES ?
Como conjunção conformativa (=segundo, como) é invariável:
"Fez tudo CONFORME os procedimentos estabelecidos."
"CONFORME as leis vigentes, esta é a única solução."
Como adjetivo, deve concordar com o substantivo a que se refere:
"Durante a auditoria, só encontraram produtos CONFORMES."
"Ficaram CONFORMES (=CONFORMADOS) com a atual situação."

11. DEGRAUS ou DEGRAIS ?
O certo é: DEGRAUS.
As palavras terminadas em "au" fazem plural com o acréscimo de "s":
degrau / degraus; grau / graus...

OBSERVAÇÃO:
As palavras terminadas em "al" fazem plural em "ais": animal / animais,
canal / canais; igual / iguais...

12. Plural dos DIMINUTIVOS (=em ZINHO ou ZITO)
Nos diminutivos formados com os sufixos -ZINHO e -ZITO, a regra é a
seguinte:
1º) Ponha a palavra primitiva no plural:
PAPEL > PAPÉIS
BALÃO > BALÕES
FLOR > FLORES
2º) Acrescente o sufixo do diminutivo (=zinho, zinha, zito), passando a
desinência do plural (="s") para depois do sufixo:
PAPÉI (s) + ZINHO + S = PAPEIZINHOS
BALÕE (s)+ ZINHO + S = BALÕEZINHOS
FLORE (s)+ ZINHA + S = FLOREZINHAS

OBSERVAÇÃO 1:
Os acentos gráficos (=agudo e circunflexo) não são necessários no
diminutivo porque a sílaba tônica é a penúltima (="zi"): papeiZInhos.
O til permanece pois não é acento (=é sinal de nasalização):
balõezinhos.
Observa mais alguns exemplos:
ANEIZINHOS, ANIMAIZINHOS, AZUIZINHOS, BAREZINHOS, CÃEZITOS, CASAIZINHOS,
CORAÇÕEZINHOS, FAROIZINHOS, IGUAIZINHOS, MULHEREZINHAS, PÃEZINHOS...

OBSERVAÇÃO 2:
Quando o diminutivo é formado com o sufixo -INHO, basta acrescentar a
desinência do plural (="s"):
CRUZ + INHA = CRUZINHAS;
LUZ + INHA = LUZINHAS;
LÁPIS + INHO = LAPISINHOS;
PAÍS + INHO = PAISINHOS.

OBSERVAÇÃO 3:
Quando a palavra primitiva forma plural apenas com a desinência "s",
basta colocá-la depois do sufixo diminutivo:
CHAPÉU (s) + ZINHO = CHAPEUZINHOS;
DEGRAU (s) + ZINHO = DEGRAUZINHOS;
PAI (s) + ZINHO = PAIZINHOS;
MÃO (s) + ZINHA = MÃOZINHAS.
Observe a diferença:
ALEMÃ (s) + ZINHA = ALEMÃZINHAS;
ALEMÃO > ALEMÃE (s) + ZINHO = ALEMÃEZINHOS.

13. UM DÓ ou UMA DÓ ?
Os dicionários e as gramáticas afirmam que DÓ é palavra masculina:
"Senti UM grande DÓ de você."
"Fiquei com MUITO DÓ das crianças."

14. É PROIBIDO ou É PROIBIDA ?
Só concorda com o substantivo se estiver determinado:
"É PROIBIDA a entrada de estranhos."
"É PROIBIDO entrada de estranhos."
"A bebida alcoólica não é PERMITIDA."
"Bebida alcoólica não é PERMITIDO."
"Demissão em massa não é BOM para o governo."
"Sua demissão não foi BOA para o governo."

15. EXTRA ou EXTRAS ?
EXTRA, como adjetivo, deve concordar com o substantivo a que se refere:
"Trabalhou muitas horas EXTRAS."
"Fez vários serviços EXTRAS."

16. FAX ou FAXES ?
As palavras terminadas em "x" são invariáveis: os clímax, os tórax, os
ônix, os telex...
A princípio, devemos dizer:
"Ele recebeu dois FAX."
OBSERVAÇÃO:
Devido a BOXES (=plural de BOX), há quem defenda FAXES (=palavras
monossílabas terminadas em "x" fazem plural com o acréscimo de "es")

17. GRAVIDEZ ou GRAVIDEZES ?
As palavras terminadas em "z" fazem plural com o acréscimo de "es":
Luz / luzes; cruz / cruzes; rapaz / rapazes; juiz / juízes; gravidez /
GRAVIDEZES...

18. O GRAMA ou A GRAMA ?
GRAMA (=peso) é masculino:
"Comprou DUZENTOS GRAMAS de mortadela."
"Ela pediu UM QUILOGRAMA de carne."

19. UM GUARANÁ ou UMA GUARANÁ ?
GUARANÁ é substantivo masculino:
"Tome UM GUARANÁ."

20. HAJA VISTA ou HAJA VISTO ?
É invariável.
"Ele foi demitido HAJA VISTA o problema surgido."
"Ele foi dispensado HAJA VISTA os pontos atingidos."
"Ele foi reprovado HAJA VISTA as notas tiradas."

21. ÍDOLO ou ÍDALA ?
ÍDALA não existe. Devemos usar O ÍDOLO, independentemente do sexo:
"Ela é O maior ÍDOLO da nossa música."

22. JUNIORS ou JÚNIORES ou JUNIORES ?
O certo é: JUNIORES
As palavras terminadas em "r" fazem plural com o acréscimo de "es":
repórteres, revólveres, açúcares, mares, hambúrgueres, contêineres...
A novidade é a sílaba tônica, que se desloca da vogal "u" para a vogal
"o" (=pronuncia-se "juniôres").
Se você não gosta do plural de JÚNIOR, porque acha feio ou estranho, a
minha sugestão é construir a frase evitando o plural: em vez de "seleção
de juniores", diga "seleção de futebol júnior"; em vez de "campeonato de
juniores", diga "campeonato da categoria júnior".

OBSERVAÇÃO:
O mesmo se aplica a SÊNIOR. O plural é SENIORES. SÊNIOR vem do latim e
tem a mesma origem de SENHOR, SENIL e SENADOR.
Agora uma curiosidade. Todo senador romano devia ser "velho, de idade
avançada", o que significava conhecimento e experiência. Já a túnica
branca representava a pureza, daí a palavra candidato, derivada de
cândido. Graças a Deus, o ideal romano está vivo entre nós até hoje!

23. JUNTO ou JUNTOS ?
É um adjetivo e deve concordar com o substantivo a que se refere.
"Os fortes sentimentos vêm JUNTOS."
"Em campo, Romário e Ronaldinho JUNTOS."
"Uma vitória que a dupla de atacantes quer comemorar jogando JUNTA por
muito tempo ainda."

OBSERVAÇÃO 1:
JUNTO A / JUNTO DE (=perto de)
São sinônimos e invariáveis.
"Os dois chutes passaram JUNTO À trave."
"Os reservas estão JUNTO DA comissão técnica."
"Os hotéis ficam JUNTO AO viaduto."
"As casas estão JUNTO DA farmácia."
OBSERVAÇÃO 2:
Devemos evitar o uso de JUNTO A com outro sentido que não seja de "perto
de":
"Ele está preocupado com seu prestígio JUNTO À torcida."
É preferível: "...COM a torcida."
"O governo solicitou um empréstimo JUNTO AO Banco Mundial."
É preferível: "...NO Banco Mundial."

24. O LOTAÇÃO ou A LOTAÇÃO ?
O LOTAÇÃO é o "veículo de transporte" (=microônibus);
A LOTAÇÃO é o "ato de lotar".
"Entrou NO LOTAÇÃO e sumiu".
"Estamos com A LOTAÇÃO esgotada."

25. MEIO ou MEIA ?
Como numeral (=metade), deve concordar:
"Tomou MEIO litro de vodca."
"Tomou MEIA garrafa de vodca."
"Tomou uma garrafa e MEIA."
"Leu um capítulo e MEIO."
"São duas e MEIA da tarde."
"É meio-dia e MEIA."

OBSERVAÇÃO:
Como advérbio (=mais ou menos), é invariável:
"A aluna ficou MEIO nervosa."
"A diretoria está MEIO insatisfeita."
"Os clientes andam MEIO aborrecidos."

26. MELHOR ou MELHORES ?
A palavra MELHOR só pluraliza quando for adjetivo (= mais bom):
"Eles foram os MELHORES em campo."
A palavra MELHOR torna-se invariável quando for advérbio (= mais bem):
"Eles analisaram MELHOR os fatos."
"Eles se colocaram MELHOR."

OBSERVAÇÃO 1:
Devemos usar a forma MAIS BEM antes de particípios verbais:
"Os fatos foram MAIS BEM analisados."
"Eles estão MAIS BEM colocados."
"Até os ministros MAIS BEM colocados obtiveram índices baixos."
"Estes são os esqueletos de macaco MAIS BEM preservados(...) será
possível estudar MELHOR seus hábitos..."
"O Corinthians tem vinte e oito pontos e completa o grupo dois oito
MAIS BEM colocados."
"Aquele projeto é o melhor, o MAIS BEM-FEITO."
"O melhor jogador do mundo não é o MAIS BEM pago."
"Quem será o brasileiro MAIS BEM colocado?"
"Ele provou que estava MAIS BEM preparado."
OBSERVAÇÃO 2:
A mesma regra se aplica a MAIS MAL, MENOS BEM e MENOS MAL.
"Ele é o jogador MAIS MAL pago do futebol brasileiro."
"Nunca vi termo MAIS MAL utilizado que esse."

27. MENOS ou MENAS ?
MENAS não existe. Use sempre MENOS.
"Vieram MENOS pessoas que o esperado."
"Isso é de MENOS importância."

28. MESMO ou MESMA ?
MESMO (=próprio) é pronome e deve concordar.
"Andréia prefere a salgada e o brigadeiro é ela MESMA que faz."
"Nós MESMOS resolvemos o caso."
"As meninas feriram a si MESMAS."

OBSERVAÇÃO:
MESMO (=até, inclusive) é invariável:
"MESMO a diretoria não resolveu o problema."
"MESMO os professores erraram aquela questão."

29. O MILHAR ou A MILHAR ?
MILHAR e MILHÃO são substantivos masculinos.
"NOS MILHARES de linhas que li, não encontrei nada que me
interessasse."
"UM MILHÃO de pessoas e DOIS BILHÕES de dúvidas..."
"OS DOIS MILHÕES de mulheres...

OBSERVAÇÃO:
MIL é numeral, por isso, o artigo ou numeral que o acompanhe concordará
com o substantivo:
"AS MIL e UMA noites..."
"DOIS MIL candidatos compareceram à prova."
"DUAS MIL pessoas estavam na festa."

30. O MODELO ou A MODELO ?
MODELO é palavra masculina (gênero sobrecomum = O MODELO, seja homem ou
mulher). A tendência, hoje, é aceitar a sua transformação em palavra
COMUM DE DOIS GÊNEROS (=O MODELO e A MODELO).
"Ela é A MODELO mais famosa do Brasil."

31. MONSTRO ou MONSTRA ?
Todo substantivo, no papel de adjetivo, é INVARIÁVEL.
"Foram realizados diversos comícios MONSTRO."
"O juiz recebeu uma vaia MONSTRO."

OBSERVAÇÃO:
O nome de coisa (=substantivo), usado como cor (=adjetivo), é
INVARIÁVEL:
"Comprou uma blusa VINHO."
"Comprou duas camisas LARANJA."

32. OBRIGADO ou OBRIGADA ?
As mulheres devem dizer OBRIGADA.
"Muito OBRIGADA, disse ela."

33. O ÓCULOS ou OS ÓCULOS ?
ÓCULOS é um substantivo PLURAL.
"Onde ESTÃO OS MEUS ÓCULOS?"

34. UM OMELETE ou UMA OMELETE ?
OMELETE é um substantivo FEMININO.
"Ela vai comer UMA OMELETE."

35. O PERSONAGEM ou A PERSONAGEM.
Toda palavra terminada em "gem" é feminina. Deveria ser A PERSONAGEM,
não importando o sexo. Hoje, a tendência é usá-la como substantivo COMUM
DE DOIS GÊNEROS: O PERSONAGEM MASCULINO e A PERSONAGEM FEMININA.

36. A POETA ou A POETISA ?
O feminino de POETA é POETISA.
Há quem atribua juízo de valor à palavra: POETISA (=mulher que faz
versos) e A POETA (=uma autora de méritos).

37. A PRESIDENTA ou A PRESIDENTE ?
As duas formas são aceitáveis. Prefiro:
"Nélida Piñon foi a primeira PRESIDENTE da Academia Brasileira de
Letras."

38. QUALQUER ou QUAISQUER ?
O plural de QUALQUER é um caso especial. É uma palavra composta: QUAL
(plural = QUAIS) + QUER (verbo = sem plural). Portanto, o plural de
QUALQUER é QUAISQUER:
"Não pode estar, QUAISQUER que sejam os pretextos."

39. QUITE ou QUITES ?
Concorda normalmente com o substantivo a que se refere.
"Eu estou QUITE com meus credores."
"Nós estamos QUITES."

40. SÓ ou SÓS ?
SÓ (=somente, apenas) é invariável:
"Nesta sala, SÓ os dirigentes podem entrar."
SÓ (=sozinho) deve concordar:
"Os dirigentes ficaram SÓS."

41. O SÓSIA ou A SÓSIA ?
SÓSIA é uma palavra masculina:
"Precisamos de UM SÓSIA para aquela atriz."

42. UM TELEFONEMA ou UMA TELEFONEMA ?
TELEFONEMA é substantivo masculino.
"Saiu para dar UM TELEFONEMA."

43. TODO (=totalmente)
É advérbio de intensidade. Rigorosamente é invariável. É o único
advérbio que podemos flexionar:
"A empresa está com a sua estrutura TODA montada." ("TODO montada" ou
"TOTALMENTE montada")
"A camisa é TODA branca."
"A janela deve ser TODA pintada."

OBSERVAÇÃO:
Como pronome (=antes de substantivo), deve concordar:
"TODA janela deve ser pintada." (=qualquer janela)
"TODA a janela deve ser pintada." (=a janela inteira)
"TODO livro deve ser guardado."
"TODOS os livros devem ser guardados."

44. VOSSA EXCELÊNCIA ficou SATISFEITO ou SATISFEITA ?
VOSSA EXCELÊNCIA é um pronome de tratamento do gênero feminino, seja
homem ou mulher. Seguindo as regras gramaticais, diríamos: "VOSSA
EXCELÊNCIA ficou SATISFEITA".
Entretanto, quando se trata de homem, podemos concordar com a idéia
subentendida: "VOSSA EXCELÊNCIA ficou SATISFEITO". É que chamamos
Silepse de Gênero. É uma forma muito usual e totalmente aceitável.
Ao se dirigir a um juiz, você poderia perfeitamente dizer: "Vossa
Excelência foi muito JUSTA". Se ele se ofender, de duas uma: ou ele não
conhece a nossa gramática ou "não tem lá muita segurança". Que a
concordância no feminino está correta, não há dúvida. Dizem que é
perigoso. Imagine você perguntando a um ministro: "Vossa Excelência esta
CANSADA?" E ele responde: "É verdade, estou MORTA." (???)

45. ZERO GRAU ou ZERO GRAUS ?
O numeral ZERO deixa a palavra seguinte no SINGULAR.
"Estava ZERO GRAU."
"É ZERO HORA."

Por Fascículo > 4. Verbos

Uso dos verbos irregulares
Uso do IMPERATIVO
Uso do INFINITIVO
Uso do PARTICÍPIO

Flexões Verbais
Uso dos verbos irregulares

1. Eu ABULO ou ABOLO ?
Nenhum dos dois.
O verbo ABOLIR é defectivo (=não possui a 1ª pessoa do singular do
presente do indicativo e nenhuma do presente do subjuntivo):
[FieldElemFormat=gif]
A solução é "eu estou abolindo".

2. Eu ADÉQUO ou ADEQUO ?
Nenhum dos dois. O verbo ADEQUAR é defectivo: no presente do indicativo
só apresenta a 1ª e a 2ª pessoa do plural; nada no presente do
subjuntivo; pretérito e futuro são normais.
[FieldElemFormat=gif]
Portanto, dizer que "isto não se adéqua ou adequa ..." está errado.
A solução é: "isto não está adequado ou não é adequado..."

3. Eu ADIRO ou ADERO ?
O certo é ADIRO.
[FieldElemFormat=gif]

OBSERVAÇÃO 1:
Quando um verbo é irregular na 1ª pessoa do singular do presente do
indicativo (ADERIR > eu adiro), todo o presente do subjuntivo é
irregular (que eu adira, que tu adiras...)

OBSERVAÇÃO 2:
A irregularidade de mudar a vogal "e" em "i" (=na 1a pess. do sing. do
presente do indicativo e em todo o presente do subjuntivo) ocorre em
outros verbos: FERIR (firo), AFERIR (afiro), INGERIR (ingiro), INSERIR
(insiro), PRETERIR (pretiro), COMPETIR (compito), REPETIR (repito),
DESPIR (dispo), DISCERNIR (discirno), DIVERGIR (divirjo), ADVERTIR
(advirto), REFLETIR (reflito), SEGUIR (sigo), SENTIR (sinto), MENTIR
(minto), SERVIR (sirvo), VESTIR (visto), INVESTIR (invisto), IMPELIR
(impilo)...

4. Eu APAZÍGUO ou APAZIGUO ?
O certo é APAZIGUO (=sílaba tônica é a penúltima: "gu").
Os verbos APAZIGUAR, AVERIGUAR, OBLIQUAR, ARGÜIR... apresentam a
vogal "u" tônica, nas formas rizotônicas (=1a, 2ª, 3ª pessoa do singular
e 3ª do plural dos tempos do presente):
PRESENTE DO INDICATIVO
[FieldElemFormat=gif]

PRESENTE DO SUBJUNTIVO (=que...)
[FieldElemFormat=gif]

OBSERVAÇÕES:
a) Quando a vogal "u" é tônica e seguida de "e" ou "i", devemos usar o
acento agudo: que eu apazigúe, tu apazigúes, ele averigúe, eles
averigúem, tu argúis, ele argúi, eles argúem...
b) Quando a vogal "u" não é tônica, é pronunciada e seguida de "e" ou
"i", devemos usar o trema: nós argüimos, vós argüis, que nós
apazigüemos, averigüemos, averigüeis...
c) Quando a vogal "u", tônica ou átona, é seguida de "o" ou "a", não
devemos usar nem trema nem acento agudo: apaziguo, averiguo, arguo,
apazigua, averigua, argua, apaziguamos, averiguamos, arguamos...

5. Eu ARREIO ou ARRIO ?
Os dois estão certos.
Eu ARREIO é do verbo ARREAR (=pôr os arreios);
Eu ARRIO é do verbo ARRIAR (=abaixar, descer).

OBSERVAÇÃO 1:
Todos os verbos terminados em "-EAR" (ARREAR, CEAR, FREAR, PASSEAR,
PENTEAR, RECEAR, RECREAR, SABOREAR...) são irregulares: fazem um ditongo
"EI" nas formas rizotônicas (1ª, 2ª, 3ª do sing. e 3ª do plural, nos
tempos do presente):
[FieldElemFormat=gif]

OBSERVAÇÃO 2:
Os verbos terminados em "-IAR" (ARRIAR, ANUNCIAR,COPIAR, MIAR, PREMIAR,
VARIAR...) são regulares, exceto: ANSIAR, INCENDIAR, ODIAR, MEDIAR,
INTERMEDIAR e REMEDIAR, que são irregulares (= ditongo "EI" nas formas
rizotônicas):
Observe a diferença:
PRESENTE DO INDICATIVO
[FieldElemFormat=gif]

PRESENTE DO SUBJUNTIVO
[FieldElemFormat=gif]

Portanto, o certo é:
Ele anseia, incendeia, odeia, medeia, intermedeia e remedeia
(=irregulares); mas...
Ele arria, anuncia, copia, mia, premia, varia...
O verbo MAQUIAR (=maquilar) também é regular: maquio, maquias, maquia...

6. Eu CAIBO ou CABO ?
O certo é CAIBO.
No presente do indicativo, a irregularidade está só na 1ª pessoa do
singular: eu CAIBO, tu cabes, ele cabe...
Portanto, todo o presente do subjuntivo será irregular: que eu CAIBA, tu
CAIBAS, ele CAIBA, nós CAIBAMOS, vós CAIBAIS, eles CAIBAM.
Nos tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo, ocorre outra
irregularidade:
Pretérito Perfeito do Indicativo: eu COUBE, tu COUBESTE, ele COUBE...
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: COUBERA
Futuro do Subjuntivo: quando eu COUBER

7. Eu COLORO ("ô") ou COLORO ("ó") ?
Nenhum dos dois.
O verbo COLORIR é defectivo. Não possui a 1ª pessoa do singular do
presente
do indicativo e nada no presente do subjuntivo.
A solução é "eu estou colorindo".

8. Eu COMPUTO, tu COMPUTAS, ele COMPUTA ?
Nenhum dos três.
O verbo COMPUTAR é defectivo. No presente do indicativo, só apresenta
plural:
nós COMPUTAMOS
vós COMPUTAIS
eles COMPUTAM.
O pretérito e o futuro são regulares.
Se a forma ele computa é inaceitável, podemos usar "ele está computando"
ou substituir por um sinônimo (="ele calcula").

9. Eles CRÊM ou CRÊEM ?
O certo é CRÊEM.
Os verbos CRER, DAR, LER e VER (=grupo CRÊ-DÊ-LÊ-VÊ) são os únicos que
fazem o hiato "-ÊEM" na 3ª pessoa do plural:
Ele crê - eles CRÊEM
Que ele dê - eles DÊEM
Ele lê - eles LÊEM
Ele vê - eles VÊEM

OBSERVAÇÃO 1:
Os verbos derivados do grupo CRÊ-DÊ-LÊ-VÊ seguem esta regra: eles
descrêem, relêem, prevêem...
OBSERVAÇÃO 2:
Cuidado com o pretérito perfeito do indicativo do verbo CRER: eu CRI,
ele CREU, eles CRERAM.

10. Eu DEMULO ou DEMOLO ?
Nenhum dos dois.
O verbo DEMOLIR é defectivo (=ABOLIR): não possui a 1ª pessoa do
singular
do presente do indicativo e nada no presente do subjuntivo.
A solução é: "eu estou demolindo" ou "eu destruo".

11. Eles DETERAM ou DETIVERAM ?
O certo é DETIVERAM.
O verbo DETER, como todos os derivados do verbo TER (=ABSTER, ATER,
CONTER, MANTER, OBTER, RETER...), deve seguir o modelo do verbo
primitivo:
Ele teve - ele DETEVE (=absteve, manteve...)
Eles tiveram - eles DETIVERAM (=mantiveram, retiveram...)
Se ele tivesse - ele DETIVESSE (=contivesse, mantivesse...)
Quando eu tiver - eu DETIVER (=obtiver, retiver...)

O VERBO é, provavelmente, um "ser traumatizado". É mal falado desde a
infância. As crianças o detestam e os adultos o maltratam, mas todos
precisam dele. Sem o VERBO, nossa comunicação seria muito deficiente.
Os verbos irregulares são os que mais sofrem em nossas mãos. Li
recentemente no JB: "Se eles conterem o emocional chegam à final". Além
da rima (emocional e final), podemos observar o mau uso do verbo CONTER.
O certo é: "Se eles CONTIVEREM o emocional..."
O verbo CONTER é derivado do verbo TER. Deve, por isso, seguir a
conjugação do verbo primitivo (=TER):
"Se eles TIVEREM..." > "Se eles CONTIVEREM..."
Esta regra vale para todos os verbos derivados de TER: CONTER, MANTER,
DETER, RETER, OBTER, ABSTER...
Há muito tempo, encontrei esta manchete num bom jornal:
"Policiais não deteram os suspeitos."
Deve ser por isso que eles fogem! Deteram é impossível! O certo é:
"Policiais não DETIVERAM os suspeitos."
A 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo do verbo TER é
TIVERAM. Assim sendo, temos: eles DETIVERAM, RETIVERAM, OBTIVERAM,
MANTIVERAM...

12. Se eu DIZER ou DISSER ?
O certo é "se eu DISSER".
O futuro do subjuntivo do verbo DIZER é:
Se eu DISSER
tu DISSERES
ele DISSER
nós DISSERMOS
vós DISSERDES
eles DISSEREM

OBSERVAÇÃO:
Os verbos regulares não fazem diferença entre o infinitivo e o futuro do
subjuntivo:
"Ao ENTRAR em campo, o Flamengo foi aplaudido." (=infinitivo)
"O Flamengo exigiu segurança para ENTRAR em campo." (=infinitivo)
"Quando o Flamengo ENTRAR em campo, será aplaudido." (=futuro do
subjuntivo)
"Se o Flamengo ENTRAR em campo, será aplaudido." (=futuro do
subjuntivo)
Os verbos irregulares fazem diferença:
"Ao SABER a verdade, começou a chorar." (=infinitivo)
"Se SOUBER a verdade, começará a chorar." (=futuro do subjuntivo)
"Ele veio até aqui para DIZER a verdade." (=infinitivo)
"Quando ele DISSER a verdade, ninguém acreditará." (=futuro do
subjuntivo)

13. Ele ENTUPE ou ENTOPE ?
As duas formas são aceitáveis.
Os verbos ENTUPIR e DESENTUPIR, hoje, são abundantes (=possuem duas
formas corretas):
Tu entupes ou entopes; desentupes ou desentopes;
Ele entupe ou entope; desentupe ou desentope;
Eles entupem ou entopem; desentupem ou desentopem.

14. Que ele ESTEJA ou ESTEJE ?
O certo é ESTEJA.
A desinência do presente do subjuntivo do verbo ESTAR é "a "(=ter, ser):
Que eu ESTEJA, TENHA, SEJA...
Portanto, quem diz "teje preso" talvez "esteje passando mal" ou "seje
inguinorante".

15. Eles EXPORAM ou EXPUSERAM ?
O certo é EXPUSERAM.
O verbo EXPOR, como todos os derivados do verbo PÔR (=APOR, COMPOR,
DEPOR, DISPOR, IMPOR, PROPOR, SUPOR...), deve seguir o verbo primitivo:
[FieldElemFormat=gif]

16. Eu EXTORCO ou ESTOU EXTORQUINDO ?
Devemos usar ESTOU EXTORQUINDO, porque o verbo EXTORQUIR é defectivo:
não possui 1ª pessoa do singular do presente do indicativo e nada no
presente do subjuntivo.

17. Eu FALO ou ESTOU FALINDO ?
Eu FALO, se for do verbo FALAR.
O verbo FALIR é defectivo - só possui nós FALIMOS e vós FALIS no
presente do indicativo; nada no presente do subjuntivo; pretérito e
futuro são regulares.
A solução para o verbo FALIR é "eu ESTOU FALINDO" ou "eu ESTOU INDO À
FALÊNCIA".

18. FAZEREM ou FIZEREM ?
FAZEREM é infinitivo: "Houve uma ordem para eles FAZEREM o teste."
FIZEREM é futuro do subjuntivo: "Só poderão sair se FIZEREM o teste."

19. HAVEMOS ou HEMOS ?
As duas estão corretas.
O verbo HAVER é abundante:
PRESENTE DO INDICATIVO
Eu HEI
Tu HÁS
Ele HÁ
Nós HEMOS ou HAVEMOS
Vós HEIS ou HAVEIS
Eles HÃO

20. Ele INTERVIU ou INTERVEIO ?
O certo é INTERVEIO.
O verbo INTERVIR, como todos os derivados do verbo VIR (=ADVIR, CONVIR,
PROVIR, SOBREVIR...), deve seguir o verbo primitivo:
[FieldElemFormat=gif]

OBSERVAÇÃO:
a) Ele VEM (singular = sem acento); eles VÊM (plural = com acento);
b) Para os verbos derivados:
Ele INTERVÉM, PROVÉM, CONVÉM ... (singular = acento agudo);
Eles INTERVÊM, PROVÊM, CONVÊM ... (plural = acento circunflexo).

21. Que nós LEAMOS ou LEIAMOS ?
O certo é LEIAMOS.
A 1ª pessoa do singular do presente do indicativo é: "Eu LEIO".
Conseqüentemente, todo o presente subjuntivo será irregular também:
Que... Eu LEIA
Tu LEIAS
Ele LEIA
Nós LEIAMOS
Vós LEIAIS
Eles LEIAM

22. Se eu MANTESSE ou MANTIVESSE ?
O certo é MANTIVESSE.
MANTER é derivado do verbo TER, por isso deve seguir o modelo do verbo
primitivo:
Se eu tivesse - MANTIVESSE
Ontem eles tiveram - MANTIVERAM
Quando nós tivermos - MANTIVERMOS

Na triste derrota do Brasil para a Itália (2 x 3) na Copa da Espanha em
1982, ouvi, com mais tristeza ainda, um de nossos comentaristas
esportivos afirmar: "Era necessário que o Brasil mantesse o empate."
Mas...é por isso que perdemos. Não sabemos nem falar! O certo é : "Era
necessário que o Brasil MANTIVESSE o empate."
O verbo TER, no pretérito imperfeito do subjuntivo, fica: "se ele
TIVESSE". Logo, devemos usar: MANTIVESSE, RETIVESSE, CONTIVESSE,
OBTIVESSE...

23. Eu MEÇO ou MESSO ?
O certo é MEÇO.
MEDIR apresenta a mesma irregularidade do verbo PEDIR:
Eu peço - eu meço
Ele pede - ele mede
Que ele peça - que ele meça

24. Eu MOBÍLIO ou MOBILIO
O certo é MOBÍLIO (=com sílaba tônica no "bí").
O verbo MOBILIAR só é irregular quanto à sílaba tônica. Nas formas
rizotônicas, "bí" é a sílaba tônica (=com acento agudo):
[FieldElemFormat=gif]

25. Eu OPTO ou ÓPITO ou OPITO ?
O certo é OPTO.
O verbo OPTAR não possui "i":
Eu opto, tu optas, ele opta, nós optamos, vós optais, eles optam.

26. PERCA ou PERDA ?
PERDA é o substantivo: "Houve uma PERDA irreparável."
PERCA é verbo (=presente do subjuntivo): "É preciso que você PERCA três
quilos."

27. PODE ou PÔDE ou POUDE ?
Poude não existe.
Ele PODE (=presente do indicativo);
Ele PÔDE (=pretérito perfeito do indicativo).
[FieldElemFormat=gif]

28. Se eu POR, PUZER ou PUSER ?
O certo é PUSER.
POR (=sem acento) é preposição: "Eu vou POR este caminho".
PÔR é o infinitivo do verbo: "Eu vou PÔR o livro sobre a mesa."
PUSER é o futuro do subjuntivo: "Se você PUSER o casaco, sairemos."
OBSERVAÇÃO:
Nas formas verbais de PÔR, o som "zê" é escrito sempre com "s":
Eu pus, tu puseste, ele pôs, pusemos, puseram, pusesse, pusera,
pusermos, puserem...

29. Eu me PRECAVENHO ou PRECAVEJO ?
Nenhum dos dois.
O verbo PRECAVER-SE é defectivo:
no presente do indicativo, só possui PRECAVEMOS e PRECAVEIS;
no presente do subjuntivo, nada;
o pretérito e o futuro são regulares (ele se PRECAVEU, ele se
PRECAVERÁ).
A solução é "estou me precavendo" ou substituir por sinônimo (="eu me
previno", "eu tomo cuidado"...)

30. PROVEJO ou PROVENHO ?
PROVEJO é do verbo PROVER (=abastecer);
PROVENHO é do ver PROVIR (=originar, vir de).

OBSERVAÇÃO 1:
O verbo PROVIR segue o verbo VIR:
Eu venho - eu provenho
Ele vem - ele provém
Eles vêm - eles provêm
Nós vimos - nós provimos (=presente do indicativo)
Nós viemos - nós proviemos (=pretérito perfeito do indicativo)
Eu vim - eu provim
Ele veio - ele proveio
Eles vieram - eles provieram
Se eu viesse - se eu proviesse
Quando eu vier - quando eu provier

OBSERVAÇÃO 2:
O verbo PROVER só segue o verbo VER nos tempos do presente:
Eu vejo - eu provejo
Ele vê - ele provê
Eles vêem - eles provêem
Que eu veja - que eu proveja
No pretérito e no futuro, é REGULAR:
Ele proveu, eles proveram (=pretérito perfeito do indicativo);
Se eu provesse (=pretérito imperfeito do subjuntivo);
Quando eu prover (=futuro do subjuntivo);
Eu proverei (=futuro do presente do indicativo);
Eu proveria (=futuro do pretérito do indicativo).

31. QUIZ ou QUIS ?
O certo é QUIS.
Nas formas do verbo QUERER, o som "zê" é sempre escrito com "s":
tu quiseste, ele quis, eles quiseram, se eu quisesse, quando eu
quiser...

OBSERVAÇÃO:
QUISER é futuro do subjuntivo: quando eu quiser, se eu quiser...
QUERER é infinitivo: "Fez isso para eu querer sair."

32. Eu REAVEJO ou REAVENHO ?
Nenhum dos dois.
O verbo REAVER é defectivo:
no presente do indicativo, só há nós REAVEMOS e vós REAVEIS;
no presente do subjuntivo, nada;
no pretérito e no futuro, segue o verbo HAVER.
A solução é "eu estou reavendo" ou substituir por um sinônimo: "eu
recupero".

33. REAVERAM ou REAVIRAM ?
É a "famosa" dúvida do nada com coisa alguma. Nenhum dos dois.
O certo é REOUVERAM, porque REAVER é derivado do verbo HAVER:
Ele houve - ele REOUVE
Nós houvemos - nós REOUVEMOS
Eles houveram - eles REOUVERAM
Se eu houvesse - se eu REOUVESSE
Quando ele houver - quando ele REOUVER

REAVER não é "ver de novo". REAVER é "haver de novo", por isso deve
seguir o verbo HAVER

34. Ele REQUEREU ou REQUIS ?
O certo é REQUEREU.
REQUERER não é derivado do verbo QUERER. REQUERER não é "querer de
novo":
Eu requeiro (=presente indicativo), que eu requeira (=presente do
subjuntivo);
no pretérito e no futuro, REQUERER é regular: eu requeri, tu requereste,
ele REQUEREU, eles requereram (pret.perf.ind.); se eu requeresse
(pret.imp.subj.); quando ele requerer (fut.subj.)...
Nos tempos do passado e do futuro, o verbo REQUERER deve ser usado
segundo o padrão dos verbos regulares da 2ª conjugação:
[FieldElemFormat=gif]

35. Que eu ROBE ou ROUBE ?
O certo é ROUBE.
O verbo é ROUBAR (=sempre com a vogal "u").

36. SABER ou SOUBER ?
SABER é infinitivo: "Estude para você SABER mais."
SOUBER é futuro do subjuntivo: "Se eu SOUBER...", "Quando você
SOUBER..."

37. SAIA ou SAÍA ?
SAIA (=sem acento agudo) é presente do subjuntivo: que eu SAIA;
SAÍA (=com acento agudo) é pretérito imperfeito do indicativo:
antigamente eu SAÍA...

OBSERVAÇÃO:
O mesmo se aplica ao verbo CAIR:
CAIA (=presente do subjuntivo);
CAÍA (=pretérito perfeito do indicativo).

38. TEM ou TÊM ou TÊEM ?
TÊEM não existe.
Ele TEM (=3ª pessoa do singular do presente do indicativo);
Eles TÊM (=3ª pessoa do plural do presente do indicativo).

OBSERVAÇÃO 1:
Os verbos TER e VIR seguem o mesmo esquema:
3ª p. sing. = ele tem - ele vem (=sem acento gráfico);
3ª p. plur. = eles têm - eles vêm (=com acento circunflexo).

OBSERVAÇÃO 2:
Os verbos derivados de TER (conter, manter...) e VIR (intervir,
provir...) seguem o seguinte esquema:
3ª p. sing. = ele contém, mantém, intervém, provém (=com acento agudo);
3ª p. plur. = eles contêm, mantêm, intervêm, provêm (=com acento
circunflexo).

39. TRUXE ou TROUXE ou TROUCE ?
O certo é TROUXE.
Truxe e trouce não existem.
O pretérito perfeito do indicativo do verbo TRAZER é:
Eu trouxe, tu trouxeste, ele trouxe, nós trouxemos, vós trouxestes, eles
trouxeram.
OBSERVAÇÃO:
TRAZER é infinitivo: "Calou-se para não nos TRAZER problemas."
TROUXER é futuro do subjuntivo: "Se eu TROUXER, quando ele TROUXER..."

40. Eu VALHO ou VALO ?
O certo é VALHO.
A irregularidade do verbo VALER é apresentar "lh" na 1ª pessoa do
singular do presente do indicativo e, conseqüentemente, em todo o
presente do subjuntivo:
[FieldElemFormat=gif]

OBSERVAÇÃO:
O verbo EQUIVALER segue o verbo VALER:
Que ele VALHA - "É necessário que isto se EQUIVALHA..."

41. Quando você VER ou VIR ?
O certo é "quando você VIR o filme".
O futuro do subjuntivo do verbo VER é VIR:
Quando eu VIR, tu VIRES, ele VIR, nós VIRMOS, vós VIRDES, eles VIREM.
O futuro do subjuntivo do verbo VIR é VIER:
Quando eu VIER, tu VIERES, ele VIER, nós VIERMOS, vós VIERDES, eles
VIEREM.
OBSERVAÇÃO:
O derivados do verbo VER (=antever, prever, rever...) seguem o verbo
primitivo:
Eu vejo - eu prevejo (=pres. ind.)
Ele vê - ele prevê
Eles vêem - eles prevêem
Eu vi - eu previ (=pret. perf. ind.)
Ele viu - ele previu
Eles viram - eles previram
Se eu visse - se eu previsse (=pret. imp. subj.)
Quando eu vir - quando eu previr (=fut. subj.)
Na linguagem coloquial, é freqüente ouvirmos a frase: "Quando a gente se
ver de novo..." O correto é: "Quando nós nos VIRMOS novamente..."

42. VIAGEM ou VIAJEM ?
VIAGEM é substantivo: "A VIAGEM foi ótima".
VIAJEM é verbo (=pres. subj.): "Quero que vocês VIAJEM amanhã."

43. VIGENDO ou VIGINDO ?
O gerúndio do verbo VIGER (=vigorar) é VIGENDO: "Este contrato ainda
está
VIGENDO (=vigorando, valendo, dentro do prazo VIGENTE).

44. VIMOS ou VIEMOS ?
"Ontem nós VIMOS o filme." (=pretérito perfeito do indicativo do verbo
VER);
"Ontem nós VIEMOS à reunião." (=pret. perfeito do indicativo do verbo
VIR);
"VIMOS, por meio desta, solicitar..." (=presente do indicativo do verbo
VIR).

45. VEM ou VÊM ou VÊEM ?
Ele VEM (=3ª pessoa do singular do verbo VIR);
Eles VÊM (=3ª pessoa do plural do verbo VIR);
Eles VÊEM (=3ª pessoa do plural do verbo VER).
Observe a diferença:
[FieldElemFormat=gif]

Se você costuma ter essa dúvida ou já perdeu seu tempo com esse
problema, observe o esquema abaixo:
1. Grupo do CRÊ-DÊ-LÊ-VÊ
Os verbos CRER, DAR, LER e VER são os únicos que na 3ª pessoa do plural
terminam em "-ÊEM":
Ele crê - eles crêem;
Ele dê - eles dêem (=presente do subjuntivo);
Ele lê - eles lêem;
Ele vê - eles vêem.
Esta regra também se aplica aos verbos derivados:
Ele relê - eles relêem;
Ele prevê - eles prevêem.

2. Dupla TER e VIR
Na 3ª pessoa do singular, não têm acento gráfico; na 3ª pessoa do
plural, terminam em "-ÊM":
Ele tem - eles têm;
Ele vem - eles vêm.

3. Verbos derivados de TER e VIR: DETER, RETER, MANTER, CONVIR, PROVIR,
INTERVIR...
Na 3ª pessoa do singular, têm acento agudo; na 3ª pessoa do plural, têm
acento circunflexo:
Ele detém - eles detêm;
Ele intervém - eles intervêm.
Cuidado!
"É preciso que vocês CONTEM tudo." (=verbo CONTAR);
"A garrafa CONTÉM gasolina." (=verbo CONTER, 3ª pessoa do singular);
"As garrafas CONTÊM gasolina." (=verbo CONTER, 3ª pessoa do plural).

Outro perigo:
"...que eles PROVEM..." (=verbo PROVAR, no presente do subjuntivo);
"...ele PROVÉM..." (=verbo PROVIR, na 3ª pessoa do singular);
"...eles PROVÊM..." (=verbo PROVIR, na 3ª pessoa do plural);
"...eles PROVÊEM..." (=verbo PROVER, na 3ª pessoa do plural).

Para você não esquecer:
"Eles VÊM." (=verbo VIR)
"Eles VÊEM." (=verbo VER)
Se você vê com "dois olhos", eles VÊEM com "êe".

46. Tinha VIDO ou VINDO ?
O particípio do verbo VIR é VINDO (igual ao gerúndio):
"Ele tinha VINDO de outra empresa." (=particípio);
"Ele está VINDO para cá." (=gerúndio).

Uso do IMPERATIVO

"VEM ou VENHA para Caixa você também." ? ? ?
O certo é VENHA.
A 3ª pessoa (=você) deriva-se do presente do subjuntivo (=que você venha
- VENHA você);
A 2ª pessoa (=tu) deriva-se do presente do indicativo com a supressão do
"s" (=tu vens - VEM tu).
Embora freqüente na linguagem falada brasileira, devemos evitar a
mistura de tratamentos (2ª e 3ª = tu e você).
Ou usamos a 3ª pessoa: "VENHA para Caixa você também"; Ou usamos a 2ª
pessoa: "Mas...bá guri, VEM pra Caixa TU também, tchê".

Há dois imperativos.
1. Imperativo Afirmativo:
a) A 2ª pessoa do singular e a 2ª pessoa do plural são derivadas do
presente do indicativo com a supressão do "s" (exceto o verbo SER):
[FieldElemFormat=gif]

[FieldElemFormat=gif]
EXCEÇÃO:
Tu és - SÊ tu
Vós sois - SEDE vós

b) A 3ª pessoa (=você), a 1ª e 3ª do plural são derivadas do presente do
subjuntivo:
[FieldElemFormat=gif]
2. Imperativo Negativo:
Todas as pessoas se derivam do presente do subjuntivo:
[FieldElemFormat=gif]

Observe a frase:
"JOGA fora no lixo. MANTENHA a cidade limpa."
Está errada. Há mistura de tratamento: JOGA (tu) e MANTENHA (você).
Há duas opções corretas:
"JOGUE fora no lixo. MANTENHA a cidade limpa." (=você)
ou "JOGA fora no lixo. MANTÉM a cidade limpa." (=tu).
Observe a derivação:
2ª pessoa (=tu) do imperativo afirmativo vem do presente do indicativo
(=sem "s"):
Tu jogas - JOGA (tu)
Tu manténs - MANTÉM (tu)
3ª pessoa (=você) do imperativo afirmativo vem do presente do
subjuntivo:
Que você jogue - JOGUE (você)
Que você mantenha - MANTENHA (você)

Uso do INFINITIVO

1. "Vocês devem, sempre que possível, FAZER ou FAZEREM o trabalho" ? ? ?
O certo é: "Vocês DEVEM FAZER o trabalho."
Em locuções verbais, devemos usar o INFINITIVO IMPESSOAL (=não se
flexiona):
"Os deputados DEVERIAM ANALISAR o caso com urgência."
"Os contribuintes PODERÃO, a partir da próxima semana, PAGAR
antecipadamente o IPTU."

2. "Os técnicos estão aqui PARA RESOLVER ou RESOLVEREM o problema" ? ? ?

Alguns autores afirmam que é um caso facultativo, outros dizem
que devemos usar o infinitivo não flexionado. No JB, nós não discutimos
se é facultativo ou não. A nossa preferência é o SINGULAR:
"Os técnicos estão aqui PARA RESOLVER o problema."
"Os torcedores vieram ao estádio só PARA VAIAR o time."
"Nós saímos PARA ALMOÇAR."

OBSERVAÇÃO 1:
Quando o sujeito do infinitivo estiver claramente expresso, devemos usar
o infinitivo flexionado:
"Houve uma ordem PARA os técnicos RESOLVEREM o problema."
"Houve uma ordem PARA nós RESOLVERMOS o problema."

OBSERVAÇÃO 2:
Em caso de ambigüidade, preferimos o PLURAL (=o verbo no plural enfatiza
o agente em vez do fato):
"O professor liberou seus alunos para IREM ao jogo."

OBSERVAÇÃO 3:
Na voz passiva e com os verbos de ligação (=SER, ESTAR, FICAR,
TORNAR-SE...) também podemos usar o infinitivo no PLURAL:
"Ela trouxe os presentes PARA SEREM ENTREGUES às crianças."
"Eles correram muito PARA SEREM os campeões."

3. "Eles foram proibidos DE SAIR ou SAÍREM" ? ? ?
O certo é: "Eles foram proibidos DE SAIR".
Não se flexiona o infinitivo com preposição que funcione como
complemento de substantivo, adjetivo ou do próprio verbo principal:
"Os manifestantes foram impedidos DE INVADIR o congresso."
"Eles foram obrigados A FICAR em pé durante duas horas."
"A desinformação leva milhares de pessoas A FAZER a mesma coisa."

4. "O diretor mandou seus funcionários SAIR ou SAÍREM" ? ? ?
É outro caso discutível.
Quando o infinitivo vem antecedido de um verbo causativo ou sensitivo
(=MANDAR, DEIXAR, FAZER, VER, OUVIR...), temos um grande problema:
alguns autores consideram um caso facultativo, outros afirmam que o
infinitivo não se flexiona e há, ainda, aqueles que dizem ser
obrigatória a flexão do infinitivo.
A minha sugestão é a seguinte:
a) Se o sujeito vier claramente expresso antes do infinitivo, a
concordância é obrigatória:
"O diretor mandou seus funcionários SAÍREM."
"O plano fez preços DESPENCAREM."
b) Se o sujeito não vier claramente expresso antes do infinitivo, é
facultativo. A preferência é o SINGULAR:
"Deixai VIR a mim as criancinhas."
"Mandei ENTRAR todos os convidados."
c) Se o sujeito do infinitivo for expresso por um pronome oblíquo (=os,
as, nos...), devemos usar o verbo no SINGULAR:
"Mandei-os ENTRAR."
"Ele não as deixou FALAR."

Uso do PARTICÍPIO

"Ele tinha ENTREGUE ou ENTREGADO os documentos."
O certo é "TINHA ENTREGADO".
Quando o verbo possui dois particípios (=verbos abundantes), a regra é a
seguinte:
a) Com o verbo auxiliar TER (ou HAVER), devemos usar a forma regular
(=com terminação "-ado" ou "-ido").
b) Com o verbo auxiliar SER (ou ESTAR), devemos usar a forma irregular.
"Ele TINHA ENTREGADO os documentos."
"Os documentos FORAM ENTREGUES por ele."
Observe outros exemplos:
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OBSERVAÇÃO 1:
A princípio, esta regra se aplica aos verbos GANHAR (ganho e ganhado);
GASTAR (gasto e gastado); PAGAR (pago e pagado) e PEGAR (pego e pegado):
"Ele tinha ganhado, gastado, pagado e pegado";
"Isso foi ganho, gasto, pago e pego".
As formas regulares estão em desuso. Muitos autores aceitam as formas
irregulares até com os verbos TER e HAVER:
"Ele TINHA GANHO, TINHA GASTO, TINHA PAGO e TINHA PEGO".

OBSERVAÇÃO 2:
Os verbos TRAZER e CHEGAR não são abundantes. Possuem apenas um
particípio: TRAZIDO e CHEGADO. Na linguagem culta, não aceitamos trago
nem chego: "Isso foi trago por mim", "Ele tinha chego atrasado" .
Por Fascículo > 5. Regência

I) Introdução - Que é Regência ?
II) Regência Nominal
III) Regência Verbal
IV) Uso das Preposições - Casos especiais:

I) - Introdução - Que é Regência?

A regência dos verbos e dos nomes determina se os seus complementos
devem ou não ser preposicionados.
Os nomes (=substantivos, adjetivos e advérbios) pedem os complementos
nominais (=sempre com preposição). A Regência Nominal determina que
preposição devemos usar:
"Ele fez referência (=substantivo) a este caso (=compl.nominal)."
Quem faz referência sempre faz referência "a" alguma coisa.
"Ele tem necessidade (=substantivo) de dinheiro (=compl.nom.)."
Quem tem necessidade tem necessidade "de" alguma coisa.
Observe que não há regras. A regência de uma palavra é um caso
particular. Cada palavra pede o seu complemento e "rege" a sua
preposição. Ninguém precisa "decorar" que "quem faz referência faz
referência "a" alguma coisa" ou "que tem necessidade "de" alguma coisa".
Na verdade, nós aprendemos regência "de ouvido". O fato de falar, ouvir,
ler e escrever em língua portuguesa é o que nos leva a saber qual
preposição devemos usar.
E aqui está o "perigo".
Nosso ouvido nem sempre está "bem-educado". Existe uma regência na
linguagem popular que deve ser evitada em textos formais, em situações
que exijam uma linguagem mais cuidada, mais clássica. O uso do verbo
PREFERIR é um "belo" exemplo disso. É freqüente ouvirmos:
"Prefiro muito mais ir na praia do que trabalhar."
Temos aqui um festival de asneiras. A primeira é a mania de "preferir
mais". Você já viu alguém "preferir menos"? Isso significa que "preferir
mais" é uma redundância. E "preferir muito mais" é "uma asneira muito
maior".
O segundo erro é a regência do verbo IR: quem vai sempre vai "a" algum
lugar. Devemos ir "à praia". "IR em algum lugar" é vício de linguagem:
"vou no cinema", "fui no Banco", "vai no banheiro"... Devemos "IR ao
cinema, ao Banco, ao banheiro..." É verdade que muitas vezes, quando
queremos ou precisamos ir ao banheiro, não "dá tempo pra pensar qual é a
preposição certa". É recomendável ir logo.
É interessante lembrar também a diferença entre "IR a" e "IR para".
Devemos "IR a algum lugar" se houver a idéia de "volta imediata" e "IR
para algum lugar" se houver idéia de "permanência, ida em definitivo ou
sem data para voltar". Se "o diretor vai a Brasília", entende-se uma
viagem rápida, a serviço por exemplo, com retorno no mesmo dia ou no dia
seguinte. Entretanto, se "o diretor vai para Brasília", entende-se que
ou "vai morar em Brasília" ou "permanecer um bom tempo, sem data de
volta". Agora você já sabe qual é a diferença entre mandar alguém "a" ou
"para" aquele lugar. Se você "mandá-lo para" e ele voltar, é porque não
sabe regência.
Finalmente o terceiro erro: a regência do verbo PREFERIR. Quem prefere
sempre prefere alguma coisa "a" outra coisa. É um verbo transitivo
direto e indireto. Devemos observar que o objeto indireto deve vir com a
preposição "a". O uso de "do que" é característico da regência popular,
e devemos evitar em texto formais que exijam uma regência clássica.
Em textos nos quais se exija uma linguagem mais cuidada, devemos usar:
"Prefiro ir à praia a trabalhar".
Portanto, devemos estudar Regência para tirar algumas dúvidas, por
exemplo: "Isto está próximo "a" ou "de" alguma coisa"? A resposta é
"tanto faz". Com o adjetivo próximo, você pode usar a preposição "a" ou
a preposição "de".
Velamos alguns casos especiais:

II) - Regência Nominal

Listamos a seguir alguns substantivos e adjetivos cuja regência merecem
atenção:

Acessível a
Acostumado a ou com
Adequado a
Alheio a
Alusão a
Análogo a
Ansioso por
Apologia de
Apto a ou para
Atenção a ou para
Atento a ou em
Ávido de ou por
Benéfico a
Compatível com
Consulta a
Curioso de
Desacostumado a ou com
Desatento a
Desejoso de
Desfavorável a
Desrespeito a
Equivalente a
Falta a
Favorável a
Fiel a
Grato a
Grudado a
Guerra a
Hábil em
Habituado a
Hostil a
Ida a
Impotente para ou contra
Impróprio para
Inábil para
Inacessível a
Incapaz de ou para
Incompatível com
Ingrato com
Intolerante com
Invasão de
Junto a ou de
Leal a
Maior de
Morador em
Natural de
Necessário a
Necessidade de
Nocivo a
Obediente a
Oblíquo a
Ódio a ou contra
Odioso a ou para
Oposto a
Parecido a ou com
Paralelo a
Passível de
Preferência a ou por
Preferível a
Prestes a ou para
Pronto para ou em
Propensão para
Próprio de ou para
Próximo a ou de
Querido de ou por
Residente em
Respeito a ou por
Semelhante a
Simpatia por
Simpático a
Sito em
Situado em
Superior a
União com ou entre
Útil a ou para

III) - Regência Verbal

Quanto à regência verbal, os verbos estão divididos em:

a) TRANSITIVOS DIRETOS: pedem OBJETOS DIRETOS (=complementos verbais sem
preposição).
"Eu vejo (TD) o jogo (OD)."
(quem vê sempre vê alguma coisa)

b) TRANSITIVOS INDIRETOS: pedem OBJETOS INDIRETOS (=complementos verbais
com preposição).
"Eu me referi (TI) ao jogo (OI)."
"Eu gostei (TI) do jogo (OI)."

OBSERVAÇÃO 1:
Em caso de dúvida, sugiro um consulta aos nossos dicionários. Muitos não
sabem que podemos descobrir a regência das palavras nos bons
dicionários.
Se você ficar em dúvida se "deve ajudar o colega ou ao colega", se "deve
obedecer o chefe ou ao chefe", vá ao dicionário. Lá você descobrirá que
AJUDAR é transitivo direto e que OBEDECER é transitivo indireto. Assim
não haverá mais dúvida: devemos "ajudar (TD) o colega (OD)" e "obedecer
(TI) ao chefe (OI)".
Caso o seu objetivo seja um concurso no qual a consulta aos dicionários
seja proibida, sugiro "muitos exercícios" e uma "boa decoreba". Se isso
não for feito, você corre o risco de ser enganado por nossas placas de
trânsito. Você provavelmente já viu em alguma esquina: "OBEDEÇA O
SINAL". Deve ser por isso que muitos não obedecem! Está errado. O certo
é: "OBEDEÇA AO SINAL".

OBSERVAÇÃO 2:
Alguns verbos podem ser transitivos diretos ou indiretos. A regência
muda segundo o seu significado:
ASPIRAR (=transitivo direto): "respirar, cheirar, absorver".
ASPIRAR a (=transitivo indireto): "almejar, desejar".
"Ele aspira (TD) o perfume (OD)."
"O aparelho aspira (TD) o pó (OD)."
"Ele aspira (TI) a este cargo de governador(OI)."
É muito triste encontrarmos "cartas de apresentação" nas quais o
candidato diz "aspirar muito este emprego". O "coitado" ainda não foi
contratado e já está "cheirando o emprego".

c) TRANSITIVOS DIRETOS E INDIRETOS: pedem um OBJETO DIRETO e um OBJETO
INDIRETO.
"Eu entreguei (TDI) o documento (OD) ao diretor (OI)."

OBSERVAÇÃO 3:
Devemos tomar cuidado com alguns verbos transitivos diretos e indiretos.
O verbo AVISAR, por exemplo, pode ser usado de duas formas:
"O professor avisou (TDI) a alteração do horário (OD) aos alunos (OI)."
Ou "O professor avisou (TDI) os alunos (OD) da alteração do horário
(OI)."
Quem avisa pode avisar alguma coisa (OD) a alguém (OI) ou avisar alguém
(OD) de alguma coisa (OI).
Devemos, portanto, evitar frases em o verbo transitivo direto e indireto
apresente dois objetos diretos ou dois objetos indiretos:
"O professor avisou aos alunos (OI) da alteração do horário (OI)."

OBSERVAÇÃO 4:
O verbo QUEIXAR-SE é uma exceção pois "pede" dois objetos indiretos:
"O aluno queixou-se do professor (OI) ao diretor (OI)."
Quem se queixa sempre se queixa de alguma coisa a alguém."

d) INTRANSITIVOS: não pedem OBJETO.
"E o trema não MORREU."

OBSERVAÇÃO 5:
Com verbos intransitivos não há objetos, mas pode haver outros
"complementos" (=adjuntos adverbiais):
"Ele morreu ontem à noite (=adj. adv. de tempo), em Los Angeles (=adj.
adv. de lugar), de insuficiência respiratória (=adj. adv. de causa)."
"O gerente vai a Brasília (=adj. adv. de lugar)."

Regência de Alguns Verbos

1. AGRADAR
TD = "fazer agrado, fazer carinho, acariciar, contentar":
"O pai agradava os filhos."
"A loja agrada seus fregueses com muitas promoções."
TI (agradar a) = "satisfazer":
"O espetáculo não agradou ao público."
"O jogo está agradando ao torcedor."
OBSERVAÇÃO:
Responda rapidamente: "A boa secretária é aquela que agrada o chefe ou
ao chefe" ? Se você respondeu "depende", é porque já percebeu a
diferença: 1a) se nos referimos a sua capacidade profissional, a boa
secretária "agrada ao chefe"; 2a) se a boa secretária "agrada o chefe",
deve ser uma secretária "muito boa" e provavelmente usa "outros"
atributos"...

2. AGRADECER
TDI (= o objeto direto é coisa, e o indireto é pessoa):
"O dono do restaurante agradeceu a preferência (OD) aos fregueses
(OI)."
(Devemos evitar em textos formais: "agradecer os fregueses pela
preferência")

3. ALMEJAR
TD - "Ele almejava uma carreira melhor."

4. AMAR
TD - "Ele amava o pai."

5. ANSIAR
TI (ansiar por) - "Ele anseia por uma carreira melhor."

6. APERCEBER-SE
TI (aperceber-se de) - "Ele não se apercebeu das mudanças."

7. ASPIRAR
TD = "respirar, cheirar, absorver, inalar, sorver, haurir":
"Ela adora aspirar o ar do campo."
"O aparelho aspirava o pó do tapete."
TI (aspirar a ou por) = "almejar, desejar muito":
"Sempre aspirei a esse emprego."
"Ele não aspirava a nenhum cargo público."

8. ASSISTIR
TD = "prestar assistência, socorrer, ajudar":
"O médico assiste os doentes."
"Um economista está assistindo o presidente."
OBSERVAÇÃO: Alguns gramáticos consideram esse caso facultativo (TD ou
TI).
TI (assistir a) = "ver, presenciar, ser espectador":
"Cem mil pessoas assistiram ao jogo."
"Ontem assistimos a um belo espetáculo."
TI (assistir a) = "caber":
"Assiste ao prefeito o dever de resolver esse problema."

9. ATENDER
TD = "acolher, receber, recepcionar" (para pessoas):
"O governo atenderá os prefeitos."
"As meninas estão atendendo os visitantes."
"A secretária atendeu o telefone." (=quem telefonou)
"Ela foi atender a campainha." (=quem tocou a campainha)

TI (atender a) = para coisas (pedidos, solicitações, intimações...):
"O diretor não atendeu ao pedido do pais de alunos."
"Eles atenderam aos nossos conselhos."

10. ATINGIR
TD - "A empresa atingiu as metas desejadas."
"A novela ainda não atingiu o clímax."

11. AVISAR
TDI (alguma coisa a alguém ou alguém de alguma coisa):
"Avisamos a data aos participantes."
ou "Avisamos os participantes da data."
OBSERVAÇÃO: Devemos evitar dois objetos indiretos:
"Avisamos aos participantes da data."

12 CERTIFICAR
TDI (alguma coisa a alguém ou alguém de alguma coisa):
"Ele certificou o incidente ao diretor."
ou "Ele certificou o diretor do incidente."

13. CERTIFICAR-SE
TI (certificar-se de) - "Ele se certificou do horário estabelecido."

14. CHAMAR
TD = "fazer vir, convocar":
"O diretor chamou o aluno à sua sala."
"Estão chamando o diretor ao telefone."
TI (chamar por) = "invocar":
"Ela chamava por Santa Bárbara."
TD ou TI (=caso facultativo) = "considerar, dar nome, rotular...":
"O gerente chamou o empregado / ao empregado (de) incompetente."
"Chamei o médico / ao médico (de) um grande charlatão."

15 CHEGAR
I (chegar a algum lugar) - "Ele chegou a Londres."
OBSERVAÇÃO: Em textos formais, devemos evitar a preposição "em":
"Ele chegou em Londres."

16. CIENTIFICAR
TDI (alguma coisa a alguém ou alguém de alguma coisa):
"Ele cientificou as mudanças aos empregados."
ou "Ele cientificou os empregados das mudanças."

17. COMPARTILHAR
TD - "Queremos compartilhar a sua alegria."
"Não compartilhamos essa opinião."
OBSERVAÇÃO: Devemos evitar, em textos formais, o uso da preposição "de":
"Compartilhar da sua alegria, dessa opinião..."

18. COMUNICAR
TDI - o objeto direto é sempre coisa, e o indireto é pessoa:
"A polícia comunicou o acidente (OD) à família (OI)."
"Nós vamos comunicar a nossa decisão ao diretor."
OBSERVAÇÃO: Devemos evitar, em texto formais:
a) "Os vizinhos comunicaram a polícia sobre o roubo." (=comunicar alguém
sobre alguma coisa);
b) "Nós não fomos comunicados do acidente." (=somente a coisa pode ser
comunicada; pessoas não podem ser comunicadas).

19. CONFIAR
TI (confiar em) = "ter confiança":
"Ele sempre confiou em seus amigos."
TDI (alguma coisa a alguém) = "entregar com confiança":
"Confiou os documentos a você."

20. CONHECER
TD - "Ele não conhecia todos os convidados."

21. CONVIDAR
TD = "pedir o simples comparecimento":
"Convidei muitos amigos."
TI (convidar a) = "atrair, provocar":
"O calor não convida ao trabalho."
TDI = "convocar, solicitar presença a ou para alguma coisa":
"Convidei o engenheiro para palestra."
"Convidou o presidente a tomar a palavra."

22. DECLINAR
TD = "citar nomes, declarar":
"Ele não declinou os nomes dos marginais."
TI (declinar de) = "afastar-se, desviar-se":
"Ele declinou do caminho do bem."
TDI = "eximir-se, fugir":
"Declino de mim essa tarefa."
I = "entrar em decadência":
"A paixão declinava."

23. DESAGRADAR
TI (desagradar a) - "O resultado da pesquisa desagradou ao candidato."

24. DESOBEDECER
TI (desobedecer a) - "Eles estão desobedecendo ao regulamento."

25. ENCARREGAR
TDI (alguma coisa a alguém ou alguém de alguma coisa):
"Encarregamos o serviço ao pedreiro."
"Encarregamos o pedreiro do serviço."

26. ENSINAR
TDI (alguma coisa a alguém ou alguém a fazer alguma coisa):
"Ensinava computação a seus funcionários."
"Ensinava seus funcionários a usar o computador."

27. ESQUECER
TD - "Eu esqueci os documentos".
"Eles esqueceram a data do seu aniversário."
TI (esquecer-se de = forma pronominal):
"Eu me esqueci dos documentos."
"Eles se esqueceram da data do seu aniversário."

28. ESTIMAR
TD - "Ele estima todos os amigos."
OBSERVAÇÃO: Aceita-se o uso da preposição "a" com verbos transitivos
diretos que denotem sentimento:
"Ele estima a todos os amigos."

29. FAVORECER
TD - "Os juízes estão favorecendo o Palmeiras."

30. IMPEDIR
TDI - "O professor impediu o aluno de sair mais cedo."

31. IMPLICAR
TD = "acarretar"
"A sua decisão implica demissões."
"Toda ação implica uma reação igual e contrária."
OBSERVAÇÃO: Devemos evitar, em textos formais, "implicar em":
"...implica em demissões" e "...implica numa reação igual..."
TI (implicar-se em = forma pronominal) = "envolver-se":
"Ele se implicou em tráfico de drogas."
TI (implicar com) = "ter implicância":
"O professor implicava com todos."

32. INCUMBIR
TDI (alguma coisa a alguém ou alguém de alguma coisa):
"Incumbimos o serviço ao pintor."
ou "Incumbimos o pintor do serviço."

33. INFORMAR
TDI (alguma coisa a alguém ou alguém de alguma coisa):
"Informei aos gerentes as últimas decisões."
ou "Informei os gerentes das últimas decisões."
OBSERVAÇÃO:
A frase "Venho informar aos senhores de que, a partir de hoje, todo
pagamento só poderá ser feito até as 15h" está errada. Há dois objetos
indiretos.
Quando um verbo é transitivo direto e indireto, é necessário que haja
um objeto direto (=sem preposição) e outro indireto (=com preposição):
"Venho informar os senhores (OD) de que, a partir de hoje, todo
pagamento só poderá ser feito até as 15h (OI)."
ou "Venho informar aos senhores (OI) que, a partir de hoje, todo
pagamento só poderá ser feito até as 15h (OD)."

34. INVESTIR
TI (investir contra) = "atacar":
"Ele investiu contra os criminosos."
TDI = "dar posse" ou "aplicar":
"O presidente investiu o irmão no cargo de diretor."
"Investi meu dinheiro em ações."

35. IR
I (ir a ou para) - "Vou à praia." (=idéia de transitoriedade);
"Vou para casa." (=idéia de permanência)
OBSERVAÇÃO: Em textos formais, devemos evitar a preposição "em":
"Vou na praia."

36. LEMBRAR
TD - "Não lembro o seu nome."
"Eles lembraram a data do seu aniversário."
TI (lembrar-se de = forma pronominal):
"Não me lembro do seu nome."
"Eles se lembraram da data do seu aniversário."
TDI (lembrar alguma coisa a alguém ou alguém de alguma coisa):
"Ele lembrou a data do meu aniversário aos meus amigos."
ou "Ele lembrou os meus amigos da data do meu aniversário."
"Lembrei ao pessoal que estava na hora do almoço."
ou "Lembrei o pessoal de que estava na hora do almoço."
TD = "fazer recordar, trazer à memória":
"Seu rosto lembra meu pai."
"Esse empregado lembra o Paulo em tudo."

37. MORAR
I (morar em):
"Ela mora em bairro pobre de São Paulo."
"Moramos numa rua arborizada."

38. NAMORAR
TD - "Ela namorava aquele rapaz."
"Ele está namorando a vizinha."
OBSERVAÇÃO: Não devemos usar a preposição "com":
"Ela namorava com aquele rapaz."
"Ele está namorando com a vizinha."

39. NOTIFICAR
TDI (alguma coisa a alguém ou alguém de alguma coisa):
"O diretor notificou a decisão aos funcionários."
ou "O diretor notificou os funcionários da decisão."

40. OBRIGAR
TDI - "O governo obrigou os contribuintes a pagar mais impostos."

41. OBEDECER
TI (obedecer a) - "Devemos obedecer aos pais."
"Obedeça ao sinal."
OBSERVAÇÃO: Embora seja transitivo indireto, o verbo OBEDECER pode ser
usado na voz passiva:
"O regulamento deve ser obedecido por todos"
"A fila não foi obedecida."

42. PAGAR
TDI (o objeto direto é sempre coisa, e o indireto é pessoa):
"Ele pagou a dívida aos credores."
"Ele pagou o imposto."
"Ele pagou ao governo."
OBSERVAÇÃO: A voz passiva é aceitável:
"A dívida foi paga."
"Os credores foram pagos."
"O imposto foi pago."

43. PEDIR
TDI (alguma coisa a alguém):
"Ela pediu um presente ao pai."
"Eu pedi a todos que não faltassem."
OBSERVAÇÃO: Devemos evitar o uso da preposição "para":
"Eu pedi a todos para que não faltassem."
A norma culta só admite PEDIR PARA quando há idéia subentendida de
"licença" ou "permissão":
"O aluno pediu para sair da sala." (=pediu licença para sair)
"Eu pedi para falar." (=pedi permissão para falar)

44. PERDOAR
TDI (o objeto direto é sempre coisa, e o indireto é pessoa):
"Ele perdoou as dívidas aos seus devedores."
"Eu perdoei os seus erros."
"Eu perdoei aos meus inimigos."
OBSERVAÇÃO: A voz passiva é aceitável:
"As dívidas foram perdoadas."
"Os inimigos foram perdoados."
OBSERVAÇÃO: Alguns autores aceitam "pessoa" como objeto direto:
"Ele havia perdoado os inimigos."

45. PERGUNTAR
TDI - "Perguntei a idade ao garoto."
OBSERVAÇÃO: É aceitável o uso da preposição "por":
"Ele perguntou pelo garoto."
"Perguntaram por ela a mim."

46. PISAR
TD - "Foi a primeira vez que ele pisou um palco."
"Não pise a grama."
OBSERVAÇÃO: Na linguagem cotidiana é usual:
"...ele pisou num palco" e "não pise na grama".

47. PRECISAR
TD = "ser preciso, indicar com exatidão, determinar":
"Ele precisou a hora e o local do encontro."
TI (precisar de) = "necessitar":
"Ele não precisava de dinheiro."
OBSERVAÇÃO: A preposição de pode ser omitida quando o objeto é
oracional:
"Preciso que todos me ajudem."

48. PREFERIR
TDI (alguma coisa a outra) - "Prefiro cinema a teatro."
"O carioca prefere ir à praia a trabalhar."
OBSERVAÇÃO: É inaceitável o uso de "do que":
"Prefiro ir à praia do que trabalhar."

49. PROCEDER
TI (proceder a) = "processar, realizar, concretizar":
"Mandou proceder ao recolhimento dos títulos."
"O juiz procederá ao julgamento."
I (proceder de) = "originar-se, derivar":
"Os produtos procedem da Alemanha."
I = "ter validade, ser verdadeiro, ser legítimo":
"Este argumento não procede."

50. PROIBIR
TDI (alguma coisa a alguém ou alguém de alguma coisa):
"Proibiu aos empregados que fumassem no local de trabalho."
ou "Proibiu os funcionários de fumar no local de trabalho."

51. PUXAR
TD - "O pai puxou a sua orelha."
TI (puxar a) = "ter semelhança":
"O filho puxou ao pai."
TI (puxar de) = "mancar":
"A criança puxava de uma perna."

52. QUEIXAR-SE
(...de alguma coisa a alguém):
"Queixava-se do chefe ao diretor."

53. QUERER
TD = "desejar":
"A criança quer bolinhas de gude."
"Queremos todos os gerentes aqui."
TI (querer a) = "amar, estimar, querer bem":
"Queremos bem aos nossos gerentes."
"A criança queria muito ao pai."

54. REPARAR
TD = "consertar":
"Ele precisa reparar os erros cometidos."
TI (reparar em) = "observar":
"Todos repararam no vestido que ela usava."

55. RESPEITAR
TD - "Devemos respeitar as leis."

56. RESPONDER
TD = "dar respostas grosseiras":
"Filho educado não responde os pais."
TD (objeto direto para exprimir a resposta):
"Ele não responderia isso."
"Ele respondeu qualquer coisa."
TI (responder a) = "dar resposta":
"Ele respondeu aos participantes do curso."
"Você deve responder ao questionário em trinta minutos."
OBSERVAÇÃO: A voz passiva é aceitável:
"O questionário foi respondido rapidamente."

57. SERVIR
TD = "prestar serviço, oferecer":
"Ela ainda não serviu o almoço."
TI (servir a) = "ser útil, convir":
"Esse contrato não serve à nossa empresa."
"Esse homem não serve a uma mulher como você."

58. SIMPATIZAR
TI (simpatizar com):
"Não simpatizei com eles."

59. USAR
TD - "Não devemos usar essas máquinas."
OBSERVAÇÃO: É aceitável o uso da preposição "de":
"Sempre usou de nossas máquinas."

60. USUFRUIR
TD - "Ele já pode usufruir a herança que recebeu."
OBSERVAÇÃO: Em textos formais, devemos evitar a preposição "de":
"...usufruir da herança..."

61. VENCER
TD - "O Vasco acabou vencendo o Flamengo."

62, VER
TD - "Ele viu o jogo."

63. VISAR
TD = "assinar, rubricar, pôr o visto" ou "apontar, mirar":
"Já visei o cheque."
"O diretor já visou todos os cheques."
"O atleta visou o alvo e atirou."
TI (visar a) = "almejar, desejar muito, aspirar a":
"Muitos políticos visavam ao cargo."
"Suas idéias visavam ao bem-estar dos empregados."
OBSERVAÇÃO: Seguido de infinitivo, podemos omitir a preposição:
"Muitos políticos visam chegar ao poder."

IV) Uso das Preposições - Casos especiais:

Dúvidas ? ? ?

1. A nível ou EM nível ?
O certo é EM NÍVEL.
"O problema só será resolvido em nível federal."
Tudo deve ser resolvido em alto nível. Você já viu alguma coisa ser
resolvida "a alto nível".
OBSERVAÇÃO: A expressão A NÍVEL DE é um modismo a ser evitado.
"A nível de relatório, suas idéias são excelentes." As idéias podem ser
excelentes, mas a sua linguagem...
"Levou um chute a nível da barriga." Deve ter sido "na altura da
barriga".

2. DELE ou DE ELE ?
a) DELE corresponde a um pronome possessivo:
"O problema dele é não ouvir os outros."
b) DELE também pode ser a combinação da preposição de com o pronome
pessoal oblíquo tônico ele, na função de objeto indireto:
"Eu gosto muito dele."
c) DE ELE é a preposição de e o pronome pessoal reto ele. Só pode ser
usado quando ele for sujeito de uma oração reduzida de infinitivo:
"Cheguei antes de ele sair." (=de que ele saísse)
"Apesar de ele ter confirmado, prefiro aguardar um pouco mais."
O segredo é o verbo no INFINITIVO. Só podemos usar DE ELE quando houver
o verbo no infinitivo:
"Está na hora de ele chegar."
OBSERVAÇÃO: Essa regra não é rígida. Muitos autores aceitam a contração
da preposição com o pronome como uma variante lingüística:
"Cheguei antes dele sair."
"Está na hora dele chegar."
Sem dúvida, é assim que a maioria dos brasileiros fala. No JB, porém,
nós preferimos usar a preposição separada do pronome.
Essa regra também se aplica em outros casos:
a) preposição + artigo:
"Ocorreu horas depois de o candidato ter comemorado a vitória."
"Isso acontecerá na hipótese de os Bancos reduzirem os juros."
b) preposição + pronome demonstrativo:
"Assinou contrato, apesar de esses padrões não garantirem uma margem de
segurança."

3. Dormir AO ou NO volante?
"Dormir AO volante" é perigoso, mas com a preposição correta. Pior é
"dormir
no volante." É tragédia na certa.

4. Ficar AO ou NO sol?
"Ficar no sol" é um pouco difícil e ninguém agüentaria o calor!
Na verdade, "nós ficamos AO sol", assim como "ficamos AO vento, AO
relento,
À chuva..."

5. Entrar DE ou EM férias ?
Tanto faz. É um caso facultativo.
Você pode "entrar de férias ou em férias", "ficar de férias ou em
férias", "sair de
férias ou em férias".

6. Ficar DE ou EM pé ?
Tanto faz. É outro caso facultativo.

7. Ganhar e perder DE ou POR ?
Empatar EM ou POR ?
O correto é ganhar, perder ou empatar POR. Na verdade, um time vence o
outro PELO placar de...
No caso de empatar, é aceitável a preposição EM: "Flamengo e Vasco
empataram POR ou EM ..."

8 . JUNTO A ou JUNTO DE ?
Tanto faz. JUNTO A significa "perto de":
"O depósito fica junto à estrada." (ou "junto da estrada")
"A mesa está junto à estante." (ou "junto da estante")
OBSERVAÇÃO: É freqüente o uso de JUNTO A substituindo as preposições com
ou em: "O problema só será resolvido junto à gerência."
"Conseguimos um empréstimo junto ao Banco Mundial."
No JB, nós desaconselhamos esse uso. Preferimos:
"O problema só será resolvido com a gerência."
"Conseguimos um empréstimo no Banco Mundial."

9. PARA COM ou POR ?
Devemos evitar: "Devemos ter respeito para com o adversário."
É preferível: "Devemos ter respeito pelo adversário."

10. POR ENTRE e POR SOBRE ?
Devemos evitar: "Passou a bola por entre as pernas do zagueiro"
"Há muitas nuvens por sobre o autódromo."
Devemos usar: "Passou a bola entre as pernas do zagueiro."
"Há muitas nuvens sobre o autódromo."
Devemos evitar: "Chutou a bola por sobre a trave."
Podemos usar: "Chutou a bola sobre a trave ou por cima da trave."

11. Omissão da preposição.

"NA semana passada ou Semana passada, houve manifestações no Paraná."
a) O melhor é não omitir a preposição:
"NA semana passada, houve manifestações no Paraná."
Mais exemplos:
Em vez de "Vote PZZ", use "Vote no PZZ".
Em vez de "O jogador ficará suspenso quatro jogos", prefira "...por
quatro
jogos".

b) Caso facultativo - antes da conjunção integrante QUE:
"Certifique-se QUE ou DE QUE não existe uma causa psicossomática para o
seu fracasso."
"Não há suspeitas QUE ou DE QUE ele tenha cometido o crime."

c) Preposição desnecessária:
"Nós éramos em seis." Basta: "Nós éramos seis."
"Estavam em quatro à mesa." Basta; "Estavam quatro à mesa."
"Ficamos em cinco na sala." Basta: "Ficamos cinco na sala."
"As vendas caíram em 50%." Basta: "As vendas caíram 50%."

Outra situação em que a preposição é desnecessária:
"A previsão é DE QUE haverá chuvas fortes em todo o estado."
Basta: "A previsão é QUE haverá chuvas fortes em todo o estado."
Com o verbo SER, desaparece a necessidade da preposição DE:
Em vez de "A tendência é DE QUE...", use "A tendência é QUE..."
Em vez de "A possibilidade é DE QUE...", use "A possibilidade é QUE..."

OBSERVAÇÃO: Não devemos confundir esse caso com aquele em que não se usa
o verbo SER:
"Existe a previsão DE QUE haverá chuvas fortes em todo o estado."
"Houve a tendência DE QUE..."
"Comenta-se a possibilidade DE QUE..."

12. Repetição da preposição.
"Agradeço PELO carinho e atenção." ou "Agradeço PELO carinho e PELA
atenção."
O melhor é repetir a preposição:
"Agradeço PELO carinho e PELA atenção."
"Houve uma reunião com candidatos do PT e do PDT."

13. TEM DE ou TEM QUE ?
Por ser um caso de preposição, deveríamos usar TEM DE. Hoje em dia,
porém, o uso de TEM QUE está consagrado.
Podemos dizer que "Ele tem de resolver o problema" ou "Ele tem que
resolver o problema".
Se quisermos optar por uma delas, prefiro TEM DE.

14. Torcer PARA ou POR ?
O certo é "torcer POR".
"Eu torço PELO Internacional."

15. TV A cores ou EM cores ?
O certo é "TV EM cores". Você já viu "TV a preto e branco"? Se a TV é
"EM preto e branco", também deve ser "EM cores".

Por Fascículo > 6. Crase

I) Introdução
II) Casos Especiais
III) Casos Impossíveis
IV) Dúvidas Finais

I) Introdução

Você sabia que CRASE não é acento?
Crase é a fusão de duas vogais iguais, é a contração de dois aa.
Acento grave (`) é o sinal que indica a crase (a + a = à).
Para haver crase, é necessário que existam dois aa. O primeiro a é
preposição; o segundo pode ser:
a) artigo definido (a/as)
"Ele se referiu a (preposição) + a (artigo) carta." =
"Ele se referiu à carta."
"Ele entregou o documento a (preposição) + as (artigo) professoras." =
"Ele entregou o documento às professoras."
b) pronome demonstrativo (a/as):
"Sua camisa é igual a (preposição) + a (pronome = a camisa) do meu
pai." =
"Sua camisa é igual à do meu pai."
"Ele fez referência a (preposição) + as (pronome = aquelas) que
saíram." =
"Ele fez referência às que saíram."
c) vogal a inicial dos pronomes aquele, aqueles, aquela, aquelas e
aquilo:
"Ele se referiu a (preposição) + aquele livro." =
"Ele se referiu àquele livro."
"Ele fez alusão a (preposição) + aquelas obras." =
"Ele fez alusão àquelas obras."
"Prefiro isso a (preposição) + aquilo." =
"Prefiro isso àquilo."

OBSERVAÇÃO 1:
Se o verbo for transitivo direto, não há preposição, por isso não ocorre
crase:
"A secretária escreveu (TD) a carta (OD)." (a = artigo definido)
"Ele não encontrou (TD) as professoras (OD)." (as = artigo definido)
"A testemunha acusou (TD) a da direita." (a = pronome = aquela da
direita)
"Não reconheci (TD) as que saíram." (as = pronome = aquelas que saíram)
"Nós já lemos (TD) aquele livro (OD)."
"Ainda não vi (TD) aquilo (OD)."

OBSERVAÇÃO 2:
Para comprovarmos a crase, o melhor "macete" é substituir o substantivo
feminino por um masculino. Comprovamos a crase se o A se transformar em
AO:
"Ele se referiu à carta." (=ao documento)
"Ele entregou o documento às professoras." (=aos professores)
"Sua camisa é igual à do meu pai." (=seu casaco é igual ao do meu pai)
"Ele fez referência às que saíram." (=aos que saíram)
Observe a diferença:
"A secretária escreveu a carta." (=o documento)
"Ele não encontrou as professoras." (=os professores)
"A testemunha acusou a da direita." (=o da direita)
"Não reconheci as que saíram." (=os que saíram)
"Ele se referiu a esta carta." (=a este documento)
"Tráfego proibido a motocicletas." (=a caminhões)
Este "macete" não se aplica no caso dos pronomes aquele(s), aquela(s) e
aquilo.

II) Casos Especiais

1. Vou a ou à Brasília ?
Vou a ou à Bahia ?

O certo é: "Vou a Brasília" e "Vou à Bahia".
Por que só ocorre crase no segundo caso?
Quando vamos sempre vamos a algum lugar. O verbo IR pede a preposição a.
O problema é que o nome do lugar aonde vamos às vezes vem antecedido de
artigo definido a, às vezes não.
Enquanto Brasília não admite artigo definido, a Bahia é antecedida do
artigo definido a. Isso significa que você "VAI À BAHIA" (=preposição a
do verbo IR + artigo definido a que antecede a Bahia) e que você "VAI A
BRASÍLIA" (=sem crase, porque só há a preposição a do verbo IR).
Se você quer saber com mais rapidez se deve IR À ou A algum lugar (com
ou sem o acento da crase), use o seguinte "macete":
Antes de IR, VOLTE.
Se você volta DA, significa que há artigo: você vai À;
Se você volta DE, significa que não há artigo: você vai A.
Exemplos:
"Você volta DA Bahia" > "Você vai à Bahia."
"Você volta DE Brasília" > "Você vai a Brasília."

Vamos testar o "macete" em outros exemplos:
"Vou à China." (=volto DA China)
"Vou a Israel." (=volto DE Israel)
"Vou à Paraíba." (=volto DA Paraíba)
"Vou a Goiás." (=volto DE Goiás)
"Vou a Curitiba." (=volto DE Curitiba)
"Vou à progressista Curitiba." (=volto DA progressista Curitiba)
"Vou à Barra da Tijuca." (=volto DA Barra da Tijuca)
"Vou a Copacabana." (=volto DE Copacabana)

No Rio de Janeiro, o nosso metrô é bem interessante: só ocorre crase num
caso:
"Vou à Tijuca." (=volto DA Tijuca);
"Vou a Botafogo." (=volto DE Botafogo).

É importante lembrar que este "macete" não se aplica a todos os casos de
crase. Na verdade, ele resolve o problema das "viagens": IR à ou a,
DIRIGIR-SE à ou a, VIAJAR à ou a, CHEGAR à ou a ...

Vamos testar o "macete".
"Uma estrada liga a Suíça a Itália; outra liga a Espanha a Portugal."
Em que "estrada" ocorre crase?
Você acertou se respondeu a primeira. Por quê?
Porque só há artigo definido antes da Itália.
Observe o "macete": "volto DA Itália" e "volto DE Portugal".
Portanto: "Uma estrada liga a Suíça à Itália; outra liga a Espanha a
Portugal."

2. Vou à ou a Roma ?
Vou à ou a antiga Roma ?

O certo é: "Vou a Roma" e "Vou à antiga Roma".
Podemos usar o "macete" do verbo VOLTAR:
"Volto DE Roma" e "Volto DA antiga Roma".

Observe que não há artigo antes de Roma. O artigo aparece se houver um
adjetivo ou termo equivalente:
"Vou a Paris." (=volto DE Paris)
"Vou à Paris dos meus sonhos." (=volto DA Paris dos meus sonhos)
"Vou a Porto Alegre." (=volto DE Porto Alegre)
"Vou à bela Porto Alegre." (=volto DA bela Porto Alegre)
"Vou a Londres." (=volto DE Londres)
"Vou à Londres do Big Ben." (=volto DA Londres do Big Ben)

3. Vou à ou a terra?

O certo é: "Vou a terra."
A palavra TERRA, no sentido de "terra firme, chão" (= oposto de bordo),
não recebe artigo definido, logo não haverá crase.
Observe o macete: "volto DE terra".
Ao viajar de avião, podemos observar a ausência do artigo definido antes
da palavra TERRA (=terra firme). Quando o avião aterrissa, uma das
comissárias de bordo vai ao microfone e diz: "Para vôos de conexão e
mais informações, procure o nosso pessoal em terra." Por que não na
terra? Porque é em terra firme, e não no planeta Terra. Em outras
palavras, o que ela quer dizer é o seguinte: "Não me encha o saco a
bordo do avião, vá ao balcão da companhia no aeroporto."

OBSERVAÇÃO:
Qualquer outra TERRA, inclusive o planeta Terra, recebe o artigo
definido. Portanto, haverá crase:
"Vou à terra dos meus avós." (=volto DA terra dos meus avós)
"Cheguei à terra natal." (=volto DA terra natal)
"Ele se referiu à Terra." (=volto DA Terra / do planeta Terra)
Observe a diferença:
"Depois de tantos dias no mar, chegamos a terra." (=terra firme)
"Depois de tantos dias no mar, chegamos à terra procurada."

4. Vou à ou a casa ?

O certo é: "Vou a casa."
A sua própria casa não "merece" artigo definido.
Observe: Se "você vem DE casa" ou se "você ficou EM casa", só pode ser a
sua própria casa.

OBSERVAÇÃO 1:
Qualquer outra casa vem antecedida de artigo definido. Isso significa
que haverá crase:
"Vou à casa dos meus pais." (=volto DA casa dos meus pais)
"Vou à casa de Angra." (=volto DA casa de Angra)
"Vou à casa José Silva." (=volto DA casa José Silva)
"Vou à casa do vizinho." (=volto DA casa do vizinho)
"Vou à casa dela." (=volto DA casa dela)

OBSERVAÇÃO 2:
Não haverá crase somente quando a palavra CASA estiver sem nenhum
adjunto:
"Ele ainda não retornou a casa desde aquele dia."

5. Vou à ou a minha casa ?

Tanto faz. É um caso facultativo. Pode haver crase ou não.
A diferença é a presença do pronome possessivo minha antes da casa.
Antes de pronomes possessivos é facultativo o uso do artigo; sendo
assim, facultativo também será o uso do acento da crase:
"Vou a ou à minha casa."
"Fez referência a ou à tua empresa."
"Estamos a ou à sua disposição."

OBSERVAÇÃO 1:
O uso do acento da crase só é facultativo antes de pronomes possessivos
femininos no singular (=minha, tua, sua, nossa, vossa).
Se for masculino, não há crase:
"Ele veio a ou ao meu apartamento"
"Estamos a ou ao seu dispor."

OBSERVAÇÃO 2:
Se estiver no plural,
a) haverá crase (preposição a + artigo plural as):
"Fez referência às minhas idéias."
"Fez alusão às suas poesias."
b) não haverá crase (preposição a, sem artigo definido):
"Fez referências a minhas idéias."
"Fez alusão a suas idéias."

6. Ele se referiu à ou a Cláudia ?

Tanto faz. É outro caso facultativo.
Antes de nomes de pessoas, o uso do artigo definido é facultativo.
Portanto, em se tratando de nome de mulher, pode ou não ocorrer a crase.

OBSERVAÇÃO 1:
Quando se trata de pessoas que façam parte do nosso círculo de amizades,
com as quais temos uma certa intimidade, usamos artigo definido. Isso
significa que devemos usar o acento da crase:
"Refiro-me à Cláudia." (=pessoa amiga)
Quando se trata de pessoas com as quais não temos nenhuma intimidade,
não há o acento da crase porque não usamos artigo definido antes de
nomes de pessoas desconhecidas ou não amigas:
"Refiro-me a Cláudia." (=pessoa desconhecida ou não amiga)

OBSERVAÇÃO 2:
Antes de nomes próprios de pessoas célebres não se usa artigo definido.
Isso significa que não haverá acento da crase:
"Ele fez referência a Joana d'Arc."
"Fizeram alusão a Cleópatra."

7. Ele escreve a ou à Jorge Amado ?

Depende. Se ele está escrevendo "para Jorge Amado", não há o acento da
crase:
"Ele escreve a Jorge Amado." (=para Jorge Amado)
Se ele escreve "à moda ", "ao estilo" de Jorge Amado, o uso do acento
grave é obrigatório:
"Ele escreve à Jorge Amado." (=ao estilo de Jorge Amado)

Usaremos o acento grave sempre que houver uma destas locuções
subentendidas: "à moda de", "à maneira de" ou "ao estilo de":
"Sapato à Luís XV."
"Poesia à Manuel Bandeira."
"Revolução à 1930."
"Vestir-se à 1800."
"Filé à francesa."
"Bife à milanesa."

OBSERVAÇÃO 1:
Em "Moramos em São Paulo de 1958 a 1960", não há crase porque não há
artigo definido antes de 1960.
Em "Elas se vestem à 1960", há acento grave porque subentendemos "à moda
de 1960".

OBSERVAÇÃO 2:
Se os nossos cardápios fossem bem escritos, em português é claro,
teríamos um "festival de crase":
"Viradinho à paulista." (=à moda de São Paulo)
"Tutu à mineira." (=à moda de Minas)
"Camarão à baiana." (=à moda da Bahia)
"Churrasco à gaúcha." (=à moda gaúcha)
Observe que neste caso o acento grave deve ser usado mesmo antes de
palavras masculinas:
"Churrasco à Osvaldo Aranha." (=à moda de Osvaldo Aranha)
O simples fato de estar no cardápio não garante a crase:
"Filé a cavalo"
"Frango a passarinho."
Não usamos o acento grave nesses dois exemplos. A locução "à moda de"
não está subentendida. Um "filé a cavalo" não é um "filé à moda do
cavalo". Graças a Deus!

8. Vendeu a ou à vista ?

Se alguém "vendeu a vista", deve ter vendido "o olho" (a vista = objeto
direto). O desespero era tanto, que um vendeu o carro, o outro vendeu o
rim e esse vendeu a vista.
Se não era nada disso que você queria dizer, então a resposta é outra:
"vendeu à vista", e não a prazo (à vista = adjunto adverbial de modo).
Observe que nesse caso não se aplica o "macete" da substituição do
feminino pelo masculino (à vista > a prazo).
Por causa disso, há muita polêmica e algumas divergências entre
escritores, jornalistas, gramáticos e professores.
Após muita pesquisa, mudei meu ponto de vista e assumo a seguinte
posição: acentua-se o a que inicia locuções (adverbiais, prepositivas,
conjuntivas) com palavra FEMININA:
À beça
À beira de
À cata de
À custa de
À deriva
À direita
À distância
À espreita
À esquerda
À exceção de
À feição de
À força
À francesa
À frente (de)
À luz ("dar à luz um filho")
À mão
À maneira de
À medida que
À mercê de
À míngua
À minuta
À moda (de)
À noite
À paisana
À parte
À pressa
À primeira vista
À procura de
À proporção que
À queima-roupa
À revelia
À risca
À semelhança de
À tarde
À toa
À toda
À última hora
À uma (=conjuntamente)
À unha
À vista
À vontade
Às avessas
Às cegas
Às claras
Às escondidas
Às moscas
Às ocultas
Às ordens
Às vezes (=algumas vezes, de vez em quando)

OBSERVAÇÃO 1:
As locuções adverbiais indicam lugar, tempo, modo, instrumento:
"Entrou à direita."
"Está à distância de um metro." (=adjuntos adverbiais de lugar)
"Só voltará à tarde."
"À última hora, desistiu." (=adjuntos adverbiais de tempo)
"Saiu andando à toa."
"Falou tudo às claras." (=adjuntos adverbiais de modo)
"Fez o trabalho à mão."
"O marginal foi morto à faca." (=adjuntos adverbiais de instrumento)

OBSERVAÇÃO 2:
Nas locuções prepositivas, só haverá o acento grave com palavras
femininas: à custa de, à procura de, à mercê de, à moda de...
Não há acento grave em locuções com palavras masculinas:
"Falávamos a respeito do jogo de ontem."

OBSERVAÇÃO 3:
As duas locuções conjuntivas (=ligam orações) dão idéia de "proporção":
"A sala fica cheia à proporção que os convidados vão chegando."
"À medida que o tempo passa, ele fica mais irresponsável."

9. A procura ou à procura ?

Depende.
Em "A procura dos criminosos durou dez dias", não há o acento da crase
porque não há preposição (A procura dos criminosos = sujeito).
Em "A polícia está à procura dos criminosos", devemos usar o acento
grave porque à procura de é uma locução prepositiva.
Observe outros exemplos:
"A base do triângulo mede 10cm." (=sujeito)
"Ele vive à base de remédios." (=locução prepositiva)
"A moda de 1970 está voltando." (=sujeito)
"Ela se veste à moda de 1970." (=locução prepositiva)

10. Carro a ou à álcool ?

O certo é "carro a álcool".
Álcool é uma palavra masculina. A regra das locuções só se aplica a
palavras femininas:
"Carro à gasolina"
"Fez o trabalho à máquina"
"Resolveu tudo à bala."
"Pintou o quadro à tinta."

11. Bateu a ou à porta ?

Depende. Se você "bateu a porta", significa que você "fechou a porta" (a
porta = objeto direto); se você "bateu à porta", quer dizer que "bateu
na porta" (à porta = adjunto adverbial de lugar).

12. Sentou na ou à mesa ?

Todos podem sentar "na mesa", mas é falta de educação e a mesa pode não
agüentar. Na verdade, nós sentamos à mesa.
Devemos usar o acento da crase porque "à mesa" é um adjunto adverbial de
lugar.

13. As vezes ou às vezes?

Usaremos o acento grave somente quando às vezes for uma locução
adverbial de tempo (=de vez em quando, em algumas vezes):
"Às vezes os alunos acertam esta questão."
"O Flamengo às vezes ganha do Fluminense."
Quando não houver a idéia de "de vez em quando", não devemos usar o
acento grave:
"Foram raras as vezes em que ele veio aqui." (as vezes = sujeito)
"Em todas as vezes, ele criou problemas." (= não há a preposição a, por
isso não ocorre a crase; temos somente o artigo definido as).

14. Saiu a noite ou à noite ?

Depende.
Se "a noite saiu", eu vou entender que quem saiu foi a noite (=sentido
figurado): "a noite surgiu, apareceu..." ou simplesmente "anoiteceu".
Entretanto, se você "saiu à noite", significa que você não saiu "à tarde
ou pela manhã", ou seja, "à noite" é um adjunto adverbial de tempo.

15. Saiu as 10h ou às 10h ?

Só pode ter sido "às 10h".
"Hora" indica tempo e é uma palavra feminina, logo deveremos usar o
acento grave:
"A aula começa sempre às 7h."
"A reunião será às 8h."
"A sessão só começará às 16h."
"Ele vai sair às 20h."

16. A reunião será ... das 2h às 4h da tarde ou de 2h às 4h da tarde ou
de duas a quatro horas ?

A reunião pode ser "das 2h às h da tarde" ou "de duas a horas".
A reunião que vai "das 2h às 4h" começa exatamente às 2h e termina
precisamente às 4h. Para haver a idéia de "exatidão, precisão", é
necessário que usemos o artigo definido. Isso justifica o uso da
preposição de + o artigo definido as (="das 2h") e a crase (= "às 4h").
Não devemos usar "de 2h às 4h".
A outra reunião que vai "de duas a quatro horas" não definiu a hora para
começar ou terminar. Temos apenas uma idéia aproximada da duração da tal
reunião. Não há artigo definido, logo existem apenas as preposições:
"de...a".

OBSERVAÇÃO:
Podemos usar essa "dica" em outras situações:
"Trabalhamos de segunda a sexta." (= de ... a ...)
"O torneio vai da próxima segunda à sexta-feira." (= da ... à ...)
"Leia de cinco a dez páginas por dia." (= de ... a ...)
"Leia da página 5 à 10." (= da ... à ...)
"Ficou conosco de janeiro a dezembro." (= de ... a ...)
"Ficou conosco do meio-dia à meia-noite." (= do ... à ...)
"O congresso vai de cinco a quinze de janeiro." (= de ... a ...)
"O aumento será de 2% a 5%." (= de ... a ...)

17. A reunião será a ou à partir das 14h ?

O certo é: "A reunião será a partir das 14h."
Não há crase, porque é impossível haver artigo antes de verbo (=partir).

18. Ele está aqui desde as ou às 14h ?

O certo é: "Ele está aqui desde as 14h."
A presença da preposição desde significa que não há a preposição a, logo
não há crase. Temos apenas o artigo definido as:
Vejamos outros casos semelhantes:
"Após as 18h, as nossas portas estão fechadas."
"Ele fez o gol com a mão."
"A reunião ficou para as 16h."
"Ele teve de comparecer perante a justiça."

OBSERVAÇÃO:
Veja a diferença:
"Ela vai à praia."
"Ela vai para a praia."
No primeiro caso, "ela vai a", ou seja, "vai e volta, tem hora pra
voltar"; no segundo, "ela vai para". Isso quer dizer que "ela não tem
hora pra voltar, lá sabe Deus se volta".

19. Ele ficará aqui até as ou às 18h ?

Para muitos gramáticos e professores, é um caso facultativo.
Devido à presença da preposição até, prefiro a forma sem o acento grave:
"Ele ficará aqui até as 18h."

OBSERVAÇÃO:
O mesmo se aplica no adjunto adverbial de lugar:
"Ele foi até a/à praia." (="Ele foi até o/ao supermercado")
Mais uma vez, prefiro a forma sem o acento grave:
"Ele foi até a praia." (="Ele foi até o supermercado.")

20. A próxima reunião será a ou à uma hora da madrugada ?

O certo é: "A próxima reunião será à uma hora da tarde."
"À uma hora da tarde" é adjunto adverbial de tempo formado por palavra
feminina. O acento grave é obrigatório.

OBSERVAÇÃO 1:
Não devemos confundir "à uma hora da tarde ou da madrugada" com "a uma
hora qualquer". No primeiro caso, a palavra uma é numeral (= 1h); no
segundo, é artigo indefinido.
"Ele chegou à uma hora da tarde." (="às 13h")
"Ele chegou a uma certa hora." (="a uma hora qualquer")
Antes de artigo indefinido é impossível haver crase, pois não teremos o
artigo a que é definido:
"Ele disse que chegaria a uma hora qualquer."
"Referia-se a uma velha história."
"Entregou os documentos a uma secretária."

OBSERVAÇÃO 2:
Em "Todos responderam à uma", devemos usar o acento grave.
"À uma" (="a uma só voz") é uma locução adverbial de modo.

21. Eu fui aquela ou àquela farmácia ?

O certo é: "Eu fui àquela farmácia."
Os pronomes AQUELE(S), AQUELA(S) e AQUILO deverão receber o acento grave
sempre que forem complementos de verbos e nomes cuja regência exija a
preposição a:
"Eu fui a (=preposição) aquela farmácia." (=Eu fui àquela farmácia)
"Ele não fez referência a (=preposição) aquilo." (=...referência
àquilo)
Se o verbo for transitivo direto, não haverá crase:
"Ele viu (TD) aquela farmácia (OD)."
"Ele não leu (TD) aquilo."
Uma certa pessoa (é bom não lembrar o nome), certa vez, ao ser vaiado
durante um discurso, disse: "Pode vaiar. Eu não tenho medo. Eu tenho
aquilo roxo." Se você quer saber se o "aquilo" dele tem ou não o acento
da crase, não perca seu tempo querendo ver o "aquilo dele". Se é roxo,
amarelo ou rosa, é problema dele. Eu sei que não tem o acento grave por
uma razão muito simples: "quem tem sempre tem alguma coisa", ou seja, o
verbo ter é transitivo direto. Portanto, "ele tem ou tinha (TD) aquilo
roxo (OD)."

OBSERVAÇÃO:
Algumas locuções adverbiais de tempo iniciadas pela preposição em podem
ser iniciadas pela preposição a. Nesse caso se usa o acento da crase:
"Àquela hora tudo estava calmo." (=Naquela hora)

22. A nossa disciplina é semelhante a ou à dos militares ?

O certo é: "A nossa disciplina é semelhante à dos militares."
Nesse caso temos a fusão da preposição a (=exigida pelo adjetivo
semelhante) + o pronome demonstrativo a (aquela = a disciplina):
"A nossa disciplina é semelhante a (=preposição) + a (=aquela
disciplina) dos militares."
Os pronomes demonstrativos a e as (=aquela e aquelas) geralmente vêm
antes da preposição de ou do pronome relativo que:
"Sua reivindicação é igual à dos metalúrgicos." (=igual a aquela dos
metalúrgicos)
"Faça uma linha paralela à do centro." (=paralela a aquela do centro)
"Ele se referiu às que reclamaram." (=ele se referiu a aquelas que
reclamaram)
"Essa piada é semelhante à que me contaram ontem." (=semelhante a
aquela que me contaram ontem)

OBSERVAÇÃO:
Se o verbo for transitivo direto, é impossível haver crase:
"Ele chamou a da esquerda." (=chamou aquela da esquerda)
"Não conheço a que saiu." (=não conheço aquela que saiu)

23. Aqui está a obra a ou à que ele se referiu ?

O certo é: "Aqui está a obra a que ele se referiu."
Nesse caso não há crase. Temos apenas a preposição a exigida pela
regência do verbo referir-se (=quem se refere sempre se refere a alguma
coisa). Não há artigo definido nem pronome demonstrativo:
"Aqui está a obra a que ele se referiu" NÃO significa "a obra a aquela
que ele se referiu".

24. Aqui está a obra a ou à qual ele se referiu ?

O certo é: "Aqui está a obra à qual ele se referiu."
Observe a diferença:
"Aqui está a obra a que ele se referiu."
"Aqui está a obra à qual ele se referiu."
Qual é a diferença? Por que só ocorre a crase no segundo caso?
No primeiro caso, temos apenas a preposição a exigida pelo verbo
referir-se.
No segundo, ocorre crase porque, além da preposição a do verbo
referir-se, temos o artigo a que antecede o pronome relativo qual (=a a
qual ele se referiu).
Isso significa que deveremos usar o acento grave no artigo a / as que
antecede o pronome relativo qual / quais (=à qual / às quais), sempre
que houver também a preposição a:
"Esta é aluna à qual o professor entregou as provas."
"Estas são as funcionárias às quais fizemos referência."
"Não lembro o nome da cidade à qual eles chegaram ontem."

OBSERVAÇÃO:
Se o verbo for transitivo direto, não há a necessidade da preposição e
conseqüentemente não ocorre crase:
"Esta é a aluna a qual vimos (TD) na praia."
"Estas são as funcionárias as quais estamos ajudando (TD)."
Podemos usar o "macete" da substituição da palavra feminina por uma
masculina:
"Esta é a aluna à qual o professor entregou as provas."
(= Este é o aluno ao qual o professor entregou as provas)
"Esta é a aluna a qual vimos na praia."
(= Este é o aluno o qual vimos na praia)
"Estas são as funcionárias às quais fizemos referência."
(= Estes são os funcionários aos quais fizemos referência)
"Estas são as funcionárias as quais estamos ajudando."
(= Estes são os funcionários os quais estamos ajudando)

25. Esta é a aluna à ou a quem o professor entregou as provas ?

O certo é: "Esta é a aluna a quem o professor entregou as provas."
Antes do pronome quem jamais haverá artigo. Isso significa que jamais
haverá crase antes do pronome quem.

III) Casos Impossíveis

A seguir, temos alguns casos nos quais, por não haver artigo definido
feminino a / as, é impossível ocorrer crase:

1) antes de palavras masculinas:
"Gostava de andar a cavalo."
"Viajou a serviço."
"Vendeu tudo a prazo."
"Não chegou a tempo de assistir ao início do filme."
"Comprou um fogão a gás."

2) antes de verbos:
"Começou a redigir."
"Prefiro isso a aceitá-lo na empresa."
"Entra em vigor a partir de hoje."
"Estamos dispostos a colaborar."

3) antes de artigos indefinidos:
"Referia-se a uma antiga lei."
"Ofereceu o prêmio a uma velha funcionária."
"Fez alusão a uma poesia romântica."
"Isso ocorreu devido a uma situação excepcional."

4) antes de pronomes indefinidos:
"Entregou o livro a alguém."
"Sempre se refere a qualquer funcionário."
"Começou a toda força."
"Ofendeu a todos."
"A certa altura, todos saíram."
"Não entregue o documento a ninguém."

5) antes de pronomes demonstrativos (=esta, essa, isso):
"Estamos atentos a essa tendência."
"Ofereceu o prêmio a esta aluna aqui."
"Prefiro aquilo a isso aqui."
"Entregou a essa secretária tudo que ela pediu."

6) antes de pronomes pessoais:
"Ofereceu o prêmio a mim."
"Entregou a ela tudo que pediu."
"Ele se referiu a ti."
"Fizeram referência a nós."
"Elas feriram a si mesmas."
"Tudo foi entregue a elas."

7) antes de pronomes de tratamento:
"Entreguei o documento a S.Exa."
"Ele disse a V.Sa que não viria."
"Eu me referia a você."
"Fez alusão a Sua Santidade."

OBSERVAÇÃO 1:
Quando a expressão de tratamento só se refere à mulher, pode ocorrer a
crase:
"Falou à senhora." (=Falou ao senhor)
à senhorita."
à doutora."
à madame."

OBSERVAÇÃO 2:
Antes da palavra Dona (que se abrevia D.), não há artigo. Isso significa
que nunca ocorrerá crase:
"Entreguei a chave da casa a Dona Maria."
"Contei tudo a D. Francisca."

8) Antes de palavras no plural (quando o a estiver no singular):
"Não obedecia a leis pouco conhecidas."
"O desentendimento levou-o a situações constrangedoras."
"Referia-se a cidades do interior."
"Não me refiro a mulheres, e sim a crianças."
"Não dê ouvidos a reclamações idiotas."
"A reunião será a portas fechadas."
"Tráfego proibido a motocicletas."
"Foi recebido a tiros."

9) Antes de substantivos repetidos, nas locuções adverbiais:
"Ficou cara a cara."
"Está frente a frente."
"Venceu de ponta a ponta."
"Caía gota a gota."

10) Antes de qualquer nome feminino tomado em sentido genérico ou
indeterminado, isto é, sem artigo definido:
"Não fui a reunião nenhuma." (=Não fui a encontro nenhum)
"Ela é candidata a rainha do carnaval." (=...candidato a rei...)

IV) Dúvidas Finais

1ª) Entrega a domicílio ou à domicílio ?

Essa é a famosa dúvida do nada com coisa alguma.
Na verdade, deveríamos fazer "entregas em domicílio", assim como
faríamos qualquer entrega "em casa", "no escritório", "no quarto"...
Pior que usar a preposição a é a crase. Domicílio é um substantivo
masculino. Seria um caso de crase impossível.

2ª) Comida a kilo ou à kilo ?

Outra dúvida de nada com coisa alguma.
Primeiro, a letra K, em português, só deve ser usada em abreviaturas: k,
km, kg...
Quilômetro e quilograma, por extenso, se escreve com "qu". Portanto,
devemos grafar quilo (=com "qu").
Segundo, quilograma é uma palavra masculina. Isso significa que não há
artigo feminino, logo a crase é impossível.
O certo é: "Comida a quilo".
O que eu não sei é se os donos de restaurantes vão mudar seus cartazes.
O brasileiro está tão acostumado com "comida à kilo", que é capaz de
desconfiar da qualidade do restaurante que anuncie corretamente: "comida
a quilo".

Por Fascículo > 7. Pronomes

Parte 1 - Uso dos PRONOMES PESSOAIS
Parte 2 - Uso dos PRONOMES DE TRATAMENTO
Parte 3 - Uso dos PRONOMES POSSESSIVOS
Parte 4 - Colocação dos PRONOMES ÁTONOS
Parte 5 - Uso dos PRONOMES DEMONSTRATIVOS
Parte 6 - Uso dos PRONOMES RELATIVOS

Parte 1 - Uso dos PRONOMES PESSOAIS

Introdução: PRONOMES PESSOAIS RETOS
[FieldElemFormat=gif]
Observação:
Os pronomes pessoais retos sempre exercem a função de sujeito.
Os pronomes pessoais oblíquos exercem as funções de complemento (=objeto
direto, objeto indireto, complemento nominal...)
Em razão disso, as frases "eu encontrei ele" e "isso é para mim fazer"
estão erradas.
No primeiro caso, não podemos usar um pronome pessoal reto (=ele) na
função de objeto:
"Eu (=sujeito) encontrei (=verbo transitivo direto) ele (=objeto
direto)."
Devemos usar um pronome pessoal oblíquo. Para substituir os objetos
diretos, usamos os pronomes o, a, os, as. (Para substituir os objetos
indiretos, usaremos lhe, lhes). A solução é:
"Eu o encontrei" ou "Eu encontrei-o"
No segundo exemplo, ocorre o oposto. Usamos um pronome pessoal oblíquo
(=mim) na função de sujeito:
"...para mim (=sujeito) fazer (=verbo no infinitivo)"
Sempre que o pronome pessoal anteceder um verbo no infinitivo e exercer
a função de sujeito, devemos usar o pronome do caso reto (=EU).
O certo é: "...para eu fazer".

OS CASOS

1. O Cacófato

Em "eu vi ela", além do erro gramatical (=pronome pessoal reto ela na
função de objeto direto), ocorre também um caso de cacofonia (=palavra
de origem grega que significa "mau som", resultante da aproximação de
sílabas de duas ou mais palavras): "vi ela" parece uma pequena via, uma
ruazinha.
Muitos me perguntam se o nome da novela da Globo POR AMOR não forma um
cacófato. Dependendo do modo como pronunciamos o "r" final da preposição
por, formaremos um cacófato com a sílaba inicial "a" do substantivo
amor. Isso também acontece em "por razões", "por racismo", "por
radar"...
A cacofonia, por ser um fenômeno sonoro, passa despercebida aos olhos de
muitos leitores. Isso não justifica os nossos descuidos. É importante
alertar os nossos profissionais, principalmente os de rádio e de
televisão.
Durante a Olimpíada de Atlanta, um repórter afirmou com muita ênfase:
"Até hoje, o Atletismo era o esporte que havia dado mais medalhas para o
Brasil."
Outro dia, na transmissão do jogo Brasil x Coréia, ouvimos: "Flávio
Conceição pediu a bola e Cafu deu." Assim não dá!
Existem cacófatos famosos que a maioria das pessoas já conhece, mas vale
a pena recordar alguns: "Ela tinha...", "Uma minha...", "Na boca
dela...", "Na vez passada..." e outros.
No meio empresarial corre uma história muito curiosa. Dizem que uma
engenheira química, durante uma visita a uma fábrica em São Paulo,
recebeu a seguinte pergunta: "Que a senhora faria se este problema
ocorresse na sua fábrica no Rio de Janeiro?" Ela respondeu secamente:
"Eu mandaria um químico meu." A resposta causou constrangimento. Todos
disfarçaram e continuaram a reunião. Lá pelas tantas, nova pergunta: "E
neste caso?" Nova resposta: "Eu mandaria um outro químico meu." Foram
tantos "químico meu", que um diretor "mais preocupado" perguntou:
"Mas...foi a fábrica toda?" Ela deve ter voltado para casa sem saber o
porquê de tanto sucesso.
Para terminar, uma historinha verídica. Eu estava ensinando aos meus
alunos de Comunicação da Faculdade Carioca que deveriam evitar manchetes
do tipo: "América ganha..." Um aluno, querendo fazer graça, retrucou:
"Fique tranqüilo, professor, porque o América nunca ganha." Ele não
entendeu "o espírito da coisa"!

CASO 2 - A Dra. Jorgina

Em 1997, no programa Globo Repórter, tivemos a oportunidade de assistir
a uma lamentável entrevista. A doutora Jorgina, advogada, apresentou
para todos nós um grande show: foram argumentos incompreensíveis,
justificativas inaceitáveis e um festival de erros gramaticais. Com
certeza, ela nos julga uns verdadeiros idiotas.
Foram tantos "pra mim fazer", "pra mim viver", "pra mim falar" que eu
quero, antes de tudo, parabenizar o entrevistador. Não sei como o
Roberto Cabrini resistiu. É o dever da profissão.
No meio da entrevista, a doutora exclamou: "Cara, eu sou advogada!" Em
seguida se desculpou: "Não fica bem uma advogada dizer cara". Ela tentou
"livrar a cara", mas se deu mal. Os "pra mim" ficaram.
Ela agora poderá aproveitar o tempo de reclusão para um "cursinho" de
revisão gramatical. Como todos são merecedores da nossa caridade, aqui
vai uma pequena contribuição:
MIM é pronome pessoal oblíquo. Jamais exercerá a função de sujeito.
Antes de verbo no infinitivo, o pronome exerce o papel de sujeito. É
obrigatório o uso do pronome pessoal reto (=EU).
Observe a diferença:
"Ela trouxe o livro para MIM", mas "Ela trouxe o livro para EU ler".
Vejamos mais exemplos:
"Isto é difícil para EU entender."
"Para EU fazer esta entrevista, exigi até dinheiro."
"É duro para EU viver longe dos meus filhos."

Caso 3 - Mistura de Tratamento

Sempre me perguntam onde se fala o melhor português. Só pode ser em
Portugal! Já viajei muito pelo Brasil e já estive em todas as regiões.
Sinceramente, não sei onde se fala melhor. Cada região tem suas
qualidades e seus vícios de linguagem. Confesso que até hoje não tenho
opinião sobre o assunto.
No Maranhão, podemos observar o bom uso do pronome TU. No Rio Grande do
Sul, também observamos a presença do pronome TU, porém a concordância é
feita geralmente com o verbo na 3ª pessoa (="tu vai", "tu fez"...).
Dizem que nós, gaúchos, comemos o "s" do plural com picanha e sal grosso
(="os pé", "as mão"...).
Aqui no Rio de Janeiro, graças ao nosso "chiado", pronunciamos bem o "s"
final. Isso faz com que a concordância no plural seja respeitada. Por
outro lado, temos um velho vício: a mistura de tratamento. Tratamos as
pessoas, geralmente, por VOCÊ (=3ª pessoa), mas gostamos de "te
encontrar", "ter saudade de ti", "pedir a tua caneta" e queremos "falar
contigo".
Assim não dá!
Para usarmos corretamente os pronomes te, ti, contigo, teu, tua...,
seria necessário TE tratarmos por TU (=2ª pessoa).
Se preferimos VOCÊ (=3ª pessoa), devemos: "encontrá-lo", "dizer-lhe",
"pedir a sua caneta" e "falar com você".
Quanto ao famoso "falar CONSIGO", temos um problema. Embora nossos
irmãos portugueses usem com freqüência, sugiro que evitemos usar CONSIGO
para substituir COM VOCÊ. Pode haver mal-entendidos.
CONSIGO significa "com si mesmo". É uma forma reflexiva: "Ele carregava
todos os documentos CONSIGO (=com ele próprio)."
Quando ouço: "O diretor já vai falar consigo." Sinto vontade de ir
embora. Será que ele quer falar comigo ou com si próprio? Será que ele
enlouqueceu e quer falar sozinho?
O melhor é "falar COM VOCÊ" ou "COM O SENHOR" ou "COM VOSSA SENHORIA".
Você decide.

AS DÚVIDAS

1. PARA MIM ou PARA EU ?

EU é pronome pessoal reto.
MIM é pronome pessoal oblíquo tônico.

Pronome pessoal reto (=EU) sempre exerce a função de sujeito.
Pronome pessoal oblíquo tônico (=MIM) nunca exerce a função de sujeito e
obrigatoriamente deve ser usado com preposição: a mim, de mim, entre
mim, para mim, por mim...
Exemplos:
"EU li o jornal." (=sujeito)
"Ela trouxe o jornal para MIM." (=não é sujeito)

Entretanto, observe o exemplo abaixo:
"Ela trouxe o jornal para EU ler."
Nesse caso são duas orações. "Ela trouxe o jornal" é a oração principal
e "para EU ler" é oração reduzida de infinitivo (=para que eu lesse).
Devemos usar o pronome pessoal reto (=EU), porque exerce a função de
sujeito do verbo infinitivo (=ler).

Conclusão:
A diferença entre PARA MIM e PARA EU está na presença ou não de um verbo
(=sempre no infinitivo) após o pronome:
"Este documento é PARA MIM."
"Este documento é PARA EU escrever."
Portanto, sempre que houver um verbo no infinitivo, devemos usar os
pronomes pessoais retos. Isso ocorrerá com qualquer preposição:
"Ela chegou antes DE MIM."
"Ela chegou antes DE EU sair."
"Ela fez isso POR MIM."
"Ela fez isso POR EU estar cansado."

Observe a sutileza:
1. "PARA EU viver nesta cidade, foi preciso que os amigos ajudassem."
2. "PARA MIM, viver nesta cidade é um tormento."
Na primeira frase, o pronome pessoal reto (=EU) é o sujeito do
infinitivo (=viver); na segunda frase, a vírgula indica que o PARA MIM
está deslocado. Devemos usar o pronome oblíquo (=MIM), pois não é o
sujeito do verbo viver.
Vejamos mais exemplos:
"PARA EU fazer o trabalho, foi a ordem dele."
"PARA MIM, fazer o trabalho foi uma ordem dele."

2. "Não há nada ENTRE EU E VOCÊ ou ENTRE MIM E VOCÊ" ?
O certo é: "Não há nada ENTRE MIM E VOCÊ."
Como já foi explicado, EU é pronome pessoal reto e só pode ser usado na
função de sujeito. Para isso, é necessário um verbo no infinitivo: "Não
há nada ENTRE EU sair e você ficar em casa..."
Não havendo o verbo, devemos usar sempre ENTRE MIM e VOCÊ. E não adianta
você inverter. O certo é: "Não há nada ENTRE VOCÊ e MIM".

Observe mais exemplos:
1. "A escolha será entre MIM e o meu irmão."
2. "O meu irmão e EU fomos os escolhidos."
No primeiro exemplo, devemos usar MIM porque não é sujeito. O sujeito é
"a escolha". No segundo caso, devemos usar EU porque é núcleo do sujeito
composto "o meu irmão e eu".

Portanto, "entre eu e você" está sempre errado. Se você não gostou da
forma correta (="entre MIM e você" ou "entre você e MIM"), porque achou
"estranho", "feio" ou "porque parece coisa de índio", só me resta uma
solução: "A partir de hoje não haverá mais nada ENTRE NÓS."

3. CONOSCO ou COM NÓS ou COM A GENTE ?

"Os diretores se reuniram ontem CONOSCO ou COM NÓS ou COM A GENTE." ?
Devemos usar CONOSCO.
COM A GENTE é característico de linguagem tipicamente coloquial. Não
devemos usar em texto formais.
COM NÓS deve ser usado antes de: MESMOS, PRÓPRIOS, AMBOS, TODOS,
NUMERAIS e pronome relativo QUE.
Exemplos:
"Ele deixou a decisão CONOSCO."
"Ele deixou a decisão COM NÓS MESMOS."
"Ele deixou a decisão COM NÓS TODOS."
"Ele deixou a decisão COM NÓS DOIS."
"Ele deixou a decisão COM NÓS QUE reclamamos da sua proposta."

4. CONTIGO ou CONSIGO ou COM VOCÊ ?

"Espere que o diretor já vem falar CONTIGO ou CONSIGO ou COM VOCÊ" ?
O certo é COM VOCÊ.
A frase está na 3ª pessoa (="Espere você..."). Devemos usar a forma
VOCÊ, que é de 3ª pessoa.

O pronome CONTIGO só deve ser utilizado quando tratamos as pessoas em 2ª
pessoa (=TU, te, ti, teu, tua...)
Exemplos:
"Ele te disse isso, porque deseja viajar CONTIGO."
"Espera que ele já vem falar CONTIGO."
"Cala a tua boca. Ele vai sair CONTIGO."

O pronome CONSIGO é reflexivo - significa COM SI MESMO.
Exemplo:
"Ele trouxe as mercadorias CONSIGO (=com si mesmo)."

Quando tratamos as pessoas em 3ª pessoa (=você, vossa senhoria, vossa
excelência, senhor, doutor...) não devemos usar CONTIGO nem CONSIGO.
Exemplos:
"Ele lhe disse isso, porque deseja viajar COM VOCÊ."
"Cale a sua. Ele vai sair COM VOCÊ."
"Venho informar-lhe que minha reunião com VOSSA SENHORIA está
confirmada no seu escritório."

5. O ou LHE ?

"Eu devo ajudá-LO ou ajudar-LHE" ?
"Eu devo obedecê-LO ou obedecer-LHE" ?
O certo é:
"Eu devo AJUDÁ-LO" e
"Eu devo OBEDECER-LHE".

O pronome pessoal oblíquo "o" (O, A, OS, AS, LO, LA, LOS, LAS) deve ser
usado para substituir objetos diretos:
"Eu o encontrei."
"Eu devo ajudá-lo."
"Eu não a vi."

O pronome "lhe", como complemento verbal, substitui os objetos
indiretos:
"Eu não lhe obedeço."
"Eu devo dizer-lhe a verdade."
"Eu lhe entreguei os documentos."

Quem decide se o objeto é direto ou indireto é o verbo. Em caso de
dúvida, vá ao dicionário. Lá você vai encontrar a regência do verbo (=se
pede preposição ou não).
Quem ajuda ajuda alguém. AJUDAR é transitivo direto, por isso "devo
ajudá-lo".
Quem obedece obedece a alguém. OBEDECER é transitivo indireto, por isso
"devo obedecer-lhe".

As formas "eu te amo", "eu te vi" e "eu te quero bem" são corretas,
desde que o tratamento seja feito em 2ª pessoa (=tu).
Se o tratamento for em 3ª pessoa (=você), devemos dizer "eu o amo", "eu
a vi" e "eu lhe quero bem".
Em "eu lhe quero bem", o verbo QUERER (=estimar, querer bem) é
transitivo indireto, por isso devemos usar o pronome lhe (=objeto
indireto)
"Eu lhe amo" está errado, porque o verbo AMAR é transitivo direto. Se
você acha "eu o amo" ou "eu a amo" formas esquisitas, diga simplesmente
"eu amo você", e eu ficarei duplamente feliz.

6. "Devemos INFORMÁ-LO ou INFORMAR-LHE dos incidentes de ontem." ?

O certo é: "Devemos INFORMÁ-LO dos incidentes de ontem."
O verbo INFORMAR é transitivo direto e indireto (= INFORMAR alguma coisa
a alguém ou alguém de alguma coisa).

Devemos evitar dois objetos diretos ou dois objetos indiretos:
"Devemos informá-lo (=objeto direto) os incidentes de ontem (=outro
objeto direto)." OU
"Devemos informar-lhe (=objeto indireto) dos incidentes de ontem
(=outro objeto indireto)."

O certo é:
"Devemos informá-lo (=objeto direto) dos incidentes de ontem (=objeto
indireto)." OU
"Devemos informar-lhe (=objeto indireto) os incidentes de ontem
(=objeto direto)."

Parte 2 - Uso dos PRONOMES DE TRATAMENTO

1. "Vossa Excelência DEVE ou DEVEIS viajar" ?

VOSSA EXCELÊNCIA, como qualquer pronome de tratamento (=VOSSA SENHORIA,
VOSSA ALTEZA, VOSSA MAJESTADE, VOSSA SANTIDADE...), é de 3ª pessoa. É
igual a VOCÊ.
Portanto, o certo é:
"Vossa Excelência DEVE viajar."

2. "VOSSA EXCELÊNCIA ou SUA EXCELÊNCIA" ?

"Eu preciso falar com VOSSA ou SUA EXCELÊNCIA" ?
Se você está falando diretamente com a pessoa, deve dizer:
"Eu preciso falar com VOSSA EXCELÊNCIA."
Se você está falando a respeito da pessoa, deve usar:
"Eu preciso falar com SUA EXCELÊNCIA."

VOSSA EXCELÊNCIA, VOSSA SENHORIA, VOSSA MAJESTADE - devem ser usados
quando nos dirigimos diretamente à pessoa.
SUA EXCELÊNCIA, SUA SENHORIA, SUA MAJESTADE - devem ser usados quando
nos referimos à pessoa:
"Falamos sobre SUA EXCELÊNCIA ontem na reunião."
"SUA SANTIDADE esteve no Brasil em 1997."

3. "VOSSA EXCELÊNCIA ou VOSSA SENHORIA"?

"Preciso falar com VOSSA EXCELÊNCIA ou VOSSA SENHORIA" ?
Depende da pessoa com quem você quer falar.
Vossa Senhoria = para pessoas graduadas;
Vossa Excelência = para altas autoridades;
Vossa Alteza = para príncipes e princesas;
Vossa Majestade = para reis e imperadores;
Vossa Reverendíssima = para sacerdotes em geral;
Vossa Eminência = para cardeais e bispos;
Vossa Santidade = para o papa;
Vossa Magnificência = para reitores de universidades.

Parte 3 - Uso dos PRONOMES POSSESSIVOS

1. SEU ou VOSSO ?

"VOSSA EXCELÊNCIA deve comparecer com SEUS ou VOSSOS convidados à
reunião do dia 20. Estamos a SEU ou VOSSO dispor para mais
esclarecimentos" ?
VOSSA EXCELÊNCIA é um pronome de tratamento. Os pronomes de tratamento
são de 3ª pessoa.
A concordância deve ser feita em 3ª pessoa:
"VOSSA EXCELÊNCIA (=você / 3ª pessoa) deve comparecer com SEUS
convidados à reunião do dia 20. Estamos a SEU dispor para mais
esclarecimentos."

2. O CASO - Ambigüidade

Este caso aconteceu com um velho amigo. Ele, gerente de vendas de uma
multinacional, ao voltar do almoço, encontrou sobre sua mesa um
memorando interno no qual estava escrito:
"Encontrei o seu diretor e resolvemos fazer uma reunião em seu
escritório às 15h."
Imediatamente ligou para sua secretária e pediu que ela preparasse tudo
para a tal reunião, principalmente a limpeza da mesa e mais algumas
cadeiras.
Às 15h em ponto, lá estava ele à espera do seu diretor.
Às 15h10min, nada. Achou estranho, pois o diretor sempre exigiu muita
pontualidade de todos.
Às 15h15min, um telefonema. Era o diretor: "Que é que você está fazendo
aí que ainda não veio para a reunião?"
Só então ele entendeu que o "seu escritório" não era o dele próprio, mas
sim o do diretor.
Não foi demitido, mas foi obrigado a ouvir algumas "belas" palavras, por
não ter percebido a ambigüidade da mensagem.
É óbvio que quem escreveu a frase também não tinha notado a ambigüidade.
E o que era pior: sabia onde era a reunião. Para o autor a frase estava
"claríssima": "Encontrei o seu diretor e resolvemos fazer uma reunião em
seu escritório às 15h" (=no escritório dele, do diretor).
O meu amigo, ao ler a frase, também não percebeu o duplo sentido. E o
que é pior ainda: entendeu "o outro". Para ele, também estava claro:
"Encontrei o seu diretor e resolvemos fazer uma reunião em seu
escritório às 15h"(=no seu próprio escritório, de quem recebe a
mensagem, do meu amigo).
Tudo isso comprova o "perigo" das ambigüidades na comunicação interna e
externa das organizações.
Frases ambíguas podem ser interessantes e curiosas, e muito úteis na
publicidade. Para fazer piadas então, são excelentes. O pessoal do
Casseta e Planeta que o diga.
É interessante observar que na frase analisada não há erro gramatical. O
pronome possessivo seu é de 3ª pessoa e permite perfeitamente a dupla
interpretação:
SEU = dele (de quem se está falando = o diretor) ou
SEU = de você (com quem se está falando = o receptor da mensagem = o meu
amigo).
Portanto, cuidado com o "seu" !

Parte 4 - Colocação dos PRONOMES ÁTONOS

Introdução:
Os pronomes átonos (=ME, TE, SE, O, A, LHE, NOS, VOS, OS, AS, LHES)
podem ocupar três posições:
1. antes do verbo = PRÓCLISE;
2. depois do verbo = ÊNCLISE;
3. meio do verbo = MESÓCLISE.

Os pronomes átonos são "fracos" na pronúncia. Por serem átonos, unem-se
ao verbo. Não há hífen na próclise, porque a "união" é maior na ênclise.
Em razão disso, na sintaxe lusitana, a preferência é a ênclise.

DÚVIDAS:

1. "NOS REUNIMOS ou REUNIMO-NOS ontem com o diretor" ?

O certo é REUNIMO-NOS.
Segundo a sintaxe portuguesa, não devemos usar o pronome átono no início
da frase, embora seja muito comum no Brasil.
Vejamos outros exemplos:
"Dá-me um cigarro."
"Encontramo-nos com os alemães."
"Tratando-se de dinheiro, não há discussão."

Se você considera a forma REUNIMO-NOS pedante ou artificial, sugiro que
você ponha o sujeito antes do verbo e use a próclise: "Nós NOS
REUNIMOS..."
Devemos, portanto, evitar frases típicas da linguagem coloquial
brasileira: "ME considero candidato", "SE sente deprimida"...
Podemos usar: "Considero-ME candidato" ou "Eu ME considero candidato";
"Sente-SE deprimida" ou "Ela SE sente deprimida".

2. "Eu O ENCONTREI ou ENCONTREI-O na praia" ?

Tanto faz. As duas formas são aceitáveis.
Podemos aceitar a próclise sempre que o sujeito aparece antes do verbo:
"O diretor RETIROU-SE ou SE RETIROU mais cedo."
"Ela ENTREGOU-LHE ou LHE ENTREGOU os documentos."
"O proprietário OFERECEU-ME ou ME OFERECEU um cargo em sua
empresa."

3. "Eu não LHE DISSE ou DISSE-LHE a verdade" ?

O certo é: "Eu não LHE DISSE a verdade."
Quando há uma palavra de sentido negativo (=não) antes do verbo, a
próclise
é obrigatória.

A próclise (=pronome átono antes do verbo) é recomendável nos seguintes
casos:
a) com palavra negativa: não, nunca, jamais, nada, ninguém:
"Nada ME preocupa mais do que isso."
"Ninguém NOS perturba tanto quanto os governantes."
b) com alguns conectivos: que, se, quando, embora, porque:
"Ele lhe disse que OS dispensaria logo."
"Quando SE trata de política, devemos ter cautela."
"Caso TE ofendam, tem paciência."
c) com alguns advérbios (sem pausa): sempre, já, ainda, agora, talvez:
"Sempre NOS encontramos aqui."
"Ele já LHE disse tudo."
"Isto talvez ME seja útil."
d) com pronomes relativos, demonstrativos e indefinidos:
"Foi ele quem O avisou."
"Aqui está o livro que TE emprestaram."
"Isto NOS é desfavorável."
"Todos A criticaram muito."
"Alguém NOS viu quando chegamos."
e) em frases interrogativas:
"Quem LHES enviou os documentos?"
"Quando NOS encontraremos novamente?"
"Como TE sentes?"
f) em frases exclamativas ou optativas:
"Como VOS respeitam!"
"Quanto TE odeiam!"
"Deus O abençoe!"
"Macacos ME mordam."
g) com verbo no gerúndio antecedido da preposição EM:
"Em SE plantando, tudo dá."
"Em SE fazendo dia, partirei."
h) com formas verbais proparoxítonas:
"Nós O censurávamos."
"Nós A encontráramos antes de ele chegar."

4. "ME TORNAREI ou TORNAREI-ME ou TORNAR-ME-EI o líder do grupo" ?

O certo é: "TORNAR-ME-EI o líder do grupo."
"ME TORNAREI" é inaceitável (=pronome átono no início da frase);
"TORNAREI-ME" é inaceitável (=ênclise de verbo no FUTURO está sempre
errada).
Quando o verbo está no FUTURO do Presente ou do Pretérito do
Indicativo, devemos usar o pronome átono em MESÓCLISE:
"Encontrar-NOS-emos na próxima semana."
"Realizar-SE-ia hoje a reunião."

5. "Eu ME TORNAREI ou TORNAR-ME-EI o líder do grupo" ?

Tanto faz. As duas formas são aceitáveis.
A mesóclise (=Eu TORNAR-ME-EI) está correta porque o verbo está no
Futuro do Presente do Indicativo;
A próclise (=Eu ME TORNAREI) é aceitável porque o sujeito (=eu) aparece
antes do verbo.
Vejamos outros exemplos:
"Nós ENCONTRAR-NOS-EMOS ou NOS ENCONTRAREMOS aqui."
"A reunião REALIZAR-SE-IA ou SE REALIZARIA hoje."

6. "Eu não TORNAR-ME-EI ou ME TORNAREI o líder do grupo" ?

O certo é: "Eu não ME TORNAREI o líder do grupo."
A palavra negativa (=não) é a causadora da próclise, mesmo com o verbo
no FUTURO. Entre a próclise e a mesóclise, devemos usar a próclise.

7. "O fato VAI-SE REPETIR ou VAI SE REPETIR" ?

Tanto faz. As duas formas são aceitáveis.
Segundo a sintaxe portuguesa, um pronome átono não poderia ficar solto
(=sem hífen) entre dois verbos. O certo seria: "O fato VAI-SE REPETIR".
Entretanto, no Brasil, o uso consagrou e muitos autores consideram
aceitável pôr o pronome átono "solto" entre dois verbos: "O fato VAI SE
REPETIR" (=próclise do verbo principal).

8. "A secretária não LHE DEVE ENTREGAR ou DEVE ENTREGAR-LHE os
documentos." ?

Tanto faz. As duas formas são aceitáveis.
A próclise (=não LHE DEVE ENTREGAR) está correta, devido à palavra
negativa (=não);
A ênclise de verbo no INFINITIVO (=não DEVE ENTREGAR-LHE) está sempre
correta.
Observe outro exemplo:
"Não posso RECEBÊ-LO."

9. "TINHA-NOS ENTREGADO ou TINHA ENTREGADO-NOS a carta" ?

O certo é: "TINHA-NOS ENTREGADO a carta."
A ênclise de verbo no PARTICÍPIO (=ENTREGADO-NOS) está sempre errada.

Parte 5 - Uso dos PRONOMES DEMONSTRATIVOS

Introdução:
Os pronomes demonstrativos são:
ESTE (S) - ESTA (S) - ISTO
ESSE (S) - ESSA (S) - ISSO
AQUELE (S) - AQUELA (S) - AQUILO

Usamos os pronomes demonstrativos:
a) para indicar LUGAR:
"ESTE aqui." (=perto do emissor);
"ESSE aí." (=perto do receptor);
"AQUELE lá."(=distante);
b) para indicar TEMPO:
"ESTE dia." (=hoje - tempo presente);
c) em referência a algo já citado:
"Não estudava. Por ESSE motivo foi reprovado."

DÚVIDAS:

1. "ESTE ou ESSE relatório que está aqui na minha mesa." ?

O certo é: "ESTE relatório que está aqui na minha mesa" (=o relatório
está aqui, perto do emissor).
Os pronomes ESTE (S), ESTA (S) e ISTO indicam o que está próximo do EU
(= emissor, remetente, quem fala ou escreve);
Os pronomes ESSE (S), ESSA (S) e ISSO indicam o que está próximo do TU
ou VOCÊ (= receptor, destinatário, quem ouve ou lê).
Vejamos mais exemplos:
"ESTE departamento é o meu." / "ESSE departamento é o seu."
"ESTA empresa é a nossa." / "ESSA empresa é a do cliente."
"Eu vivo NESTA cidade." / "Você vive NESSA cidade aí."
"Não repita mais ISTO (=que eu disse)." /
"Não repita mais ISSO (=que você disse)."

OBSERVAÇÃO 1:
Os pronomes AQUELE (S), AQUELA (S) e AQUILO indicam o que está distante:
"AQUELE departamento está nos prejudicando."
"AQUILO lá é indesejável."
"Não voltaremos mais ÀQUELA cidade."

2. "Chegou NESTE ou NESSE exato momento" ?

O certo é: "Chegou NESTE exato momento." (=agora)
Os pronomes ESTE (S) e ESTA (S) indicam tempo PRESENTE.
Observe outros exemplos:
"Em 1996 houve perdas, em 1997 já houve lucros e para ESTE ano as
esperanças são maiores." ( ESTE ano = 1998)
"Entregará o projeto ainda ESTE mês." (ESTE mês = mês em que estamos)
"Resolverá tudo até o fim DESTA semana." (ESTA semana = semana em que
estamos)
"O congresso está se realizando por ESTES dias." (ESTES dias = inclui o
dia de hoje)
"Haverá Fla X Flu NESTE domingo." (NESTE domingo = domingo mais
próximo)
"Chove NESTA sexta-feira em todo o país." (NESTA sexta-feira =
sexta-feira mais próxima)
"NESTA madrugada explodiu uma bomba em Chicago." (NESTA madrugada = de
ontem para hoje)

OBSERVAÇÃO 2:
Os pronomes ESSE (S), ESSA (S) e ISSO se referem a alguma coisa já
citada na frase anterior:
"Rubinho liderava a prova até a quinta volta. NESSE momento a chuva
aumentou. ISSO causou um grave acidente, e a corrida foi interrompida."
(NESSE momento não é agora, é a quinta volta; ISSO se refere ao fato de
a chuva ter aumentado)
"Nossa empresa precisa de Qualidade Total. ESSE projeto já está sendo
implantado." (ESSE projeto = Qualidade Total)
"Os atacantes estavam muito nervosos, mas foram ESSES jogadores que nos
deram a vitória." (ESSES jogadores = os atacantes)

Observe a diferença:
Anúncio publicado no JB, em maio de 1997.
"A partir de novembro haverá mais linhas telefônicas na Barra. A
promessa faz parte do projeto que será lançado NESTE ou NESSE mês."
Se for NESTE mês, o projeto será lançado em maio (=mês em que estamos);
Se for NESSE mês, o projeto será lançado em novembro (=mês que foi
citado na frase anterior).

OBSERVAÇÃO 3:
Nas frases em que não ocorre ambigüidade, alguns autores admitem o uso
indiscriminado de ESTE ou ESSE:
"Ônibus e bonde são meios de transporte, porém ESSE (ou ESTE) se
mostrou mais econômico que AQUELE." (ESSE ou ESTE indicam proximidade =
só pode ser o bonde; AQUELE indica afastamento = só pode ser o ônibus)
"A inflação e o desemprego preocupam o brasileiro. ESSES (ou ESTES)
problemas precisam ser resolvidos imediatamente." (ESSES ou ESTES
problemas = só podem ser a inflação e o desemprego)

OBSERVAÇÃO 4:
Os pronomes AQUELE (S), AQUELA (S) e AQUILO sempre indicam distância (no
espaço, no tempo ou citação no texto):
"Não se estuda mais como NAQUELES tempos." (=passado distante)
"Não entendi AQUELA idéia que você expôs no primeiro capítulo."
(=citação distante)

Parte 6 - Uso dos PRONOMES RELATIVOS

Introdução:
Podem ser pronomes relativos: QUE, QUEM, QUAL, CUJO, ONDE, COMO, QUANDO
e QUANTO.
Os pronomes relativos são conectivos (=ligam orações) e substituem a
palavra que vem antes:
"Não gostei do livro QUE você me emprestou."
1ª oração: "Não gostei do livro";
2ª oração: "QUE você me emprestou" (QUE = o livro)

O CASO
Coitada da preposição! Como é maltratada! Quando não é mal usada, é
esquecida.
Em nossas rádios, é freqüente ouvirmos:
"Esta é a música que o povo gosta."
Quem não gosta sou eu. Ora, se quem gosta gosta de alguma coisa, o certo
é: "Esta é a música de que o povo gosta."
Se você achou estranho ou feio, há outra opção:
"Esta é a música da qual o povo gosta."
Você decide qual pronome relativo vai usar, mas não esqueça a
preposição.
Erro semelhante ocorre num anúncio da Texaco:
"Esta é a marca que o mundo confia."
Eu perdi a confiança! A regência do verbo CONFIAR exige a preposição em.
O certo é: "Esta é a marca em que o mundo confia."
Outro exemplo errado ocorre em cartas comerciais:
"Segue anexo o documento que você se refere em sua última carta."
O verbo REFERIR-SE pede a preposição a. O certo é: Segue anexo o
documento a que você se refere em sua última carta."
Mais um: "E o Flamengo acabou chegando ao gol que precisava." Pelo
visto, não precisava tanto. O gol deve ter sido ilegal. Se quem precisa
(=necessita) precisa de alguma coisa, o certo é: "E o Flamengo acabou
chegando ao gol de que precisava."

A DICA
Se você quer saber se deve usar preposição antes dos pronomes relativos,
aplique o seguinte "macete":
"Esta é a quantia ___ que dispomos para o investimento."
1. Todo pronome relativo (=que) possui um antecedente (=quantia);
2. Ponha o antecedente no fim da oração seguinte (=que dispomos para o
investimento) > "...que dispomos DA QUANTIA para o investimento" (=você
descobriu a preposição de);
3. Ponha a preposição (=de) antes do pronome relativo (=de que):
"Esta é a quantia de que dispomos para o investimento."

Vamos testar o "macete" em outros exemplos:
"Isto só ocorre nesta sociedade ___ que vivemos."
1. Pronome relativo = que; antecedente = sociedade;
2. "...vivemos NA SOCIEDADE." (preposição = em);
3. "Isto só ocorre nesta sociedade em que vivemos."

"O fato ___ que fizemos alusão não é recente."
1. Pronome relativo = que; antecedente = o fato;
2. "...fizemos alusão AO FATO." (preposição = a);
3. "O fato a que fizemos alusão não é recente."

"Os dados ___ que contamos são insuficientes."
1. Pronome relativo = que; antecedente = os dados;
2. "...contamos COM OS DADOS." (preposição = com);
3. "Os dados com que contamos são insuficientes."

"Aqui está o livro ___ que compramos ontem."
1. Pronome relativo = que; antecedente = o livro;
2. "...compramos O LIVRO ontem." (=sem preposição)
3. "Aqui está o livro que compramos ontem."

DÚVIDAS

1. QUE ou DE QUE
"Qual é a comida QUE ou DE QUE você mais gosta" ?
O certo é: "Qual é a comida DE QUE você mais gosta?"
A regência do verbo GOSTAR exige a preposição de (=quem gosta gosta de
alguma coisa).

2. DE QUE ou DA QUAL
"Qual é a comida DE QUE ou DA QUAL você mais gosta" ?
As duas formas são aceitáveis.
OBSERVAÇÃO:
Os pronomes relativos são substituíveis por QUAL:
"Este é o livro QUE você me emprestou." (="...O QUAL você me
emprestou");
"Este é o livro A QUE ele se referiu." (="...AO QUAL ele se referiu");
"Este é o livro DE QUE necessitamos." (="...DO QUAL necessitamos");
"Esta é a cidade EM QUE vivemos." (="...NA QUAL vivemos").

3. QUEM ou A QUEM
"Este é o gerente QUEM ou A QUEM encontrei no congresso." ?
O certo é: "Este é o gerente A QUEM encontrei no congresso."
Quando o substantivo antecedente é pessoa (=gerente), podemos usar o
pronome QUEM, porém sempre com preposição.

Observe outros exemplos:
"Este é o gerente A QUEM (ou QUE ou O QUAL) sempre respeitei."
(=respeitei O GERENTE);
"Este é o gerente A QUEM (ou AO QUAL) fiz referência." (=fiz referência
AO GERENTE);
"Este é o gerente DE QUEM (ou DO QUAL) ninguém gosta." (=ninguém gosta
DO GERENTE);
"Este é o gerente POR QUEM (ou PELO QUAL) fomos enganados."

Por Fascículo > 8. Ortografia

Parte 1 - Letras
Parte 2 - Hífen
Parte 3 - Acentuação Gráfica
Parte 4 - Trema

Parte 1 - Letras

O CASO

O concurso vestibular de 1998 da UFRJ começou mal.
Na prova de História, por duas vezes, a palavra ASCENSÃO aparece grafada
com "ç":
"...nesse processo nota-se a ascenção de valores consagrados pelas
revoluções burguesas..." (Questão 1)
"Entre a ascenção ao trono da Rainha Vitória, em 1837, e o reinado da
Rainha Elizabeth, a partir de 1953, a monarquia inglesa percorreu uma
longa trajetória política." (Questão 5)
Numa prova de apenas cinco questões, é triste constatarmos o desleixo de
alguns educadores em relação ao bom uso da língua portuguesa.
A repetição do erro nos leva a crer que o autor não tem "dúvida" quanto
à grafia da palavra ASCENSÃO.
Nada justifica a falta de uma revisão mais cuidadosa num instrumento
cujo objetivo é avaliar o conhecimento de candidatos a vagas em uma das
nossas maiores universidades. O uso de qualquer "corretor ortográfico"
teria evitado esse deslize.
Todos nós sabemos dos perigos que existem quanto à ortografia. Todo
cuidado é pouco. A língua portuguesa não é puramente fonética e, muitas
vezes, só a etimologia (=estudo da origem das palavras) é capaz de
explicar o emprego das letras.
Isso significa, portanto, que não há regras para você saber que EXCEÇÃO
se escreve com "ç" e que EXCESSO é com "ss".
Na prática, o que nos leva a saber ortografia é o bom hábito de ler e o
de escrever. É a nossa memória visual que nos impede de escrever
"caxorro, caza e oje(sem H)". Não hesitamos diante de uma palavra que
estamos acostumados a ver e usar. Corretamente, é claro!
Ler é a melhor solução. E, ao escrever, se houver dúvida, não tenha
vergonha de abrir um bom dicionário. Pesquise. Não faz mal a ninguém.

AS DICAS
Não há regras para resolver todos os casos de ortografia, porém algumas
dúvidas podem ser tiradas com as dicas a seguir.

1. -SÃO ou -SSÃO ou -ÇÃO ?

a) Em todos os substantivos derivados de verbos terminados em GREDIR,
MITIR e CEDER, devemos usar "ss" :
AGREDIR > AGRESSÃO
REGREDIR > REGRESSÃO
PROGREDIR > PROGRESSÃO
TRANSGREDIR > TRANSGRESSÃO
OMITIR > OMISSÃO
DEMITIR > DEMISSÃO
ADMITIR > ADMISSÃO
PERMITIR > PERMISSÃO
TRANSMITIR > TRANSMISSÃO
CEDER > CESSÃO
SUCEDER > SUCESSÃO
CONCEDER > CONCESSÃO

b) Em todos os substantivos derivados de verbos terminados em ENDER,
VERTER e PELIR, devemos usar "s":
TENDER > TENSÃO
COMPREENDER > COMPREENSÃO
APREENDER > APREENSÃO
PRETENDER > PRETENSÃO
ASCENDER > ASCENSÃO
VERTER > VERSÃO
REVERTER > REVERSÃO
CONVERTER > CONVERSÃO
SUBVERTER > SUBVERSÃO
EXPELIR > EXPULSÃO
REPELIR > REPULSÃO

c) Em todos os substantivos derivados dos verbos TER e TORCER e seus
derivados, devemos usar "ç":
RETER > RETENÇÃO
DETER > DETENÇÃO
ATER > ATENÇÃO
ABSTER > ABSTENÇÃO
OBTER > OBTENÇÃO
TORCER > TORÇÃO
DISTORCER > DISTORÇÃO
CONTORCER > CONTORÇÃO

2. -ISAR ou -IZAR ?

a) Escrevem-se com "s" (=ISAR) os verbos derivados de palavras que já
possuem o "s":
análise > analisar
aviso > avisar
paralisia > paralisar
pesquisa > pesquisar

b) Escrevem-se com "z" (=IZAR) os verbos derivados de palavras que não
possuem a letra "s":
ameno > amenizar
civil > civilizar
fértil > fertilizar
legal > legalizar
normal > normalizar
real > realizar
suave > suavizar

3. -SINHO ou -ZINHO ?

a) Escrevem-se com "s" (=SINHO) os diminutivos derivados de palavras que
já possuem a letra "s":
casa > casinha
lápis > lapisinho
mesa > mesinha
país > paisinho
pires > piresinho
tênis > tenisinho

b) Escrevem-se com "z" (=ZINHO) os diminutivos derivados de palavras que
não possuem a letra "s":
animal > animalzinho
balão > balãozinho
café > cafezinho
chapéu > chapeuzinho
flor > florzinha
pai > paizinho
papel > papelzinho

CURIOSIDADES ORTOGRÁFICAS

Você sabia que o certo é...

Abóbada
Adivinhar
Advogado
Aleijado
Arteriosclerose
Asterisco
Astigmatismo
Aterrissar (o dicionário Aurélio também registra "aterrizar")
Bandeja
Beneficente
Cabeleireiro
Calvície
Caranguejo
Chimpanzé
Cinqüenta
Companhia
Criminologista
Depredar
Descarrilar
De repente
Dignitário
Dilapidar
Disenteria
Empecilho
Enfarte (ou infarto)
Engajamento
Espontaneidade
Estrambótico
Estupro
Freada
Hidrelétrica
Jus
Lagartixa
Macérrima (magérrima é uma forma popular)
Manteigueira
Mendigo
Meritíssimo
Nhoque
Octogésimo
Ovos estrelados
Prazerosamente
Privilégio
Propositadamente
Propriedade
Quatorze (ou catorze)
Receoso
Reivindicar
Seriíssimo
Subumano
Terraplenagem
Trecentésimo
Verossimilhança

DÚVIDAS

1. A ou HÁ ?
"Espero que não haja obstáculos à realização das provas, daqui A ou HÁ
uma semana" ?

HÁ (=de verbo HAVER) só poderia ser usado caso se referisse a um tempo
já transcorrido:
"Não nos vemos há dez dias." (=FAZ dez dias que não nos vemos)
"Há muito tempo, ocorreu aqui uma grande tragédia." (=FAZ muito tempo)

Quando a idéia for de "tempo futuro", devemos usar a preposição "A":
"Espero que não haja obstáculos à realização das provas, daqui a uma
semana."
"Só nos veremos daqui a um mês."
Decore a "dica":
Tempo passado = HÁ (=FAZ);
Tempo futuro = A
OBSERVAÇÃO:
Quando a idéia for de "distância", também devemos usar a preposição
"A":
"Estamos a dez quilômetros do estádio."
"O estacionamento fica a poucos metros do aeroporto."

2. A CERCA DE ou HÁ CERCA DE ou ACERCA DE ?

a) A CERCA DE = A (preposição) + CERCA DE (perto de, aproximadamente):
"Estamos a cerca de dez quilômetros do estádio." (=Estamos
aproximadamente a dez quilômetros do estádio - idéia de distância);
ou A CERCA DE = A (artigo) + CERCA (substantivo) + DE (preposição):
"A cerca de arame farpado foi cortada."

b) HÁ CERCA DE = HÁ (verbo) + CERCA DE (perto de, aproximadamente):
"Não nos vemos há cerca de dez anos." (=FAZ aproximadamente dez anos que
não nos vemos);
ou "Há cerca de dez pessoas na sala de espera." (=EXISTEM perto de dez
pessoas na sala de espera);

c) ACERCA DE = a respeito de, sobre:
"Falávamos acerca do jogo de ontem."

3. ABAIXO ou A BAIXO ?

a) ABAIXO = embaixo, sob:
"Sua classificação foi abaixo da minha."
b) A BAIXO = para baixo, até embaixo:
"Eles puseram o apartamento a baixo."
"Ela me olhava de alto a baixo."

4. ABAIXO-ASSINADO ou ABAIXO ASSINADO ?

a) O documento que se assina é um ABAIXO-ASSINADO:
"Entregamos o abaixo-assinado ao diretor."
b) Quem assina o documento é um ABAIXO ASSINADO:
"O abaixo assinado, Dr. Fulano de Tal, vem respeitosamente..."

5. AFIM ou A FIM ?

a) Quem tem afinidades são pessoas AFINS:
"As duas têm pensamentos afins.
b) A FIM DE= para, com o propósito de:
"Estuda a fim de vencer a barreira do vestibular."
"Veio a fim de trabalhar."

6. A PAR ou AO PAR ?

a) A PAR = estar ciente:
"Ele está a par de tudo."
b) AO PAR = título ou moeda de valor idêntico:
"O câmbio está ao par."

7. AO ENCONTRO DE ou DE ENCONTRO A ?

a) AO ENCONTRO DE = a favor, em conformidade:
"Qualidade é ir ao encontro das necessidades e das expectativas do
cliente."
"Estamos satisfeitos porque sua decisão vai ao encontro das nossas
reivindicações."
b) DE ENCONTRO A = ir contra, idéia de oposição:
"Ficamos insatisfeitos porque a sua proposta vai de encontro aos nossos
desejos."
"Discutimos pois suas idéias vão de encontro às minhas."

8. À TOA ou À-TOA ?

a) À TOA = "sem fazer nada" (locução adverbial de modo):
"Andava à toa na vida."
"Sempre viveu à toa."
b) À-TOA = "desocupado" (adjetivo - deve acompanhar um substantivo):
"Ela, sem dúvida, é uma mulher à-toa."
"Não passava de um sujeitinho à-toa."

9. BEM-VINDO ou BENVINDO ?

a) A saudação é BEM-VINDO (=bem recebido):
"Seja bem-vindo."
"Ele será bem-vindo a esta cidade."
b) BENVINDO é nome próprio de pessoa:
"Ele se chama Benvindo."

10. BUJÃO ou BOTIJÃO ?

BUJÃO (do francês bouchon) é uma bucha com que se tampam buracos ou
tampa de atarraxar. No sentido de recipiente metálico, usado para
armazenar produtos voláteis, prefiro a forma BOTIJÃO. O dicionário
Aurélio considera bujão sinônimo de BOTIJÃO, entretanto é importante
lembrar que bujão, no sentido de BOTIJÃO, é uma corruptela (=palavra que
se corrompe foneticamente). As corruptelas, em geral, são formas
características da linguagem popular: milico (de militar), Maraca (de
Maracanã), boteco (de botequim), Fusca (de Volkswagen)...

11. EM NÍVEL ou A NÍVEL DE ?

a) A NÍVEL DE não existe. Foi um modismo criado nos últimos anos.
Devemos evitá-lo:
"A nível de relatório, o trabalho está muito bom."
O certo é: "Quanto ao relatório... ou Com referência ao relatório..."
"Levou um pontapé ao nível do joelho."
O certo é: "Levou um pontapé na altura do joelho."
b) EM NÍVEL só pode ser usado em situações em que existam "níveis":
"Este problema só pode ser resolvido em nível de diretoria."
"Isso será analisado em nível federal."

12. EM PRINCÍPIO ou A PRINCÍPIO ?

a) A PRINCÍPIO = inicialmente, no começo, num primeiro momento:
"A princípio éramos contra a venda da fábrica, porém mudamos de idéia
devido aos seus argumentos."
b) EM PRINCÍPIO = em tese, teoricamente:
"Em princípio, todas as religiões são boas."
OBSERVAÇÃO:
Devido às ambigüidades, sugiro que se evite o uso de em princípio. Se
você quer dizer "em tese ou em teoria", é mais claro dizer:
"Em tese (ou Teoricamente), todas as religiões são boas."

13 EM VEZ DE ou AO INVÉS DE ?

a) AO INVÉS DE = ao contrário de:
"Ele entrou à direita ao invés da esquerda.'
"Subiu ao invés de descer."
b) EM VEZ DE = em lugar de:
"Foi ao clube em vez de ir à praia."
"Apertou o botão vermelho em vez do azul."
ONSERVAÇÃO:
Como AO INVÉS DE só pode ser usado quando há a idéia de "oposição",
sugiro que se use sempre EM VEZ DE.
EM VEZ DE pode ser usado sempre que existe a idéia de "substituição,
troca", mesmo se for de "oposição".

14. MAIS ou MAS ou MÁS ?

a) MAIS = opõe-se a MENOS:
"Hoje estou mais satisfeito." (=poderia estar menos satisfeito)
"Compareceram mais pessoas que o esperado." (=poderiam ser menos
pessoas)
b) MAS = porém, contudo, todavia, entretanto:
"Estudou mas foi reprovado." (=porém)
"Não foram convidados, mas vieram à festa." (=entretanto)
c) MÁS = plural do adjetivo MÁ; opõe-se a BOAS:
"Não eram más idéias." (=eram boas idéias)
"Estavam com más intenções." (=não tinham boas intenções)

15. MAL ou MAU ?

a) MAU é um adjetivo e se opõe a BOM:
"Ele é um mau profissional." (x bom profissional);
"Ele está de mau humor." (x bom humor);
"Ele é um mau caráter." (x bom caráter);
"Tem medo do lobo mau." (x lobo bom);
b) MAL pode ser:
1. advérbio (=opõe-se a BEM):
"Ele está trabalhando mal." (x trabalhando bem);
"Ele foi mal treinado." (x bem treinado);
"Ele está sempre mal-humorado." (x bem-humorado);
"A criança se comportou muito mal." (x se comportou muito bem);
2. conjunção (=logo que, assim que, quando):
"Mal você chegou, todos se levantaram." (=Assim que você chegou);
"Mal saiu de casa, foi assaltado." (=Logo que saiu de casa);
3. substantivo (=doença, defeito, problema):
"Ele está com um mal incurável." (=doença);
"O seu mal é não ouvir os mais velhos." (=defeito).
OBSERVAÇÃO:
A frase "Setores da velha guarda aferraram-se aos privilégios e
defenderam o estado podre, do mau-estar social e que foi produzido por
regimes ditatoriais" está errada.
O certo é: MAL-ESTAR (=opõe-se a BEM-ESTAR).
Na dúvida, use o velho "macete":
MAL x BEM;
MAU x BOM.

16. PORISSO ou POR ISSO ?

PORISSO não existe.
Use sempre POR ISSO:
"Ele trabalha muito, por isso merece uns dias de folga."

17. PORQUE, POR QUE, PORQUÊ ou POR QUÊ ?

a) PORQUE é conjunção causal ou explicativa:
"Ele viajou porque foi chamado para assinar contrato."
"Ele não foi porque estava doente."
"Abra a janela porque o calor está insuportável."
"Ele deve estar em casa porque a luz está acesa."
b) PORQUÊ é a forma substantivada (=antecedida de artigo "o" ou "um"):
"Quero saber o porquê da sua decisão."
"A professora quer um porquê para tudo isso."
c) POR QUÊ = só no fim de frase:
"Parou por quê?"
"Ele não viajou por quê?"
"Se ele mentiu, eu queria saber por quê."
"Eu não sei por quê, mas a verdade é que eles se separaram."
d) POR QUE
1. em frases interrogativas diretas ou indiretas:
"Por que você não foi?" (=pergunta direta)
"Gostaria de saber por que você não foi." (=pergunta indireta)
2. quando for substituível por POR QUAL, PELO QUAL, PELA QUAL, PELOS
QUAIS, PELAS QUAIS:
"Só eu sei as esquinas por que passei." (=pelas quais)
"É um drama por que muitos estão passado." (=pelo qual)
"Desconheço as razões por que ela não veio." (=pelas quais)
3. quando houver a palavra MOTIVO antes, depois ou subentendida:
"Desconheço os motivos por que a viagem foi adiada." (=pelos quais)
"Não sei por que motivo ele não veio." (=por qual)
"Não sei por que ele não veio." (=por que motivo - por qual motivo).

18. SENÃO ou SE NÃO ?

a) SE NÃO = se (conjunção condicional = caso) + não (advérbio de
negação):
"Se não chover, haverá jogo." (=Caso não chova)
"O presidente nada assinará, se não houver consenso." (=caso não haja
consenso)
b) Usaremos SENÃO em quatro situações:
1. SENÃO = de outro modo, do contrário:
"Resolva agora, senão estamos perdidos." (=do contrário estamos
perdidos);
2. SENÃO = mas sim, porém:
"Não era caso de expulsão, senão de repreensão." (=mas sim de
repreensão);
3. SENÃO = apenas, somente:
"Não se viam senão os pássaros." (=somente os pássaros eram vistos);
4. SENÃO = defeito, falha:
"Não houve um senão em sua apresentação." (=não houve nenhuma falha,
nenhum defeito).

19. SOB ou SOBRE ?

a) SOB = embaixo:
"Estamos sob uma velha marquise."
"Ficou tudo sob controle."
b) SOBRE = em cima de:
"A lágrima corria sobre a face."
"Deixou os livros sobre a mesa." (=em cima da mesa)

20. TAMPOUCO ou TÃO POUCO ?

a) TAMPOUCO = nem:
"Não trabalha tampouco estuda. (=nem estuda)
OBSERVAÇÃO:
"Não trabalha nem tampouco estuda." (=nem tampouco é redundante)
Basta: "Não trabalha nem (ou tampouco) estuda."
b) TÃO POUCO = muito pouco:
"Estudou tão pouco, que foi reprovado."

21. TODO ou TODO O ?

a) TODO = qualquer:
"Ele realiza todo trabalho que se solicita." (=qualquer trabalho)
"Toda mulher merece carinho." (=todas as mulheres)
"Todo país tem seus problemas." (=qualquer país, todos os países)
b) TODO O = inteiro:
"Ele realizou todo o trabalho." (=o trabalho inteiro)
"Acariciava toda a mulher." (=a mulher inteira)
"Haverá vacinação em todo o país." (=no país inteiro)
OBSERVAÇÃO:
Agora, você não poderá mais reclamar e dizer que não sabia. Se você tem
o hábito de beijar todo colega de trabalho, não esqueça: "beijar todo o
colega" é bem diferente.

Parte 2 - Hífen

O CASO
O uso do hífen é, sem dúvida, uma das maiores "desgraças" da língua
portuguesa. É dúvida após dúvida. Nessas horas, sinto uma inveja imensa
da língua espanhola. Para quem não sabe, o espanhol aboliu o hífen e,
pelo visto, não sente a mínima saudade.
No caso dos prefixos, é "coisa pra maluco"! Confira comigo.
Se você quer saber se o certo é INFRAESTRUTURA ou INFRA-ESTRUTURA,
deverá conhecer a regra que diz o seguinte: com o prefixo INFRA, só há
hífen se a palavra seguinte começar por "h", "r", "s" ou vogais.
Portanto, o certo é INFRA-ESTRUTURA. Assim sendo, INFRAVERMELHO se
escreve sem hífen, "tudo junto" como se diz freqüentemente (=VERMELHO
começa com "v").
Para o prefixo EXTRA, a regra é a mesma. Portanto, devemos escrever
EXTRA-OFICIAL (=com hífen porque a palavra seguinte começa por vogal).
Infelizmente, a dificuldade não está apenas nas regras. Temos ainda as
exceções: é bom lembrar que EXTRAORDINÁRIO se escreve "tudo junto", sem
hífen, embora "ordinário" comece por vogal.
Outro caso que merece atenção é o uso do prefixo SUB. Segundo a regra,
só há hífen quando a palavra seguinte começa por "b" ou "r": SUB-BASE,
SUB-REINO... Isso significa que, se a palavra seguinte começar por
qualquer outra letra, deveremos escrever "tudo junto": subchefe,
subdelegado, subgerente, subsolo, subterrâneo... O grande problema
ocorre quando a palavra seguinte começa por "h" ou vogais. Fica
horroroso, mas o certo é escrever junto: subemprego, subestimar,
suboficial... Com "h", fica pior ainda pois, além de ficar junto, temos
que tirar o "h": sub+humano = SUBUMANO, sub+hepático = SUBEPÁTICO...

A DICA
Devido a isso tudo, vejamos algumas regras:
1. Com os prefixos AUTO, CONTRA, EXTRA, INFRA, INTRA, NEO, PROTO,
PSEUDO, SEMI, SUPRA e ULTRA, devemos usar hífen se a palavra seguinte
começar com "h", "r", "s" ou vogais.
Exemplos:
auto-escola, auto-retrato; porém: autobiografia, autocontrole;
contra-ataque, contra-reforma; porém: contracheque, contrafilé;
extra-oficial, extra-regulamentar; porém: extrajudicial,
extracurricular;
infra-estrutura, infra-hepático; porém: infravermelho, infracitado;
intra-ocular, intra-uterino; porém: intramuscular, intravenoso;
neo-republicano, neo-realismo; porém: neoliberal, neoclássico;
proto-história, proto-revolucionário; porém: protofonia, protozoário;
pseudo-artista, pseudo-representação; porém: pseudopoeta,
pseudocientista;
semi-selvagem, semi-interno; porém: semifinal, semideus, seminu;
supra-renal, supra-axilar; porém: supracitado, suprapartidário;
ultra-romântico, ultra-sensível; porém: ultramarino, ultrapassagem.

2. Com os prefixos ANTE, ANTI, ARQUI e SOBRE, devemos usar hífen se a
palavra seguinte começar com "h", "r" ou "s".
Exemplos:
ante-sala, ante-histórico; porém: anteontem, antepenúltimo;
anti-semita; anti-herói; porém: anticristo, antiinflacionário;
arqui-rabino, arqui-rival; porém: arquiinimigo, arquiduque;
sobre-saia, sobre-humano; porém: sobreloja, sobretaxa, sobrevôo.

3. Com os prefixos HIPER, INTER e SUPER, só haverá hífen se a palavra
seguinte começar por "h" ou "r".
Exemplos:
hiper-humano, hiper-raivoso; porém: hipermercado, hipersensível;
inter-regional, inter-humano; porém: interplanetário, interestadual;
super-homem, super-requintado; porém: supermercado, superatleta.

4. Com o prefixo SUB, só haverá hífen se a palavra seguinte começar por
"b" ou "r".
Exemplos:
Sub-bibliotecário, sub-ramo; porém: subsecretário, subeditoria.

OBSERVAÇÃO:
Vejamos alguns casos em que não se usa hífen. Devemos escrever "tudo
junto":
AERO - aeroespacial
ANFI - anfiteatro
AUDIO - audiovisual
BI(S) - bicampeão
BIO - biofísica
CARDIO - cardiovascular
CENTRO - centroavante
DE(S) - desarmonia
ELETRO - eletrocardiograma
ESTEREO - estereofônico
FOTO - fotossíntese
HEMI - hemiplegia
HEPTA - heptassílabo
HETERO - heterossexual
HEXA - hexacampeão
HIDRO - hidroavião
HOMO - homossexualidade
MACRO - macroeconomia
MEGA - megafone
MICRO - microcomputador
MONO - monobloco
MORFO - morfossintaxe
MOTO - motociclismo
MULTI - multicolorido
NEURO - neurocirurgião
ONI - onipresente
ORTO - ortopedia
PARA - paramilitares
PENTA - pentacampeão
PNEUMO - pneumotórax
POLI - policromatismo
PSICO - psicossocial
QUADRI - quadrigêmeos
RADIO - radioamador
RE - reaver
RETRO - retroagir
SACRO - sacrossanto
SOCIO - sociolingüístico
TELE - telecomunicações
TERMO - termodinâmica
TETRA - tetracampeão
TRI - tridimensional
UNI - unicelular
ZOO - zootecnia

Parte 3 - Acentuação Gráfica

1. DA ou DÁ ?
DA = preposição DE + artigo A:
"Ela vem da praia."
DÁ = 3ª pessoa do singular do verbo DAR (presente do indicativo):
"Ele dá tudo de si."
REGRA: Acentuam-se as palavras monossílabas tônicas terminadas em "a",
"e" e "o", seguidas ou não de "s":
A(S): lá, já, gás, má, más (adjetivo)...
E(S): fé, vê, mês, três, vês (verbo)...
O(s): pó, dó, pôs, nó, nós (pronome reto)...
OBSERVAÇÃO 1: Não se acentuam os monossílabos terminados em:
I(S): ti, si, bis, quis...
U(S): tu, cru, nus, pus...
AZ, EZ, OZ: paz, fez, vez, noz, voz...
OBSERVAÇÃO 2: Acentuam-se as formas verbais terminadas em "a", "e" e "o"
seguidas dos pronomes LA(S) ou LO(S): dá-lo, vê-la, pô-los, vê-lo-á...
OBSERVAÇÃO 3: Não se acentuam os monossílabos átonos:
Artigos definidos: o, a, os, as;
Conjunções: e, mas, se, que...
Preposições: a, de, por...
Pronomes oblíquos: o, se, nos, vos...
Contrações: da(s), do(s), na, nos...
Pronome relativo: que.

2. POR ou PÔR ?
POR é preposição: "Vou por este caminho."
PÔR é verbo: "Vou pôr o livro sobre a mesa."
OBSERVAÇÃO 1: Este caso é uma das exceções que ficaram após a mudança
ortográfica de 1971, que aboliu a regra do acento diferencial.
OBSERVAÇÃO 2: Somente o verbo PÔR tem acento circunflexo. Os verbos
derivados não têm acento: expor, compor, dispor, contrapor, impor...
OBSERVAÇÃO 3: Somente o verbo PÔR tem acento circunflexo. As demais
palavras terminadas em "or" não tem acento gráfico: cor, for, dor...

3. QUE ou QUÊ ?
A palavra QUÊ só tem acento circunflexo quando está substantivada ou no
fim
da frase:
"Ela possuía um quê todo especial." (=substantivo)
"Procurava não sabia bem o quê."
"Ele viajou por quê?"

4. TEM ou TÊM ou TÊEM ?
"Ele TEM" = 3ª pessoa do singular do verbo TER (presente do indicativo);
"Eles TÊM"= 3ª pessoa do plural;
"TÊEM" não existe.

5. VEM ou VÊM ou VÊEM ?
"Ele VEM" = 3ª pessoa do singular do verbo VIR (presente do indicativo);
"Eles VÊM" = 3ª pessoa do plural do verbo VIR (presente do indicativo);
"Eles VÊEM" = 3ª pessoa do plural do verbo VER (presente do indicativo).
OBSERVAÇÃO 1: Só os verbos do grupo "crê-dê-lê-vê" (CRER, DAR, LER e
VER) terminam em "-ÊEM":
Ele crê - eles crêem (presente do indicativo);
Que ele dê - que eles dêem (presente do subjuntivo);
Ele lê - eles lêem (presente do indicativo);
Ele vê - eles vêem (presente do indicativo).
OBSERVAÇÃO 2: Esta regra também se aplica aos verbos derivados: descrer,
reler, prever, rever...
Ele relê - eles relêem;
Ele prevê - eles prevêem.
OBSERVAÇÃO 3: Todas as palavras terminadas em "ÔO(S)" devem receber
acento circunflexo: vôo (verbo = "eu vôo" ou substantivo = "o vôo foi
ótimo"), enjôo(s), perdôo, magôo, abençôo...
OBSERVAÇÃO 4: "Tu côas" e "ele côa" são as únicas palavras em que o
hiato "OA" recebe acento circunflexo: boa, voa, canoa, coroa, pessoa,
lagoa...

6. REFEM ou REFÉM ?
O certo é REFÉM.
Todas as palavras oxítonas (=sílaba tônica na última sílaba) terminadas
em
"ÉM (ÉNS)" recebem acento agudo se tiverem mais de uma sílaba: recém,
porém, alguém, ninguém, armazéns, parabéns, tu intervéns, tu deténs...
OBSERVAÇÃO: As palavras monossílabas terminadas em "ÉM (ÉNS)" não têm
acento agudo: bem, trem, ele tem, ele vem (3ª pessoa do singular)...

7. CONTEM ou CONTÉM ou CONTÊM ou CONTÊEM ?
CONTEM = do verbo CONTAR: "É preciso que vocês contem tudo."
CONTÉM = 3ªp.sing. do verbo CONTER: "A garrafa contém gasolina."
CONTÊM = 3ªp.plur. do verbo CONTER: "As garrafas contêm gasolina."
CONTÊEM não existe.
OBSERVAÇÃO: Todos os verbos derivados de TER (=deter, reter, manter,
obter...) terminam em "ÉM" na 3ª pessoa do singular e em "ÊM" na 3ª
pessoa do plural do presente do indicativo: ele detém - eles detêm;
ele mantém - eles mantêm;
ele contém - eles contêm.

8. PROVEM ou PROVÉM ou PROVÊM ou PROVÊEM ?
PROVEM = do verbo PROVAR: "É preciso que vocês provem o que disseram."
PROVÉM = 3ªp.sing. do verbo PROVIR: "O produto provém da Argentina."
PROVÊM = 3ªp.plur. do verbo PROVIR: "Os produtos provêm da Argentina."
PROVÊEM = 3ªp.plur. do verbo PROVER (=abastecer): "Os armazéns se
provêem do necessário."
OBSERVAÇÃO: Todos os derivados de VIR (=advir, convir, intervir,
provir...) terminam em "ÉM" na 3ª pessoa do singular e em "ÊM" na 3ª
pessoa do plural do presente do indicativo: "ele intervém, provém..." e
"eles intervêm, provêm..."

9. CAJU ou CAJÚ ?
O certo é CAJU.
REGRA: Só acentuamos as palavras oxítonas terminadas em "a", "e" e "o",
seguidas ou não de "s":
A(S): sofá, sabiá, atrás, aliás...
E(S): café, você, invés, chinês...
O(S): cipó, avô, avós, propôs...
OBSERVAÇÃO 1: As formas verbais terminadas em "a", "e" e "o", seguidas
dos pronomes LA(S) ou LO(S) devem ser acentuadas: encontrá-lo,
recebê-la, dispô-los, amá-lo-ia, vendê-la-ia...
OBSERVAÇÃO 2: Acentuamos a palavra PORQUÊ quando está substantivada ou
no fim da frase: "Não sei o porquê de tudo isso."
OBSERVAÇÃO 3: Não se acentuam as oxítonas terminadas em:
I(S): aqui, Parati, anis, barris, dividi-lo, adquiri-la...
U(S): caju, bauru, Bangu, urubus, compus, Nova Iguaçu...
AZ, EZ, OZ: capaz, talvez, feroz...
OR: condor, impor, compor...
IM: ruim, assim, folhetim...

10. GRAJAU ou GRAJAÚ ?
O certo é GRAJAÚ.
REGRA: Acentuam-se as vogais "i" e "u" tônicas, formando hiato com a
vogal anterior e formando sílaba sozinhas ou com "s":
Gra-ja-ú, ba-ú, sa-ú-de, vi-ú-va, con-te-ú-do, ga-ú-cho, eu re-ú-no, ele
re-ú-ne, eu sa-ú-do, eles sa-ú-dam;
I-ca-ra-í, eu ca-í, eu sa-í, eu tra-í, o pa-ís, tu ca-ís-te, nós
ca-í-mos, eles ca-í-ram, eu ca-í-a, ba-í-a, ra-í-zes, ju-í-za, ju-í-zes,
pre-ju-í-zo, fa-ís-ca, pro-í-bo, je-su-í-ta, dis-tri-bu-í-do,
con-tri-bu-í-do, a-tra-í-do...
OBSERVAÇÃO 1: A vogal "i" tônica, antes de "NH" não recebe acento agudo:
rainha, bainha, tainha, ladainha, moinho...
OBSERVAÇÃO 2: Não há acento agudo quando formam ditongo e não hiato:
gra-tui-to, for-tui-to, in-tui-to, cir-cui-to, mui-to, sai-a, bai-a, que
eles cai-am, ele cai, ele sai, ele trai, os pais...
OBSERVAÇÃO 3: Não há acento agudo quando as vogais "i" e "u" não estão
isoladas na sílaba: ca-iu, ca-ir-mos, sa-in-do, ra-iz, ju-iz, ru-im,
pa-ul...

11. CÔCO ou COCO ?
O certo é COCO.
REGRA: Só acentuamos as palavras paroxítonas (=sílaba tônica na
penúltima sílaba) terminadas em:
I(S): táxi, júri, cáqui, lápis, tênis...
EI(S): jóquei, vôlei, ágeis, fósseis, usaríeis...
US: vírus, ânus, bônus, Vênus...
Ã(S): ímã, órfã, órfãs...
ÃO(S): órfão, sótão, órgãos, bênçãos...
R: caráter, repórter, éter, mártir...
X: tórax, clímax, ônix, látex...
N: hífen, pólen, próton, nêutron...
L: túnel, têxtil, ágil, difícil...
UM (UNS): álbum, álbuns...
ONS: prótons, elétrons, íons...
PS: bíceps, tríceps, fórceps...
OBSERVAÇÃO 1: Não se acentuam as paroxítonas terminadas em:
A(S): fora, seca, sala, balas...
E(S): este, esses, ele, eles...
O(s): coco, bolos, palito...
EM (ENS): item, itens, ordem, nuvens, hifens, polens, abdomens...
OBSERVAÇÃO 2: Não se acentuam os prefixos terminados em "i" ou "r":
hiper, inter, super, semi, mini, maxi...
OBSERVAÇÃO 3: Podemos usar XÉROX ou XEROX.

12. PARA ou PÁRA ?
PARA é preposição: "Eu vou para São Paulo."
PÁRA é verbo (3ª pessoa do singular) : "Ele sempre pára aqui."
REGRA: A regra do acento diferencial de timbre (som fechado x aberto)
foi abolida em 1971. Restaram algumas exceções. Vejamos alguns exemplos
de palavras que ainda têm acento diferencial de tonicidade:
Tu côas, ele côa (do verbo COAR);
Ele pára (do verbo PARAR - só a 3ªp.sing. do presente do indicativo);
Pôr (só o infinitivo do verbo);
Eu pélo, tu pélas e ele péla (do verbo PELAR);
O pêlo, os pêlos (substantivo = cabelo, penugem);
A pêra (substantivo = fruta - só no singular)
O pólo, os pólos (substantivos = jogo ou extremidade)
OBSERVAÇÃO: Não se acentuam as palavras átonas (preposições,
conjunções...): para (preposição), por (preposição), pela (s) e pelo(s)
(contração)...

13. PÔDE ou PODE ?
PÔDE é a 3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo:
"Ontem ele
não pôde resolver o problema."
PODE é a 3ª pessoa do singular do presente do indicativo: "Agora ele não
pode
sair."

14. SECRETÁRIA ou SECRETARIA
SECRETÁRIA é a pessoa; SECRETARIA é o lugar.
REGRA: Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em ditongo:
SE-CRE-TÁ-RIA, a-é-reo, núp-cias, sé-rie, cá-ries, ób-vio, re-ló-gio,
nó-doa, má-goas, á-gua, tá-buas, tê-nue, o-blí-quo, ár-duos, au-tóp-sia,
fa-mí-lia, prê-mio, am-bí-guo, lon-gín-quo, en-xá-guas, de-sá-guam,
mín-güem, bi-lín-güe...
OBSERVAÇÃO: Não haverá acento se a palavra terminar em hiato:
SE-CRE-TA-RI-A, ele ma-go-a, ele a-ve-ri-gu-a, a-pa-zi-gu-a, ar-gu-o,
que eu ar-gu-a, ne-crop-si-a, ele in-flu-en-ci-a, ele no-ti-ci-a, eu
pre-mi-o, ma-qui-na-ri-a ...

15. RÚBRICA ou RUBRICA ?
O certo é RUBRICA.
É uma palavra paroxítona terminada em "a". Se fosse proparoxítona teria
acento.
REGRA: Todas as palavras proparoxítonas (=sílaba tônica na antepenúltima
sílaba) devem receber acento gráfico: álcool, álibi, amássemos,
amávamos, biótipo, cágado, científico, crisântemo, depósito, devíamos,
devidi-lo-íamos, êxodo, fôssemos, hábito, ímprobo, ínterim, ômega,
pântano, plêiade, protótipo, repórteres, vermífugo...
OBSERVAÇÃO 1: Embora a forma acentuada seja usual em nossos meios de
comunicação, oficialmente as palavras deficit e habitat não têm acento
gráfico porque são latinismos (palavras latinas que não foram
aportuguesadas)
OBSERVAÇÃO 2: Cuidado com algumas palavras que não têm acento gráfico
porque verdadeiramente são paroxítonas: avaro, aziago, ciclope, decano,
erudito, filantropo, ibero, inaudito, pudico, refrega, rubrica ...

16. APÔIO ou APOIO ou APÓIO ?
APÔIO não existe;
APOIO é substantivo: "Preciso do seu apoio."
APÓIO é verbo: "Eu apóio este candidato."
REGRA: Acentuam-se as palavras que apresentam ditongos abertos:
ÉU: céu, réu, chapéu, troféus...
ÉI: papéis, pastéis, anéis, idéia, assembléia...
ÓI: dói, herói, eu apóio, esferóide...
OBSERVAÇÃO 1: Não se acentuam os ditongos fechados:
EU: seu, ateu, judeu, europeu...
EI: lei, alheio, feia...
OI: boi, coisa, o apoio...
OBSERVAÇÃO 2: No Brasil, colméia e centopéia são pronunciados com o
timbre aberto.

Parte 4 - Trema

O CASO

E o trema não morreu!
É verdade. Embora muitos já o tenham abolido de suas vidas, o trema
continua vivo e forte.
Há quem tenha decretado a morte do trema por total desprezo ao seu uso:
"É um sinal inútil", dizem alguns. "Este sinal não existe no meu
teclado", afirmam outros.
Na verdade, o coitado do trema foi expulso de muitos lugares. Não
conheço supermercado algum que venda lingüiças. A maioria prefere
linguiças. E os nossos jornais! Com muita "frequência" leio sobre
"sequestros" de "delinquentes" feitos com a maior "tranquilidade". Isso
eu não "aguento"!
Desde 1971, ano da última mudança ortográfica ocorrida na língua
portuguesa, tentam acabar com o trema. Houve várias propostas. A última
"reforma", que não entrou em vigor até hoje, também propunha o fim do
trema.
O professor Arnaldo Niskier, presidente da Academia Brasileira de
Letras, ao ser consultado a respeito da "reforma", esclarece: "Ainda não
foi assinado pelos sete países da comunidade lusófona o Acordo
Ortográfico da Língua Portuguesa. Na verdade, Brasil e Portugal já se
acertaram, mas há algumas nações africanas que resistem à idéia. O
Acordo talvez seja assinado este ano."
Isso significa, portanto, que o trema continua valendo. Quem deseja
seguir oficialmente nossas normas ortográficas devem continuar
utilizando o trema.
Existem os moderados que afirmam: "o trema não foi abolido, mas seu uso
agora é facultativo". Mentira! O trema só é facultativo se a pronúncia
da vogal "u" for opcional, ou seja, podemos falar: líquido ou líqüido,
antiquíssimo ou antiqüíssimo, sanguinário ou sangüinário...
Pior que abandonar o trema é usá-lo onde ele nunca existiu. Há quem
fale "adqüirir", "distigüir" e "por consegüinte". Devemos usar adquirir,
distinguir e por conseguinte. Alguns fazem "qüestão" de falar errado. O
certo é questão, questionar, questionário...
Por fim, não esqueça que O TREMA (=palavra do gênero masculino) não é
um acento (=não indica sílaba tônica). O trema é um sinal gráfico cuja
função é indicar a pronúncia da vogal "u".

A DICA

Devemos usar o trema na vogal "u" (pronunciada e átona), antecedida de Q
ou G e seguida de E ou I:

Q E
> Ü <
G I

O objetivo do trema é distinguir a vogal "u" muda (=não pronunciada) da
vogal "u" pronunciada:

QUE = quente, questão, quesito; QÜE = freqüente, seqüestro, delinqüente;
QUI = quilo, adquirir, química; QÜI = tranqüilo, eqüino, iniqüidade;
GUE = guerra, sangue, larguemos; GÜE = agüentar, bilíngüe, enxagüemos;
GUI = guitarra, distinguir, seguinte; GÜI = lingüiça, pingüim, argüir.

OBSERVAÇÃO 1:
Não esqueça que jamais haverá trema quando a vogal "u" estiver seguida
de "o" ou "a": ambíguo, longínquo, averiguar, adequado...
OBSERVAÇÃO 2:
Se a vogal "u" for pronunciada e tônica, devemos usar acento agudo em
vez do trema: que ele averigúe, que eles apazigúem, ele argúi, eles
argúem...
MODERNA GRAMÁTICA Portuguesa


COMPANhIA EDITORA NACIONAl
#
ÍNDICE
INTRODUÇÃO
Que é uma líNgua, ?
A língua. é um fenómeno cultural .
Modalidades de uma língua: língua falada e língua escrita ...........
Língua geral e língua regional
Objeto da Gramática
DivisÃo da Gramática
Partes da Gramática
Objeto da Estilística
FONÉTICA E FONÉMICA
A) ProduçÃo dos fonemas e sua classificaçÃo
1 - Fonética descritiva
Fonemas........................................................
Fonemas não são letras
Fonética e fonémica. ...
Aparelho fonador ..............................................
Como se produzem os fonemas ..........................
Fonemas surdos e sonoros ...............................
Vogais e consoantes
Classificação das vogais
Elevação da língua: quinto critério para a classificação das vogais 35
~à-is Encontros vocálicos: ditongos, tritongos, hiatos 36
Classificação das consoantes
En~ontro consonantal
Diiràfo
Letra diacrítica
Apêndice:
Encontros de fonemas que produzem efeito desagradável ao
ouvido: colisão, eco, hiato, cacofonia ........................

B) Ortoepia .................I
Vogais ...............................................................
Consoantes ...........................................................
Ligação dos vocábulos........................................................... ...

C) Prosódia

Prosódia ...
Sílaba .....
Quantidade
Acentuação
Acento de intensidade ...
Posição do acento tÔnico
Acento de intensidade e sentido do vocábulo ..........................
Acento principal e acento secundário .................................
Acento de insistência e emocional 1
Acento de intensidade na frase ......................................
Vocábulos tônitoà'~e átonos: os clíticos ................................
Conseqüências da próclise ............................................
Vocábulos que oferecem dúvidas quanto à posição da sílaba tônica . . .
Vocábulos que admitem dupla prosódia ..............................

D) Ortografia

o alfabeto ..........................................................
K, w, Y ............................................................
H ...................................................................
Consoantes mudas

se ...........
Letras dobradas ......................................................
Vogais nasais ...............
Ditongos ......
Hiatos ........
Parónimos e vocábulos de grafia. dupla ..............................
Nomes próprios
Apóstrofo .....
Hífen ..........
Divisão silábica
Emprego das iniciais maiúsculas ......................................
Sinais de pontuação
Regras de acentuação
Acento diferencial .. -
11 - MORFOLOGIA
A) Classes de vocábulos
1 - Substantivo
Concretos e abstratos
Próp)rios e comuns ..
2 - Adjetivo
Adjetivo .............................88
Adjetivo explicativo e restritivo ....88
Substantivação do adjetivo ...........88
Flexões do........................adjetivo ........... em de nomes próprios a comuns 74
Substantivo coletivo . , .............
Formação do plural do substantivo
Género do substantivo ................
Grau.............................................................. . .............
3 - Artigo
Artigo ...............................94
Espécies de artigo

4 - Pronome

Classificação dos pronomes
Pronomes pessoais
Pronomes possessivos
Pronomes demonstrativos
Pronomes indefinidos
Pronomes interrogativos
Pronomes relativos

5 - Numeral

Numeral
Espécies de numeral

6 - Verbo

Verbo ......
Pessoas do verbo
Tempos do verbo
Modos do verbo
Vozes do verbo
Voz passiva e passividade
Formas nominais do verbo
Conjugar um verbo
Verbos regulares, irregulares e anómalos
Verbos defectivos e abundantes ..
Locução verbal: verbos auxiliares
Auxiliares causativos e sensitivos
Elementos estruturais do verbo: os sufixos e desinências verbais
Tempos primitivos e derivados ..
A sílaba tMica dos verbos: formas rizotânicas e arrizotônicas ....
Alterriância vocálica ou metafonia.
Verbos notáveis quanto à pronúncia ou flexão ..................
Variações gráficas na conjugação ...............................
Erros freqüentes na conjugação de alguns verbos ................
Paradigma dos verbos regulares .................................
Conjugação de verbos auxiliares comuns ........................
Conjugação composta ...............134
Conjugação do verbo pôr ....................................... 136
Conjugação de um verbo composto na voz passiva: ser amado 138
Conjugação de um verbo na voz reflexiva: apiedar-se 139
Conjugação de um verbo com pronome oblíquo átono: tipo pô-lo 142
Conjugação dos verbos irregulares .144
1a conjugação .................................................
2.a conjugação .................................................
3.a conjugação .................................................

7 - Advérbio e os denotativos

Advérbio ..........................
Locução adverbial ................
Circunstáncias adverbiais ..........
Os vocábulos denotativos .........
Advérbios de base nominal e pronominal ..................
Gradação dos advérbios

8 - Preposição
Preposição ......................................................
Locução prepositiva ......
Acúmulo de preposições ..................
Combinação e contração de preposição com outras palavras .....
A preposição e sua posição ....................................
Principais preposições e locuções prepositivas ..................

9 - Conjunção
Conjunção .....................
Tipos de conjunção ............................................
Locução conjuntiva ............
Conjunções coordenativas .......................................
Conjunções subordinativas ......................................
Que excessivo ..................................................
Conjunções e expressões enfáticas ...............................
#
10 - Interjeição
Interjeição
Locução interjetiva .

B) 1 - Estrutura dos vocábulos
Vocábulo e morfema. ....................................
os elementos mórficos
Radical ....
Desinéncias nominais e verbais ......................................
Tema e vogal temática ..............................................
Afixos: prefixos e sufixos ....
Vogais e consoantes de ligação
justaposição ................
Aglutinação ...
Conceito de raiz ou radical primário .................................
Palavras cognatas ......
Constituintes imediatos .
Variantes dos elementos mórficos .....
Neutralização nos elementos mórficos
Subtração nos elementos mórficos ....
Acumulação nos elementos mórficos; ...
Fusão nos elementos mórficos .........
Suplementação nos elementos mórficos
A intensidade, a quantidade e o timbre e os elementos mórficos ......
2 - Formação de palavras
Palavras indivisíveis e divisíveis ......................................
Palavras divisíveis simples e compostas .
Processos principais de formação de palavras: composição e derivação
Derivação .....................................................
sufixos ............................ ..
Prefixos ...............................................................
Correspondência entre prefixos e elementos latinos e gregos
Derivação parassintética ..............................................
Outros processos de formação de palavras: formação regressiva, abreviaOo,
reduplicação e conversão ....
Hibridismo ............................................................
Radicais gregos mais usados em português ...........................
Famílias etimológicas de radical latino ...............................

III - SINTAXE

A) Noções gerais
Que é oração .........................194
Entoação oracional ...................194
A importância da situação e do contexto 196

Constituição das orações .
Estruturação sintática: objeto da sintaxe .............
A oração na língua falada e na língua escrita ........
Sintaxe e estilo: necessidade sintática e possibilidade estilística ........
Tipos de oração .....................................................
B) O período simples ...............................................

C) Núcleo

1 - Termos essenciais da oração
Sujeito .........................................................
Predicado .......................................................
Omissão do sujeito ou do predicado ............................
Sujeito indeterminado .........
Orações sem sujeito .........
Os principais verbos impessoais .................................

- Tipos de predicado: verbal, nominal e verbo-nominal
Predicativo .....................................................
Verbos de ligação ...............................................

3 - Constituição do predicado verbal
Verbo intransitivo ..............................................
Verbo transitivo ................................................
Espécie de complementos verbais ................................
Sentidos do objeto direto ......................................
Sentidos do objeto indireto .....................................
A preposição como posvérbio ..................................
Objeto direto preposicionado ....................................
Objeto direto interno ..........................................
Concorrência de complementis diferentes ........................

4 - Complementos nominais
a) Substantivos ..................................................
b) Adjetivos ....................................................

5 - Adjunto: seus tipos .....................
Adjunto adnominal .....................
Adjunto adverbial , .....................
Advérbios de base nominal ou pronominal 212

6 - Agente da passiva *

7 - Aposto: seus tipos
Aposto ..........................................................
Aposto em referência a uma oração inteira ......................
Aposto circunstancial ............................................

8 - Vocativo .......................................................

D) O período composto

1 - Orações independentes e dependentes

Oração independente ............................................
Oração dependente ..............................................

2 - Oração principal ...............................................

Mais de uma oração principal ....
Oração principal não é a 1.a oração .............................
Oração principal nem sempre é a do sentido principal .............
Tipos de orações independentes: coordenadas e intercaladas
As orações dependentes são subordinadas ........
Coordenação ....................................................
Subordinação ...................................................
Classificação das orações quanto à ligação entre si ...............

3 - Interrogação direta e indireta ....

orações coordenadas conectivas ......

5 ~ Orações intercaladas ............................................

6 - Orações subordinadas

Substantivas: Funções sintáticas exercidas pelas substantivas .......
Características das orações substantivas .....
Adjetivas: Função sintática exercida pelas adjetivas .............
Adjetivas restritivas e explicativas ...............................
Outros sentidos das orações adjetivas ............................
Adverbiais: Função sintática exercida pelas adverbiais .............

7 - Orações reduzidas

Que é oração reduzida ..........................................
Orações reduzidas independentes .................................

Orações reduzidas dependenter
a) Substantivas ..............
b) Adjetivas ., ..............
c) Adverbiais ................
Orações reduzidas fixas ...........
Orações reduzidas do tipo: Deixei-o entrar ....................
Quando o infinitivo não constitui oração reduzida ............
Quando o gerúndio e o particípio não constituem oração reduzida

APÉNDICE:

Particularidades de estruturação sintática oracional ...........



E) Sintaxe de classes de ~as

1 - Emprego do artigo
Emprego do artigo definido
Emprego do artigo indefinido
Artigo partitivo, .................................................

2 - Emprego do pronome
Pronome pessoal: empregos e particularidades ..........
Ele como objeto direto .................................
Fun" e empregos do pronome se .....................
Combinação de pronomes átonos ........................
Função do pronome átono em Dou-me ao trabalho ......
Pronome possessivo: seu e dele para evitar confusão ...............
Posição do pronome possessivo ......
Possessivo para indicar aproximação ..
Valores afetivos do possessivo ........
Emprego do pessoal pelo possessivo
Possessivo expresso por uma locução
Possessivo em referência a um possuidor de sentido indefinido ......
Repetição do possessivo ...
Substituição do possessivo pelo artigo definido ..................
Possessivo e as expressões de tratamento do tipo: Vossa Excelência . .
Pronome demonstrativo .........................................
Demonstrativos referidos à noção de espaço ......................
Demonstrativos referidos à noção de tempo ......................
Demonstrativos referidos a nossas próprias palavras ...............
Reforços de demonstrativos ......................................
Outros demonstrativos e seus empregos ...................
Posição dos demonstrativos ..............................
Pronome indefinido: empregos e particularidades ....
Pronome relativo: empregos e particularidades ........

3 - Emprego.do, verbo
Emprego de tempos e modos:
Indicativo, .......................................
Subjuntivo ......................................................
Imperativo .: -.* --- * *
Emprego das formas nominais ....
Emprego do infinitivo (flexionado e sem flexão) .................
APÊNDICE:
Passagem da voz ativa para passiva e vice-versa

4 - Emprego de preposições
1) . A ...........................................................
Emprego do à acentuado (crase)
2) Até
3) Com
4) Contra
5) De ...
6) Em ...
7) Entre ........
8) Para ........
9) Por (e per) .

9 - r-ordincia

Concordância: considerações rais 295

Concordância nominal:

A - Concordância de vocábulo para vocábulo 296
B - Concordância de vocábulo para sentido 298
C - Outros casos de concordância:

1) um e outro, nem um nem outro
2) mesmo, próprio, só
3) leso . .
4) anexo
5) meio
6) possível .......................................
7) a olhos vistos
8) é necessdrio paciência
9) alguma coisa boa ou alguma coisa de bom
10) um pouco de luz e uma pouca de luz
11) Concordância do pronome
12) Nós por eu, vós por tu
131 Alternância entre adietivo e advérbio

14) Particípios que passaram a preposição e advérbio
15) Concordância com numeral ......................

Concordincia. verbal:

A - Concordância de vocábulo para vocábulo
B ~ Concordância de vocábulo para sentido
C - Outros casos de concordância:
#
1) com pronomes pessoais .............................
2) sujeito ligado por série aditiva enfática
3) sujeito ligado por com
4) sujeito ligado por nem
5) sujeito ligado por ou
6) a maioria dos homens

11) pronomes relativos .................................
12) verbos impessoais ..................
13) dar aplicado a horas .............
14) alugam-se casas ....................
15) concordância na locução verbal .....................
16) não... senéio ......................
17) concordância com títulos no plural .................
18) concordância no aposto .............................

6 - Regência .................................

1 ) Isto é para eu fazer ...........................................
2) pedir Para ...................................................
3) Está na hora da onça beber água ..............................
4) Migrações de preposições ......................................
5) Complementos de termos de regências diferentes ..............
6) Emprego de relativos precedidos de preposição ................
7) Relação de regências de alguns verbos e nomes ...............

7 - Colocação: ordem direta e inversa ............................

Colocação dos termos na oração e das orações no período ........
Colocação de pronomes átonos ....................................
Explicação da colocação dos pronomes átonos no Brasil ...........

APêNDICE:

I -

Figuras de sintaxe
1) Elipse
2) Pleonasmo, ...................................................
3) Anacoluto ....................................................
4) Antecipação ..................................................
5) Braquilogia ...................................................
6) Haplologia sintática ...........................................
7) Contaminação sintática ........................................
8) Expressão expletiva ou de realce ..............................

Vícios e anomalias de linguagem ................................

1) Solecismo ....................................................
2) Barbarismo ..................................................
Idiotismo ........................................................

IV - PONTUAçãO

Ponto de exclamação .......*
Reticências ..........................................................
Aspas ......................
Travessão ...................
Vírgula .....................
Ponto e vírgula ............
Ponto .................................
Ponto parágrafo .....................................................
Asterisco ...........................................
Alínea .............................................

V - SEMANTICA

Semântica ...................................................
Espécies de alteração semântica ..............................
Pequena nomenclatura de outros aspectos semânticos ........

VI - NOÇõES ELEMENTARES DE ESTILíSTICA

A nova Estilística ..........................
Estilística e Retórica .....................
Análise literária e análise estilística .......
Traços estilísticos .......
Traço estilístico e erro gramatical ..................................
Campo da Estilística .

VII - NOÇõES ELEMENTARES DE VERSIFICAÇÃO

Poesia e prosa
Enjambement
Versificação regular eÁrregular
Ritmo poético
1) Número fixo de sílabas:
Como se contam as sílabas de um verso 353
Versos agudos, graves e esdrúxulos ...353
Fenômenos correntes na leitura dos versos: sinérese, diérese, elisão,
crase e ectlipse
o ritmo e a pontuação do verso
Expedientes mais raros na contagem (Ias sílabas
2) Número fixo de sílabas e pausas

Versos de uma a doze sílabas ..........................

3) Rima: perfeita e imperfeita ...........................
Rimas consoantes e toantes ............................
Disposição das rimas ..............................................

4) Aliteração ...
5) Encadeamento
6) Paralelismo
7) Estrofação
8) Verso livre
9) Recitação .............................

Exemplos de análise estilística ............
1) Um soneto de Antônio Nobre ...........
2) Um soneto de Machado de Assis .........

APêNDICE

Prefácio

AO ESCREVER ESTA Moderna Gramática Portuguesa foi nosso intuito
i . levar ao magistério brasileiro num compêndio escolar escrito em estilo
simples, o resultado dos progressos que os modernos estudos de linguagem
alcançaram,no estrangeiro e em nosso país. Não se rompe de vez com
uma tradição secular: isto explica por que esta Moderna Gramática traz
uma disposição da matéria mais ou menos conforme o modelo clássico
A nossa preocupação não residiu aí mas na doutrina. Encontrarão os
colegas de magistério, os alunos e quantos se interessam pelo ensino e
aprendizado do idioma um tratamento novo para muitos assuntos im r-
tantes que não poderiam continuar a ser encarados pelos prismas por que
a tradição os apresentava. Com a humildade necessária a tais empresas,
sabemos que as pessoas competentes poderão facilmente verificar que
fizemos uma revisão em quase todos os assuntos de que se compõe este
livro, e muitos dos quais encontraram aqui um desenvolvimento ainda
não conhecido em trabalho congênere. Por outro lado, a esta altura do
progresso que a matéria tem tido, não poderíamos escrever esta Moderna
Gramática sem umas noções, ainda que breves, sobre fonêmica e estilística.
Isto nos permitiu, na última, tratar da análise literária, que entre nós
passa às vezes confundida com análise estilística ressaltamos os objetivos
desta e convidamos os nossos colegas de disciplina a que dela se sirvam
num dos escopos supremos de sua missão: educar o sentimento estético
do,aluno Na arte relativa à estruturação dos vocábulos e sua formação,
pretendemos trazer para a gramática portuguesa os excelentes estudos
que a lingüística americana tem feito sobre tão im. rtante ca ítulo
Seguimos a Nomenclatura Gramatical Brasileira. Os termos que aqui se
encontrarem e lá faltam não se explicarão por discordância ou desres
peito; é que a NGB não tratou de todos os assuntos aqui ventilados.
#





A orientação científica por que se norteia esta nossa Moderna Gra-
mática não seria possível sem a lição dos mestres (seria ocioso citá-los)
que, dentro e fora do Brasil, tanto têm feito pelo desenvolvimento da
disciplina. Devemos-lhes o que de melhor os leitores encontrarem neste
livro, e a eles, em cada citação, prestamos sincera homenagem. Elegemos,
entre eles, um dos mais ilustres para dedicar-lhe o nosso trabalho de hoje,
aquele que para nós nos é tão caro pelo muito que contribuiu para nossa
formação lingüística: M. Said Ali. No ano em que seus discípulos e
admiradores comemoram o 1.o centenário de seu nascimento, não pode-
ríamos deixar de levar ao mestre e amigo o testemunho de nossa profunda
amizade e gratidão.

INTRODUÇÃO

Que é uma língua

Entende-se por língua ou idioma o sistema de símbolos vocais arbi-
trários com que um grupo social se entende.
Uma língua pode ser instrumento particular de um povo único, como
acontece com o chinês, o romeno, ou comum a mais de uma nação. Este
é o caso do português, que serve a Portugal, ao Brasil e colônias ultrama-
rinas lusas.
Este fato se explica historicamente pelos capítulos de expansão e
colonização dos povos. Falamos o português como língua oficial porque,
ao lado de outras instituições culturais, os portugueses no-la deixaram
como traço da civilização que aqui fundaram depois de 1500.

A língua é um jen&n~ cultural

A língua não existe em si mesma: fora do homem é uma abstração,
e no homem é o resultado de um património cultural que a sociedade a
que pertence lhe transmite. "É evidente - ensina-nos Sapir - que, até
certo ponto, o indivíduo humapO está predestinado a falar, mas em vir-
tude da circunstância de não ter nascido meramente na natureza, e sim
no regaço de uma sociedade, cujo escopo racional é chamá-lo para as
suas tradições" (1).

Modalidades de uma língua

Uma língua de civilização apresenta as seguintes modalidades:

a) língua falada: instrumento de comunicação cotidiana, que, sem
preocupação artística, tem a seu dispor os múltiplos recursos lingüísticos

(1) E. SAPiR, A Linguagem (trad. brasileira de J. MATOSO CAMARA jr.). 17-18.

23
#





da entoação e extralingüísticos da mímica, englobados na "situação" em
que se acham falante e ouvinte;

b) língua escrita: instrumento de comunicação menos freqüente em
que o escritor tem de suprir os recursos que estão à disposição da língua
falada. Foge, por isso, muitas vezes às expressões comuns da linguagem
ordinária para fins estéticos e expressivos. Na língua escrita a "situação"
tem de ser criada através da ordenação especial das idéias. "Isto é o que,
segundo Bally, dá à língua escrita sua fisionomia particular: e assim se
explica por que não é e por que não será jamais idêntica à língua falada.
Pode-se dela aproximar, pode copiá-la, porém essa cópia é sempre uma
transposição ou uma deformação. Sentidos particulares dados a vocábulos
vagos, criação de vocábulos novos, conservação de outros que estão a ponto
de morrer, ressurreição de vocábulos já há muito tempo fora de circulação,
fenômenos semelhantes no tratamento da sintaxe e da construção das ora-
ções, etc., etc... Exagerando um pouco, poder-se-ia dizer que a língua es-
crita é "acrônica": longe de dar uma idéia do estado contemporâneo de um
idioma, combina, num amálgama, um pouco heteródito, os diversos está-
gios por que passou o idioma"(').
Os escritores modernos - uns com certo exagero - têm procurado
diminuir a distância entre a língua falada e a escrita.
O ponto culminante deste afastamento é a língua literária, que é
um aspecto da língua escrita, mas que com esta não se confunde. É o
instrumento de que se utilizam os escritores nas suas obras; exige um
cultivo especial e um ideal superior de expressão, além de estar sujeita
aos preceitos das modas dominantes.
Falar com termos da língua escrita, mormente do seu aspecto lite-
rário, no trato normal de todos os dias, provoca um defeito de adequação
lingüística a que se- dá o nome de preciosismo.

Língua geral e língua regional

A língua espalhada por grande extensão de terra pode apresentar par-
ticularidades cujo conjunto caracteriza a língua regional, e os traços lin-
güísticos que aí ocorrem recebem o nome de regionalismos.

Objeto da Gramática

Mas dentro da diversidade das línguas ou falares regionais se sobrepõe
um uso comum a toda a área geográfica, fixada pela escola e utilizada
pelas pessoas cultas: é isto o que constitui a língua geral, língua padrão
ou oficial do país.

(1) Ch. BALLY, Le Langage et la Vie, 112.

24
#





r-

a
o

Cabe à Gramática registrar os fatos da língua geral ou padrão, esta-
belecendo os preceitos de como se fala e escreve bem ou de como se pode
falar e escrever bem uma língua.
Daí ser a Gramática, ao mesmo tempo, uma ciência e uma arte.
Assim sendo, o gramático não é um legislador do idioma nem tam-
pouco o tirano que defende uma imutabilidade- do sistema expressivo.
Cabe-lhe ordenar os fatos lingüísticos da língua padrão na sua época, para
servirem às pessoas que começam a aprender o idioma também na sua
época.

Divisão da Gramatica

A Gramática pode estudar: a) uma época determinada, b) uma
seqüência de fases evolutivas de um idioma ou c) de vários idiomas.
A que interessa mais de perto à comunidade social, pela sua utili-
zação imediata de código de bem falar, é a que estuda apenas a fase con-
temporánea do idioma, por isso chamada gramática expositiva, normativa
ou tão-somente grámatica.
A Gramática que se preocupa com os aspectos b) e c) formam o
que chamamos, respectivamente, Gramática Histórica e Gramática Com-
parada, e divergem da Gramática anterior porque são apenas obra de
ciência.

Partes da Gramatica

A Gramática estuda:

a) os sons da fala: Fonética e Fonêmica
b) as formas: Morfologia
c) as construções: Sintaxe
d) os sentidos e suas alterações: Semdntica(l).

Objeto da Estilística

Estilística é um campo novo dos estudos de linguagem que procura
investigar o sistema expressivo que o idioma põe a serviço do falante e
sua eficiência estética.
Todos estes ramos do estudo e da pesquisa dos fatos da linguagem
fazem parte de uma disciplina maior conhecida pelo nome de Ciência
da Linguagem ou Lingüística.

(1) A Nomenclatura oficial põe de lado a Fonémica, a SemMica e a.Esfilística.

25
#





#





1 - Fonetica e fonêmica

, A) Produção dos fonemas e sua classificação

I -

F ÊTICA DESCRI IVA

Fonemas. - Chamam-se fonemas os sons elementares e distintivos
que o homem produz quando, pela voz, exprime seus pensamentos e

emoções.

Fonemas não são letras. - Desde logo uma distinção se impõe: não
se há de confundir fonema com letra. Fonema é uma realidade acústica,
realidade que nosso ouvido registra; enquanto letra é o sinal empregado
para representar na escrita o sistema sonoro de uma língua. Não há
identidade perfeita, muitas vezes, entre os fonemas e a maneira de repre-
sentá-los na escrita, o que nos leva facilmente a perceber a impossibilidade
de uma ortografia ideal. Temos, como veremos mais adiante, sete vogais
orais tônicas, mas apenas cinco símbolos gráficos (letras): a, e i, o, u.
Quando queremos distinguir um e tônico aberto de um e tônico fechado
- pois são dois fonemas distintos - geralmente utilizamos sinais subsidiá-
rios: o acento agudo (fé) ou o circunflexo (vê). Há letras que se escre-
vem, por várias razões, mas que não se pronunciam, e portanto não repre-
sentam a vestimenta gráfica do fonema; é o caso do h em homem ou oh !
Por outro lado, há fonemas que se ouvem e que não se acham registrados
na escrita; assim, no final de cantavam, ouvimos um ditongo em -am cuja
semivogal não vem assinalada /cantávãw/. A escrita, graças ao seu conven-
cionalismo tradicional, nem sempre espelha a evolução fonética. Neste
livro, diferençamos a letra do fonema, pondo este entre barras; dessarte

indicaremos o e aberto e e fechado da seguinte maneira: /é/, /é/.

Fonética e Fonèmica. - Na atividade lingüística, o importante para
os falantes é o som, e não a série de movimentos articulatórios que o
determina. Assim sendo, enquanto a análise fonética se preocupa tão-
#





somente com a articulação, a fonêmica atenta apenas para o SOM que,
reunindo um feixe de traços que o distingue de outro som, permite a
comunicação lingüística. A fonética pode reconhecer, e realmente o faz,
diversas realizações para o 1t1 da série ta-te-ti-to-tu; a fonêmica não leva
em conta as variações (que se chamam alofones), porque delas não tomam
conhecimento os falantes de língua portuguesa. Um fonema admite uma
gama variada de realizações fonéticas que vai até a conservação da inte-
gridade do vocábulo: quando isto não ocorre, diz-se que houve mudança
de fonema. O /1/ admite várias realizações no Brasil, de norte a sul
(e estas variantes não interessam à analise fonêmica, que deveria ter
primazia em nosso estudo de língua); mas haverá mudança de fonernas
quando se não puder fazer a oposição mal/mau. Como bem ensina Matoso
Câmara, "o fonema, entendido como um feixe de traços distintivos, indi-
vidualiza-se e ganha realidade gramatical pelo seu contraste com outros
feixe~ em idênticos ambientes fonéticos. Não é, pois, a diferença articula-
tória e acústica que distingue primariamente dois fonemas, senão a possi-
bilidade de determinarem significações distintas numa mesma situação
fonética. Compreende-se assim que um mesmo fonema possa~variar ampla-
mente na sua realização, conforme o ambiente fonético ou as peculiari-
dades do sujeito falante" (1).

Fonêmica não se opõe a fonética: a primeira estuda o número de
oposições utilizadas e suas relações mútuas, enquanto a fonética experi-
mental determina a natureza física e fisiológica das distinções observadas(2).

Aparelho fonador. - Nós não temos um aparelho especial para a
fala; produzimos os fonemas servindo-nos de órgãos do aparelho respira-
tório e da parte superior do aparelho digestivo. A esses órgãos da fala,
constitutivos do aparelho fonador, pertencem, além de músculos e nervos:
os brônquios, a traquéia, a laringe (com as cordas vocais), a faringe, as
fossas nasais e a boca com a língua (dividida em ápice, dorso e raiz), as
bochechas o palato duro (ou céu da boca), o palato mole (ou véu
palatino) com a úvula ou campainha, os dentes (mormente os anteriores)
com os alvéolos, e os lábios.

Em português, como na maioria dos idiomas, os fonemas são produzi-
dos graças à modificação que esses órgãos da fala impõem à corrente de
ar que sai dos pulmões. Línguas há, entretanto, que se servem da corrente
inspiratória (entrando o ar nos pulmões) para produzir fonemas, que
são conhecidos pelo nome de cliques. Produzimos cliques quando fazemos
os movimentos bucais, acompanhados da sucção de ar na boca para o
beijo, o muxoxo e certos estalidos como o que serve para animar a cami-
nhada dos cavalos, mas não os utilizamos como sons da fala em português.

(1) Para o Estudo da Fonémica Portuguesa, 44-45.
(2) B. MALMBERG, La Phonétique, 116.

28

P-1
#





APARELHO FONADOR

DENTES Irl

CARNE DA
LARINGE

CORDAS

VOCAIS

_M_
AD

---FOSSAS NASAIS

POSIÇÃO NORMAL
POSIÇÃO PARA 1,9
NASAIS e

--- EPIGLOTE

Como se produzem os fonemas. - A corrente de ar que vem dos
pulmões passa pela traquéia e chega à sua parte superior que se chama
laringe, conhecida vulgarmente como pomo-de-adão. Na laringe se acham,
horizontalmente, duas membranas mucosas elásticas, à maneira de lábios:
as cordas vocais, por cujo estreito intervalo, denominado glote, a corrente
de ar tem de passar para ganhar a faringe, e daí ou totalmente pela boca
(fonemas orais), ou parte pela boca e parte pelas fossas nasais (fonemas
nasais), chegar à atmosfera. É esta corrente expiratória que, modificada
pelos órgãos da fala, é responsável pela produção dos fonemas.

Fonemas surdos e sonoros. - Quando a corrente de ar se dirige
à glote, esta pode encontrar-se aberta, fechada ou quase fechada. No pri-
meiro caso, a corrente de ar passa livremente, sem provocar a vibração
das cordas vocais. O fonema que, nestas circunstâncias, se produz é cha-
mado surdo: /s/, /f/, /x/, /t/ /k/, etc. Se a glote está fechada ou quase
fechada, a corrente de ar, ao forçar a passagem, provoca a vibração das
cordas vocais, produzindo os fonemas sonoros. São sonoras todas as vogais
e certas consoantes como IzI, /v/, /j/, /d/, /g/, etc.
Em muitos casos podemos perceber a vibração das cordas vocais,
pondo de leve a ponta do dedo no porno-de-adão e proferindo um fonema
sonoro, como /z/, /v/, /j/, tendo o cuidado de não acompanhá-lo de

29
#





vogal. Sentimos nitidamente um tremular que denota a vibração das
C(
cordas vocais. Se proferimos um fonema surdo, como /s/, /f/, /x/, om o
cuidado apontado acima, não sentimos o tremular. Podemos ainda repetir
a experiência tapando os ouvidos. Só com os fonemas sonoros ouvimos
um zumbido característico da vibração das cordas vocais.

Vogais e consoantes. - A voz humana se compõe de tons (sons
musicais) e ruídos, que o nosso ouvido distingue com perfeição. Caracte-
rizam-se os tons, quanto às condições acústicas, por suas vibrações perió-
dicas. Esta divisão corresponde, em suas linhas gerais, às vogais (= tons)
e às consoantes (= ruídos). As consoantes podem ser ruídos puros, isto
é, sem vibrações regulares (correspondem. às consoantes surdas), ou ruídos
combinados com um tom laringeo (consoantes sonoras)(').
Quanto às condições fisiológicas de produção, as vogais são fonemas
durante cuja articulação a cavidade bucal se acha completamente livre
para a passagem do ar. As consoantes são fonemas durante cuja produção
a cavidade bucal está total ou parcialmente fechada, constituindo, assim,
num ponto qualquer, um obstáculo à salda da corrente expiratória.

OBSERVAÇÃO: Só por suas condições acústicas e fisiológicas de produção é que se
distinguem as vogais das consoantes. Por imitação dos gregos, os antigos gramáticos de-
finiam a vogal pela sua função na sílaba: elemento necessário e suficiente para formar
uma sílaba. E daí chegavam à conceituaçáo deficiente de consoante: fonema sem exis-
tência independente, que só se profere com uma vogal. Sabemos de idiomas em que há
sílabas constituídas apenas de consoantes e em que uma consoante pode fazer as vezes
de vogal(2).
Na língua portuguesa a base da silaba ou o elemento siliibico é a vogal; os elementos
assiliibicos aio a consoante e a semivogal, que estudaremos mais adiante.

Classificação das vogais. - Classificam-se as vogais, segundo a Nomen-
clatura Gramatical Brasileira, de acordo com quatro critérios:

a) quanto à zona de articulação;
b) quanto à intensidade;
c) quanto ao timbre;
d) quanto ao papel das cavidades bucal e nasal.

a) Quanto à ZONA DE ARTICULAÇÃo as vogais podem ser média, ante-
riores e posteriores.

Com a boca ligeiramente aberta e a língua na posição quase ol
repouso, proferimos o fonema /a/, que é o que exige menor esforço e cons.
titui a vogal média. Se daí passarmos à série /é/ - /é/ - /i/, notarem

(1) B. MALMBERG, La Phonétique, 20.
(2) L. ROUDET, Éléments de Phonétique GMérale, 75-76.

30
#





1 como em vi

VOGAIS ANTERIORES

POSIÇÃO DOS LÁBIOS

E (aberto) como em é

E (fechado) como em dê

POSIÇÃO DA ÚNGUA

(*) Extraído dos Elementos de Língua Pdiría de J. MAT050 CÂMARA JR.

31
#





VOGAIS POSTERIORES(*)

POSIÇÃO DOS LÁBIOS

O (aberto) como em pá

O (fechado) como em avô

- U como em tu

(0) J- MAT060 CAMARA JR., ibid.

32

POSIÇÃO DA LíNGUA
#





1

que o dorso da língua se eleva, recuando em direção ao véu do paladar,

ANTERIORES

que a ponta da língua se eleva, avançando em direção ao palato duro, o
que determina uma diminuição da abertura bucal e um aumento da aber-
tura da faringe. A série /é/ - /é/ - /i/ constitui as vogais anteriores.
Se passarmos da vogal média /a/ para a série /6/ - /ô/ - /u/, notaremos

o que provoca uma diminuição da abertura bucal e um arredondamento
progressivo dos lábios. A série /6/ - /ô/ - /u/ forma as vogais posteriores.

P/ lu/

/a/
MÉDIA

- POSTERIORES

b) Quanto à INTENSIDADE as. vogais podem ser tônicas ou átonas,
Vogal tônica é aquela em que recai o acento tônico da palavra: avó, paga,
tímido.

Vogal átona é a inacentuada: avó, paga, tímido. As vogais átonas
podem estar antes da tônica (pretônicas): avó, pagar, ou depois (postô-

nicas): tímido.

Nos vocábulos de maior extensão fonética, mormente nos derivados
e nos verbos seguidos de pronome átono, pode aparecer, além da tônica,
à de ande intensidade a u recebe o nome de vogal subtônica:

~. ' ~r, b, ~ -1
polidamente, cegamente, louvar-te-tei.

c) quanto ao TIMBRE as vogais podem ser abertas, fechadas e reduzidas.
Timbre é o efeito acústico resultante da distância entre o dorso da língua
e o véu do paladar, funcionando a cavidade bucal como caixa de resso-

A gravura mostra a posiçlo das vogais /a/, /u/ e 11/. Note-se o fecha
mento do canal bucal na articulaçlo do /u/ e do /i/ com movimento da
cpiglote e elevaçAo da língua em direção ao palato (E. ~iL, Wie
wir h 1

sprec en, 5).
#





nância. O timbre é o traço distintivo das vogais. Na vogal de timbre
aberto a língua se acha baixa: /a/ tônico, /é/, /6/. Na vogal de timbre
fechado a língua se eleva: /é/, /6/, /i/, /u/- A vogal de timbre reduzido
é proferida debilitada, anulando-se a oposição entre aberta e fechada. A
distinção entre abertas e fechadas só se dá nas vogais tônicas e subtônicas;
nas átonas desaparece a diferença entre /6/ e /Ô/, /é/ e /é/, e o /a/
reduzido é proferido com menos nitidez, como se pode depreender com-
parando-se os dois tipos em casa, onde o primeiro é aberto e o segundo,
reduzido. Quase sempre no fim das palavras, as vogais átonas e e o se
enfraquecem e soam, respectivamente, /i/ e /u/('). Assim temos sete
vogais tônicas orais (/a/, /é/, /é/, /i/, /6/, /6/, /u/), cinco vogais átonas
orais (/a/, /e/, /i/, /o/, /u/) e três vogais reduzidas orais (/a/, /i/,
/u/). Também são reduzidas as vogais átonas nasais: antigo, sentar, lim-
peza, combate, fundar(2).

OBSERVA~ftl:

1.a)Não temos no Brasil o a fechado oral tônico dos portugueses como em cada,
para, mas.

2.a)Na pronúncia normal brasileira, as vogais nasais são fechadas ou reduzidas
(estas quando átonas).

d) quanto ao papel das CAVIDADES BUCAL e NASAL as vogais podem
ser orais e nasais. São orais aquelas cuja ressonância se produz na boca.
Há sete vogais tônicas orais (/à/, /é/, /é/, /i/, /6/, /ô/, /u/), cinco orais
átonas, por não haver aqui distinção entre /é/ e /é/, jó/ e /Ô/ (/a/, /e/,
/i/, /o/, /u/) e três reduzidas (/a/, /i/, /0). São nasais as vogais que,
em sua produção, ressoam nas fossas nasais. Há cinco vogais nasais (/à/,
/é/, /!/, /õ/, /ú/): lã, canto, campina, vento, ventania, límpido, vizinhan-
ça, conde, condessa, tunda, pronunciamos.
Quanto ao timbre, as nasais tônicas e subtônicas são fechadas e as
átonas reduzidas.

OBSERVAÇÃO: Na pronúncia normal brasileira soam quase sempre como nasais as
vogais seguidas de m, n e principalmente nh: cama, cana, banha, cena, fina, homem,
Antônio, úmido, unha. Assim não distinguimos as formas verbais terminadas em -amos
e -emos do presente e do pretérito do indicativo: agora cantamos, ontem cantamos;
agora lemos, ontem lemos.

(1) Daí ser possível uma mudança ortográfica do tipo quasi -+ quase; tribu -+ tribo. Mu.
dou-se a letra, mas não o fonema.

(2) Na realidade as reduzidas não estâo cientificamente formuladas pela NGB, e o me-
lhor seria bani-las. Em muitos casos das chamadas reduzidas o que temos na realidade é mu.
dança ou troca de fonema.

34
#





ABERTAS FECHADAS RED

orais orais nasais ora

11) A: pá, caveira, cúlido, pia- -
cidamente ............
2) E:fé,tela,pérola,cafezal

vê, negro,
péssego
avó, povo,
lóbrego, glo-
binho
4) 1: .........li, vida, lí-
rico
5) U: ........luz, tudo,
lúgubre

3) O: pó, voto, glóbulo, for-
tezinho .............

roma, can-
to, lâmpada
lembro,
vento
ponto, tõm-
bola

fim, tinta,
límpido
fundo, cum-
pro

casa

verde

globinho

lápis, júri

vírus

nasais

ímã, canti-
nho
engolir

comprida,
continua

tinteiro

álbum

Elevação da língua: quinto critério para classificação das vogais. -
A Nomenclatura Gramatical Brasileira não levou em conta a elevação
gradual da língua, o que distingue as vogais em: 1 - vogal baixa: /a/;
2 - vogais médias com dois graus de elevação: /é/, /61 e /é/, /6/; 3 -
vogais altas: JiI, /u/. Entre as nasais desaparecem os dois graus de
elevação das vogais médias.

OR A IS(')

u /
#





6/
6
a

Altas

Médias

Baixa

NASAIS

/ a /

1 1 1 11 Altas
é 6 Médias
Baixa

Se não estabelecermos este quinto critério para a classificação das
vogais teremos de por num mesmo plano fonemas diferentes, como 151
e li!/, /E/ e /!/, o que não é correto.
~5, - -
l~i (1) Cf. J. MAT~ CAmAxA, Curso da Língua Pátria, 11, 121.

35
#





QUADRO DA CLASSIFICAÇAO DAS VOGAIS

VOGAIS

anteriores: /é/, /é/, /i/
1) quanto à zona de articulação média: /a/
posteriores: /6/, /6/, /u/
abertas: /a/, /é/, /61
2) quanto ao timbre fechadas: /é/, /ôl, /i/, lu/
reduzidas: /a/, /i/, lu/

orais: /a/, /é/, /é/, /i/, /61, /6/,

4) quanto à intensidade .

5) quanto à elevação da lingua .. {

3) quanto ao papel das cavidades
bucal e nasal .........

/u/
nasais: /âl, /é/, /!/, /õ/, Iral
tônicas
átonas
baixa /a/
médias: /é/, /6/, /é/, /ôl
altas /i/, /u/

Semivoga,is. Encontros vocálicos: ditongos, tritongos e hiatos. -
Chamam-se semivogais as vogais i e u (orais ou nasais)(') quando assi-
lábicas, as quais acompanham a vogal numa mesma sílaba. Os encontros
vocálicos dão origem aos ditongos, tritongos e hiatos. Representamos as
semivogais i (e) por /y/ e u (o) por /w/.
DITONGO é o encontro de uma vogal e de uma semivogal ou vice-versa,
na mesma sílaba: pai., mãe, água, cárie, mágoa, rei.
Sendo a vogal a base da sílaba ou o elemento silábico, é ela o som
vocálico que, no ditongo, se ouve mais distintamente. Nos exemplos dados
são vogais: pAi, mÃe, ágUA, cáriE, MágOA, rEi.
Os ditongos podem ser:
a) crescentes e decrescentes
b) orais e nasais

Crescente é o ditongo em que a semivogal vem antes da vogal: agua
cárie, mágoa.
Decrescente é o ditongo em que a vogal vem antes da semivogal: pai,
mae, rei.

Como as vogais, os ditongos são orais (pai, água, cárie, mágoa, rei
ou nasais (mãe).
Os ditongos nasais são sempre fechados, enquanto os orais podem ser
abertos (pai, céu, rói, idéia) ou fechados (meu, doido, veia).
Nos ditongos nasais são nasais a vogal e a semivogal, mas só se coloca
o til sobre a vogal: mãe.

(1) Em lugar de i ou u, em certos casos, se pode grafar a semivogal e ou o, respectiva.
mente, em observância às convenções do nosso sistema ortográfico vigente.

36
#





L-
~s
LS

21,

in
35
ía,
ai
ci)
ser
:)ca

tiva-

Principais ditongos crescentes:

Orais

Nasais

1) Jya/: glória, pátria, diabo, área, nívea
2) /ye/ (=yi): cárie, calvície
3) /yéJ: dieta
4) Jyo/: vário, médio, áureo, níveo
5) 1 yól: mandioca
6) /y6/: piolho
7) /wa/: água, quase, dual, mágoa, nódoa
8) lwil: lingüiça, tênue
9) Jwó/: qüiproquó
10) /wô/: aquoso
11) /wo/ (= uu): oblíquo
12) /wé/: coelho
13) /wé/: eqüestre. goela
14) /yu/: miúdo (4)

1) /yâJ: criança
2) /wâ/: quando
3) /wê/: freqüente, qüinqüénio, depoente
4) /w11: argüindo, qüinqüênio, moinho

Os principais ditongos decrescentes são:
1) Jay1: pa4 baixo, traidor
2) Jay/ (a fechado e, às vezes, nasalado): faina, paina, andaime
3) /aw/: pau, cacaus, ao
4) JéyJ: réis, coronéis
5) /éy/: lei, jeito, fiquei
6) /éw/: céu, chapéu
7) /éw/: leu, cometeu
8) /iwJ: viu, partiu
9) /óyJ: herói, anzóis
10) JôyJ! boi, foice
11) low/: vou, roubo, estouro
12) JUY1: fui, azuis

Nasais

1) /ãy/: alemães, cãibra
2) 11w/: pão, amaram (= amárâo)
3) 1"1: bem (= bêi), ontem (= ontêi)

(9) Em muitos destes casos pode ser discutivel a existência de ditongos crescentes "por
mer indecisa e variável a sonoridade que se dá ao primeiro fonema. Certo é que tais ditongos
me observam mais facilmente na hodierna pronúncia lusitana do que na brasileira, em que
#





a vogal (= semivogal), embora fraca, costuma entretanto conservar sonoridade bastante sensível"
(5. ALI, Gr4M. SOC., 17).

37
#





4) /õyj: põe, sen6es
5) lúy/: mui (= míli), muito (= milito)
NOTA: Nos ditongos nasais decrescentes Ey, dy (Cf. SOUSA, Trechos, 320, 18, onde
vãs rima com mães) e Jw, a semivogal pode não vir representada na escrita. Escrevemos
a interjeição hem! ou hein t, sendo que, a rigor, a primeira grafia é mais recomendável.

TRITONGO é o encontro de uma vogal entre duas semivogais numa
mesma sílaba. Os tritongos podem ser orais e nasais.

ORAIS

1) /wayj: quais, paraguaio
2) /wey1: enxagüei, averigüeis
3) /wiwl: delinqüiu
4) lwowl. apaziguou
OBsnvAçXo: Nos tritongos nasais l~I e lwélyl a última semivogal pode não vir
,representada graficamente: minguam, enxágüem.

NASAIS

1) /wâwl: minguam, saguão, quão
2) /wéy/: delinqüem, enxágüem
3) jwóyj: saguões

HiATo é o encontro de duas vogais em sílabas diferentes por guar-
darem sua individualidade fonética: salda, caatinga, moinho.
Em português, como em muitas outras Unguas, nota-se uma tendência
para evitar o hiato, através da ditongação ou da crase.

OBSERVAÇõES:
1.a)Desenvolvem-se um jy/ semivogal (chamado em gramática iode) ou jw/ semi.
vogal (chamado vau) nos encontros formados por ditongo decrescente Seguido
de vogal final ou ditongo átono: praia = prai-ia; cheia = chei-ia; tuxaua
tuxau-ua; goiaba = goi-iaba.
2.a)"NOS hiatos cuja primeira vogal for u e cuja segunda vogal for final de vo-
cábulo (seguida ou não de s gráfico), o desenvolvimento do vau variará de
acordo com as necessidades expressionais ou as peculiaridades individuais"('):
nua = nu-a ou nu-ua; recue = re-cu-e ou re-cu-ue; amuo = amu-o ou amu-uo.
3.a)"Os encontros ia, ie, io, ua, ue, uo finais, átonos, ~idos, ou não, de s, classifi-
cam-se quer como ditongos, quer como hiatos, uma vez que ambas as emissões
existem no domínio da Língua Portuguesa: histó-ri-a e histó-ria; sé-ri-e e sé-rie;
pá-ti-o e pá-tio; ár-du-a e ár-dua; tê-nu-e e tê-nue; vá-cu-o e vá-cuo" (2).
4.a) Autores há que também consideram hiato quando se trata de uma vogal e uma
. semivogal, como no caso de goiaba, jóia, etc. Outros consideram dois ditongos.
goi-ia-ba, jói-ia.

Nos encontros vocálicos costumam ocorrer dois fenômenos: a diérese
e a sinérese.
Chama-se DIÉRESE à passagem de semivogal a vogal, transformando,
assim, o ditongo num hiato: trai-çéío = tra-i-çéío; vai-da-de = va-i-da-de;
cai = ca-i.
Chama-se SINÉRESE à passagem de duas vogais de um hiato a - um
ditongo crescente: su-a-ve = sua-ve; pi-e-do-so = pie-do-so; lu-ar = luar.

(1) Normas Para a Língua Falada no Teatro, 485-63.
(2) Nomenclatura Gramatical Brasileira, 16.

38
#zzz





A sinérese é fenÔmeno bem mais freqüente que a diérese. A poesia
antiga dava preferência ao hiatismo, enquanto, a partir do século xvi, se
nota acentuada predomináncia: do ditonguismo (sinérese). É claro que os
poetas modernos continuaram a usar a diérese, mormente como efeito
estilístico-fônico para a ênfase, a idéia de grandeza, etc. No seguinte verso
de Machado de Assis auréola com quatro sílabas acentua o tamanho des-
comunal indicado pela leitura lenta: "Pesa-me esta brilhante auréola de

Classificação das consoantes. - De acordo com a Nomenclatura
Gramatical Brasileira classificam-se as consoantes de acordo com quatro

a) quanto ao modo de articulação;
b) quanto à zona de articulação;
c) quanto ao papel das cordas vocais;

d) quanto ao papel das cavidades bucal e nasal

a) quanto ao MODO DE ARTICULAçÃo as consoantes podem ser oclusivas
e constritivas, e estas se subdividem em fricativas, laterais, vibrantes e
nasais. O obstáculo que, na cavidade bucal, os órgãos impõem à corrente
expiratória pode ser de dois tipos, ou os órgãos da boca estão dispostos
de tal modo que impedem completamente a saída do ar, ou permitem
parcialmente que a corrente expiratória chegue à atmosfera. No primeiro
caso, dizemos que as consoantes são oclusivas; no segundo, constritivas. As
constritivas são fricativas quando a corrente expiratória, passando por
entre os órgãos que formam o obstáculo parcial, produz um atrito à ma-
neira de fricção: /f/, /v/, IsI, IzI, lx/, /j/. São constritivas laterais
quando a passagem da corrente expiratóría, obstruída pela aproximação
do ápice ou dorso da língua aos alvéolos da arcada dentária superior ou
ao palato, escapa pelos lados da cavidade bucal: 11/, /lh/. São constritivas
vibrantes quando o ápice da língua contra os alvéolos ou a raiz da língua
contra o véu do paladar executa movimento vibratório rápido, abrindo e
fechando a passagem à corrente expíratóría: /r/ (simples) e /rrj (múl-
tipla). São constritivas nasais quando, pelo abaixamento do véu palatino
e um abrimento do nasal, as consoantes ressoam nas fossas nasais. Temos
três consoantes nasais: a bilabial /m/, a línguodental /n/ e a palatal Inh/.

b) quanto à ZONA DE ARTicuLAçÃo as consoantes podem ser

1) bilabiais (lábio contra lábio): /p/, /b/, /m/.
2) labiodentais (lábio inferior e arcada dentária superior): /fl, /v/.
3) linguodentais (língua contra arcada dentária superior): /t/, /d/, /n/
4) alveolares (língua em direção ou contra os alvéolos): /s/, /z/, /1/

5) palatais (dorso da língua contra o céu da boca): /x/, /j/. 11h1, jnh/

6) velares (raiz da língua contra o véu do paladar): 1k1, /g
#





OBSERVAÇõES:
1.a)0 /11 inicial da sílaba é nitidamente alveolar, enquanto o final é proferido
relaxado, quase velar, mas tendo-se o cuidado de não fazê-lo igual a u. Nas
ligações com a vogal inicial de outro vocábulo, soa como alveolar.
2.a) O Irrj alveolar pode ser proferido como velar, graças ao maior recuo da língua.
3.a)As linguodentais /tj e /d/ seguidas de i podem palatalizar-se: tinta e digw
podem soar jtxintaj e /djigno/. Evite-se o exagero destas palatalizações.

c) quanto ao papel das CORDAS VOCAIS as consoantes podem ser surdas
e sonoras.

Surdas: /p/, ffi, /ti, /s/, /xl, /k/.
Sonoras: /b/, /v/, jdj, Izi, /j/, /gj, /m/, /n/, jnh/, /I/, /lh/, /r/, jrr/.
São sonoras as consoantes vibrantes, nasais e o ]li lateral.

d) quanto ao papel das CAVIDADES BUCAL e NASAL as consoantes podem
ser orais e nasais. São nasais /m/, /n/, inh/.
As outras são orais.

QUADRO DE CLASSIFICAÇÃO DAS CONSOANTES

surda: /p/
sonora: 1b1

OCLUSIVAS d t surda: /t/
ingito en ais-sonora: /d/
surda: 1k1
sonora: 1g1

bilabiais

velares

CONSOANTES -

fricativas

CONSTRITIVAS

vibrantes (alveolares)

labiodent4is

alveolares

palatais

alveolar: /I/
palatal: /lh/

bilabial: /m/
linguodental: /n/
palatal: /nh/(l)

surda: jf/
sonora: /v1
surda: /s/
sonora, jz1
surda: /x/
sonora: J1
simples: /r/
múltipla: Irrj

(1) Para fugir a uma oposiçâo errónea surdalsonoralnasal, preferimos, ainda com a
aquiescência da NGB, colocar as nasais entre as constritivas. i-lá autores que fazem das nasais
uma classe à parte, ou as põem entre as oclusivas, critérios também defensáveis.
#






40
#





Encontro consonantal. - Assim se chama o seguimento imediato de
duas ou mais consoantes de um mesmo vocábulo. Há encontros conso-
ninticos pertencentes a uma sílaba ou a sílabas diferentes. Os primeiros
terminam por 1 ou r: li-vro, blu-sa, pro-sa, cla-mor; rit-mo, pac-to, af-ta,
ad-mi-tir.
O encontro consonantal /cs/ é representado graficamente pela letra
x: anexo, fixo.
1
São mais raros em nossa língua os seguintes encontros consonânticos
1
4,
existentes em vocábulos eruditos. Estes encontros são separáveis, salvo
os que aparecem no início de vocábulos:

bd: lamb-da
bs: ab-so-lu-to
q: sec-ção
dm: ad-mi-tir
gn: dig-no
mn: mne-mô-ni-co

ft. af-ta
pn: pneu. pneu-mA-ti-co
Ps: psiu
Pt: ap-to
tm: ist-mo
tn: 6t-ni-co

Tais encontros merecem especial cuidado porque, na pronúncia des-
t,
preocupada, tendem a constituir duas sílabas pela intercalação de uma
vogal:

advogado e não adivogado ou adevogado
absoluto e não abissoluto
admirar e não adimirar
alta e não dfita
ritmo e não rítinto
pneu e não Peneu
indigno e não indíguino

O desejo de corrigir o engano leva muitas vezes à omissão de vogal
de certos vocábulos:

adivinhar e não advinha r '
subentender e não subtender

Dígrafo. - Não se há de confundir dígrafo com encontro consonantal.
Dígrafo é o emprego de duas letras para a representação gráfica de uni só
fonema: passo (cf. paço), CHá (cf. xá), maNHã, paLHa, ENviar, MANdar.
Há dígrafos para representar consoantes e vogais nasais('). Os
dígrafos para consoantes são os seguintes, todos inseparáveis, com exceção
de rr e ss, sc, sç, xc:

ch: chá
lh: malha
nh: banha
sc: nascer
sç: nasça

(1) Destas últimas não cogita a NGB.

xc: exceto
rr: carro
ss: passo
qu: quero
#





gu: guerra

41
#





Para as vogais nasais :

am ou an.- campo, canto
em ou en: tempo, vento
im ou in: limbo, lindo
om ou on: ombro, onda
um ou un: tumba, tunda

Letra diacrítica. - É aquela que se junta a outra para lhe dar um
valor fonético especial e constituir um dígrafo. Em português as letras
diacríticas são h, r, s, c, ç, u para os dígrafos consonantais e m, e n para
os dígrafos vocálicos: cHá, carRol Passo, quero, campo, ONda.

OBsERvAçXo: Daí se tiram as seguintes conclusões aplicáveis à análise fonética:
1.a) Não há ditongo em qUero;
2.a) M e n não são fonemas consonánticos nasais em caMpo, oNda, etc.;
3.2) Qu e gu se classificam como 1k1 e /gl, respectivamente.

2 - FONÉTICA EXPRESSIVA

Os fonemas com objetivos simbólicos

Muitas vezes utilizamos os fonemas para melhor evocar certas repre-
sentações.
É deste emprego que surgem as aliterações, as onomatopéias e os
vocábulos expressivos.

Aliteração é a repetição de fonema igual ou parecido para descrever
ou sugerir acusticamente o que temos em mente expressar.
O sossego do vento ou o barulho ensurdecedor do mar ganham maior
vivacidade através da aliteração dos seguintes versos:

"As asas ao sereno e sossegado vento" (utilização do fonema fricativo alveolar sonoro
e surdo).
"Bramindo o negro mar de longe brada" (utilização principal dos fonemas b, r
e d).

Onomatopéia é o emprego de fonema em vocábulo para descrever
acusticamente um objeto pela ação que exprime.
São freqüentes as onomatopéias que traduzem as vozes dos animais e
os sons das coisas:

O tique-taque do relógio, o marulho das ondas, o zunzuna-r da abelha, o arrulhar
dos pombos.

Vocábulo expressivo é o que não imita um ruído, mas sugere a idéia
do ser que se quer designar: romper, Jagarelar, tremeluzir, jururu.

42
#





O TO

AP DICE

Encontros de fonemas que produzem efeito desagradável ao Ouvido. -
Muitas vezes certos encontros de fonemas produzem efeito desagradável
que repugna o ouvido e, por isso, cumpre evitar, sempre que possível.
Esses defeitos são mais perceptíveis nos textos escritos porque a pessoa
que os lé nem sempre faz as pausas e as entonações que o autor utilizou,
com as quais diminui ou até anula os encontros de fonemas que geram
sons desagradáveis.
Entre os efeitos acústicos condenados estão: a colisão, o eco, o hiato,
e a cacofonia.

i , R
-i

Colisão é o encontro de consoantes que produz desagradável efeito
acústico:

"Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
Meu Deus! não seja já" (CASIMIRO DE ABREU, Obras, 73).

Eco é a repetição, com pequeno intervalo, de palavras que terminam
de modo ídéntico:

"Estas palavras subordinam frases em que se exprime condição necessária à real!-
zaoo ou não realização da açáo principal".

Hiato. - O hiato de vogais tônicas toma-se desagradável principal-
mente quando formado pela sucessão de palavras:
Hoje há aula.

?1 Cacofonia ou cacófato é o encontro de sílabas de duas ou mais pa-
k
lavras que forma um novo termo de sentido inconveniente ou ridículo
tin relação ao contexto:

1
*Ora veja como ela está estendendo as mãozinhas inexperientes para a chama das
(CAMILO CASTELO BRANCO, A Queda de um Anjo, 102).

È oportuna a lição de Said Ali:

Ç"Repara-se, hoje, com certo exagero, na cacofónia, resultante da junção da sílaba
li Ç de um vocábulo com a palavra ou parte da palavra imediata. Não se liga,
nor importância à cacofonia quando esta se acha dentro de um mesmo
formada por algumas das suas sílabas componentes. O mal aqui é
ia que expressões não se dispensam, nem se substituem. Muitas vezes,
ia menos ridícula do que a vontade de percebê-la... O estudante evite,
semelhantes combina~ de palavras, assim como quaisquer outras
nascer uns longes de cacofonia, e não se preocupe com descobri-los nos
na
tanto, a me
Meibulo, sendo
~ediável, po
~ a cacofon
e que puder,
e
!~:a=e possam
jutt08% (Gramática Secundária, 306-7.)

4) Ortoepia

Ortoepia é a parte da gramática que trata da correta pronúncia dos
V,
#





Nnemas.

43
#





Preocupa-se não apenas com o conhecimento exato dos valores foné-
ticos dos fonemas que entram na estrutura dos vocábulos, considerados
isoladamente ou ligados na enunciação da frase, mas ainda com o ritmo,
a entoação e expressão convenientes à boa elocução.

Vogais. - Quanto à emissão das vogais, na pronúncia normal brasi-
leira, observemos que:

a) São fechadas as vogais nasais; por isso não distinguimos as formas
verbais terminadas em -amos e -emos do pres. e pret. perf. do indicativo
da 1.a e 2.a conjugações.
b) Soam muitas vezes como nasais as vogais seguidas de m, n e prin-
cipalmente nh: cama, cana, banha, cena, fina, Antônio, unha

OBsERvAçÃo: Sem nasalidade proferem-se as vogais desses e de vários out,os
cábulos: emitir, emisÁrio, eminente, energia, enaltecer, Enaldo, etc.

c) Soam quase sempre como orais as vogais precedidas de m, n ou nh:
mata, nata, companhia, milho. Assim não tem cabimento a pronúncia
nasalada do mas /más/. Entretanto, mui e muito se proferem Jmúi/,
/múito/.

d) Soam igualmente o a artigo, a preposição, a pronome e o a resul-
tante de crase. Não se alonga o à, salvo, muito excepcionalmente, se
houver necessidade imperativa, para a inteligência da frase, caso em que
o resultante da crase poderá ser pronunciado com certa tonícidade e
ênfase" (Normas, 481).

e) São reduzidas as vogais e e o átonas finais, que soam lil e
respectivamente: frente, carro.

f) São oscilantes /e/, /i/, /é/, /1/, /o/, /iu/, /ó/, /ú/ reduzidos pre-
tônicos em numerosos vocábulos, oscilação que corresponde "a uma gra-
duação de freqüência de meio cultural, de nível social ou de tensão
psíquica do indivíduo falante" (Normas, 482): pedir: /pedir/ ou /pidir/;
-estudo: /estudu/ ou /istudu/; sentir: /sentir/ ou /sintir/; costura: /costura/
ou /custura/; compadre: /compadre/ ou /cumpadre/. Neste caso estão
as preposições com e por, que, salvo nas situações enfáticas, devem ser pro.
nunciadas /kú/ e lpur/. Fazem exceção muitos vocábulos eruditos e os
compostos de entre: embriogenia, hendíade, hexágono, entremei . O(1).

g) Em linguagem cuidada, evita-se a oscilação de que anteriormente
se falou, quando tem valor opositivo, isto é, serve para distinguir dois
vocábulos de sentido diferente: eminente / iminente; emigrar / 'migrar;
descrição / discrição.

(1) ANTzNoa NASCENTES, Idioma Nacional, 14.

44
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h) O u depois de g ou q ora é vogal ou semivogal (e aí se profere),
ora é componente de dígrafo (e aí não se pronuncia). Entre outras deve
ser proferido nas seguintes palavras depois do g: agüentar, ambigüidade,
apaziguar, argüição, argüir, bilíngüe, consangüíneo, contigüidade, ensan-
güentado, exigüidade, lingüeta, lingüista, redargüir, sagüi ou sagüim

ungüento, ungÜiforme

Não se deve proferir o u depois do g em: distinguir, exangue, extin-
guir, langue, pingue (= gordo, fértil, rendoso).
É facultativo pronunciá-lo em: antigüidade ou antiguidade; sangüíneo
ou sanguíneo; sangüinário ou sanguinário; sangüinoso ou sanguinoso.
Profere-se o u depois do q em: aqui ' cola, conseqüência, delinqüência
delinqüir, eqüestre, eqüevo, eqüidistante, eqüino (= cavalar), eqüitativo
eqüipolente (também equipolente), freqüência, iniqüidade, loqüela, obli

qüidade, qüercina, qui . ngentésimo,
Tarqüínio, tranqüilo, ubiqüidade.
Não se profere o u, depois do

qüinqüênio, qüiproquó, seqüência

equilíbrio, equinócio, equipar, equiparar, equitação., equ oco, extorquir,
inquérito, inquirir, liquidificador, sequioso, quérulo, questão, quibebe.
É facultativo pronunciá-lo em: antiqüíssimo ou antiquíssimo; equi-
dade ou equidade; eqüivalente ou equivalente; eqüivaler ou equivaler;
liquidação ou liqüidação; liqüidar ou liquidar; líqüido ou líquido; retor-
qüir ou retorquir.
Diz-se quatorze ou catorze, sendo a primeira mais generalizada entre

i) Em muitos vocábulos há dúvidas quanto ao timbre das vogais. Re-
comendamos timbre aberto para o e em: acerbo, Aulete, anelo, badejo,
caterva, cetro, cerne, cervo, coeso, coevo, coleta, cogumelo, confesso, duelo,

destra, espectro, eqüevo, flagelo, ileso, indefesso, medievo,
paredro, prelo, primevo, relho, septo, servo, Tejo, terso.

elmo, obsoleto,

É fechado em: acervo, adrede, alameda, amuleto, anacoreta, bofete,
caminhoneta, cerebelo, cateto, cerda, corbelha, devesa, defeso, escaravelho,
efebo, fechar (e suas formas fecho, fechas, feche, etc.), ginete, grumete,
indefeso, interesse (s.), ledo, lerdo, lampejo, labareda, magneto, pa-
limpsesto, panfleto, pez, quibebe, reses, retreta, Roquete, sobejo, veneta
vereda, vinheta, versalete, vespa, vedeta, verbete, xerez, xepa. As autori-
dades recomendam o timbre fechado em pese (na expressão em que pese
a) e colmeia (mas a pronúncia com timbre aberto é generalizada entre

Tem timbre aberto o o tônico de: canoro, coldre, (de) envolta, dolo
'. forum, hissope, imoto, inodoro, manopla, molho, piloro, probo, suor
1

Tem timbre fechado o o tônico de: aboio, alforje, algoz, boda, bodas
cochicholo, chope, cachopa, choldra, corça, desporto, filantropo, loa, lorpa

Mausolo, misantropo, odre, serôdio, teor, torpe.
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i) Quanto aos ditongos, cumpre notar: ai, ei e ou devem guardar,
na pronúncia cultivada, sua integridade, não se exagerando o valor do
ou u, nem os eliminando, como o faz o povo: caixa, queijo, ouro.
Soa como ditongo nasal ão a sílaba átona final -am: amam.
Soam como ditongo nasal 6 as sílabas -em, -ém, -en, -ens de muitos
vocábulos: bem, vem; vintém, ninguém; vens, homens; armazéns, parabéns.
Normalmente ditongamos, pelo acréscimo de um i, as vogais tônicas
finais seguidas de -z ou -s. Assim não fazemos a diferença entre pás., paz
e país; más e mais; rapaz e jamais; vãs e mães. Os poetas brasileiros nos
dão bons exemplos destas ditongações,
Só por imitação dos poetas lusitanos (porque dizem téíy), entre os bra-
sileiros, a rima tem e mãe aparece às vezes, como em Casimiro de Abreu:

"O país estrangeiro mais belezas
Do que a pátria, não tem;
E este mundo não val um só dos beijos
Tão doces duma mãe." (Obras, ed. S. DA SILVEiRA, 73)

1) Quanto aos hiatos observemos que se desenvolve um i ou u semi-
vogais nos encontros formados por ditongo decrescente seguido de vogal
final ou ditongo átono: praia prai-ia; tuxaua tuxau-ua; goiaba goi-iaba;
bóiem bói-icm (cf. Normas, 486).
O mesmo desenvolvimento das referidas semivogais nos hiatos cuja
primeira vogal seja i ou u tônicos e cuja segunda vogal seja final de vocá-
bulo, "variará de acordo com as necessidades expressionais ou as peculia-
ridades individuais" (Normas, 485-6): via: vi-a ou vi-ia; lu-a: lu-a ou lu-ua.

Consoantes. - Soam levemente as consoantes b, c, d, g, s, t quando
finais de vocábulos- sob, Moab, Isaac, Cid, Uf, Gog, fórceps, Garrett.
Nos vocábulos eruditos as terminações átonas -ar, -er, -en, -ex e -on
devem guardar sua integridade em pronúncia: atj6far, esfíncter, índex,
cólon,
O 1 final de sílaba é proferido relaxado, quase velar, mas tendo-se o
cuidado de não fazè-lo igual a u: nacional.
Na palavra sublinhar e derivados o 1 deve ser pronunciado separa
mente do b.
O -r múltiplo alveolar pode ser proferido como velar, graças ao mai
recuo da língua, e até com articulação dorso-uvular (portanto mais carre.
gado ainda), embora as Normas não a recomendem na pronúncia cui.
dada: mar, avermelhar. Nas palavras ab-rupto, ab-rogar, ad-rogar, su
rogar, e derivados, o r deve ser pronunciado múltiplo -e separado, isto
sem fazer grupo com a consoante anterior.
O m final pode guardar sua integridade de pronúncia, não nas
zando o e anterior, no vocábulo totem, admitindo a grafia tóteme.

46
#





bem-amado e bem-aventurado, nasaliza o e anterior, e não se liga ao a
seguinte.
As linguodentais d e t, seguidas de i, podem palatizar-se, evitando-se,
entretanto, o exagero (articulação africada linguopalatal): dia, tia.
O s soa aproximadamente como se fora i, inas sem exagero, antes de
b, d, g, i, 1, m, r e v: desjejum, deslizar, esmo, asno, esbarrar, esdrúxulo,
engastar, desregrar, desvão. Como bem acentua o Prof. Antenor Nascen-
tes('), em outros pontos do país o s, nestes casos, soa aproximadamente
como /Z/.
Antes de c, f, p, q, t, x e ainda no fim de vocábulo que não se ligue
ao seguinte, o s tem som próximo de /x/: descampado, esfregar, respeito,
esquivo, deste, desxadrezar. Em outros pontos do país, segundo o mestre
anteriormente citado, o s nestas circunstáncias é sibilante, como na
palavra selva.
Tem o som de /z/ entre vogais nos compostos do prefixo trans
(transatlântico, transação, transitivo, etc.) e na palavra obséquio e deri-
vados. Em transe (que se grafa também trance), subsídio, subsidiar,
subsistir, subsistência e outros da mesma família, o s pode soar como
sibilante (como em selva) ou como jzj. Se o elemento a que se prefixa
trans- começa por s, não se up ica esta consoante, que será proferi a
como sibilante: Transilvânia e derivados, transiberiano. No final -simo
(de vigésimo, trigésimo, etc.) soa como jzj.
Escrevendo-se aritmética (com t), é mais usual proferir esta consoante.
Pode-se ainda grafar arimética.
X tem quatro valores: 1) fricativo palatal como em xarope; 2) frica-
tivo alveolar sonoro como em exame; 3) fricativo alveolar surdo (= ss)
como em auxílio; 4) vale por /ks/ e /kz/ como em anexo e hexámetro.
X soa /z/ nas palavras: exação, exagero, exalar, exaltar, exame,
exangue, exarar, exasperar, exato, exautorar, executar, exegese, exegeta,
exemplo, exéquias, exeqüível, exercer, exercício, exército, exaurir, exibir,
exigir, exilar, exílio, exímio, existir, êxito, éxodo, exógeno, exonerar, exo-
w, exorbitar, exorcismo, exórdio, exornar, exótico, exuberar, exuberante,
exultar, exumar, inexordvel.
Soa como /s/ em: auxílio, máxima, Maximiliano, Maximino, máximo,
Ípróximo, sintaxe, trouxe, trouxeram, trouxer.
Soa como jks/ ou /kz/, conforme o caso, em: afluxo, anexo, axila,
Áxis, axiômetro, complexo, convexo, crucifixo, doxologia, fixo, flexão,
fluxo, hexãmetro (também soa como /z/), hexaedro, hexágono (também
wa como ffi), hexassílabo, índex, intoxicar, léxico, maxilar, nexo, máxime,
~Mix, ortodoxo, óxido, prolixo, oxigênio, paradoxo, reflexo, sexagendrio,
1 , sexagésimo, sexo, silex, tórax, tóxico.

Nr (1) Idioma Nacional, 27.
Í

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É proferido indiferentemente como /ks/ ou /s/ em: apoplexia, axioma
e defluxo.
Vale por /s/ no final de: cálix, Félix, fênix e na locução adverbial
a flux.
O z em fim de palavra que não se ligue à seguinte, soa levemente
chiado: luz, conduz.
Entre os casos particulares, são de notar:

· ch em Anchieta e derivados soa chiado;
· cz de czar (que também pode se escrever tzar) deve ser proferido como
/ts/; o lh de Alhambra não constitui dígrafo como em malha; deve-se
proferir o vocábulo como se não houvesse o h;
o w do nome Darwin e dos derivados (darwinismo, darwinista, etc.) soa
como /ul.

Sc e xc soam como /s/ em palavras como nascer, descer, crescer, exce-
lência, exceto, excelso.
Os encontros consonânticos devem ser pronunciados com valores foné-
ticos próprios, sem intercalação de e ou i: pseudônimo, pneumático,
mnemônico apto, elipse, absoluto, admissão, adjetivo, ritmo, afta, indigno,
recepção, advogado, accessível (ao lado de acessível), secção (ao lado
de seção).

Ligação dos vocábulos. - Cuidado especial merece a boa articulação
dos fonemas, mormente finais e iniciais, na seqüência dos vocábulos com
que nos comunicamos com os nossos semelhantes, desde que uma pausa
não os separe.
a) VOGAIS OU DITONGOS FINAIS DE VOCÁBULO COM VOCAIS OU DITONGOS
INICIAIS DE VOCÁBULO.

Quando a palavra termina por vogal tônica e o vocábulo Seguinte
começa com vogal ou ditongo tônicos, nbrInalmente se respeita o hiato
interverbal: ali há, lá houve, li ontem.
Se a vogal final é tônica e o vocábulo seguinte começa por vogal ou
ditongo átonos, proferimos normalmente o hiato; mas pode ocorrer, muitas
vezes, a ditongação se a vogal átona for i ou e ou u ou o:

segui aquela; já ouvi; lá ironizei; vê umedecer.

OBSERVAÇÃO: Evita-se a ditongaçáo quando daí resultar uma seqüência de sílabas
tônicas: boné usado, 1d iremos.

Se a vogal final é átona e o vocábulo seguinte começa por vogal tônica,
normalmente se respeita o hiato: essa hora, terreno árido.
Neste caso pode ainda ocorrer a fusão (crase) das duas vogais
forem idênticas (essa fusão produz certo alongamento da vogal indic

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aqui pelo mácronou a ditongação, se a vogal átona final for i, e
ou U, o:
terra árida: ter/ra/á/rida ou ter/rã/ri/da
esse ano: es/se/a/no ou es/sea/no.

OBSERVAÇXO: Chama-se crase a fusão de dois ou mais sons iguais num só.

Se a vogal final e a inicial do vocábulo seguinte são átonas, pode
ocorrer hiato, ditongo, crase ou elisão.

OBSERVAÇÃO: Elisão é o desaparecimento de uma vogal final átona em virtude do
contacto com a vogal inicial do vocábulo seguinte.

1)haverá hiato, fusão ou elisão se a vogal átona final for a e a inicial
for a ou à:

hiato. ca/sa/a/ma/rella
casa amarela { clrlase:' ca/sã/ma/re/la
elisào: ca/sa/ma/re/la

hiato: calsa/ari/te/rijor
casa anterior { crase: ca/sãn/te/ri/or
elisão: calsanIte/ri/or

2)haverá hiato ou elisão se a vogal átona final for a e a vogal inicial
e, 2, O, 6:

roda esportiva hiato: ro/dales/porIti/va
{ eliséio: roldes/por/tilva
porta entreaberta hiato: por/ ta/en/ trea/ber/ ta
{ elisào: por/tenltrea/ber/ta

haverá hiato, ditongo ou elisão se a vogal átona final for a e a inicial
i (e), í (é), v (o), u (õ):
hiato: cer/ta/ilda/de
certa idade ditongo: cer/tai/dalde
{ elisão: cer/ti/da/de
hiato: cerlta/in/di/fe/ren/ça
certa indiferença ditongo: cer/tain/di/fe/ren/ça
elisdo: cerltin/di/fe/renlça

4)haverá hiato ou ditongo se a vogal átona final for i (e) e a inicial
qualquer uma, exceto i (e):

júri arnik-;v hiato: Ju/rija/milgo
ditongo: ju/ria/milgo

livre arbítrio hiato: li/vre/arlbí/ trio
{ ditongo: li/vriar/bí/ trio

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5) haverá hiato, crase ou elisão se a vogal átona final for
inicial i (e) ou i (é):

hiato- lilvre/imfpren/sa
livre imprensa cr se: li/vrln/pren/sa
{ cissão': lilvrinlprenlsa

i (e) e a

6) haverá hiato, ditongo ou elisão se a vogal átona final for u (o u):

hiato: sari/to/Aríltó/nio
Santo Antônio ditongo: sanltoanltôlnio
elisdo: san/tan/tólnio
medo horrível hiato: meldolhorIrílvel
{ ditongo: me/duorIrílvel

7) haverá hiato, crase ou elisão se a vogal final for u (o) e a inicial u:

OBSERVA96ES:

umano {hiato: ve/lholhulma/no
velho h crase: ve/lhú/ma/no
elisão: ve/lhulma/no
hiato: a/vilso/urlgenlte
1
aviso urgente { crase: alvilsúr/gen/te
elisão: alvi/surIgen/te

1.a)Ocorrem os fenômenos acima apontados com os vocábulos iniciados por di-
tongos decrescentes, por iniciar por vogal. Em vez de ditongo, teremos tritongo.

hiato., jei/to/ai/ro/so
jeito airoso (cf. 6) tritongo: jei/tuailrolso
{ elisgo: jei/tai/ro/so

2.a)A preposição para pode reduzir-se a pra (e não p'ra), hoje usada até entre
literatos. Esta forma quando seguida do artigo ou pronome o, a, os, as e com
ele combinada, é grafada respectivamente pro, pra (para a), Pros, pras.
3.11) Pelo se reduz a pio (mais comum em Portugal), forma que, combina a com o
artigo ou pronome o, a, os, as, é grafada pio, pia, pios, pias. Entre portu- 1
gueses ouve-se ainda pro e pros com o aberto.
4.a)A preposição com pode ter a nasalidade enfraquecida e combinar-se com o, a,
os, as, dando origem às formas co, ca, cos, cas, empregadas mais com freqüência
na linguagem familiar e vulgar, de Portugal. É o que se chama ectlipse.

b) CONSOANTE FINAL DE VOCÁBULO COM FONEMA INICIAL DE VOCÁBULO.

A consoante final de uma palavra seguida de vogal inicial (ou semi-
vogal), sem pausa intermediária, deve ser Proferida como se fosse inter-
vocdlica, isto é, liga-se a uma vogal obedecendo às normas id estabelecidas:

"De um sentir aventurado"

"É talvez a voz mimosa"
1---,
"Gentil infante, engraçado"

"Que dás honra e valor"
1_~

50
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A consoante final b (em sob, por exemplo) seguida de outra consoante
inicial deve ser proferida sem aparecimento de um i ou e intermédio:
Sob luzes d'esperança
Sob fúria.

Se o vocábulo seguinte começa por vogal (ou senEvogal), pode o b
final ligar-se silabicamente a ela ou direta ou com apoio de i ou e (redu-
zido), o que é mais comum entre nós:

Sob os céus (ao-bos-céw ou ao-bios-céus).

Quando a consoante que termina o vocábulo é igual à que inicia o
vocábulo seguinte (o que ocorre com 1 ou r), ouvem-se os dois fonemas:

Incrível ldbia (in-cri-vel-lá-bia)
Temor repentino (te-mor-re-pen-ti-no).

O s final soa aproximadamente como se fora J/, mas sem exagero,
era ligação com vocábulo iniciado por b, d, g, i, 1, m, n, r, v e z, ouvindo-se
os dois fonemas:

os braços, os dedos, as gengivas, dois jeitos, as luzes, os meninos, as nuvens, os
ventos, os zumbidos.

O s final soa aproximadamente como se fora /x/, mas sem exagero,
em ligação com vocábulo iniciado por c., p, q, s, t, x e ch, ouvindo-se os
dois fonemas:

três cadernos, os felizes, as pessoas, as queixas,
as secas, os tempos, os xaropes, os chás.

As consoantes x e z finais são tratadas como /s/ final, nas ligações:

faz medo (z = j), faz calor (z = x).

O n final de vocábulo, como cánon, íon, cíclotron, deve ser proferido
sem nasalizar fortemente a vogal anterior, conforme vimos; nas ligações
com outro vocábulo, guarda este valor quando é seguido de consoante:
cdnon bíblico.
Seguido de vogal (ou setnivogal) liga-se silabicamente a esta, como
se fosse inicial de sílaba: cânon antigo.
't O m final de bem-aventurado, bem-amado e semelhantes nasaliza a
~, vogal anterior, não se ligando à seguinte, como se fosse inicial de sílaba.
Quando o artigo indefinido ou numeral uma é seguido de vocábulo
começando por m não se deve proferir o m, soando, portanto, úa, forma
com que, às vezes, aparece grafado (evite-se a forma u'a):

uma mensagem, uma mão.
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C) Prosódia

Prosódia é a parte da fonética que trata da correta acentuação e
entoação dos fonemas.
A preocupaçãj maior da prosódia é o conhecimento da sílaba predo-
minante, chamada tônica.

Sílaba. - Sílaba é um fonema ou grupo de fonemas emitido num só
impulso expiratório.
Em português, o elemento essencial da sílaba é a vogal.
Quanto à sua constituição, a sílaba pode ser simples ou composta, e
esta última aberta (ou livre) ou fechada (ou travada).
Diz-se que a sílaba é simples quando é constituída apenas por uma
vogal: e, há.
Sílaba composta é a que encerra mais de um fonema: ar (vogal +
consoante), lei (consoante + vogal + semivogal), vi (consoante + vogal),
ou (vogal + semivogal), mas (consoante + vogal + consoante).
A sílaba composta é aberta (ou livre) se termina em vogal: vi; é
fechada (ou travada) em caso contrário, incluindo-se a vogal nasal, porque
nasalidade vale por um travamento de sílaba: ar, lei, ou, mas, um.
Quanto ao número de sílabas dividem-se os vocábulos em:

a) monossílabos (se têm uma sílaba): é, há, mar, de, dê;
b) dissílabos (se têm duas sílabas): casa, amor, darás, voce;
c) trissílabos (se têm três sílabas): cadeira, átomo, rápido, cômodo;
d)polissílabos (se têm mais de três sílabas): fonética, satisfeito, cama-
radagem, inconvenientemente.

Quanto à posição, a sílaba pode ser inicial, medial e final, conforme
apareça no início, no interior ou no, final do vocábulo:

10 né ti ca
inicial niedial niedial final

Quantidade. - Quantidade é a duração da vogal e da'consoante.
Dátinguem-se as vogais e consoantes breves (se a pronúncia é rápida) das
vogais e consoantes longas (se a pronúncia é demorada). Assinalamos a
vogal breve com o sinal ---que se denomina braquia ou brdquia, e a longa
com o sinal - chamado mácron: à (a breve), à (a longo).
Há línguas onde a quantidade desempenha importante papel, para
distinguir vocábulos e formas gramaticais, como em latim, em inglês ou
alemão. Em latim, rosã (com a breve) não tem o mesmo sentido e ap i-
cação gramatical de rosã (com a longo), distinguindo-se, pela quantidade,

52
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1,

1 i:

à

i t

o nominativo do ablativo, por exemplo. "Em inglês xíp e xíp (que se
escrevem ship e sheep) significam, respectivamente, navio e carneiro"(').
Em português, a quantidade é pouco sentida e não exerce notável
papel na caracterização e distinção dos vocábulos e formas gramaticais.
Só excepcionalmente alongamos vogais e consoantes, como recursos estilís-
ticos para imprimir ênfase, e constitui um dos grandes auxiliares da
oratória:

"Se pudéssemos, nós que temos experiência da vida, abrir os olhos dessas maripo-
sinhas tontas... Mas é inútil. Encasqueta-se-lhes na cabeça que o amor, o amoor, o
1 amooor é tudo na vida, e adeus" (MONTEnto LOBATO, Cidades Mortas, 147).
BARbaridade!

Acentuação é o modo de proferir um som ou grupo de sons com
mais relevo do que outros.
Este relevo se denomina acento. Diz-se que o acento é de intensidade
(acento de força, acento dinâmico, acento expiratório ou icto), quando o
relevo consiste no maior esforço expiratório. Diz-se que o acento é musical
(acento de altura ou tom), quando o relevo consiste na elevação ou maior
altura da voz.
O português e as demais línguas românicas, o inglês, o alemão, são
línguas de_ acento de intensidade; o latim e o grego, por outro lado, pos-
suem acento musical.
O acento de intensidade se manifesta no vocábulo conside,~ado isola-
damente (acento vocabular) ou ligado na enunciação da frase (acento
frásico).

Acento de intensidade. - Numa palavra nem todas as sílabas são
proferidas com a mesma intensidade. Em sólida, barro, poderoso, material,
há uma sílaba que se sobressai às demais e, por isso, se chama tônica:
sólida, barro, poderoso, material. As outras sílabas se dizem átonas e
podem estar antes (pretônicas) ou depois (postônicas) da tônica:

Po -
átona
pretônica

de - ro so
átona tônica átona
pretônica postônica

Dizemos que nas sílabas fortes repousa o acento tônico do vocábulo
(acento da palavra ou acento vocabular).
Existem ainda as sílabas semifortes chamadas subtônicas que, por
questões rítmicas, compensam o seu afastamento da sílaba tônica, fazendo
que se desenvolva um novo acento de menor intensidade - acento secun-
dário -. Delas nos ocuparemos mais adiante.

Posição do acento tônico. - Em português, quanto à posição do
acento tônico, os vocábulos de duas ou mais sílabas podem ser:

(1) SAID ALI, Gram. Sec., 15.

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a)oxítonos: o acento tônico recai na última sílaba: material,
princ~
b)paroxítonos: o acento recai na penúltima sílaba: barro, Poderoso,
Pedro;
C) proparoxítonos: o acento tônico recai na antepenúltima sílaba:
sólida, felicíssimo.

OBURVAÇõES: Em estu~amo-lo o acento tônico aparece na pré-antepenúltima
sílaba, porque os monossílabos átonos formam um todo com o vocábulo a que se ligam
foneticamente. É por isso que fd-lo é paroxítono e admiras-te, proparoxftono (cf.
pág. 55).

Em português, geralmente a sílaba tônica coincide com a sílaba tônica
da palavra latina de que se origina.
Há vocábulos, como os que vimos até agora, que têm individualidade
fonética e, portanto, acento próprio, ao lado de outros sem essa individua-
lidade. Ao serem proferidos acostam-se ou ao vocábulo que vem antes ou
ao que os seguei Por isso, são chamados cliticos (que se inclinam), e serão
proclíticos se se inclinam para o vocábulo seguinte (o homem, eu sei, vai
ver, mar alto, não viu) ou enclíticos, se para o vocábulo anterior (vejo-me,
dou-a, fiz-lhe).
Os cliticos são geralmente monossilábicos que, por não terem acento
próprio, também se dizem átonos. Os monossilábicos de individuali a e
fonética se chamam t6nicos.
Alguns dissílabos podem ser também clíficos ou átonos: para (redu-
zido a pra) ver, quero Crer, quero porque quero.
A tonicidade ou atonicidade de monossilabos e de alguns dissílabos
depende sempre do acento da frase (cf. pág. 55).

Acento de intensidade e sentido do vocábulo. - O acento de inten-
sidade desempenha importante papel lingüístico, decisivo para a signifi-
cação do vocábulo. Assim, sábia é adjetivo sinônimo de erudita; sabia é
forma do pret. imperfeito do indicativo do verbo saber; sabiá é substan-
tivo designativo de conhecido pássaro.

Acento principal e acento secundário. - Em rapidamente a sílaba
ra possui um acento de intensidade menos forte que o da sílaba men, e se
ouve mais distintamente do que as átonas existentes na palavra. Dizemos
que a sílaba men contém o acento principal e ra o acento secundário da
palavra. A sílaba em que recai o acento secundário chama-se, como vimos,
subt6nica.
Geralmente ocorre o acento secundário na sílaba radical dos vocábulos
polissilábicos derivados, cujos primitivos possuam acento principal: RÁpido
- rapidamente.

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Acento de insãténcia e emocional. - O português também faz em-
prego do acento de intensidade para obter, com o chamado acento de
insistência, notáveis efeitos. Entra em jogo ainda a quantidade da vogal
e da consoante, pois, quando se quer enfatizar uma palavra, insiste-se
mais demoradamente na sílaba tônica. Os escritores costumam indicar na
grafia este alongamento enfático repetindo a vogal da sílaba tônica:

"Os dois garotos, porém, esperneiam com a mudança de mie: - Mentira 1...
Mentiiiiira!... Mentiiiiiiiiiira! - bem cada um para seu lado" (HUMBERTO DE CAMPOS,
Sombras que Sofrem, 32).
"encasqueta-se-lhes na cabeça que o amor, o amoor, o amooor é tudo na vida e
adeus" (MoNmuRo LoBATo, Cidades Mortas, 147).

O acento de insistência pode cair noutra sílaba, diferente da tônica:

maravilhosa, formidável, inteligente, miserável.

Como bem acentua Roudet, a causa essencial do fenômeno dó recuo
do acento "parece ser a falta de sincronismo entre a emoção e sua expres-
são através da linguagem. A emoção se adianta à palavra e reforça a voz
desde que as condições fonéticas o permitem" (1).
Este acento de insistência não tem apenas caráter emocional; adquire
valor intelectual e ocorre ainda para ressaltar uma distinção, principal-
mente com palavras derivadas por prefixação ou expressões com prepo-
sições de sentidos opostos.

São fatos subjetivos e não objetivos.
Os problemas de importação e de exportação.
Com dinheiro ou sem dinheiro.

Acento de intensidade na frase. - Isoladas, as palavras regulam sua
sílaba tônica pela etimologia; mas na sucessão de vocábulos, deixa de
prevalecer o acento da palavra para entrar em cena o acento da frase ou
frásico, pertencente a cada grupo de força.
Chama-se grupo de força à sucessão de dois ou mais vocábulos que
constituem um conjunto fonético subordinado a um acento tônico predo-
minante: A casa de Pedrol é muito grande. Notamos aqui, naturalmente,
dois grupos de força que se acham indicados por barra. No primeiro, as
palavras a e de se incorporam a casa e Pedro, ficando o conjunto subor-
dinado a um acento principal na sílaba inicial de Pedro, e um acento
secundário na sílaba inicial de casa. No segundo grupo de força, as pala-
vras é e muito se incorporam foneticamente a grande, ficando o conjunto
subordinado a um acento principal na sílaba inicial de grande e outro
secundário, mais fraco, na sílaba inicial de muito.

(1) AMments de Phondtique Gdnirale~ 252.

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É quase sempre fácil determinar a sílaba tônica de cada grupo de
força; o difícil é precisar, em certos casos, o ponto de divisão entre dois
grupos sucessivos(').
A distribuição dos grupos de força e a alternância de sílabas profe-
ridas mais rápidas ou mais demoradas, mais fracas ou mais fortes, conforme
o que temos em mente expressar, determinam certa cadência do contexto
à qual chamamos ritmo. Prosa e verso possuem ritmo. No verso o ritmo
é essencial e específico; na prosa apresenta-se livre, variando pela iniciativa
de quem fala ou escreve (2).

Vocábulos tônicos e átonos: os clíticos. - Nestes grupos de força
certos vocábulos perdem seu acento próprio para unir-se a outro que os
segue ou que os precede. Dizemos que tais vocábulos são clíticos (que se
inclinam) ou átonos (porque se acham destituídos de seu acento voca-
bulgr). Aquele vocábulo que, no grupo de força, mantém sua individua-
lidade fonética é chamado tônico. Ao conjunto se dá o nome de vocábulo
fonético: o rei lurrey/; deve estar Idevistarj.
Os clíticos se dizem proclíticos se precedem o vocábulo tônico a que
se incorporam para constituir o grupo de força:

o reill ele dissell bom livro11 deve estar

Dizem-se enclíticos se vêm depois do vocábulo tônico:

disse-me // ei-lo // falar-lhe

Em português são geralmente átonas e proclíticas as seguintes classes
de vocábulos:

1) artigos (definidos ou indefinidos, combinados ou não com preposição):
o homem // um homem do livro
2) certos numerais: um livro três vezes // cem homens // etc.
3) pronomes adjuntos antepostos (demonstrativos, possessivos, indefinidos, interroga-
tivos): este livro 11 meu livro 11 cada dia // que fazer?
4) pronomes pessoais antepostos: ele vem 111 eu disse
5) pronomes relativos
6) verbos auxiliares
7) certos advérbios (já vi, não posso, etc.)
8) certas preposições (a, de, em, com, por, sem, sob, para)
9) certas conjunções: e, nem, ou, mas, que, se, como, etc.

São enclíticas as formas pronominais me, te, se, nos, vos, o, a, os, as,
lhe, lhes, quando pospostas ao vocábulo tônico.

(1) NAvARiRo TomÁs, Manual de Pronunciacidn EspatIola, 29, n. 1.
(2) Na língua portuguesa moderna predomina a seqüência progressiva, que consiste em
apresentar, de preferéncia, a OeclaraçAo no fim (o predicado), o determinado antes do deer.
minante, o que se torna cÔmodo aos interesses de compreensão do interlocutor.

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Muitas vezes, uma palavra pode ser átona ou tônica, conforme sua
posição no grupo de força a que pertence. Em o arco desaparece, o subi-
tantivo arco é tônico; em o arco-íris('), passou a átono proclítico.
Em grande homem, alto mar, os adjetivos são átonos; em homem
grande, mar alto, já são os substantivos que se atonizam. Em eu lhe disse,
os dois pronomes pessoais são átonos proclíticos; em disse-lhe eu, o pro-
nome eu conserva seu acento próprio. Todo este conjunto de fatos são
devidos a fenômenos de fonética sintática.

Conseqüências da próclise. - Os vocábulos átonos proclíticos, per-
dendo o seu acento próprio para se subordinarem ao do tônico, seguinte,
resistem menos à pressa com que são proferidos. e acabam por sofrer
reduções no seu volume fonético. Dentre os numerosos exemplos de pró-
clise lembraremos aqui:

a)a passagem de hiato a ditongo, em virtude de uma vogal passar a
semivogal (sinérese):

Tuas, normalmente dissilábico, tem de ser proferido com uma sílaba
nos seguintes versos de Gonçalves Dias, graças à próclise:
"E à noite, quando o céu é puro e limpo,
Teu chão tinges de azul, - tuas ondas correm."

Boa (ou boas), em próclise, transforma a vogal o em semivogal, que
chega, na língua popular, a desaparecer:
"Outros suas terras em boa paz regeram
Armando-as com boas leis, e bons Preceitos." (ANTÔNio ~UtA, Poemas);
"bas noite nhozinho" (CARDOSO, Maleita, 281) (2).

b) desaparecimento da vogal da primeira sílaba de um dissílado;
para > pra: Isto é pra mim.

C) desaparecimento da sílaba final de um dissílabo:
1) santo > são (diante dos nomes começados por consoante), São Paulo, São Pedro;
2) cento > cem: cem páginas;
3) grande > grã, grão: Grã-Bretanha, grão-vizir;
4) tanto > tão: tio grande;
5) quanto > quão: quão belo.

d) outras reduções como senhor > seu: seu João.

Vocábulos que oferecem dúvidas quanto à posição da sílaba tônica.
- Silabada é o erro na acentuação tônica de um vocábulo.

(1) Por isso, nos compostos, para determinaçâo da posição do acento tônico, leva-se em
consideração a última palavra. Dessarte, é oxitono couve-flor e paroxItono arco-íris.
(2) Exemplos extraidos de SOUSA DA SILVEIRA, Fonética Sintática, 97-98.

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Numerosos vocábulos existem que oferecem dúvida quanto à posição
da sílaba tônica.

São oxítonos:

São paroxítonos:

alanos
alcácer, alcáçar
algaravia
âmbar
Andronico
arcediago
arrátel
avaro
avito
aziago
azimute
barbaria
batavo
cânon
caracteres
cenobita
clímax
croniossomo
decano
edito (lei, decreto)

alo6s
Cister
harkm
Gibraltar
masseter
faz-se mister ( =necessário)
Monroe

erudito
esquilo
estalido
exegese
filantropo
flébil
fluido (ui ditongo)
fórceps
fortuito (ui ditongo)
gólflo
gratuito (ui ditongo)
gúmex
hissope
hosana
Hungria
ibero
impío (cruel)
inaudito
índex
látex

Nobel
novel
recém
refém
ruim
sutil
ureter

Madagáscar (também
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oxítono)
maquinaria
matula (súcia; famel)
misantropo
necropsia
néctar
nenúfar
Normandia
onagro
opimo
pegada
policromo
pudico
quiromancia
refrega
sótIO
subida honra
tulipa

São proparoxítonos (incluindo-se os vocábulos terminados por ditongo
crescente):

acônito Androcies barbárie
ádvena andrógino bátega
acródromo anélito bávaro
aerólito anémona bígamo
ágape anódino bímano
álacre antídoto boémia
álcali antifona bólido
álcool antífrase bràmane
alclone ápode cáfila
alcoólatra areópago cérbero
alibi (latinismo) aríeteCleópatra.
alvíssaras arquétipo condómino
âmago autóctone cotilêdone
amálgama ávido crástino
ambrósia azáfama crisântemo
anátema azêrnola Dámocles

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escâncaras (às
estratégia
etfope
éxodo
fac-símile
fagócito
faràndula
férula
fíbula.
gárrulo
grandíloquo

acróbata
alópata
anídrido
hieróglifo
nefelíbata.
Oceánia
ortoépia
projétil
réptil
reseda (é)
sóror
Dário
Gándavo
homília
geodésia
zángáo

acrobata
alopata
anidrido
hieroglifo,
nefelibata
Oceania
ortoepia
projetil
reptil
resedi
soror
Dario
Gandavo
homilia
geodesia
zanglo

pântano
páramo,
Pégaso
périplo
pléiade (-a)
prístino
prófugo
pródromo
protótipo
quadrúmano
réquiem
resffilego (s.)
revérbero,

1) O alfabeto português consta fundamentalmente de vinte e três letras:

2) Além dessas letras há três que só se podem usar em casos especiais: k, w, y.

3) O h é substituído por qu antes de e e i e por e antes de outra qualquer
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4) Emprega-se em abreviaturas e símbolos, bem como em palavras estrangeiras
de uso internacional: K. = potássio; Kr. = criptônio; kg = quilograma; km = qui-
lômetro; Àw = quilowatt; kwh = quilowatt-hora, etc.
5) Os derivados portugueses de nomes próprios estrangeiros devem escrever-se
de acordo com as formas primitivas: frankliniano, kantismo, kleperiano, perkinismo, etc.
6) O w substitui-se, em palavras portuguesas ou aportuguesadas, por u ou v,
conforme o seu valor fonético: sanduíche, talvegue, visigodo, etc.
7) Como símbolo e abreviatura, usa-se em kw = quilowatt; W = oeste ou
tungstênio; w = watt; ws = watt-segundo, etc.
8) Nos derivados vernáculos de nomes próprios estrangeiros, cumpre adotar as
formas que estão em harmonia com a primitiva: darwinismo, wagneriano, zwin-
glianista, etc.
9) o y, que é substituído pelo i, ainda se emprega em abreviaturas e como
símbolo de alguns termos técnicos e científicos: Y. = ítrio; yd = jarda, etc.

10) Nos derivados de nomes próprios estrangeiros, devem usar-se as formas que
se acham de conformidade com a primitiva: byroniano, maynardina, taylorista, etc.

III - H

11) Esta letra não é propriamente consoante, mas um símbolo que, em razão
da etimologia e da tradição escrita do nosso idioma, se conserva no princípio de
várias palavras e no fim de algumas interjeições: haver, hélice, hidrogênio, hóstia,
humildade; hão, hem ? puh !; etc.
12) No interior do vocábulo, só se emprega em dois casos: quando faz parte do
ch, do lh e do nh, que representam fonemas palatais, e nos compostos em que o
segundo elemento, com h inicial etimológico, se une ao primeiro por meio do hífen:
chave, malho, rebanho; anti-higiênico, contra-haste, pré-histórico, sobre-humano, etc.
OBSERVAÇÃO: Nos compostos sem hífen, elimina-se o h do segundo elemento: anarmônico,
biebdomaddrio, coonestar, desarmonia, exausto, inabilitar, lobisomem, reaver, etc.

13) No futuro do indicativo e no condicional, não se usa o h no último elemento,
quando há pronome intercalado: amá-lo-ei, dir-se-ia, etc.

14) Quando a etimologia o não justifica, não se emprega: arpeio (substantivo),
ombro, ontem, etc. E mesmo que o justifique, não se escreve no fim de substantivos
e nem no começo de alguns vocábulos que o uso consagrou sem este símbolo, ando-
rinha, erva, feld, inverno, etc.
15) Não se escreve h depois de c (salvo o disposto em o n.O 12) nem depois
de P, r e t: o ph é substituído por f, o ch (gutural) por qu antes de e ou i e
por c antes de outra qualquer letra: corografia, cristão; querubim, química; farmácia,
fósforo; retórica, ruibarbo; teatro, turíbulo; etc.

IV - Consoantes mudas

16) Não se escrevem as consoantes que se não proferem: asma, assinatura, ciência,
diretor, gindsio, inibir, inovação, ofício, ótimo, salmo, e não asthma, assignatura,
sciencia, directorÁ gymnasio, inhibir, innovação, officio, optimo, psalmo.
OBsERvAÇKO: Escreve-se, porém, o s em palavras como descer, florescer, nascer, etc., e o x
em vocábulos como exceto, excerto, etc., apesar de nem sempre se pronunciarem essas consoantes.

17) Em sendo mudo o P no grupo mpc ou mpt, escreve-se nc ou nt: assuncionis
assuntà, presunção, prontificar, etc.

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18) Devem-se registrar os vocábulos cujas consoantes facultativamente se pronun-
ciam, pondo-se em primeiro lugar o de uso mais generalizado, e em seguida o outro.
Assim, serão consignados, além de outros, estes: aspecto e aspeto, característico e
caraterístico, circunspecto e circunspeto, conectivo e conetivo, contacto e contato, cor-
rupção e corrução, corruptela e corrutela, dactilografia e datilografia, espectro e
espetro, excepcional e excecional, expectativa e expetativa, infecção e infeção, opti-
mismo e otimismo, respectivo e respetivo, secção e seção, sinóptico e sinótico, sucção
e stição, sumptuoso e suntuoso, tacto e tato, tecto e teto.

V - S C

19) Elimina-se o s do grupo inicial sc: celerado, cena, cenografia, ciência, cientista,
cindir, cintilar, ciografia, cisão, etc.
20) Os compostos dessa classe de vocábulos, quando são formados em nossa língua,
são escritos sem o s antes do e: anticientífico, contracenar, encenação, etc.; mas,
quando vieram já formados para o vernáculo, conservam o s: consciência, cônscio,
imprescindível, insciente, ínscio, multisciente, néscio, presciência, prescindir, proscénio,
rescindir, rescisão, etc.

VI - Letras dobradas

21) Escrevem-se rr e ss quando, entre vogais, representam os sons simples do r
e s iniciais; e cc ou cç quando o primeiro soa distintamente do segundo: carro, farra,
massa, passo; convicção, occipital, etc.
22) Duplicam-se o r e o s todas as vezes que a um elemento de composição ter-
minado em vogal se segue, sem interposição do hífen, palavra começada por uma
daquelas letras: albirrosado, arritmia, altíssono, derrogar, prerrogativa, pressentir, res-
sentimento, sacrossanto, etc.

VII - Vogais nasais

23) As vogais nasais são representadas no fim dos vocábulos por ti (às), im (ins),
om (ons), um (uns): ali, cás, flautim, folhetins, semitom, tons, tutum, zunzuns, etc.
24) O ê1 pode figurar na sílaba tônica, pretónica ou átona: gaM, cristãmente, maçá,
drfã, romanzeira, etc.
25) Quando aquelas vogais são iniciais ou mediais, a nasalidade é expressa por
m antes do b e p, e por n antes de outra qualquer consoante: ambos, campo; contudo,
enfim, enquanto, homenzinho, nuvenzinha, vintenzinho, etc.

VIII - Ditongos

26) Os ditongos orais escrevem-se com a subjuntiva i ou u: aipo, cai, cauto,
degraus, dei, fazeis, idéia, mausoléu, neurose, retorqüiu, rói, sois, sou, 50u10, uivo,
usufrui, etc.
OBSERVAÇKO: Escrevem-se com i, e não com e, a forma verbal fui, a 2.a e 3.a pessoa do
singular do presente do indicativo e a 2.a do singular do imperativo dos verbos terminados
em uir: aflui, fruis, retribuis, etc.

27) O ditongo ou alterna, em numerosos vocábulos, com oi: balouçar e baloiçar,
calouro e caloiro, dourar e doirar, etc. Cumpre registrar em primeiro lugar a forma
que mais se usa, e em seguida a variante.

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28) Escrevem-se assim os ditongos nasais: de, ai, tio, am, em, en (8), 6e, Ui (Pro.
ferido ili): mie, pêles, cílibra, acórtíflo, irmdo, ledozinho, amam, bem; bens, devem,
põe, repões, muito, etc.

CIBURVAÇõES:
l.a) Dispensa-se o til do ditongo nasal ui em mui e muito.
2.a) Com o ditongo nasal do se escrevem os monossílabos, tónicos ou não, e os polissílabos
oxítonos: cão, dão, grdo, ndo, quão, são, tdo; alcordo, capitão, cristdo, então, irmão,
sendo, sentirão, servirão, viverão, etc.
3.a) Também se escrevem com o ditongo do os substantivos e adjetivos paroxítonos, acen-
tuando-se, porém, a sílaba tónica: órfão, órgão, sótáo, etc.
4.a) Nas formas verbais anoxítonas se escreve qm: amaram, deveram, partiram, puseram, etc.
5.a) Com o ditongo nasal de se escrevem os vocábulos oxítonos e os seus derivados; e os
anoxítonos primitivos grafam-se com o ditongo di: capitães, mdes, pdezinhos; clibo,
zdibo, etc.
6.a) O ditongo nasal éi(s) escreve-se em ou en(s), assim nos monossílabos como nos polis.
sílabos de qualquer categoria gramatical: bem, cem, convém, convéns, mantém, manténs,
nem, sem, virgem, virgens, voragem, voragens, etc.

29) Os encontros vocálicos átonos e finais que podem ser pronunciados como
ditongos crescentes escrevem-se da seguinte forma; ea (áurea), co (cetáceo), ia (colônia),
ie (espécie), io (exímio), oa (nódoa), ua (contínua), ue (tênue), uo (tríduo), etc.

IX - Hiatos

30) A La, 2.a, 3.a pessoa do singular do presente do conjuntivo e a 3.a pessoa do
singular do imperativo dos verbos em oar escrevem-se com oe e não oi: abençoe,
amaldiçoes, perdoe, etc.
31) As trés pessoas do singular do presente do conjuntivo e a &a do singular
do imperativo dos verbos em uar escrevem-se com ue, e não ui: cultue, habitues,
preceitue, etc.

X - Parênimos e vocábulos de grafla dupla

32) Deve-se fazer a mais rigorosa distinção entre os vocábulos parõnimos e os de
grafia dupla que se escrevem com e ou com i, com o ou com u, com c ou q, com ch
ou x, com g ou i, com s, ss ou c, ç, com s ou x, com s ou z e com os diveisos
valores do x.

33) Deve-se registrar a grafia que seja mais conforme à etimologia do vocábulo
e à sua história, mas que esteja em harmonia com a prosódia geral dos brasileiros,
nem sempre idêntica à lusitana. E quando há dois vocábulos diferentes, v. g., ura
escrito com e e outro escrito com i, é necessário que ambos sejam acompanhados da
sua definição ou do seu significado mais vulgar, salvo se forem de categorias grama.
ticais diferentes, porque, neste caso, serão acompanhados da indicação dessas categorias.
Ex.: censório, adj. Cf. Sensório, adj. e s.m.
Assim, pois, devem w inscritos vocábulos como: antecipar, criador, criança, criar,
diminuir, discriciondrio, dividir, filintiano, filipino, idade, igreja, igual, imiscuir-se,
invés, militar, ministro, pior, quase, quepe, tigela, tijolo, vizinho, etc.
34) Palavras como cardeal e cardial, desfear e desfiar, descrição e discrição, destinto
e distinto, meado e miado, recrear e recriar, se e si serão consignadas com o necessário
esclarecimento e a devida remissão. Por exemplo: descrição, 9.f.: ação de descrever.
Cf. discrição. Discrição, s.f.: qualidade do que é discreto. Cf. descrição.
35) Os verbos mais usados -em ear e iar serão seguidos das formas do presente
do indicativo, no todo ou em parte.

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36) De acordo com o critério exposto, far-se-á rigorosa distinção entre os vocábulos
que se escrevem:

a)com o ou com u: frdgua, lugar, mágoa, manuelino, polir, tribo, urdir, veio
(v. ou substantivo), etc.
b)com c ou q: quatorze (seguido de catorze), cinqüenta, quociente (seguido de
cociente), etc.
C)com ch ou x: anexim, bucha, cambaxirra, charque, chimarrão, coxia, estrebuchar,
faxina, flecha, tachar (notar; censurar), taxar (determinar a taxa; regular),
xícara, etc.
d)com g ou i: estrangeiro, jenipapo, genitivo, gíria, jeira, jeito, jibóia, firau, laran-
jeira, lojista, majestade, viagem (subst.), viajem (do verbo viajar), etc.
C)com s, is ou c, ç: dnsía, anticéptico, boça (cabo de navio), bossa (protuberância;
aptidão), bolçar (vomitar), bolsar (fazer bolsos), caçula, censual (relativo a
censo), sensual (lascivo), etc.

OtazavAçÃo: Não se emprega ç em início de palavras.

com s ou x: espectador (testemunha), expectador (pessoa que tem esperança),
experto (perito; experimentado), esperto (ativo; acordado), esplêndido, esplen-
dor, extremoso, flux (na locução a flux), justafluvial, justapor, misto, etc.
g)com s ou z: alazdo, alcaçuz (planta), alisar (tornar liso), alizar (s.m.), anestesiar,
autorizar, bazar, blusa, brasileiro, buzina, colíseu, comezinho, cortês, dissensão,
empresa, esfuziar, esvaziamento, frenesi (seguido de frenesim), garcês, guizo
(9.m.), improvisar, irisar (dar as cores do íris a), irizar (atacar [o iriz] o cafe-
zeiro), lambuzar, luzidio, mazorca, narcísar-se, obséquio, pezunho, prioresa, rizo-
tônico, sacerdotisa, sazão, tapiz, trdnsito, xadrez, etc.

OISILAVAÇUS:

La)E sonoro o s de obséquio e seus derivados, bem como o do prefixo trans, em se lhe
"Indo vogal, pelo que se deverá indicar a sua pronúncia entre parénteses; quando,
porém, a esse prefixo se segue palavra iniciada por s, só se escreve um, que se
profere como se fora dobrado: obsequiar (ze), transocednico (zo), transecular (se),
transubstanciação (su); etc.
2.a)No final de sílaba átona, seja no interior, seja no fim do vocábulo, emprega-se o s
em lugar do z: asteca, endes, mesquita, etc.

37) O x continua a escrever-se com os seus cinco valores, bem como nos casos em
que pode ser mudo, qual em exceto, excerto, etc. Tem, pois, o som de:
IP) ch, no princípio e no interior de muitas palavras: xàirel, xerife, xícara, ameixa;
enxoval, peixe, etc.
OssiavAçÁo: Quando tem esse valor, não será indicada a sua pronúncia entre parénteses.

Í 2.0) cs, no meio e no fim de várias palavras: anexo, complexidade, convexo, bórax,
Utex, sílex, etc.
~I V) z, quando ocorre no prefixo exo ou ex seguido de vogal: exame, êxito, êxodo,
1 exosmose, exotérmico, etc.
~ V) ss: aproximar, auxiliar, máximo, proximidade, sintaxe, etc.
5,0) s final de sílaba: contexto, fénix, pretextar, sexto, textual, etc.
~i

38) No final de sílabas iniciais e interiores se deve empregar o s em vez do x,
1
'. quando não o precede a vogal e: justafluvial, justaposiç&o, misto, sistino, etc.

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XI - Nomes próprios

39) Os nomes próprios personativos, locativos e de qualquer natureza, sendo
portugueses ou aportuguesados, estão sujeitos às mesmas regras estabelecidas para os
nomes comuns.
40) Para salvaguardar direitos individuais, quem o quiser manterá em sua assina-
tura a forma consuetudinária. Poderá também ser mantida a grafia original de quais-
quer firmas, sociedades, títulos e marcas que se achem inscritos em registro público.
41) Os topônimos de origem estrangeira devem ser usados com as formas vernáculas
de uso vulgar; e quando não têm formas vernáculas, transcrevem-se consoante as
normas estatuídas pela Conferência de Geografia de 1926 que não contrariarem os
princípios estabelecidos nestas Instruções.
42) Os topônimos de tradição histórica secular não sofrem alteração alguma na sua
grafia, quando já esteja consagrada pelo consenso dititurno dos brasileiros. Sirva de
exemplo o topônimo Bahia, que conservará esta forma quando se aplicar em referência
ao Estado e à cidade que têm esse nome.
OBSERVAÇÃO: Os compostos e derivados desses topônimos obedecerão às normas gerais do
vocabulário comum.

XIII - Apóstrofo

44) Limita-se o emprego do apóstrofo aos seguintes casos:
1.0)Indicar a supressão de uma letra ou letras no verso, por exigência da metrificação:
c'roa, esp'rança, ofrecer, 'star, etc.
2.0) Reproduzir certas pronúncias populares: 'td, 'teve, etc.
3.0) Indicar a supressão da vogal, já consagrada pelo uso, em certas palavras compostas
ligadas pela preposição de: copo-d'água (planta, lanclic), galinha-d'água, méie-
d'água, olho-d'água, pau-d'água (árvore, ébrio), pau-d'alho, pau-d'arco, etc.
OBsEitvAçÃo: Restringindo-se o emprego do apóstrofo a esses casos, cumpre não se.use dele
em nenhuma outra hipótese. Assim, não será empregado:
a)nas contrações das preposições de e em com artigos, adjetivos ou pronomes demonstrativos,
indefinidos, pessoais e com alguns advérbios: dei (em aqui-dei-rei); dum, duma (a par
de de um, de uma), num, numa (a par de em um, em uma); dalgum, dalguma (a par de
de algum, de alguma), nalgum, nalguma (a par de em algum, em alguma); dalguém, nal-
guém (a par de de alguém, em alguém); doutrem, noutrem (a par de de outrem, etn
outrem); dalgo, dalgures (a par de de algo, de algures); daquém, dalém, dacolá (a par de
de aquém, de além, de acolá); doutro, noutro (a, par de de outro, em outro); dele, dela,
nele, nela; deste, desta, neste, nesta, daquele, daquela, naquele, naquela; disto, nisto, da.
quilo, naquilo; daqui, daí, dacolá, donde, dantes, dentre; doutrora (a par de de outrora),
noutrora; doravante (a par de de ora avante); etc.
b)nas combinações dos pronomes pessoais; mo, ma, mos, mas, to, ta, tos, tas, lho, lha,
lhos, lhas, no-lo, no-los, no-las, vo-lo, vo-la, vo-los, vo-las.
C)nas expressões vocabulares que se tornaram unidades fonéticas e sernáriticas: dessarte,
destarte, homessa, tarrenego, tesconjuro, vivalma, etc.
d)nas expressões de uso constante e geral na linguagem vulgar: co, coa, ca, cos, cas, com
(= com o, com a, com os, com as), pio, pia, pios, pias (= pelo, pela, pelos, pelas),
Pra (= para), pro, pra, pros, pras (= para o, para a, para os, para as), etc.

XIV - Hífen

45) Só se ligam por hífen os elementos das palavras compostas em que
mantém a noção da composição, isto é, os elementos das palavras compostas %W
mantêm a sua independência fonética, conservando cada um a sua própria
porém formando o conjunto perfeita unidade de sentido.

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) Dentro desse princípio, deve-se empr ar o hífen nos se intes casos

1,0)Nas palavras compostas em que os elementos, com a sua acentuação própria, não
conservam, considerados isoladamente, a sua significação, mas o conjunto constitui
uma unidade semántica: água-marinha, arco-íris, galinha-d'água, couve-flor,

pára-choque, porta-chapéus, etc.

1.a) Incluem-se nesta norma os compostos em que figuram elementos foneticamente redu
1 1 L -ado su-sue

zidos: be -Prazer, i-sues e, ma pe ste, etc.

2.a)0 antigo artigo el, sem embargo de haver perdido o seu primitivo sentido e não ter
vida à parte na língua, une-se por hífen ao substantivo rei, por ter este elemento

evidéncia semântica

3.a)Quando se perde a noção do composto, quase sempre em razão de um dos elementos
não ter vida própria na língua, não se escreve com hífen, mas aglutinadamente:
abrolhos, bancarrota, fidalgo, vinagre, etc.
4.a) Como as locuções não têm unidade de sentido, os seus elementos não devem ser unidos
por hífen, seja qual for a categoria gramatical a que elas pertençam. Assim, escre , ve-sc,
v.g., vós outros (locução pronominal), a desoras (locução adverbial), a fim de (lo-
cuçáo prepositiva), contanto que (locução conjuntiva), porque essas combinações voca-
bulares não são verdadeiros compostos, não formam perfeitas unidades semânticas.
Quando, porém, as locuções se tornam unidades fonéticas, devem ser escritas numa só
palavra: acerca (adv.), afinal, apesar, debaixo, decerto, defronte, depressa, devagar,

5-a

As formas verbais com pronomes enclíticos ou mesoclíticos e os vocábulos compostos
cujos elementos são ligados por hífen conservam seus acentos gráficos: amá-lo-d, amá-
reis-me amásseis-vos, devê-lo-ia, fd-la-emos, pó-las-íamos,

2,0)Nas formas verbais com pronomes encliticos ou mesocliticos: ama-lo (amas e lo),
amá-lo (amar e lo), dê-se-lhe, fá-lo-d, oferecê-la-ia, repô-lo-eis, serenou-se-te, traz-me

3.0)Nos vocábulos formados pelos prefixos que representam formas adjetivas, com
anglo, greco, histórico, ínfero, latino, lusitano, luso, póstero, súpero, etc.: anglO
brasileiro, greco-romano, histórico-geogrófico, ínfero-anterior, latino-americano
lusitano-castelhano, luso- brasileiro, póstero-palatal, stipero-posterior, etc.
OBSERVAÇÃO: Ainda que esses elementos prefixais sejam reduções de adjetivos, não perden
sua individualidade morfológica, e r Isso devem unir-se por hífen, como sucede com

austro (= austríaco), dólico (= dolicocéfalo), euro (= europeu), telégrafo (= telegráfico), etc-
austro-húngaro, dólico-louro, euro-africano, telégrafo-postal, etc.(1)

V)Nos vocábulos formados por sufixos que representam formas adjetivas, como açtc,
guaçu e mirim, quando o exige a pronúncia e quando o primeiro elemento acaba
em vogal t da aficamente: andd-açu amoré-guaçu anaid-mirim, capim-açu,
etc.

a)auto, contra, extra, infra, intra, neo, proto, pseudo, semi e ultra, quando se
lhes seguem palavras começadas por vogal, h, r oualmirante, extra-oficial, infra-hepático, intra-ocular, neo-republicarto, proto-revo-
.~ 7

(1) Mas, no próprio texto do PVOLP, encontramos contradições a êste principio, como:
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OBSERVAÇÃO: A única exceçào a esta regra é a palavra extraordindrio, que já está consagrada
pelo uso.

b)ante, anti, arqui e sobre, quando seguidos de palavras iniciadas por h, r ou
s: ante-histórico, anti-higiênico, arqui-rabino, sobre-saia, etc.
C) supra, quando se lhe segue palavra encetada por vogal, r ou s: supra-axilar,
supra-renal, supra-seráível, etc.
d) super, quando seguido de palavra principiada por h ou r: super-homem, super-
requintado, etc.
C) ab, ad, ob, sob e sub, quando seguidos de elementos iniciados por r: ab-rogar,
ad-renal, ob-reptício, sob-roda, sub-reino, etc.
f)pan e mal, quando se lhes segue palavra começada por vogal ou h: pan-asidtico,
pan-helenismo, mal-educado, mal-humorado, etc.
g)bem, quando a palavra que lhe segue tem vida autônoma na língua ou quando
a pronúncia o requer: bem-ditoso, bem-aventurança, etc.
h) sem, sota, soto, vice, vizo, ex (com o sentido de cessamento ou estado anterior),
etc.: sem-cerimônia, sota-piloto, soto-ministro, vice-reitor, vizo-rei, ex-diretor, etc.
i)pós, pré e pró, que têm acento próprio, por causa da evidência dos seus signi-
ficados e da sua pronunciaçáo, ao contrário dos seus homógrafos inacentuados,
que, por diversificados foneticamente, se aglutinam com o segundo elemento:
pós-meridiano, pré-escolar, pró-britdnica; mas pospor, preanunciar, procônsul,
etc.

XV - Divisão silábica

47) A divisão de qualquer vocábulo, assinalada pelo hífen, em regra se faz pela
soletração, e não pelos seus elementos constitutivos segundo a etimologia.
48) Fundadas neste princípio `geral, cumpre respeitar as seguintes normas:
La) A consoante inicial não seguida de vogal permanece na sílaba que a segue:
cni-do-se, dze-ta, gno-ma, mne-mô-ni-ca, pneu-mii-ti-co, etc.
2.a) No interior do vocábulo, sempre se conserva na sílaba que a precede a con-
soante não seguida de vogal: ab-di-car, ac-ne, bet-sa-mi-ta, daf-ne, drac-ma, ét-ni-co,
nup-ci-al, ob-fir-mar, op-ção, sig-ma-tis-mo, sub-por, sub-ju-gar, etc.
3.a) Não se separam os elementos dos grupos consortânticos iniciais de sílabas nem
os dos digramas ch, ffi, nh: a-blu-çdo, a-bra-sar, a-che-gar, fi-lho, ma-nhLI, etc.
OBSERVAÇÃO: Nem sempre formam grupos articulados as consonAncias bi e br: nalguns casos
o 1 e o r se pronunciam separadamente, e a Isso se atenderá na partição do vocábulo; e as
consoantes di, a não ser no tempo onomatopéico dlim, que exprime toque de campainha,
proferem-se desligadamente, e na divislo silábica ficará o hífen entre essas duas letras. Ex.:
,sub-lin-gual, jub-rogi~r, ad-le-gaçdo, etc.

4.a) O sc no interior do vocábulo biparte-se, ficando o s numa sílaba, e o e na
silaba, imediata: a-do-les-cen-te, con-va-les-cer, des-cer, ins-ci-ente, pres-cin-dir, res-ci-são,
etc.

OBSERVAÇÃO: Forma sílaba com o prefixo antecedente o s que precede consoantes: abs-tra-ir,
ads-cre-ver, ins-cri-çáo, ins-pe-tor, inç-tru-ir, in-ters-d-cio, pers-pi-car, subi-cre-ver, subi-ta-be-Le-cer,
etc.

5.a) O s dos prefixos bis, cis, des, dis, trans e o x do prefixo ex não se separam
quando a sílaba seguinte começa por consoante; mas, se principia por vogal, formam
sílaba com esta e separam-se do elemento prefixal: bis-ne-to, cis-pla-ti-no, des-li-gar, dis-
tra-çtlo, trans-por-tar, ex-tra-ir; bi-sa-vô, ci-san-di-no, de-ses-pe-rar, di-sen-té-ri-co, tran-
sa-tlân-ti-co, e-xér-ci-to, etc.

66
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6.a) As vogais idênticas e as letras cc, cç, rY e ss separam-se ficando uma na sílaba
seguinte: ca-a-tin-ga, co-or-de-nar, du-ún-vi-ro, fri-ís-simo, ge-e-na, in-te-lec-ção, oc-ci-
pi-tal, pror-ro-gar, res-sur-gir, etc. .
OMERVAÇÃO: As vogais de hiatos, ainda que diferentes uma da outra, também se separam:
a-ta-ti-de, cai-ais, ca-t-eis, ca-ir, do-er, du-e-lo, fi-el, flu-iu, flu-ir, gra-ti-na, je-su-í-ta, te-ai,
mi-ú-do, po-ei-ra, ra-i-nha, ia-ú-de, vi-ví-eis, vo-ar, etc.

7.a) Não se separam as vogais dos ditongos - crescentes e decrescentes - nem as
dos tritongos: ai-ro-so, a-ni-mais, ati-ro-ra, a-ve-ri-güeis, ca-iti, cru-éis, en-iei-tar, fo-ga-réu,
lu-giu, gló-ria, guai-ar, i-guais, ia-mais, jói-as, ó-dio, quais, sd-bio, sa-guêlo, £a-gu6es,
sti-bor-nou, ta-fuis, vd-rio, etc.
OBSERVAÇAO: Não se separa do u precedido de g ou q a vogal que o segue, acompanhada,
ou não, de consoante: am-bí-guo, e-qui-va-ler, guer-ra, u-bí-quo, etc.

XVI - Emprego das iniciais maiúsculas

49) Emprega-se letra inicial maiúscula:

1.0) No começo do período, verso ou citação direta. Disse o Padre Antônio Vieira:
"Estar com Cristo em qualquer lugar, ainda que seja no Inferno, é estar no Paraíso".

"Auriverde pendão de minha terra
que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que à luz do sol encerra
As promessas divinas da Esperança..." (CAsTRo ALvEs)
OnaravAçÁo: Alguns poetas usam, à espanhola, a minúscula
quando a pontuação o permite, como se vê em CAsTiLHo:
"Aqui, sim, no meu cantinho,
vendo rir-me o candeeiro,
gozo o bem de estar sozinho
o esquecer o mundo inteird'.

no princípio de cada verso,

2.0) Nos substantivos próprios de qualquer espécie - antropôrtimos, topôninos,
patronímicos, cognomes, alcunhas, tribos e castas, designações de comunidades religiosas
e políticas, nomes sagrados e relativos a religiões, entidades mitológicas e astronômicas,
etc.: José, Maria, Macedo, Freitas, Brasil, América, Guanabara, Tieté, AtIdrítico, Anto-
ninos, Afonsinhos, Conquistador, Magndnimo, Coração de Leão, Sem Pavor, Deus, Jeovd,
Alá Assunção, Ressurreição, júpiter, Baco, Cérbero, Via Ldctea, Canopo, Vênus, etc.

OBSERVAÇóES:
1.a)As formas onomásticas que entram na composição de palavras do vocabulário comum
escrevem-se com Inicial minúscula quando constituem, com os elementos a que se
ligam por hífen, uma unidade semAntica: quando não constituem unidade semántica
devem ser escritas sem hífen e com Inicial maiúscula: dgua-de-coldnia, jogo-de-barro,
maria-rosa (palmeira), etc.; além Andes, aquém Atidntico, etc.
2.a)Os nomes de povos escrevem-se com Inicial minúscula, não só quando designam habi-
tantes ou naturais de um estado, província, cidade, vila ou distrito, mas ainda quando
representam coletivamente uma nação*. amazonenses, baianos, estremenhos, fluminenses,
guarapuavamos, jequicenses, Paulistas, pontalenses, romenos, russos, suíços, uruguaios,
venezucianos, etc.

3.0) Nos nomes próprios de eras históricas e épocas notáveis: Héjira, Idade Média,
Quinhentos (o século xvi), Seiscentos (o século xvii), etc.
OBSERVAÇAO: os nomes dos meses devem escrever-se com inicial minúscula: janeiro, fevereiro,
março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro.

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4.0) Nos nomes de vias e lugares públicos: Avenida de Rio Branco, Beco do Carmo,
Largo da Carioca, Praia do Flamengo, Praça da Bandeira, Rua Larga, Rua do Ouvidor,
Terreiro de São Francisco, Travessa do Comércio, etc.

5.0) Nos nomes que designam altos conceitos religiosos, políticos ou nacionalistas:
Igreja (Católica, Apostólica, Romana), Nação, Estado, Pátria, Raça, etc.
OBSFRVAÇÃO: Esses nomes se escrevem com inicial minúscula quando são emprega-
dos em sentido geral ou indeterminado.

6.0) Nos nomes que designam artes, ciências, ou disciplinas, bem como nos que
sintetizam, em sentido elevado, as manifestações do engenho e do saber: Agricultura,
Arquitetura, Educação Física, Filologia Portuguesa, Direito, Medicina, Engenharia,
História do Brasil, Geografia, Matemática, Pintura, Arte, Ciência, Cultura, etc.
OBsERvAçÃo: Os nomes idioma, idioma pUrio, língua, língua portuguesa, vernáculo e outros
análogos escrevem-se com inicial maiúscula quando empregados com especial relevo.

7.0) Nos nomes que designam altos cargos, dignidades ou postos: Papa, Cardeal,
Arcebispo, Bispo, Patriarca, Vigário, Vigário-Geral, Presidente da República, Ministro
da Educação, Governador do Estado, Embaixador, Almirantado, Secretário de Estado, etc.

8.0) Nos nomes de repartições, corporações ou agremiações, edifícios e estabeleci-
mentos públicos ou particulares: Diretoria Geral do Ensino, Inspetoria do Ensino Su-
perior, Ministério das Relações Exteriores, Academia Paranaense de Letras, Círculo de
Estudos "Bandeirantes", Presidência da República, Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística, Tesouro do Estado, Departamento Administrativo do Serviço Público, Banco
do Brasil, Imprensa Nacional, Teatro de Silo José, Tipografia Rolandiana, etc.

9.0) Nos títulos de livros, jornais, revistas, produções artísticas, literárias e científicas:
Imitação de Cristo, Horas Marianas, Correio da Manhã, Revista Filológica, Transfigu-
ração (de Rafael), Norma (de Bellini), Guarani (de Carlos Gomes), O Espírito das Leis
(de Montesquieu), etc.

OBSERVAÇÃO: Não se escrevem com maiúscula inicial as partículas monossilábicas que se acham
no interior de vocábulos ou de locuções ou expressões que têm iniciais maiúsculas: Queda do
Império, O Crepúsculo dos Deuses, Histórias sem Data, A Mão e a Luva, Festas e Tradições
Populares do Brasil, etc.

1OP) Nos nomes de fatos históricos e importantes, de atos solenes e de grandes
empreendimentos públicos: Centenário da Independência do Brasil, Descobrimento da
América, Questão Religiosa, Reforma Ortográfica, Acordo Luso-Brasileiro, Exposição
Nacional, Festa das Mies, Dia do Município, Glorificação da Língua Portuguesa, etc.
OBSERVAÇAO: os nomes de festas pagãs ou populares escrevem-se com inicial minúscula:
carnaval, entrudo, saturnais, etc.

11.0) Nos nomes de escolas de qualquer espécie ou grau de ensino: Faculdade de
Filosofia, Escola Superior de Comércio, Ginásio do Estado, Colégio de Pedro II, Insti-
tituto de Educação, Grupo Escolar de Machado de Assis, etc.
12.0) Nos nomes comuns, quando personificad" ou individuados, e de seres morais
ou fictícios: A Capital da República, a Transbrasiliana, moro na Capital, o Natal de
Jesus, o Poeta (Caniões), a ciência da Antiguidade, os habitantes da Península, a Bon-
dade, a Virtude, o Amor, a Ira, o Medo, o Lobo, o Cordeiro, a Cigarra, a Formiga, etc,

OBSERVAÇÃO: Incluem-se nesta norma os nomes que designam atos das autoridades da Repú-
blica, quando empregados em correspondência ou documentos oficiais: A Lei de 13 de maio, o
Decreto n.O 20.108, a Portaria de 15 de junho, o Regulamento n.* 737, o Acórdão de 3 de
agosto, etc.

13.0) Nos nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões: Os povos do Oriente;
o falar do Norte é diferente do falar do Sul; a guerra do Ocidente, etc.

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OBSERVAÇÃO! Os nomes dos pontos cardeais escrevem-se com iniciais minúsculas quando
disignam direções ou limites geográficos: Percorri o país de norte a sul e de leste a oeste.

14.0) Nos nomes, adjetivos, pronomes e expressões de tratamento ou reverência: D.
(Dom ou Dona), Sr. (Senhor), Sr.a (Senhora), DD. ou Dig.mo (Digníssimo), MM. ou
M.--- (Meritíssimo), Rev.", (Reverendíssimo), V. Rev.a (Vossa Reverência), S.E. (Sua
Eminência), V. M. (Vossa Majestade), V. A. (Vossa Alteza), V. S." (Vossa Senhoria), V.
Ex1. (Vossa Excelência), V. Ex.a Rev.--- (Vossa Excelência Reverendíssima), V. Ex.---
(Vossas Excelências), etc.
OBSERVAÇÃO: As formas que se acham ligadas a essas expressões de tratamento devem ser
também escritas com iniciais maiúsculas: D. Abade, Ex.--- Sr.a Diretora, Sr. Almirante, Sr.
Capitão -de-Mar-e-Guerra, MM. juiz de Direito, Ex.--- e Rev.--- Sr. Arcebispo Primaz, Magnífico
Reitor, Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Eminentíssimo Senhor Cardeal, Sua Majes-
tade Imperial, Sua Alteza Real, etc.

15.0) Nas palavras que, no estilo epistolar, se dirigem a um amigo, a um colega, a
uma pessoa respeitável, as quais, por deferência, consideração ou respeito, se queira
realçar por esta maneira: meu bom Amigo, caro Colega, meu prezado Mestre, estimado
Professor, meu querido Pai, minha amordvel Mie, meu bom Padre, minha distinta Di-
retora, caro Dr., prezado Capitão, etc.

XVJI - Sinais de pontuação

50) ASPAS. - Quando a pausa coincide com o final da expressão ou sentença
que se acha entre aspas, coloca-se o competente sinal de pontuação depois delas, se
encerram apenas uma parte da proposição; quando, porém, as aspas abrangem todo
o período, sentença, frase ou expressão, a respectiva notação fica abrangida por elas:
"Aí temos a lei", dizia o Florentino. "Mas quem as há de segurar?
Ninguém." (Rui BARBOSA.)
"Mísera, tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume 1"
"Por que não nasci eu um simples vaga-lume?" (MACHADO DE Assis.)

51) PARÊNMES. - Quando uma pausa coincide com o início da construção paren-
tética, o respectivo sinal de pontuação deve ficar depois dos parênteses, mas, estando
a proposição ou a frase inteira encerrada pelos parênteses, dentro deles se põe a com-
petente notação:

"Não, filhos meus (deixai-me experimentar, uma vez que seja, convosco,
este suavíssimo nome); não: o coração não é tão frívolo, tão exterior, tão
carnal, quanto se cuida." (Rui BARBOSA.)
"A imprensa (quem o contesta?) é o mais poderoso meio que se tem
inventado para a divulgação do pensamento." (Carta inserta nos Anais da
Biblioteca Nacional, vol. 1)". (CARLOS DE LAET.)

52) TRAVESSÃO. - Emprega-se o travessão, e não o hífen, para ligar palavras ou
grupos de palavras que formam, pelo assim dizer, uma cadeia na frase: O trajeto
Maud-Cascadura; a estrada de ferro Rio-Petrópolis; a linha aérea Brasil-A rgen tina;
o percurso Barcas-Tijuca, etc.

53) PONTO FINAL. - Quando o período, oração ou frase'termina por abreviatura,
não se coloca o ponto final adiante do ponto abreviativo, pois este, quando coincide
com aquele, tem dupla serventia. Ex.: "O ponto abreviativo põe-se depois das palavras

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indicadas abreviadamente por suas iniciais ou por algumas das letras com que se
representam, v.g.: V.Sa; II.---;Ex.a, etc." (Dr. Ernesto Carneiro Ribeiro.)
Aprovadas unanimemente na sessão de 12 de agosto de 1943.

JOSk CARLOS DE MACIDO SOARES
Presidente da Academia Brasileira de Letras

(Das Instruç5es para a Organizaçáo do
Vocabulário Ortográfico da Língua Nacional)

Regras de acentuação

A - Monossilabos

Levam acento agudo ou circunflexo os monossílabos terminados em,
a) - a, - as: já, lá, vás
b) - e, - es: fé, lê, pés
c) - o, - os: pó, dá, pós, sós

B - Vocábulos de mais de uma sílaba

OXíTONOS (ou agudos)

Levam acento agudo ou circunflexo os oxítonos terminados em:
a) - a, - as: caid, vatapd, ananás, caraids
b) - e, - es: você, café, pontapés
c) - o, - os: cipó, jiló, avó, carijós
d) - em, - ens: também, ninguém, vinténs, armazéns
Daí, sem acento: aquí, caqui, poti, caiu, urubus.

2 - PAROXíTONOS (OU graves)

Levam acento agudo ou circunflexo os paraxíltonos terminados em:
a) - i, - is: júri, cáqui, beribéri, lápis, tênis
b) - us: vênus, vírus, bônus

OBSERVAÇÃO: Não há nome paroxítono terminado em -tt: o único existente até
há pouco era tribu, que hoje se escreve com o: tribo, tribos.

c) - r: caeáter, revólver, éter
d) - 1: útil, amável, nível, têxtil (não téxtil)
e) - x: tórax, Iênix, ônix
1) - n: éden, hífen (mas: edens, hifens, sem acento)

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g) - um, uns: médium, álbuns
h) - ão, ãos: órgão, órfão, órgãos, órfãos
i) - à, - às: órfa, ímã, órfãs, ímãs
j) - ps: bíceps, fórceps

3 - PROPAROXíTONOS (ou esdrúxulos)

Lev-am acento agudo ou circunflexo todos os proparoxítonos: cálido,
tépido, cátedra, sólido, límpido, cômodo.

4 - CASOS ESPECIAISa) São sempre acentuados os ditongos abertos éi, éu, ói
idéia, Galiléia, hebréia, Coréia
céu, véu
dói, herói, constrói, apóio
Não se acentuam os encontros vocálicos fechados, com exceção de ôo:
pessoa, patroa, coroa, boa, canoa
teu, judeu, camafeu
vôo, enjôo, perdôo, corôo

b)Levam acento agudo o i e u, quando representam a segunda
vogal tônica de um hiato, desde que não formem sílaba com
r, 1, m, n, z ou não estejam seguidos de nh
saúde., viúva, saída, caído, faísca, aí, Grajaú
raíz (mas, raízes), paul, ruim, ruins, rainha, moinho

c) Não leva acento a vogal tônica dos ditongos iu e ui

caeu, retribuiu, tafuis, pauis

d) A 3.a pessoa de alguns verbos se grafa da seguinte manei

3.a Pess. sing.
1) termina em - em (monossílabos):
ele tem - eles têm; ele vem - eles vêm
2) termina em - ém

3.a pess. plural
- IM %

- éM
ele contém - eles contém; ele convém - eles convê

3)termina em - é (crê, lê,
dê, vê e derivados):
ele crê - eles crêem;

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- éeM
ele revê - eles revêem
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e)Levam acento agudo ou circunflexo os vocábulos terminados por
ditongo oral átono, quer descrescente ou crescente:
ágeis, devêreis, jóquei, túneis, área, espontâneo,
ignorância, imundície, lírio, mágoa, régua, tênue

Leva acento agudo ou circunflexo a forma verbal terminada em
a, e, o tônicos, seguida de lo, Ia, los, Ias :

fá-lo, fá-los, movê-lo-ia, sabê-lo-emos, trá-lo-ds.

OBSERVAÇÃO: Pelo último exemplo, vemos que se o verbo estiver no futuro poderá
haver dois acentos: arná-lo-leis, pô-lo-ás, fá-lo-famos.

g)Não levam acento os prefixos paroxítonos terminados em -r e -i:
inter-helênico, super-homem, semi-histórico.

h)Leva trema o u dos grupos gue, gui, que, qui quando for pronun-
ciado e átono: agüentar, argüição, eloqüência, tranqüilo, fre-
qüência.

OBSERVA~&S:

1.~) Se o u for pronunciado e tônico leva, nestes grupos, acento agudo:
argúi, argúis, averigúe, averigúes, obliqúe, obliqúes.

2.a) Se o u átono já levar trema, dispensar-se-á nos verbos, o acento agudo:

a) na vogal tônica seguinte:
Pres. ind.: arguo, argúis, argúi, argüimos, argüis, argúem
Pret. perf.: argüi, argüiste, argüiu, etc.
b)na vogal tônica dos verbos terminados em -qüe, -qües, -qüem: apropinqüe,
apropinqües, delinqüem.

Sem razão, nosso sistema ortográfico manda-nos acentuar a sílaba tônica dos verbos
terminados em -güe, -gües, -güem, como se houvesse outro modo de proferir tais
palavras:

enxágüe, enxágües, enxágüem

i) Leva acento circunflexo diferencial a sílaba tônica da 3.a pess. s.
do pretérito perfeito pôde, para distinguir-se de pode, forma da mesma
pessoa do presente do indicativo.

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Il - Morfologia

A) Classes de vocábulos

1 - SUBSTANTIVO

Substantivo é o nome com que designamos seres em geral - pessoas,
animais e coisas.

Concretos e abstratos. - Os substantivos se dividem em concretos e
abstratos. Os concretos são próprios e comuns.
Substantivo CONCRETO é o que designa ser de existência independente:
casa, mar, sol, automóvel, filho, mãe.
Substantivo ABSTRATO é o que designa ser de existência dependente:
prazer, beijo, trabalho, saída, beleza, cansaço.
Os substantivos concretos nomeiam pessoas, lugares, animais, vegetais,
minerais e coisas.
Os substantivos abstratos designam ações (beijo, trabalho, saída, can-
saço), estado e qualidade (prazer, beleza), considerados fora dos seres,
como se tivessem existência individual.

Próprios e comuns. - Substantivo PRóPRIO é o que designa indivi-
dualmente os seres, sem referência a suas qualidades:

Pedro, Brasil, Rui Barbosa.

Substantivo comum é o que designa o ser como pertencente a uma
classe com o mesmo conjunto de qualidades:
casa, mas, sol, automóvel.

Não é qualquer coisa que pode receber o nome de casa, mar, sol ou
automóvel. É necessário que observemos nesses seres certas características

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para que sejam assim designados. já nos substantivos próprios não se dá
atenção a essas qualidades. O nome Pedro, ou Brasil, ou Rui Barbosa,
nada nos dizem a respeito dos seres designados; são apenas distintivos
individuais que, só por coincidência, se podem aplicar a outras pessoas
ou lugares.

Passagem de nomes próprios a comuns. - Não nos prendemos apenas
à pessoa ou coisa nomeada; observamos-lhe qualidades e defeitos que se
podem transferir a um grupo mais numeroso de seres. Os personagens
históricos, artísticos e literários pagam o tributo de sua fama com o des-
gaste do valor individualizante do seu nome próprio, que por isso, passa a
comum. Por esta maneira é que aprendemos a ver no judas não só o
nome de um dos doze apóstolos, aquele que traiu Jesus; é também a
encarnação mesma do traidor, do amigo falso, em expressões do tipo:
Fulano é um judas.
Desta aplicação geral de um nome próprio temos vários outros exem-
plos: dom-joão (homem formoso; galanteador; irresistível às mulheres),
tartufo (homem hipócrita; devoto falso), cicerone (guia de estrangeiros,
dando-lhes informações que lhes interessam), benjamim (filho predileto,
geralmente o mais moço; o mais jovem membro de uma agremiação; pren-
de-se ao personagem bíblico que foi o último e predileto filho de Jacó),
áfrica (façanha; proeza; revive as façanhas dos antigos portugueses nessas
terras).
Passam a substantivos comuns os nomes próprios de fabricantes, e
de lugares onde se fazem ou se fabricam certos produtos: estradivários
(= violino de Stradivárius), guilhotina (de J. Inácio Guillotin), maca-
dame (do engenheiro Mac Adam), sanduíche (do conde de Sandwich),
havana (charuto; em Portugal havano), champanha (da região francesa
Champagne), cambraia (da cidade francesa de Cambray).

Substantivo coletivo. - É o que se aplica aos seres considerados em
conjunto: congregação, turma, exército, multidão, povo, rebanho, lataria.
São coletivos usuais:

a) CONJUNTO DE PESSOAS:

Alcatéia, bando, caterva, corja, horda, fardndula, malta, quadrilha, récova, súcia,
turba de ladrões, desordeiros, de assassinos, malfeitores e vadios.
Associação, clube, comício, comissão, congresso, conselho, convenção, corporação,
grêmio, sociedade de pessoas, reunidas para fim comum.
Assistência, auditório, concorrência, aglomeração, roda de assistentes, ouvintes ou
espectadores.
Cabido de cônegos de uma catedral.
Caravana de viajantes.
Claque, torcida de espectadores para aplaudir ou patear.
Clientela de clientes, de advogados, de médicos, etc.

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Comitiva, cortejo, séquito ou séqüito, acompanhamento de pessoas que acom-
panham outra por dever ou cortesia.
Comunidade, confraria, congregação, irmandade, ordem de religiosos.
Concílio, conclave, consistório, sínodo, assembléia de párocos ou de outros padres.
Coro, conjunto, bando de pessoas que cantam juntas.
Elenco de artistas de uma companhia, peça ou filme.
Equipagem, marinhagem, companha, maruja, tripulação de marinheiros.
Falange de heróis, guerreiros, espíritos.
Junta de credores, de médicos.
Pessoal de uma fábrica, repartição pública ou escola, loja.
Plêiade ou plêiada de poetas, artistas, talentos.
Ronda de policiais que percorrem as ruas velando pela ordem pública.
Turma de estudantes, trabalhadores, médicos.

. b) GRUPO DE ANIMAIS:

Alcatéia de lobos, panteras ou outros animais ferozes.
Bando, revoada de aves, pardais.
Ufila de camelos.
Cardume, boana, corso (6), manta de peixes.
Colmeia, enxame, cortiço de abelhas.
Correição, cordão de formigas.
Fato, rebanho de cabras.
Fauna, conjunto de animais próprios de uma região.
Gado, conjunto de animais criados nas fazendas.
junta, abesana, cingel, jugo, jugada de bois.
Lote de burros, grupos de bestas de carga.
Malhada, avidrio, rebanho de ovelhas.
Manada de cavalos, porcos, éguas.
Matilha de cães.
Ninhada, rodada de pintos.
Nuvem, miríade, onda, praga de gafanhotos, maribondos, percevejos.
Piara, vara de porcos.
Récova, récua de cavalgaduras.
Rebanho, armento, armentio, grei, maromba de bois, ovelhas.

. c) GRUPO DE COISAS:

Acervo, chorrilho, enfiada de asneiras, de tolices. Acervo também se aplica aos bens
materiais: É grande o acervo da Biblioteca Nacional.
literários
Antologia, analecto, crestomatia, coletdnea, florilégio, seleta de trechos
ou científicos.
Aparelho, baixela, serviço de chá, café, jantar.
Arquipélago, grupo de ilhas.
Armada, esquadra, frota de navios de guerra.
Bateria, fileira de peças de artilharia.

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Braçada, braçado, buquê, ramo, ramalhete (é), festão de flores.
Cacho de uvas, de bananas.
Cancioneiro de canções. É erro empregar o vocábulo como sinônimo de cantor em
enfessões como cancioneiros rom nticos.
Carrada de razões.
Chuva, chuveiro, granizo, saraiva, saraivada de balas, de pedras, de setas.
Coleção de selos, de quadros, de medalhas, de moedas, de livros.
Constelação de estrelas.
Cordilheira, cadeia, série de montes, de montanhas.
Cordoalha, cordame, enxárcia de cabos de um navio.
Feixe, lia, molho (6) de lenha, de capim.
Fila, fileira, linha de cadeiras.
Flora, conjunto de plantas de uma determinada região.
Galeria de quadros, de estátuas.
Gavela ou gabela, paveia, feixe de espigas.
Herbdrio, coleção de plantas para exposição ou estudo.
Hinário de hinos.
Instrumental de instrumentos de orquestra, de qualquer ofício mecânico, de
cirurgia.
Mobília, mobiliário de móveis.
Monte, montão de pedras, de palha, de lixo.
Penca de bananas, de laranjas, de chaves.
Pilha, ruma de livros, de malas, de tábuas.
Réstia de cebolas, de alhos.
Seqüência, série de cartas do mesmo naipe.
Troféu de bandeiras.

OBs. Para outros coletivos consulte-se o dicionário.

Formação do plural dos substantivos

Em português há dois números gramaticais: singular e plural. O sin-
gular indica o objeto ou coleção em si; o plural denota-os indicando mais
de um.

a) Formação do plural com acréscimo de s.

Forma-se o plural acrescentando-se s aos nomes terminados por-
1 - vogal ou ditongo oral: livro, livros; lei, leis,, caid, cajás;
2 - ditongos nasais ãe e ão (átono): mãe, mães; bênção, bênçãos;
3 - vogal nasal i: ímã, ímãs, irmã, irmãs;
4 - m (grafando-se ns): dom, dons.
OBSERVAÇÃO: Totem, também grafado tóteme, tem os plurais totens e tótemes
(cf. pág. 46).

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b) Formação do plural com acréscimo de es.

Acrescenta-se es para formar o plural dos nomes terminados por:

1 - s (em sílaba tônica): ás, ases; freguês, fregueses.
Cós serve para os dois números e ainda possui o plural coses.
2 - z (em sílaba tônica): luz, luzes; giz, gizes.
3 - r: cor, cores; elixir, elixires; revólver, revólveres.

c) Plural dos nomes terminados em n.

Acrescenta-se e ou es. Melhor fora dar-lhes uma feição mais de acordo
com a nossa língua. Damos uma pequena lista, pondo entre parênteses
a forma que deve substituir a irregular terminada em -n :

abdômen (abdome): abdomens ou abdômenes.
certâmen (certame): certamens ou certâmenes.
dólmen (dolmem): dolmens ou dálmenes.
espécimen (espécime): espécimens ou especímenes.
germen (germe): germens ou gérmenes.
hífen (hifem): hífens ou hífenes.
pólen (polem): polens ou pólenes.
regimen (regime): regimens ou regímenes.
Cdnon, melhor grafado, cdnone, faz c~nes.
éden (melhor seria, edem, mas não registrada no PVOLP) passa a edens.

NoTA.Recorde-se que apenas são acentuados os paroxítonos terminados em -n e
não os em -ns. Daí: hífen mas hífens (sem acento agudo).

d) Plural dos nomes terminados em ão.

Repartem-se estes nomes por três formas de plurais:

1) ões (a maioria deles):

coração, corações; questão, questões; melão, melões; razão, razões.

2) ães:
cio, cães; capelão, capelães; alemão, alemães; capitão, capitães; escrivão, escrivães; tabelião,
tabeliães; pão, pães; maçapão, maçapães; mata-cão, mata-cães; catalão, catalães.

3) ãos:

chão, chãos; cidadão, cidadãos; cristão, cristãos; desvão, desváos; grão, grãos; irmão,
irmãos; mão, mãos; pagão, pagãos e os paroxítonos apontados em a) 2.

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Muitos nomes apresentam dois e até três plurais:
aldeão aldeãos aldeões aldeâes
ancião anciâos auciões . anciães
charlatão charlatÁles charlatães
corrimão corrimãos corrimões
cortesão cortesãos cortesões
deão deâos deões deâes
ermitáo ermitâos ermitões ermitães
furo fulos fuões
guardilo guardiões guardiães
refrão refrãos refrães
sacristão sacristãos sacristães
truão truões truács
vilão vilãos vilões viláes
vulcão vulcãos vulcões

e) Plural dos nomes terminados em ai, ol, ul.

Trocam o 1 por is :

carnaval, carnavais; lençol, lençóis; álcool, álcoois; paul, pauis (a-ú).

Notem-se os casos particulares:
1 - cônsul e mal fazem cônsules e males.
2 - cal e aval fazem cales (=cano) e cais, avales (mais comum em Portugal), avais.
3 - real ( = moeda) faz réis.

Plural dos nomes terminados em il.

Os terminados em 41 átono fazem o plural trocando iI por -eis:
Fóssil, fósseis.

Se o 41 for tônico, trocam o 1 por s:
funil, funis.
Réptil e projétil, como paroxítonos, fazem répteis e projéteis; como oxítonos, reptil e
projetil fazem reptis e projetis.

g) Plural dos nomes terminados em el.

tônico:

Fazem o plural em -eis se o final do singular for átono e -éis se for ~

nível, níveis, móvel, móveis.
papel, papéis; coronel, coronéis.
Mel faz meles ou méis; fel faz feles ou féis.

h) Plural dos nomes terminados em x (= ce)

Os terminados em -x com o valor do ce (final com que podem tam.
Um ser grafados) fazem o plural em -ces:

cdlix (ou cólice), Álices; apêndix (ou apêndice), apêndices.

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Palavras que não variam no plural., - Não variam no plural os nomes
terminados em: a) s (em sílaba átona; palavras sigmáticas): o pires, os
pires; o lápis, os lápis.
Simples faz símpleces ou, o que é mais comum, não varia. Cais e xis
são invariáveis, o cais, os cais; o xis, os xis;

b) x (com o valor de cs): o tórax, os tórax; o ônix, os ônix.

OBUIRVAÇõEs: Alguns vocábulos com x = c$ possuem a variante em -ce: índex ou
índice; ápex ou ápice; códex ou códice. Seus plurais elo respectivamente índices, códices,
dpices. Aliás, elo preferíveis as grafias índice, dpice e códice, no singular.

Plurais com alteração de o fechado para o aberto (metafonia). -
Muitas palavras com o fechado tônico, quando passam ao plural, mudam
esta vogal para o aberto:

miolo - miolos.

Dentre as que apresentam

esta mudança (chamada
vogal tônica lembraremos aqui as mais usuais:

abrolho
antolho
caroço
choco
corcovo
coro
corpo
corvo
despojo
destroço
escolho
esforço

fogo
forno
foro
fosso
imposto
jogo
Miolo
mirolho
olho
osso
ovo
POÇO

Continuam com o fechado no plural

porco
porto
posto
povo
reforço
rogo
sobrolho
socorro
tijolo
torto
troco
troço

acordo esboço logro
adorno esposo morro
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almoço estorvo repolho
alvoroço ferrolho rolo
arroto fofo sogro
bota forro soldo
bojo gafanhoto sopro
bolo globo soro
bolso gorro toco
cachorro gosto toldo
caolho gOzo topo
coco horto torno
contorno jorro transtorno

metafonia) na

Não sofrem alteração os nomes próprios e os de família: os Diogos,
os Mimosos, os Raposos, os Portos.

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Plurais com deslocação do acento tônico. - Há palavras que, no
plural, mudam de sílaba tônica:

caráter
espécimen
júnior
júpiter
Lúcifer
sênior

caracteres
especímenes
juniores
jupíteres
Lucíferes
seniores

O plural sorores é de soror, oxítono, que se estende a sóror.

Alterações de sentido entre o singular e o plural. - Normalmente,
o plural guarda o mesmo sentido do singular. Isto não acontece, porém,
em algumas palavras:

bem (o que é bom) bens (propriedades)
féria (produto do trabalho diário) férias (dias de descanso)

"Onde não se preza a honra se desprezam as honras" (MARQUÊS DE MARICÁ).

Estão nestes casos os nomes que no plural indicam o casal: os pais
(pai e mãe), os irmãos (irmão e irmã), os reis (rei e rainha).

Palavras só usadas no plural. - Eis as principais:

afazeres
alvísSaras
anais
arredores
avós (antepassados)
belas-artes, belas-letras
confins

endoenças
exéquias
férias
núpcias
trevas
víveres
nomes de naipes: copas,
ouros, espadas, paus

Plural dos nomes de letras. - Os nomes de letras vão normalmente
ao plural, de acordo com as normas gerais.

Escreve com todos os efes e erres
Coloquemos os pingos nos is

N.B. Xis serve para singular e plural. Podemos ainda indicar o plural das letras
com a sua duplicação: ff, rr, ii.

Este processo ocorre em muitas abreviaturas:

E.E.U.U. (Estados Unidos, também representado por EUA, Estados Unidos da
América, ainda U.S.A.).

Plural dos nomes terminados em -zinho. - Põem-se no plural os
dois elementos e suPrime-se o s do substantivo:
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animalzinho = animal + zinho
animaizinhos
coraçUzinho = coraçjo + zinho
coraçoezinhos
florzinha = flor + zinha
florezinhas

Plural das palavras substantivadas. - Qualquer palavra pode subs-
tantivar-se, isto é, passar a substantivo:
o sim, o não, o quê, o pró, o contra

Tais palavras vão normalmente ao plural:
os sins, os nios, os quês, os prós, os contras.

Enqua ram-se neste caso os nomes que exprimem número:
Na sua caderneta há três setes e dois oitos.

Fazem exceção os terminados em -s (dois, três, seis), -z (dez) e mil,
que são invariáveis.

Quatro seis e cinco dez.

Plural dos nomes compostos. - Merece especial atenção o plural dos
nomes compostos, uma vez que as dúvidas e vacilações são freqüentes.
Sem pretendermos esgotar o assunto, apresentamos os seguintes critérios:

A - SOMENTE O úLTIMO ELEMENTO VARIA:
a) nos compostos grafados ligadamente:

fidalgo - fidalgos
girassol -girassóis
madressilva - madressilvas
pontapé - pontapés

b) nos compostos com as formas adjetivas grão, grã e bel:
grão-prior - grào-priores
gra-cruz - grá-cruzes
bel-prazer - bel-prazeres,

c)nos compostos formados de verbo ou palavra invariável seguida
de substantivo ou adjetivo:
furta-cor -furta-cores
beija-flor -beija-flores
abaixo-assinado - abaixo-assinados
alto-falante - alto-falantes
vice-rei - vice-reis
ex-diretor -ex-diretores
ave-maria - ave-marias

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d)nos compostos de três ou mais elementos, não sendo o 2.0 elemento
uma preposição:

bem-te-vi - bem-te-vis

e) nos compostos cujos elementos denotam sons de coisas:

reco-reco - reco-recos
tique-taque -tique-taques

B - SOMENTE O PRIMEIRO ELEMENTO VARIA:

a) nos compostos onde haja preposição, clara ou oculta:
pé-de-moIeque - pés-de-moleque
ferro-de-abrir-lata - ferros-de-abrir-lata
mula-sem-cabeça - muIas-sem-cabeça
cavalos-vapor (=de, a vapor) - cavalos-vapor

b)nos compostos de dois substantivos, onde o segundo exprime a
idéia de fim, semelhança:
navio-escola - navios-escola (= para escola)
salário-família - salários-familia
manga-rosa - mangas-rosa (= semelhante a rosa)
peixe-boi - peíxes-boi

C - AMBOS OS ELEMENTOS VARIAM:

Nos compostos de dois substantivos, de um substantivo e um adjetivo
ou de um adjetivo e um substantivo:
carta-bilhete
guarda-civil
guarda-mor
amor-perfeito
cabra-cega
gentil-homem
segunda-feira

D - FicAm INVARIAVEIS:

a) as frases substantivas:

cartas-bilhetes
guardas-civis
guardas-mores
amores-perfeitos
cabras-cegas
gentio-homens
segundas-feiras

* estou-fraca (ave) - as estou-fraca
* náo-sei-que-diga - os nâo-sei-que-diga
* disse-me-disse - os disse-me-disse
* bumba-meu-boi - os bumba-meu-boi

b) nos compostos de verboe palavra invariável:

os ganha-pouco
os pisa-mansinho
os cola-tudo

· paha-pouco
· pisa-mansinho
· cola-tudo

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c) nos compostos de verbos de sentido oposto:

· leva-e-traz - os leva-e-traz
· vai-volta - os vai-volta

E - ADMITEM MAIS DE UM PLURAL:

fruta-pjo: frutas-plo, fruta-pies
guarda-marinha: guardas-marinha ou guardas-marinhas(l)
padre-nosso: padres-nossos ou padre-nossos
ruge-ruge: ruges-ruges ou ruge-ruges
salvo-conduto: salvos-condutos ou salvo-condutos

Gênero do substantivo. - A nossa língua conhece dois géneros: o
masculino e o feminino.
São masculinos os nomes a que se pode antepor a palavra o:
o linho, o sol, o raio, o prazer, o filho, o beijo

São femininos os nomes a que se pode antepor a palavra a:
a flor, a casa, a mosca, a nuvem, a mãe

Formação do feminino

Podemos distinguir, na indicação do sexo feminino, os seguintes
processos:
a) com a mudança ou acréscimo na terminação:
1 - os terminados em -o mudam o -o em -a:

filho filha
aluno aluna

menino -menina
gato - gata

2 - os em -ão mudam a terminação, uns em 4, outros em -oa e outros
em -ona (se denotam seres aumentados):

anão - anã
cidadão - cidadã
irmão - irmã

ermitio - ermitoa
hortelão - horteloa
leão - leoa

chorão - chorona
pedinchão - pedinchona
valentão - valentona

3 - os em -or formam geralmente o feminino com acréscimo de a

doutor - doutora
professor - professora
OBSERVAÇÃO: Outros, terminados em -eira: arrumadeira, lavadeira, faladeira (a par
de faladora).

(1) Rejeita-ac, sem razão, o plural guarda-marinhas.

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variam:

Variam:

4 - os em -e uns ficam invariáveis, outros mudam o -e em -a, Não

amante, cliente, constituinte, doente, habitante,
inocente, ouvinte, servente, etc.*

alfaiate - alfaiata
infante - infanta (também aparece invariável)
governante - gover
i
presidente - presid, =a também aparece invariável
parente - parenta
monge - monja

5 - os em -és., -1, -z acrescentam a :

freguês - freguesa
português - portuguesa
juiz - juiza

6 - indicam o sexo feminino
-essa, -isa :

abade - abadessa
alcaide - alcaidessa (ou alcaidina)
barão - baronesa
bispo - episcopisa
conde - condessa
cônego canonisa
cônsul consulesa
diácuno - diaconisa
doge - dogesa, dogaresa, dogaressa
druida - druidesa, druidisa (em
O. Bilac)

zagal - zagala
oficial - oficiala

vocábulos derivados por meio de -esa,

duque - duquesa
etíope - etiopisa
jogral - jogralesa
papa papisa.
píton. pitonisa
poeta - poetisa
príncipe - princesa
prior - priora, prioresa
profeta - profetisa
sacerdote - sacerdotisa
visconde - viscondessa

7 - não se enquadram nos casos precedentes:

ateu - atéia
ator - atriz
avô - avó
capiau - capioa
condestável. - condestabeleza
confrade - confreira
czar /pron. tçar/ - czarina(l)
dom - dona
egeu - egéia
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embaixador - embaixatriz
europeu - européia
felá - felaína
filisteu - filistéia-
frade - freira
galo - galinha

(1) Também grafado: txar - uarina.

giganteu - gigantéia
grou. - grua
guri - guria
ilhéu - ilhoa
imperador - imperatriz
judeu - judia
landgrave - landgravina
marajá - marani
mandarini - mandarina
maestro - maestrina
peru - perua
pierr6 - pierrete
pigmeu - pigméia
raja ou rajá - râni ou rani
rapaz - rapariga

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I

rei rainha
réu ré
sandeu - sandia
silfo - sílfide

sultão - sultana
tabaréu, - tabaroa,
herói - heroína

b) com palavras diferentes para um e outro sexo (heterônimos):

1 - Nomes de pessoas:

cavaleiro - amazona
cavalheiro - dama
compadre - comadre
frei - sóror, soror, sor
genro - nora
homem - mulher
marido - mulher

2 - Nomes de animais:

bode -cabra
boi - vaca
burro - besta
cão - cadela

c) feminino com auxílio de outra palavra

padrasto - madrasta
padre - madre
padrinho - madrinha
pai - mãe
patriarca - matriarca
rico-homem - rica-dona

carneiro - ovelha
cavalo égua
veado veada, cerva (é)
zangão, zárigão - abelha

Há substantivos que têm uma só forma para os dois sexos:

estudante, consorte, mártir

São por isso chamados comuns de (ou a) dois. Tais substantivos
distinguem o sexo pela anteposição de o (para o masculino) e a (para o
feminino):
· estudante - a estudante
· camarada - a camarada
· mártir - a mártir

de dois:

Os nomes terminados em -ista e muitos terminados em -e são comuns

o capitalista - a capitalista; o doente - a doente.

Também nomes próprios terminados em -i (antigamente ainda -Y) são
comuns tanto a homens como a mulheres:

Darci, Juraci

#





Enquadram-se neste grupo os nomes de animais para cuja (fi-tinção
de sexo empregamos as palavras macho e fêmea:

cobra macho; jacaré fêmea

85
#





Podemos ainda servir-nos de outro torneio:

o macho da cobra; a fêmea do jacaré.

Estes nomes de animais se chamam epicenos.

d) sobrecomuns

São nomes de um só gênero gramatical que se aplicam, indistinta-
mente, a homens e mulheres:
o algoz, o carrasco, o cônjuge, a criatura, o ente, a pessoa,
o ser, a testemunha, o verdugo, a vítima.

Gênero estabelecido por palavra oculta. - São masculinos os nomes
de rios, mares, montes, ventos, lagos, pontos cardeais, meses, por suben-
tendermos estas denominações:
O (rio) Amazonas, o (oceano) Atidntico, o (vento) bóreas, o (lago) Lddoga, o
(mês) abril.

Por isso são normalmente femininos os nomes de cidades, ilhas:
A bela (cidade) Petrópolis. A movimentada (ilha) Governador.
Nas denomina" de navios depende do termo subentendido: o (transafláritico)
Argentina, a (corveta) Belmonte, etc.

Notem-se os seguintes géneros:
o (vinho) champanha (e não a champanha!), o (vinho) madeira, o (charuto)
havana, o (café) moca, o (gato) angord, o (cão) terra-nova.

Mudança de sentido na mudança de gênero. - Há substantivos que
são masculinos ou femininos, conforme o sentido com que se achem
empregados:
· cabeça (parte do corpo) o cabeça (o chefe)
· capital (cidade principal) o capital (dinheiro, bens)
· língua (órgão muscular; idioma) - o língua · lotaçdo (capacidade de um carro, navio, sala, etc.) - o lotação (forma abreviada
de aut· moral (parte da filosofia; moral de um fato; conclusão) - O Moral (conjunto de
nossas faculdades morais; ánimo)
· rádio (a estação) - o rádio (o aparelho)
· voga (moda; popularidade) - o voga (o remador)

Gêneros que podem oferecer dúvida:
a) São masculinos:
Os nomes de letra de alfabeto, clã, champanha, dó, eclipse, formicida, grama (uni-
dade de peso), jãngal, jângala, lança-perfume, milhar, pijama, proclama, saca-rolhas,
sanduíche, sósia, telefonema, soma (o organismo tomado como expressão material--- em
oposição às funçôes psíquicas).

86
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11 b) São femininos:

Aguardente, análise, fama, cal, cataplasma, cólera, cólera-morbo, coma (cabeleira
e vírgula), dinamite, elipse, faringe, fruta-pâo, gesta (= façanha), libido, polé, preá,
síndrome, tíbia, variante e os nomes terminados em -gem (exceção e personagem que
pode ser masc. ou feminino).

c) São indiferentemente masculinos ou femininos:

Ágape, avestruz, caudal, crisma, diabete, gambá, hélice, íris, juriti, igarité, lama ou
lhama, laringe, ordenança, personagem, renque, sabiá, sentinela, soprano, suástica, tapa,
trama (intriga), víspora.

Masculinos com mais de um feminino. - Além dos já apontados no
decorrer da lição, lembraremos ainda os mais usuais:

1 aldeão - aldeã, aldeoa
deus deusa, déia (poét.)
diabo diaba, diabra, diáboa
elefante - elefanta, elefoa, aliá
javali javalina, gíronda
ladrão ladra, ladrona, ladroa
melro méiroa, melra

motor motora, motriz (adj.)
pardal pardoca, pardaloca. pardaleja
parvo párvoa, parva
polonês - polonesa, polaca
varão - varoa, virago, matrona
vilão - vilã, viloa

OBSERVAÇÃO: As oraçôes e os vocábulos tomados materialmente são considerados
como do número singular e do género masculino-. É bom que estudes; o sim; o não.

Grau do substantivo. - Os substantivos apresentam-se com a sua
significação aumentada ou diminuída:

homem - homenzarrão - homenzinho

A M3 estabelece dois graus de significação do substantivo:
a) aumentatívo: homenzarrão
b) diminutivo(l): homenzinho

A indicação gradual do substantivo se realiza por dois processos:

a)sintético - consiste no acréscimo de um final especial chamado sufixo
aumentativo ou diminutivo: homenzarrão, homenzinho;
b)analítico - consiste no emprego de uma palavra de aumento ou dimi-
nuição (grande, enorme, pequeno, etc.) junto ao substantivo: homem
grande, homem pequeno.

Aumentativos e diminutivos afetivos. - Fora da idéia de tamanho,
as formas aumentatívas e diminutivas podem traduzir o nosso desprezo,
a nossa critica, o nosso pouco caso para certos objetos e pessoas:

poetastro,-p.oliticalho, livreco, padreco, coisinha

) Evite-se cuidadosamente o erro diminuitivo (com i).

87
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Dizemos então que os substantivos estão em sentido pejorativo.
A idéia de pequenez se associa facilmente à de carinho que trans-
parece nas formas diminutivas:

paizinho, mãezinha, queridinha.

2 - ADJETIVO

Adjetivo é a expressão modificadora que denota qualidade, condição
ou estado de um ser:

"Oceano terrível, mar imenso
De vagas procelosas que se enrolam
Floridas rebentando em branca espuma
Num pólo e noutro pólo" (G. DIAS).

Locução adjetiva - é a expressão formada de preposição + substan-
tivo com valor de um adjetivo:

Homem de coragem = homem corajoso
Livro sem capa = livro desencapado
"Era uma noite medonha,
Sem estrelas, sem luar" (G. DIAS).
Homem de cor

Note-se que nem sempre encontramos um adjetivo de sentido per-
feitamente idêntico ao de locução adjetiva:

Colega de turma.

Adjetivo explicativo e restritivo (1). - O adjetivo pode ser explica-
tivo ou restritivo.

EXPLICATIVO é o que designa uma qualidade, condição ou estado essencial
ao ser:

Homem mortal - Água mole - Gelo frio

RESTRITIVO o que designa qualidade, condição ou estado acidental ao ser:
Homem bom - Água morna - Gelo pequeno

Substantivação do adjetivo. - Certos adjetivos são empregados sem
qualquer referência a nomes expressos como verdadeiros adjetivos. A esta
passagem de adjetivos a substantivos chama-se substantivação:
"A vida é combate
que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar" (G. DIAS).

(1) A NGB não divide os adjetivos em explicativos e restritivos, fizemo-lo aqui porque
esta distinção é necessária para casos de pontuação, de sintaxe e de estilística (cf. págo. 228-229).

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Flexões do adjetivo. - Como o substantivo, o adjetivo pode variar
em número, gênero e grau.

Número do adjetivo. - O adjetivo acompanha o número do subs-
tantivo a que se refere:

aluno estudioso, alunos estudiosos.

O adjetivo portanto, conhece os dois números que vimos no substan-
tivo: o singular e o plural.

, Formação do plural dos adjetivos

Aos adjetivos se aplicam as mesmas regras de plural dos substantivos.

Quanto aos adjetivos compostos, lembraremos que normalmente só o
último varia:

amizades luso- b rasileiras, reuniões lítero-musicais.

Variam ambos os elementos, entre outros exemplos, surdo-mudo,
verde-claro, verde-escuro, verde-gaio: surdos-mudos, verdes-claros, verdes-
escuros, verdes-gaios.

Gênero do adjetivo. - O adjetivo concorda também em gênero com
o substantivo a que se refere. Conhece, assim, os gêneros comuns, ao subs-
tantivo: masculino e feminino.

Formação do feminino dos adjetivos. - Os adjetivos uniformes são
s que apresentam uma só forma para acompanhar substantivos masculinos
femininos. Geralmente
e -z:

povo lusíada
breve exame
trabalho útil
objeto ruim
estabelecimento
homem audaz
conto simples

estes uniformes terminam em -a, -e, -1, -m, -r,

- nação lusiada
- breve prova
- ação útil
- coisa ruim
modelar - escola modelar
- mulher audaz
- história simples

Exceções principais: andaluz, andaluza; bom, boa; chim, china; espanhol, espanhola.

Quanto aos biformes, isto é, que têm uma forma para o masculino e
tra para o feminino, os adjetivos seguem de perto as mesmas regras que
ntamos para os substantivos. Lembraremos aqui apenas os casos
ncipais:

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a) Os terminados em -és -or, e -u acrescentam no feminino um a, na
maioria das vezes.
chinês, chinesa; lutador, lutadora; cru, crua.
Exceções: 1) cortês, descortês, montés e pedrês são invariáveis; 2) incolor, multicor,
sensabor, melhor, menor, pior e outros são invariáveis. Outros em -dor ou -tor apresen-
tam-se em -triz: motor, motriz (a par de motora, conforme vimos nos substantivos);
outros terminam em -eira: trabalhador, trabalhadeira (a par de trabalhadora). Supe-
riora (de convento) usa-se como substantivo. 3) hindu é invariável; mau fab) Os terminados em -eu passam, no feminino, a -dia:
europeu, européia; ateu, atéia.
Exceções: judeu, judia; sandeu, sandia
tabaréu faz tabaroa; réu faz ré.

c) Alguns adjetivos também, no feminino, mudam a vogal tônica fechada
o para aberta:

laborioso, laboriosa; disposto, disposta.

Grau do a efivo. - Há três graus na qualidade expressa pelo
adjetivo: positivo, comparativo e superlativo* PosiTivo enuncia simplesmente a qualidade:
O rapaz é cuidadoso.

* comPARATivo compara qualidade entre dois ou mais seres esta-
belecendo:
a) uma igualdade:

b) uma superioridade:

c) uma inferioridade:

o rapaz é tão cuidadoso quanto (ou como) os outros.

à rapaz é mais cuidadoso que (ou do que) os outros.

o rapaz é menos cuidoso que (ou do que) os outros.

O SUPERLATIvO pode:

a) ressaltar, com vantagem ou desvantagem, a qualidade do ser em rela.
ção a outros seres:
Q rapaz d o mais cuidadoso dos (ou dentre os) pretendentes ao emprego.
o rapaz d o menos cuidadoso dos pretendentes.

b) indicar que a qualidade do ser ultrapassa a noção comum que temos
dessa mesma qualidade:
O rapaz é muito cuidadoso.
O rapaz é cuidadosíssimo.

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No primeiro caso, a qualidade é ressaltada em relação ou comparação
com os outros pretendentes. Diz-se que o superlativo é relativo.
Forma-se o superlativo relativo com a intercalação do adjetivo nas
fórmulas o mais ... de (ou dentre), o menos ... de (ou dentre).
No segundo caso, a superioridade é ressaltada sem nenhuma relacão

com outros seres. Diz-se que o superlativo é absoluto ou intensivo
O superlativo absoluto pode ser analitico ou sintético.

Forma-se o analítico com a anteposição de palavra intensiva (muito,
extremamente, extraordinariamente, etc.) ao adjetivo: muito cuidadoso.
O sintético é obtido por meio do sufixo -issimo (ou outro de valor

intensivo) acrescido ao adjetivo no grau positivo: cuidadosíssimo.
Quanto ao sentido, cuidadosíssimo diz mais, é mais enfdtico do que

muito cuidadoso. Na linguagem coloquial, se desejamos que o superlativo
absoluto analítico seja mais enfático, costumamos repetir a palavra inten-

O meio termo entre estes dois superlativos (muito cuidadoso - cuida-

dosíssimo) é obtido com a fórmula mais do que cuidadoso:

"Estas e outras argüições, complicadas com os procedimentos mais do que dspero
da expulsão do coleitor Castracani em 1639, não concorreram pouco para alienar de

todo o ânimo das populações_" (R. DA SiLvA, Hist. Port, IV, 75-6).

Alterações gráficas no superlativo absoluto. - Ao receber o sufixo

intensivo, o adjetivo no grau positivo pode sofrer certas modificações

cuidadosacuidadosissima
elegante - elegantíssimo
cuidadoso - cuidadosissim

b) os terminados em -vel mudam este final para -bil:

c) os terminados em -m e -jo passam respectivamente a -n e a?

A ra estes casos, outros há onde os superlativos se prendem às form
#





acre - acérrimo
amargo amaríssimo
amigo amicíssimo
antigo antiqüíssimo
áspero aspérrimo
benéfico - beneficentíssimo
benévolo - benevolentíssimo
célebre - celebérrimo
célere - celérrimo
cristão - cristianíssimo
cruel - crudelíssimo
difícil dificílimo
doce dulcíssimo
fiel fidelíssimo
frio frigidíssimo
geral generalíssimo
honorífico - honorificentíssimo
humilde humílimo
incrível incredibilíssimo
inimigo inimicíssimo
íntegro integérrimo
livre - libérrimo
magnífico - magnificentíssimo,

magro - macérrimo
malédico - maledicentíssimo
maléfico maleficentissimo,
malévolo malevolentíssimo
mísero - misérrimo
miúdo minutíssimo
negro nigérrimo
nobre - nobilíssimo
parco - parcíssimo,
pessoal - personalíssimo
pobre - paupérrimo
pródigo prodigalíssimo
provável probabilíssimo
público publicíssimo
sábio - sapientíssimo
sagrado sacratíssimo
salubre salubérrimo
são - saníssimo
simples - simplicíssimo
soberbo - superbíssimo
tenaz tenacíssimo
tétrico tetérrimo

Ao lado do superlativo à base do termo latino, pode circular o que
procede do adjetivo no grau positivo acrescido da terminação -íssimo:

agílimo - agilíssimo
antiqüíssimo antiguíssimo
crudelíssimo cruelíssimo
dulcissimo - docissimo
facílimo - facilíssimo

humílimohumildíssimo
Inacérrimo magríssimo
nigérrimonegríssimo
paupérrimo - pobríssimo

OBs.: Chamamos a atenção para as palavras terminadas em -io não precedido de
e que, na forma sintética, apresentam dois is

sério - seriíssimo
precdrio - precariíssimo
#






frio - friíssimo
necessário - necessariÍssimo

Tendem a fixar-se as formas populares seríssinio (coisa seríssinza),
necessaríssimo e semelhantes, com Um i apenas

Comparativos e superlativos irregulares. - Afastam-se dos demais na ~
sua formação de comparativo e superlativo os adjetivos seguintes:

Positivo Comparativo de Superlativo
superioridade absoluto relativo

bom melhorótimo o melhor
mau piorpéssimo o pior
grande maiormáximo o maior
pequeno menormínimo o menor

(*) "A falsa noticia do falecimento de Gonçalves Dias teve a boa conseqüència de mover
o Governo a aliviar-lhe à situaçáo material, que era prerarissima- (M. BANDEIRA, Poesia e
Prosa, ed. Aguilar, 11, 778).

92

a

c

V:
Q

tig

a(
#





Não se diz mais bom nem mais grande em vez de melhor e maior
mas podem ocorrer mais pequeno, o mais pequeno, mais mau, por meno1~.
o menor, pior.
Ao lado dos superlativos o maior, o menor, figuram ainda o máximo
e o mínimo que se aplicam a idéias abstratas e aparecem ainda em expres-
sões científicas, como a temperatura máxima, a temperatura mínima, má-
ximo divisor comum, mínimo múltiplo comum, nota máxima, nota
mi níma.
Em lugar de mais alto e mais baixo usam-se os comparativos superior
e inferior; por o mais alto e o mais baixo, podemos empregar os super-
lativos o supremo ou o sumo, e o ínfimo.
Comparando-se duas qualidades, ou ações, empregam-se mais bom,
inais mau, mais grande e mais pequeno em vez de melhor, pior, maior,
menor:

É mais bom do que mau (e não: é melhor do que mau)
A escola é mais grande do que pequena
Escreveu mais bem do que mal
Ele é mais bom do que inteligente.

Por fim, assinalemos que depois dos comparativos em -or (superior,
inferior, anterior, posterior, ulterior) se usa a preposição a
Superior A ti, inferior AO livro, anterior A nós

Repetição de adjetivo com valor superlativo. - Na linguagem colo-
quial pode-se empregar, em vez do superlativo, a repetição do mesmo
adjetivo:

O dia está belo belo (= belíssimo)
Ela era linda linda (= lindíssima).

Proferindo-se estas orações, dá-se-lhes um tom de voz especial para
melhor traduzir a idéia superlativa expressa pela repetição do adjetivo.
Geralmente consiste na pausa demorada na vogal da sílaba tônica.

Comparações em lugar do superlativo. - Para expressarmos mais
vivamente o elevado grau de uma qualidade do ser, empregamos ainda
comparações que melhor traduzem a idéia superlativa:
Pobre como já (= paupérrimo), feio como a necessidade (feiíssimo), claro como
água, escuro como breu, esperto como ele só, malandro como ninguém.

Usam-se ainda certas expressões não comparativas: podre de rico,
feio a mais não poder, grande a valer.

Adjetivos diminutivos. - As formas diminutivas de adjetivos podem
adquirir valor de superlativo:
Blusa amarelinha, garoto bonitinho; "É bem feiozinho, benza-o Deus, o tal teu
amigo 1" (A. DF. AzFwDo).

93

I
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3 - ARTIGO

Artigo é a palavra que se antepõe aos substantivos que designam
seres determinados (o, a, os,, as) ou indeterminados (um, uma, uns, umas).
Daí a divisão dos artigos em definidos (que são o, a, os, as) e inde-
finidos (um, uma, uns, umas):
quero o livro.
Quero um livro.

No primeiro caso, o substantivo designa um livro determinado e
conhecido, inconfundível para a pessoa que fala ou escreve.
No segundo, o substantivo designa um livro qualquer dentre outros,
Precedido, de artigo definido pode também o substantivo exprimir a
espécie inteira:

o homem é mortal.

Não se trata aqui de um homem determinado, mas, sim, uma refe-
rência ao ser humano em geral.
Nem sempre se evidencia a oposição entre o, a, os, as e um, uma, uns,
umas, porque os artigos aparecem em construções dos mais variados
valores.

4 - PRONOME

Pronome é a expressão que designa os seres sem dar-lhes nome nem
qualidade, indicando-os apenas como pessoa do discurso.

Pessoas do Ocurso. - Três são as pessoas do discurso: a que fala
(1.a pessoa), a ~~m que se fala (2.a pessoa) e a pessoa ou coisa de que se
fala (3.a pessoa).

Classificação dos pronomes. - Os pronomes podem ser: pessoais, ',
i
possessivos, demonstrativos (abarcando o artigo definido), indefinidos
(abarcando o artigo indefinido), interrogativos e relativos.

PRONOME SUBSTANTIVO, e PRONOME, ADJETIVO. - O pronome pode apa-
recer em referência a substantivo claro ou oculto:
Meu livro é melhor que o teu.

Meu e teu são pronomes porque dão idéia de posse em relação à pessoa
do discurso: meu (1.a pessoa, a que fala), teu (2.a pessoa, a com que se
fala). Ambos os pronomes estão em referência ao substantivo livro que
vem expresso no início, mas se cala no fim por estar perfeitamente claro
ao falante e ouvinte. Esta referência a substantivo caracteriza a função,,,

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adjetiva de certos pronomes. Muitas vezes, sem que tenha vindo expresso
anteriormente, dispensa-se o substantivo, como em: Dar o seu a seu dono
(onde ambos os pronomes possessivos são adjetivos).
já em: Isto é melhor que aquilo, os pronomes isto e aquilo não se
referem a nenhum substantivo, mas fazem as vezes dele. São, por isso,
, pronomes substantivos.
1
Há pronomes que são apenas substantivos ou adjetivos, enquanto
i~ outros podem aparecer nas duas funções.

Pronomes pessoais. - Os pronomes pessoais designam as três pessoas
~ do discurso:

1.a pessoa: eu (singular), nós (plural),
2.a pessoa: tu (singular), vós (plural) e
3.a pessoa: ele, ela (singular), eles, elas (plural).

O plural nós indica eu mais outra ou outras pessoas, e não eu + eu.
As formas eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas, que funcionam como
,; sujeito, se dizem retas. A cada um destes pronomes pessoais retos, corres-
,, ponde um pronome pessoal oblíquo que funciona como complemento e
11 pode apresentar-se em forma átona ou forma tônica. Ao contrário das
, formas átonas, as tõnicas vêm sempre presas a preposição:

PRONOMES PESSOAIS ~3 PRONOMES PESSOAIS OBLfQUOS
átonos (sem prepos.)tônicos (c/prep.)
Singular: 1.a pessoa: eu me mim
2.a pessoa : tu te ti
k 3.a pessoa: ele, ela lhe, o, a, se ele, ela, si
Plural : 1.a pessoa: nós nos nós
2.a pessoa: vós vos vós
eles, OW, si
3.a pessoa: eles, elas lhes, os, as, se

Exemplos de pronomes oblíquos átonos:

~*Queixamo-nos da fortuna (destino) para desculpar a nossa preguiça?' (Marquês de-
MAJUCÁ).
`A melhor companhia acha-se em uma escolhida livraria" (IDEM).

!Ixemplos de pronomes oblíquos tônicos:

_*Os nossos maiores inimigos existem dentro de nós mesmos: são os nonos , vícios
paixbu" (IDEM).
.ÀA& virtudes se harmonizam, os vícios discordam entre si" (wEm).

Se a preposição é com, dizemos comigo, contigo, consigo, conosco,
e não: com mi, com ti, etc. Empregam-se, entretanto, com nós
com vós quando estes pronomes tônicos vêm seguidos de mesmos, pró-
~,rios, todos, outros ou oraçao adjetiva.

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PRONOME -OBLíQUO REFLEXIVO. - É o pronome oblíquo da mesma pes-

soa do pronome reto, significando a i esmo a ti mesmo etc.:

PRONOME OBLíQUO RECíPROCO. - É representado pelos pronomes nos

vos, se quando traduzem a idéia de u ao outro recibrocamente

PRONOME DE TRATAMENTO - Existem ainda formas de tratamento
indireto de 2.a pessoa que levam o verbo para a 3.a pessoa. São os cha

A estes I)ronomes de tratamento r)ertencem as formas de reverência

que consistem em nos dirigirmos às pessoas pelos seus atributos ou quali-

Vossa Alteza (V. A., para príncipes, duques
Vossa Eminência (V. Em.a, para cardeais)

Vossa Excelência (V. Ex.a, para altas patentes militares, ministros, Presidente da Repú-

blica, pessoas de alta categoria, bispos e arcebispos)
Vossa Magnificência (para reitores de universidade)
Vossa Majestade (V. M., para reis, imperadores)

Vossa Onipotência (para Deus - não se usa abreviadamente)'
Vossa Reverendíssima (V. Rev.ma, Dara os sace otes)

Vossa Senhoria (V. s.a, para oficiais até coronel, funcionários graduados, pessoas de

1.a) Emprega-se vossa Alteza (e demais) quando 2.a pessoa, isto é, em relação
a quem falamos, emprega-se Sua Alteza (e demais) quando 3.a pessoa, isto é, em
A A- 4r_ 1

2.a) Você, hoje usado familiarmente, é a redução da forma de reverência.Foss
Mercê. Caindo o pronome vós em desuso, só usado nas orações e estilo solene, em

3.a) O substantivo gente, precedido do artigo a e em referência a um grupo d
pessoas em que se inclui a que fala, ou a esta sozinha, passa a pronome e se emprev
fora da linguagem cerimoniosa. Em ambos os casos o verbo fica na 3.a pessoa d(

"È verdade que a gente, às vezes, tem cí as suas birras" (ALEXANDRE HERCULANO
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Pronomes possessivos. - São os que indicam a posse em referência
às três pessoas do discurso:

SINGULAR: 1.a pessoa: meti minha meus minhas
2.a pessoa : teu tua teus tuas
3.a pessoa: seu sua seus suas

PLURAL: 1.a pessoa: nosso nossa ?IOSSOS nossas
2.a pessoa: vosso vossa vossos vossas
3.2 pessoa: seu sua SeUs suas

Pronomes demonstrativos. - São os que indicam a posição dos seres
em relação às três pessoas do discurso.
Esta localização pode ser no tempo, no espaço ou no discurso:
1.a pessoa este, esta, isto
2.a pessoa esse, essa, isso
3.a pessoa: aquele, aquela, aquilo

Este livro é o livro que está perto da pessoa que fala; esse livro é o
que está longe da pessoa que fala ou perto da pessoa com quem se fala;
aquele livro é o que se acha distante da 1.a e da 2.a pessoa.
Nem sempre se usam com este rigor gramatical os pronomes demons-
. trativos; muitas vezes interferem situações especiais que escapam à disci-
plina da gramática.
São ainda pronomes demonstrativos o, mesmo, próprio, semelhante
e tal.
O (com as variações a, os, as) equivale a isto, isso, aquilo, aquele,
aquela, aqueles, aquelas.

Não sei o que dizes.
o que me pedes é impossível.
"Sigam-me os que forem brasileiros".
Não o consentirei jamais.

O pronome o, perdido o seu valor essencialmente demonstrativo e
posto antes de substantivo, como adjunto, recebe o nome de artigo defi-
nido. Assim é que a gramática, no exemplo seguinte, considera o primeiro
os artigo definido e o segundo pronome demonstrativo:
"Os homens de extraordinários talentos são ordinariamente os de menor juízo" (Marquês
de MARICÁ).

Mesmo, próprio, semelhante e tal têm valor demonstrativo quando
denotam identidades ou se referem a seres e idéias já expressas anterior-
,mente, e valem por esse, essa, aquele, aquela, isso, aquilo:
"Depois, como Pádua falasse ao sacristão baixinho, aproximou-se deles; eu fiz a mesma
coisa" (M. DE Assis, D. Casmurro, 87).
*Não paguei uns nem outros, mas saindo de almas cândidas e verdadeiras tais promessas
são como a moeda fiduciária..." (IDEM, ibid, 202).
É proibido dizeres semelhantes coisas.

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Mesmo e próprio aparecem ainda reforçando pronomes pessoais:

Ela mesma quis ver o problema.
Nós próprios o dissemos.
"Tal faço eu, à medida que me vai lembrando, convindo à construção ou reconstrução
de mim mesmo" (M. DE Assis, ibid., 203).

Pronomes indefinidos. - São os que se aplicam à 3.a pessoa quando
tem sentido vago ou exprimem quantidade indeterminada.
. Funcionam como pronomes indefinidos substantivos, todos invariá-
veis: alguém, ninguém, tudo, nada, algo, outrem.
"Ninguém mais a voz sentida
Do Trovador escutoul" (G. Dus).

São pronomes indefinidos adjetivos, todos variáveis, com exceção de
cada: nenhum, outro (também isolado), um (também isolado), certo,
qualquer (só variável em número: quaisquer), algum, cada:
"As tiras saem-lhe das mãos, animadas e polidas. Algumas trazem poucas emendas
ou nenhumas" (M. DE Assis, Vdrias Histórias, 274).
"A vida a uns, a morte confere celebridades a outros (Marquês de M~CA).

Aplicam-se a quantidades indeterminadas os indefinidos, todos variá-
veis com exceção de mais e menos: muito, mais, menos, pouco, todo,
algum, tanto, quanto, vdrios, diversos:

Mais amores e menos confiança (nunca menas!).
Com pouco dinheiro compraram diversos presentes.
Isto é o menos que se pode exigir.
Muito lhe devo.
Erraste por pouco.
Quantos não en ram neste caso 1

IOBsERY,kçXo: O pronome indefinido um pode ser usado como substantivo, prin-
èipalmente nas locuç5es do tipo cada um, qualquer um. Como adjetivo recebe o nome
de artigo indefinido.

As duplas quem... quem, qual... qual, este... este, um... outro
com sentido distributivo também são pronomes indefinidos:
"Qual se abisma nas 16bregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
com esperanças mil nas idéias acesas" (BOCAGE).

Isto é: um se abisma. . . outro discorre.

Muitas vezes a posição da palavra altera seu sentido e sua classificação:

Certas pessoas (pron. indef.) não chegam na hora certa (adjetivo), mas em certas
horas (pron. indefinido).
Algum livro (= certo livro). Livro algum (= nenhum livro).

98
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Em outras épocas algum podia ter sentido afirmativo ou negativo
independente de sua posição:
"Desta gente refresco algum tomamos" (CAMUs, Lustadas, V, 69).
Refresco algum = algum refresco.
"Vós a quem somente algum perigo
Estorva conquistar o povo imundo" (imm, ibid., VII, 2).
Algum perigo = nenhum perigo.

LocuçÃo PRONOMINAL INDEFINIDA. - É o grupo de palavras que vale
por um pronome indefinido. Eis as principais locuções: cada um, cada
qual, qualquer um, quem quer, quem quer que, o que quer que, seja
quem for, seja qual for, quanto quer que, o mais, alguma coisa.
"As verdades não parecem as mesmas a todos, cada um as vê em ponto diverso
de perspectiva" (Marquês de MARICÁ).

Pronomes interrogativos. - São os pronomes indefinidos quem, que,
qual e quanto, que se empregam nas perguntas:
Quem veio aqui?
"Que cabeça, senhora?"
Que compraste?
Qual autor desconhece?
Qual consideras melhor?
Quantos vieram?
Quantos anos tens?

Em lugar de que pode-se usar a forma enfática o que:
"Agora por isso, o que será feito de frei Timóteo?1 Era naquele tempo um frade
guapo e alentado 1 O que será feito dele?" (A. HERcuLANo, Lendas e Narrativas, II, 135)_

Quem refere-se a pessoas, e é pronome substantivo. Que refere-se a
"' pessoas ou coisas, e é pronome substantivo (com o valor de que coisa?)
, , ou pronome adjetivo (com o valor de que espécie?) Qual e também que,
indicadores de seleção, normalmente são pronomes adjetivos:

Em qual livraria compraremos o presente?
Em que livraria compraremos o presente?

Ressalta-se ainda a seleção antepondo ao substantivo no plural a
expressão qual dos, qual das:
Em qual dos livros encontraste o exemplo ?
OBSERVAÇÃO: Estes interrogativos saem normalmente dos pronomes indefinidos e
1 por isso costumam ser chamados indefinidos interrogativos. Aparecem ainda nas excia-
llmçõc, e neste caso o que adquire sentido francamente intensivo: Que susto levei 1
~(Compare-se com: "Que cabeça, senhora?").

Diz-se interrogação direta a pergunta que termina por ponto de inter-
Jogação e se caracteriza pela entoação ascendente: Quem veio aqui?

99
#





Interrogação indireta é a pergunta que: a) se faz indiretamente e
para a qual não se pede resposta imediata; b) é proferida com entoação
normal descendente; c) não termina por ponto de interrogação; d) vem
,depois de verbo que exprime interrogação ou incerteza (perguntar, inda-
gar, não saber, ignorar, etc.):

Quero saber quem veio aqui.

Eis outros exemplos de interrogação indireta começados pelos prono-
mes interrogativos já citados:

Ignoro que cabeça, senhora.
Indagaram-me que compraste.
Perguntei-te por que vieste aqui.
Não sei qual autor desconhece.
Desconheço qual consideras melhor.
Indagaram quantos vieram.

Pronomes relativos. - São os que normalmente se referem a um
termo anterior chamado antecedente:

Eu sou o freguês que por último compra o jornal.
(0 que se refere à palavra freguês.)

Os pronomes relativos são: qual, o qual (a qual, os quais, as quais),
cujo (cuja, cujos, cujas), que, quanto (quanta, quantos, quantas), onde.
Quem se refere a pessoas ou coisas personificadas e sempre aparece
precedido de preposição. Que e o qual se referem a pessoas ou coisas.
Que e quem funcionam como pronomes substantivos. O qual aparece
como substantivo ou adjetivo:

As pessoas de quem falas não vieram.
O ônibus que esperamos está atrasado.
Não são poucas as alunas que faltaram.
Este é o assunto sobre o qual falará o professor.
Não vi o menino, o qual menino os colegas procuram.
A casa onde moro é espaçosa.

Cujo, sempre com função adjetiva, exprime que o antecedente é pos-
suidor do ser indicado pelo substantivo a que se refere:

Ali vai o homem cuja casa comprei
(a casa do homem).

Quanto tem por antecedente um pronome indefinido (tudo, todo,
todos, todas, tanto):

Esqueça-se de tudo quanto lhe disse.

100
#





PRONOMES RELATIVOS SEM ANTECEDENTE. - Os pronomes relativos quem
e onde podem aparecer com emprego absoluto, sem referência a ante-
cedentes:

Quem tudo quer tudo perde.
Dize-me com quem andas e eu te direi quem és.
Moro onde mais me agrada.

Quem, assim empregado, é considerado como do gênero masculino
do número singular:
Quem com ferro fere com ferro será ferido.

OBSERVAÇÃO: Os relativos sem antecedentes também se dizem relativos indefinidos.
Muitos autores preferem, neste caso, subentender um antecedente adaptável ao contexto.
Interpretando quem como a pessoa que, onde como o lugar em que, assim substituem:
Quem tudo quer tudo perde = a pessoa que tudo quer tudo perde.
Este duplo modo de encarar o problema tem repercussões diferentes na classificação
das orações subordinadas, conforme veremos na pág. 221.

5 - NUMERAL

Numeral é a palavra que denota nome de número.

"A vida tem uma só entrada: a saída é por cem portas"
(Marquês de MARICÁ).

Tipos de numeral. - Dividem-se os numerais em cardinais, ordinais,
multiplicativos e fracionórios.
Cardinais são osque exprimem a quantidade em si mesma ou a
quantidade certa dos seres. Respondem à pergunta quantos? quantas?.-
um, dois, três, quatro, cinco, etc.

OBSERVAÇÃO: Em vez de dois, duas, podemos empregar o numeral dual ambos,
ambas, se os seres são nossos conhecidos ou já foram expressos anteriormente:

Ambas as casas já foram alugadas.

Ordinais são os que denotam o número de ordem dos seres numa série:

primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, etc.

OBSERVAÇÃO: Oltimo, penúltimo, antepenúltimo, anterior, posterior, derradeiro, an-
tero-posterior e outros que tais, ainda que exprimam posição do ser, não têm corres-
pondência entre os numerais e por isso devem ser considerados meros adjetivos.

Multiplicativos são os que exprimem a multiplicidade dos seres. Os,
mais usados são:

duplo ou dobro, triplo ou tríplice, quádruplo, quintuplo, sêxtuplo,
séptuplo, óctuplo, nônuplo, décuplo, cêntuplo.

101
#





Fraciondrios são os que indicam frações dos seres:

avos.

OBURVAÇõFJ:
1.a) Emprega-se ainda conto, em lugar de milhílo, na expressão conto de réis.
2.a) Podem ser grafados com li ou [h os seguintes cardinais: bililo (ou bilháo),
trililo, quatrilião, quintililo, sextililo, setililo, octililo. As formas com lh alo mais
_freqüentes.

meio, terço, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo, vigésimo, centésimo,
milésimo, milionésimo, empregados como equivalentes de metade, terça parte, quarta
parte, etc.

Para muitos fracionários empregamos o cardinal seguido da palavra

onze avos, treze avos,

Lista dos principais ordinais com o

primeiro
segundo
terceiro
quarto
quinto
sexto
aétimo
I
oitavo
nono
décimo
undécimo ou décimo primeiro -
duodécimo ou décimo segundo -
décimo terceiro
décimo quarto
Vigésimo
vigésimo primeiro
trigésimo
quadragésimo
qüinquag ' ésimo
sexagésimo
septuagésimo, setuagésimo
octogésimo
nonagésimo
centésimo
ducentésimo
trecentésimo
quadringentésimo
qüingent4simo
seiscentésimo, sexcentésimo
septingentésimo, setingentésimo
octingentésimo
nongentésimo, noningentésimo
milésimo
dez milésimos
cem milésimos
milionésimo
bilionésimo

quinze avos, etc.

cardinal correspondente:

um
dois
trés
#





quatro
cinco
seis
sete
oito
nove
dez
onze
doze (e não douze 1)
treze
quatorze, catorze
vinte
vinte e um
trinta
quarenta
cinqüenta
sessenta
setenta
oitenta
noventa
cem
duzentos
trezentos
quatrocentos
quinhentos
seiscentos
setecentos
oitocentos
novecentos
mil
dez mil
cem mil
um milhão
um bilhâo

102
#





. 3.a) A tradição da língua estabelece que, se o ordinal é de 2.000 em diante, o
primeiro numeral usado é cardinal: 2345.2 - a duas milésima trecentésima quadragé-
sima quinta. A língua moderna, entretanto, parece preferir o primeiro numeral como
ordinal, se o número é redondo: décimo milésimo aniverário.

6 - VERBO

Verbo é a palavra que, exprimindo ação ou apresentando estado ou
mudança de um estado a outro, pode fazer indicação de pessoa, número,
tempo, modo e voz.
Caetaremos é uma forma verbal, porque exprime uma ação (a de
cantar), exercida (referência à voz) pela 1.a pessoa (referência à pessoa)
do plural (referência ao número), do presente (referência ao tempo) do
indicativo (referência ao modo).

As pessoas do verbo. - Geralmente as formas verbais indicam as três
pessoas do discurso, Para o singular e o pluxal-

1.a pessoa do singular:
" pessoa do singular:
3.a pessoa do singular:

eu canto
tu cantas
ele canta

La pessoa do plural: nós cantamos
2.a pessoa do plural: vós cantais
3.a pessoa do plural: eles cantam

Os tempos do verbo. - São:

a)PREsENTE - em referência a fatos que se passam ou se estendem
ao momento em que falamos:

eu canto;

I

b) PRETÉRrro - em referência a fatos anteriores ao momento em que
falamos e subdividido em imperfeito, perfeito e mais-que-perfeito:
cantava (imperfeito), cantei (perfeito) e
cantara (mais-que-perfeito);

C) FUTURO - em referência a fatos ainda não realizados e subdividido
em futuro do presente e futuro do pretérito4
cantarei (futuro do presente),
cantaria (futuro do pretérito).

Os modos do verbo. - São:

a) INDICATIVO - em referência a fatos reais:
canto, cantei, cantarei

103
#





b) SUBJUNTIVO - em referência a fatos duvidosos, prováveis, possi-
veis, etc.

talvez cante, se cantasse

C) IMPERATIVO -
etc.:

exprime ordem, pedido, convite, conselho, súplica,

cantai.

As vozes do verbo. - São:

a) ATIVA : forma em que o verbo se apresenta para normalmente
indicar que a pessoa a que se refere pratica a ação. A pessoa diz-se neste
caso, agente da ação verbal:
eu escrevo a carta, tu visitaste o
primo, nós plantaremos a árvore.

b) PASSIVA: forma verbal que indica que a pessoa recebe a ação
verbal. A pessoa, neste caso, diz-se paciente da ação verbal:
A carta é escrita por mim, o primo foi visitado por ti, a árvore será plantada por nós.

A passiva pode ser analítica (formada com um dos verbos ser, estar,
ficar seguido de particípio) ou pronominal (formada com verbo acom-
panhado do pronome oblíquo se, que se chama, no caso, pronome
apassivador):

A casa foi alugada (passiva analítica).
Aluga-se a casa (passiva pronominal).

A passiva analítica difere da passiva pronominal em dois pontos:

1) pode apresentar o verbo em qualquer pessoa, enquanto a prono-
minal só se constrói na 3.a pessoa:
Eu fui visitado pelos meus parentes.
Nós foinos visitados pelos parentes.

2) pode seguir-se de uma expressão que denota o agente da
passiva, enquanto a pronominal, no português moderno, a dispensa obri-
gatoriamente:
Eu fui visitado pelos parentes.
Aluga-se a casa (não se diz aluga-se a casa pelo proprietário).
OBSERVAÇÃO: Em construções do tipo batizei-me, chamas-te José, há professores
que vêem passiva pronominal com pronomes oblíquos de 1.a e 2.a pessoa. Outros, porém,
não pensam assim, e interpretam o fato como um emprego da voz reflexiva, indicando
11 uma atitude de aceitação consciente do nome dado ou do batismo recebido- (j. MATOSO
CÂMARA, Diciondrio, 36).

c) REFLEXIVA: forma verbal que indica que a pessoa é, ao mesmo
tempo, agente e paciente da ação verbal, formada de verbo seguido de
pronome oblíquo de pessoa igual à que o verbo se refere:
eu me visto, tu te feriste, ele se enfeita,

104
#





O verbo empregado na forma reflexiva diz-se pronominal.
OBSERVAÇõES:
1.a) Com verbos como atrever-se, indignar-se, queixar-se, ufanar-se, admirar-se, não
se percebe mais a ação rigorosamente reflexa, mas a indicação de que a pessoa a que
o verbo se refere está vivamente afetada. Com os verbos de movimento ou atitudes
da pessoa "em relação ao seu próprio corpo" como ir-se, partir-se, e outros como
servir-se, onde o pronome oblíquo empresta maior expressividade à frase, também não
se expressa a ação reflexa. Alguns gramáticos chamam ao pronome oblíquo, nestas
últimas circunstâncias, pronome de realce.
2.a) A voz reflexiva, no plural, pode assumir sentido de reciprocidade:
Eles se odeiam (isto é, um odeia o outro).

Voz passiva e passividade. - É preciso não confundir voz passiva
e passividade. Voz é a forma especial em que se apresenta o verbo para
indicar que a pessoa recebe a ação:

Ele foi visitado pelos amigos.
Alugam-se bicicletas.

Passividade é o fato de a pessoa receber a ação verbal. A passividade
pode traduzir-se, além da voz passiva, pela ativa, se o verbo tiver sentido
passivo:

Os criminosos recebem o merecido castigo.

Portanto nem sempre a passividade corresponde a voz passiva(').

Formas nominais do verbo. - Assim se chamam o infinitivo, o parti-
cípio e o gerúndio, porque, ao lado do seu valor verbal, podem desem-
penhar função de nomes. O infinitivo pode ter função de substantivo
(recordar é viver = a recordação é vida); o particípio pode valer por
um adjetivo (homem sabido) e o gerúndio por um advérbio ou adjetivo
(amanhecendo, sairemos = logo pela manhã sairemos; água fervendo =
água fervente). Nesta função adjetiva o gerúndio tem sido apontado
como galicismo; porém, é antigo na língua este emprego.
As formas nominais do verbo, Lom exceção do infinitivo, não definem
as pessoas do discurso e, por isso, são ainda conhecidas por formas infinitas.
Possuem desinências nominais idênticas às que caracterizam a flexão dos
nomes.
O infinitivo português, ao lado da forma infinita, isto é, sem indica-
ção da pessoa do discurso, possui outra flexionada:
Infinito sem flexão
Cantar

Infinito flexionado
Cantar eu
Cantares tu
Cantar ele
Cantarmos nós
Cantardes vós
Cantarem eles

(1) Assim sendo, não se pode falar em voz passiva diante de linguagens do tipo osso duro
de roer. Houve aqui, se interpretarmos roer = de ser roído, apenas passividade, com verbo na
voz ativa. Sobre o sentido ativo ou passivo do infinitivo, veja-se página 244.

105
#





As formas nominais do verbo se derivam do tema (radical + vogal
temática) acrescido das desinências:
a) -r: para o infinitivo: canta-r, vende-r, parti-r.
b) -do: para o particípio: canta-do, vendi-do (cf. pág. 113), parti-do-
c) -ndo: para o gerúndio: canta-ntio, vende-ndo, parti-ndo.
OBsERvAçXo: O verbo vir (e derivados) forma também o seu particípio com a
desinéncia -do; mas, pelo desaparecimento da vogal temática i, apresenta-se igual ao
gerúndio: vindo (por vin-i-do) e vindo (vi-ndo).

Conjugar um verbo. - É dizê-lo, de acordo com um sistema deter-
minado, em todas as suas formas nas diversas pessoas, números, tempos,
modos e vozes.
Em português temos três conjugações caracterizadas pela vogal
temática:

1.a conjugação - vogal temática a: amar, falar, tirar.
2.a conjugação - vogal temática e: temer, vender, varrer.
3.a conjugação - vogal temática i: partir, ferir, servir.
O~AÇÃo: Não existe a 4.a conjugação; por é um verbo da 2.a conjugação cuja
vogal temática desapareceu no infinitivo.

Verbos regulares, irregulares e anômalos. - Díz-se que um verbo é
regular quando se apresenta de acordo com o modelo de sua conjugação:
cantar, vender, partir. No verbo regular também o radical não varia.
Tem-se o radical de um verbo privando-o, no infinito sem flexão, das ter-
minações -ar, -er, -ir:
am-ar, fal-ar, tir-ar, tem-er, vend-er, varr-er, part-ir, fer-ir, serv-ir.
Irregular é o verbo que, em algumas formas, apresenta variação no
radical ou na flexão, afastando-se do modelo da conjugação a que pertence:
a) variação no radical em comparação com o infinitivo:
ouvir - ouço; dizer - digo; perder - perco;
b)variação na flexão, em relação ao modelo: estou (veja-se canto),
estás (veja-se cantas, um tônico e outro átono).
Os irregulares se dividem em fracos e fortes. Fracos são aqueles cujo
radical do infinitivo não se modifica no pretérito: sentir - senti; perder -
perdi.
Fortes são aqueles cujo radical do infinitivo se modifica no pretérito
perfeito: caber - coube; fazer - fiz.
Os irregulares fracos apresentam formas iguais no infinitivo flexio-
nado e futuro do subjuntivo:
Infinitivo
Sentir
Sentires
Sentir
Sentirmos
Sentirdes
Sentirem

106

Futuro do Subjuntivo
Sentir
Sentires
Sentir
Sentirmos
Sentirdes
Sentirem
#





Os irregulares fortes não apresentam identidade de formas entre o
infinitivo flexionado e o futuro do subjuntivo:

Infinito flexionado
Caber
Caberes
Caber, etc.

Futuro. do Subjuntivo

Couber
Couberes
Couber, etc.

OBsnvAçÃo: Não entram no rol dos verbos irregulares aqueles que, para conservar
o som, têm de sofrer variação de grafia:
carregar - carrego - carreguei - carregues
ficar - fico - fiquei - fique

Não há portanto os irregulares gráficos.
Anômalo é o verbo irregular que apresenta, na sua conjugação, radi-
cais primários diferentes: ser (reúne o concurso de dois radicais, os verbos
latinos sedère e êsse) e ir (reúne o concurso de três radicais, os verbos
latinos ire, vadère e ésse).
Outros autores consideram anômalo o verbo cujo radical sofre alte-
raçoes que o não podem enquadrar em classificação alguma: dar, estar, ter,
haver, ser, poder, ir, vir, ver, caber, dizer, saber, por, etc.

Verbos defectivos e abundantes. - DEFEc:rivo é o verbo que, na
sua conjugação, não apresenta todas as formas: colorir, precaver-se,
reaver, etc.
A defectividade verbal é devida a várias razões, entre as quais a
eufonia e a significação. Entretanto, a defectividade de certos verbos não
1 se assenta em bases lógicas. Se a tradição da língua dispensa, por disso-
nante, a 1.a pessoa do singular do verbo colorir (coloro), não se mostra
igualmente exigente com a 1.a pess. do singular do verbo colorar. Por
outro lado, o critério de eufonia pode variar com o tempo e com o gosto
dos escritores; daí aparecer de vez em quando uma forma verbal que a
'1
amática diz não ser usada.
~ Quase sempre faltam as formas rizotônicas dos verbos defectivos.
.Suprimos, quando necessário, as lacunas de um defectivo empregando um
sinônimo (derivado ou não do defectivo): Eu recupero (para reaver);
eu redimo (para remir).
x~
Há os seguintes grupos de verbos defectivos, em português:
a)os que não se conjugam nas pessoas em que depois do radical
aparecem a ou o :
i
banir, brandir, carpir, colorir, delir, explodir, fremer (ou fremir), haurir, ruir,
exaurir, abolir, demolir, puir, delinqüir, fulgir, feder, aturdir, bramir, jungir, esculpir,
extorquir, impingir, pruir, retorquir, soer, espargir.

Tais verbos também não se empregam no pres. do subjuntivo, impe-
rativo negat., e no imperat. afirmat. só apresentam as segundas pessoas do
sing. e pl.

107

f

I
#





b)os que se usam unicamente nas formas em que depois do radical
vem i :

adir, aguerrir, emolir, empedernir, esbaforir, espavorir, exinanir, falir, fornir, remir,
ressequir, revelir, vagir, florir, renhir, garrir, inanir, ressarcir, transir, combalir.

c) oferecem particularidades especiais:

precaver (-se) e reaver. No pres. ind. só. têm as primeiras pessoas
do plural : precavemos, precaveis; reavemos, reaveis.
Imperativo: precavei, reavei.
Faltam-lhes o imperat. neg. e pres. do subj. No restante conjugam-se
normalmente.

2 - adequar, antiquar : cabem-lhes as mesmas observações feitas ao
grupo anterior.

3 - grassar e rever (=destilar): só se usam nas terceiras pessoas.

derno são:

OBSERVAÇõES:
1.a) Muitos verbos apontados outrora como defectivos são hoje conjugados inte-
gralmente: agir, advir, compelir, desmedir-se, discernir, embair, emergir, imergir, fruir,
polir, prazer, submergir. Ressarcir (cf. b) e refulgir (que alguns gramáticos só mandam
conjugar nas formas em que o radical é seguido de e ou i) tendem a ser empregados
como verbos completos.
2.a) Os verbos que designam vozes de animais geralmente só aparecem lias terceiras
pess. do sing. e plural, em virtude de sua significação, e são arrolados como defectivos.
3.a) Também são considerados defectivos os verbos impessoais (pois não se referem
a sujeito), que só são empregados na terceira pess. sing.: Chove muito, Relampeja.
Quando em sentido figurado, os verbos desta observação, como os da anterior, conju-
gam-se em quaisquer pessoas: Chovam as bênçaos do céu.

ABUNDANTE é o verbo que apresenta duas ou três formas de igual
valor e função: havemos e hemos; constrói e construi; pagado e pago;
nascido, nato, nado (pouco usado).
Normalmente esta abundância de forma ocorre no particípio.

Os principais verbos que gozam deste privilégio, no português mo-

a) comprazer e descomprazer:

Pret. perf. ind. : comprazi, comprazeste, comprazeu, etc. ou comprouve, comprouveste,
comprouve, etc.
M.-q-perf. ind. : comprazera, comprazeras, comprazera, etc. ou comprouvera, comprou-
veras, comprouvera, etc.

Imperf. subj. - comprazesse, comprazesses, comprazesse, etc. ou comprouvesse, comprou-
vesses, comprouvesse, etc.
Fut. subj. : comprazer, comprazeres, comprazer, etc. ou comprouver, comprouvews,
comprouver, etc.

108
#





b) construir e seu grupo:

Pres. ind. : construo, construis (ou constróis), construi (ou constrói), construímos,
construis, construem (ou constroem).
Imper. afirm. : construi tu (ou constrói).
Assim se conjugam desconstruir, destruir, estruir, reconstruir.

c) entupir e desentupir:
Pres. ind. : entupo, entupes (ou entopes), entupe (ou entope), entupimos, entupis,
entupera (ou entopem).
Imper. afirm. : entupe (ou entope), entupi.
OBSERVAÇÃO: O o das formas abundantes é de timbre aberto.

d) haver:
Pres. ind. : hei, hás, há, havemos (ou hemos), haveis (ou heis), hão.
Imper. afirm. : há, havei.

e) ir:
Pres. ind. : vou, vais, vai, vamos (ou imos), ides (is é forma antiga), vão.

f) querer e requerer:
Pres. ind.: quero, queres, quer (ou quere), queremos, quereis, querem, requeiro,
requeres, requer (ou requere), requeremos, requereis, requerem.
Quere e requere são formas que só têm curso em Portugal; quere é criação recente
(séc. xix-xx, sem adoção geral) e requere é forma já antiga na língua, sendo requer
de data recente.

g) valer:
Pres. ind. : valho, vales, vale (ou val), valemos, valeis, valem.
Val é forma antiga e ainda hoje corrente, maxime em Portugal.

h) imperativo dos verbos em -zer, -zir.
Podem perder o -e na 2.a pessoa sing.: faze tu (ou faz); traduze tu (ou traduz).
São freqüentíssimos os exemplos literários com os verbos dizer, fazer, trazer e traduzir.

i) particípio de numerosos verbos.

Existe grande número de verbos que admitem dois (e uns poucos até
três) particípios: um regular, terminado em -ado (1.a conjugação) ou -ido
(2.a e 3.a conjugação, cf. pág. 113), e outro irregular, proveniente do
latim ou de nome que passou a ter aplicação como verbo. Eis uma relação
dessas formas duplas de particípio, indicando-se entre parênteses se ocorrem
com a voz ativa ou passiva, ou com ambas:

Infinitivo Particípio regularParticípio irregular
aceitar aceitado (a., p.)aceito (p.), aceite (p.)
assentar assentado (a., p)assento (p.), assente (p.)
entregar entregado (a., p.)entregue (p.)
enxugar enxugado (a., p.) enxuto (p.)

109
#





expressar expressado (a., p.)expresso (p.)
expulsar expulsado (a., p.)-pulso (P.)
fartar fartado (a., p.)farto (P.)
findar findado (a., p.)findo (P.)
ganhar ganhado (a., p.)ganho (a., p.)
gastar gastado (a.) gasto (a., p.)
isentar isentado (a.) isento (p.)
juntar juntado (a., P.)junto (a., P.)
limpar limpado (a., P.)limpo (a., p.)
matar matado (a.) morto (a., P.)
pagar pagado (a.) pago (a., p.)
salvar salvado (a., P.)salvo (a., P.)
acender acendido (a., p.)aceso (P.)
desenvolver desenvolvido (a., P.)desenvolto (a., p.)
eleger elegido (a.) eleito (a., P.)
envolver envolvido (a., p.)envolto (a., p.)
prender prendido (a., p.)preso (p.)
suspender suspendido (a., p.)suspenso (p.)
desabrir desabrido desaberto
erigir erigido (a., p.)erecto (p.)
exprimir exprimido (a., P.)expresso (a., p.)
extinguir extinguido (a., p.)extinto (p.)
frigir frigido (a.) frito (a., p.)
imprimir imprimido (a., P.)impresso (a., p.)
inserir inserido (a., p.)inserto (a., p.)
tingir tingido (a., p.)tinto (p.)

OBSERVAC16ES :

1.a) Em geral emprega-se a forma regular, que fica invariável com os auxiliares
ter e haver, na voz ativa, e a forma irregular, que se flexiona em gênero e número,
com os auxiliares ser, estar e ficar, na voz passiva.
Nós temos aceitado os documentos.
Os documentos têm sido aceitos por nós.
Há outros particípios, regulares ou irregulares, que se usam indiferentemente na
voz ativa (auxiliares ter ou haver) ou passiva (auxiliares ser, estar, ficar), conforme
se assinalou entre parénteses.

2.a) Há una poucos particípios irregulares terminados em -e, era geral de intro-
duçáo recente no idioma: entregue (o mais antigo), aceite, assente, empregue (em
Portugal).

Locução verbal. Verbos auxiliares. - Chama-se locuçjo verbal a
combinação das diversas formas de um verbo auxiliar com o infinitivo,
gerúndio ou particípio de outro verbo que se chama principal: hei de
estudar, estou estudando, tenho estudado. Muitas vezes o auxiliar em.
presta um matiz semántico ao verbo principal, dando origem aos chamados
aspectos do verbo.
Entre o auxiliar e o verbo principal no infinito pode aparecer ou
não uma preposição (de, em, por, a, para). Na locução verbal é somente
o auxiliar que recebe as flexões de pessoa, número, tempo e modo: have-
remos de fazer, estavam por sair, iam trabalhando, tinham visto.

110







palavras são compostas. Estes radicais podem ser livres, isto é, usados
independentemente na língua (como guarda-chuva) Ou Presos, isto é, não
são usados isoladamente (como agrícola ~ agr + i +cola, lanigero
lan + i + gero).
Nas palavras compostas com radicais livres, do tipo guarda-chuva,
persiste, como é fácil de observar, a individualidade de seus componentes.
Esta individualidade se traduz: a) na escrita, pela mera justaposição de
um radical a outro, normalmente separados por hífen; b) na pronúncia,
pelo fato de ter cada radical seu acento tônico, sendo o último o mais
forte e o que nos orienta na classificação da posição do acento nas palavras
compostas (por isso que couve-flor é oxítono e guarda-chuva é paroxí-
tono)('). Em tais casos dizemos que as palavras são compostas por jus-
taposição.
Chamamos aglutinação o processo de formar palavras compostas pela
fusão ou maior integração dos dois radicais subordinados a um só acento
tônico: planalto, fidalgo, lanigero, agrícola.
"A adaptação da primeira palavra pode ser de quatro espécies: 1)
mudança da parte final em relação à mesma palavra quando isolada; ex.:
lobis - (comparar - lobo, em lobisomem); 2) redução da palavra ao seu
elemento radical; ex.: Planalto, onde plan- é o radical de plano (o com-
posto indica um solo plano e alto numa montanha); 3) elemento radical
alterado em relação à palavra quando isolada; ex.: vinicultura (vip-, mas
vinh- em vinha "árvore da uva")- 4) elemento radical que não aparece
em português em palavra isolada; ex.: agricultura (a agr corresponde, em
palavra isolada, campo) (2).
* A segunda palavra pode ocorrer com as seguintes alterações: "1) com
mudança na parte final; ex.: monocórdio (instrumento de uma só corda);
2) com o elemento radical alterado; ex.: vinagre (um vinho que é acre);
3) com um elemento radical diverso do que a correspondente palavra
isolada; ex.: agrícola (ao elemento de composição cola corresponde a idéia
de habitar ou cultivar)"(8).

Conceito de raiz ou radical primário. - Chama-se raiz, em gramá.
tica descritiva, ao radical primário ou irredutivel a que se chega dentro
da língua portuguesa e comum a todas as palavras de uma mesma família.
Se tomarmos um vocábulo como desregularizar(4), facilmente pode-
mos surpreender diversos graus de radical; o primeiro, destacando-se-lhe
a vogal temática e a desinència de infinito, é desregulariz- (que aparece
em desregularização); este radical pode ser reduzido, por destaques suces-

(1) Cf. pág. 57 n. 1.
(2) J. MAToso CA~A Jr., Teoria da ~liso Léxica, 95.
(3) Cf. J. MAToso CAmAxA Jr., Teoria da Andlise Léxica, 95.
(4) U J. MAToso CUARA Jr., Diciondrio de Fatos Gramaticais , 177. Para estudos mais
adia~tados veja-se SAussuRz, Cours de Linguistique Générale, 253 e E. NmA, Morphology (cap.
de introduçáo).

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sivos, a: regulariz (sem o prefixo) > regular (sem a desinéncia) > regul
(cf. o latim regúla) > reg (que aparece em reger, régua). Este último
radical que constitui o elemento irredutível e comum a todas as palavras
do grupo chama-se primário e coincide, em relação à língua atual, com
a raiz. Regul- é um radical secundário (ou do 2.0 grau), como regular-
um radical terciário (ou do 3.0 grau), e assim por diante.
OBSERVAÇÃO: Não interessa à gramática descritiva o conceito de raiz' do ponto
de vista histórico, que só é válido para a gramática histórica. Há freqüentes divergências
entre o estabelecimento de uma raiz dentro dos dois tipos de gramática; assim é que
enquanto para a histórica não há raiz ed- em comer (do latim comedere, de edere
comer), a descritiva a estabelece em com- (cf. com-ida, com-flão, com-flança).
A raiz ou radical primário pode apresentar variação ou variações;
assim, a raiz reg- se altera em regr- (em regra, regrar, desregrar).

Palavras cognatas. - Chamam-se cognatas as palavras que pertencem
a uma família de raiz e significação comuns: corpo, corporal, incorporar,
corporação, corpúsculo, corpanzil; fugir (em foges, temos a raiz alterada),
fugaz, refúgio, subterfúgio, trânsfuga.

Constituintes imediatos. - Em análise mórfica é importante ter em
conta o princípio dos constituintes imediatos para que não se façam con-
fusões no plano descritivo da classificação morfológica e se estabeleçam
as possíveis gradações de estrutura. Assim é que diante de uma forma
como descobrimento não iremos enquadrá-la no grupo das palavras cha-
madas parassintéticas (considerando des + cobri + mento); trata-se de um
derivado secundário cujos constituintes imediatos são o radical secundário
descobri- e o sufixo ment (o). Em arduamente desprezaremos a desinência
de feminino -a- (válida no vocábulo árdua) e analisaremos os constituintes
imediatos: ardua+mente, sendo ardua- o radical secundário. Também
em desrespeitosamente os constituintes imediatos são desrespeitosa (por
destaques sucessivos > respeitosa > respeit > speit, este último radical
primário ou raiz). Em cantorezinhos temos os constituintes imediatos
cantor (es) e zinho (s), depois cantor e finalmente cant-or. Nessa grada-
ção de elementos componentes de uma estrutura morfológica, nota-se que
há certa ordem em sua distribuição; destacam-se primeiro, como nos
constituintes imediatos, os elementos externos característicos da flexão, se-
guidos de elementos internos característicos do processo de transformação
dos vocábulos. Em nosso último exemplo, os externos de natureza fle-
xional são r?,resentados pelas desinências de plural: cantor (es) e zinho(s),
enquai elementos internos são indicados pelos sufixos diminutivos
de cantor-zinho (derivação sufixal) e pela desinència de nome de agente
em cant-or (derivação sufixal).
Variantes dos elementos mórficos. - É comum a variante de deter-
minado elemento mórfico. Assim, altera-se a raiz em reger (reg-) e regra
(regr-) ou fazer (faz-) e fiz; a desinência modo-temporal do pretérito im-
perfeito -va- (na 1.a conjugação) ou -a- (na 2.a e 3.a conj.) passa a -ve-

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ou -e-, respectivamente, na 2.a pessoa do plural, pelo contato do i de is da
desinência pessoal (amavas, amáveis, vendias, vendíeis; partias, partíeis)'.
A forma livre caber (em descaber) apresenta, por exemplo, uma
variante mórfica presa -ceber (em receber; perceber, etc).
Tais variantes se chamam alomorfes.

Neutralização nos elementos mórficos. - já vimos que os elementos
mórficos são dotados de significação externa (como o radical) ou interna
puramente de noção gramatical (como o sufixo ou a desinência). Cha-
ma-se neutralização ao desaparecimento, na palavra, de uma indicação que
anula a oposição entre ela e dada palavra de outra classe ou a aproximação
entre dada palavra e o seu paradigma. A neutralização pode ocorrer, prin-
cipalmente, por homonímia ou por desaparecimento do elemento mórfico.
Exemplo de homonímia: a) a vogal temática da 2.a conj. é, como vimos
na página 113, e; esta vogal, entretanto, passa a i no pret. imperfeito e no
particípio, o que anula a oposição com a 3.a conj., porque ficam iguais
nestas formas: vendia, partia; vendido, partido; b) por outro lado a vogal
temática da 3.a conj. (i) passa a e quando átona, isto é, 2.a e 3.a pessoa
singular e 3.a pessoa do plural do pres. ind. e 2.a pessoa sing. imperativo,
anulando a oposição entre a 2.a e 3.a conjugações: partes, vendes; parte,
vende; pai-tem, vendem; parte tu, vende tu. Também em falaram a análise
mórfica auxiliada pelo contexto dirá existir a 3.a pessoa pl. do pret. perf.
ind. (fal-a-ram), ou do pret. m-q.-perf. (fal-a-ra-m).
Exemplos de desaparecimento: a) pelo queda da vogal temática do
verbo vir (i), anula-se a oposição entre o gerúndio e o particípio (cf. pag.
185): vindo (gen), vindo (part.); b) pela queda da vogal temática no
infinitivo por, este verbo ficou aparentemente afastado da 2.a conj., che-
gando, durante muito tempo, a constituir pretexto para falsa 4.a conj. em
português. Cf. pág. 106.
Em pires, como nos paroxítonos com s no final, há neutralização do
número, cuja depreensão só é permitida pelo contexto.

Subtração nos elementos mórficos. - Até aqui temos visto a indi-
cação de uma noção gramatical através de uma adição de determinado
elemento mórfico: livros (onde s é desinência de plural), amas (onde s é
desinência de 2.a pess. sing.).
Mas a indicação pode nascer da subtração de determinado elemento
mórfico. Assim dizemos que livro é singular (uma noção gramatical) em-
bora não haja desinência especial; é a oposição com o plural livros que
nos leva a classificar livro como singular. Também a forma verbal ama
pertence à 1.a ou 3.a pess. sing., pela comparação com amas ou qualquer
outra pessoa do plural.
Dizemos então que o elemento mórfico é subtrativo ou zero(').

(1) Cf. E. NIDA, Morphology, e J. MATOSO CÂMARA JR., Princípios de Lingüística Geral,
75 e 90.

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Acumulação nos elementos mórficos. - Muitas vezes um elemento
mórfico utilizado para certa noção pode, por acumulação, servir também
para determinar outra noção desprovida de elemento característico (ele-
mento mórfico subtrativo). As desinências de pessoas especiais para o
pret. perfeito (-i, -ste, -u, -stes, -ram) - cf. pág. 114, acumulam as funções
de desinência modo-temporal por não existir nestas formas verbais. Assim
é que, embora haja elemento mórfico subtrativo, sabemos que cantei,
vendi e parti, por exemplo, estão na 1.a pess. sing. (função essencial da
desinência i) do pret. perf. ind. (função acumulativa da referida
desinência).

Fusão nos elementos mórficos. - Os elementos mórficos podem
combinar-se por justaposição ou por fusão. Em livros juntou-se ao radical
primário a desinência de número -s-, justaposta. No plural canais (ca-
nal + es) ou funis (funil + es) a integração do radical e desinència é mais
íntima, não permitindo a análise dos dois elementos fundidos. No pri-
meiro exemplo (cana-i-s) a fusão deu origem a um ditongo, enquanto no
segundo (funis) favoreceu uma crase (funil + es = funi (l)es > funiis
> funis). Na 1.a pess. sing. e 2.a pess. pl. do pret. perf. da 3.a conjug.
há crase resultante da fusão da vogal temática com a desinência pessoal:
parti ( < partii), partis ( < partiis).
A aglutinação é um caso de fusão e, às vezes, pode ser tão íntima que
o sentimento de linguagem moderno não perceba os dois elementos justa-
postos que a análise histórica patenteia. Dessarte, a gramática descritiva
vê em relógio uma palavra simples, cujo radical é relog-; a histórica
remonta aos dois radicais hora lógio (isto é, máquina que "diz a hora") (1).
O sufixo adverbial -mente foi primitivamente um substantivo de for-
ma livre que se juntava aos femininos de adjetivos: boa mente, clara
mente; depois houve maior integração dos dois elementos porque a forma
livre passou a ser usada como afixo (forma presa) formador de advérbios.
Foi desta aplicação de um vocábulo como forma presa (afixo) que se
originaram, para o português, o futuro do presente (trabalharei) e do
pretérito (trabalharia), pois se uniram ao infinito (trabalhar) o pre-
sente e o pret. imperfeito do verbo haver (dar hei, dar hia, por havia).
Passando as formas do verbo haver a constituir parte da desinência
modo-temporal (trabalharei desdobra-se em trabalh-a-re-i, trabalharia em
trabalh-a-ria, cf. pág. 114), a gramática descritiva considera as nossas duas
formas de futuro como tempo simples.

Suplementação nos elementos mórficos. - O ponto alto de uma
irregularidade em relação ao paradigma da forma regular de determinado
elemento mórfico é o processo chamado suplementação (ou alternância
supletiva), que consiste em suprir uma forma com outra oriunda de

(1) J. MATOSO CAMARA Jr., Teoria da Análise Léxica, 95.

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radical diferente. O nosso verbo ser é anômalo (cf. Pág. 107) porque, nas
suas flexões, pede o concurso de dois verbos: esse e sedére; também ir está
neste caso, pois, além de suas formas próprias, possui as dos verbos vadére
e esse.

A intensidade, a quantidade e o timbre e os elementos mórficos. -
Muitas vezes, em lugar de uma forma lingüística, a intensidade, a quanti-
dade e o timbre servem para ressaltar uma noção gramatical. já vimos,
na pág. 54, como o acento intensivo se mostra decisivo para distinguir o
adjetivo, o verbo e o substantivo em sábia, sabia e sabiá.
A maior demora numa sílaba em regra traduz uma ênfase no signi-
ficado da palavra (cf. pág. 55):
"Idiota 1 Trezentos e sessenta contos não se entregam nem à mão de Deus Padre 1
Idiota 1 Idioota 1... Idi~ota...- (M. LOBATO, Cidades Mortas, 219).

A desinència do mais-que-perfeito do indicativo -ra- (variante -re, cf.
pág- 113) difere da semelhante que ocorre no futuro do presente, Porque
aquela é átona e esta é tônica: cantara (cant-a-ra) e cantará (cant-a-rá),
cantaras (cant-a-ra-s) e cantarás (cant-a-rá-s).
A mudança de timbre concorre com a desinéncia da palavra para
caracterizar o gênero, o número ou a pessoa do verbo: caroço (singular
com o tônico fechado) --> caroços (plural com o tônico aberto).
ovo -> ovos; firo --> feres. Em avdlavó a mudança de timbre foi o único ele-
mento empregado para distinguir o gènero. Em Portugal, em geral, é o timbre aberto
ou fechado da vogal tônica que distingue a 1.a pess. plur. do presente do ind. e do
pret. perfeito dos verbos da 1.a e 2.a conjugações: levamos (à) (presente) , levamos (à)
(pretérito), devemos (é) (presente), devemos (é) (pretérito). No Brasil não fazemos
em regra esta distinção, que fica, em geral, a cargo de advérbio adequado.

B) 2 - Formação de palavras

Palavras indivisíveis e divisíveis. - INDIVISNEL é a palavra que só
possui como elemento mórfico o radical: mar, sol, ar, é, hoje, lápis, livro.

DIVISíVEL é a palavra que, ao lado do radical, pode desmembrar-se em
outro ou outros elementos mórficos:

mares (mar-e-s), alunas (alun-a-s), trabalUvamos (trabalh-d-va-mos).

Palavras divisíveis simples e compostas. - Diz-se SIMPLEs a palavra,
divisível que só possui um radical. Os outros elementos mórficos que a
compõem ou são de significação puramente gramatical ou acrescentam
ao radical a idéia subsidiária que denotam os afixos (prefixos ou sufixos).
Por causa desta nova aplicação de sentido que os afixos comunicam
ao radical, as palavras simples se dividem em primitivas e derivadas.

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Primitiva é a palavra simples que não resulta de outra dentro da
língua portuguesa:

livro, belo, barcDerivada é a palavra simples que resulta de outra fundamental:
livraria, embelezar, barquinho.
ComposTA é a palavra que possui mais de um radical:
guarda-chuva, lanigero, planalto, fidalgo.

Tanto as palavras simples (primitivas ou derivadas) como as com.
postas podem ser acrescidas de desinéncias, que servem para exprimir uma
categoria gramatical (flexão) que, nos nomes e pronomes, traduz as noções
de género e número e, nos verbos, número, pessoa, tempo e modo:

a) primitivas flexionadas: livros, meninas
b) derivadas flexionadas: livrarias, meninadas
c) compostas flexionadas: couves-flores, guarda-livros, fidalgas

Quando a palavra é constituída de vários elementos mórficos, cabe,
antes de mais nada, estabelecer o princípio dos constituintes imediatos (cf.
pág. 171). Analisando, por exemplo, fidalgotes, estabeleceremos que a
palavra é primeiramente formada de fidalgote + desinéncia do plural s,
através de fidalg(o) + sufixo diminutivo -ote e finalmente da locução
filho de algo.

Proceam de formação de palavras. - Dois são os principais processos
de formação de palavras em português:

a) composição
b) derivação

A COMPOSIÇÃO consiste na criação de uma palavra nova composta por
meio de duas ou mais outras cujas significação depende das qIje encerram
as suas componentes.

1) Substantivo + substantivo:
a) C~ENAÇÃO: 1 - (quando o determinante precede): mãe-pdtria, papel-moeda;
2 - (quando o determinante vem depois): peixe-espada, carro-dormitório, couve-flor,
b) SUBORDINAÇÃO: arco-íris, estrada de ferro, pdo-de-ló.

2) Substantivo + adjetivo (ou vice-versa):
aguardente, obra-prima, fogo-fátuo, belas-artes, baixa-mar, boquiaberto.

3) Adjetivo + adjetivo:
surdo-mudo, luso-brasileiro, auriverde.

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4) Pronome + substantivo:
Nosso Senhor, Sua Excelència.

5) Numeral + substantivo (inclusive numeral latino):
onze-letras (alcoviteira), segunda-feira, bisneto, trigêmeo, sesquícentenário
(sesqui = um e meio).

6) Advérbio (bem, mal, sempre) + substantivo, adjetivo ou verbo:
benquerença, benquisto, bem.querer, malcriação (inutilmente corrigido para má-criação),
malcriado, sempre-viva.

7) Verbo + substantivo.
lança-perfume, porta-voz, busca-pé, passa-tempo.

8) Verbo + verbo ou verbo + conjunção + verbo:
vaivém, leva-e-traz, corre-corre.

9) Verbo + advérbio:

pisa-mansinho, ganha-pouco.

10) Um grupo de palavras ou uma frase inteira pode condensar-se numa
classe de palavra:
um Deus-nos-acuda, mais vale um toma que dois te darei, os disse-me-disse.

Como já vimos na pág. 170, a associação dos componentes das pala-
vras compostas se pode dar por:

a) justaposição: guarda-roupa, mãe-pátria, vaivém.
b) aglutinação: planalto, auriverde, fidalgo.

"Na análise mórfica de um composto por justaposição, separam-se
primeiramente as duas palavras, e, depois, procede-se à separação de cada
uma delas, se são divisíveis"(').

Derivação. - Derivação consiste em~ formar palavras de outra primi-
tiva por meio de afixos.
Os afixos; se dividem, em português, em prefixos (se vêm antes do
radical) ou sufixos (se vêm depois). Daí a divisão em derivação prefixal
e sufixal.
DERivAçÃo SUFIXAL: livraria, livrinho, livresco.
DERIVAÇÁO PREFIXAL: reter, deter, conter.

OBsERvAçÃo: Como vimos na pág. 169, os prefixos assumem um valor significativo
que empresta ao radical um novo sentido, patenteando, assim, a sua natureza de ele.
mento mórfico de significação externa subsidiária.
Baseados nisto, a gramática antiga e vários autores modernos fazem da prefixação
um processo de composição de palavras.

(1) J. MATOSO CÂmARA Jr., Teoria da Andlise Léxica, 94.

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Sufixos. - Os sufixos dificilmente aparecem com uma só aplicação;
em regra, revestem-se de múltiplas acepções e empregá-los com exatidão,
adequando-os às situações variadas, requer e revela completo conhecimento
do idioma. A noção de aumento corre muitas vezes paralela à de coisa
grotesca e se aplica às idéias pejorativas: poetastro, mulheraça. Os sufixos
que formam nomes diminutivos traduzem ainda carinho: mãezinha, pai-
zinho, maninho. Por fim, cabe assinalar que temos sufixos de várias
procedências, sendo os latinos e gregos os mais comuns.

I - Principais sufixos formadores de substantivos.

1) Para a formação de nomes de agente:

-dor, -tor, -sor, -or: narrador, genitor, ascensor, cantor
-nte estudante, requerente, ouvinte
-ista dentista, jornalista
-eira, -eiro : lavadeira, padeiro
-dria, -drio : bibliotecária, secretário

2) Para a formação de nomes de ação ou resultado de ação; estado;
qualidade:
a) Derivados de verbo:
-ção, -são : coroação, perdição, compreensão
-mento : casamento, descobrimento
-ura, -dura, -tura : feitura, mordedura, formatura
-ança (-dncia), -ença (-ência): mudança, esperança. parecença, abundância
b) Derivados de substantivo:
-ada laçada, braçada
-ura cintura

c) Derivados de adjetivos :
-ismo : charlatanismo, civismo
-tude, -dão: amplitude, amplidão, solidão
-ura : doçura, brancura
-e.-a, -ez: beleza, viuvez

3) Para significar lugar, meio, instrumento:

-douro, -doura: bebedouro, manjedoura _or corredor
-tério : necrotério 41 covil
-tório : dormitório 1
4) Para significar abundància, aglomeração, coleção:

-aria, -ario, -cria : cavalaria, infantaria (ou infanteria), casario
-al: laranjal, cipoal
-edo : arvoredo
-io: mulherio
-ame, -ume, -um: velame, ers-um, mulherum, hornum, negrume
-agem : folhagem
-ada boiada
-aço chumaço

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5) Para significar causa produtora, lugar onde se encontra ou se faz
a coisa denotada pela palavra primitiva:

-drio : relicário, herbanário
-eiro, -eira : açucareiro, chocolateira
-aria : livraria, mercearia

6) Para formar nomes de naturalidade:

-ano, -Jo, -eu: pernambucano, coimbrâo, liebreu, caldeu.
-ense, -és: cearense, (português -enho: estremenho)
-ista : paulista
-ol: espanhol
-oto: minhoto (6)
-ato: maiato (natural de Maia)
-ino: platino, bragantino
-eiro : brasileiro
-eta : lisboeta

7) Para formar nomes que indicam maneira de pensar; doutrina que
alguém segue; seitas; ocupação relacionada com a coisa expressa pela pala-
vra primitiva:

-ismo: cristianismo, classicismo
-ista : socialista, espiritista
-ano: maometano, anglicano

8) Para formar outros nomes técnicos usados nas ciências:

-ite: emprega-se para as inflamações. pleurite, rinite, bronquite.
-ema: é utilizado nos modernos estudos de linguagem com o sentido de "mínima
unidade distintiva": fonema (menor unidade de som); morfema (menor unidade
significativa de forma).
-oso e -ico: distinguem óxidos, anídridos, ácidos e sais, reservando-se o último para
os compostos que encerrem maior proporção do metalóide empregado; ex.: cloreto
mercuroso, cloreto mercúrico. Ato, -eto, -ito formam nomes de s.-.is: cIorato, cloreto,
clorito. Ex.: clorato de potássio, cloreto de sódio. Para os sais de enxofre usa-se o
radical sulf: sulfeto, sulfito, e não sulfur, que é forma latina. Ex.: sulfato de quinino,
hipossulfito de sódio. Para os de fósforo usa-se o radical fosf, para os de flúor flu: fos-
fato, fluato. Para os de carbônio, o uso vulgar aceitou as formas carbonato, bem
derivada, e carbureto (em vez de carboneto), que denota influência francesa. Ex.: bi-
carbonato de sódio, carbureto de cálcio. Énio caracteriza carbonetos de hidrogénio, ex : :
acetilênio, etilênio, metilênio, etc. Ilio aparece em certos compostos chamados radicais
químicos, como amílio, metílio, etc. Ina se encontra em alcaIóides e álcalis artificiais,
ex.: atropina, alcalóide da beIadona; cafeína, do café; cocaína, da coca; codeína, da
papoula; conicina, da cicuta; estricnina, da noz-vômica; morfina, da papoula; nicotina,
do fumo; quinina, da quina; teína, da árvore do chá, etc.: anilina, alizarina, etc. Io
aparece em corpos simples, ex.: silício, telúrio, selénio, sódio, potássio, etc. O1 se
encontra em derivados de hidrocarbonetos, ex.: fenoI, naftol, etc. A mineralogia e a
geologia têm também sufixos tomados em sentidos particulares: -ita para espécies
minerais, ex.: pirita; -ito para as rochas, ex.: granito e -ite para fósseis, ex.: amonite(l).
-oma designa tumor: epitelioma

(1) ANTzNoR NASCZNTZS, O Idioma Nacional, 3.a ed., 123-124.

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II - Principais sufixos de nomes aumentativos e diminutivos:

1) Aumentativos:

-do, -zão : cadeiráo, homenzão
-arro, -arrão, -zarrão : naviarra, bebarro, santarrão, coparráo, homenzarrão
-eirílo : vozeirão
-aço, -aça : ricaço, barcaça, copaço
-astro : poetastro, politicastro
-alho, -alha, -alhão: politicalho, muralha, grandalháo
-anzil : corpanzil
-dzio : copázio
-uça: dentuça
-eima: guleima, guloseima, boleima
-anca: bicanca
-asco : penhasco
-az: fatacaz
-ola : beiçola
-orra : cabeçorra
-eirílo: chapeirlo, toleirão

2) Diminutivos:

-inho, -zinho, -im, -zim : livrinho, florzinha, espadim, valzim (1)
-ito, xito : copito, amorzito
-ico: namorico, veranico
-isco : chuvisco, petisco
-eta, -ete, -eto : saleta, diabrete, livreto
-eco : livreco, padreco
-ota, -ote, -oto : ilhota, caixote, perdigoto
.ejo: lugarejo, animalejo
-acho : riacho, fogacho
-ela : magricela
-iola : arteríola
-ola : camisola (também tem sentido aumentativo quando designa a camisa
longa de dormir), rapazola (cf. -íola)
-ucho: gorducho, papelucho
-ebre : casebre
-ula, -ulo, -cula, -culo: nótula, glóbulo, radícula, corpúsculo
-alho, -elho, -ilho, -olho, -ulha : ramalho, rapazelho, pesadilho, ferrolho, bagulho
-aça, -aço, -iça, -iço : fumaça, caniço, nabiça
-el: cordel

(1) Se o vocábulo é masculino e termina em -a, este a reaparece quando se lhe acres-
centa o sufixo -inho. O mesmo acontece se é feminino em -o ou singular em -3: Jarbas -.> Jar-
binhas; Carmo (Jolo do) --> Carminho; o Maia -+ o Mainha. (Nota que me foi fornecida por
Martinz de Aguiar.)

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III - Principais sufixos para forinar adjetivos:

-(d)io, -(d)iço: fugidio, movediço (todos tirados do tema do particípio
-vel, -bil: notável, crível, solúvel, flébil, ignóbil
-ento, -(1)ento: cruento, corpulento
-oso: bondoso, primoroso
-onho: medonho, risonho
-az: mordaz, voraz
-udo: barrigudo, cabeçudo
4cio : acomodatícío
-drio, -eiro : diário, ordinário, verdadeiro, costumeiro
-ano: humano
-esco, -isco: dantesco, principesco, mourisco
-ático: problemático, aromático
-eno terreno
-ico público
-engo : mulherengo, avoengo
-al, -ar: anual, escolar
-aico : prosaico
-estre : campestre
-este : celeste
-douro: vindouro, imorredouro
-tório : expiatório, satisfatório
-ivo : afirmativo, lucrativo
-eícea,, -úceo (em família de plantas) : liliáceas, papilonáceos

IV - Principais sufixos para foi-mar verbos:

1) Para indicar ação que deve ser praticada ou dar certa qualidade
a uma coisa (verbo causativo):

-ant (ar): quebrantar
-it (ar): periclitar, debilitar
-iz (ar): civilizar, humanizar, realizar

2) Para indicar ação repetida (verbos freqüentativos):

-aç (ar): espicaçar, adelgaçar
ej (ar): mercadejar, voejar

3) Para indicar ação pouco intensa (verbos diminutivos):

it(ar): saltitar, dormitar

OBSERVAÇÃO: Muitos verbos exprimem esta idéia por se formarem de nomes dimi-
nutivos: petisco + ar = petiscar; chuvisco + ar = chuviscar; cuspinho + ar =
cuspinhar.

4) Para indicar início de ação ou passagem para um novo estado ou
qualidade (verbos incoativos):

ec(er): alvorecer, anoitecer, apodrecer, endurecer, enfurecer
esc (er): florescer

180
#





V - Sufixo para formar advérbio:

-mente (junta-se a adjetivo na forma feminina, quando houver):
claramente, sinceramente, sossegadamente, simplesmente, horrivelmente, enormemente,
primeiramente.

OBSERVAÇÃO: Os nomes terminados em -és e alguns terminados em -or, porque
110 português antigo só tinham uma forma para os dois gêneros, não se apresentam
110 feminino: portuguesmente, superiormente.
Os advérbios em -mente podem ser distribuídos em três classes, conforme o sentido
(10 adjetivo de que se forma(l):
1) exprimem uma idéia de qualidade: claramente, sinceramente, simplesmente,
horrivelmente;
2) exprimem uma idéia de quantidade ou medida: copiosamente, imensamente,
enormemente;
3) exprimem uma idéia de relação de dois seres independente um do outro; entre
as idéias de relação citamos as de tempo e lugar: primeiramente, anteriormente,
atualmente.

Prefixos. - Os principais prefixos que ocorrem em português são de
procedência latina ou grega, sendo que muitos dos primeiros correspondem
a preposições portuguesas. Ainda que os prefixos latinos tenham o mesmo
sentido de seus correspondentes gregos, formando assim palavras sinôni-
mas, estas em regra não se podem substituir mutuamente, porque têm
esferas semânticas diferentes.
Assim é que transformação e metamorfose, circunferência e periferia,
composição e síntese são sinônimos, a rigor, mas não se aplicam indistin-
tamente: transformação, por exemplo, é de emprego mais amplo que me-
tamorfose.

PREFIXOS E ELEMENTOS LATINOS

abs, ab (afastamento, separação): abstrair, abuso
ad, a (movimento para aproximação; adicionamento; passagem para outro estado; às
vezes não tem significação própria): adjunto, apor

OBSERVAÇÃO: Não confundir com o a sem significação de certas palavras como
alevantar, assentar, atambor
ante (anteriormente, procedência - no tempo ou no espaço): ante-sala, antelóquio,
antegozar, antevéspera
ambi (duplicidade): ambigüidade, auibidestro
bem, ben (bem, excelência de um fato ou ação): bendizer, benfazejo
circum, circu (em roda de): circunferência, circulação
áç (posição aquém): cisalpino, cisatlântico, cisandino

OBSERVAÇÃO: Ocorre como antônirao de trans: transatlântico - cisatlântico.
com, con-, co- (companhia, sociedade, concomitincia): compadre, companheiro, con-
dutor, colaborar

(1) H. NILSSON-EHLF, Les Adverbes en -tnepit compliments Wun verbe, 17-18.

181
#





contra (oposição, situação fronteira; o a final pode passar a o diante de certas deri-
vações do verbo): contramarchar, contrapor, contramuro, controverter. Em contra-
dança não ocorre o prefixo contra; o vocábulo nos veio do francês contredanse,
do inglês country-dance (dança rústica), por etimologia popular, talvez devida ao
fato de os pares se defrontarem uns com os outros (daí o francês contre).
de- (movimento para baixo, separação, intensidade, negação): depenar, decompor. Às
vezes alterna com des-: decair - descair
de(s)-, di(s)- (negação, ação contrária, cessação de um ato ou estado, separação, abla O,
intensidade): desventura, discordância, difícil (dis + fácil), desinfeliz, desfear
(= fazer muito feio), demudar (= mudar muito)
es-, e-, ex- (movimento para fora, mudança de estado, esforço): esvaziar, evadir, ex-
patriar, expectorar, emigrar, esforçar
OBSERVAÇÃO: Às vezes alterna-se com des-: escampado - descampado; esguedelhar
- desguedelhar; esmaiar - desmaiar; estripar e destripar

em-, en-; e-, in- (movimento para dentro, passagem para um estado ou forma, guar-
necimento, revestimento): embeber, enterrar, enevoar, ingerir
extra- (fora de, além de; superioridade; o a final passa, às vezes, a o): extradição,
extralegal, extrafino, extroverter
im-, in-, i- (sentido contrário, negação, privação): impenitente, incorrigível, ilegal,
ignorância, imigrar
intra- (posição interior, movimento para dentro; o a final passa, às vezes, a o):
intramuscular, introverter, introduzir
inter-, entre (posição no meio, reciprocidade): entreter, interpor, intercâmbio
ob-, o- (posição em frente): obstar, opor
per- (através de, coisa ou ação completa, intensidade): percorrer, perfazer, perdurar,
persentir (sentir profundamente)
pos- (posição posterior, no tempo e no espaço): postónico, pós-escrito
pre- (anteriormente, antecedência, superioridade): prefácio, prever, predomínio
pro- (movimento para frente, em lugar de, em proveito de): progredir, projeção
re- (movimento para trás, repetição, reciprocidade, intensidade): regredir, refazer, res-
saudar (saudar mutuamente), ressaltar, rescaldar (escaldar muito)
retro- (para trás): retroceder, retroagir
semi- (metade de, quase, que faz as vezes de): semicírculo, semiliárbaro, semivogal
so., sob-, sub-, sus-, su- (em baixo de, imediatamente abaixo num cargo ou função;
inferioridade, ação pouco intensa): soterrar, sobestar, submarino, sustentar, supor
sobre-, super-, supra- (posição superior, saliência, parte final de um ato ou fenômeno;
em seguida; excesso): sobrestar, superfície, supracitado, superlotado
soto-, sota- (posição inferior, inferioridade; logo após): sotopor, sotomestre, sota-voga,
trans-, tras-, tres-, tra-, tre- (além de, através de, intensidade): transportar, traduzir,
transladar, trespassar, tresler, tresgastar
OBSMVAÇõES:
1.a) Não se há de confundir três (numeral) com tres (de trans): tresdobrar
(triplicar);
2.a) Às vezes trans é empregado como antónimo de cis: transalpino e transandino,
por exemplo, opõem-se a cisalpino e cisandino;
3.a) Também em certas palavras se podem alternar as variantes deste prefixo:
transpassar, traspassar, trespassar.
ultra- (além de, excesso, passar além de): ultrapassar, ultrafino
vice-, vis- (em lugar de, imediatamente abaixo num cargo ou função): vice-presidente,
visconde

182

i

I

I

f

I
#





PREFIXOS E ELEMENTOS GREGOS

a, an, este último antes de vogal (privação, negação, insuficiência, carência, contradição):
afônico, anemia, anônimo, anóxia, amoral
ana (inversão, mudança, reduplicaçâo): anabatista, anacrônico, analogia, anatomia
anfi (duplicidade, ao redor, dos dois lados): anfíbio, anfibologia, anfiteatro
anti (oposição, ação contrária): antídoto, antártico, antípodas, anti-aéreo
apo (afastamento): apologia, apocalipse
arqui, arce (superioridade hierárquica, primazia, excesso): arquiduque, arquimilionário,
arcediago
cata (movimento para baixo): catacumba, catarata, católico
di (duplicidade): dilema, dissílabo, ditongo
did (através de): diálogo, diagrama

OBsERvAçÃo: Pensando-se que didIogo é conversa de dois, tem-se empregado erra-
damente triálogo para conversa de três.

dis (dificuldade): dispepsia, disenteria
ec-, ex-, exo-, ecto (exterioridade, movimento para fora): eczema, exegese, êxodo, exó-
geno, ectoderma
en-, em-, e- (interioridade): encômio, encíclica, enciclopédia, emblema, elipse
endo (movimento em direção para dentro): endocarpo, endovenosa
epi (sobre, em cima de): epiderme, epitáfio
eu (excelência, perfeição, bondade): eufonia, euforia, eufemismo
hemi (metade, divisão em duas partes): hemiciclo, hemisfério
hiper (excesso): hipérbole, hipérbato
hipo (posição inferior): hipocrisia, hipótese, hipoteca
meta (mudança, sucessão): metamorfose, metáfora, metonímia
para (proximidade, semelhança, defeito, vício, intensidade): parábola, paradigma, para-
lela, paramnésia
peri (em torno de): perímetro, período, periscópio
pro (anterioridade): prólogo, prognóstico, profeta
pros (adjunção, em adição a): prosélito, prosódia
proto- (início, começo, anterioridade): protótipo, proto-história, proto-mártir
poli- (multiplicidade): polissílabo, politeísmo
sin-, sim-, (conjunto, simultaneidade): sinagoga, sinopse, simpatia, silogeu
tele- (distância, afastamento, controle feito a distância): telégrafo, telepatia, teleguiado.

Correspondência entre prefixos e elementos latinos e gregos.

LATINOS

des, in : desleal, infeliz
contra: contrapor
ambi: ambigüidade
a b : abuso
bi (s): bilabial
trans: transparente, transformação

183

GREGOS

a, an: amoral, anemia
anti : antipatia
anfi: anfibologia
apo : apogeu
di: dissilabo
did, meta: diáfano, metamorfose
#





in . ingressar
intra : intramuscular

ex : exportar
super, supra : superfície, supralingual,
superlotar
bene benefício
semi semicírculo
sub: subterrâneo
*ad : adjetivo
circum : círcunfêrencia
de: depenar
CUM : composição

en : enc6falo
endo. endovenoso
ec, ex : ~xoto
epi, hiper: cpiderme, hipertrofia

eu : eufonía
hemi hemisfério
hipo hipótese
para paralelo
peri periferia
cata catarata
sin : síntese

Derivação parassintética. - Chama-se derivação parassintética aquela
que consiste em formar vocábulos com o auxílio simultâneo de prefixo e
sufixo: anoitecer, endurecer, empobrecer, enriquecer.
Este processo é normalmente formador de verbos que saem de substan-
tivos (anoitecer) ou de adjetivos (endurecer).
Os prefixos que em geral entram nos parassintéticos são es-, em- e a-.
Com em- predomina a idéia de "Passar de um estado a outro": enriquecer
(passar a rico).
O princípio dos constituintes imediatos (cf. pág. 171) facilmente
estabelece a inexistência de parassintéticos em formas como deslealdade,
descobrimento ou injustiça. A NGB não agasalhou os parassintéticos.

Outros processos de formação de palavras. - Além dos processos
gerais típicos de formação de palavras, possui o português mais os se-
guintes: formação regressiva, abreviação, reduplicação e conversão.
Intimamente relacionada com a derivação temos a formação regressiva,
que consiste em criar palavras por analogia, através de subtração de algum
sufixo' dando a falsa impressão de serem vocábulos derivantes; de atrasar
tiramos atraso, de embarcar, embarque; de pescar, pesca; de gritar, grito.
Assim também os vocábulos rosmaninho e sarampão foram tomados, res-
pectivamente, como-diminutívo e aumentativo, e daí se tiraram as formas
regressivas rosmano e sarampo, como falsos primitivos.
O Prof. Saíd Ali distribui os vocábulos de formação regressiva em
quatro grupos:
"1.0)Masculino em -o: atraso, assento, emprego, vôo, esforço, choro, degelo, remo,
mergulho, suspiro, mando, confronto, rodeio, galanteio, festejo, gargarejo, etc.
2~0) Masculino em -e: embarque, desembarque, combate, corte, toque, etc.
3.0)Feminino em -a: amarra, pesca, sobra, súplica, leva, engorda, desova, renúncia,
rega, esfrega, entrega, escolha, etc.
4.0)Masculinos e femininos: pago, paga, custo, custa, troco, troca, achego, achega,
grito, grita, ameaço, ameaça"(1).

(1) Gram. Ser., 163.

184
#





Várias são as aplicações dos verbos auxiliares da língua portuguesa:

1 - ter, haver (raramente) e ser (mais raramente) se combinam
com o particípio do verbo principal para constituírem novos tempos, cha-
mados compostos, que, unidos aos simples, formam o quadro completo
da conjugação da voz ativa. Estas combinações exprimem que a ação
verbal está concluída.

Indicativo

Temos nove formas compostas:

a) pretérito perfeito composto: tenho ou hei cantado, vendido, partido;
b) pretérito maís-que-perfeito: tinha ou havia cantado, vendido, partido;
c) futuro do presente composto: terei ou haverei cantado, vendido, partido;
d) futuro do pretérito composto: teria ou haveria cantado, vendido, partido;

Subjuntivo
e) Pretérito Perfeito: tenha ou haja cantado, vendido, partido;
f) Pretérito mais-que-perfeito : tivesse ou houvesse cantado, vendido, partido;
g) futuro composto: tiver ou houver cantado, vendido, partido;

Formas nominais

h) infinitivo composto: ter ou haver cantado, vendido, partido;
i) gerúndio composto: tendo ou havendo cantado, vendido, partido.

O verbo ser só aparece em combinações que lembram os depoentes
latinos, sobretudo com verbos que denotam movimento: "Os cavaleiros
eram partidos caminho de Zamora" (A. F. de Castilho, Quadros Históricos,
1, 101). Era chegada a ocasião da fuga. Sio passados três meses.

2 - ser, estar, ficar se combinam com o particípio (variável em
gênero e número) do verbo principal para constituir a voz passiva (de
ação, de estado e mudança de estado): é amado, está prejudicada, ficaram
rodeados.

3 - os auxiliares acurativos se combinam com o infinitivo ou gerún-
dio do verbo principal para determinar com mais rigor os aspectos do
momento da ação verbal que não se acham bem definidos na divisão geral
-de tempo presente, passado e futuro:

a) início de açjo: começar a escrever, por-se a escrever, etc.;
b) iminéncia de açjo: estar para (por) escrever, etc.;
c)desenvolvimento gradual da ação; duraçjo: estar a escrever, andar
escrevendo, vir escrevendo, ir escrevendo, etc.

OBSERVAÇÃO: No Brasil prefere-se a construção com gerúndio (estar escrevendo),
-enquanto em Portugal é mais comum o infinitivo (estar a escrever).

III
#





d)repetição de ação: tornar a escrever, costumar escrever (repetição
habitual), etc.;
e)término de ação: acabar de escrever, cessar de escrever, deixar de
escrever, parar de escrever, vir de escrever, etc.

Vir de + infinitivo é construção antiga no idioma e valia por voltar de (ou
chegar) + infinitivo: "De amor dos lusitanos encendidas/ Que vêm de descobrir o
novo mundo" (CAmõEs, Lusíadas, lX, 40). Depois passou a significar acabar de + in-
finítivo e, porque em francês ocorre emprego semelhante, passou a ser, neste sentido,
condenado como galicismo pelos gramáticos: "eu, aos doze anos, vinha de perder meu
pai" (CAmiLo apud H. GRAÇA, Factos da Linguagem, 462).

4 - os auxiliares modais se combinam com o infinitivo ou gerúndio
do verbo principal para determinar com mais rigor o modo como se
realiza ou se deixa de realizar a ação verbal:

a)necessidade, obrigação, dever: haver de escrever, ter de escrever,
dever escrever, precisar (de) escrever, etc.

OBSERVAÇÃO: Em vez de ter ou haver de + infinitivo, usa-se ainda, mais moder-
namente, ter ou haver que + infinitivo: Tenho que estudar. Neste caso, que, como
introdutor de complemento de natureza nominal, funciona como verdadeira preposição.
Não se confunda este que preposição com o que pron. relativo em construçóes do
tipo. nada tinha que dizer, tenho muito que fazer, etc. Para esta última linguagem,
ver o que se disse na pág. 245.

b) Possibilidade ou capacidade: poder escrever, etc.
c)vontade ou desejo: querer escrever, desejar escrever, odiar escrever,
abominar escrever, etc.

d)tentativa ou esforço: buscar escrever, pretender escrever, tentar
escrever, ousar escrever, atrever-se a escrever, etc.

e) consecução: conseguir escrever, lograr escrever, etc.
f) aparência, dúvida: parecer escrever, etc.

g)movimento para realizar um intento futuro (próximo ou remoto):
ir escrever, etc.

h) resultado: vir a escrever, chegar a escrever, etc.

Vir a + infini , tivo de certos verbos tem quase o mesmo sentido do verbo principal
empregado sozinho: Isto vem a traduzir a mesma idéia (= isto por fim traduz a mesma
idéia). Vir a ser pode ainda ser sinônimo de tornar-se: Ele veio a ser famoso.

NorrA FINAL - Nem sempre a aproximação de dois ou mais verbos constitui uma
locução verbal; a intenção da pessoa que fala ou escreve é que determinará a exis-
tência da locução. "Por exemplo, na frase: queríamos colher rosas, os verbos queríamos
colher constituirão expressão verbal se pretendo dizer que queríamos colher rosas e
não outra flor, sendo rosas o objeto da declaração. Se, porém, pretendo dizer que o
que nós queríamos era colher rosas e não fazer outra cousa, o objeto da declaração é
colher rosas e a declaração principal se contém incompletamente em queríamos" (JosÉ
OITICICA, Manual de Análise, 202-203).

112
#





Auxiliares causativos e sensitivos. - Assim se chamam os verbos
deixar, mandar, fazer e sinônimos (causativos) e ver, ouvir, olhar, sentir
e sinônimos (sensitivos) que, juntando-se a infinitivo ou gerúndio, não
formam locução verbal, mas, muitas vezes, se comportam sinteticamente
como tal.

Elementos estruturais do verbo: desinências e sufixos verbais. - Ao
radical do verbo, que é o elemento que encerra a sua significação, se jun-
tam as formas mínimas chamadas desinências para constituir as flexões do
verbo, indicadoras da pessoa e número, do tempo e modo.
Chama-se vogal temática aquela indicadora da conjugação:
1.a a : cant-a-r
2.a . : vend-e-r
3.a i: part-iA vogal temática presa ao radical constitui o tema:
canta-r, vende-r, parti-r.

Nem todas as formas verbais possuem a vogal temática, como, por
exemplo, a 1.a pessoa singular do presente do indicativo e do subjuntivo.
As vogais e e a em cant-e, vend-a, paft-a são desinências temporais (veja
abaixo). Outras vezes a vogal temática sofre variação: o a passa a e no
pret. perf. do ind. da 1.a conj. em contato com i, e passa a o em contato
com u; cant-ar, cant-e-i, cant-o-u; o e passa a i no pret. imperfeito do ind.
e particípio da 2.a conjugação: vend-e-r, vend-i-a, vend-i-do. A vogal temá-
tica i da 3.a conjugação passa a e quando átono, no pres. ind. (2.a e 3.a
sing. e 3.a plural) e imperativo (2.a p.): part-e-s, part-e, part-e-m, part-e.,
se é tônico, nos mesmos casos, funde-se com o i da desinência is da 2.a
pessoa do plural: partis por part-i-is.
O tema é a parte da palavra pronta para receber o sufixo ou a
desinência.
Sufixo verbal é o que entra na formação dos verbos derivados:
salt-it-ar, real-iz-ar, etc. (Cf. pág. 180).
As desinências modo-temporais são:

a)va(ve) caracteriza o imperfeito do indicativo da 1.a conjugação:
canta-va (1);
b)-a- (e), variação do anterior, caracteriza o imperfeito do indicativo
da 2.a e 3.a
conjugação: devi-a, parti-a;
C)-ra- (re) átono caracteriza o mais-que-perfeito do indicativo:
canta-ra, vende-ra, parti-ra; cantá-reis;
d) -sse caracteriza o imperfeito do subjuntivo: canta-sse, vende-sse,
parti-sse;

(1) Pomos entre parènteses a variante do morferna ou alomorfe. (V. pág. 210).

113
#





e)-ra- (re) tônico caracteriza o futuro do presente: canta-re-i,
canta-rá-s, canta-rã-o, deve-re-i; parti-re-i;
f)-ria- (rie) caracteriza o futuro do pretérito: canta-ria, deve-ria,
parti-ria;
9) -e- caracteriza o presente do subjuntivo da 1.a conjugação: cant-e;
h) -a- caracteriza o presente do subjuntivo da 2.a e 3.a conjug.: vend-a,
part-a;
i) -r- caracteriza o futuro do subjuntivo: canta-r, vende-r, parti-r.
OBSERVAÇõES:
1.a) Nem todas as formas verbais se apresentam com desinéncias e vogal temática.
2.a) As características temporais terminadas em -a (imperf., m.-q.-Perf. do ind.
e futuro apresentam esta vogal alterada em e na 2.a pessoa do plural, graças ao contato
com a desinéncia pessoal -is que provoca a ditongação eis: eu cantava, vós cantílveis;
eu devia, vós devíeis; eu partia, vós pardeis; eu cantara, vós cantáreis; eu cantaria, vós
cantaríeis). O mesmo ocorre com a 1.a pess. do fut. do presente: cant-a-re-i.
3.a) As desinências pessoais (d. abaixo) do pretérito perfeito servem, por acumu-
lação, para caracterizar o tempo do verbo.

As desinências número-pessoais são:

PLURAL

1.a Pessoa: -, -o (só no pres. ind.), -i (96 no pret. perf. do ind. e
futuro do presente) (1)
SINGULAR 2.a pessoa: -5, -es (96 no fut. do subj. e inf. flex.), -ste (só no pret.
perf. do ind.)
3.a pessoa: -, -u (só no pret. perf. do ind.)
1.8 pessoa: -mos
2.a pessoa: -is -des (só no fut. do subj., ínf. flex. e pres. do ind.
de alguns verbos irregulares), -stes (só no pret. perfeito do
ind.), -i (no imperativo)
3.a pessoa: -m (indica que a vogal precedente é natal), -em (só no
futuro do subj. e inf. flex.), -ram (só no pret. perfeito
do indicativo)

Observaçjes sobre as desinIncias número-pessoais.

1.a pessoa do singular: geralmente falta a desinéncia de 1.a pessoa
do singular, exceto no presente do indicativo, onde aparece a desinéncia -o:
cant-o, vend-o, part-o
No pretério perfeito do indicativo e futuro do presente aparece a
desinéncia -i :

cante-i, vend-i, part-i
canta-re-i, vende-re-i, parti-re-i

2.a pessoa do singular: a desinéncia é -s; no futuro do subjuntivo e
infinitivo aparece -es e no pretérito perfeito do indicativo -ste :
cant-a-s, cant-a-r-es, cant-a-ste.
vend-e-s, vend-e-r-es, vend-e-ste.
part-e-s, part-i-r-es, part-i-ste.

(1) O travessia Indica ausência de desinéncia.

114
#





3.a pessoa do singular: geralmente falta a desinência de 3.a pess. do
singular; só o pretérito perfeito do indicativo é que apresenta -u :
cant-o-u, vend-e-u, part-i-u

1.2 pessoa do plural: a desinéncia é sempre -mos:

cant-a-mos, vend-e-mos, part-i-mos

2.a pessoa do plural: a desinéncia é -is; aparece -des no futuro do
subjuntivo, infinitivo flex. e no presente do indicativo de alguns verbos
irregulares (ter, vir, por, ver, rir, ir); o pret. perfeito do indicativo apre-
senta -stes e o imperativo -i (na 3.a conj. há crase com a vogal temática):

cant-a-is, vend-e-is, part-is
cant-a-r-des, vend-e-r-des, part-i-r-des
cant-a-stes, vend-e-stes, part-i-stes
cant-a-i, vend-e-i, part-i.

3.a pessoa do plural: a desinéncia é -m, que nasaliza a vogal prece-
dente; no futuro do subjuntivo e infinitivo aparece em; o pret. perfeito
do indicativo apresenta -ram :

cant-a-m, vend-e-m, part-e-m
cant-a-r-em, vend-e-r-em, part-i-r-em
cant-a-ram, vend-e-ram, part-i-ram

OBsERvAçXo: No futuro do presente dá-se uma ditongação; a nasalidade é indicada
por til e se sobrepóe à característica temporal:
cant-a-rão, vend-e-rIto, part-i-Mo

Tempos primitivos e derivados. - No estudo dos verbos, principal-
mente dos irregulares, torna-se vantajoso o conhecimento das formas
verbais que se derivam de outras chamadas primitivas.

1 - Praticamente do radical da 1.a pessoa do presente do indicativo
sai todo o presente do subjuntivo, bastando que se substitua a vogal final
por e, nos verbos da 1.a conjugação, e por a nos verbos da 2.a e 3.a
conjugações:

Presente do indicativo Presente do subjuntivo

Exceções :

cantar canto cante
vender vendo venda
partir parto parta

ser sou seja ir vou vá
dar dou dê querer quero queira
estar estou esteja saber sei saiba
haver hei haja

115
#





2 - Praticamente da 2.a pessoa do singular e plural do presente do
índicativo saem a 2.a pessoa do singular e plural do imperativo, bastando

OBSERVAÇÃO: Os verbos em -zer ou -zir podem perder, tia 2.-a

pessoa do singula

ainda o e final, quando o z não é precedido de consoante: faze (ou faz) tu, traduz

O imperativo em português só tem formas apenas para as segundas
pessoas; as pessoas que faltam são supridas pelos correspondentes do pre-
sente subjuntivo. Não se usa o imperativo de 1.a pessoa do singular. As
terceiras pessoas do imperativo se referem a você, vocês e não a eles. Tam-
bém não se usa o imperativo nas orações negativas; neste caso empregam-se

as formas correspondentes do presente do subjuntivo:

3 - Do tema do pretérito perfeito do indicativo (que praticamen
acha suprimindo a desinência pessoal da 1.a pessoa do plural ou 2.a

se
p. do singular) saem

a) o mais-que-perfeito do indicativo, com o acréscimo de -ra (re): ra

ra-s, ra, ra-mos; re-is; ra-m;
b) o imperfeito do subjuntivo, com o acréscimo de -sse: sse, sse-s, sse,
sse-mos, sse-is, sse-m;
c) o futuro do subjuntivo, com o
r-des, r-em.

acréscimo de -r: r, r-es, r, i--mos,

Tepna do Pret. Perf. M.-q.-Perf. ind. Imperf, subi, Fut. subi.
vi (-mos) % ira visse vir
N ie (-mos) N iera N iesse vier
coube (-mos) coubera coubesse couber
puse (-mos) pusera pusesse puser
fo (-mos) fora fosse for

4 - Do infinitivo não flexionado se formam:

a) o f uturo do presente, com o acréscimo ao tenia de ra (re) tônico:
re-i, rá-s, rã, re-mos, re-is, rã-o

116
#





b)o futuro do pretérito, com o acréscimo de -ria (rie): ria, ria-s, -ria,
ria-mos, ríe-is, ria-m.

Infinitivo

cantar

Futuro do presente

cantarei
cantarás
cantará
cantaremos
cantareis
cantarão

Futuro do pretério

cantaria
cantarias
cantaria
cantaríamos
cantaríeis
cantariam
Exceções: dizer, fazer, trazer, que fazem direi, farei, trarei, diria, faria, traria.

c) O imperfeito do indicativo, com o acréscimo de -va (ve), na 1.a
conj., e -a(e), na 2.a e 3.a: cant-a-va, cant-a-va-s, cant-a-va, cant-á-va-mos,
cant-á-ve-is, cant-a-va-m
vend-i-a, vend-i-a-s, vend-i-a, vend-f-a-mos, vend-í-e-is, vend-i-a-m
part-i-a, part-i-a-s, part-i-a, part-í-a-mos, part-í-e-is, part-i-a-m.

A parte, temos:

a) ser (era, eras, etc.)
b) ter (tinha, tinhas, etc.)
c) vir (vinha, vinhas, etc.)
d) por (punha, punhas, etc.)

A sílaba tônica nos verbos: formas rizotônicas e arrizotónicas. - Ri-
ZOTÔNICA é a forma verbal cuja sílaba tônica se acha numa das sílabas do
radical:

quero, canto, canta, vendem, feito.

radical:

ARRIZOTÔNICA é a forma verbal cuja sílaba tônica se acha fora do

queremos, cantais, direi, vendido.

A língua portuguesa é mais rica de formas rizotônícas.
São normalmente rizotônicas: a) as três pessoas do singular e a 3.a
do plural do presente do indicativo a do subjuntivo, e as correspondentes
do imperativo; b) os particípios irregulares; c) a 1.a pessoa e 3.a singular
do pretérito perfeito dos verbos irregulares fortes: coube, fiz, fez.
Nos verbos defectivos em geral faltam as formas rizotônicas.
Em vista do exposto, as três pessoas do singular e a 3.2 do plural do
pres. do indic. e subjuntivo têm sempre acentuada a penúltima sílaba:
frutifico, vociferas, sentencia, trafegam.
Exceções:

a)resfolegar e tresfolegar fazem ~esffilego, resfólegas, resfólega, res-
fólegam, etc. Existem ainda as formas reduzidas resfolgar e tres-
folgar, de acentuação regular: resfolgo, tresfolgo, etc.

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b)mobiliar faz mobilio, mobílias, mobília, mobiliamos, mibiliais,
mobiliam; mobilie, mobilies, mobilie, etc. Existem ainda as formas
mobilar (1) e mobilhar que se conjugam de acordo com a regra
geral: mobilo, mobilas; mobilho, mobilhas, etc.

Mobilar é forma de pouca aceitação entre brasileiros: "Eu vivia
encantonada na sala da frente, que ia de oitão a outro, com várias sacadas
para o largo, mobiliada (atenção revisor: não ponha 'Inobilada', que é
palavra que eu detesto) com uma cama-de-vento, uma cadeira e um lava-
tório de ferro" (MANUEL BANDEIRA) (2).

Alternincia vocálica ou metafonia. - Assim se chama a mudança
de timbre que sofre a vogal do radical de um vocábulo na forma rizotô-
nica. Muitos verbos da língua portuguesa apresentam este fenômeno:

ferver: fervo, ferves, ferve, fervemos, fervem (o e tónico é fechado na La pess.
do sing. e na 1.a e 2.a pess. do plural; nas outras, é de timbre aberto).

Na 1.a conjugaçao:

aberta:

a) a vogal a, não seguida de m, n ou nh, vassa a ser proferida bem

falar: falo, falas, fala, falamos, falais, falam
chamar: chamo, chamas, chama, chamamos, chamais, ch am

b) ao e fechado corresponde e aberto, exceto quando não vem se-
guido de m, n, nh, i, x, ch, Ih

levar. levo, levas, leva, levamos, levais, levam
remar: remo, remas, rema, remamos, remais, r am
alvejar: alvejo, alvejas, alveja, alvejamos, alvejais, alvejam
Pretextar: pretexto, pretextas, pretexta, pretextamos, pretextais, pretextam
fechar: fecho, fechas, fecha, fechamos, fechais, fecham
aparelhar: aparelho, aparelhas, aparelha, aparelhamos, aparelhais, aparelham
Exceções: invejar (tem e aberto); chegar, ensebar não sofrem metafonia.

Pesar, no sentido de causar tristeza, desprezar, é arrolado também
como exceção; porém, no Brasil, o uso mais corrente é conjugá-lo como
levar. Os gramáticos recomendam-no com e fechado: pesa, pesam; pese,
pesem, etc. (é verbo defectivo, só usado nas terceiras pessoas).

(1) No Brasil só por imitação literária aparece este verbo. Dele nos diz Manuel Bandeira:
"Este lusitanismo está sendo Introduzido por certos revisores à revelia doe autora; ;já me enxer
taram a antipática palavra numa traduç&o minha, mas eu juro que não a escrevi, nem jamais
a escreverei: escreverei sempre 'mobiliada- (Poesia e Prosa, ed, Aguilar, li, 441),
(2) Poesia e Prosa, 11, 459-460, ed. Aguilar.

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c) a vogal o passa a o aberto quando não seguida de m, n, nh ou o
verbo não termina por -oar:

tocar: toco, tocas, toca, tocamos, tocais, tocam
sonhar: sonho, sonhas, sonha, sonhamos, sonhais, sonham
Perdoar: perdôo, perdoas, perdoa, perdoamos, perdoais, perdoam.

Na 2.a conjugação:

a) as vogais tônicas e e o soam com timbre aberto na 2.a e 3.a pessoa
do singular e na 3.a do plural do pres. do ind. e na 2.a pess. sing. do
imperativo afirmativo, salvo se vierem seguidas de m, n ou nh:

dever: devo (é), deves (é), deve (é), devemos, deveis, devem (é)
roer: rói, roei (6)
volver: volvo (6), volves (6), volve (6), volvemos, volveis, volvem (6)
temer: temo (é), temes (é), teme (é), tememos, temeis, temem.
comer: como (6), comes (6), come (6), etc.

Exceções: querer e poder têm a vogal tônica aberta na 1.a pess. do sing.

Na 3.a conjugação:

a) a vogal e, última do radical, sofre alternáricias diversas quando
nela recai o acento tônico:

1 - passa a i na 1.a pess. do sing. do indic., e em todo o presente do
subj. e e aberto na 2.a e 3.a pess. sing. e 3.a do plural do pres. do indic.
e 2.a pess. sing. do imperativo nos verbos:

aderir, advertir, aferir, assentir, auferir, compelir, competir, concernir, conferir, con-
~ir, consentir, convergir, deferir, desferir, desmentir, despir, desservir, diferir, digerir,
discernir, dissentir, divergir, divertir, expelir, ferir, impelir, ingerir, mentir, preferir,
pressentir, preterir, proferir, prosseguir, referir, refletir, repelir, repetir, seguir, servir,
sugerir, transferir, vestir:
vestir: visto, vestes, veste, etc.

OBszRvAçÃo: Se o e for nasal mantém-se inalterável, exceto na 1.a pess. singular
do pres. do ind. e em todo o pres. do subj., onde passa a i: sentir: sinto, sentes,
sente, etc.

2 - passa a i nas três pessoas do singular e terceira do plural do
pres. ind., em todo o pres. do subj. e imperativo, salvo, neste, a 2.a
pess. pl.:

agredir, cerzir, denegrir, prevenir, progredir, regredir, transgredir, e remir (este defec-
tivo; cf. 108).

Pres. ind.: agrido, agrides, agride, agredimos, agredis, agridem
Pres. subi.: agrida, agridas, agrida, etc.
1-P. afirmat.: agride, agrida, agridamos, agredi, agridam

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3 - os verbos medir, pedir, despedir, impedir e derivados têm e i
aberto nas formas rizotônicas, isto é, nas três pessoas do singular e 3.a
do plural do presente do indicativo e subjuntivo, e no imperativo afir-
mativo, exceto, neste, na 2.a pessoa do plural:
Medir - pres. ind.: meço, medes, mede, medimos, medis, medem
pres. subj.: meça, meças, meça, etc.
imper. afirm.: mede, meça, meçamos, medi, meçam.

4 - Os verbos aspergir, emergir, imergir e submergir têm e tônico
fechado na 1.a pessoa do singular do presente do indicativo (e formas que
daí se derivam); têm e aberto na 2.a e 3.a do singular e 3.a do plural do
presente do indicativo (e formas que daí se derivam):

aspergir: asperjo (é), asperges (é), asperge (é), aspergimos, aspergis, aspergem (é).

b) a vogal o sofre também alternâncias diferentes, quando nela recai
o acento tônico:

1 - Passa a u na 1.8 pessoa sing. do pres. ind., em todo o pres.
subj. e no imperativo, salvo, neste, a 2.a pess. do singular e plural; e pa
a o aberto na 2.a e 3.a sing. e 3.a do plural do, pres. ind. e 2.a do singu
do imperativo:
dormir: pres. ind.: durmo, dormes, dorme, dormimos, dormis, dormem
pres. subj.: durma, durmas, durma, etc.
imper. afirm.: dorme, durma, durmamos, dormi, durmam

Assim se conjugam cobrir, descobrir, encobrir, recobrir, tossir. Dormir
e tossir são regulares no particípio: dormido, tossido.
Para a conjugação de engolir e desengolir que, a rigor, deveriam
seguir este modelo, veja-se o que se diz mais adiante.

2 - Passa a u nas três pessoas do sing. e 3.11 do plural do presente
do indicativo, em todo o pres. do subjuntivo e no imperativo afirmativo,
exceto, neste, a 2.a pessoa do plural: 1
1
sortir: pres. ind.: surto, surtes, surte, sortimos, sortis, surtem
pres. subj.: surta, surtas, surta, etc.
imperat. afirm.: surte, surta, surtamos, sorti, surtam

Por este modelo se conjugam despolir e polir (cf. pág. 108). Antiga-
mente seguiam este paradigma cortir e ordir, hoje grafados curtir e urdir
e de conjugação regular.

c) a vogal u da penúltima sílaba do radical passa a o aberto na VL
e 3.a pess. do singular e 3.a do plural do presente do indicativo e na 2.a
pessoa do singular do imperativo afirmativo:
acudir: pres. ind.: acudol acodes (6), acode (6), acudimos, acudis, acodem (6) pres. subj.: acuda, acudas, acuda, etc.
imper. afirm.: acode (6), acuda, acudamos, acudi, acudam

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Assim se conjugam bulir, cuspir, escapulir, fugir, sacudir. Consumir
e sumir têm o o fechado por estar seguido de m.

OBSERVAq6ES:

1.a) Assumir, presumir, reassumir, resumir, são regulares: Pres. ind.: assumo, as-
sumes, assume, assumimos, assumis, assumem.
2.a) os verbos em -uir não apresentam alternAncias vocálicas no radical; a 2.a e
3.a pessoa do singular do presente do indicativo têm is e i em lugar de es e e, por
haver ditongo oral:
constituir: pres. ind.: constituo, constituis, constitui, constituímos, constituís, constituem.
Assim se conjugam anuir, argüir, atribuir, constituir, destituir, diluir, diminuir,
estatuir, imbuir, influir, instituir, instruir, puir (defectivo), restituir, redargüir, ruir.
3.a) Construir, desentupir, destruir, entupir (e cognatos) seguem este modelo ou
ainda admitem alterriância. do u em o aberto na 2.a e 3.a pessoa do sing. e 3.a do
plural do presente do indicativo e na 2.a pessoa do sing. do imperativo afirmativo.
Entupir e desentupir só se afastam do grupo porque apresentam es e e na 2.a e 3.a
pessoa do sing. do pres. ind.: entupo, entupes (ou entopes), entupe (ou entope),
entupimos, entupis, entupern (ou entopem).
construo, construis (ou constróis), construi (ou constrói), construímos, construis, cons-
truem (ou constroem).
Estes verbos são portanto abundantes. Obstruir é, entretanto, conjugado apenas
como constituir. Cf. obs. 2.a

4.a) Engolir, ainda que se escreva com o, segue o paradigma de acudir; para o
Vocabulário de nossa Academia: engulo, engoles, engole, engulimos, engulis, engolem.
Melhor fora, porém, conjugá-lo com o nas duas primeiras pessoas do plural do pres.
do indicativo, desfazendo-se a incoerência.

d) a vogal i do radical do verbo frigir passa a e aberto na 2.a e 3.a
pess. sing. e na 3.a do plural do pres. do indicativo e na 2.a pess. sing. do
imperativo afirra.:
Pres. ind.: frijo, freges, frege, frigimos, frigis, fregem.
Imper. afirm.: frege, frija, frijamos, frigi, frijam.

Verbos notáveis quanto à pronúncia ou flexão.

a) aguar, desaguar, enxaguar, minguar, apropinqua~, conjugam-se
com o seguinte modelo:
pres. ind.: águo, águas, água, aguamos, aguais, águam.
pres. subi.: ágüe, ágües, ágüe, agüemos, agüeis, ágüem.
OBSERVAÇÃO: Para o emprego do trema em apropinquar recorde-se o que se
disse na pág. 72.

b) apaziguar, averiguar, obliquar, santiguar, conjugam-se pelo se-
guinte modelopres. ind.: apaziguo (ú), apaziguas (ú), apazigua (ú), apaziguamos, apaziguais, apa-
ziguam, (ú).
pres. subi.: apazigúe, apazigúes, apazigúe, apazigüemos, apazigüeis, apazigúem.

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c) Magoar, conjuga-se:

pres. ind.: magôo, magoas, magoa, magoamos, magoais, magoam.
pres. subi.: magoe, magoes, magoe, magoemos, magoeis, magoezn.

d) Mobiliar, conjuga-se:

pres. ind.: mobilio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobilia!&, mobiliam.
pres. subj.: mobilie, mobilies, mobilie, mobiliemos, mobilieis, mobiliem.
OBSERVAÇÃO: A variante mobilar apresenta-se regularmente: mobilo,
mobila, etc.

e) Resfolegar, conjuga-se:

pres. ind.: resfôlego, resfélegas, resfôlega, resfolegamos, resfolegais, resfélegam.
pres. subi.: resfélegue, resfélegues, resfélegue, resfoleguemos, resfolegueís, resfôleguem.

OBSERVAÇõES:
La) A forma contrata de resfolegar é resfolgar, que se apresenta regularmente:
resfolgO, resfolgas, resfolga, etc.
2.a) o substantivo é resfôlego, proparmítono.

f) Dignar-se, indignar-se, obstar, optar, pugnar, impugnar, ritmar,
-raptar, conjugam-se:

Presente do indicativo
indigno-me (dí) obsto (6) opto (6) impugno (ú) ritmo (1)
indignas-te (dí) obstas (6) optas (6) impugnas (ú) ritmas (i)
indigna-se (dí) obsta (6) opta (6) impugna (ú) ritma (i)
indignamo-nos obstamos optamos impugnamos ritmamos
indignais-vos obstais . optais impugnais ritmais
indignam-se (dí) obstam (6) optam (6) impugnam(d) ritmam (i)
rapto (rã), raptas (rã), rapta (rã). raptamos, raptais, raptam (rã)

g) Obviar, conjuga-se:
pres. ind.. obvio (f), obvias (i), obvia (f), obviamos, obvials, obviam(f).

h) apiedar e moscar, conjugam-se:
apiedar - pres. ind.: apiedo, apiedas, apieda, apiedamos, apiedais, apiedam.

O Vocabulário Oficial confunde o antigo apiadar e apiedar numa
conjugação que não aconselhamos:
pres. ind.: apiado, apiadas, apiada, apiedamos, apiedais, apíadam. (isto é, a nas formas
rizotônicas e e nas arrizotónicas).

A mesma confusão existe, no Vocabt,lário Oficial, com moscar e
muscar (sumir-se).
pres. ind.: musco, muscas. musca, mostamos, moscais, muscam (isto é, u nas formas
rizotónicas e o nas arrízotónícaá).

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Mais certo seria conjugarmos regularmente moscar:

pres. ind.: mosco, moscas, mosca, 1n09camos, moscais, moscam; e muscar:
pres. ind.: musco, muscas, musca, muscamos, muscais, muscam. .

A correção, porém, talvez seja mais difícil, por serem muito pouco
usados moscar e muscar.

i) Verbos com os ditongos fechados ou e ei : roubar e inteirar.

Conjugam-se não se reduzindo a vogais abertas o e e, respectivamente:

Roubar

roubo (e não róbo, etc.)
roubas
rouba
roubamos
roubais
roubam

Inteirar

inteiro (e não intéro, etc.)
inteiras
inteira
inteiramos
inteirais
inteiram

i) Verbos com os ditongos fechados eu e oi : tipos endeusar e noivar.
Conjugam-se mantendo o ditongo sem que o e ou o o passem a timbre
aberto: endeuso, endeusas, endeusa, etc.; noivo, noivas, noiva, etc.

OBSERVAÇÃO: O verbo apoiar tinha primitivamente fechado o ditongo; hoje é
mais corrente proferi-lo aberto, o que justifica as formas apóio, apóias, etc.

k) Verbos com o hiato au.. ai e iu: tipos saudar, embainhar e amiu-
dar. Conjugam-se mantendo o hiato:

saudar embainhar amiudar
saúdo embaínho amiúdo
saúdas embaínhas amiúdas
saúda embaínha amiúda
saudamos embainhamos amiudamos
saudais embainhaís amiudais
saúdam embainham amiúdam

OBsERvAçXo: Arraigar (com hiato) passou desde cedo a arraigar (com ditongo,
ar-rai-gar) e daí a arreigar. As formas com ditongo alo mais freqüentes, embora
modernamente se tenha restabelecido arraigar com hiato. Saudar proferido com ditongo
(saudo, saudas, etc.) ocorre aqui e ali nos poetas e se fixa no falar coloquial e popular.

Verbos terminados em -zer, -zir: tipos fazer e traduzir. - Perdem o
e final na 3.a pessoa sing. do presente do indicativo e 2.a pess. sing. do
imperativo afirmativo (este caso não é obrigatório e até, com exagero,
vem condenado pelos gramáticos), quando o z não é precedido de
consoante:

fazer: faço, fazes, faz, etc. Imp. afirm.: faze (ou faz) tu
traduzir: traduzo, traduzes, traduz, etc. Imp. afirm.: traduze (ou traduz) tu
Mas, cerzir: cirzo, cirzes, cirze, etc.

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Variações gráficas na conjugação. - Muitas vezes altera-se a maneira
de representar na escrita a última consoante do radical para conservar o
mesmo som:

1 - os verbos terminados em -car e -gar mudam o c ou g em qu ou
gu, quando tais consoantes são seguidas de e :
pecar: peco, peques; cegar: cego, cegues.

2 - os verbos terminados em -cer ou -cir têm c cedilhado antes de
a ou o:
conhecer: conheço, conheces, conhece; ressarcir: ressarço, ressarces.

a ou o:

de a ou o:

3 - os verbos terminados em -çar perdem a cedilha antes do e
começar: Começo, comeces.

4 - os verbos terminados em -ger ou -gir mudam o g em i antes de

eleger: elejo, eleges; fugir: fujo, foges.

5 - os verbos terminados em -guer ou -guir perdem o u antes

erguer: ergo, ergues, erga.
conseguir: consigo, consegues, consiga.

A vogal e passa a ser grafada i quando entra num ditongo oral (verbos
em -uir): atribuo, atribuis, atribui.

VERBos iEm -ear E -iar. - Os verbos em -ear trocam o e por ei nas

Estas variaçjes gráficas não constituem irregularidades de conjugação,
não havendo, por isso, verbos irregulares gráficos.

formas rizotônicas:
Nomear: pres. ind.: nomeio, nomeias, nomeia, nomeamos, nomeais, nomeiam.
pres. subj,: nomeie, nomeies, nomeie, nomeemos, nomeeis, nomeiem.
imper. afirm.: nomeia, nomeie, nomeemos, nomeai, nomeiem.

Os verbos em -iar são conjugados regularmente:
Premiar: pres. ind.: premio, premias, premia, premiamos, premiais, premiam
pres. subj., premie, premies, premie, etc.
imper. afirm.: premia, premie, premiemos, premiai, premiem.

Cinco verbos em iar se conjugam, nas formas rizotônicas, como se
terminassem em -ear (mARio é o anagrama que deles se pode formar):
mediar: medeio, medeias, medeia, mediamos, mediais, medeiam
ansiar: anseio, anseias, anseia, ansiamos, ansiais, anseiam
remediar: remedeio, remedeias, remedeia, remediamos, remediais, remedeiam
incendiar: incendeio, incendeias, incendeia, incendiamos, incendiais, incendeiam
odiar: odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam

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OBSERVAÇõES:
La) Enquanto no Brasil já vamos conjugando os verbos em -ear e -iar pelo que
acabamos de expor, entre os portugueses ainda se notam vacilações em muitos que,
grafados com -iar, deveriam seguir o modelo de premiar, mas se acostam ao de
nomear: além do próprio premiar, agenciar, comerciar, licenciar, negociar, penitenciar,
obsequiar, presenciar, providenciar, reverenciar, sentenciar, vangloriar, vitoriar, evi-
denciar, gloriar, diligenciar, e outros.
2.a) Hoje não fazemos distinção entre crear (tirar do nada, dar existência) e
criar (educar, cultivar, promover o desenvolvimento), usando apenas criar para ambos
os casos, que se conjuga como Premiar. Entre escritores modernos, porém, podem
ocorrer exemplos de crear, conjugado como nomear.
3.a) A diferença de conjugação torna-se imperiosa nos parônimos: afear e afiar,
arrear e arriar, estrear e estriar; vadear e vadiar, etc.

Quando grafar -ear ou -iar. - Grafam-se com -ear os verbos que
possuem formas substantivas ou adjetivas cognatas terminadas em:

a) -é, -eio, -eia, -éia :

pé - apear
passeio - passear
Exceção: fé - fiar

ceia cear
idéia idear

b) consoante ou pelas vogais átonas -a, -e -o precedidas de consoante:

mar - marear
casa - casear

Exceções: amplo - ampliar
breve - abreviar
finança - financiar
graça - agraciar

pente - pentear
branco - branquear
lume - alumiar
sede - sediar
êxtase - extasiar

1ncluem-se entre os verbos em -ear: atear, bambolear, bruxulear,
cecear, derrear, favonear, pavonear, semear, vadear.
Grafam-se com -ar os verbos que possuem formas substantivas cogna-
tas terminadas em:

a) -io, -ia:

alívio - aliviar
sócio associar
óbvio obviar

b) -tincia, -ênci&., -ença:
distância distanciar
diligência diligenciar

saciar.

delícia - deliciar
polícia - policiar
assovio - assoviar

presença - presenciar
sentença - sentenciar

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Incluem-se no rol dos verbos em -iar: anuviar, apreciar, depreciar,

OBSMVAÇÃO: Muitas vezes~ o final -car ou -iar se pode alternar com o simples
-ar: azular ou azulear; bajar ou bagear (produzir vagens); diferenciar ou diferençar;
balançar ou balancear, etc.

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Erros freqüentes na conjugação de alguns verbos

a) Vir e seus derivados
No presente do indicativo temos: venho, vens, vem, vimos (e não
viemos), vindes, vêm.
No pretérito perfeito do indicativo: vim, vieste, veio, viemos, viestes,
vieram.
O gerúndio é igual ao particípio, porque neste desapareceu a vogal
temática: vindo (vi-rido) e vindo (vin-i-do).
Notem-se estes erros comuns nos derivados de vir, no pret. perf. ind.:
Os guardas interviram na discussão (por intervieram).
A professora interviu no caso (por interveio).
O futuro do subjuntivo é vier: Quando eu vier... (e não vir).
b) Ver e seus derivados

Prover não se conjuga como ver no:
pret. perf. ind.: provi, proveste, proveul PrO~051 provestes, proveram.
m.-q.-Perf. ind.: provera, prover^ provera, provéramos, provêrcis, proveram.
imperj. subj.: provesse, provesses, provesse, provéssemos, provêsseis, provessem.
fut. subi.: prover, proveres, prover, provermos, proverdes, proverem.
particípio: provido.

Rever é conjugado por ver; por isso está errada a flexão em:
A aluna reveu (em vez de reviu) a prova.

Antever é conjugado como ver e, por isso, enganou-se o nosso Casi-

miro de Abreu ao escrever:
"Quem antevera (com e) que dum povo a ruína
Pelo seu próprio rei cavada fosse?" (Obras, 34, ed. S. DA SILVEIRA).

O futuro do subjuntivo é vir:
Quando eu vier à cidade e vir oportunidade de comprá-lo, então o farei (e não ver!).
c) Precaver-se. 1

É verbo defectivo que nada tem com ver ou vir; por isso evite-se dizer
Eu me precavejo ou Eu me precavenho.
Precavefam-se ou Precavenham-se.
Para sua conjugação, veja-se pág. 108.
d) Reaver.
É verbo defectivo, derivado de haver, que à se conjuga nas formas
em que este possui -v-. Não se deve dizer:
Eu reavejo ou Eu reavenho.
Cuidado especial merece também o pret. perf.: reouve, reouveste,
reouveram.

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Por isso evitem-se empregos. como: eu reavi, ele reaveu, etc. Cf.
Pág. 1 OS.

e) Ter e seus derivados

Deter, derivado de ter, conjuga-se como este. Logo está errada a frase:
O policial deteu (por deteve!) o criminoso.

f) Por e seus derivados.

Opor é derivado de por e por ele se modela na conjugação. Assim
enganou-se o poeta Porto-Alegre nestes versos, usando opor em vez de
opuser :
"Se aos paternos errores de contraste,
E à minha influição opor virtudes" (Colombo, 11, 154 apud S. SiLvEraA, Obras de
Casimiro de Abreu, 34).

g) Estar e seus derivados.

Sobrestar é derivado de estar e por ele se conjuga; porém, costuma-se
ver modelado pelo verbo ter, como se fosse sobrester. Assim n~O está certo
o seguinte exemplo de Alberto de Oliveira:
"Deixando a enferma, sobrestenho o passo- (Poesias, 4.a série, apud S. SILVEIRA, ibid.).
h) Haver-se e avir-se.

Estes verbos têm empregos diferentes. Haver-se significa:
1) proceder, portar-se :
"Ele, porém, houve-se com a maior delicadeza" (M. DE Assis, Brds Cubas, 364).

2) ser chamado a ordem, entrar em disputa com alguém, conciliar, (ha
ver-se com alguém), e aparece nas ameaças:
Ele tem de se haver comigo.
"Aquele que sobre ti lançar vistas de amor ou de cobiça, comigo se haverd" (MARTINS
PENA, Comédias, 139 apud S. SiLvEmA, Liç6es, 361).

Avir-se é sinÔnimo de haver-se, no sentido 2), isto é, significa entrar-
em acordo com, conciliar:
"Lá se avenham os sorveteiros com Boileau" (FILINTo EUSIO, Obras, V, 46 apud
R. BAR~, Réplica, 391 nota).

Desavir-se é o contrário de avir-se:
Os amigos 9e destivieram (e não se desouveram!) por muito pouco.

Erra-se freqüentes vezes empregando-se, nas ameaças, avir-se por
haver-se :
Ele tem de se avir comigo (em lugar de se haver).

127
#





Paradigma dos verbos regulares

Com destaque dos elementos estruturais

1 - Conjugação simples

I -a - Canta, 2-a - Vend-e-r 3.a - Part-ir

MODO INDICATIVO

Presente

Cant-o Vend-o Part-o
Cant-a-s Vend-e-s Part-e-s
Cant-a Vend-e Part-e
Cant-a-mos Vend-e-mos Part-i-mos
Cant-a-is Vend-e-is Part-is
Cant-a-m Vend-e-m Part-e-m

Pretérito imperfeito

Cant-a-va Vend-i-a
Cant-a-va-s Vend-i-a-s Part-i-a-s
Cant-a-va Vend-i-a Part-i-a
Cant-A-va-mos Vend-f-a-mos Part-i-a-mos
Cant-A-ve-is Vend-i-e-is Part-f-e-is
Cant-a-va-m Vend-i-a-m Part-i-a-m

Cant-e-i
Cant-a-ste
Cant-o-u
Cant-a-mos
Cant-a-stes
Cant-a-ram

Cant-a-ra
Cant-a-ra-s
Cant-a-ra
Cant-i-ra-mos Cant-i-re-is
Cant-a-ra-m

Cant-a-re-i
Cant-a-rd-s
Cant-a-rA
Cant-a-re-mos
Cant-a-re-is
Cant-a-rA-o

Pretérito perfeito

Vend-i
Vend-e-ste
Vend-e-u
Vend-e-mos
Vend-e-stes
Vend-e-ram

Pretérito mais-que-perfeito

Vend-e-ra
Vend-e-ra-s
VVend-e-ra
end-6-ra-mos
Vend-&re-is
Vend-e-ra-m
#






Futuro do presente

Vend-e-re-i
Vend-e-rA-s
Vend-e-ri
Vend-e-re-mos
Vend-e-re-is
Vend-e-ra-o

128,

Part-i
Part-i-ste
Part-i-u
Part-i-mos
Part-i-stes
Part-i-ram

Part-i-ra
Part-i-ra-s
Part-i-ra
Part-i-ra-mos
Part-i-re-is
Part-i-ra-m

Part-i-re-i
Part-i-rA-s
Part-i-rA
Part-i-re-mos
Part-i-re-is
Part-i-ri-o
#





Futuro do pretérito

Cant-a-ria
Cant-a-ria-s
Cant-a-ria
Cant-a-ria-mos
Cant-a-rie-is
Cant-a-ria-m

Cant-e
Cant-e-s
Cant-e
Cant-e-mos
Cant-e-is
Cant-e-m

Cant-a-sse
Cant-a-sse-s
Cant-a-sse
Cant-A-sse-mos
Cant-;i-sse-is
Cant-a-sse-m

Cant-a-r
Cant-a-r-es
Cant-a-r
Cant-a-r-mos
Cant-a-r-des
Cant-a-r-em

Cant-a tu
Cant-e você
Cant-e-mos nós
Cant-a-i vós
Cant-e-m vocés

Vend-e-ria
Vend-e-ria-s
Vend-e-ria
Vend-e-ria-mos
Vend-e-rie-is
Vend-e-ria-m

MODO SUBJUNTIVO

Premente

Vend-a
Vend-a-s
Vend-a
Vend-a-mos
Vend-a-is
Vend-a-m

Pretérito imperfeito

Vend-e-sse
Vend-e-sse-s
Vend-e-sse
Vend4-sse-mos
Vend-ê-sse-is
Vend-e-sse-m

Futuro

Vend-e-r
#





Vend-e-r-es
Vend-e-r
Vend-e-r-mos
Vend-e-r-des
Vend-e-r-em

MODO IMPERATIVO

Afirmativo

Vend-e tu
Vend-a você
Vend-a-mos nós
Vend-e-i vós
Vend-a-m vocês;

Negativo

Não cant-e-s tu Não vend-a-s tu
Não cant-e você Não vend-a você
Não cant-e-mos nós Não vend-a-mos nós
Não cant-e-is vós Não vend-a-is vós
Não cant.e.m vocês Não vend-a-m vocês

129

Part-i-ria
Plart-i-ria-s
Part-i-ria
Part-i-ria-mos
Part-i-rie-is
Part-i-ria-m

Part-a
Part-a-s
Part-a Part-a-mos
Part-a-is
Part-a-m

Part-i-ssc
Part-i-sse-s
Plart-i-sse
Part-f-sse-mos
Part-i-sse-is
Part-i-sse-m

Part-i-r
Part-i-r-es
Part-i-r
Part-i-r-mos
Part-i-r-des
Part-i-r-em

Part-e tu
Part-a você
Part-a-mos nós
Part-i vós
Part-a-m vocês

Não part-a-s tu
Não part-a você
Não part-a-mos nós
Não part-a-is vós
Não part-am vocês,
#





FoRMAS NOMINAIS

I Infinitivo

Ndo flex
Cant-a-r Vend-e-r

Flexionado

Part-i-r

Cant-a-r Vend-e.r Part-i-r
Cant-a-r-es Vend-e-r-es Part-i-r-es
Cant-a-r Vend-e-r Part-i-r
Cant-a-r-mos Vend-e-r-mos Part-i-r-mos
Cant-a-r-des Vend-e-r-des Part-i-r-des
Cant-a-r-em Vend-e-r-em Part-i-r-em

Gerfindio

Cant-a-ndo Vend-e-ndo

Particípio

Part-i-ndo

Cant-a-do Vend-i-do Part-i-do

2 - Conjugação composta(')

MODO INDICATIVO

Pretérito perfeito composto
Tenho cantado Tenho vendido Tenho partido
Tens cantado Tens vendido Tens partido
Tem cantado Tem vendido Tem partido
Temos cantado Temos vendido Temos partido
Tendes cantado Tendes vendido Tendes partido
Têm cantado Tém vendido Tém partido

Pretério mais-que-perfeito c
Tinha cantado Tinha partido
Tinhas cantado Tinhas partido
Tinha cantado Tinha partido
Tínhamos cantado Tínhamos partido
Tínheis cantado Tínheis partido
Tinham cantado Tinham partido

Terei cantado
Terás cantado
Terá cantado
Teremos cantado
TereU cantado
Terão cantado

Tinha vendido
Tinhas vendido
Tinha vendido
Tínhamos vendido
Tínheís vendido
Tinham vendido

Futuro do presezáte composto
Terei veudido
Terás vendido
Terá vendido
#





Teremos vendido
Tereis vendido
Terão vendido

Terei partido
Terás partido
Terá partido
Teremos partido
Terei& partido
Terão partido

(1) Sobre o emprego dos auxiliares ter e haver na conjugaçáo composta, veja-se a pág. 111.

1.30
#





Teria cantado
Terias cantado
Teria cantado
Teríamos cantado
Terícis cantado
Teriam cantado

Tenha cantado
Tenhas cantado
Tenha cantado
Tenhamos cantado
Tenhais cantado
Tenham cantado

Tivesse cantado
Tivesses cantado
Tivesse cantado
Tivéssemos cantado
Tivésseis cantado
Tivessem cantado

Tiver cantado
Tiveres cantado
Tiver cantado
Tivermos cantado
Tiverdes cantado
Tiverem cantado

Ter cantado

Ter cantado
Teres cantado
Ter cantado
Termos cantado
Terdes cantado
Terem cantado

Tendo cantado

Futuro do pretérito composto
Teria vendido
Terias vendido
Teria vendido
Teríamos vendido
Terleis vendido
Teriam vendido

MODO SUBJUNTIVO

Pretérito perfeito
Tenha vendido
Tenhas vendido
Tenha vendido
Tenhamos vendido
Tenhais; vendido
Tenham vendido

Pretérito mais-que-perfeito,
Tivesse vendido
Tivesses vendido
Tivesse vendido
Tivéssemos vendido
Tivésseis vendido
Tivessem vendido

Futuro composto
#





Tiver vendido
Tiveres vendido
Tiver vendido
Tivermos vendido
Tiverdes vendido
Tiverem vendido

F~AS NOMINAIS

Inflnitivo

Não flexionado composto
Ter vendido

Flexionado composto
Ter vendido
Teres vendido
Ter vendido
Termos vendido
Terdes vendido
Terem vendido

Gerúndio composto
Tendo vendido

131

Teria partido
Terias partido
Teria partido
Teríamos partido
Terfeis, partido
Teriam partido

Tenha partido
Tenhas partido
Tenha partido
Tenhamos partido
Tenhais partido
Tenham partido

Tivesse partido
Tivesses partido
Tivesse partido
Tivéssemos partido
Tivésseis partido
Tivessem partido

Tiver partido
Tiveres partido
Tiver partido
Tivermos partido
Tiverdes partido
Tiverem partido

Ter partido

Ter partido
Teres partido
Ter partido
Termos partido
Terdes partido
Terem partido

Tendo partido
#





Conjugação de verbos auxiliares mais comuns

1 - Conjugação simples

Ser Estar Ter Haver

MODO INDICATIVO

Presente

Sou Estou Tenho Hei
És Estás Tens Hás
É Está Tem Há
Somos Estamos Temos Havemos
Sois Estais Tendes Haveis
São Estão Têm (1) Hão

Pretérito imperfeito

Era Estava Tinha Havia
Eras Estavas Tinhas Havias
Era Estava Tinha Havia
Éramos Estávamos Tínhamos Havíamos
Êreis Estáveis Tínheis Havíeis
Eram Estavam Tinham Haviam

Pretérito perfeito

Fui Estive Tive Houve
Foste Estiveste Tiveste Houveste
Foi Esteve Teve Houve
Fomos Estivemos Tivemos Houvemos
Fostes Estivestes Tivestes Houvestes
Foram Estiveram Tiveram Houveram

Pretérito mais-que-perfeito

Fora Estivera Tivera Houvera
Foras Estiveras Tiveras Houveras
Fora Estivera Tivera Houvera
Fôramos Estivéramos Tivéramos Houvéramos
Fôreis Estivéreis Tivéreis Houvéreis
Foram Estiveram Tiveram Houveram

Futuro do presente

Serei Estarei Terei Haverei
Serás Estarás Terás Haverás
Será Estará Terá Haverá
Seremos Estaremos Teremos Haveremos
Sereis Estareis Tereis Havereis
Serão Estarão Terão Haverão

(1) O Vocabulário Oficial só adota esta forma; porém, nos poetas pode ocorrer a pronún-
cia como dissílabo - te-em -, como dizem crêem, lêem, vêem. Ocorre o mesmo com vê-
(de vir). Note-se, de passagem, que os dissílabos crêem, dêem, lêem são pronúncias relativamente
modernas. As formas antigas eram; crem, dem, lem, vem.

132
#





Futuro do'pretérito

Seria Estaria Teria Haveria
Serias Estarias Terias Haverias
Seria Estaria Teria Haveria
Seríamos Estaríamos Teríamos Haveríamos
Serfeis Estarícis Terícis Haveríeis
Seriam Estariam Teriam Haveriam

MODO SUBJUNTIVO

Presente

Seja Esteja Tenha Haja
Sejas Estejas Tenhas Hajas
Seja Esteja Tenha Haja
Sejamos Estejamos Tenhamos Hajamos
Sejais Estejais Tenhais Hajais
Sejam Estejam Tenham Hajam

Pretérito imperfeito

Fosse Estivesse Tivesse Houvesse
Fosses Estivesses Tivesses Houvesses
Fosse Estivesse Tivesse Houvesse
Fôssemos Estivéssemos Tivéssemos Houvéssemos
Fósseis Estivésseis Tivésseis Houvésseis
Fossem Estivessem Tivessem Houvessem

Futuro

For Estiver Tiver Houver
Fores Estiveres Tiveres Houveres
For Estiver Tiver Houver
Formos Estivermos Tivermos Houvermos
Fordes Estiverdes Tiverdes Houverdes
Forem Estiverem Tiverem Houverem

MODO IMPERATIVO

Afirmativo

Sê tu Está tu , Tem tu (1) Há tu
Seja você Esteja você Tenha você Haja você
Sejamos nós Estejamos nós Tenhamos nós Hajamos nós
Sede vós Estai vós Tende vós Havei vós
Sejam vocês Estejam vocês Tenham vocês Hajam vocês

Negativo
Não sejas tu Não estejas tu Não tenhas tu Não hajas tu
Não seja você Não esteja você Não tenha você Não haja você
Não sejamos nós Não estejamos nós Não tenhamos nós Não hajamos nós
Não sejais vós Não estejais vós Não tenhais vós Não hajais vós
Não sejam vocês Não estejam vocés Não tenham vocês Não hajam vocês

(1) Com m final, e não com n.

133
#





FoRmAs NomINAIS

Infinitivo nlio flexionado

Ser Estar Ter Haver

Infinitivo flexionado

ser Estar Ter Haver
Seres Estares Teres Haveres
Ser Estar Ter Haver
Sermos Estarmos Termos Havermos
Serdes Estardes Terdes; Haverdes
Serem Estarem Terem Haverem

Gerfindio

Sendo Tendo Estando Havendo

Participio

Sido Estado Tido Havido

2 - Conjugação composta

MODO INDICATIVO

Pretérito perfeito composto

Tenho (ou hei)
Tens (ou hás)
Tem (ou há) sido, estado, tido, havido
femos (ou havemos)
Tendes (ou haveis)
Têm (ou hão)

Pretérito mais-que-perfeito composto

Tinha (ou havia)
Tinhas (ou havias)
Tinha (ou havia)
Tínhamos (ou havia tos) sido, estado, tido, havido
m
Tínheis (ou havíels)
Tinham (ou haviam)

Terei
Terás
Terá
Teremos
Tereis
Terão

Futuro do presente composto

(ou haverei)
(ou haverás)

(ou haverá) sido, estado, tido, havido
(ou hav os
(ou haver=
(ou haverão)

134
#





Teria
Terias
Teria
Teríamos
Terícis
Teriam

Futuro do pretérito composto

(ou haveria)
(ou haverias)
(ou haveria) sido, estado, tido, havido
(ou haveríamos)
(ou haverfeis)
(ou haveriam)

MODO SUBJUNTIVO

Pretérito perfeito

Tenha (ou haja)
Tenhas (ou hajas)
Tenha (ou haja) sido, estado, tido, havido
Tenhamos (ou hajamos)
Tenhais (ou hajais)
Tenham (ou hajam)

Pretérito mais-que-perfeito

Tivesse (ou houvesse)
Tivesses (ou houvesses)
Tívesse (ou houvesse)sido, estado, tido, havido
Tivéssemos (ou houvéssemos)~
Tivêsseis (ou houvésseis)
Tivessem (ou houvessem)

Tiver
Tiveres
Tiver
Tivermos
Tiverdes
Tiverem

Ter (ou haver)

Ter
Teres
Ter
Termos
Terdes;
Terem

Tendo

Futuro composto
(ou houver)
(ou houveres)
(ou houver) sido, estado, tido, havido
(ou houvermos)
(ou houverdes)
(ou houverem)

FoitMAS NOMINAIS

Infinitivo alo flexionado composto

#





sido, estado, tido, havido

Infinitivo flexionado composto
(ou haver)
(ou haveres)
(ou haver) sido, estado, tido, havido
(ou havermos)
(ou haverdes)
(ou haverem)

Gcrdndio

(ou havendo) sido, estado, tido, havido

135
#





1 - Conjugação simples

Presente

Ponho
Pões
Põe
Pomos
Pondes,
Põem

Pretérito mais-que-perf.

Pusera
Puseras
Pusera
Puséramos
Puséreis
Puseram

Presente

Ponha
Ponhas
Ponha
Ponhamos
Ponhais
Ponham

Afirmativo

Põe tu
Ponha você
Ponhamos nós
Ponde vós
Ponham vocês

Infinitivo, não flexionado

Por

Gerfindio

Pondo

Conjugação do verbo por

MODO INDICATIVO

Pretérito imperfeito
Punha
Punhas
Punha
Púnhamos
Púnheis
Punham

Futuro do pretérito

Poria
Porias
Poria
Poríamos
Poríeis
Poriam

#





MODO SUBJUNTIVO

Pretérito imperfeito

Pusesse
Pusesses
Pusesse
Puséssemos
Pusésseis
Pusessem

MODO IMPERATIVO

Negativo
Não ponhas tu
Não ponha você
Não ponhamos nós
Não ponhais vós
Não ponham vocês

FoRmAs NomINALS

Infinitivo, flexionado,

Por
Pores
Por
Pormos
Pordes
Porem

Particípio
Posto

136

Pretérito perfeito

Pus
Puseste
Pôs
Pusemos
Pusestes
Puseram

Porei
Porás
Porá
Poremos
Poreis
Porão

Futuro

Puser
Puseres
Puser
Pusermos
Puserdes
Puserem

Futuro do presente
#





2 - Conjugação composta

Pretérito nerfeito compost

Tenho
Tens
Tem
Temos
Tendes
Têm

posto
posto
posto
posto
posto
nnsto

Futuro do Presente composto

Terei
Terás
Terá
Teremos
Tereis
Terão

Pretérito perfei

Tenha
Tenhas
Tenha
Tenhamos
Tenhais
Tenham

Ter

posto

posto
posto
post
posto
post
nnst

finitivo não flexionado

MODO INDICATIV(:

Pretérito mais-que-perfeito composto

Tinha
Tinhas
Tinha
Tínhamos
Tínheis
Tinham

Futuro do pretérito composto

posto
posto
posto
posto
#





posto
nosto

Teria
Terias
Teria
Teríamos
Terleis
Teriam

MODO SUBJUNTIVO

Pretérito maiç-nue-nerf

Tivesse
Tivesses
Tivesse
Tivéssemos
Tivésseis
Tivessem

posto
posto
posto
posto
posto
nosto

FoRMAs NomINAIS

Tiver
Tiveres
Tiver
Tivermos
Tiverdes
Tiverem

Infinitivo flexionad

Ter
Teres
Ter
Termos
Terdes
Terem

Gerfindio comnost

Tendo

13

nost(

posto
posto
posto
posto
posto
nosto

posto
posto
posto
posto
posto
#





sto

posto
posto
posto
posto
posto
posto

Futur

posto
posto
posto
posto
posto
Dosto
#





Conjugação de um verbo composto na voz passiva: ser amado

MODO INDICATIVO

Presente Pretérito Imperfeito Pretérito perf. simples

Sou amado Era amado Fui amado
És amado Eras amado Foste amado
É amado Erá amado Foi amado
somos amados Éramos amados Fomos amados
Sois amados Êreis amados Fostes amados
São amados Eram amados Foram amados

pretérito perfeito composto

Tenho sido amado
Tens sido amado
Tem sido amado
Temos sido amados
Tendes sido amados
Têm sido amados

Pret. mais-que-perfeito composto

Pretérito mais-que-perfeito, simples

Fora amado
Foras amado
Fora amado
Fôramos amados
Fóreis amados
Foram amados

Futuro do presente simples

Tinha sido amado Serei amado
Tinhas sido amado Serás amado
Tinha sido amado Será amado
Tínhamos sido amados Seremos amados
Tínheis sido amados Sereis amados
Tinham sido amados Serão amados

Futuro do presente composto

Futuro do pretérito simples

Terei sido amado Seria amado
Terás sido amado Serias amado
Terá sido amado Seria amado
Teremos sido amados Seríamos amados
Tereis sido amados Serf eis amados
Terão sido amados Seriam amados

Futuro do pretérito composto

Teria sido amado
Terias sido amado
Teria sido amado
Teríamos sido amados
Teríeis sido amados
Teriam sido amados

138
#





MODO SUBJUNTIVO

Presente

Seja amado
Sejas amado
Seja amado
Sejamos amados
Sejais amados
Sejam amados

Pretérito mais-que-perfeito,,
Tivesse sido amado
Tivesses sido amado
Tivesse sido amado
Tivéssemos sido amados
Tivésseis sido amados
Tivessem sido amados

Infinitivo n1o flexionado

Ser amado

Infinitivo flexionado

Ser amado
Seres amado
Ser amado
Sermos amados
Serdes amados
Serem amados

Gerfindio,

Sendo amado

Fosse
Fossa
Fosse
Fôssemos
Fósseis
Fosam

OBs£RvAçõFs sobre a voz passiva:

Pretérito imperfeito

amado
amado
amado
amados
amados
amados

Futuro

For amado
Fores amado
For amado
Formos amados
Fordes amados
Forem amados

FORMAs NomINAIS

Pretérito perf
#





Tenha sido
Tenhas sido
Tenha sido
Tenhamos sido
Tenhais sido
Tenham sido

amado
amado
amado
amados
amados
amados

Futuro composto

Tiver sido
Tiveres sido
Tiver sido
Tiv os sido
Tiverdes sido
Tiverem sido

amado
amado
amado
amados
amados
amados

Infinitivo não flexionado, composto

Ter sido amado

Infinitivo flexionado composto

Ter sido
Teres sido
Ter sido
Termos sido
Terdes sido
Terem sido

amado
amado
amado
amados
amados
amados

Gerúndio composto

Tendo sido amado

La) O particípio neste caso aparece na forma feminina se a referéncia é feita a
ser do gênero feminino:

Ele é amado. Ela é amada.

2.a) Também nas trés pessoas do plural o particípio vai ao plural:
Voz ativa - Ela tem estudado. Elai têm estudado.
Voz passiva - Ela é amada. Elas são amadas.

3.a) Na voz passiva não, se usa o imperativo.

Conjugação de um verbo na voz reflexiva: 1 dar-se. - já vimos
#





apie
que o verbo está na voz reflexiva quando o pronome oblíquo se refere
ao pronome reto:
Eu me visto. Nós nos arrependemos. Eles se foram.

139
#





O pronome átono pode vir antes, no meio ou depois do verbo ou
verbos (se for uma conjugação composta), de acordo com certos princí-
pios que serão futuramente estudados:

a) prócUse: se o vocábulo átono vem antes: Ele se feriu (pronome
átono proclítico);
b) mesócUse: se o vocábulo átono vem no meio (dos futuros, do pre-
sente e do pretérito): Vestir-se-á se puder. Vestir-nos-íamos se pudéssemos
(pronome átono mesoclítico);
c) ênclise: se o vocábulo átono vem depois: queixamo-nos ao diretor
(pronome átono enclítico).

NOTA IMPORTANTE. - Se o pronome for enclítico na voz reflexiva só haverá uma
alteração no verbo a que pertencer o pronome: perderá o s final da 1.a pessoa do plural:

queixo-me
queixas-te
quelXa-se
queixamo-nos
queixais-vos
queixam-se.

Nas outras posições, o verbo ficará

intacto:

Nós nos queixamos.Queixar-nos-emos.

Atente-se para o seguinte modelo e para as observações feitas sobre
a impossibilidade da posposição em algumas formas:

Apiedar-se

MODO INDICATIVO

Presente Pretérito imperfeitoPretérito perfeito
apiedo-me apiedava-me apiedei-me
apiedas-te apiedavas-te apiedaste-te
apieda-se apiedava-se apiedou-se
apiedamo-nos apiedávamo-nos apiedamo-nos
apiedais-vos apiedáveis-vos apiedastes-vos
apiedam-se apiedavam-se apiedaram-se

Pretérito perfeito composto

tenho-me apiedado (1)
tens-te apiedado
tem-se apiedado
temo-nos apiedado
tendes-vos apiedado
têm-se apiedado

(1) Nunca se use pronome átono posposto a

140

Pretérito mais-que-perfeito

apiedara-me
apiedaras-te
apiedara-se
apieddramo-nos
apiedAreis-vos
apiedaram-se

particípio.
#





#





Pretérito mais-que-perfeito composto

tinha-me apiedado
tinhas-te apiedado
tinha-se apiedado
tínhamo-nos apiedado
tínheis-vos apiedado
tinham-se apiedado

Futuro do presente composto

ter-me-ei apiedado
ter-te-ás apiedado
ter-se-á apiedado
ter-nos-emos apiedado
ter-vos-eis apiedado
ter-se-âo apiedado

Futuro do presente

apiedar-me-ei (2)
apiedar-te-ds
apiedar-se-d
apiedar-nos-emos
apiedar-vos-eis
apiedar-se-do

Futuro do pretérito

apiedar-me-ia
apiedar-te-ias
apiedar-se-ia
apiedar-nos-famos
apiedar-vos-ieis
apiedar-se-iam

Futuro do pretérito composto

ter-me-ia apiedado
ter-te-ias apiedado
ter-se-ia apiedado
ter-nos-íamos apiedado
ter-vos-feis apiedado
ter-se-iam apiedado

MODO SUBJUNTIVO

NOTA: Raramente aparece pronome posposto a verbo neste modo.

Presente Pretérito imperfeitoPretérito perfeito
apiede-me apiedasse-me Não se usa pronome
apiedes-te apiedasses-te posposto a verbo
apiede-se apiedasse-se nesta formal
apiedemo-nos apiedássemo-nos
apiedeis-vos apiedásseis-vos
apiedem-se apiedassem-se

Pretérito mais-que-perfeito

tivesse-me apiedado
tivesses-te apiedado
tivesse-se apiedado
tivésserno-nos apiedado
tivésseis-vos apiedado
tivessem-se apiedado

#





Futuro composto

Não se usa pronome posposto a
verbo nestas formas 1

(1) Nunca se use pronome átono posposto a particípio.
(2) Nunca se use pronome átono posposto aos futuros do presente e do pretérito: usar-se-á
a anteposiçáo ou a interposiçào, como veremos depois.

141
#





MODO IMPERATIVO

Afirmativo

apieda-te tu
apiede-se você
apiedemo-nos nós
apiedai-vos vós
apiedem-se vocês

Infinitivo não flexionado simples

apiedar-me',
apiedar-te
apiedar-se
apiedar-nos
apiedar-vos
apiedar-se

Infinito flexionado simples

apiedar-me
apiedares-te
apiedar-se
apiedarmo-nos
apiedardes-vos
apiedarem-se

Gerikidio simples

. Negativo

Não se usa pronome posposto
a verbo nesta forma 1

FoRmAs NoMINAIS

Infinitívo não flexionado composto

apiedado
apiedado
apiedado
apiedado
apiedado
apiedado

Infinito flexionado composto

ter-me apiedado
teres-te apiedado
ter-se apiedado
termo-nos apiedado
terdes-vos apiedado
terem-se apiedado

Gerúndio composto

apiedando-me tendo-meapiedado
apiedando-te tendo-teapiedado
apiedando-se tendo-seapiedado
apiedando-nos tendo-nosapiedado
apiedando-vos tendo-vosapiedado
apiedando-se tendo-seapiedado

Particípio

#





Não se usa pronome posposto a verbo nesta formal

Conjugação de um verbo com pronome oblíquo átono (sem ser voz
reflexiva): tipo pô-lo. - O verbo pode acompanhar-se de um pronome
oblíquo átono que não se refira ao pronome reto:
Eu o vi. Nós te admiramos. Ela o chama.

Quando os pronomes oblíquos átonos o, a, os, as estiverem depois do
verbo ou no meio modificam-se de acordo com o final a que se acham
pospostos:

142
#





a) se o verbo terminar por vogal ou semivogal, oral, os pronomes
aparecem inalterados: ponho-o, ponha-a, ponho-os, ponho-as;

b) se o verbo terminar por r, s ou z, desaparecem estas consoantes e
os pronomes assumem as formas 10.. Ia, Ios, Ias:

por o = pd-lo; póes o = p6e-lo; diz o = di-lo; deixar~o ia = deixd-lo-ia.

OBSERVAq6ES:

La) Recorde-se a acentuação dos oxItonos estudada na pág. 170.
1.a) Se o verbo termina por ns, o n passará a m: tens o = tem-lo.

c) se o verbo terminar por som nasal (m ou silaba com til), os
pronomes assumem as formas no, na, nos, nas:
p6e + o = PU-no, viram + a = viram-na.

NoTA: Se os pronomes vêm antes do verbo, não há nenhuma alteração nos pro-
nomes e no verbo: Ele o p6e ali. Eu o fiz.

OBoavAçÃo: Alguns autores chamam pronominais reflexos aos verbos na voz
reflexiva e pronominais irreflexivos (ou não reflexos) aos verbos deste parágrafo.

Atente-se para o seguinte modelo e para as observações feitas sobre
a impossibilidade da posposição em algumas formas:

pd_10
(só a conjugação simples)

MODO INDICATIVO

Presente Pretérito imperfeitoPretérito perfeito
ponho-o punha-o pu-lo,
pôe-lo punha-lo puseste-o
poe-no punha-o pô-10
PC)MO-10 púnhamo-lo pusemo-lo
ponde-lo púnhei-lo puseste-lo
põem-no punham-no puseram-no

Pret. ma"ue-perf.

pusera-o
pusera-lo
puserz-o
pus6ramo-lo
pusérei-10
puseram-no

Futuro do presente

p6-lo-ei (1)
P6-10-"
P6.10-A
p6-lo-emos
p6-lo-eis
P6-1040

(1) Note-se que nos futuros do presente e do pretérito há

143

Futuro do pretérito

p6-lo-ia
P6-10-ias
p6-lo-ia
#





p6-lo-famos
pb-lo-feis
p6-lo-iam.

formas verbais com dois acentos.
#





MODO SUBJUNTIVO
NoTA: raramente aparece pronome posposto a verbo neste modo.

Presente Pretérito imperfeito Futuro
ponha-o pusesse-o Não se usa pronome
ponha-lo pusesse-lo posposto a verbo
ponha-o pusesse-o nesta forma 1
ponhamo-lo puséssemo-lo
ponhai-lo puséssei-lo
ponham-no pusessem-no

MODO IMPERATIVO

Afirmativo

põe-no tu (1)
ponha-o você
ponhamo-lo nós
ponde-o vós (1)
ponham-no vocês

Infinitivo Gerfindio

Negativo
Não se usa pronome
posposto a verbo
nesta formal

FORMAs NomINATS

Particípio

pô-10 pondo-o Não se usa com pro-
nome posposto.

Conjugação dos verbos irregulares. - Na seguinte relação de verbos
apresentamos, além das formas irregulares, algumas regulares em que fre-
qüentemente se erra. As formas que aqui faltam e se empregam são todas
regulares.

].a CONJUGAqXO:

Dar

Pres. ind.: dou, dás, dá, damos, dais, dão.
Pret. perf. ind.: dei, deste, deu, demos, destes, deram.
M.-que-Perf. ind.: dera, deras, dera, déramos, déreis, deram.
Pres. subi.: dê, dês, dê, demos, deis, dêem.
Pret. imperf. subi.: desse, desses, desse, déssemos, désseis, dessem.
Fut. subi.: der, deres, der, dermos, derdes, derem.
Por este modelo conjuga-se desclar; circundar é, porém, regular.

Estar

Ver a lista dos verbos auxiliares.
Por este conjugam-se: sobestar. e sobrestar. São regulares os seus derivados
constar, prestar, obstar.

(1) Recorde-se que o s final do presente do indicativo desaparece no imperativo afirmatívo.

144
#





2.a CONJUGA~AO:

Caber

Pres. ind. : caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis, cabem.
Pret. perf. ind. : coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes, couberam.
M.-q.-perf. ind.: coubera, couberas, coubera, coubéramos, coubéreis, couberam.
Pret. imp. subi. : coubesse, coubesses, coubesse, coubéssemos, coubésseis, coubessem.
Fut. subi.: couber, couberes, couber, coubermos, couberdes, couberem.

Comprazer

Ver prazer.

Crer

Pres. ind.: creio, crês, crê, cremos, credes, crêem (cf. nota da pág. 132).
Pret. perf. ind. : cri, creste, creu, cremos, crestes, creram.
Pres. subi. : creia, creias, creia, creiamos, creiais, creiam.
Pret. imp, subi. : cresse, cresses, cresse, crêssemos, crêsseis, cressem.
Fut. subi. crer, creres, CrCr, crermos, crerdes, crerem.
Imperativo Crê, crede.
Part.: crido.

Por este conjuga-se descrer.

Dizer

Pres. ind.: digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem.
Pret. perf. ind.: disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram.
M.-q.-perf. ind.: dissera, disseras, dissera, disséramos, disséreis, disseram.
Fut. pres.: direi, dirás, dirá, diremos, direis, dirão.
Fut. pret.: diria, dirias, diria, diríamos, diríeis, diriam.
Pres. subi.: diga, digas, diga, digamos, digais, digam.
Pret. imperf. subi.: dissesse, dissesses, dissesse, disséssemos, dissésseis, dissessem.
Fut. subi.: disser, disseres, disser, dissermos, disserdes, disserem,
Imperativo: dize, dizei.
Part. : dito.

Por este se conjugam bendizer, condizer, contradizer, desdizer, maldizer, predizer.

Fazer

Pres. ind. : faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem.
Pret. perf. ind. : fiz, fizeste, fez, fizemos, fizestes, fizeram.
M.-q.-perf. ind. : fizera, fizeras, fizera, fizéramos, fizéreis, fizeram.
Fut. pres. : farei, farás, fará, faremos, fareis, farão.
Fut. pret. : faria, farias, faria, faríamos, farfeis, fariam.
Pres. subi.: faça, faças, faça, façamos, façais, façam.
Pret. imp. subi.: fizesse, fizesses, fizesse, fizéssemos, fizésseis, fizessem.

145

I






Fut. subi.: fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem.
Imperativo: faze, fazei (cf. 116, obs.).
Part. : feito.

Por este se conjugam afazer, contrafazer, desfazer, liquefazer, perfazer, rarefazer,
refazer, satisfazer.

Haver
Ver a conjugação dos verbos auxiliares.

Jazer
Pret. ind. : jazo, jazes, jaz, jazemos, jazeis, jazem.
Pret. Perf. ind. : jazi, jazeste, jazeu, jazemos, jazestes, jazeram.
As outras formas - pois é totalmente conjugado - são regulares. Por este
se modela adiazer.

Ler
Pres. ind.: leio, lês, lê, lemos, ledes, lêem (cf. nota da pág. 132).
Pret. perf. ind. : E, leste, leu, lemos, lestes, leram.
M.-q.-Perf. ind. : lera, leras, lera, lêramos, lêrcis, leram.
Pres. subi. : leia, leias, leia, leiamos, leiais, leiam.
Pret. imp. subi. : lesse, lesses, lesse, lêssemos, lêsseis, lessem.
Fut. subi. : ler, leres, ler, lermos, lerdes, lerem.
Por este se conjugam reler e tresler.

Perder
Pres. ind. : perco (é), perdes, perde, perdemos, perdeis, perdem.
Pres. subi. : perca (é), percas (é), perca (é), percamos (é), percais (é), percam (é).

Poder
Pres. ind.: posso, podes, pode, podemos, podeis, podem.
Pret. perf. ind. : pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam.
M.-q.-perf. ind.: pudera, puderas, pudera, pudéramos, pudéreis, puderam.
Pres. subi. : possa, possas, possa, possamos, possais, possam.
Pret. imp.: pudesse, pudesses, pudesse, pudéssemos, pudésseis, pudessem.
Fut. subi. : puder, puderes, puder, pudermos, puderdes, puderem.

Prazer
(Pouco usado na 1.a e 2.a pessoa)
Pres. ind. : praz, prazem.
Pret. perf. ind.: prouve, prouveram.
M.-q.-Perf. ind.: prouvera, prouveram.
Pret. imp. subi.: prouVCSSe, prouvessem.
Fut. subi.: prouver, prouverem.
Por este se conjugam aPrazer, desprazer, desaprazer, verbos que se apresentam em
todas as pessoas. Comprazer e descomprazer são verbos completos e se modelam por
prazer, no pret. perfeito e m.-q.-perfeito do indicativo, pret. imperfeito e futuro do
subjuntivo podem ainda ser conjugados regularmente. Veja-se a pág. 108.

146
#





Querer

Pres. ind. : quero, queres, quer, queremos, quereis, querem.
Pret- Perf. ind.: quis, quiseste, quis, quisemos, quisestes, quiseram.
M.-q.-Perf. ind.: quisera, quiseras, quisera, quiséramos, quiséreis, quiseram.
Pres. subi.: queira, queiras, queira, queiramos, queirais, queiram.
Pret. imp. subi.: quisesse, quisesses, quisesse, quiséssemos, quisésseis, quisessem.
Fut. subi.: quiser, quiseres, quiser, quisei os, quiserdes, quiserem.
Part.: querido (a forma quisto só se usa em benquisto e malquisto).

A moderna forma quere, 3.a pessoa do singular, em lugar de quer, só é usada
pelos portugueses. Normalmente não se usa o verbo querer no imperativo; há exemplos
de querei nos Sermões do Pe. Antônio Vieira. Quando se usa pronome átono (o, a,
os, as) posposto à 3.a pessoa do singular do presente do indicativo, emprega-se qué-lo
ou quere-o: "Qué-lo o teu povo" (A. HERCULANO, Lendas e Narr., 1, 79).

Requerer

Pres. ind.: requeiro, requeres, requer (ou requere), requeremos, requereis, requerem.
Pret. perf. ind.: requeri, requereste, requereu, requeremos, requerestes, requereram.
M.-q.-Perf. ind.: requerera, requereras, requerera, requerêramos, requerêreis,
requereram.
Pres. subi.: requeira, requeiras, requeira, requeiramos, requeirais, requeiram.
Pret. imp. subi.: requeresse, requeresses, requeresse, requerêssemos, requerêsseis,
requeressem.
Fut. subi.: requerer, requereres, requerer, requerermos, requererdes, requererem.
Imperativo: requere, requerei.
Part. : requerido.

A 3.a pessoa do singular do presente do indicativo requer é modernamente mais
usada que requere.

Saber

Pres. ind.: sei, sabes, sabe, sabemos, sabeis, sabem.
Pret. Perf. ind.: soube, soubeste, soube, soubemos, soubestes, souberam.
M.-q.-Perf. ind.: soubera, souberas, soubera, soubéramos, soubéreis, souberam.
Pres. subi.: saiba, saibas, saiba, saibamos, saibais, saibam.
Pret. imp. subi.: soubesse, soubesses, soubesse, soubéssemos, soubésseis, soubessem.
Fut. subi.: souber, souberes, souber, soubermos, souberdes, souberem.

ser

Veja a conjugação dos verbos auxiliares.

Ter

Veja a conjugação dos verbos auxiliares.

Trazer

Pres. ind.: trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem.
Pret. perf. ind.: trouxe, trouxeste, trouxe,, trouxemos, trouxestes, trouxeram.

147

I
#





M.-q.-Perf. ind. : trouxera, trouxeras, trouxera, trouxéramos, trouxéreis, trouxeran
Futuro do pres. : trarei, trarás, trará, traremos, trareis, trarão.
Fut. do pret. : traria, trarias, traria, traríamos, trarícis, trariam.
Pres. subi. : traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam.
Pret. imp. sub ' i.: trouxesse, trouxesses, trouxesse, trouxéssemos, trouxésseis, trouxessem.
Imperativo : traze, trazei (cf. 116, Obs.).

Valer

Pres. ind. : valho, vales, vale (ou val), valemos, valeis, valem.
Pres. subi. : valha, valhas, valha, valhamos, valhais, valham.
Val, por vale, é forma corrente entre os portugueses.
Como valer conjugam-se desvaler e equiivaler.

Ver

Pres. ind. vejo, vês, vê, vemos, vedes, vêem (cf. nota da pág. 161).
Pret. imp. ind. : via, vias, via, víamos, vícis, viam.
Pret. perf. ind. : vi, viste, viu, vimos, vistes, viram.
M.-q.-Perf. ind. : vira, viras, vira, víramos, víreis, viram.
Pres. subi. veja, vejas, veja, vejamos, vejais, vejam.
Pret. imp. subi. : visse, visses, visse, víssemos, vísseis, vissem.
Fut. subi. vir, viros, vir, virmos, virdes, virem.
Part. : visto.
Assim se conjugam antever, entrever, prever e rever. Prover e desprover mode-
Iam-se por ver, exceto no pretérito perfeito do indicativo e derivados, e particípio,
quando se conjugam regularmente.
Pret. perf. ind, : provi, provCSte, proveu, provemos, provestes, proveram.
M.-q.-perf. ind,: provera, provetas, provera, provêramos, provêreis, proveram.
Fut. subi. : prover, proveres, prover, provermos, proverdes, proverem.
Part. : provido.

3.a CONJUGA~AO :

Acudir

Pres. ind. : acudo, acodes, acode, acudimos, acudis, acodem.
Pret. perf. ind. : acudi, acudiste, acudiu, acudimos, acudistes, acudiram.
Pres. subi.: acuda, acudas, acuda, acudamos, acudais, acudam.
Pret. imp. subi. : acudisse, acudisses, acudisse, acudíssemos, acudísseis, acudissem.
Imperativo : acode, acudi.

Assim se conjugam bulir, construir, cuspir, destruir, engolir(l), entupir, escapulir,

lugir(2), sacudir, subir, sumir(3).

(1) Para seguir este modelo, melhor seria escrever engulir (com u)' A forma engolir
o\ nos leva naturalmente à se uinte conjugação que o Vocabulário Oficial não registra:

cpigulo, engoles, engole, engolimos (com o), engolis (com o), engolem.

(2) Leve-se em consideraçâo a mudança de g para j antes de o e a: fujo, foges, foge, etc

(3) Conjugam-se, porém, regularmente assumir, presumir, reassumir, resumir.

148
#





Construir, destruir e entupir, como verbos abundantes (cf. 109), apresentam como
formas menos usadas, construis, construi, destrui, entupes, entupe.
Os demais verbos em udir (aludir, cludir, iludir) são regulares.

Cobrir

Pres. ind. : cubro, cobres, cobre, cobrimos, cobris, cobrem.
Pret. perf. ind.: cobri, cobriste, cobriu, cobrimos, cobristes, cobriram.
Pres. subi.: cubra, cubras, cubra, cubramos, cubrais, cubram.
Imperativo: cobre tu, cubra você, cubramos nós, cobri vós, cubram vocés.

Por este se conjugam descobrir, dormir (regular no part.: dormido), encobrir,
recobrir e tossir (regular no part.: tossido).

Cair

Pres. ind. : caio, cais, cai, caímos, cais, caem.
P,et. imp. ind.: caía, caías, caia, caíamos, caíeis, caíam.
Pret. Perf. ind.: caiu, caíste, caiu, caímos, caístes, caíram,
M.-q--perf. ind. : caíra, caíras, caíra, caíramos, caíreis, caíram.
Fut. pres.: cairei, cairás, cairá, cairemos, caireis, cairão.
Fut. pret. : cairia, cairias, cairia, cairíamos, cairleis, cairiam.
Pres. subi. : caia, caias, caia, caiamos, caiais, caiam.
Pret. imp. subi. : caísse, caísses, caísse, caíssemos, caísseis, caíssem.
Fut. subi. : cair, caíres, cair, cairmos, cairdes, caírem.

Por este se conjugam atrair, contrair, distrair, esvair, retrair, sair, subtrair, trair,
embair (para este último cf. pág. 108, Obs. 1.a).
Para a boa acentuaçâo deste tipo de verbos, recorde-se o que se disse na pág. 71.

Frigir

Pres. ind.: frijo, freges, frege, frigimos, frigis, fregem.
Pres. subi.: frija, frijas, frija, frijamos, frijais, frijam.
Imperativo: frege, frija, frijamos, frigi, frijam.
Part. : frigido e frito.

Atente-se para a troca de g por i antes de a e o.

Ir

Pres. ind.: vou, vais, vai, vamos (ou imos), ides, vão.
Pret. imp. ind. ia, ias, ia, íamos, ícis, iam.
Pret. perf. ind. fui, foste, foi, fomos, fostes, foram.
M.-q.-perf. ind. fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram.
Fu t. pres. irei, irás, irá, iremos, ireis, irão.
Fut. pret. iria, irias, iria, iríamos, irícis, iriam.
Pres. subi.: vá, vás, .,à, vamos, vades, vão.
Pret. imp. subi. : fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem.
Fut. subi. : for, fores, for, formos, fordes, forem.

149

I

I

i
'K
#





Pres. ind.: meço, medes, mede, medimos, medis, medem.
Pres. subi.: meça, meças, Meça, meçamos, meçais, meçam

Pedir serve hoje de modelo para desimpedir, despedir, expedir e impedir (que

Pres. ind.: minto, mentes, mente, mentimos, Mentis, mentem.
Pres. subi.: minta, mintas, minta, mintamos, mintais, mintam.

Por este verbo se conjugam consentir, desmentir, persentir (sentir profundamente),

pressentir (prever), ressentir, senti

Pres. ind.: OUÇO, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem.
Pres. subi.: ouça, ouças, ouça, ouçamos, ouçais, ouçam

Pret. Perf. : poli, poliste, poliu, polimos, polistes, poliram
Pres. subi.: pula, pulas, pula, pulamos, pulais, pulam.

Por este verbo se conjugam despolir e sortir (= abastecer, prover, misturcombinar). Surtir (com u) é regular. surto, surtes, surte, surtimos, surtis, surtem(l).
enquanto o progresso das ciências e das artes pule e melhora exteriormente
o gênero humano, destruiria o intolerável egoísmo que destrói ou afeia o formoso edifício

Pres. ind.: progrido, progrides, progride, progredimos, progredis, progridem

(1) Significa originar, produzir efeito. Como surtir são também regulares curtir (pouc
a

usado na 1. pessoa do singular e em todo o presente do subjuntivo) e urdir.
#





Pret. Perf. ind. : progredi, progrediste, progrediu, progredimos, progredistes,
progrediram.
Pres. subi.: progrida, progridas, progrida, progridamos, progridais, progridam.

Por este verbo se conjugam agredir, cerzir, denegrir, prevenir, regredir, transgredir.
Remir, hoje mais usado como defectivo (cf. pág. 108), seguia outrora o modelo de
progredir: rimo, rimes, rime, remimos, remis, rimem.
"Por 20 libras anuais a aldeia de Favaios rime todos os tributos e obtém o
privilégio de nomear o seu juiz" (A. HERCULANo, Fragmentos, 149).

Rir

Pres. ind.: rio, ris, ri, rimos, rides, riem.
Pret. imperf. ind.: ria, rias, ria, ríamos, ríeis, riam.
Pret. Perf. ind.: ri, riste, riu, rimos, ristes, riram.
Part. : rido.

Segue este modelo o verbo sorrir.

Servir

Pres. ind. : sirvo, serves, serve, servimos, servis, servem.
Pres. subi.: sirva, sirvas, sirva, sirvamos, sirvais, sirvam.
Imperativo: serve, sirva, sirvamos, servi, sirvam.

Por este verbo se conjugam aderir, advertir, aferir, compelir, competir, concernir,
conferir, conseguir, convergir, deferir, despir, digerir, divertir, expelir, impelir, inserir,
perseguir, preferir, preterir, repelir, seguir, sugerir, vestir.

Submergir

Pres. ind.: submerjo (é), submerges (é), submerge (é), submergimos, submergis,
submergem (é).
Pres. subi. :
submerjam. (é).
Imperativo :

Seguem este

submerja (ê), submerjas (e), submerja (6), submerjamos, submerjais,

submerge (é), submerja (é), submerjamos, submergi, submerjam(ê
modelo aspergir, emergir, imergir.

Vir

Pres. ind.: venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm.
Pret. imperf. ind.: vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham.
Pret. perf. ind.: vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram.
Fut. pres.: virei, virás, virá, viremos, vireis, virão.
Fut. pret.: viria, virias, viria, viríamos, viríeis, viriam.
Pres. subi.: venha, venhas, venha, venhamos, venhais, venham.
Fut. subi.: vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem.
Imperativo: vem, venha, venhamos, vinde, venham.
Gerúndio: vindo.
Part.: vindo (cf. pág, 172).

Por este modelo se conjugam advir, avir-se, convir, desavir, intervir, provir, sobrevir.

151
#





Advérbio. - Advérbio é a expressão modificadora que denota
circunstância (de lugar, de tempo, modo, intensidade, condição, etc.

Aqui tudo vai bem (lugar e modo).
Hoje não irei lá (tempo, negação e lugar)
O aluno talvez não tenha redigido muito

O advérbio é constituído por palavra de natureza nominal ou prono

minal e se refere geralmente ao verbo
advérbio ou a uma declaração inteira:
Tosé escreve bem (advérbio em referência ao v--¥,^

ou ainda a um adjetivo, a um

José é muito bom escritor (advérbio em referência ao adjetivo bom)
José escreve muito bem (advérbio em referência ao advérbio bem).

Felizmente José chegou (advérbio em referência a toda a declaração: José chegou;
advérbio deste tipo geralmente exprime um juizo pessoal de quem fala).

O advérbio estabelece a transição dos vocábulos variáveis para os
invariáveis; a rigor não tem flexão propriamente dita, mas há uns tantos

advérbios que admitem graus de qualidade como os nomes(')

Locução adverbial. - É o grupo geralmente constituído de
sição + substantivo que tem o valor e o emprego de advérbio:
com efeito, de graça, às vezes, em silêncio, por prazer, sem dúvida, ete.

Outras vezes o substantivo vem com acompanhante e pode ocorrer até

na verdade, de nenhum modo, em breve (subentende-se tempo), à direita (ao lado

Freqüentemente se cala a preposição nas locuções adverbiais de tempo

Espingarda ao ombro (por de espingarda ao ombro), juntou-se ao grupo de pessoas

Circunstâncias adverbiais. - As principais circunstâncias expressas

por advérbio ou locurão adverbial sã-
#





1~

6) conformidade : Fez a casa conforme
7) dúvida : Talvez melhore o tempo.
8) fim. Preparou-se para o baile.
9) instrumento: Escrever com lápis.
10) intensidade: Andou mais depressa.
11) lugar: Estuda aqui. Foi lá. Passou pela cidade. Veio dali.
12) modo: Falou assim. Anda mal. Saiu às pressas.
13)referência: "O que nos sobra em glória de ousados e venturosos naveganteN,
míngua-nos em fama de enérgicos e previdentes colonizadores" (LATINO COE.LHO,
Ant. Nac., 218).
14)tempo: Visitaram-nos hoje. Então não havia recursos. Sempre nos cumpri-
mentaram. jamais mentiu.
15) afirmação: Sim, eles virão. Realmente -,-irão.
16) negação: Não lerá sem óculos.

a planta.
Acaso encontrou o livro.

OBSERVAÇÃO: A Nomenclatura Gramatical põe os denotadores; de inclusão, exclusão,
situação, retificação, designação, realce, etc. à parte, sem nome especial:

1 -inclusio: também, até, mesmo, etc.: .&té o professor riu-se. Ninguém veio,
mesmo o irmão.
2 -exclusão : só, somente, -salvo, senão, apenas, etc.: Só Deus é imortal. Apenas
o livro foi vendido.
3 - situação: Mas que felicidade. Então duvida que se falasse latim;è Pois não
é que ele veio?
4 - retificação: aliás, melhor, isto é, ou antes, etc.: Comprei cinco, aliás, seis
livros. Correu, isto é, voou até nossa casa.
5 - designação: Eis o homem.
6 - realce: Nós é que somos brasileiros.
7 -expletivo: lá, só, ora, que: Eu sei lá! Vejam só que coisa 1 Oh 1 que
saudade que tenho. Ora decidamos logo o negócio.
8 -explicação : a saber, por exemplo, isto é, etc.: Eram três irmãos, a saber:
Pedro, Antônio e Gilberto.

Advérbios de base nominal e pronominal. - O advérbio, pela sua
origem e significação, se prende a nomes ou pronomes, havendo, por isso,
advérbios nominais e pronorninais.

Entre os nominais se acham aqueles formados de adjetivos acrescidos
do sufixo mente: rapidamente (= de modo rápido).

OBSERVAÇÃO 1.a: Se o nome tem forma para masculino e feminino, junta-se o
sufixo ao feminino. Fazem exceção alguns adjetivos terminados em és e or, que no
português antigo só apresentavam uma forma para ambos os gêneros. Daí dizer-se
portuguesmente (e não portuguesamente); superiormente (e não superioramente).

OBSERVAçÃo 2.a: Numa série de advérbios, em geral só se usa a forma em -
mente no fim: Estuda atenta e resolutamente. Havendo ênfase, pode-se repetir o
advérbio na forma plena:
"Depois, ainda falou gravemente e longamente sobre a promessa que fizera" (M. DF
Assis apud S. SILVEIRA, Liç6es, õ480).

153
#





2) relativos: onde (em que), quando (em que), como (por que)
li. ---

Os advérbios relativos, como os pronomes relativos, servem de ligar
a oração a que pertencem com a outra oração. Nas idéias de lugar em-

pregamos onde, em vez de em que, no qual (e flexões

Precedido das preposições a ou de, grafa-se aonde e dond

O sítio aonde vais é pequeno.
É bom o colégio donde saímos.

Ainda como os pronomes relativos, os advérbios relativos podem em-
pregar-se de modo absoluto, isto é, sem referência a antecedente (cf. pág.

Os advérbios interrogativos de base pronominal se empregam nas per-
guntas diretas e indiretas (cf. pág. 222) em referência ao lugar, tempo,

Onde está estudando o primo? Ignoro onde estuda.
Quando irão os rapazes? Não sei quando irão os ravazes

Como fizeram o trabalho?(1). Perguntei-lhes como fizeram o trabalh

OBsERvAçXo: O Vocabulário Oficial preceitua que se escreva em duas palavras o
advérbio interrogativo por que, por estar preocupado em indicar a origem pronominal
do advérbio, distinguindo-o de porque conjunção. Melhor seria, seguindo a tradição
do idioma, grafar todo porque numa só palavra. Quanto à origçm, por que e porque
se identificam: porque (e o mesmo vale para quando e como) não se enquadra
apenas como conjunção; porque, quando e como são, em verdade "expressões adverbiais
conjuntivas, isto é, expressões que, sem perderem a sua função adverbial, têm conco-

Gradação dos advérbios. - Há certos advérbios, principalmente os
de modo, que podem sofrer flexão gradual, empregando-se no comparativo
e superlativo de acordo com as regras que se aplicam aos adjetivos:

a) inferioridade: Falou menos alto que (ou do que) o irmão
b) igualdade: Falou tão alto quanto (ou como) o irmão.

1) analítico: Falou mais alto que
(ou do que) o irmão.
2) sintético: Falou melhor (ou Pior)

que (ou do que) o irmão.

Como chovel Vela como chove.
(2) MmaiNz Dz AGUIAR, Notas e Estudos, 197.
#





a) sintético: Falou Pessimamente, altissimo, baixíssimo,
2 - SuPERLATivo dificílimo.
ABSOLUTO h) analítico: Falou muito ruim, muito alto, extremamente
baixo, consideravelmente difícil, o mais depressa possível
(indica o limite da possibilidade).
3 - DiMINUTIVO COM VALOR DE SUP~TIVO. - Em linguagem familiar pode-se expressar
o valor superlativo do advérbio através de sua forma diminutiva.
Andar devagarzinho (muito devagar, um tanto devagar).
Acordava cedinho e só voltava à noitinha.
Saiu agorinha.

O diminutivo das fórmulas de recomendação não indica mais lentidão
ou ligeireza da realização do fato, mas serve de expressar ou acentuar a
recomendação:

Vá depressinha apanhar o meu chapéu.
Ê bom que estudes devagarinho.

O~AçÃo: Em lugar de mais bem e mais mal empregam-se melhor, pior:
"Ninguém conhece melhor os interesses do que o homem virtuoso; promovendo
a felicidade dos outros assegura também a própria" (Marquês de MARicÁ).

Usa-se, entretanto, de mais bem e mais mal junto a adjetivos:

"Os esquadrões mais bem encavalgados foram despedidos logo em seguimento dos
fugítivoV (A. HERcuLANo, Eurico, 224).
"Com a maça jogada às mãos ambas abalava e rompia as armas mais bem tem-
peradas..." (id, ibid, 108).

8 - PREPOSI(;A0

Preposiçjo é a expressão que, posta entre duas outras, estabelece uma
subordinação da segunda à primeira:

Casa de Pedro (marca uma relação de posse).
Mesa de mármore (marca uma relação de matéria de que uma coisa é feita).
Passou por aqui (marca uma relação de lugar por onde).

Casa, mesa e passou são subordinantes ou antecedentes; Pedro, mdr-
more e aqui são subordinados ou conseqüentes. O subordinante é repre-
sentado por substantivo, adjetivo, pronome, verbo, advérbio ou interjeição:

Livro de histórias
17til a todos
Alguns de vós
Necessito de ajuda
Referentemente ao assunto
Ai de mim 1

155
#





O subordinado é constituído por substantivo, adjetivo, verbo (no infi-
nitivo) ou advérbio:

Casa de Pedro
Pulou de contente
Gosta de estudar
Ficou por aqui
'rem que fazer isso.

Locução preposítiva é o grupo de palavras com valor e e-"prego de
uma preposição. Er~ geral a locução prepositiva é constituída de advérbio
ou locução adverbial seguida da preposição de, a ou com
O garoto escondeu-se atrás do móvel
Não saímos por causa da chuva
· colégio ficava em frente a casa
· ofício foi redigido de acordo con? o modelo.

Às vezes a locução prepositiva se forma de duas preposições, como
de per (na locução de per si), até a e para com:
Foi até ao colégio
Mostrava-se bom para com todos.

Preposições essenciais e acidentais. - Há palavras que só aparecem
na língua como preposições e, por isso, se dizem treposições essenciais:
a, de, com, por, para, sem, sob, entre, etc.
SãO ACIDENTAIS as palavras que, perdendo aí seu valor e emprego pri-
mitivos, passaram a funcionar como preposições:

durante, como, conforme, feito, exceto, salvo, visto, segundo, mediante,
tirante, fora, afora, etc.

Só as preposições ESSENCIAIS se acompanham de formas tônicas dos
pronomes oblíquos:

Sem mim não fariam isso
Exceto eu, todos foram contemplados.

Acúmulo de preposições. - Não raro duas preposições se juntam para
dar maior efeito expressivo às idéias1 guardando cada uma seu sentido
primitivo:

Andou por sobre o mar

Estes acúmulos de preposições não constituem uma locução prepo-
sitiva porque valem por duas preposições distintas. Combinam-se com
mais freqüência as preposições: de, para e por com entre, sob e sobre.
"De uma vez olhou por entre duas portadas mal fechadas para o interior de
outra sala..." (CAmmo, A Queda dum Anjo, 175).
"Os deputados oposicionistas conjuravam-no a não levantar mão de sobre os projetos
dcpredadores" (ID., ibid,),

156
#





Combinação e contração com outras palavras. - Diz-se que há
combinação quando a preposição, ligando-se a outra palavra, não sofre
redução. A preposição a combina-se com o artigo definido masculino:
a + o = ao; a + os = aos.
Diz-se que há contração quando, lia ligação com outra palavra, a pre-
posição sofre redução. As preposições que se contraem são: (1).

A

De

1) com o artigo definido ou pronome demonstrativo feminino:
a + a = à; a + as = às (esta fusão recebe o nome de crase)

2) com o pronome demonstrativo:
a + aquela = aquela; a + aquelas = àquelas (crase)
a + aquele = àquele; a + aqueles = àqueles (crase)
a + aquilo = àquilo (crase)

1) com o artigo definido masculino e feminino:
de+o=do;de +a = da;de+os = dos; de+ as =das

2) com o artigo indefinido:
de + um dum; de + uns = duns
de + uma duma; de + umas = dumas

3) com o pronome demonstrativo:
de + aquele = daquele; de + aqueles = daqueles
de + aquela = daquela; de + aquelas = daquelas
de + aquilo = daquilo
(te + esse = desse; de + esses = desses; de + este = deste; de + estes = destes
de + essa = dessa; de + essas = dessas; de + esta = desta; de + estas = destas
de + isso = disso; de + isto = disto

4) com o pronome pessoal:
de + ele = dele; de + eles = deles
de + ela = dela; de + elas = delas

5) com o pronome indefinido:
de + outro doutro; de + outros doutros
de + outra doutra; de + outras doutras, etc.

(1) Pode-se também considerar contração apenas o caso de crase; nos outros diremos que
houve combinação. A NGB não tomou posição neste ponto. Na realidade o termo combinação
é muito amplo para ficar assim restringido.

157
#





aquele = naquele; em + aquelanaquela; em + aqueles = naqu
-em + aquelas = naquelas; em + aquilo naquilo

per + lo = pelo; per + los = pelos; per + Ia = pela; per + Ias = ela

Para (pra) - com o artigo definido:

para (pra) + o = pro; para (pra) + os = pros; para (pra) + a = pra; ara

Co(m) - com artigo definido:

co (m) + o = co; co, (m) + os = cos; co (m) + a = coa; co, (m) + as = coas

A preposição e sua posição. - Em vez de vir entre o termo subor-

dinante e o subordinado, a preposição, graças à possibilidade de outra dis-
posição das palavras, pode vir aparentemente sem o primeiro:

(subordinado) (subordina
Os primos estudaram com José
(subordinante)(subordinado)
Com Fosé os ibrimos estudaram
#





Principais preposições e locuções prepositivas;

a dentro para com
abaixo de dentro de como
debaixo de por dentro de conforme
em baixo de dentro em de conformidade com
por baixo de durante consoante
acerca de, cerca de emna conta de
acima de em favor de contra
de cima de em lugar de de
em cima de em prol de de acordo com
por cima de em troco de dentre
a fim de em vez de desde, dês
ante entre por
antes de exceto por meio de
através de fora de per
ao lado de a frente de quanto a, enquanto a
ao longo de em frente de em razão de
a par com junto a segundo
após junto de sem
após de para sem embargo de
à roda de mediante sob
ao redor de até a sobre
a respeito de atrás de trás
até detrás de diante de
defronte de por detrás depor diante de
por defronte de com

9 - CONJUN4~XO

Conjunção é a expressão que liga orações ou, dentro da mesm2D
oração, palavras que tenham o mesmo valor ou funçãoa) "O velho teme o futuro e se abriga no passado" (Marquês de MAIucÁ).
(liga orações)
b) "O nascimento desiguala, mas a morte iguala a todo0 (ID.).
(liga orações)
C) "O arrependimento é ineficaz quando as reincidências são consecutivas" (ID.)
(liga orações)
d) "Muitos homens são louvados porque são mal conhecido0 (ID.).
(liga orações)
e)"Uma velhice alegre e vigorosa é de ordindrio a recompensa da mocidadír
virtuosa" (ID.).

(liga palavras)
As sociedades humanas deixam de existir ou se dissolvem ~ os vício$
(liga orações) (liga orações)
e crimes sobrepujam as virtudes" (ID.).
(liga palavras)

Tipos de conjunção. - Dividem-se as conjunções em coordenativas
e subordinativas.

159
#





I

CÁ)ORDENATIVAS são as conjunções que ligam palavras ou orações do
mesmo valor ou função. Nos exemplos acima são conjunções coordena-
tivas: e, mas, ou. Em a), b) e f) as conjunções coordenativas e, mas e ou
ligam duas orações independentes (cf. pág. 216); em e) e f) as conjunções
coordenativas ligam duas palavras do mesmo valor e função (os adjetivos
alegre e vigorosa e os substantivos vícios e crimes).

SUBORDINATIVAS são as conjunções que ligam uma oração a outra dita
principal, estabelecendo entre elas uma relação de dependência (cf. pág.
216). Nos exemplos acima, as conjunções subordinativas quando e porque
iniciam oração que se aclia subordinada à principal para indicar, a res-
peito desta, uma circunstância de tempo (quando) ou de causa (porque).

OBamvAçÃo: Duas ou mais orações subordinadas podem estar coordenadas entre
si desde que tenham o mesmo valor e função: Estudou porque queria e porque os
pais lhe pediam (cf. pág. 219).

Locução conjuntiva - é um grupo de palavras com valor e emprego
de uma conjunção: para que, a fim de que, tanto que, por isso, por isso
que, etc.

Conjunções coordenativas. - As conjunções coordenativas podem ser:

a)ADiTivAs: quando estabelecem a ligação de palavras ou orações
sem outra idéia subsidiária: e e nem (e não):

"Um concerto de notas graves saudava o por do sol e confundia-se com o rumor
(Ia cascata (Josá im ALENCAR).
"Não empresteis o vosso nem o alheio, não tereis cuidados nem receio" (Marquês
de MARICÁ).

b) ADVERSATIVAS: quando ligam palavras ou orações que estabelecem
oposição, contraste, compensação, ressalva:

mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão, etc.

"Acabou-se o tempo das ressurreições, mas continua o das insurreições" (ID.)
"E agora as entregais desta maneira não a pastores, senão a lobos" (VIEIRA apud
A. NAscENTEs, Dificuldades de Andlise SinUtica, 7).

c)ALTERNATIVAS: quando ligam expressões e orações que ou estabele-
cem uma separação ou exclusão da palavra ou oração a que se
ligam: ou, ou.. . ou, já ... id, ora. .. ora, etc.

"Quando a cólera ou o amor nos visita, a razão se despede- (ID.).

d)CONCLUSIVAS: quando ligam orações que encerram uma conclusão:
logo, pois (no meio ou no fim da oração), portanto, por isso, etc.:

Estudou, logo será recompensado.

160
#





e)EXPLICATIVAS: quando começam oração que explica a razão de
ser do que se diz na oração a que se ligam: pois (no início da
oração), que (porque), porque, porquanto:

Venha, porque desejo conversar com você.
Fazia tudo para ser agradável, pois não deixava uma pergunta sem resposta.

As explicatívas que e porque aparecem normalmente depois de ora-
ções optativas e imperativas.

OBSERVAÇõES:

1.a) As explicativas não passam de causais coordenativas, que nem sempre se se-
param claramente das causais subordinativas que veremos adiante. "Em certas línguas
distingue-se a causal subordinativa da causal coordenativa pela diversidade de partícula
(em francês parce que, car; em inglês because, for; em alemão weil, denn); em português,
empregando-se porque ou que para um e outro caso, conhece-se a diferença pela pausa.
A causal subordinativa separa-se da oração principal por uma pausa muito fraca (que
se representa, quando muito, por uma vírgula). A causal coordenativa separa-se da
proposição anterior por uma pausa mais forte (que se figura por vírgula, ponto e
vírgula, e até por ponto final)". (SAIo ALI, Gramática Secundária, 203).
2.a) Cumpre não confundir as conjunções explicativas; com as partículas e locuções
explicativas do tipo de a saber, isto é, por exemplo, que, por não se enquadrarem
nas classes de palavras estabelecidas pela gramática tradicional, constituem um grupo
à parte, estudado na pág. 153.

Conjunções subordinativas. - As conjunções subordinativas; compre-
endem dois grupos: as integrantes e as adverbiais.

As INTEGRANTES são que (nas declarações de fatos certos) e se (nas
declarações de fatos incertos e dubitativos), e servem para iniciar orações
como sujeito, objeto, predicativo, complemento nominal, ou aposto, con-
forme veremos na sintaxe.

Desejo que tudo vá bem. Não sei se tudo vai bem.

AS ADVERBIAIS iniciam orações que exprimem uma circunstância
adverbial de outra oração dita principal e se subdividem em:

1) CAUSAIS: quando iniciam oração que exprime a causa, o
a razão do pensamento na oração principal:

que (= porque), porque, como (= porque, sempre anteposta a sua principal,
no português moderno), visto que, visto como, já que, uma vez que (com o verbo
no indicativo), desde que (com o verbo no indicativo), etc.
"A memória dos velhos é menos pronta porque o seu arquivo é muito extenso"
(Marquês de MARicÁ).
"Como ia de olhos fechados, não via o caminho" (M. DF. Assis, Memórias Pós-
tumas, 19).
"Desde que se fala, indeterminadamente, e no plural, em direitos adquiridos e
atos jurídicos perfeitos, razão era que no plural e indeterminadamente se aludisse a
casos julgados" (R. BARBOSA, Parecer, 1, 25, 2.a ed.).

161
#





IOBSERVA96ES :

1.a) já se condenou injustamente o emprego de desde que em sentido causal, só
o aceitando com idéia temporal (assim que) ou condicional.
2.a) Evite-se o emprego de de vez que por não ser locução legitima.

2) COMPARATIVAS: quando iniciam oração que exprime o outro
termo da comparação. A comparação pode ser assimilativa ou quantitativa.
É assimilativa "quando consiste em assimilar uma coisa, pessoa, qualidade
ou fato a outra mais impressionante, ou mais conhecida"('). As conjun-
ções comparativas assimilativas são como ou qual, podendo estar em corre-
lação com assim ou tal postos na oração principal, ou ainda aparecer
.assim como :

"O medo é a arma dos fracos, como a bravura a dos fortes" (Marquês de MAiUCÁ).
"A ignorância, qual outro Factonte, ousa muito e se precipita como ele" (ID.).
"O jogo, assim como o fogo, consome em poucas horas o trabalho de muitos
anos" (ID.).

i
A comparação quantitativa "consiste em comparar, na sua quantidade i
ou intensidade, coisas, pessoas, qualidades ou fatos" (J. M. Cámara, ibid.).
Há três tipos de comparação quantitativa:

a) Igualdade - introduzida por como ou quanto em correlação com
o advérbio tanto ou tio da oração principal:

"Nenhum homem é tão bom como o seu partido o apregoa, nem tão mau como
o contrário o representa" (Marquês de MAiucA).
"Nada incomoda tanto aos homens maus como a luz, a conadéncia e a razão" (ID.).

,b) Superioridade - introduzida por que ou do que em correlação
com o advérbio mais da oração principal:

-0 orgulho do saber é talvez mais odioso que o do poder" (ID.).
-,0 homem bom espera mais do que teme, o mau receia mais do que espera" (ID.).

c) Inferioridade - introduzida por que ou do que, em correlação com
o advérbio menos da oração principal:
"Tempos há em que é menos perigoso mentir que dizer verdades" (ID.).

3) CONCESS1VAS: quando iniciam oração que exprime que um obstá-
culo - real ou suposto - não impedirá ou modificará a declaração da
oração principal: ainda que, embora, posto que, se bem que, conquanto,
apesar de que, etc.:

"Ainda que perdoemos aos maus, a ordem moral não lhes perdoa, e castiga a
.nossa indulgéncia" (ID.). i:

(1) MAToso CAmARA, Gramdtica, 11, 48.

162
#





4) CONDICIONAIS (e hipotéticas): quando iniciam oração que em
geral exprime: a) uma condição necessária para que se realize ou se
deixe de realizar o que se declara na oração principal; b) um fato - real
ou suposto - em contradição com o que se exprime na principal. Este
modo de dizer é freqüente nas argumentações. As principais conjunções,
condicionais (e hipotéticas) são: se, caso, sem que, uma vez que (com o
verbo no subjuntivo), desde que (com o verbo no subjuntivo), dado que,
sem que, contanto que, etc.:

"Se os'homens não tivessem alguma cousa de loucos, seriam incapazes de he-
roísmo" (ID.).
"Se as viagens simplesmente instruíssem os homens, os marinheiros seriam mais
instruídos" (ID.).

5) CONFORMATIVAS: quando iniciam oração que exprime um fato em
conformidade com outro expresso na oração principal: como, conforme,
segundo, consoante :

"Tranqüilizei-a como pude" (M. DE Assis, Memórias Póstumas, 174).
Fez os exercícios conforme o professor determinou.

6) CONSECUTIVAS: quando iniciam oração que exprime o efeito ou
conseqüência do fato expresso na oração principal. A conjunção conse-
cutiva é que, que se prende a uma expressão de natureza intensiva como
tal, tanto, tio, tamanho, posta na oração principal. Estes termos intensivos
podem facilmente calar-se:

"Os povos exigem tanto dos seus validos, que estes em breve tempo se enfadam
* os atraiçoam" (Marquês de MARICA).
"Os vícios são tão feios que, ainda enfeitados, não podem inteiramente dissimilar
* sua fealdade" (ID.).
"Vive de maneira que ao morrer não te lastimes de haver vivido" (ID.). rato é,
vive de tal maneira que (que em conseqüência ... ).

É ainda conjunção consecutiva o que depois de oração negativa para
denotar que a conseqüência se dá a todo transe, se repete sempre que
ocorrer o fato anterior (o verbo da consecutiva está no subjuntivo): ,

Não brinca que não acabe chorando.
OBSERVAÇÃO: Muitos gramáticos dão este que como conjunção condicional.

7) FINAIS: quando iniciam oração que exprime a intenção, o objetivo,
a finalidade da declaração expressa na oração principal: para que, a fim
de que, que (para que), porque (para que):

"Levamos ao Japão o nosso nome, para que outros mais felizes implantassein
naquela terra singular os primeiros rudimentos da civilização ocidental" (L. CoELHO,
Ant. Nac, 219).

163
#





8) MODAIS: quando iniciam oraçao que exprime o modo pelo qual
se executou o fato expresso na oração principal: sem que:

Fez o trabalho sem que cometesse erros graves.

OBsERvAçÃo: A Nomenclatura Gramatical Brasileira não agasalhou as conjunções
modais e, assim, as orações modais, apesar de por o modo entre as circunstâncias
adverbiais.

9) PROPORCIONAIS: quando iniciam oração que exprime um fato que
ocorre, aumenta ou diminui na mesma proporção daquilo que se declara
na oração principal: à medida que, à proporção que, ao passo que, (tanto
mais) ... quanto mais, (tanto mais) ... quanto menos, (tanto menos) ...
quanto mais, (tanto mais) ... menos, etc.:

"O anão quanto mais alto sobe, mais pequeno se afigura" (Marquês de MARICÁ).
Progredia à medida que se dedicava aos estudos sérios.

10) TEMPORAIS: quando iniciam oraçao que exprime o tempo da
realização do fato expresso na oração principal. As principais conjunções
e locuções conjuntivas temporais são:

a) para o tempo anterior: antes que, primeiro que:

"Ninguém, senhores meus, que empreenda uma jornada extraordinária, primeiro
que meta o pé na estrada, se esquecerá de entrar em conta com suas forças"...
(Rui BARBOSA, Ant. Nac., 126).

la)para o tempo posterior (de modo indeterminado) : depois que,
quando:

quando disse isso, ninguém acreditou.

c)para o tempo posterior imediato: logo que, tanto que (hoje raro),
assim que, desde que, apenas, mal, eis que, (eis) senão quando,
eis senão que :

Logo que saíram, o ambiente melhorou.
"Apenas o tigre moribundo sentiu o odor da criança, fez uma contorção violenta,
e quis soltar iam urro" (J. DE ALENCAR).

d)para o tempo freqüentativo (repetido): quando (com o verbo no
presente), todas as vezes que, (de) cada vez que, sempre que :

"Quando o povo não acredita na probidade, a imoralidade é geraP (Marquês de
MARICÁ).

CaBsERvAçÃo: Evíte-se o erro de preceder com em o que da locução todas as vezes
que (dizendo: todas as vezes em que).

164

i
#





e)para o tempo concomitante: enquanto, (no) entretanto que
(hoje raro):

Dormiu enquanto estava no cinema.
OBSERVAÇÃ(: Entretanto ou no entretanto são advérbios de tempo, com o sentido
de nesse ínterim, nesse tempo, nesse intervalo:
"O aperto dos sitiados aumentava entretanto de dia para dia" (REBELO DA SILIVA,
História de Portugal, IV, 208).
Mais modernamente entretanto passou a valer por uma conjunção adversativa, e
por influência do advérbio, tem sido empregado precedido da combinação no (no
entretanto). Muitos puristas condenam tal acréscimo.

f) para o tempo terminal: até que
Passeou até que se sentisse esgotado.

É conjunção temporal o que que se segue a expressões de tempo: agora
que, hoje que, então que, a primeira vez que, etc.
Agora que tudo aca~ou, posso pensar mais tranqüilamente.

Se o conjunto é proferido sem pausa, estabelece-se uma unidade de
sentido à semelhança de depois que, id que, etc., e se passa a considerar o
todo como locução conjuntiva temporal:
Agora que tudo acabou, posso pensar mais tranqüilamente.

Que excessivo. - Sob o modelo das locuções conjuntivas finalizadas
por que, desenvolveu-se o costume de acrescentar esta partícula junto a
palavra que só por si funciona como conectivo: enquanto que, apenas que,
embora que, mal que, etc., construções que os puristas não têm visto com
bons olhos, apesar dos exemplos de escritores corretos:
porque a ~ ciência- é mais lenta e a imaginação mais vaga, enquanto que
o que eu ali via era a condensação viva de todos os tempos" (M. DF, Assis, Memórias
Póstumas, 24).

Aparece ainda o que excessivo depois de expressões de sentido tem-
poral como:

Desde aquele (lia que o procuro.

Conjunções e expressões enfáticas. - As conjunções coordenativas
podem aparecer enfatizadas. Para esta ênfase o idioma se serve de vários
recursos. Assim, a adição pode vir encarecida das expressões do tipo:

n4o só ... mas (também)
não só ... mas (ainda)
não só ... sendo (também)
nélo só ... que também, etc.:

Ndo só se aplica ao português mas ainda ao latim.

165
#





A alternativa pode ser enfatizada pela repetição:
Ou estudas ou brincas.
já dizes sim, já dizes não.
Ora vem aqui, ora vai ali.
A série nem... nem adquire sentido aditivo negativo.
Nem estudou nem tirou boas notas (não estudou e não tirou...

Quer ... quer e ou ... ou, com o verbo no subjuntivo e tom de voz
descendente, podem denotar a concessão quando a possibilidade de ações
opostas não impede a declaração contida na oração principal:
Quer estudes quer não, aprenderás facilmente a lição.

Nas subordinadas e principais a correlação de uma expressão com o
conectivo ou outro termo da oração a que se prende, para mostrar relação
em que essas orações se acham com a circunstincia ou fato já expresso, é
outro meio de enfatizar a interdependência oracional. Esta expressão
memorativa é constituída por advérbio ou equivalente:
"Como os sábios não adulam os povos, também estes os não promovem" (Marquês
de MARICÁ).
"Quando os homens se desigualam, então se harmonizam" (ID.).
Embora não me digam a verdade, ainda assim perguntarei mais vezes.
"Acabemos, pois, de despertar deste mortal letargo" (EPIFANIo DIA9, Gramática
Elementar, 119).
"Estudemos portanto, e não nos deixemos dominar pela preguiça" (RrBEiRo Dz
VAwoN~s, Gram. Portuguesa, 251).

OBSERVAÇÃO FINAL: Maximino Maciel, levando em conta o valor adverbial de muitas
palavras que em geral são apontadas como conjunção, reduziu o grupo desta última
classe a. e, ou, mas. (Cf. Gramática Descritiva, 153).

10 - INTERJEI(;,&O

Interjeiçjo é a expressão com que traduzimos os nossos estados emo-
tivos. Eis as nossas principais interjeições:
1) de exclamação: viva !
2) de admiração: ah ! oh
3) de alívio: ah! ch!
4) de animação: coragem! eia! sus!
5) de apelo ou chamamento: ó! olá! aló! psit! Psiu!
6) de aplauso: bem! bravo!
7) de desejo ou ansiedade: oh! oxalá! tomara!
8) de dor física: ai! ui!
9) de dor moral: oh!
1.0) de dúvida, suspeita, admiração: hum! hem! (também hein)
11) de impaciência : arre ! irra ! apre ! puxa ! (melhor será, não registrado oficialmente,
pucha)

166

I
#





12) de imposição de siléncio: caluda! Psiu! (demorado)
13) de repetição: bis!
14) de satisfação: upa! oba! opa!
15) de zombaria: liau!

Locução interjetiva - é um grupo de palavras com valor de inter-
jeição: ai de mim; ora bolas; com todos os diabos.
As interjeições são proferidas em tom de voz especial ascendente ou
descendente, conforme as diversas circunstáncias dos nossos estados
emotivos.

Quando estão combinadas com uma frase maior exclamativa, podem-se
separar da frase por meio de uma vírgula, ou por meio do ponto de
exclamação, ao qual se deve seguir, entretanto, letra minúscula:
Oh 1 que doce harmonia traz-me a brisa (CAxmo ALvEs, apud. J. MAToso C~ JR.,
Gramática, 1, 65).

B) 1 - Estrutura dos vocábulos

Vocábulo e morfema

Vocdbulo é a menor forma livre da enunciação, constituído de um ou
mais morfernas.
Chama-se morfema a menor unidade de significação que constitui o
elemento ou os elementos integrantes do vocábulo. Os morfernas podem
ser livres e presos, conforme se usam independente ou dependentemente
na enunciação. Os morfernas apresentam: a) uma significação externa,
referente a noções do nosso mundo (ações, estados, qualidades, ofícios,
seres em geral, etc.), b) uma significação interna (puramente da esfera das
noções gramaticais). A depreensão de um morfema depende de dois re-
quisitos: a) a significação e b) a forma fonética. É importante observar-
mos que uma só forma fonética pode representar mais de um morfema:
assim -s representa o plural era as casas e a 2.a pessoa singular em cantas.
Por outro lado, um só morferna pode ter realizações fonéticas diferentes
em virtude do ambiente fonético do contexto em que se acha; por exem-
plo, o morfema que corresponde à letra -s para indicar o plural em
português se realiza como jx/ diante de consoante surda (os cães), como
/j/ diante de consoante sonora (os gatos) e como /z/ diante de vogal
(os homens) (1).

(1) O estudo das diversas realizaç5es fonéticas de um dado morfema, como é o caso do
nosso índice de plural, recebe, em língilátIca descritiva, o nome de morfofonémica ou
morfonémica.

167
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Os elementos mórficos. - Em português, os vocábulos se poderr

a) mar, sol, ar, é, hoje, lápis;
b) aluno alunas trabalhávamos

c) casarão, livrinho, cantor, casamento, folhagem, alemão, fertilizar,

Em a) os vocábulos não se podem reduzir a formas menores, porque
só possuem um elemento mórfico chamado radical. Radical é o núcleo

do vocábulo onde repousa a significação externa da palavra.

já nos vocábulos do grupo b) segue-se ao radical (de significação
externa) um ou mais elementos de significação interna ou puramente gra
matical. Aluno pode desmembrar-se em alun e o (1). O primeiro elemento
(radical) encerra a significação do vocábulo, cabendo ao final o rela
cioná-lo ao niorfema do gênero masculino. Em alunas o radical é alun, e
as encerra dois elementos de significação interna: 1) -a (indicador dc
Em trabalhd

gênero feminino) e 2) -s (indicador do número plural).
vamos o radical é trabalh- e os elementos mórficos de significação intern2

são: 1) -va (que caracteriza o pret. iniperf. do indicativo dos verbos da
1.a conjugação) e 2) -mos (que caracteriza a 1.a pessoa do plural).
Os elementos mórficos de significação interna, indicadores das flexões
gramaticais, chamam-se desinências e se dividem em nominais e verbais.
As desinências nos nomes e em certos pronomes denotam as flexões

de gênero e número; nos verbos: número, pessoa, tempo e modo.

Muitas vezes o radical não se prende diretamente às desinências; com
pleta-o uma vogal para constituir o tema do vocábulo e por isso se chamE

Tema é_ portanto, o radical acrescido da vogal temática e qu
constitui a parte do vocábulo pronta para receber a desinência ou sufixo

Nos nomes a vogal temática (a, o, e) quase sempre coincide com a

desinências de gênero. A vogal temática o ou e se acha representada, às
vezes, por uma semivogal de um ditongo: PãO, PãES. Não têm vogal
temática os nomes terminados em consoante ou vogal tônica, e por isso se
dizem ATEMÁTICOS: ma- fé Neste caso o tema coincide com o radical

OBSERVAÇÃO: Em geral a vogal tônica final (à, é, 6, é, 6) resulta da crase d
da vogal do radical com a temática: fé<fee<fide (m). Em análise mórfica for

(1) Livro se desdobra em livr- e -o, porém o nIo se opõe, aqui, ao feminino -a, cow
existe em alun-o/alun-a. Só pela oposição é que se caracteriza o morfema. Este processo de com
#





Em regra isto se dá com muitos substantivos tirados de verbos.

A ABREVIAÇÃO consiste no emprego de uma parte da palavra pelo todo.
É comum não só no falar coloquial, mas ainda na linguagem cuidada, por
brevidade de expressão: extra por extraordinário ou extrafino.
A forma abreviada passa realmente a constituir uma nova palavra e,
nos dicionários, tem tratamento à parte, quando sofre variação de sen-
tido ou adquire matiz especial em relação àquela donde procede. Foto-
grafia e foto são sinônimos porque designam a mesma coisa, embora a
sinonímia não seja absoluta. Foto, além de ser de emprego mais corrente,
ainda serve para títulos de casas do gênero, o que não se dá com o termo
fotografia.

A REDUPLICAÇÃO, também chamada duplicação silábica, consiste na
repetição de vogal ou consoante, acompanhada quase sempre de alternáncia
vocálica, para formar uma palavra imitativa:

normal:

tique-taque, reco-reco, Pingue-pongue (que provavelmente representa o chinês Ping-
Pang, através do inglês ping-pong, segundo SAPIR, A Linguagem, 82). Este é o processo
geralmente usado para formar as onornatopéias (cf. pág. 42).

A CONVERSÃO consiste no emprego de uma palavra fora de sua função

Terrível palavra é um não. Nio consegui descobrir o pwquê da questio.
Ele é o benjamim da família. Isto prova a não-existência do erro.

Entre os casos de conversão podemos incluir a passagem de uma
parte de um grupo de vocábulos (geralmente o final) a palavra -isolada:
Ele tem certas fobias (fobia é a parte de um grupo de palavras que
designam aversão a uma coisa: fotofobia, xenofobia, hidrofobia, etc.).
Estamos no século dos ismos e das logias.

OBSERVAÇÃO: Os casos de conversão recebiam o nome inexpressivo de derivação
imprópria.

-Hibridismo. - Chama-se hibridismo à formação de vocábulos com
elementos de idiomas diferentes. São mais comuns os hibridismos consti-
tuídos da combinação de elemento grego com outro latino ou románico:
sociologia (latino e grego), auto-sugestão (grego e português), televisão
(grego e português), burocracia (francês bureau e grego), automóvel
(grego e português), decímetro (latino e grego).
A nossa língua forma com facilidade hibridismos com elementos es-
trangeiros que se acham perfeitamente assimilados ao idioma como se
fossem elementos nativos. Assim é que fobia, mania, filo, tele, macro,
micro, neo, pseudo, auto e sufixos como ismo, ista, ico se juntam a
elementos de qualquer procedência: germanófilo, russófilo, germanofobia,

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russofobia, retratamania, teleguiado, microônibus, neovencedor, pseudoven-
cedor, autocrítica, auto-retrato, caiporismo, governista. (*)

- Radicais gregos'mais usados em português. - Grande é o número
de radicais gregos que encontramos no vocabulário português. Muitos
deles nos chegaram através do latim e são antiqüíssimos; lembremo-nos
de que nos sécs. xvi a xviii o latim era o veículo das obras de ciência
e de filosofia em que abundavam os empréstimos de vocábulos gregos.
Na adaptação dos termos gregos para o latim geralmente se procedia da
seguinte maneira: k, ai, ei, oi, ou, u, r (aspirado) gregos eram translite-
rados para latim, respectivamente em c, ae, i, oe, u, y e rh, e esta prática
prevalecia para o português e demais línguas modernas. Esta norma nem
sempre é hoje obedecida quando se trata de novos termos científicos.
Assim é que se prefere calidoscópio a caleidoscópio (ei > i), apesar de, na
linguagem técnica, dizer-se dêictico e não díctico. Por outro lado, em regra
não vamos ao grego para formar palavras novas; elas nos vêm do estran-
geiro, mormente de França, através da nomenclatura científica comum à
maioria das nações cultas. E os erros que lá fora se cometem na formação
dos neologismos não são por nós corrigidos. Aceitamos, e não há corri-
gi-las, formas errôneas como quilômetro (por quiliômetro), hectâmetro
(por hecatômetro).
Outras vezes não se leva em conta o sentido rigoroso do termo grego.
Assim se aplica algos à dor física em vez da moral e se diz cefalalgia (dor
de cabeça), odontalgia (dor de dente), nevralgia (dor de um nervo); tam-
bém empregando-se geo para indicar terra como elemento, em vez de
argila (uma vez que o primeiro só se poderia aplicar ao globo terrestre),
se diz geófago (= comedor de terra) por argilófago. Ainda nos cabe
dizer que muitos dos nomes técnicos, principalmente gregos, trazem na
sua etimologia uma noção que o progresso científico considera errônea ou
imperfeita. Dessarte dtomo, que significa indivisível, o que não se pode
inais dividir, não pode ser hoje tomado ao pé da letra; oxigênio quer dizer
gerador de deidos, como se todos os ácidos contivessem este corpo. Como
são termos cuja etimologia não é inquirida, podem continuar a ser em-
pregados sem inconveniência. Por fim, lembramos os casos de esqueci-
mento etimológico em que o sentimento moderno não dá conta do sentido
de elemento constitutivo da palavra, dizendo, por exemplo, ortografia
correta (ortos = correta), caligrafia bonita (calos = belo). Os bem
falantes reagem contra muitos esquecimentos como hemorragia de sangue,
decapitar a cabeça, exultar de alegria, estes dois últimos latinos.
Os principais radicais gregos usados em português são
aer, aer-os (ar): acronauta, aerostato, aéreo
angel-os - aggel-os (enviado, mensageiro): anjo, evangelho
ag-o, agog-os (conduzir, condutor): demagogo, pedagogo

(1) O ar vernáculo é tal, que a rigor não se poderia falar de hibridismo em muitas dessas
inovações vocabulares.

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ag-ón, -on-os (combate): agonia, antagonista
agr-os (campo): agronomia
eti-a - aiti-a (causa): etiologia
acr-os - akr-os (alto, extremidade): acrópole, acrobata, acróstico
alg-os (sofrimento, dor): nevralgia, nostalgia
anem-os (vento, sopro): anemoscópio, anêmona
ant-os - anth-os (flor): antologia
antrop-os - anthrop-os (homem): filantropo, misantropo, antropófago
arc-aios - arch-aios (antigo): arcaico, arqueologia
arc, arch-ê (governo): anarquia, monarquia
arc, arch-os (chefe que comanda): monarca
aritm-os - ariffim-os (número): aritmética, logaritmo
arct-os (urso): ártico, antártico, Ç'o nome drtico refere-se às constelações Grande Ursa
e Pequena Ursa, em uma das quais se acha a Estrela Polar", SAiD AU, Gram
Sec., 167)
aster, ast(c)r-os (estrela): asteróide, astronomia
aut-os (si mesmo): autógrafo, autonomia
bal-o - ba11-o (projetar, lançar): balística, problema, símbolo.
bar-is - bar-ys, bar-os (pesado, grave): barítono, barômetro
bibl-ion (livro): bibliófilo, biblioteca
bi-os (vida): biografia, anfíbio
cir, quir-os - cheir, cheir-os (mão):
col-e - chol-e (bílis): melancolia
cor-os, corea - chor-os (côro): coréia (dança em coro), coreografia
cron-os chron-os (tempo): crônico, cronologia, isócrono, anacronismo
cro'm-a chrom-a (cor): cromolitografia
cris-OS chrys-os (ouro): crisóstorno, crisálida, crisântemo
quil-os chilios (mil): quilograma
quil-os chylos (suco): quilífero
dactil-os - daktyl-os (dedo): datilografia ou dactilografia
dem-os (povo): democracia, epidemia
derm-a (pele): epiderme, paquiderme
do-ron (dom, presente): dose, antídoto, Pandora
dox-a (opinião): ortodoxo, paradoxo
dra-ma, -atos (ação, drama): drama, dramático, melodrama
drom-os (corrida, curso): hipódromo, pródromo
dinam-is - dynam-is (força): dinâmica, dinamómetro
edr-a (base, lado): pentaedro, poliedro
id-os - eid-os (forma), donde procede dide (que se assemelha a): elipsóide
ic-on - eik-on, -on-os (iffiagem): Icono, iconoclasta.
electra - eleUr-on (âmbar, eletricidade): elétrico, eletr6metro
erg-on (obra, trabalho), daí os sufixos urgo, -urgia: metalurgia, dramaturgo, energia
ep2ter-a (entranhas): enterite, disenteria
etn-os - ethn-os (raça, nação): étnico, etnografia
gam-os (casamento), daí gamo (o que se casa): polígamo, bígamo, criptógamo

quiróptero, cirurgia, quiromancia

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gaster, gast(e)-ros (ventre, estômago): gastrônomo, gastralgia
ge (terra): geografia, geologia
genes-is (ação de gerar): gênese, hidrogênio
gen-os (gênero, espécie): homogêneo, heterogêneo
gloss-a ou glott-a (língua): glossário, glotologia, epiglote
gon-ia (ângulo): pollgono, diagonal
gon-os (formação, geração): cosmogonia, teogonia.
graf-o, gram-o - graph-o (escrever), e daí graph-ia (descrição), graph-o (que escreve),
gramm-a (o que está escrito): geografia, telégrafo, telegrama
hem-a - haim-a, -atos (sangue): anemia
here-o - haire-o (tomar, escolher): heresia, herético
helio (sol): helioscópio, heliotrópio
hemer-a (dia): eférnero, efemérides
heter-os (outro): heterodoxo, heterogêneo
hier-os (sagrado): hierarquia, hieróglifo
hip-os - hipp-os (cavalo): hipódromo, hipófago
hol-os (entregue de todo, inteiramente): ológrafo, holocausto
hom-os (semelhante): homogêneo, homônimo
hor-a (hora): horóscopo
hid-or - hyd-or, -atos (água), dai hydor, hydro, como elemento de composição:
hidrogênio, hidrografia
ict-io - icht-yo, -yos (peixe): ictiologia, ictiófago
idi-os (próprio, particular): idioma, idiotismo
isos (semelhante). isócrono, isotérmico
cac-os - kak-os (mau): cacofonia, cacografia
cai-os - kal-os (belo), kallos (beleza): caligrafia
card-ia - kard-ia (coração): cardíaco, pericárdio
carp-os - harp-os (fruto). pericarpo, endocarpo
cejal-e hephal-e (cabeça): cefalalgia, encéfalo
cosm-os Aosm-os (mundo). cosmografia, cosmopolita
crat-os krat-os (poder): democrático, aristocrático
cicl-os kykl-os (círculo): herniciclo, bicicleta
leg-o (dizer, escolher). ecletismo
lamban-o (tomar), daí leps-is (ação de tomar), lemma (coisa tomada): epilepsia, lema,
dilema
log-os (discurso, tratado, ciência): diálogo, arqueologia, bacteriologia, epílogo
maqu-c - mach-e (combate): logomaquia
macr-os - makr-os (grande): macróbio
man-ia (mania, gosto apaixonado por): bibliornania, monomania
manci-a - mantei-a (adivinhação): cartomancia, quiromancia
martir, ri-os - martyr, yr-os (testemunho): mártir, martirólogo
megas, megal-os (grande): megalomania
mel-as, -an-os (negro): melancolia, melanésia
mel-os (música, canto): melodia, melodrama
mes-OS (meio): Mesopotâmia
meter, metr-os (mãe), metrópole

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metr-on (medida): barômetro, termômetro
micr-os - mikr-os (pequeno): micróbio, microscópio
mis-os (ódio): misantropo
mnem-e (memória): amnésia, mnemotécnica
mon-os (só): monólogo, monólito
morf-e - morph-e (forma): morfologia
mit-os - myth-os (fábula, mito): mitologia
miri-a - myri-a em vez de myri-o (dez mil): miriápode
necr-os - nekr-os (morte): necrópole, necrologia
ne-os (novo): neologismo, neófito
nes-os (ilha): micronésia, melanésia
neur-on (nervos): nevralgia, neurastenia
nom-os (lei, administração, porção): astronomia, autonomia
od-e (canto): paródia
od-os (caminho, via): éxodo, método, período
odon, -ont-os (dente): odontologia
onom-a, -atos (nome): pseudônimo, sinônimo
of-is, of-id oph-is, oph-id-os (serpente): ofídio
oftalm-os ophtaim-os (olho): oftalmia, oftalmoscópio
ops, op-os (vista): ops-is (ação de ver), opt-ik-os (que se refere a visão): miopia,
autópsia
oram-a (vista): cosmorama, panorama
ornis, ornit-os - ornis, ornith-os (ave): ornitologia
or-os (montanha): orografia
ort-os - orth-os (direito, reto): ortodoxo, ortografia, ortopedia
ost-eon (osso): osteologia, periósteo
ox-is - ox-ys (ácido, agudo): oxigênio, paroxismo
pes, ped-os - pais, paid-os (criança, menino): pedagogia
pale-os - palai-os (antigo): paleontologia, paIeografia
pan, pant-os (todos): panorama, panéplia, panteísmo, pantógrafo
pat-os path-os (afecção, doença): patologia, simpatia
fag-o phag-o (comer): antropófago, hipófago
fan-o, fen-o - phain-o (fazer aparecer, brilhar): diáfano, fenômeno
femi - phemi (eu digo, falo): eufemismo, profeta
fer-o, for-os - pher-o (levar, trazer), phor-os (que traz): fósforo, semáforo
fil-os - phil-os (amigo): filarmonia, filantropo
fobe-o, fob-os - phobe-o (temer, fazer fugir), daí phob-os: hidrófobo, anglófobo,
russófobo
fos, fot-os - phos, phot-os (luz): fósforo, fotografia
plut-os - plout-os (riqueza): plutocracia
fon-e - phon-e (voz): cacofonia, telefone
pol-is (cidade): acrópole, metrópole, necrópole
pol-is - pol-ys (muito): poligamia, polígono, policromia, polinésia
pos, pod-os - pous, pod-os (pé): antípoda, miriápode
prot-os (primário): protagonista, protocolo, protozoário, protoplasma
pseud-os (falsidade, mentira): pseudônimo

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psiqu-e - psych-e (alma): psicologia, metempsicose
pter-on (asa): quiróptero, coleóptero
pir, pir-os - Pyr, Pyr-os (fogo, febre): pirotécnico, antipirina
re-o - rhe-o (correr, fluir): catarro, diarréia
sisin-os - seisrn-os, daí sism (estremecimento): sismologia, sísmico
scope-o - shopeo (examinar), daí scópio (que faz ver): telescópio, microscópio
sof-os - soph-os (sábio): filósofo
estat-os - stat-os (que se mantém): aeróstato, hidrostática
estere-o - stere-o (sólido): estereotipo, estereotomia
estref-o - streph-o (virar, voltar): apóstrofe, catástrofe
taf-os - taphos (ffimulo): epitáfio, cenotáfio
tauto por to auto (o mesmo): tautologia
tecn-e - techn-e (arte): politécnico
teras, terat-os (prodígio, fenômeno, monstro): teratologia
tele (longe): telégrafo, telefone, telescópio
te-os - the-os (deus): teologia, teocracia, politeísmo
term-os - therm-os (quente): termômetro
tes-is - thes-is (ação de por, ter): antítese, síntese
tom-e (cortadura, secção): tomo, átomo, estereotomia
top-os (lugar): tópico, topografia, atopia
trauin-a, -atos (ferimentos): traumático
tip-os - typ-os (tipo, caráter): tipografia, arquétipo
zo-on (animal, ser vivo): zoologia, zoófito

Famílias etimológicas de radical latino. - Chama-se família etimo-
lógica a uma série de vocábulos cognatos. Cabem aqui as judiciosas obser-
vações do Prof. Said Ali: "parece cousa extremamente fácil distinguir
palavras derivadas de palavras primitivas quando se trata de exemplo
como pedreiro, pedraria, pedregulho ou fechamento, laranjal, bananeira,
que não requerem especial cultivo da inteligência para alguém saber que
se filiam respectivamente a pedra, fechar, laranja, banana. São entretanto
numerosos os casos em que transparece menos lúcida a relação entre o
termo derivado e o derivante, sendo necessário algum estudo para perceber
a filiação. Outras vezes tem havido tal exclusão de forma e sentido, que
surge um curioso conflito entre o sentimento geral do vulgo e o fato
encarado à luz da pesquisa científica" (1).
Nesta matéria cabe distinguir cuidadosamente uma forma livre de
uma forma presa (cf. pág. 167). Receber, por exemplo, é considerada
como derivada prefixal, embora -ceber não tenha curso independente na
língua, porque é uma forma presa de caber, que aparece numa série de
palavras portuguesas:

re I
per -ceber
con

(1) Gramática Histórica, 11, 3.

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0 mesmo ocorre com ~resistir, cuja forma presa -sistir é elemento
a série:

co um a Um

re
per
con-sistir
de
sub

já o mesmo critério não se aplica a outros vocábulos como esquecer

iludir e inteligência, que passaram a funcionar, para o sentimento dos
que falam português, como vocábulos primitivos.

Eis uma pequena lista de cognatos com radical latino:

aequus, a, um (direito, justo): adequar, equação, equidade, igual, iníquo.

ager, agri (campo): agrário, agricultor, agrícola, peregrino.

ago, agis, egi, actum, agere (impelir, fazer): ágil, ator, coagir, exigir, indagar, pródigo

alter, a, um (outro): alterar, alternância, altruísmo, outro.
ango, angis, anxi, angere (apertar): angina, ângulo, angústia, ânsia, angusto

cado, cadis, cecidi, casum, cadere (cair): acidente, cadente, incidir, ocaso.

caedo, caedis, cecidi, caesum, caedere (cortar): cesariana, cesura, conciso, incisão, precisar.

Há numerosos derivados em cida, cídio, cuja significação é matar:

J7atricida, homicida, infanticida, matricida, patricida, regicida, uxoricida, suicida,

fatricídio, homicídio, suicídio, etc.

capio, capis, cepi, captum, capere (tomar): antecipar, cativo, emancipar, incipiente,

mancebo.

caput, capitis (cabeça): cabeça, capitão, capital, decapitar, precipício.

caveo, caves, cavi, cautum, cavere (ter cuidado): cautela, incauto, precaver-se.
colo, colis, colui, cultum, colere (habitar, cultivar): agrícola, colônia, culto, íncola,

inquilino, cu tura (agr -, av -, ort-, p c -, r ., v n -, e c.).
cor, cordis (coração): acordo, discórdia, misericórdia, recordar.

dica, dicis, dixi, dictum, dicere (dizer): abdicar, bendito, dicionário, ditador, fatídico,

maledicência

do, das, dedi, datum, dare (dar): data, doação, editar, perdoar, recôndito

doceo, doces, docui, doctum, docere (ensinar): docente, documento, doutor, doutrina,

duo, duae, duo (dois): dobro, dual, duelo, duplicata, dúvida

duco, ducis, duxi, ductum, ducere (levar, dirigir): conduto, duque, educação, dútil,

Droduzir, tradução, viaduto.

Deste radical há numerosos derivados em duzir (a-, con-, de-, intro-, pro-, re-

se., tra-, etc.).
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eo, is, ivi, itum, ire (ir): comício, circuito, itinerário, transitivo, subir.

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facio, facis, feci, factum, facere (fazer): afeto, difícil, edificar, facínora, infecto, malefício

fero, fers, tuli, latum, ferre (levar, conter): ablativo, aferir, conferência, fértil, oferecer,

frango, frangis, fregi, fractum, frangere (quebrar): fração, frágil, infringir, naufrágio,

fundo, fundis, fudi, fusum, fundere (derreter): fútil, funil, refutar, fundir (con-, di-,

in- re. 1 confuso difuso profuso.

gero, geris, gessi, gestum, gerere (gerar): beligerância, exagero, famigerado, gerúndio,

jacio, jacis, jeci, jactum, jacere (lançar): abjecto, jacto, jeito, injeção, sujeito

lac, lactis (leite): lácteo, lactante, lactente, leiteria, laticínio.
lego, legis, legi, lectum, legere (ler): florilégio, legível, leitura, lente

loquor, loqueris, locutus sum, loqui (falar): colóquio, eloqüência, locução, prolóquio
mitto, mittis, misi, missum, mittere (mandar): demitir, emissão, missionário, remeter,

moveo, moves, movi, motum, movere (mover): motorista, motriz, demover, comoção,

nascor, nasceris, natus sum, nasci (nascer): natal, nativo, nascituro, renascimento.

nosco, noscis, novi, notum, noscere (conhecer): incógnita, noção, notável
opus, operis (obra): obra, cooperar, operário, opereta, opúsculo.

patior, pateris, passus sum, pati (sofrer): compatível, paciente, paixão, passional, passiv

plico, plicas, plicavi ou plicui, plicatum ou plictum, plicare
aplicar, ch ar, cúmplice, explicar, implícito, réplica.

(fazer pregas, dobrar):

Pono, Ponis, Posui, positum, ponere (colocar): aposto, dispositivo, disponível, posição

quaero, quaerj . s, quaesívi ou quaesai, quaesitum, quaerere (procurar): adquirir, inquirir

rego, regis, rexi, rectum, regere (dirigir): correto, reitor, regência, regime, reto.

rumpo, rumpis, rupi, ruptum, rumpere (romper): corrupção, corruptela, roto, ruptura

c ' 1 , sectum, secare (cortar): bissetriz, inseto, secante, seção, segador,

solvo, solvis, solvi, solutum, solvere (desunir): absolver, dissoluto, resolver, solução,

'p"i" specis, spexi , spectum, specere (ver): aspecto, espetáculo, perspectiva, prospecto,

sto, stas, steti, statum, stare (estar): estado, distância, estante, obstáculo, substância.
sterno, sternis, stravi, stratum, sternere (estender por cima): consternar, estrada, estra

(I) Fero é defectivo, apresentando forma do radical de tollo (tuli, latum); assim, não
cognatos aferir e ablativo. Ao primeiro se associam conferência, fértil, oferece; ao segundo,
-lado e relaxado Esta observaeâo se estende a qualquer forma latina que ap ntar seme-
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sumo, sumis, sumpsi, sumptum, sumere (tomar, apoderar-se): assumir, consumir, sumi-
dade, sumário.
tango, tangis, tetigi, tactum, tangere (tocar): contagioso, contingência, tato, contacto,
, atingir.

tendo, tendis, tetendi, tensum ou tentum, tendere (estender): atender, distenso, con-

tente tenso nretensáo

teneo, tenes, tenui, tentum, tenere (ter): contentar, abstinência, tenaz, sustentar, tenor,

detento.

torqueo, torques, torsi, tortum, torquere (torcer): extorsão, tortura, extorquir, tor-
tuoso, distorção.

video, vides, vidi, visum, videre (ver): evidência, próvido, vidente, visionário, previ-
dência.

volvo, volvis, volvi, volutum, volvere (envolver): devolver, envolto, revolução

193
#





A) Noções Gerais

111 - Sintaxe

Que é oração

- Oração é a unidade do discurso.

A oração encerra a menor unidade de sentido do discurso com pro-
pósitos definidos, utilizando os elementos de que a língua dispõe de
acordo com determinados modelos convencionais de estruturação ora-
cional

1
Entoação oracional. - Em português, como em numerosas outras
línguas, as orações se caracterizam pela entoação, isto é, pela maneira com
que são proferidas dentro de certa cadência melódica. A parte final de
uma oração é sempre marcada por algum dos tipos de entoação. Depois
da entoação final fazemos em geral uma pausa de longa ou curta duração,
conforme o que temos em mente expressar.
Simples vocábulos como joão, Absurdo!, W, Sim, constituem orações
completas desde que ocorram entre duas pausas, e formam unidades de
sentido se ocorrerem entre dois siléncios.
Dentro da entoação final podemos estabelecer algumas diferenças
fonêmicas, isto quer dizer diferenças que repercutem no sentido que as
orações encerram:

a) ENTOAÇÃO ASSERTIVA: João estuda.

Aqui a linha melódica marca uma subida da voz até a parte que
recebe o acento frásico (cf. pág. 55) e daí acusa uma descida até a parte
final. A linha melódica apresenta, portanto, uma parte ascendente e outra

(1) Fizemos estudos minuciosos da análise sintática e de sua ímportIncia na sintaxe em
nosso livro Lições de Português pela Analise Sintíltica (4.a ed., 1966), para o qual remetemos
o leitor estudioso.

194
#





lw~

descendente. A entoação assertiva, característica da oração declarativa,

simbolizada por [.] (1).

b) ENTOAÇÃO INTERROGATIVA: João estuda? Quem veio aqui?

A linha melódica na interrogação só tem a parte ascendente. Distin-
guimos a interrogação geral ou de sim ou não, feita em relação ao conteúdo
de toda a oração (João estuda ?) da interrogação parcial, feita em relação
a um termo da oração (Quem veio aqui ?). Na primeira a resposta se
resume ou se pode resumir em sim ou não e a parte ascendente da
entoação é mais acentuada; na segunda, a pergunta é feita, em geral, por
vocábulos especiais de interrogação e a resposta é dada por vocábulo ou
reunião de vocábulos. Simbolizamos a entoação da interrogativa geral
com [?] e da interrogativa parcial com [g]. Percebe-se a diferença de sentido
em orações do tipo: Quem viu o filme ? Com a entoação da interrogativa

parcial [?] indaga-se pela pessoa que viu o filme; a entoação da interro-
gativa geral [é] significa "é sobre este assunto que se pergunta ?"

c) ENTOAÇÃO EXCLAMATIVA: João estuda !

A linha melódica na exclamação só tem também a parte ascendente.
Ela traduz um enunciado expresso com acentuado predomínio emocional
para comunicar, acompanhada ou não de mímica, dor, alegria, espanto,
surpresa, cólera, súplica, entusiasmo, desdém, elogio, gracejo. A entoação
exclamativa também é empregada para exigir a presença ou a atenção de
alguém (João 1 Menino ) ou para traduzir ordens e pedidos (Corra 1

Salte 1). A entoação exclamativa pode combinar-se com os tipos enuncia-
dos anteriormente. Compare-se a resposta João (da pergunta parcial:
Quem estuda 1) com João para chamar ou atrair a atenção e com João ? !

quando a pergunta envolve um sentimento de surpresa. Simbolizamos a

entoação exclamativa com [11 (2).

d) ENTOAÇÃO SUSPENSIVA OU PAUSAM Ele, o irmão mais velho, tomou

conta da fa ília

Consiste a entoação suspensiva ou pausal em elevar a voz antes da
pausa final dentro da oração. Difere das entoações finais pelo fato de
mostrar que o enunciado não termina no lugar em que, em outras circuns-
tâncias, a estrutura oracional. poderia marcar o fim de unia oração. Sim-
bolizamos a entoação suspensiva com [J. Note-se o contraste de sentido
pela entoação distinta que se dá ao trecho: O homem que vinha a cavalo
parou defronte da casa. Se proferimos: O homem , que vinha a cavalo ,
parou defronte da casa, trata-se de um só homem na narração. Se profe-
rimos: O homem que vinha a cavalo parou defronte da casa (sem
entoação suspensiva), pressupõe-se que na narração há mais de um homem.

(1) Tomamos a lição a BLWMFXZLD, Language, 114-115.

(2) J. MATOSO CÂMARA jr., Princípios de Lingüística Geral, 3^ 106.

195
#





A importância da situação e do contexto. - No intercâmbio de
nossos pensamentos desempenham relevante papel a situação e o contexto.
Entende-se por SITUAÇÃO o ambiente físico e social onde se fala;
CONTEXTO é o ambiente lingüístico onde se acha a oração(').
Situação e contexto são estímulos decisivos para a melhor aproxima-
ção entre falante e ouvinte ou escritor e leitor. Através destes estímulos
falante e ouvinte se identificam numa situação espacial e temporal, e a
atividade lingüística atinge seu objetivo com um simples vocábulo ou
fragmento de oração.

Constituição das orações. - A oração pode ser constituída por uma
seqüência de vocábulos ou por um só vocábulo:
a) João estuda
b) Passeamos
C) Sim. João
d) Fogo! Parada de ônibus

No primeiro caso temos uma oração que encerra- nos seus limites os
dois termos essenciais de que se compõe: sujeito: - ou o ser de quem se
declara alguma coisa - e a predicado - aquilo que se declara na oração.
O segundo exemplo nos evidencia que não é necessária a represen-
tação do sujeito por vocábulo especial, uma vez que pode ser depreen-
dido da desinéncia do verbo -mos : nós passeamos.
No terceiro caso, temos uma oração cujo enunciado se relaciona com
um contexto exterior, sem o que seriam simplesmente absurdos, Expli-
cam-se, por exemplo, como resposta às perguntas Você passeou ? e Quem
veio aqui?
No quarto caso temos orações cujo enunciado se relaciona com situa-
ção em que se acha o falante, e assim, contém um elemento extralírt-
güístico; fora desta situação os enunciados também seriam absurdos.
A língua portuguesa conhece todas as constituições de orações acima
indicadas. As constituições favoritas da estrutura oracional em português
apresentam a seqüência de sujeito e predicado, podendo o primeiro vir
incluído na desinência verbal (tipo: passeamos).
Chamam-se construções menores as do caso c) e d).

(1) SOUSA DA SILVEIRA (Obras de Casimira de Abreu, 2.a ed., 188), comentando a substi-
tuição de um Quando? (só interrogativo) por um Quando11 (Interrogativo-exclamativo), diz:
"Fizeram mal, entre outros motivos, porque prejudicaram um pouco a beleza desta poesia, que
é um mimo. Nas três primeiras estrofes a moça responde afirmativamente às perguntas do
poeta; mas na quarta, em que ele começa a tornar-se indiscreto, ela replica-lhe com um "ora 1"
numa espécie de muxoxo, como a mandá-lo calar-se. Ele, porém, continua, e com maior indis-
criçáo. Então ela, fazendo-se alheia ao casa, Mponde-lhe com uma pergunta, acompanhada de
espanto e com suspensão da frase, o que tudo explica a múltipla pontuação da edição de 1859,
isto é, o ponto de interrogação, o de exclamação e os de reticência. "Quando?" equivale sim-
plesmente a "quando foi isso?, ao passo que "Quando? I..." quer dizer, mais ou menos:
"Quando foi toda essa história que desconheço, e até me espanta que você me pergunte
semelhante coisa ?"

196
#





Estruturação sintática: objeto da sintaxe. - Ao elaborar orações
conta o falante com a liberdade de escolher os vocábulos; mas não pode
criar a estrutura em que eles se combinam na comunicação de suas idéias.
As'estruturas oracionais obedecem a certos modelos formais que podem
não ser coincidentes de uma língua para outra e que constituem os padrões

estruturais

As estruturas oracionais ou construções sintáticas apresentam seus

rocessos característicos u,- são*

a) associação dos vocábulos de acordo com a sua função sintática;
b) concordância dos vocábulos de acordo com certos princípios fixa-

dos na língua;

c) ordem dos vocábulos de acordo com sua função sintática.

Assim na oração Os bons alunos dão alegria aos pais temos os bons
alunos exercendo a função de sujeito (de acordo com a), o que lhe
garante, como posição normal, o lugar inicial no contexto (de acordo
com c) e, por ser constituído por um núcleo masculino e no plural
(alunos), determina que nesse número e genero estejam seus adjuntos
(os e bons) e no plural o verbo da oração (dão), estando os d,ois últimos
casos de acordo com o b).

A sintaxe é o estudo dos padrões estruturais de uma língua determi-
nados pelas relações recíprocas na oração e das orações no discurso. Pode
ainda ocupar-se a sintaxe do emprego dos vocábulos. NGB divide a sintaxe

e :

a) de concorddncia nominal
~ verbal

b) de regência nominal
~ verbA

c) de colocação

No presente livro adotaremos o seguinte esquema ara o estudo da

sintaxe portuguesa:

SINTAXE '

1) das ORAÇõES

estuda as relações recí- simples
procas *e o emprego das compostas
orações no discurso 1

2) dos vocABuLos

estuda as relações recí-
procas e o emprego dos
vocábulos considerados
como partes das ora-
çóes

197

a) substantivo
b) adjetivo
C) numeral
#





d) pronome
e) artigo
f) verbo
g) advérbio
h) preposição
i) conjunção
#





A oração na língua falada e na língua escrita. - A oração na língua
falada conta com numerosos recursos para alcançar seu objetivo de uni-
dade de comunicação. Entram em seu auxílio não só elementos lingüís-
ticos de que dispõe o idioma, mas ainda os recursos extralingüísticos
elocucionaií (os sons inarticulados como o muxoxo, o riso, o suspiro) ou
não-elocucionais (isto é, à margem da língua, como a mímica).
Na língua escrita entram em jogo outros fatores. Em primeiro lugar'
desaparece o recurso da entoação que, como diz Matoso Câmara, "tem de
ser deduzida do texto pelo leitor (no qual se transforma o ouvinte),
mediante uma técnica especial, que é a arte da leitura. Em segundo lugar,
esse leitor encontra-se, ao contrário do ouvinte no intercâmbio falado,
muito distante no tempo e no espaço, e não é em regra um indivíduo
determinado e conhecido pelo EscRiToR (em que se transformou o falante).
Finalmente, não envolve ao discurso uma situação concreta e bem
definida" (1).

Sintaxe e estilo: necessidade sintática e possibilidade estilística. -
É importante distinguir uma necessidade sintática, ditada pelas relações
recíprocas dos vocábulos na oração, da possibilidade estilistica que permite
ao falante ou escritor uma escolha dentre dois ou mais elementos de ex-
pressão que a língua lhe oferece, para atingir melhor expressividade.
Esta escolha pessoal tira à oração seu mero valor representativo para
transformá-la num "apelo à atividade e comunhão social, ou, então, libe-
ração psíquica" (2). Saímos, assim, do terreno da sintaxe e entramos no
domínio do estilo.
Pode-se definir estilo como "um conjunto de processos que fazem da
língua representativa um meio de exteriorização psíquica e apelo" (3), isto
é, estabelece o contraste entre o intelectivo e o emocional, mais do que
o contraste entre o coletivo e o individual (cf. pág. 347).

Tipos de oração. - A oração pode encerrar:

a)a declaração do que observamos ou pensamos (oração declarativa com
entoação assertiva):
o dia está agradável
Amanha iremos à praia
João ainda não chegou.

b)a pergunta sobre o que desejamos saber (oração interrogativa com
entoação interrogativa) -
o dia está agradável?
Quem sairá hoje?

(1) J. MATOSO CÂm~ jr., Princípios de Lingüística Geral, 3, 200.
(2) J. MAToso CAmAaA jr., ibid., 204.
(3) Imu, curso na cA&c.

198
#





r-

I

c)a ordem, a súplica, o preceito, o desejo, o pedido para que algo
aconteça ou deixe de acontecer (oração imperativa com entoação

exclamativa):

Sé Jorte.
Venha aquil

Bons ventos o levem

Queira Deus 1

d) o nosso estado emotivo de dor, alegria, espanto, surpresa, elogio,

desdém Iorarão exclamativa com entoa ão exclamativaN:

Que susto levei 1
Que lindo dia 1
Como chove 1

OBSERVAÇÃO: Como vimos, a oração exclamativa pode combinar-se com os tipos
anteriores para indicar um predomínio emocional com que elo enunciadas. Daí poder

aparecer o ponto de interro ção sq ido do de exclamação:

Eles vão ficar zana2dos ?

As orações exclamativas são normalmente introduzidas por pronomes

ou advérbios de sentido intensivo

B) O bert'Odo SiMbles

Chama-se período o conjunto oracional cuja enunciação termina por

silêncio ou pausa mais apreciável, indicada normalmente na escrita por

nto

O período se diz simples quando constituído por uma só oração
Nesta circunstància, a NGB chama-lhe oração absoluta.

Período composto é aquele que encerra mais de uma oração

C) Núcleo

panha.

I

Dá-se o nome de núcleo de uma função sintática à sua expressão prin-
cipal despojada do complemento que exige ou do adjunto que a acom-

1 - ERMOS ESSE CIAIS A RAÇÃ

As orações de estrutura favorita em português se compõem de dois

termos essenciais: sujeito e predicado.

Sujeito é o termo da oração que denota a pessoa ou coisa de que

afirmamos ou neiramos uma ação, estado ou ou idade.
#





#





Predicado é tudo o que se declara na oração, ordinariamente em
referência ao sujeito.

SUJErro

Marcela
Este carro
O artista
O pai
Virgilia
Pedro e Paulo

PREDICADO

suspirou com tristeza
não anda?
fora aplaudido
está alegre
era religiosa
saíram (1)

Omissão do sujeito ou do predicado. - Nem sempre se pede o
aparecimento obrigatório dos termos da oração que exprimem o sujeito
ou o predicato: Trabalhamos.
O sujeito nós está implícito no verbo, indicado pelo morfema -mos,
desinência de 1.a pessoa do plural.
O vocábulo João (em resposta à pergunta quem veio aqui 1) constitui
uma oração cujo predicado (veio) se depreende pelo contexto anterior
constituído pela pergunta que ocasionou a resposta João.
Chama-se elipse à omissão de um elemento lingüístico. Em trabalha-
mos e João, nos exemplos apontados, dizemos, respectivamente, que o
sujeito e predicado são elíticos ou ocultos.

S~jeito indeterminado. - Sujeito indeterininado é o que não se
nomeia ou por não se querer ou por não se saber fazè-lo.
A língua portugúesa moderna indetermina o sujeito de duas maneiras
diferentes:

a)pondo o verbo da oração (ou o auxiliar, se houver locução verbal)
na 3.a pessoa do singular ou, mais freqüentemente, do plural, sem
referência a pessoa determinada:

Diz que eles vão bem (diz = dizem)
Dizem que eles vão bem
Estão chamando o vizinho

b)empregando o pronome se junto a verbo de modo que a oração
passe a equivaler a outra que tem por sujeito alguém, a gente ou
expressão sinônima:

Vive-se bem aqui
Precísa-se de bons empregados

(1) Diz-se sujeito simples o constituído de um só núcleo: Pedro saiu.
Composto é o constituído por mais de um núcleo, ligado por conjunçáo:
Pedro e P4UIO MOM.

200

von
#





70~_

O pronome se nesta aplicação sintática recebe o nome de índice de
indeterminação do sujeito.
OBSERVAÇÃO: Cumpre não confundir sujeito oculto com sujeito indeterminado.

Orações sem sujeito. - Há orações que encerram apenas a declaração
contida no Predicado, sem que se cogite de atribuí-la a nenhum sujeito:
Chove
Faz calor
Há bons livros na sua biblioteca

Em tais casos dizemos que se trata de orações sem sujeito e o verbo
que nelas entra se chama impessoal.

Os principais verbos impessoais. - São:

a)os que denotam fenômeno da Natureza: chover, trovejar, nevar,
relampejar, anoitecer, fazer (frio, calor) e semelhantes:

b)o verbo haver nas orações que denotam ou não existência de pessoa
ou coisa.
Há livros sobre a mesa (equivalente a existem livros sobre a mesa).

c) o verbo ser nas indicações de tempo como: Era à sobremesa.
Era uma hora e meia.

Na indicação de existência, como em era um rei, era um rei e uma
rainha, pode-se considerar o verbo ser como tendo sujeito (um rei, um rei
e uma rainha) ou como impessoal. A opinião mais generalizada é a pri-
meira, razão por que o verbo vai ao plural em eram um rei e uma rainha.
Para o problema da concordáricia neste caso, veja-se a pág. 306.

OBSERVAÇõES:

1.a) É preciso não confundir as orações de verbo impessoal com as que encerram
um verbo em cujo contexto não está seu sujeito que se depreende pelo contexto an-
terior: "Se a regra do professor Carneiro acerta, errei eu, não tem dúvida" (Rui BARBOSA,
Réplica, 331). O sujeito, o pronome isto ou equivalente, refere-se ao fato de a pessoa
errar. Trata-se apenas de um Sujeito elítico.

2.a) Há mestres que põem ainda entre os impessoais os seguintes verbos:
a) Haver, fazer nas idéias de tempo:
Há cinco anos. Faz três dias que não o vejo (cf. pág. 234).
b) verbo acompanhado do pron. se como índice de indeterininaçáo do sujeito:
Vive-se bem aqui. Precisa-se de bons empregados.

3,a) Na linguagem familiar do Brasil é freqüente o emprego do verbo ter como
impessoal, à maneira de haver:
Há bons livros na biblioteca
Tem bons livros na biblioteca

201
#





Em tal construção parece ter-se originado uma mudança na formu-
lação da frase A biblioteca tem bons livros, auxiliada por vários outros
casos em que haver e ter têm aplicações comuns. A gramática normativa,
entretanto, pede se evite este emprego de ter impessoal. Em linguagem
coloquial escritores modernos já agasalharam esta construção:

"Na Rua Toneleiros tem um bosque, que se chama, que se chama, solidã~" (MANUEL
BANDEIRA, Poesia e Prosa, lI, 419).

2 - TIPOS DE PREDICADO: VERBAL, NOMINAL
E VERBO-NOMINAL. O PREDICATIVO

Tipos de predicado. - O predicado declara

a) uma ação que, se referida ao sujeito, o apresenta como agente ou
paciente:

agente O aluno brinca
{ Machado de Assis escreveu belos livros
paciente Belos livros foram escritos por Machado de Assis
{ Os maus alunos foram castigados

b) uma qualidade, estado ou condição:

O aluno é brincaffido.
Machado de Assis foi um escritor.
A aluna esteve quieta.
os circunstantes ficaram atõnitos com a cena,
O primo parece adoentado.
Este livro é o meu.

Quando o predicado exprime uma ação que o sujeito pratica ou sofre,
o verbo constitui o seu elemento principal. Dai chamar-se verbal a este
tipo de predicado.
Quando o predicado exprime uma qualidade, estado ou condição, o
seu elemento principal é um nome (adjetivo ou substantivo) que se refere
a outro nome sujeito, podendo ser um ou ambos os termos representados
por pronome. A este tipo de predicado chama-se nominal. O nome que,
no predicado nominal, constitui o elemento principal. se diz predicativo.

O aluno é brincalhélo.
Sujeito - o aluno
Predícado nominal - é brincaffigo
Predicativo - brincalhão.
#





Pode ocorrer na declaração a fusão do predicado verbal com o no
m na, sto é, ao a a ação se enunc: a também um estado, qualidad(

Nos exemplos dados emincia-se uma ação (assistiram, chegou, nomea-
ram) e um estado, qualidade ou condição que se dá concomitante à ação
verbal (alegres, atrasado) ou como conseqüência dela (secretário dá

Este tipo de predicado misto recebe o nome de verbo-nominal.

No predicado verbo-nominal o edicativo de referir-se -o---ei-

Excepcionalmente o verbo chamar pode pedir predicativo de objeto

OBSERVAÇÃO: Ainda assim EPIFANio DiAs. RIREIRO DE VASCONCELOS C MAItTINZ DE

Verbos de ligação. - Chama-se de ligação o verbo que entra no
predicado nominal. Seu ofício é apresentar do sujeito um estado, quali-

Todos ficaram adoentados.
Maria tomou-se estudiosa.
Elas acabaram cansadas.
Pedro caiu doente.
* cliente fez-se médico.
* crisálida virou borboleta
* inocente converteu-se em culpado
#





d) continuidade de estado:

e) aparência:

Nós continuamos livres.
Maria permanece satisfeita.

· mestra parecia zangada (= parecer estar).
· roupa parece velha (= parecer ser).

OBSERVAÇõES SOBRE PREDicATivo: Não raro a função predicativa pode ser exercida
por expressôes formadas da preposição de + substantivo ou pronome, como acontece
nos seguintes casos(l):
a) Ele é dos nossos amigos (abreviadamente: ele é dos nossos);
b)Este homem é de baixa condição, esta mesa é de mdrmore, onde a preposição indica
procedência ou matéria de que uma coisa é feita;
C)Sou de parecer, isto não é da sua competência, onde se pode ver uma filiação ao
genitivo predicativo do latim (aliquid est mei judicii, apud MADVIG-ENFÂNio, Gram.
Latina, õ281, obs.);
d)Isto não é de ser humano, isto é muito dele, esta é bem dele, para exprimir "o
que é próprio de alguém ou de alguma coisa". Prende-se ao genitivo latino com
esse: Cuius vis hominis est errare nullius, nisi insipientis, in errore perseverare
(CícERo apud MADVIG-ENFÂNio, Gram. Latina, õ282). Não há, portanto, necessidade
de se recorrer a elipses.
NOTA. Em isto é bem, a par de isto é bom, o advérbio não exerce função de
predicativo, uma vez que o verbo ser é verbo nocional, e não de ligação. Representa
a construção latina bene est por bonum est (cf. italiano é bene, francês c'est bien).

3 - CONSTITUIÇÃO DO PREDICADO VERBAL
(Verbo intransitivo e transitivo. Complementos verbais)

O verbo que constitui o elemento principal do predicado verbal pode
ser intransitivo ou transitivo.

Intransitivo é o verbo que não precisa de complemento para integrar
o seu sentido, isto é, c! verbo que se basta a si mesmo:

Os homens trabalham.
As lavadeiras cantam.
* criança adormeceu.
* rio desce vagarosamente.

Transitivo é o verbo que necessita de complemento que integre sua
predicação:
Os alunos leram belas poesias.
Estas censuras não têm grande valor.
Falava aos colegas.
As crianças obedecem aos Pais.
Lembrei-me da encomenda.
Queixou-se da chuva.

(1) Cf. MEYzR-LDEKE, Grammaire, 111, 449-450.

204
#





Os verbos transitivos se dividem em diretos e indiretos. Dizem-se
DIRETOS os que têm complementos não iniciados por preposição necessária:
Estas censuras não têm grande valor.
Os alunos leram belas poesias.

Transitivos INDIRETOS são os verbos que se acompanham de comple-
mento iniciado por preposição necessária. Se falta a preposição nesses casos
pode prejudicar-se o sentido ou a correção do contexto:
Falavas aos colegas.
As crianças obedecem aos Pais.
Lembrei-me da encomenda.
Queixou-se da chuva.

A classificação do verbo depende da situação em que se acha em-
pregado na oração. Muitos verbos, de acordo com os vários sentidos que
podem assumir, ora entram no grupo dos verbos de ligação, ora são
intransitivos, ora são transitivos diretos ou indiretos:
Ele passou a presidente (verbo de ligação).
* caçula passou o mais velho (transitivo direto).
* chuva passoid- (intransitivo).
Maria passo"s novidades às colegas (transitivo acompanhado de dois complementos).

Assim não podemos, a rigor, falar em verbos intransitivos ou transi-
tivos, mas em emprego intransitiVO ou transitivo dos mesmos verbos.

OBSERVAÇõES :
1.a) Verbos há que mudam a construção de acordo com o sentido em que
aparecem empregados: assistir o doente (= socorrer) e assistir ao filme (presenciar),
querer o livro (= desejar) e querer a alguém (= estimar).
2,a) Verbos há que admitem mais de uma construção sem que se altere a sua
significação geral: presidir a cerimônia ou presidir à cerimônia, crer isso ou crer
nisso, consentir isso ou consentir nisso, ajudar alguém ou ajudar a alguém, servir
alguém ou servir a alguém.

Espécies de complementos verbais. - Os complementos dos verbos
transitivos diretos recebem o nome de objeto direto (isto é, complemento
não encabeçado por preposição necessária):

Os alunos leram belas poesias.

Sujeito: os alunos
Predicado verbal: leram belas poesias
Objeto direto: belas poesias.

Em lugar do nome que funciona como objeto direto se podem usar
os pronomes oblíquos: o, a, os, as:
Os alunos leram-nas
Estas censuras não o têm

205
#





Os complementos dos verbos transitivos indiretos recebem o nome
de objeto indireto (isto é, complemento encabeçado por preposição
necessária):

Falavas aos colegas,
As crianças obedecem aos pais.
Lembrei-me da encomenda,
Queixou-se da chuva.

Falavas aos colegas
Sujeito: tu (oculto)
Predicado verbal: falavas aos colegas
Objeto indireto: aos colegas

Em lugar do nome, geralmente precedido das preposições a ou para,
que funciona como objeto indireto, se podem usar muitas vezes os pro-
nomes oblíquos lhe, lhes:
Falavas-lhes.
As crianças jhes obedecem.

Este é o único caso em que o objeto indireto nunca vem encabeçado
por preposição.

OBSERVAÇÃO: A NGB, a bem da simplicidade, reúne sob a denominação
única de objeto indireto complementos verbais preposicionados de nature7as bem
diversas: o objeto indireto propriamente dito, em geral encabeçado pelas preposições
a ou para (escrevi aos pais), o complemento partitivo, em geral encabeçado pela
preposição de (lembrar-se de alguma coisa) e o complemento de relação, também
encabeçado, em geral, pela preposição de (ameaçar alguém de alguma coisa). Isto
nos leva a compreender a presença de dois objetos indiretos numa mesma oração
como:

Queixa-se dos maus tratos ao diretor (1)

exprime:

a)- a pessoa ou coisa que recebe a ação verbal:
o soldado prendeu o ladrão

Sentidos do objeto direto. - Quanto ao sentido, o objeto direto

b) o produto da ação:
o poeta compôs um belissimo soneto

c)a pessoa ou coisa para onde se dirige um sentimento, sem que o objeto
seja forçosamente afetado pelo dito sentimento:
Otelo ama a Iago, e lago odeia a Otelo(2)

(1) Autores há que consideram objeto indireto apenas o complemento que pode ser repre-
sentado por lho; aos outros precedidos de preposiÇâo, complemento* de verbos, chamam com-
plemento relativo. Cf. RocHA UmA, GramíÍtica Normativa.
(2) M. SAm ALI, Gr4MdtiCa HistóriCa, 1, 183.

2W
#





d) com os verbos de movimento, o espaço percorrido ou o objetivo final:
("4ndei longes terras" - G. DiAs -, atravessar o rio, correr os lugares sacros,
subir a escada, descer a montanha, navegar rio abaixo, etc.) ou o tempo decorrido
(viver bons momentos, passar o dia no campo, dormir a noite inteira, etc.).

Sentidos do objeto indireto. - O objeto indireto pode expri
a) a pessoa ou coisa que recebe a ação verbal.

Escrever aos pais

b) a pessoa ou coisa em cujo proveito ou prejuízo se pratica a ação:
Trabalha para o bem'geral da família

c)a pessoa ou coisa que, vivamente interessada na ação expressa pelo
verbo, procura captar simpatia ou benevolência de outrem (dativo
ético):

Prendam-me esse homem
Não me venham com essas histórias

d) a pessoa possuidora:

Conheci-lhe o pai (lhe: objeto indireto de posse)
Tomou o pulso ao doente

e) a pessoa a quem pertence uma opinião (o que pode ocorrer com os
verbos de ligação):
Para nós ele está errado (para nós: objeto indireto de opinião)
Antônio pareceu-me tristonho

OBsERvAçÃo: Poder-se-ia ainda acrescentar a classe dos verbos transitivos adver-
biados que pedem como complemento uma expressão adverbial como: Irei à cidade
ou voltei do trabalho. A NGB não agasalhou, entretanto, este tipo de complemento,
considerando-o, como veremos adiante, mero adjunto adverbial.

A preposição como posvérbio. - Muitas vezes aparece depois de
certos verbos uma preposição que mais serve para lhes acrescentar um novo
matiz de sentido do que reger o complemento desses mesmos verbos:

Arrancar a espada
Arrancar da espada (acentua a idéia de uso do objeto e a retirada total da
bainha ou cinta).

Cumprir o dever

Cumprir com o dever (acentua a idéia de zelo ou boa vontade para executar algo).

Fiz que ele viesse
Fiz com que ele viesse (acentua a ideia do esforço ou dedicação empregada).

207
#





I

À preposição que se emprega nestes casos deu-lhe o Prof. Antenor
Nascentes o nome de posvérbio (1).

OBSERVAÇÃO: Em Perguntar por alguém a preposição é um posvérbio denotando
curiosidade, interesse (A. Nascentes).

Objeto direto preposicionado. - Não raro o objeto aparece iniciado
de preposição:

Amar a Deus sobre todas as coisas

A preposição quase sempre aparece para evidenciar o contraste entre
o sujeito e o complemento, não se confundindo com o caso do posvérbio,
por este repercute na significação do verbo. Ocorre o objeto direto pre-
posicionado nos seguintes principais casos:
a) quando se trata de pronome oblíquo tônico (uso hoje obrigatório):

"Nem ele entende a nós, nem nós a ele" (CAMõES, Os Lusíadas, V, 28).

b)quando, principalmente nos verbos que exprimem sentimentos ou
manifestações de sentimento, se deseja encarecer a pessoa ou ser per-
sonificado a quem a ação verbal se dirige ou aproveita:

Amar a Deus sobre todas as coisas
Consolou aos amigos

c)quando se deseja evitar confusão de sentido, principalmente quando
ocorre:

1) inverÃo (o objeto direto vem antes do sujeito): A Abel matou Caim.
2)comparação: "Isto causou estranheza e cuidados ao amorável Sarmento, que
prezava Calisto como a filho" (CAMILO, Queda de um Anjo, 80, ed. Pedro, Pinto).

OBsERvAçÃo: Sem preposição poder-se-ia interpretar filho como sujeito: como
filho preza.

d) na expressão de reciprocidade: um ao outro, uns aos outros:

Conhecem-se uns aos outros

e) com os pronome relativo quem :

Conheci a pessoa a quem admiras

f)nas construções paralelas com pronomes oblíquos (átonos ou tônicos)
do tipo:

`Mas engana-se contando com os falsos que nos cercam. Conheço-os, e aos leais"
(A. HERCULANO, O Bobo, 102).

(1) A. NASCENTES, O Problema da Regéncia, 17.

208
#





g)nas construções de objeto direto pleonástico, sem que constitua norma
obrigatória:

"Ao ingrato, ou não o sirvo, porque (para que) me não magoe" (R. LOBO,
Ant. Nacional, 278).

Objeto direto interno. - Chama-se objeto direto interno ao comple-
niento que, acompanhado de uma expressão qualificativa, serve para
repetir a idéia contida no verbo, que é geralmente intransitivo:

"Morrerá morte infame de peão criminoso" (A. HERCULANO, O Bobo, 248).

O complemento pode não ser do mesmo radical do verbo, mas há de
pertencer à mesma esfera de significação:

"lidei cruas guerras" (G. DIAS, I-Juca-Pirama).
Dormir o sono da eternidade
Chorar lágrimas de crocodilo

Concorrência de complementos diferentes. - Um verbo transitivo
pode acompanhar-se de dois objetos, podendo daí surgir as três seguintes
principais possibilidades:

1) objeto indireto de pessoa (com a ou para) e objeto direto de coisa:
"Eu sou aquele a quem padre Antônio de Azevedo ensinou princípios de solfa,
e as declinações da arte francesa" (CAMILO, O Bem e o Mal, 37, ed. M. Casassanta).

Pertencem a este, entre outros, os seguintes verbos:

aconselhar, agradecer, ãludir, anunciar, assegurar, atribuir, avisar, ceder, conceder,
confiar, consentir, dar, declarar, dedicar, dever, dizer, doar, encobrir, entregar, explicar,
expor, extorquir, fiar, furtar, impedir, imputar, informar, ministrar, mostrar, negar,
ocultar, oferecer, ordenar, pagar, pedir, perdoar, perguntar, permitir, preferir, proibir,
prometer, propor, requisitar, responder, revelar, rogar, roubar, sacrificar (dar em sa-
crifício), subtrair, sugerir, tirar, tomar, tributar.

e os que exprimem percepção dos nossos sentidos ou do espírito, como
ver, ouvir, conhecer, etc.:
Ouviu-o a um parente próximo.

2)objeto direto de pessoa e um complemento de relação (a que a NGB
chama objeto indireto):

"D. Miguel de Almeida e D. Antáo de Almada, informando-o de tudo, pediram-lhe
a sua cooperação". (R. DA SILVA, História de Portugal, IV, 127).

Pertencem a este grupo os seguintes principais verbos:

aconselhar, acusar, ameaçar, avisar, bendizer, certificar, convencer, culpar, desculpar,
informar, louvar, maldizer, persuadir, prevenir.

209
#





3) objeto indireto de pessoa (com a ou para) e complemento de relação
(a que a NGB chama objeto indireto):

Queixou-se dos maus tratos (complemento de relação) ao diretor (obj. indireto).
Desculpou-se do ocorrido aos (ou com os) amigos.

OBSERVAÇõES :
1.a) Alguns verbos podem admitir duas ou mais construçoes sem que se altere
fundamentalmente a sua significação geral: ensinar alguma coisa a alguém ou ensinar
alguém a fazer alguma coisa; avisar alguma coisa a alguém ou avisar alguém de
alguma coisa; aconselhar alguma coisa a alguém ou aconselhar alguém a fazer alguma
coisa; informar alguma coisa a alguém ou informar alguém de alguma coisa; per-
guntar alguma coisa a alguém ou perguntar alguém sobre alguma coisa.
2.a) Em virtude do cruzamento de diferentes construções podem aparecer dois
objetos diretos (hoje raramente) ou indiretos: rogar alguém que faça alguma coisa,
ensinar a alguém a ler, lembrar a alguém de alguma coisa, esquecer a alguém de
alguma coisa, etc.

4

- COMPLEMENTOS NOMINAIS

Não apenas verbos, mas substantivos e adjetivos podem necessitar de
complementos:

a) Substantivos:

b) Adjetivos:

O jovem demonstrava inclinaçâo pela ciência.
Nossa prima tinha desconfiança de tudo.
É digno de louvor o amor à pátria.

Os conhecimentos são úteis a todos.
Essas palavras eram impróprias ao local.
Os meninos estavam desejosos de vitória.

Tais termos da oração recebem o nome de complementos nominais
e designam a pessoa ou coisa como o eto da ação ou sentimento que os
substantivos ou a etivos significam.

OBsERvAçXo: Incluem-se entre os complementos nominais os que servem de
completar os advérbios de base nominal:
Referentemente ao assunto, tudo vai bem.

5 - ADJUNTO: SEUS TIPOS

Adjunto: seus tipos. - É um termo oracional de natureza acessória
que especifica ou individua um nome ou pronome ou exprime uma cir-
cunstância adverbial. Dividem-se, portanto, os adjuntos em adnominais e
adverbiais.

210
#





I

Adjunto adriominal. - É uma expressão que especifica ou individua
um nome ou pronome:
"A inexperiência da mocidade ocasiona a sua originalidade" (Marquês de MARICÁ

Adjuntos adnominais de inexperiência (termo fundamental ou núcleo
do sujeito): a e da mocidade.
Adjuntos adnominais de originalidade (termo fundamental ou núcleo
do objeto direto): a e sua.
O adjunto adnominal é expresso por:
a) adjetivo ou locução adjetiva:
Homem ajuizado
Homem de juizo
Homem sem juízo
"A vida humana sem religido é viagem sem roteiro" (Marquês de MARICÁ).

b) pronomes adjuntos:
Meu livro
Este caderno
Nenhum erro
Cada semana
O homem cujos defeitos conheço...
Que coisa fizeste?'

c) artigo (definido ou indefinido):

d) numeral

O livro
Um livro

Dois dias
Primeira fila

e)locuções adjetivas que exprimem, além de qualidade (como no item
a), posse e especificação:
Inexperiência da mocidade
Álbum de retratos

OBsERvAçXo: Às vezes, principalmente depois de expressões de sentimentos (como
bom, triste, feliz, infeliz, coitado, etc.), o adjunto adnominal se liga ao substantivo
por meio da preposição de.- "A aldeia em que o bom do clérigo pastoreava o seu
rebaiiiio..." (A. HERCULANo, Lendas e Narrativas, 11, 115).

Adjunto adverbial. - É uma expressão que denota uma circunstáncia
adverbial em referência ao verbo, adjetivo ou outro advérbio:
"Os abusos, como os dentes, nunca se arrancam sem dores" (M. MAIUcÁ, Máximas).
"O luxo, como o fogo, devora tudo e perece de faminta" (IDEm).

211

_





"As pessoas mais devotas são de ordinário as menos religiosas" (IDEm).
"É necessário subir muito alto para bem descortinar as ilusões e angústias da
ambição, poder e soberania" (IDEm).
Nunca: adjunto adverbial de tempo, em referência ao verbo arrancar.
Sem dores.- adj. adv. de modo, em referência ao verbo arrancar.
De faminto : adj. adv. de causa, em referência ao verbo perecer.
Mais : adj. adv. de intensidade, em referência ao adjetivo devotas.
Menos : adj. adv. de intensidade, em referência ao adjetivo religiosas.
De ordinário : adj. adv. de tempo, em referência ao verbo ser.
Alto : adj. adv. de modo, em referência ao verbo subir.
Muito : adj. adv. de intensidade, em referência ao advérbio alto.
Bem: -adj. adv. de modo, em referência ao verbo descortinar.

O adjunto adverbial é expresso
a) advérbio:

b) locução adverbial:

Nunca se arrancam
As pessoas mais devotas
Subir muito alto

Arrancam-se sem dores
São de ordinário

OBSERVAÇÃO: Em construção do tipo perece de faminto, onde a preposição pre-
ctile ao adjetivo, houve na realidade omissão de um verbo de ligação (ser, estar,
ficar, etc): perecer de ficar faminto.

As principais circunstáncias adverbiais já foram assinaladas na mor-
fologia, no capítulo do advérbio. '1

Advérbios de base nominal ou pronominal. - Os advérbios de base
nominal podem desempenhar na oração papéis sintáticos próprios de
nomes e pronomes. Assim hoje (que se prende ao substantivo dia) apa-
rece nitidamente como sujeito em:
Hoje é segunda-feira

Aqui, de base pronominal, com o valor de este,lugar, funciona como
sujeito em:

Aqui é ótimo para a saúde.

OBSERVAÇÃO FINAL: já lembramos, na pág, 207, que deveríamos distinguir os
advérbios que funcionam como complemento dos que funcionam como adjunto, porque
aqueles são essenciais e estes acidentais à estruturação oracional. Em Ir a Silo Paulo
ou Voltar do trabalho, as circunstâncias adverbiais elo necessárias à prediCação do
verbo e melhor se classificariam como complementos adverbiais. E o fato mais se
alicerça quando se comparam estes exemplos com A ida a Sgo Paulo ou A volta do
trabalho, em que a São Paulo e do trabalho são complementos nominais. A NGB,
talvez presa ao sentido, não levou em conta o papel sintático das expressões adverbiais
nos exemplos aludidos. Para ela, em ambos os casos há adjuntos adverbiais.

212
#





6 - AGENTE DA PASSIVA

Agente da passiva. - Na voz passiva o termo que exprime queir
pratica a ação sobre o sujeito se diz, em sintaxe, agente da passiva (cf.
pág. 104), iniciado pelas preposições de e per (por):
* livro foi escrito pelos alunos.
* notícia foi sabida de todos.

já assinalamos que só a passiva analítica comporta o aparecimento do
agente da passiva.
O agente da passiva, de natureza adverbial, corresponde, na voz ativa,
ao sujeito:
O livro foi escrito pelos alunos.
Os alunos escreveram o livro.

7 - APOSTO: SEUS TIPOS

Aposto. - É um termo oracional de natureza substantiva ou prono-
minal que se refere a uma expressão de natureza substantiva ou prono-
minal para melhor explicá-la, ou para servir-lhe de equivalente, resumo
ou identificação: 4

"Agora nenhum rei está aqui, mas sim o Mestre de Avis, vosso antigo capitio"
(A. HERCULANo, Lendas e Narrativas, 1, 266).

Marca-se uma equivalência mais explícita entre o atual Mestre de
Avis e o vosso antigo capitão (aposto explicativo).

Serve ainda o oposto para:
a) enumerar (aposto enumerativo):
"Duas cousas se não perdoam entre os partidos políticos: a neutralidade e a apos-
tasia" (M. de MARicÁ, MUimas).
Nada impedia seus planos: tristezas, dores, dificuldades.

O aposto explicativo e o enumerativo podem vir encabeçados pelas
expressões a saber, por exemplo, isto é, verbi gratia (abreviatura v.g., por
exemplo), convém a saber (ou a saber):
Duas coisas o incomodavam, a saber: o barulho da rua e o frio intenso.

b) recapitular (aposto recapitulativo):
Tristezas, dores, dificuldades, nada impedia seus planos.

O aposto recapitulativo é normalmente representado por um nome
indefinido como tudo, nada, ninguém, qualquer, etc.

21)
#





c) marcar uma distribuição (aposto distributivo):

Eram dois bons alunos, um em matemática e o outro em português.
Machado de Assis e Gonçalves Dias são os meus escritores preferidos, aquele
prosa e este na poesia.

d)marcar uma especificação (aposto especificativo), onde a um nome
próprio se junta um nome comum que indica a espécie a que aquele
pertence:

Rio Amazonas
Montes Pireneus
O poeta Castro Alves
Tecidos Aurora
Lojas Paulistas
Cervejaria Brahma

O aposto especificativo pode ligar-se ao nome a que se
da preposição de:

Praça da República
Serra da Mantiqueira
o nome de pátria
A cidade de Lisboa

refere através

Como bem lembra Epifânio Dias, "da arbitrariedade do uso é que
depende o empregar-se em uns casos de definitivo, em outros a aposição.
Diz-se por exemplo: o nome de Augusto, mas, a palavra Augusto; a cidade
de Lisboa, mas: o rio Teio" (1).

OBSERVAÇÃO: Muitos autores não consideram como aposto a expressão encabe-
çada por preposição, como nos exemplos indicados, dando-a como adjunto adnominal.
Ambas as análises são aceitáveis, mas nos inclinamos para a aposição.

Aposto em referência a uma oração inteira. - O aposto não se refere
apenas a um termo de uma oração, mas ao conjunto de idéias expressas
numa oração inteira:

Ele falou em altas vozes, sinal do seu descontentamento.

De ordinário usa-se como aposto de uma oração inteira o pronome
demonstrativo o ou um substantivo como coisa, motivo, fato, acompanhado
de uma expressão modificadora:

Todos resolveram silenciar, o que muito me contrariou.
Passeamos muito, coisa que nos deixou exaustos.
Conseguimos a primeira colocação, fato digno de aplauso.

(1) Grarndtica Portuguesa Elementar, 5 154, obs. 1.a

214
#





Aposto circunstancial. ~ Chama-se aposto circunstancial aquele que

designa "o tempo, hipótese, concessão, causa, comparação, ou debaixo de
que respeito é considerada a pessoa ou coasa" (1), na época da ação

O aposto circunstancial vem imediatamente preso ao nome a que per
tence ou r meio de uma preposição ou expressão de valor adverbial

"Aos quinze ou dezesseis anos casou com um alfaiate que morreu algum tempo
depois, deixando-lhe uma filha. Viúva e moça, ficaram a seu cargo a filha, co
dois anos, a mãe, cansada de trabalhar" (M. DE -Assis, Memórias Póstumas, 200).

r ,
não se trata de preposição essencial, muitos preferem ver orações de estruturas
reduzidas subentendendo o que lhes falta: quando era presidente, nunca fugiu aos

,Nssim se denomina o termo da oração através do qual chamamo
pomos em evidência o ser a que nos dirigimos:

As alegrias duram pouco, meu bom irm4o
Montanhas, vede que belo amanheceri

O vocativo pode vir precedido de interjeição (normalmente ó) e se

caracteriza sempre pela entoação exclamativa:

Para maior ênfase da pessoa a quem nos dirigimos usamos do vocativo
senhor (senhora), depois de uma afirmação ou negação. Note-se que não
há pausa entre o advérbio e o vocativo (ainda que haja vírgula) 'se o
#





D) O período composto

1 - ORAÇõES INDEPENDENTES
E DEPENDENTES

Quanto às suas relações sintáticas dentro do período composto, as
orações podem ser independentes e dependentes.

Oração independente é aquela que não exerce função sintática de
outra a que se liga:
Preparamo-nos para a viagem e partimos.

O período é composto porque encerra duas orações:
1.a) Preparamo-nos para a viagem
2.a) e partimos.

Tais orações se dizem independentes porque uma não exerce funçao
sintática de outra; ambas reúnem em si todas as funções de que necessitam
para se constituírem por si sós unidades do discurso.

Oração dependente é aquela que exerce função sintática de outra
e vale por um substantivo, adjetivo ou advérbio. A dependente é um
termo sintático que tem a forma de oração.
É bom que tomemos as precauções.
Antônio deseja que compareças à festa.
· Brasil Precisa de que o amemos.
· livro que comprei é importante.
Saiu cedo porque o serviço era muito.

Em todos os exemplos acima temos períodos compostos com duas
orações onde a 2.a é dependente da 1.a porque exerce uma função sin-
tática desta:
que tomemos as precauções é sujeito de é bom;
que compareças à festa é objeto direto de Antônio deseja;
de que o amemos é objeto indireto de O Brasil Precisa;
que comprei é adjunto adnominai de livro, que pertence à oração o livro é importante;
porque o serviço era muito é adjunto adverbial de causa de saiu cedo.

2 - ORAI~XO PRINCIPAL

Chama-se oração principal aquela que pede uma dependente. Nos
aludidos trechos são orações principais:
é bom; Antônio deseja; O Brasil Precisa; O livro é importante; saiu cedo.

216
#





Nem sempre a oração principal vem antes de sua dependente:
Porque o serviço era muito, saiu cedo.

Mais de uma oração principal. - Num período pode haver mais de
uma oração principal:
Não sei se José disse que eu empresíara o livro.

A 1.a oração não sei é principal em relação à 2.a se José disse, porque
esta é seu objeto direto. Por sua vez a 2.a oração é principal em relação
à 3.a que eu emprestara o livro, que funciona como seu objeto direto.
Assim sendo, a 2.21 oração se nos apresenta sob duplo aspecto sintático:
dependente em relação à 1.a e principal em relação à 3.a
Não havendo denominação especial para estes casos, poderemos dizer
principal de 1.a categoria (ou grau), de 2.a categoria (ou grau), etc. (1).

Oração principal não é a 1.a oração. - já assinalamos que a oração
principal pode vir depois de sua dependente:
Porque o sei-viço era muito, saiu cedo.

No período:

Saiu cedo, mas voltou tarde porque choveu

as duas primeiras orações (saiu cedo e mas voltou tarde) são independen-
tes entre si, mas a 2.a se nos apresenta sob duplo aspecto sintático: é
independente em relação à 1.a e principal em relação à 3.a, porque esta é
o seu adjunto adverbial de causa (note-se que a chuva foi a causa de voltar
tarde, e não de sair cedo).

Oração principal nem sempre é a de sentido principal. - A oração
principal é determinada pela relação sintática da oração dentro do pe-
ríodo, não importando se o sentido que encerra é ou não aquele de que
dependem as outras orações.

No período:

Se não chover, chegarei cedo

a oração chegarei cedo é principal e se não chover é dependente porque
esta exerce a função de adjunto adverbial de condição daquela. Se o nosso
ponto de referência deixasse de ser a relação sintática (objeto de estudo
da sintaxe) para ser o sentido, a oração se não chover passaria a ser
aquela de que dependeria a declaração chegarei cedo.
Isto nos patenteia que a determinação da oraçao principal não
envolve a preocupação de apontar o sentido principal. Oração principal

(1) A expressão 1.a categoria já ocorre eni FAUSTO BARRETO (Antologia Nacional, intro-
duçáo) desde 1887.

217
#





não é a que encerra o sentido principal, mas a que tem um dos seus
termos sob forma de oração.

Tipos de orações independentes. - Há dois tipos de orações inde-
pendentes: as coordenadas e as intercaladas.
SãO COORDENADAs as orações independentes que formam uma sequèn_
cia, relacionadas pelo sentido:
Passavam os soldados e agitavam-se as bandeiras.
Correu, mas não chegou a tempo.

SãO INTERCAL~ as orações independentes que, não pertencendo
à seqüência, aí aparecem como elemento adicional que o falante julga
ser esclarecedor:

Machado de Assis - este escritor é um dos mais importantes de nossa literatura
- era de origem humilde.
Meu pai - Deus o guarde - mostrou-me o caminho do bem.

As orações intercaladas este escritor é um dos mais importantes de
nossa literatura e Deus o guarde são meros acréscimos que o falante houve
por bem juntar; na realidade, só importava dizer Machado de Assim era
de origem humilde e meu pai mostrou-me o caminho do bem.

As orações dependentes são subordinadas. - As orações dependentes
se dizem subordinadas porque, exercendo uma função sintática da prin-
cipal, são uma pertença desta na seqüência oracional.

Coordenação. - Chama-se coordenação a seqüência de orações em
que uma não exerce função sintática da outra.
A coordenação pode ser feita não só entre as orações independentes
(coordenadas e intercaladas) mas ainda entre as dependentes (subordi-
nadas) que não exercem função sintática entre si:
Ouve e obedece aos teus superiores
que estudes
Espero e
{ que venças na vida

No primeiro exemplo há duas orações independentes que se coorde-
nam; no segundo, encontra-se uma principal (espero) que tem como
obI . eto direto as orações dependentes que estudes e que venças na vida.
Como se trata de orações que não exercem função sintática entre si,
podem-se coordenar.
Ocorre a coordenação entre orações subordinadas quando estas exer-
cem a mesma função sintática de uma principal.

OBURVAÇIO: A maioria dos tratadistas tem colocado em pontos opostos coorde-
naçdo e subordinação, mas um exame detido nos patenteia que a oposição que se

218
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deve estabelecer não é entre orações coordenadas e subordinadas, mas entre orações
independentes e dependentes. A coordenação é um processo de estruturação de
orações do mesmo valor sintático, quer sejam independentes (onde a equivalência é
permanente) ou dependentes (onde a equivalência se dá quando exercem idêntica
função sintática). Infelizmente a NGB, embora reconhecendo que "coordenadas entre
si podem estar quer principais, quer independentes, quer subordinadas% não rompeu

de uma vez Dor todas com a tradicional oposição que aqui pomos de lado.

Subordinação. - Chama-se subordinação à seqüência de orações em

Na seqüência subordinativa uma oração dependente pode ser termo

A ora ão se todos disseram é de endente da principal sei (é seu
o brin-

objeto direto) e principal de 2.a categoria de que não queria

quedo (objeto direto do verbo disseram).

Classificação das orações quanto à ligação entre si. - Além da clas-
sificação das oraçõ~s quanto às relações em que se acham dentro do
período, elas podem ainda ser divididas quanto à ligação em conectivas

SãO CONECnVAs as orações que, numa série coordenativa ou subord
dinativa, se acham ligadas à anterior por palavras especiais de conexão

Os conectivos são as conjunções Coordenativas (para a série coorde-
nativa), as conjunções subordinativas, os pronomes e advérbios relativos

"O juízo força a fortuna à obediência, ou escusa os seus serviços" (ID.

Não só estuda português mas ainda se aplica à matemática (coordenação enfática)

"Não admira que o juizo seja censurado, quando a loucura já foi elogiada" QY

"Divertimo-nos com os doidos na hipótese de que não o somos" (D).).

"A memória dos velhos é menos pronta porque o seu arquivo é muito extenso" (Im)
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"Nenhum homem é tão bom como o seu partido o apregoa, nem tão mau como
o contrário o representa" (ID.).
"Ain4a que perdoemos aos maus, a ordem moral não lhes perdoa, e castiga a
nossa indulgência (ID.).
"Se as viagens simplesmente instruíssem os homens, os marinheiros seriam os
mais instruídos" (ID.).
" Faz dó ver um homem tão Valente assim morto como se mata qualquer poltrão"...
(CAmiLo, O Bem e o Mal, 191).
"Para que os bens sejam mais duráveis, são os males que deles nos ensinam a
usar" (ID.).
"Quando saímos de nossa esfera, ordinariamente nos perdemos na dos outros".
"Não podemos fitar os olhos no solo, nem o pensamento em Deus, sem que fiquem
deslumbrados" (ID.).
"O luxo, assim como o fogo, tanto brilha quanto consome" (ID.).

2 - Através de pronomes e advérbios relativos:
" Ninguém duvida tanto como aquele que mais sabe" (ID.).
"Homens há como as serpentes que envenenam aqueles a quem mordem" (ID.).
"Depois da missa, o pastor acompanha os seus a Vila Cova, onde passava o dia"
(CAmiLO, O Bem e o Mal, 42).

O

SãO JUSTAPOSTAs as oraçoes que, numa série, não se ligam à anterior
por palavras especiais de conexão:

"É bem feiozinho, benza-o Deus, o tal teu amigo- (ALUISIO DE AZEVEDO).
"O amor cega a muitos, a fortuna deslumbra a todos" (M. DE MARICÁ).
"AS nações não morrem de velhas, as revoluções as remoçam" (ID.).
"Tratai bem ao vilão, êle i-os maltrata; tratai-o mal, então vos acata" (li).).
"Louvemos a quem nos louva para abonarmos o seu testemunho" (ID.).
"Quem não espera na vida futura, desespera no presente" (ID.).
"Não venios os defeitos de quem amamos, nem os primores dos que aborre-
CCIDOS" (ID.).
"A ordem pública periga onde se não castiga" (ID.).
"Sabeinos qual foi o nosso princípio, ninguém sabe qual será o seu fim" (ID.).
"Não sabemos quanto valemos e de que somos capazes: as ocasiões e circuns-
táncias no-lo fazem conhecer" (ID.).

Tivesse-me falado, tudo se arranjaria.
Não o vejo, há cinco semanas.
Espero sejas feliz.

A oração justaposta se separa da anterior ou se caracteriza:

a)por sinal de pontuação adequado, geralmente vírgula, como ocorre
nos exemplos 1, 2, 3 e 4;
b)por palavras de natureza pronominal ou adverbial intimamente rela-
cionadas com os relativos, mas sem referências a antecedentes, como
sucede nos exemplos 5, 6, 7 e S.

220
#





c)por palavra de natureza pronominal ou adverbial, de sentido indefi-
nido, que inicia uma interrogação indireta, como se verifica nos exem-
plos 9 e 10;

d)pelo contexto e entoação descendente, com o verbo no passado (geral-
mente no subjuntivo), conforme o exemplo 11;

e)pela oração subordinada adverbial temporal posposta à principal que
encerra os verbos haver e fazer, de acordo com o exemplo 12;

f) pela omissão do conectivo subordinativo, como no exemplo 13.

OBSERVA96ES :

1.a) Pelos exemplos aduzidos, vê-se que justaposição é um processo de ligação
de orações, e não uma natureza sintática que se pode por ao lado da coordenação e
subordinação, como imaginou o Prof. José Oiticica. Por outro lado, a justaposição
ocorre entre orações independentes e dependentes, entre coordenadas e subordinadas,
o que não nos permite aceitar a lição da NGB que só considera sindéticas (em nossa
nomenclatura corresponde a conectivas) e assindéticas (em nossa nomenclatura, a
justapostas) as coordenadas. Vimos que há também subordinadas sindéticas e assin-
déticas. Do ponto de vista de conexão interoracional se equivalem os seguintes
exemplos, independentes de sua natureza sintática:
Vim, vi, venci
Tivesse dinheiro, eu viajaria
Não o vejo há cinco semanas
Espero sejas feliz

2.a) De caso pensado separamos dos exemplos acima aqueles em que temos palavras
de natureza pronominal ou adverbial sem antecedente ou nas interrogações indiretas,
porque há mestres que vêem aí pronomes e advérbios relativos, bastando, para isso,
subentender uni antecedente adequado. Assim sendo, para tais estudiosos não estamos
diante de justaposição ou assindetismo. Não aceitamos esse modo de ver as coisas
porque, embora as estruturas apresentem paralelismo de sentido, não são idênticas
quanto à natureza sintdtica. Por outro lado, a adaptação para efeito de análise pode
mudar o plano morfológico do vocábulo.
EM: A Pessoa Para quem te diriges deve resolver o problema, QuEm é pron.
relativo (cujo antecedente é pessoa) e funciona como adjunto adverbial de dirigir-se,
razão por que se rege da preposição para. já no exemplo do M. DE MARicÁ: "A
vida é sempre curta para quem esperdiça e não aproveita o tempo", quem é pronome
indefinido e funciona como sujeito de esperdiça e nélo aproveita; a preposição para
não pertence à função sintática do quem, que não rege (pois é sujeito dos dois verbos),
mas à função sintática desempenhada por toda a oração iniciada pelo quem (objeto
indireto de opinião ou complemento nominal de curta, funções ambas que pedem a
preposição).
Transformar o pronome indefinido do exemplo acima em pronome relativo não
contraria o esquema semAntico, mas tira à nossa língua a possibilidade de apresentar
um pronome indefinido em missão quase-conexiva.
A crítica se estende à interrogação indireta, com a agravante de compêndios que
aceitavam as orações como substantivas terem dado porque, onde, como e quando
como conjunção integrante, criando, dessarte, um problema para uma classe de vo-
cábulos que não exerce função sintática, porque essas novas conjunções integrantes
serão adjuntos adverbiais dentro da oração a que pertencem.

221
#





Em língua portuguesa podemos, portanto, proceder à análise adotando qualquer
dos dois critérios, isto é, as orações serão substantivas (sem subentender antecedente)
ou adjetivas (subentendendo antecedente). Pelas razões expostas, adotamos o primeiro

3.a) Sobre o paralefismo de sentido em estruturas sintáticas de natureza diferente
são dignas de repetição as palavras de Mário Barreto: " ... cumpre-nos fazer notar
que essas duas formas diferentes (coordenação e subordinação) para os olhos ou para
o ouvido são equivalentes muitas vezes quanto ao sentido, e que uma frase de coorde
nação tem, não raro, no fundo uma contextura tão firme como se fosse formada de
membros estreitamente ligados por conjunções e pronomes relativos, que são os
-conectivos mais importantes com que ligamos asserções separadas, fazendo período do
que, sem eles, seria livre agregação de frases. Façamos notar enfim que predomina
em ou outro desses dois processos, conforme a índole do gênero literário, do assunto
.do escritor. Mostre-se aos alunos que se pode construir (1.0 grau): "O dia está
bonito; não temos que fazer; vamos passear", ou (2.0 grau): "O dia está bonito e
não temos que fazer; vamos, pois, passear". Enfim (3.0 grau, subordinação e período)
"porque o dia está bonito e porque nada temos que fazer, vamos passear". Outros
--- 1_

"O exército compunha-se de cem mil combatentes e ia comandado pelo rei" = "O
exército que ia comandado pelo rei, compunha-se de cem mil combatentes". "Era
inocente e condenaram-no" = "Condenaram-no, ainda que era inocente". "Meu
amigo tinha tido febre; não estava de todo restabelecido; tinha o rosto pálido e
triste" ou "meu amigo, que tinha tido uma febre de que não estava plenamente resta
belecido, tinha o aspecto triste"; ou, já que dispomos de não pequena variedade de
modos, "ele tinha o aspecto triste, porque havia tido" etc.; ou "o meu amigo, não
se tendo restabelecido de uma recente febre, tinha triste aspecto" e assim por diante
Os vários modos de exposição são expedientes para chamar mais especial atenção a
um ou outro aspecto de um fato e de suas causas; são antes um ornamento do que
um meio substancial da fala, e servem a um intento estilístico" (Factos da Língua

QUADRO SINOTICO DE CLASSIFICACAO DE ORACOV

subordinação ~

3 - INTERROGAÇÃO DIRETA E INDIRETA

já vimos (pág. 195) que a interrogação pode ser parcíal ou total
conforme pergunte por algum termo da oração que não seja o predicado,

Agora cabe-nos acrescentar que a interrogação pode ser estruturada
#





Chama-se interrogação direta aquela que é representada por uma
oração independente caracterizada por entoação interrogativa (isto é, tem
ascendente a sua parte final) e começada, se for parcial, por um vocábulo
interrogativo:

Que pensas disso?
Onde é a festa?
já saiu pela manhã?
Conseguiram resolver todos os problemas?

Chama-se interrogação indireta aquela que, não pedindo resposta
imediata, é representada por uma oração dependente destituída de
entoação interrogativa, começada pelos pronomes ou advérbios interro-
gativos quem, qual, que, quanto, como, porque, onde e quando, ou pela
conjunção integrante se :

Quero saber que pensas disso
Pergunto-lhe onde é a festa
Diga-me quando José saiu
Mostrei-te como conseguiram resolver todos os Problemas
Indagamos-lhe quem foi o responsável pelos prejuízos
Desconheço se foram felizes nas provas

OBSERVAÇõES:
1.a) Com exceção da conjunção se, as orações subordinadas na interrogação indi-
reta não se ligam à sua principal por vocábulo especial de conexão, o que nos levou
a colocá-las no grupo das justapostas (cf. 220-
2.a) "Sendo as expressões como, quanto, quão, que aplicadas tanto em frases
interrogativas como em frases exclamativas, casos há que se devem interpretar como
exclamações indiretas: Olha como ela chora. Bem sabes quanto me custa. Olha que
infinidade de moedas, etc. (SAID Am, Gram. Sec., 182).

4 - ORAÇOES COORDENADAS CONECTIVAS

Tipos de orações coordenadas conectivas. - As orações conectivas se-
caracterizam pelas conjunções coordenativas (cf. pág. 160) que as intro--
duzem e podem ser:

a) ADITIVAS:
"A nossa vaidade atraiçoa e revela freqüentes vezes a nossa incapacidade" (M.
de MARICÁ).
"A misantropia não é nem pode ser vício ou defeito da gente moça" (ID.).

b) ADVERSATIVAS:

"O estudo confere ciência, mas a medítqtlo, originalidade" (ID.).
"Na montanha goza-se mais, porém o vale é mais abrigado" (ID.).

223
#





c) ALTERNATIVAS:

"A mulher douta ordinariamente ou é feia, ou nienos casta" (ID.).
"A imaginação ora aterra, ora diverte a razão para melhor a domiiiai" (ID.).

d) CONCLUSIVAS:

e) EXPLICATIVAS:

O dia está agradável, por isso devemos aproveitá-lo.
José zangou-se comigo, portanto ndo o cumprimentei.

Estude, que todos passarão a apreciá-lo.
Desapareceu, pois não o encontrei em nenhum lugar.
"Os criados inocentes e impecáveis nesta matéria - por isso que zelavam a
fidalguia de seu amo contra o plebeísmo do sobrinho de mestre Antônio - juraram
de espreitar os passos de Casimiro. . . " (CAMILO, O Bem e o Mal, ed. Casassanta, 85) (*).

5 - ORAÇõES INTERCALADAS

O que denotam as orações intercaladas. - As orações intercaladas
- como simples elementos adicionais de esclarecimento - não vêm em
geral introduzidas por conjunção (as que aparecem possuem mero valor
éstilístico intensivo) e podem denotar:

a)ADVERTÊNCIA: quando esclarece um ponto que o falante julga indis-
pensável:

Tudo - nesse tudo etí incluo as maiores esperanças - foi em vão.

b)CiTAçõEs: quando encerra a pessoa que Profere a declaração a que
nos referimos:

Vá embora! - exclamou o Policial.
Não peço nada a ninguém - atalhou o iringo.

c) DESEJO: quando traduz um desejo (bom ou mau) do falante:

"É bem feiozinho, benza-o Deus, o tal teu amigol" (ALUISIO DE AZEVEDO)'
O teu primo - raios o partam! - pôs-me de cabelos brancos.

d) ESCUSA: quando o falante aprot?eita a ocasião para se desculpar:

"Pouco depois retirou-se; eu fui vê-la descer as escadas, e não sei por que fenô-
meno de ventriloquismo cerebral (perdoem-me os filólogos essa frase bdrbara) mur-
murei comigo..." (M. DE Assis, Brás Cubas, 325).

(9) A rigor melhor seria evitar a bipartiçáo em coordenadas expIlcativas e subordinadaç
causais - com que e porque ~, uma vez que alo muito frágeis os critérios usados para tal
distinção. Cf. nossas Lições de Português, 4.a ed., pág. 134, nota.

224
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e) OPINIÃO: quando o falante aproveita o ensejo para opinar:
João - como era bom! - gostava de nos levar a passeios.
A poesia - diga-se antes a asnice - ocupava dez repletas páginas de papel.

PERMISSÃO: quando o falante se serve da oportunidade para solicitar
algo:
"Meu espírito (permita-me aqui uma comparação de criança), meu espírito era
naquela ocasião uma espécie de peteca" (M. DE Assis, Ibid., 282).

g)RESSALVA: quando o falante aproveita a ocasião para fazer uma
ressalva:
Os livros, pode-se bem dizer, são o alimento do espírito.
"Cobiça de cátedras e borlas que, diga-se de passagem, Jesus Cristo repreendeu
severamente aos fariseus". (CAMiLO, Boêmia do Espírito, 300).
"Daqui a um crime distava apenas breve espaço, e ela o transpôs, ao que parece"
(A. HERCULANO, Fragmentos, 123).
Ele, que eu saiba, nunca veio aqui(l).

6 - ORAÇOES SUBORDINADAS

Substantivas

Funções sintáticas exercidas pelas substantivas. - As orações subor-
dinadas substantivas são aquelas que exercem, em relação à sua principal,
as funções sintáticas específicas de um substantivo, que são:

a) SujEiTo
(a oração se diz sub-
jetiva)

b) OBJETO DIRETO
(a oração se diz obje-
1~ tiva direta) í

Não se sabe se tudo vai
bem
1 - Conectivas(2) É bom que estudes
Cumpre que venhamos
cedo

Quem tudo quer tudo
2 - justapostas perde.
Não se descobriu quem
{ veio aqui

ConectivasEsperamos que nos ajudem
{ Desconhecemos se vieram

2 - justapostas

Não sabia como fazer o
problema
Ele procurava quem o pu-
desse ajudar

(1) Com seus alunos deve apenas o professor insistir na conceituaçAo de oração intercalada,
desprezando minúcias de dassificaçâo.
(2) As subordinadas substantivas conectivas se introduzem pelas conjunçMs integrantes.

225
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C) OBJETO INDIRETO
(objetiva indireta)

' I - Conectivas f

2 - Justapostas

d) PREDICATIVO 1 - Conectivas
(a oração se diz pre-
dicativa){ 2 - Justapostas

C) COMPLEMENTO NOMINAL
(oração completiva no.
minal)

Precisas de que te Protejam
Esquecem-se de que tinham
feito mal o serviço

Precisas de quem te pro-
teja
Deu-se o prêmio a quantos
o mereciam

A verdade é que todos
saíram

I - Conectivas

[ 2 - Justapostas

Ele era quem menos re.
clamava

Estava receoso de que tudo
acabasse mal
Tinha medo de que fugís.
{ semos

Estava receoso de quem o
prendesse
Tinha necessidade de quan-
tos dele se aproximavam

1)APosTO (a oração é sempre justaposta; em virtude de uma contaminação sintática,
pode trazer uma conjunção expletiva (U. pág. 332).

~orardo apositiva):

· sua resposta foi esta: nio me agrada muito.
· sua resposta foi esta: que nio me agrada muito.

Características das orações substantivas:

1.a) Não trazem, no seu início, preposição necessária as subjetivas,
objetivas diretas, predicativas e apositivas. Vêm iniciadas por preposição
necessária (que se pode omitir) as objetivas indiretas e completivas
nominais.

2.a) A oração subjetiva tem o verbo de sua principal na 3.a pessoa
do singular e num destes três casos:

a) Verbo na voz passiva

1) PRONOMINAL (verbo + pronome se): Sabe-se que tudo vai bem.
2) ANAUTICA (Ser, estar, ficar + particípio): Ficou provado que tudo vai bem.
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226
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substantivo
b) Verbo ser, estar, ficar + ou
{ 'adjetivo
É verdade que resolvemos o contrário.
Foi bom que compreendessem a situação.
Estd claro que concordarei.
Ficou certo que me avisaria.

c)Verbo do tipo de parece, consta, urge, ocorre, corre, importa, convém,
cumpre, dói, punge, acontece, etc.
Parece que tudo acabará bem.
Urge que insistas no caso.
Convém que saiamos cedo.

3.a) A oração predicativa aparece depois do verbo ser, completando-o:
A verdade é que resolvemos o contrário.

OBSERVAÇÃO: Por uma pessoalização do verbo parecer (cf. acima, 2.a. c), a predi-
cativa vem como complemento deste verbo no seguinte exemplo do M. de MAItMA:
"Nunca nos esquecemos de nós, ainda quando parecemos que mais nos ocupamos
dos outros".

4.8) A oração completiva nominal, como o nome indica, é comple-
mento de substantivo ou adjetivo, enquanto a objetiva indireta é com-
plemento de verbo :

substantivo,,,. completiva nominal
adjetivo - + preposição + oração <
verbo-~-~

Adjetivas

objetiva indireta

Função sintática exercida pelas adjetivas. - As orações subordinadas
adjetivas são aquelas que exercem a função sintática de adjunto adnominal
de um termo da sua principal:

1) Conectivas (as adjetivas conectivas se introduzem por pronome
ou advérbio relativo com antecedente):
"Velhos há que bem merecem ser comparados aos vulcões extintos" (M. DE MARICA).
"Há muita gente para quem o receio dos, males futuros é mais tormentoso que o
sofrimento dos males presentes" (ID.).

2) justapostas (cf. pág. 219):
"Não vemos os defeitos de quem amamos, nem os primores dos que alÁrre-
CCMOS" (ID.).
"Não se pode formar bom conceito de quem nêlo tem boa opinião de pessoa
algitma" (ID.).

227
#





Adjetivas ~estritivas e explicativas(i). - As orações adjetivas podem
ser restritivas ou explicativas. Chamam-se restritivas as que servem para
delimitar ou definir melhor o seu antecedente, o qual, sem o concurso
da oração adjetiva, pode ou não fazer sentido ou dizer coisa diferente do
que se tem em mente:

-É triste a condição de um velho que só se faz recomendável pela sua longe-
,,i(lade" (ID.).

A adjetiva se diz explicativa quando encerra uma simples explicação
ou pormenor do antecedente, uma informação adicional de um ser que
se acha suficientemente definido, podendo ser omitida sem prejuízo:

Iracema, que é um romance, foi escrito por José de Alencar.

Difere ainda a adjetiva restritiva da explicativa, porque a primeira
empresta ao antecedente um sentido particular (trata-se de um dentro
de uma série) e a segunda um sentido universal (trata-se de um só).
Assim, no seguinte passo do M. de Maricá:

"A desgraça, que humilha a uns, exalta o orgulho de outros",

trata o autor da desgraça de um modo geral, sendo a oração que humilha
a uns adjetiva explicativa. Se, por outro lado, estivesse escrito:

A desgraça que humilha a uns exalta o orgulho de outros,

tratar-se-ia de mais de uma desgraça, e se fazia referência somente àquela
que humilha a uns.

Acentua o aspecto de oração explicativa a maior pausa que se faz ao
proferi-la; trata-se da entoação suspensiva ou pausal de que nos ocupa-
mos na pág. 195. A explicativa acima seria lida da seguinte maneira:

A desgraça, que humilha a uns, exalta o orgulho de outros.

A forte pausa, neste caso, é representada na escrita pondo-se a oração
explicativa entre vírgulas.
A adjetiva restritiva, para denotar que o seu antecedente se apresenta
como pertencente a uma classe, ocorre com freqüência depois de um super-
lativo ou de palavra de sentido restrito como todo, algum, nenhum, o,
aquele, etc.:

"O perdão conferido aos maus torna cúmplices os que lho deram" (ID.).
"Ninguém duvida tanto como aquele que mais sabe" (ID.).

(1) Com razão, a Nomenclatura distingue estes dois tipos de orações adjetivas, fato que
nos interessa para problemas de equivaléncia estilística e de pontuação. A distinção ainda é
útil no estudo de línguas estrangeiras que empregam relativos diferentes para uni e outro caso.
Em ínglés, o relativo that caracteriza a restrítiva, enquanto who (whom) aparece na explícativa.
Cf. ONtoNs, Advanced English Syntax.

228
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Por fim, cabe lembrar que a adjetiva explicativa que é constituída de
predicado nominal, se pode transformar num aposto explicativo:

· primavera, que é a estação das flores, prometé chegar radiosa.
· primavera, a estação das flores, promete chegar radiosa(l).

Outros sentidos da oração adjetiva. - A oração adjetiva não denota
apenas uma qualificação do antecedente, mas ainda pode adquirir sentido
de fim, condição, causa, conseqüência, concessão ou sentido adversativo :

1 "O general mandou parlamentares que pedissem tréguas" (ANTENOR NASCENTES,
Dificuldades de Análise Sintática, 26).
"Tu que és bom, deves ajudar-me nesta campanha (que és bom = porque
és bom).
"Com palavras soberbas o arrogante
Despreza o fraco moço mal vestido
Que rodeando a funda o desengana
Quanto mais pode a Fé que a força humana" (CAMõES, Os Lusíadas, 111, 111.
Diz Epifânio Dias no comentário: oração adjetiva "tem sentido adversativo").

Adverbiais

Função sintática exercida pelas adverbiais. - As orações subordi-
nadas adverbiais são aquelas que exercem a função sintática de adjunto
adverbial.
Quanto à ligação as orações adverbiais podem ser, como vimos, justa-
postas ou conectivas, sendo que estas últimas se introduzem Pelas con-
junções subordinativas adverbiais (cf. pág. 161).
De acordo com a circunstância que exprimem temos orações
adverbiais:

a) de AGENTE DA PASSIVA (justaposta):
Foi enganado por quem menos esperava (2).

b) CAUSAIS:

"A memória dos velhos é menos pronta porque o seu arquivo é muito extenso"
(M. de MAIUCÁ).
"Como os sábios não adulam os povos, também estes os não promovem" (ID.).

(1) A característica essencial da adjetiva restritiva é o apresentar o antecedente como
pertencendo a uma classe (sentido particularizante), enquanto a da explicativa é apresentar o
antecedente num sentido universal. Assim sendo, não se pode dizer, como o fazem muitos
autores, que a restritiva é "a que exprime qualidade acidental do ser-, e a explicativa "exprime
qualidade própria inerente do ser". Nos exemplos:
· desgraça, que humilha a uns, exalta o orgulho de outros
· desgraça que humilha a uns exalta o orgulho de outros
evidencia-se a precariedade da liçâo que criticamos.
(2) Não consta da NGB.

229
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C) COMPARATIVAS

f A) assimilativas

1 - de igualdade
B) quantitativas 2 - de superioridade
{ 3 - de inferioridade

A) AssiMILATIVA: "Os governos tendem à monarquia como os corpos gravitam para
o centro da teir " (ID.).
"O homem prudente se humilha pela experiência, como as espigas se curvam por
maduras" (ID.).

11) QUANTITATIVAS:
1 - de igualdade: "Nenhum homem é tão bom como o seu partido o apregoa,
nem tão mau como o contrdrio o representa" (ID.).
"Somos tão vários nas nossas opiniões, quanto são vdrias as circunstdncias em que
nos achamos" (ID.).
2 - de superioridade: É mais útil algumas vezes a extirpação de um erro,
que a descoberta de muitas verdades" (ID.).
"Dâo-se os conselhos com melhor vontade do que geralmente se aceitam".
3 - de inferioridade: "A sabedoria humana bem ponderada vale sempre menos
do que custa" (ID.).

OBSERVAÇõES :
1.a) na locução outro que tal (e flexões), como bem viu Júlio Moreira (Estudos,
1, 2, 51-56), o que representa o advérbio latino acque, a modificar e reforçar o
vocábulo tal, constituindo uma expressão mais enfática do que outro tal, outro tão
bom como ele (em bom ou mau sentido):
"que nin é fugisse de suas casas, nem viesse para a rua fazer assuada, alga-
ul U in
zarras, OU ou ras que tais manifestações de desordem e descontentamento" (CAMILO,
Carlota Angela, 142).
2.a) É freqüente o*emprego da locução elíptica ser como alguém ou algo, não
se precisando fazer de como o introdutor de uma oração comparativa: "... mil anos
diante de Deus são como o dia de ontem que passoW (Pe. MANUEL BERNARDES).
3.a) A comparativa hipotética se traduz por como se, que também se pode des-
dobrar em duas orações: Estudou como se fôsse passar.

d) CONCESSIVAS:

1 - Conectivas:
,,o extraordinário também é natural, ainda que raro ou menos freqüente" (M.
de MAiucÁ).
"Por mais sagaz que seja o nosso amor-próprio, a lisonja quase sempre o
engana" (ID.).
OBsERvAçÃo: O professor MARTINz DE AGULAR é de opinião que o que, neste
último caso de concessiva intensiva (cf. pág. 162), seja pronome relativo em referéncia
ao adjetivo (sagaz) e a oração (adjetiva, agora) é constituída por que seja.
"Talvez cinco beijos; mas dez que fossem não queria dizer coisa nenhuma"
(M. DE Assis, Brás Cubas, 128).
"Se fizeres terceira edição, deves purificá-la das palavras mesmo como advérbio ,
posto que tenhas um exemplo em Cambes e outro em D. Francisco Manuel de Melo
(CAMILO, Correspondência Epistolar, 11, 167).

230
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- justapostas: (têm o verbo no subjuntivo anteposto ao sujeito
ou são caracterizadas por expressões do tipo digam o que qu s
o que custar, dê onde der, seja o que for, aconteça a, que acontecer, venha

"Se os homens não tivessem alguma cousa de loucos seriam incapazes de heroismo

"O arrependimento, se não re-bara o feitio, previne a reincidência" (ID.).

"A agrura das montanhas e a profundeza dos vales das Astúrias demorarão os
inimigos quando eu haja de perecer e não puder embargar-lhes os passos" (HERCULANO,
Eurico, 215 apud EPIFÂNIO, Sint. hist. õ 397, que ensina: "as orações de quando são
propriamente condicionais, quando a oração subordinante diz o que há de, ou havia
de acontecer em um caso (indicado na oração de quando), cuja realidade não é

Sem que eu volte para 10 (G. DIAS, Obras poéticas, 1, 22. ed. M. BANDEIRA

Com se é que denotamos enfaticamente a hipótese de caráter

"Acabei de conhecer quão mal entendido é o vosso escrúpulo e o vosso temor
se é que o tendes" (A. VIEIRA, Sermões, VII, 65 apud EPIFÂNIO, loc. cit., õ 37, a)

2 - Justapostas (têm 6 verbo no tempo passado: m.-q.- perfeito do

ind. ou imperf. do subjuntivo, geralmente com sujeito posposto)

"Eu quisesse, à força, hoje mesmo a Ritinha vinha comigo" (J. GUIMARÃES ROSA

As orações condicionais não só exprimem condição, mas ainda podem
encerrar as idéias de hipótese, eventualidade, concessão, tempo s q
muitas vezes se tracem demarcações rigorosas entre esses vários campos do

(1) Não é o subjuntivo que de per si denota a concessão, mas a maneira de estruturaçáo
o contexto e a entonaçâo descendente. Devo esta observaçâo ao sintaticista alemão Moritz Re-
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f) CONFORMATIVAS:

11 E começou (D.Plácida) a rir, a desdizer-se, a chamar-se tola, "cheia de fi-
dúcias", como lhe dizia a mie" (M. DE Assis, Brds Cubas, 202).
Fez a redação conforme exigiu o professor.
Viajou conforme o pai determinou.

g) CON~ECUTIVAS:

"Os vícios são tão feios que, ainda enfeitados, não podem inteiramente dissimular
a sua fealdade" (M. de MARICÁ).
"Vive de maneira que ao morrer não te lastimes de haver vivido" (W.).
"Há segredos, de natureza tal, que é imperdodvel imprudência o descobri-los" (ID.).
"Devemos regular a nossa vida de modo que possamos esperar e não recear
depois da nossa morte" (h).).

Através de expressões; como de tal maneira, de tal forma, de tal modo,
de tal sorte, postas na oração principal, a consecutiva passa a denotar que
se deve a conseqüência ao modo pela qual é praticada a ação anterior.

Estando completo o sentido da primeira oração, empregamos as ex-
pressões acima (destituídas de tal) como locuções conjuntivas, sem pausa
entre o substantivo e o que, para introduzirem uma consecutiva atenuada,
quase coordenada conclusiva:

Você estudou bem, de modo que pôde responder às perguntas (de
modo que passou a constituir um todo, pertencente à segunda oração).

OBSERVAÇÃO: Constitui erro por no plural o substantivo de de modo que, de
maneira que:

Estudou de maneiras que conseguiu aprovação.

h) FINAIS:

I - Conectivas:

"Fiz-lhe sinal que se calasse" (M. nE Assis, Brds Cubas, 309).
"Garcia Bermudes antes... de ter disposto tudo para que nenhum dos cavaleiros
que deviam assistir ao banquete pudesse afastar-se do castelo..." (A. HERCULANO,
O Bobo, 158).
"... alumiai meus olhos com vossa luz divina, porque (= para que) sempre veja
e entenda as verdades da sabedoria de vossa Cruz" (T. DE JEsus, Trabalhos, 11, 201).
"Deixai-me só - disse frei Jacinto - e convidai o abade a que me socorra com
os sacramentos" (CAMiLO, A Bruxa de Monte-Córdova, 164).

Pode haver um liame estreito entre a oração consecutiva e a final
quando a conseqüência denota um efeito ou resultado intencional:

Chegou cedo ao serviço de maneira que pudesse ser elogiado pelo patrão.

232
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A idéia de finalidade é responsável pelo aparecimento da preposição
a em locuções modernas do tipo de modo a que, de maneira a que e
semelhantes:

Chegou cedo ao serviço de maneira a que pudesse ser elogiado pelo patrão (~).

2 - Justapostas:

Cala te já, minha fijha
. Ninguém te oiça mais falar" (= para que ninguém te oiça; GARRETT, Roman
cetro 1 XI, 83).
"Senhor, que estás no céu, e vês as almas,
Que cuidam, que propoem, que determinam,
Alumia minha alma, não se cegue (= para que não...
No perigo, em que está" (ANTÔNio FERREiRA, CASTRO, vv. 770-773, apud S. SILVEIRA,
Lições, õ 485-a).
"Mudemos, porém, de tecla, não vá alguém julgar-me para que não vá)
candidato a revisor de gralhas" (CÂNDIDO DE FicUEIREDO, Combate sem Sangue, 231
apud M. BARRETO, Oltimos Estudos, 321).

Esta construoo de não + subjuntivo para denotar finalidade se
aproxima da latina ne por ut ne, quando se quer exprimir a cautela, a
precaução, o cuidado, a restrição:

"Hoc sustinete, maius ne venial, malum" (FEDito, 1, 2, apud M. BAPRETO, ibid.,
= sportai este mal para que não venha outro maior).

i) LocATivAs: Gustapostas, iniciadas por onde, quem, quanto sem refe-
rência a antecedente):

"Os meninos sobejam onde estilo, e faltam onde nélo se acham" (M. DE MAitiCÁ).
"Não pode haver reflexão onde tudo é distração" (ID.).
"Onde o luxo cresce, a probidade afraca e desfalece" (ID.).
Afastava-se de quem o recriminasse (2).

i) MODAIS:

"De um relance. leu na fisionomia do mancebo, sem que suas pupilas extdticas
se movessem nas órbitas" (J. DE ALENCAR, Sertanejo, 157, ed. Melhoramentos) (2).

1) PROPORCIONAIS:

"O anão, quanto mais alto sobe, mais pequeno se afigura" (M. DE MARICÁ).
"Tanto cresce o poder dos homens, quanto aumenta o seu saber" (ID.).
"Quanto menor é o juizo dos povos, tanto maior deve ser o dos que os go-
vernam" (ID.).

(1) M. BAaazTo (Novos Estudos, 2, 340) acredita que tenha havido uma contaminaçáo
sintática de "de modo que" com "de modo a". Creio, entretanto, que bastou, para o caso, o
matiz de finalidade que envolveu a locução.
(2) Não consta da NGB.

233
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"O instinto nos homens enfraquece à medida que a sua T4Z90 Cresce, vigora e
se desenvolve" (ID.):
"Os seus ditos satíricos, ao passo que suscitavam a hilaridade dos cortesões, faziam
sempre uma vítima" (A. HERCULANO, o Bobo, 29).

m) TEmpoitms:

1) Conectivas:
"Há muitos homens que parecem dignos de grandes empregos enquanto os não
OCUP4M" (M. DE MARICÁ).
"Calculamos sempre mal quando prescindimos das circunstdncias" (ID.).
"Enquanto assim pensava, íamos devorando caminho, e a planície voava debaixo
dos nossos pés, até que o animal estacou..." (M. DE Assis, Brás Cubas, 20).
"Os senhores e cavaleiros, apenas a rainha Partira, se haviam espalhado pela sala
do banquete e pela sala d'armas" (A. HERCULANO, O Bobo, 161).
"Tanto que desapareceram, ele abriu às apalpadelas a porta exterior da sua
pocilga ... " (ID., ibid., 201).
"Eis senão quando entra o patrão, com aqueles modos decididos..." (A. ARINOS,
Pelo Sertão, 3.a ed., 183).

2) Justapostas:

"ao pé de uma destas colunas, no lado,oposto da sala três personagens falavam
também havia largo tempo..." (A. HERCULANO, ibid, 42).
Não o vejo faz seis meses.

OBSERVAÇÃO: Por um processo de grama tica lização, há autores que consideram a
justaposta como simples adjunto adverbial, sem formar oração à parte (A. NASCENTES).

Transposta para o início do período a oração que expressa a idéia
temporal, aparece um que que tem tido interpretação vária:
"Muito havia já que era noite..." (A. HERCULANO, ibid., 154).
Faz seis meses que não o vejo.

De três maneiras podemos analisar a 2.a oração:

a) considerar o que conjunção temporal e, portanto, adverbial a oração
(é a opinião mais generalizada);
b) considerar que os verbos haver e fazer não estão empregados impessoal-
mente, sendo o que conjunção integrante e, portanto, substantiva sub-
jetiva a oração por ele introduzida (o fato [não o ver] faz [ = completa,
tem] seis meses); esta análise não se enquadra tão bem em relação ao
verbo haver pelo inusitado de semelhante construção em nosso idioma
(é a opinião de Maximino Maciel, Mário Barreto, Martinz de Aguiar,
Cândido jucá Filho);
c) considerar o que expletivo, memorativo, dentro da oração principal, da
circunstância temporal da oração anterior; continua a haver justaposi-
ção (é a opinião de Sílvio Elia, e a que julgo boa).

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Os adeptos da explicação a) e b) acreditam na pura elipse do que
subordinativo em construções como não o veio faz seis meses.

OBSERVAq6ES:

1.a) Realça-se a idéia temporal do verbo haver através da prep. de em linguagens
do tipo: "... eu afirmo que o Sr. Camilo Castelo Branco sabe, sabe muito bem,
porque de hd muito tempo lhe são familiares livros..." (OLIVFMU MARTINS apud
CAMILO CA~ BRANco, Boêmia do Espírito, 38).
2.4) Empregam-se como substantivos hd muito, hd pouco, hd tantos anos, etc.,
que precedidas da preposição de, valem como locução adjetiva, (adjunto adnominal):
"Eu conhecia dos escritores de hd vinte e cinco anos a opulência_" (CAMILO,
Boêmia do Espírito, 8); "Vim para conversar com os fantasmas dos meus amigos e
comensais de hd trinta anos" (ID., ibid, 17).
3.2) Em lugar de quando foi a vez dele diz-se também, modernamente, quando
foi da vez dele ou, abreviadamente, quando da vez dele. Ocorre ainda a quando de
(a quando da vez dele).
4.a) Em muitos dizeres de sentido temporal, "há tendência, bem notória hoje
em dia, para confundir que conjunção com que pronome relativo, e para afirmar
este caráter pronominal em certos casos hoje se prefere em que ao simples que da
linguagem antiga" (SAm ALI, GiPamíÍtica Secunddria, 197). Dá-se a alternAncia que 1
em que quando o substantivo, que se considera como antecedente vem precedido da
preposição em. Assim se prefere dizer ao mesmo tempo que, a tempo que, ao tempo
que, mas no tempo que (ou em que), no dia que (ou em que), etc. Tem-se em-
pregado abusivamente em que em construções onde a tradição do idioma só emprega
que, como: todas as vezes em que (prefira-se todas as vezes que) ou em todas as
vezes em que (ou apenas que).
5.a) Por vezes, nas asserções gerais, a oração iniciada por quando muito se
aproxima pelo sentido da introduzida pela condicional se. "Não se é pobre, quando
se tem saúde" (EPIFÂNIO, Sint. Hist., õ397-b).

7 - ORAÇOES REDUZIDAS

Que é oração reduzida. - Chama-se oração reduzida aquela que tem
o seu verbo numa forma nominal, isto é, no infinitivo, gerúndio ou
particípio.

"A mocidade se expande para conhecer o mundo e os homens (= para que
conheça... ), a velhice se contrai por havê-los conhecido (= porque os conheceram)"
(M. DE MARICÁ).
"Ganhamos freqüentes vezes perdoando oportunamente" (ID.).
"Varrida a testada a Latino Coelho da mazela que lhe irrogou o mestre, ainda
menos me custará tirar da minha a assacadilha, que me pôs (R. BARMA, Réplica, 101).

OBSERVAÇõES :
1.a) A oração reduzida não vem introduzida por conectivo; mas é preciso 'acentuar
que não é a falta dele que a caracteriza como tal. Orações há desprovidas de conectivo
que não são reduzidas. É a forma nominal do verbo que nos indica ser reduzida
a oração.

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2.a) Havendo locução verbal, é o auxiliar que indica se estamos ou não diante
de uma reduzida, e qual o seu tipo. Dessarte, não constituem orações reduzidas os
seguintes exemplos: estamos viajando, precisamos viajar, tem viajado, porque o
auxiliar não se acha representado por uma forma nominal. Por outro lado, tendo
de viajar é uma reduzida de gerúndio, acabado de fazer é de particípio e estando
sofrendo é de gerúndio.

De modo geral, toda oração reduzida pode ser desdobrada numa cor-
respondente de verbo na forma finita e introduzida por conectivo:

Ao terminar a aula, sairemos = logo que a aula termine, sairemos.

O emprego de reduzidas, por desenvolvidas e vice-versa, quando feito
com arte e bom gosto, constitui um dos recursos para emprestar ao dis-
curso elegáricia e eficiência.

As orações reduzidas podem ser independentes (coordenadas) ou de-
pendentes (subordinadas), sendo inais freqüentes as deste último grupo.

Orações reduzidas independentes (coordenadas). - As orações redu-
zidas independentes (coordenadas) apresentam o seu verbo:

a)no infinitivo precedido da preposição sobre, ou da loc. além de quando
exprimem adição enfática:

"É que as toucas e lencinhos pudibundos, sobre não serem enfeites mui sedu-
tores, algumas vezes tornam a virtude rançosa..." (CAM1LO, A Queda dum Anjo, 111).

b)no gerúndio, quando, exprimindo um fato imediato, equivalem a uma
oração desenvolvida introduzida pela conjunção e :

"Recebeu a jóia, entregando-a (= e entregou-a) depois à esposa" (SA11) ALI,
Gram. Sec., 247).

Orações reduzidas dependentes

A) SUBSTANTIVAS:

Têm normalmente o verbo (principal ou auxiliar) no infinitivo:

a) Subjetiva:
"Não é dado ao saber humano conhecer toda a extensão da sua ignorância-
(M. DE MARICÁ).
"Agora mesmo, custava-me responder alguma coisa, mas enfim contei-lhe o motivo
da minha ausência" (M. DE Assis, Brás Cubas, 208).

b) Objetiva dirçta:
"Atores por breve tempo no teatro deste mundo, os homens fazem rir e chorar
a muita gente" (li).).

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c) Objetiva indireta:
"A felicidade do velho achacado é negativa, consiste em não sofrel` (ID.).

d) Predicativa:
"A maior loucura política é ampliar a liberdade a quem não tem suficiente
capacidade para usar dela" (ID.).

e) Apositiva:
"Dois meios havia em seguir esta empresa: ou atacar com a armada por mar, ou
marchar o exército por terra e sitiar aquela cidade" (A. HERCULANO, Fragmentos, 69).

f) Completiva nominal:
"Os imprudentes e estouvados ofendem a muita gente, sem intenção nem pro-
pósito de ofender a pessoa alguma" (ID.).

OBSERVAÇõES :
J.a) Por vezes a oração reduzida substantiva subjetiva ou objetiva direta tem o
seu infinitivo precedido de preposição expletiva: "Desaire real seria de a deixar
sem prêmio" (A. GARRETT, Cam6es, 122); "Custou-lhe muito a aceitar a casa" (M.
DE Assis, Brás Cubas, -94); Mostrou-se pesarosa de o encontrar, e prometeu de voltar
hoje às três horas" (CAmim), A Queda dum Anjo, 118); "A civilidade ensina a
dissimular para não ofender" (M. DE MARicÁ).
2.2) A oração substantiva reduzida de infinitivo pode vir precedida de artigo
ou pronome demonstrativo, mormente se a oração funciona como sujeito, objeto ou
predicativo, quando se deseja ressaltar a ação expressa pelo infinitivo: "Custa mais
trabalho a muitos o tornar-se desgraçados do que a outros fazer-se afortunados" (M.
DE MARICÁ).
3.a) "No port. moderno, em lugar de se dizer simplesmente, v.g.: O estar todo
o estrangeiro exposto a ser preso, basta para provar que...,*é corrente empregar-se
uma perífrase com fato, circunstdncia, e dizer-se: O fato de estar todo o estran-
geiro, etc. (em francês, onde não há orações infinitivas, tem de ser necessariamente:
le fait que tout étranger était exposé à être arrété suffit à prouver que). Tal prática,
bem que possa ser taxada de galicismo, serve, às vezes, de evitar durezas de estilo"
(EMÂNIO, Sint. Histórica, õ363).

B) ADJETIVAS:

Têm o verbo (principal ou auxiliar) no:

1) Infinitivo
"O orador ilhavo não era homem de se dar assim por derrotado" (A. GARRET-r
apud EPIFÂNIO, Sint. Hist., õ308).
"Nossa teoria fora a primeira a cair por terra..." (A. HERCULANO, OpúSCUIOS,
IX, 70).

OBSERVAÇõES :
1.a) Constitui imitação do francês empregar-se em sentido qualitativo um infi-
nitivo precedido das preposições a ou para (por exemplo livros a consultar, roupa
para consertar), em lugar de uma oração adjetiva iniciada por pronome relativo. A
construção aparece, embora sem freqüência, em bons escritores modernos: "Qual é
a ilação a deduzir destas considerações e destes fatos?" (HERCULANO apud EPIFÀNIO,
Sint. Hist., õ 304).

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2) Certindio, indicando de um substantivo ou pronome:

a) uma atividade passageira, dentro de curto período e em determinada
situação:

"... cujos brados dos selvagens da guerra começavam a soar ao longe como um
trovão ribombando no vale" (A. HERcuLANo, O Bobo, 218).
"Realmente, não sei como lhes diga que não me senti mal, ao pé da moça,
trajando garridamente um vestido fino" (M. DE Assis, Brás Cubas, 260).
Água fervendo

Vale o gertindio, nestas circunstâncias, por uma expressão formada
pela preposição a + infinitivo: água a ferver.

b) uma atividade permanente, qualidade essencial, inerente aos seres,
própria das coisas (Said Ali):

"O livro V, compreendendo as leis penais..." (LATINO COELHO, História Politica
e Militar de Portugal, 1, 288).
"Decreto de 14 de fevereiro de 1786, proibindo a entrada das meias de seda que
não fossem pretas, e decreto de 2 de agosto de 1786, suscitando a observância e
ampliando o cap. W' (ID., ibid., 298).
"Algumas histórias, digo, comédias havia com este nome contendo argumentos
mal . s sólido0 (FRANCISCO JOSÉ FREIRE apud SAM ALI, Gramática Histórica, 11, 1,552).

OBSMVAÇÃO: Autores há (Epifânio Dias, Júlio Moreira, Leite de Vasconcelos,
Mário Barreto, entre outros) que condenam o emprego do gerúndio em oração adjetiva,
e propõem sua substituição por uma oração iniciada pelo relativo ou por preposição
adequada:

Livro contendo gravuras
Livro que contém gravuras
Livros (com, de) gravuras

Outros mestres (Said Ali, Otoniel Mota, E. Carlos Pereira, Cláudio Brandão,
entre outros) não vêem erro em tal emprego, mas uma extensão natural do gerúndio
que passou a acumular as funções do particípio presente, que desapareceu do nosso
quadro verbal.

3) Particípio

"D. Afonso Henriques, ajudado por uma armada de cruzados, conquistou Lisboa-
(A. COELHO, Noções Elementares de Gramática Portuguesa, 121).

OBsERvAçÃo: Em muitos casos se pode considerar o particípio por mero adjetis-o,
simplificando assim a análise. É deste parecer Adolfo Coelho que nos ensina: "O&
particípios passivos só constituem proposição quando não estão ligados a um subs-
tantivo (ou expressão equivalente) duma proposição que tem verbo próprio, e têm
portanto sujeito próprio: no caso contrário são simples atributos (adjuntos adno-
minais), como nos exemplos seguintes: As obras escritas por Camões são o maior
tesouro dos portugueses. D. Afonso Henriques, ajudado por uma armada de cruzados,
conquistou Lisboa" (ibid.).

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C) ADVERBIAIS:

de, etc.:

Têm o verbo (principal ou auxiliar) no:

1) Infinitivo (caso em que normalmente se emprega precedido de pre-
posição adequada):

a) Causais: com as preposições e locuções prepositivas com, em, por,
visto, à força de, em virtude de, em vista de, por causa de, por motivo

"Porém, deixando o coração cativo,
Com fazer-te (= porque te fizeste) a meus rogos sempre humano" (S. RITA
DuRÃo, Caramuru, c. VI).
"Há povos que são felizes em não ter (= porque não têm) mais que um só
tirano" (M. DE MARICÁ).
"Trazia a carta comigo, já bastante amarrotada, talvez por havé-la lido a muitas
outras pessoas" (M. DE Assis, Brds Cubas, 86-7).

b) Concessivas: com as preposições e locuções prepositivas com, sem
(negando a causa ou a conseqüência), malgrado, apesar de, não obstante,
sem embargo de:
"O silêncio, com ser (= embora seja) mudo, não deixa de ser por vezes um
grande impostor" (M. DE MARICÁ).
"Este era funestamente o sistema colonial adotado pelas nações que copiava sem
o entender (= embora o não entendesse)_" (L. COELHo apud Antologia Na-
cional, 215).

c) Condicionais (e hipotéticas): com as preposições a, sem:
"Urn tomo houvéramos de encher, a querermos (= se quiséssemos) miudar
exemplificar todas as variedades de composição métrica dos nossos dias" (A. F. DE
CASTILHo, Tratado de Metrificação, 146).
Não sairá sem apresentar os documentos em ordem.

d) Consecutivas: com as preposições de, a :
É feio de meter medo.
"O mancebo desprezava o perigo, e, pago até da morte pelos sorrisos que seus
olhos furtavam de longe, levou o arrojo a arrepiar a testa do toiro com a ponta da
lança- (R. DA SiLvA apud Antologia Nacional, 207).
OBSERVAÇÃO: Constitui novidade de sintaxe, talvez com influxo do francês e,
por isso, condenada pelos gramáticos, o emprego do infinitivo precedido da prepo-
:siçâo a para exprimir que a oração consecutiva encerra efeito ou resultado esperado,
à qual se associa uma idéia subsidiária de fim: Falou de modo a ser ouvido Por
todos. (Cf. Pág. 232.)

e) Finais: com as preposições e locuções prepositivas a, de, para, por
(hoje mais rara, fixada em por assim dizer e semelhantes), em, a fim de,
,com o fim de:

A dizer verdade, não sei como explicar o caso.
Pouco me deram a comer.

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"... porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber"
(A. ViEiRA, Serm6es, VIII, 270).
"O sábio deve calar-se para não ser malcriado, o ignorante para não ser despre-
zado" (M. DE MARicÁ).
"Fazei Por merecer os altos empregos, honras e dignidades: elas virão buscar-vos,
ou sabereis escusá-las" (ID.).
"Punham os sarracenos todas as suas diligências em queimá-la..." (A. HERCULANO,
Hist, de Portugal, 111, 179-180).
"Dois meios havia em seguir esta empresa" (lD., Fragmentos, 69).

OBsEavAçÃo: O infinitivo das orações finais pode aparecer sem preposição mor-
mente depois dos verbos de movimento (muitas das vezes estes verbos passam a
auxiliares indicando intento futuro): "Diz-se que ele era dos doze que foram a
Inglaterra pelejar (= para pelejar) em desagravo das damas inglesas" (ID., 92).

f) Locativas: com a preposição em :

"Filha, no muito possuir não é que anda posta a felicidade, mas sim no esperar
e amar muito" (A. F. DE CAsTiLHo apud. Seleta Nacional, 1, 37).

OBsERvAçÃo: Este caso pode enquadrar-se no que se diz na pág. 244.a.

g) orações de meio e instrumento: com as preposições de, com :

"E Machado de Assis acaba o conto instalando o seu desencanto dos homens na
alma de oficial, com dizer que ele foi mandado a Calcutá..." (M. BANDEIRA, Poesia
e Prosa, 11, 360).
"Eu não sou, minha Nice, pegureiro,
Que vive de guardar alheio gado" (T. A, GONZAGA, Poesias, ed. R. Lapa, 1, 15) (1),

h) Modais: com as preposições sem, a.

"Vivemos com loucos e entre loucos: é feliz ou muito hábil quem pode tratar
com eles sem os ofender nem ser ofendido" (M. DE MARicÁ).
"Ele esteve alguns instantes de pé a olhar para mim" (M. DE Assis, Brás Cubas,
86)(1).

i) Temporais: com as preposições e locuções prepositivas:

1) tempo anterior: antes de :
"Os velhos devem supor-se mortos antes de morrer para assim alcançarem mais
longa vida" (ID.).

2) tempo corícomitante: a (com o infinitivo precedido de artigo):
"Ao ouvir esta última palavra recuei um pouco, tomado de susto" (M. DE Assis,
Brás Cubas, 21).

3) tempo posterior: depois de, após:
"A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na testa"
(ID., ibid., 99),

(1) Não consta da NGB.

240
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-19 r

ou da Belmonte, Prestes a soçobrar" (OURO PRETO apud Antologia Nacional, 84).

4) tempo futuro próximo: perto de, prestes a :

"... e só abandona (o comandante) o posto quando voa em socorro da Parnaíba

5) duração, prazo: até:

"Erramos, aprendemos e somos enganados até morrer, por maior que seja a
nossa idade, experiência e sapiência" (M. DE MARICÁ).

2) Gertindio

a) Causais:

"Vivemos no seio de Deus que, sendo (= porque é) imenso, nos compreende
todos" (M. DE MARICÁ).

b) Consecutivas:

"Isto acendeu por 'tal modo os ânimos dos soldados, que sem mandado, nem
ordem de peleja, deram no arraial do infante, rompendo-o por muitas partes" (A.
HERCULANO, Fragmentos, 97).

c) Concessivas:

"E quem são estes? são aqueles que sendo (= embora sejam) tanto mais do
que eram, e tendo (= embora tenham) mais do que tinham e estando (= embora
estejam) tanto mais levantados do que estavam, ainda se queixam e se chamam mal
despachados" (A. VIEIRA, Sermões, 1, 303).

d) Condicionais:

"Partilhamos o louvor que damos, sendo (= se é) justo e merecido" (M. DE MARICÁ)

e) orações que denotam modo, meio, instrumento:

"O amor, como o menino, começa brincando e acaba chorando" (M. DE MARICÁ)
"Os viciosos amam os seus inimigos, amando os seus próprios vícios" (ID.).

OBSERVAÇÃO: Alguns autores preferem não considerar o gerúndio como oração
à parte quando, indicando modo. meio ou instrumento, aparece sem complemento
como no primeiro exemplo acima.

f) Temporais:

"As nações como as pessoas arremedando as outras, se desfiguram a si próprias"
(M. DE MARICÁ).
"Navegando no arquipélago proceloso da vida não devemos perder de vista o
porto do novo destino" (ID.).
Fala dormindo (o gerúndio aqui denota concomitância, coexistência de aç(ws
enquanto dorme).

OBSERVAÇÃO: O gerúndio pode aparecer precedido da preposição em quando
indica tempo, condição ou hipótese. Neste caso o português moderno determina que

241
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o verbo da oração principal denote acontecimento futuro ou ação que costuma acon-
tecer; "Boa é a lei, quando executada com retidão. Isto é: boa será, em havendo
no executor a virtude..." (Rui BARwsA, Oraçdo aos Moços, ed. A. G. KURY, 53); "Não
imiteis os que, em se lhes oferecendo o mais leve pretexto, a si mesmos põem sus-
peições rebuscadas_" (ID., ibid, 64).

3) Particípio

a) Causais:
"Ocupado (Afonso de Albuquerque) com as guerras da índia e de Ormuz
porque se ocupara... ), não curou por muito tempo de ir castigar a traição dos
malaios..." (A. HERCULANO, Fragmentos, 105).

b) Condicionais:
"Entramos em uma batalha, onde vencidos (= se formos vencidos), honraremos
nosso Deus com o sangue" (FREiRE, 221, apud. EMÂNio DIAs, Gramática Elementar,
õ 241, 1).

OBSERVAÇÃO: Pode-se aqui ainda pensar num aposto circunstancial (cf. pág. 215).

c) Concessivas:
"Fundada com mui Pouco poder (= embora fosse fundada), esta cidade tinha
ganhado dentro em 90 anos aquele grande esplendor" (A. HERCULANO, Fragmentos, 107).

d) Temporais:
"Abandonada esta, fortificaram-na logo os mouros com dobradas trincheiras_"
(ID., ibid., 112).

OBsERvAçÃo: O particípio empregado na idéia de tempo pode vir seguido do
pron. relativo que e duma forma adequada do verbo ser: "Acabado que foi o prazo
destinado pelo tirano..." (M. BERNARDEs apud. S. ALi, Gramática Secundária, 196).

Orações reduzidas fixas. - Há certas orações reduzidas para as quais
a nossa língua não apresenta as equivalentes sob forma desenvolvida:

a) Orações que contêm certos verbos seguidos de sujeito oracional:

Coube-nos ornamentar o salgo (e não que ornamentássemos) (1).
Valeu-nos estarem perto alguns amigos (e não: que estivessem perto).
Impediu-nos a viagem vindo ordem de voltarmos (e não: que tivesse vindo)(1).

b)Orações que contêm os verbos agradecer, perdoar e o impessoal haver
na expressão não há valer-lhe (e similares) seguidos de objeto direto
oracional:

Perdoou-lhes o haverem-no ofendido (EMÂNto DIAs, Gramática Elementar, 226, b).
"E lá se vão: não há mais (= não é possível) conté-los ou alcançd-los" (E. DA
CUNHA, Os sertões, 128).

(1) ExempIos extraídos de Jos* orricicA, Curso do iNir.

242
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F

c) Orações cordenadas de sentido aditivo enfático através de sobre o

"É porque as toucas e lencinhos pudibundos, sobre não serem enfeites mui sedu
tores, algumas vezes tornam a virtude rançosa..." (CAmiLo, A Queda dum Anjo, 111).

d) Orações que exprimem circunstáricias para cuja expressão não existem

conjunções subordinativas, como as que denotam:

"A filha estava com catorze anos; mas era muito fraquinha, e não fazia n
não ser namorar os capadácios..." (M. DE Assis, Brds Cubas, 201

2 - Exclusão (longe de, em lugar de, em vez de + infinitivo)
"Note-se que, longo de termos horror ao método, era nosso costume convidá-lo

na pessoa de D. Plácida, a sentar-se conosco à mesa" (ID., ibid, 199).

3 - Meio ou instrumento (com verbo no infinitivo ou gerúndio):

"Salvóu-o o senado, segurando-lhe a pessoa até poder sair a bordo de uma
holandesa a 21 de maio" (R. DA SiLvA, História de Portugal, IV, 244)

OBSERVAÇÃO: Entram no rol das reduzidas fixas certas subordinadas modais d
gerúndio que não costumam aparecer com verbos em forma finita: "Os povos desen

ganam-se como as pessoas: sofrendo, perdendo e pagando" (M. DE MARICÁ)

Orações reduzidas do tipo: Deixei-o entrar. - Com os auxiliares

causativos (deixar, mandar, fazer e sinônimos) e sensitivos ver, ouvi
olhar, sentir e sinônimos), seguidos de infinitivo, constroem-se oraçoe
substantivas reduzidas que normalmente exercem a função de sujeito oi

a oração prinCiDal é deixei, e a subordinada o entrar funciona como objeto

uando tais reduzidas ocorrem, seu sujeito é expresso por ronome

pessoal átono: o é sujeito de entrar: que ELE entrasse:

Fez-nos falar (fez que nós falássemos).
Viu-me chegar (viu que eu chegava).

Aa lado de o como sujeito de infinitivo nestes casos empregamos lhe

I

quando o infinitivo vem acomparíliado de objeto direto

Se o objeto direto é constituído Dor prortome pessoal, o normal é

de lhe como suieito, nestes casos:
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É raro um exemplo como o seguinte de Alexandre Herculano:
"... a tia Domingas ouviu-o chamá-la de novo, mansamente" (Fragmentos, 76):
a tia Domingas ouviu que ele ( = o) a ( = Ia) chamava de novo.

Se o infinitivo é pronominal, o normal é aparecer o, e não lhe, como
seu sujeito:
.... o Sabiá... rebramia com som medonho, até chegar às planícies, onde o
solo o não comprimia c o deixava espraiar-se pelos pauis e juncais..." (ALEXANDRE
HERCULANo apud Fragmentos, 76-77).

OBSERVAÇõES:
1.2).0 infinitivo preso a deixar, mandar, fazer pode adquirir sentido passivo e,
neste caso, aparecerá seu agente encabeçado pelas preposições por ou de: "D. João
de Castro, sem deixar-se vencer do amor do filho, nem dos medos do tempo, resolveu
enviar o socorro (FREME, 133, apud ENFÂNto, DIAS, Sintaxe Histórica, 289, a, obs. 2.a).
2.a) Se o infinitivo é,verbo pronominal, o pronome átono pode omitir-se ou
não-. Eu os vi afastar ou afastar-se daqui.
3.a) Pode-se repetir pleonasticamente o pronome sujeito de ítifinitivo por uma
expressão constituída por nome, precedida ou não de preposição: "Deixai-o ir, ao
velho fidalgo" (H. DA SILVA, Contos e Lendas, 185).

Quando o infinitívo não constituí oração reduzida

a) Quando, sem referência a qualquer sujeito, exprime a ação de modo
vago, à maneira de substantivo:
"Reformar, e não inovar, é o voto do legislador prudente" (M. DE MARICÁ).

b) Quando é componente de locução verbal:
"A sabedoria é reputada geralmente pobre, porque se não podem. ver os seus
tesouros" (ID.).

c) Quando precedido de preposição e em referência a substantivo, o infi-
nitivo tem sentido qualificativo, o que sucede:

1 - quando exprime a destinação:
sala de jantar, ferro de engomar, criado de servir;

2 - quando entra em expressão equivalente a um adjetivo terminado
em -vel :
"Nesta seção tratei das escolas e gerais públicas, dos mestres régios, de nossa
legislação nesta parte, e do que nela me parece de conservar (= conservável) ou de
emendar (= emendável)" (GARRETT, Educação, 27),

d)Quando, precedido de proposição depois de certos adjetivos (fácil,
difícil, bom, etc.), o infinítivo tem sentido limitativo (com valor ativo
ou passivo):

Osso duro de roer ~

ativo = de alguém roer
passivo = de ser roído por alguém
#





e) Quando vale por um imperativo:
Direita, volver
"Fartar, rapazes" (A. HERCULANO, Fragmentos, 98).

f) Quando, nas exclamações, o infinitivo exprime estranheza:
"Tu, Hermengarda, recordares-te? !" (ID., Eurico, 47)

g)Quando entra em orações substantivas interrogativas; diretas ou indi-
retas e adjetivas:

Que fazer 1
Não sei que fazer.
Nada tenho que dizer(l).

h)Quando ocorre o infinitivo de narração, isto é, aquele que numa narra-
ção animada considera a ação como já passada, e não no seu desen-
volvimento:
"Os santos a persuadir-me humildade e meter-se debaixo dos pés de todos, e eu
que mostre brios e ufanias?" (Fr. Luís DE SousA, V. do Arcebispo, 1, 142).

Quando o gerúndio e o particípio
não constituem oração reduzida

a) Quando fazem parte de uma locução verbal:
Os parentes vão passando bem de saúde.
As leituras foram recapituladas pelos alunos.

b)Quando o particípio aparece em função qualificadora, à maneira de
adjetivo:
"Um dia como (quando) trabalhava nos campos, triste e abatido pelos seus
receios, viu alguns pássaros- (A. F. DE CASTILHo apud Seleta Nacional, 1, 34).

APÊNDICE

Particularidades de estruturação sintática oracional

1) É costume transpor para a oração principal, na aparência de objeto
direto, o termo que havia de ser o sujeito da oração subordinada
substantiva:

"Depois foi ver as mós se tinham grão" = se as mós tinham grão (R. DA SILVA
apud M. BARRETO, Novos Estudos, 222); "NãO sei este desconcerto do mundo onde
há de ir ter" = onde há de ir ter este desconcerto do mundo (B. RIBEIRO apud. M.
BARRETO, ibid.); "Olha tuas tias e minhas irmãs velhas como estão novas" = como
enfio novas tuas tias e minhas irmãs (CAmiLO apud M. B., ibid.).

(1) Sobre a origem desta construção, sem se precisar recorrer a elipse de verbo auxiliar
adequado, veja-se o que dissemos em Liç6es de Português, 7.a ed., 209-210, nota.

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2) Depois de ver, ouvir, sentir, encontrar e sinônimos e eis pode apa-
recer oração adjetiva em vez de uma substantiva (iniciada por que ou
reduzida de infinitivo), considerando-se como objeto direto daqueles ver-
bos o termo que havia de ser sujeito da substantiva:

"Subitamente a chuva fustigou as janelas: o primeiro bofar de vento fez ramalhar
as árvores, meias calvas; e senti-o que se abismava das arcarias de pedra" = senti que
ele se abísmava ou senti-o abismar-se (A. HERCULANo, apud Fragmentos, 172).
Ei-lo que vem = eis que ele vem.

3) Pode ocorrer, às vezes, que o pronome relativo inicie, " ao mesmo
tempo, duas orações, uma subordinada à outra, dando o caráter de relativo
à subordinante, mas pertencendo como sujeito ou determinação (objeto)
à subordinada:

Este é o livro que lhe aconselhei que comprasse (ENFÂNio DIAS, Sintaxe His-
tórica, õ 367).

O pronome relativo que inicia a oração que lhe aconselhei, mas não
exerce nela função sintática; pertence à oração substantiva que comprasse,
da qual é o objeto direto: a oração do que relativo seria que que comprasse
(duplamente subordinada). Pode-se ainda usar um infinitivo na oração
substantiva:

Este é o livro que lhe aconselhei comprar.

No português moderno, esta construção só tem lugar, em geral, quan-
do a oração subordinada é substantiva; fora deste caso só se emprega, de
ordinário, com o pronome o qual, e então coloca-se este pronome depois
da expressão por ele determinada:

É problema para resolver o qual são necessárias duas condições.

"O jugo da obediência, para lhes impor o qual muitas vezes faltava a força" (HERc.,
História de Portugal, 1, 242).

Todavia evita-se esta construção quanto possível, e diz-se por ex.:
"É problema para cuja resolução são necessárias duas condições" (E. DIAS, ibid.).

4) Depois de verbos como pensar, dizer, indagar, perguntar e equi-
valentes é comum aparecer oração adjetiva quando se poderia empregar
uma oração substantiva:

Indagou os estragos que a briga fizera (ao lado de: indagou que estragos a briga
fizera).
Não percebo o que dizer (ao lado de: não percebo que dizer).

5) Construções do tipo temer, não temer com que, em linguagem
afetiva, enunciamos réplicas e objeções com infinitivo de intensidade, se
mostram rebeldes a uma análise dentro dos moldes tradicionais.

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r

6) As orações quer principais quer subordinadas podem ter um
advérbio que mostre a relação ' em que essas orações se acham com o pen-
samento expresso anteriormente:

Estudemos, Portanto, e não nos deixemos dominar pela preguiça (RIBEIRO DE
VASCONCELos, GramdUca, 251).

E) Sintaxe de classes de palavras

1 - EMPREGO DO ARTIGO

Emprego do artigo definido. - De largo uso no idioma, o artigo
assume sentido especiaIíssimo:

a) junto dos nomes próprios denota nossa familiaridade (neste mesmo
caso pode o artigo ser também omitido):
O Cleto talvez falte hoje. O Antônio comunicou-se com o João.
OBSERVAÇÃO: o uso mais freqüente, na linguagem culta, dispensa o artigo juntá
a nomes próprios de pessoas, com exceção dos que se acham no plural. É tradição
ainda só antepor artigo a apelidos: o Camões, o Tasso, o Vieira. Por influência do
italiano, tem-se estendido a presença do artigo antes dos nomes de escritores, artistas
* personagens célebres: o Dante, o Torquato, Dizemos, indiferentemente, Cristo ou
* Cristo (ou ainda o Cristo Jesus).

b) Costuma aparecer ao lado de certos nomes próprios geográficos, prin
cipalmente os que denotam países, oceanos, rios, montanhas, ilhas:
a Suécia, o Atlántico, o Amazonas, os Andes, a Groenlândia.

Entre nós, dispensam artigo os nomes dos seguintes estados: Alagoas,
Coitís, Mato Grosso, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco
e Sergipe.
NOTA: Não se acompanham de artigo as denominações geográficas formadas com
nomes ou adjetivos: São Paulo, Belo Horizonte.

Quanto às cidades, geralmente prescindem de artigo. Há, contudo,
exceções devidas à influência de seu primitivo valor de substantivo
comum: a Bahia, o Rio de janeiro, o Porto, etc. Continuando a prática
de outros idiomas que, por sua vez, se inspiram no árabe el-Kahira (a
Vitoriosa), dizemos com artigo o Cairo.
Recife sempre se disse acompanhado de artigo: o Recife. Moderna-
mente, pode dispensá-lo. Aracaiu, capital de Sergipe, conhece a mesma
liberdade.

c) Entra em numerosas alcunhas e cognomes: Isabel, a Redentora; D.
Manuel, o Venturoso; mas: Frederico Barba-roxa.

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d)Aparecem em certos títulos: o professor João Ribeiro, o historiador
Tito Lívio, o doutor Sousa.

OBSERVAÇÃO: É omitido antes dos ordinais pospostos aos títulos: Pedro 1, Hen-
rique VIII, Com o numeral anteposto:
"Vede o primeiro Afonso...
O quarto e quinto Afonso, e o terceiro- (CAm., Lus,, 1, 13).

e)São omitidos nos títulos de Vossa Alteza, Vossa Majestade, Vossa
Senhoria e outras denominações, além das formas abreviadas dom, frei,
são e as de origem estrangeira, como Lord, Madame, Sir e o latinismo
sóror ou soror (oxítono): Vossa Alteza passeia. Frei Joaquim do Amor
Divino Caneca nasceu em Pernambuco. Soror (ou Sor) Mariana
Alcoforado foi célebre escritora portuguesa.

OBSERVAÇÃO: Ensina-nos JoÃo RiBEiRo: "É um galicismo a intercalação do artigo
nas fórmulas: sua Excelência o deputado, Sua Alteza o príncipe, Sua Santidade o
Papa. Estes galicismos foram adotados geralmente na língua para evitar fórmulas menos
elegantes, como: a excelência do Sr. deputado, a alteza do príncipe, como mandaria
dizer a vernaculidade" (Gram., curso superior, 1930, págs. 266-7). E, em nota, transcreve
exemplos que lhe foram apontados pelo colaborador FiRmINIO CosTA, dos quais
lembramos:
... comunicou a coisa à Alteza de el-rei Dom João o III".

Dizem-se com artigo os nomes de trabalhos literários e artísticos (se o
artigo pertence ao título, há de ser escrito obrigatoriamente com
maiúscula):
a Eneida, a Jerusalém Libertada, Os Lusíadas, A Tempestade.

g) São omitidos antes da palavra casa, designando residência ou família,
nas expressões do tipo: fui a casa, estou em casa, venho de casa, passei
por casa, todos de casa.

OBSERVAÇÃO: Seguido de nome do possuidor ou de um adjetivo ou expressão
adjetiva, pode o vocábulo casa acompanhar-se de artigo:

Da (ou de) casa de meus pais.

h)Omite-se ainda o artigo junto ao vocábulo terra, em oposição a boi-do
(que também dispensa artigo):
Iam de bordo a terra.

i)Costuma-se omitir o artigo com a palavra paldcio, quando desacom-
panhada de modificador:
"Perguntou o mestre-escola afoitamente à sentinela do paço se o representante
nacional, morgado da Agra, estava em palácio" (CAMILO, Queda dum Anjo, 144).

j)Aparece junto ao termo. denotador da unidade quando se expressa o
valor das coisas (aqui o artigo assume o valor de cada):

Maçãs de poucos cruzeiros o quilo.

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1) Aparecem nas designações de tempo com os nomes das estações do ano:
Na primavera há flores em abundância. "Em uma tarde do estio, à hora incerta
* saudosa..." (HutcuLANo, Fragmentos, 154).

OBSERVAÇÃO: Se o nome de estação vier precedido de de, significando próprio de,
* artigo é dispensado:

Numa manhã de primavera.

NoTA - Se a expressão temporal contiver nome de mês, dispensa ainda o artigo:
Meu irmão faz anos em março.

m) Nas indicações de tempo com a expressão uma hora, significando
uma a primeira hora, o emprego do artigo é facultativo:
Era perto da uma hora ou Era perto de uma hora.
A primeira construção parece ser mais dos portugueses; a segunda dos brasileiros.

n) É, na maioria dos casos, de emprego facultativo junto a possessivos
em referência a nome expresso:

Meu livro ou o meu livro

OBSERVAÇÃO: É obrigatório o artigo, quando o possessivo é usado sem substantivo,
em sentido próprio ou translato: Bonita casa era a minha.
Fazer das suas. "Vês, peralta? é assim que um moço deve zelar o nome dos seus?
Pensas que eu e meus avós ganhamos o dinheiro em casa de jogo ou a vadiar pelas
ruas?" (M. DE Assis, Memórias, 57).

Mas sem artigo dizemos várias expressões, como de seu, de seu natural,
linguagens com que traduzimos "os bens próprios de alguém" - a pri-
meira - e "qualidades naturais" - a última:
"Nunca tive de meu outro bem maior que não desejar os alheios" (F. R. LoBO).
"Bernardes era como estas formosas de seu natural que se não cansam com alinda-
mentos, a quem tudo fica bem" (A. F. CASTILHO).

Dispensa ainda artigo o possessivo que entra em expressões com o
valor de alguns :
Os Lusíadas têm suas dificuldades de interpretação.

Finalmente, na expressão de um ato usual, que se pratica com fre-
qüéncia, o possessivo vem normalmente sem artigo:
Às oito toma seu café.
"Rezava suas horas pela manhã cedo, e sempre só, se não era quando nesse dia
havia de pregar, porque então se ajudava de um capelão; às oito dizia sua missa..."
(Fr. L. DE SousA, Arcebispo, 1, 75, ed. 1818).

o) Não se repete o artigo em frases como:
O homem mais virtuoso do lugar.
Estaria errado: O homem o mais virtuoso do lugar.

NoTA - É preciso distinguirmos cuidadosamente este feio erro de uma expressão
tradicional e corretíssinia que consiste em acrescentar, depois do substantivo deter-

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minado por adjetivo, o conjunto o mais, que introduzirá uma explicação, um adendo,
uma restrição. As vezes, exprimem-se tais idéias com ênfase, caso em que costumam
aparecer, antes de o mais, elementos de valor concessivo como ainda, mesmo, até,
posto que.
A má pontuação (deveria haver vírgula antes do conjunto iniciado por o mais)
aproxima os dois tipos de expressão e uma análise menos cuidadosa tem feito que
se evitem construções corretíssimas.
o Prof. MARTINZ DE AGUIAR (Notas de Português, 309-324) estudou com muita
perspicácia os dois modos e assim concluiu a sua lição:
"Para que haja pureza de linguagem, é necessário, é imprescindível, que o subs-
tantivo, sem o acréscimo de o mais, combine com os outros termos da proposição
num sentido cabal, de tal maneira, que possa repetir-se. Sem isso, estamos, iniludi-
velmente, à vista de um estrangeirismo de sintaxe ou de uma construção anti-idiomática,
quer se trate de o - o, quer de um ~ o. Não é, pois, correta, esta construção de
Gonçalves de Magalhães:
Seu rosto de leite e rosas,
De um contorno o mais perfeito.
Rosto de um contorno Perfeito é tudo, rosto de um contorno não é nada" (Ibid., 324).
Assim, estão corretas as seguintes passagens, notando-se, apenas, a ausência de
virgula antes de o mais (exemplos extraídos da série apresentada por AGUIAR):
"A inveja te assaltou, e a quem perdoa
Este monstro o maior do escuro Inferno? (Pe. AGOSTINHO DE MACEDO).
---0método, que as ciências as mais exatas seguem nas suas operações (JERÔNIMO
BARBOSA).
"O a, este som o mais claro de todos" (CAsTiLHo ANTóNIO).

Note-se que nos exemplos apontados poderíamos colocar vírgula, o
não acontece com os que se seguem:
"Tens mil águas cristalinas,
As frutas as mais divinas,
Uma esposa de invejar,
Que mais podes desejar?" (PoRTo-ALEGRE).
"Desde a quadra a mais antiga
De que rezam os pergaminhos" (F. VARFLA).

Os poetas quiseram apenas dizer as frutas mais divinas, a quadra mais
antiga.
O tipo "zero determinação" antes do substantivo seguido de o mais é menos
enfático (homem o mais alto), e se valoriza através de uma inversão (o mais alto
homem)." Cf. AGUIAR, ibid., 319-320.
P)junto às designações de partes do corpo e nomes de parentesco, os
artigos denotam a posse:
Traz a cabeça embranquiçada pelas preocupações.
Tem o rosto sereno, mas as mãos trêmulas.
D. Laura (falando à irmã):
"Pois não 1 quem me podia aconselhar prudência
a não ser a senhora, a filha singular,
que ousa dispor de si dentro do pátrio lar,
sem ouvir pai nem mãe. Cuida que a sua escolha
basta, sem que primeiro a mãe e o pai a acolha?" (CASTILHO, AS Sabichonas, 17).

250
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q)A palavra todo, no singular, pode vir ou não seguida de artigo, com os
sentidos de inteiro, total e cada, qualquer.
A presença ou ausência do artigo depende de que o substantivo exija
ou repudie a antecipação de o, a, os, as.
Na língua moderna, todo o corre mais no sentido de totalidade,
inteireza, ênfase (aqui principalmente com os termos que denotam senti-
mento: de todo o coração, com todo o gosto, com todo o amor, com todo
o carinho, etc.):
Toda a família estava no recinto (= a família toda, inteira).

Não costuma dispensar artigo, entre bons escritores, o adjetivo subs-
tantivado modificado por todo, ainda sendo este último empregado com
o sentido de qualquer:
Todo o próximo tem direito natural (M. BERNARDES).

Com as designações geográficas o emprego de todo o e todo depende
de o nome exigir a presença do artigo:
Todo o Brasil. Todo Portugal.

Usam-se, modernamente, com o artigo, numerosas expressões em que
entra a palavra todo:
todo o gênero, todo o mundo, a toda a parte, em toda a parte, por toda a parte, a
toda a brida, a todo o galope, a toda a pressa, em todo o caso, a toda a hora,
a todo o instante, a todo o momento, a todo o transe, a todo o custo, etc.

No plural, todos não dispensa artigo (salvo se vier acompanhado de
palavra que exclua este determinante):
Todas as famílias têm bons e maus componentes.
Todas as famílias estavam no recinto.
Todas estas pessoas são nossas conhecidas.

Se exprimimos a totalidade numérica por numeral precedido do ele-
niento reforçativo todos, aparecerá artigo se o substantivo vier expresso:
Todos os dois romances são dignos de leitura.
Todas as seis respostas estavam certas.

Se omitirmos o substantivo, não haverá lugar para o artigo:
Fizeram-me seis perguntas. Respondi, acertadamente, a todas seis.

r) Aparece o artigo nas enumerações onde há contraste ou ênfase
Ficou entre a vida e a morte.
"As virtudes civis e, sobretudo, o amor da pátria tinham nascido para os godos
que, fixando o seu domicílio nas Espanhas, possuíram de pais a filhos o campo
agricultado, o lar doméstico, o templo da oração e o cemitério do repouso e da
saudade" (HERCULANO, Eurico, 1864, pág. 5).
"Notaram todos que a tarde e a noite daquele dia foram as mais tristes horas
de Casimiro na sua prisão de dois meses" (CAMILO, O Bem, 191, ed. Casassanta).

251
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s)Dispensa-se o artigo nos vocativos, na maioria das exclamações e nas
datas que apomos aos escritos:
"Velhice - Amigo, diz-me um amigo.
Sabe que a boa idade é a última idade" (ALBERTO DE OLIVEMA).
Rio, 10 de maio de 1956.

t)Costuma-se dispensar o artigo depois de cheirar a, saber a (= ter o
gosto de) e expressões sinônimas:
Isto cheira a jasmim. Isto sabe a vinho.

u) Em frases feitas, aparece o artigo definido na sua antiga forma lo, Ia.
!'Tenho ouvido os quinhentistas a Ia moda, e os galiparlas" (CAMILO, Queda dum
Anjo, 61).

Assim encontramos: a Ia fé, a Ia par,,a Ia mar, etc.
Aparece ainda a forma antiga na expressão el-rei, que se deve usar
sem a anteposição de o, apesar de alguns raros exemplos em contrário, em
páginas de autores mais afastados de nós.

Emprego do artigo indefinido. - O artigo indefinido pode assumir
matizes variadíssimos de sentido; registraremos as seguintes considerações:
a) Usa-se o- indefinido para aclarar melhor as características de um subs-
tantivo enunciado anteriormente com artigo definido:
Estampava no rosto o sorriso, um sorriso de criança.

b)Procedente de sua função classificadora, um pode adquirir significação
enfática, chegando até a vir acompanhado de oração com que conse-
cutivo, como se no contexto houvesse um tal:
o instrumento é de uma precisão admirável.
Ele é um herói 1 (compare com: Ele é herói 1)
Falou de uma maneira, que pôs o medo nos corações.

c) Antes de numeral denota aproximação:
Esperou uma meia hora (aproximadamente).
Terá uns vinte anos de idade.

d)Antes de pronome de sentido indefinido (certo, tal, outro, etc.), dis-
pensa-se o artigo indefinido, salvo quando o exigir a ênfase:
Depois de certa hora não o encontramos em casa (e não uma certa hora).
Devia, pois, ser melancólico além do exprimível o que aí se passou nessa grade;
triste, e desgraçado direi, a julgá-lo pelas conseqüência&, que se vão descrever, com
um certo pesar em que esperamos tomem os leitores o seu quinhão de pena, se não
todos, ao menos aqueles que não dão nada pela felicidade da terra, quando ela implica
ofensa ao Senhor do céu" (CAmiLo, Carlota Angela, 223).

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Modernamente, cremos que mais por valorização estilística do inde-
finido que por simples e servil imitação do francês('), um aparece em
casos que se não podem explicar por ênfase. Nestas circunstâncias, tais
casos são censurados pela gramática tradicional.

e) Um ocorre como correlativo de outro em sentido distributivo:

Um irmão ia ao teatro e o outro ao cinema.

O11512VAÇÃO: Calando-se o substanéivo também junto de um, ainda dispensamos
a anteposiçáo do artigo definido, ao contrário do que fazia o português antigo e do
que fazem, por exemplo, o francês e o espanhol:
Um ia ao teatro e o outro ao cinema (o um ... o outro, no português antigo,
Pun ... Pautre, el uno ... el otro).

Note-se a expressão um como, empregada no sentido de "uma coisa
como", "um ser como", "uma espécie de", onde um concorda com o
substantivo seguinte:

Fez um como discurso. Proferiu uma como prática.

A respeito de uma pronunciado úa, veja-se o capítulo de ortoepia.

O artigo partitivo. - A língua portuguesa de outros tempos empre-
gava do, dos, da, das, junto a nomes concretos para indicar que os mesmos
nomes eram apenas considerados nas suas partes ou numa quantidade ou
valor indeterminado, indefinido:

"Comerás do leite, ouvirás dos contos e partirás quando quiseres" (R. LoBo).

É o que a gramática denomina artigo Partitivo. Modernamente, o
partitivo não ocorre com a freqüência de outrora e, pode-se dizer, quase
se acha banido do uso geral, salvo pouquissimas expressões em que ele se
manteve, mormente nas idéias de comer e beber.

2 - EMPREGO DO PRONOME

Pronome pessoal

Em geral, o português omite o pronome sujeito quando constituído
por eu, tu, nós e vós :
"Não me lembra o que lhe disse" (M. DE Assis, Brds Cubas, 65).

(1) Tem-se desprezado, nestes casos, a influência do inglês em nosso idioma.

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#





O aparecimento do pronome sujeito de regra se dá quando há ênfase
ou oposição de pessoas gramaticais:

"Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo
ao que eu faço e mando..." (Id., Várias Histórias, 230).
"Há entre nós um abismo: tu o abriste; eu precipitei-me nele" (A. HERCULANO,
Eurico, 295).

Estando perfeitamente conhecido pela situação lingüística, pode-se
calar o pronome complemento do verbo; esta linguagem é correta, apesar
da censura que lhe faziam os gramáticos de outrora. Muitas vezes deve-se
o fenômeno ao que o estilista alemão Leo Spitzer chamou "linguagem-eco",
constituída de uma repetição de uma parte da oração, destinada a reforçar
a própria declaração, como no seguinte trecho de A. Herculano:

"Disse já que tinha de fazer uma explicação ao leitor. Tenho; e é indispensável"
(Lendas e Narrativas, 11, 261),

Em casos de ênfase costuma-se repetir:

a)o pronome átono pela sua respectiva forma tônica, precedida de
preposição:

"Mas qual será a tua sorte quando na hora fatal os algozes, buscando a sua
vitima, só te encontrarem a ti?" (A. H~LANo, O Bobo, 277).

b)o complemento expresso por um nome pelq pronome átono con-
veniente ou vice-versa (neste último caso, a expressão funciona
como aposto):

"Ao avarento não lhe peço nada... Ao ingrato, ou o não sirvo, porque (= para
que) me não magoe" (R. LOBO, O Pastor Peregrino, 26).
"Ainda hoje estão em pé, mas ninguém as habita, essas choupanas execrandas..."
(CAMiLo, A Morgada de Romariz, 43).

Usa-se o pronome o (os) em referência a nomes de géneros diferentes:

. "A generosidade, o esforço e o amor, ensinaste-os tu em toda a sua sublimidade"
(A. HERCULANO, Eurico, 35).

Ele como objeto direto. - O pronome ele, no português moderno,
só aparece como objeto direto quando precedido de todo ou só (adjetivo)
ou se dotado de acentuação enfática, em prosa ou verso:

"No latim eram quatro os nomes demonstrativos. Todos eles conserva o portugués"
(PACHECO e LAMEIRA, Gramática Portuguesa, 2.a ed., 398, apud S. DA SILVFIRA, Revista
de Cultura, Notas Soltas de Linguagem, no 31); "Subiu 1 - e viu com seus olhos ~
Ela a rir-se que dançava..." (G. DIAs apud S. SiLvEtRA, ibid.); "Olha ele I" (E. DF,
QUEIR6S, ibid.).

Funções e empregos do pronome se, - O pronome se exerce três
funções sintáticas:
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1) sujeito de infinitivo (com auxiliares causativos, mormente deixar):

Deixou-se ficar à janela.

2) objeto direto (com verbo transitivo direto na voz reflexiva):

Ele se feriu.
Eles se cumprimentam.

3)objeto indireto (com verbo transitivo indireto na voz reflexiva, ou com
verbo acompanhado de dois complementos):

Elas se correspondem freqüentemente.
Ele se arroga esta liberdade.

A construção reflexiva teve um destino importante em nossa língua;
a evolução do reflexivo --> passivo --> indeterminador foi traçada pelo
filólogo patrício Martinz de Aguiar:

"1.0 (CASO) Pronome reflexivo. - A função inicial e própria do
pronome se é, como em latim, a de reflexivo, isto é: faz refletir sobre o
sujeito a ação que ele mesmo praticou. Ex.: O homem cortou-se. Indica
pois, ao mesmo tempo, atividade e passividade. O homem cortou, mas foi
cortado, pois a si próprio é que cortou. Se penetrarmos bem na inteli-
gência das diversas frases reflexivas, veremos que a passividade chama mais
a nossa atenção, impressiona mais a nossa sensibilidade do que a atividade.
Quando temos notícia de que alguém se suicidou, o primeiro quadro que
se nos apresenta ao espírito é o do indivíduo pálido, inerte, sem vida.
Daí poder o pronome se vir a funcionar como:

2.0 (CASO) Pronome apassivador. - É o segundo estádio de evolução.
Sendo reflexivo, o pronome indica, como vimos, atividade e passividade,
e esta nos impressiona mais do que aquela, pelo que pode chegar a ser
índice de passividade. Ex.: Vendem-se casas. Fritam-se ovos.

3.0 (CASO) Pronome indeterminador do agente. - Como no segundo
caso o agente nunca foi expresso na linguagem comum, tendo-se tornado
obsoleto o seu emprego até na linguagem literária, o pronome se acabou
por assumir a função de indeterminador do agente. Ex.: Estuda-se.
Dança-se.

4.o (CASO) Pronome indeterminador do sujeito de verbos intransitivos.
Como, no terceiro caso, não se dá objeto aos verbos, apesar de transi-
tivos, e como o agente oculto, se presente, seria o sujeito, o pronome se
pode vir a indeterminar o sujeito de verbos intransitivos. Ex.: Dorme-se.
Acorda-se.
OBsERvAçÃo: O 3.0 e 4.0 casos são idênticos na prática; mas, no terreno científico,
é imprescindível separá-los, pois servem para demonstrar, à luz da lingüística psico-

255
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lógica, a contagião sucessiva de funções do pronome. Os mesmos casos matam de
vez a questão chinesa de saber se o pronome se pode ou não ser sujeito. Não o é
nunca, não pelas razões dadas nas gramáticas, mas porque assim o demonstra o estudo
da sua evolução.

5.0 (cAso) Pronome indeterminador do sujeito de qualquer verbo.
- Como no caso anterior o pronome se indetermina o sujeito dos verbos
intransitivos, pode, por extensão, indeterminar o sujeito de qualquer verbo,
transitivo, intransitivo ou atributivo (isto é, de ligação). Ex.: Está-se bem
aqui. Quando se é bom. Vende-se casas. Frita-se ovos. "A Bernardes
admira-se e ama-se".

OBSIERVAÇõES FINAIS, Vende-se casas e frita-se ovos são frases de emprego ainda
antiliterário, apesar da já multiplicidade de exemplos. A genuína linguagem literária
requere vendem-se, fritam-se. Mas ambas as sintaxes são corretas, e a primeira não
é absolutamente, como fica demonstrado, modificação da segunda. São apenas dois
estádios diferentes de evolução. Fica também provado o falso testemunho que levan-
taram à sintaxe francesa, que em verdade nenhuma influéncia neste particular exerceu
em nós. . . " (1).

Pode ainda o pronome se juntar-se a verbos que indicam:

1)sentimento: indignar-se, ufanar-se, atrever-se, admirar-se, lembrar-se,
esquecer-se, orgulhar-se, arrepender-se, queixar-se.
2) movimento ou atitudes da pessoa em relação ao seu próprio corpo:
ir-se, partir-se, sentar-se, sorrir-se.

No primeiro caso, não se percebendo mais o sentido reflexivo da
construção, considera-se o se como parte integrande do verbo, sem classi-
ficação especial.
No segundo, costumam os autores chamar ao se pronome de realce ou
expletivo.

Combinação de pronomes átonos. - Ocorrem em português as se-
guintes combinações de pronomes átonos, notando-se que o que funciona
como objeto direto vem em segundo lugar:

mo = me + o; ma = me + a; mos = me + os; mas = me + as; to = te + o;
ta= te+a; tos=te+os; tas=te+as; lho=lhe+o; lha = lhe+ a;
lhos = lhe + os; lhas = lhe + as; no-lo = nos + o; no-la = nos + a; no-los =
nos + os; no-las = nos + as;,vo-lo = vos + o; vo-la = vos + a; vo-los = vos
+ os; vo-las = vos + as; lho = lhes + o; lha = lhes + a, lhos = lhes + os;
lhas = lhes + as.

se me -Se-me
se te -Se-te
se lhe -se-lhe

se nos -se-nos
se vos -Se-vos
se lhes -se-lhes

(1) Notas o Estudos de Português, 181-183. Na transcrição, adaptei a grafia do autor
ao sistema oficial vigente,

256
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'Se dizeis isso pela que me destes, tirai-ma: que não vo-la pedi eu" (A. HERCULANO,
Lendas e Narrativas, 1, 267).
"E como, a pouco e pouco, se foram exaurindo os cascalhos e afundando os
veleiros, o banditismo franco impôs-se-lhes como derivativo à vida desmandada" (E.
DA CUNHA, Os Sert6es, 218).

OBMVAÇõES:

1.a) A rigor, na combinação só entra a forma lhe, que, na língua antiga, servia
tanto ao singular como ao plural.

2.a) Nas demais combinações, o português moderno prefere substituir o pronome
átono objetivo indireto pela forma t6nica equivalente, precedida da preposição a.
Enquanto dizemos hoje a mim te mostras ou te mostras a mim, a língua de outros
tempos consentia em tais dizeres:
"Porque assi te me mostras odiosa?" (J. CoRTE-REAL, Naufrdgio de Sepúlveda,
apud S. SILVEIRA, Lições de Portugués, õ 271).

3.a) A língua padrão rejeita a combinação se o (e flexões) apesar de uns poucos
exemplos na pena de literatos:
"Parece um rio quando se o vê escorrer mansamente por entre as terras pró-
XiMaS..." (LIMA BARRETO, Vida e Morte de Gonzaga de Sã, 49, apud S. SILVEIRA,
Revista de Cultura, n.O 198, pág- 268).

Foge-se ao erro de duas maneiras principais:
a) cala-se o pronome objetivo direto: Ndo se quer.
b) substitui-se o pronome o (e flexôes) pelo sujeito ele (e flexões):
Não se quer ele.

Apesar disto, ocorre em bons escritores construção em que se junta o pronome
o (e diretos) a verbo na voz reflexiva:

"Temo que se me argua de comparações extraordinárias, mas o abismo de
Pascal é o que mais prontamente vem ao bico da pena" (M. DE Assis, Histórias
sem Data, 29, apud S. SiLvEiRA, ibid.).
"Não se dá baixa ao soldado quando já não pode com a milícia? Não se lha
dá até em tempo de guerra?" (CASTILHO, Felicidade pela Agricultura, lI, 106
apud S. SILVEIRA, ibid.).

4.EL) A língua padrão admite pode-se compô.lo ou pode-se compor, quando não
há locução verbal:

Pode-se de algum modo ligá-lo a Schopenhauer.'.. (JOÃo RIBEIRO, Fabordão,
19). JúLIO ~EIRA (Estudo da Lingua Portuguésa, 11, 30-31) diz que em Portugal
é menos comum do que no Brasil a primeira construção.

Função do pronome átono em Dou-me ao trabalho. - Em geral, o
pronome átono da forma verbal reflexiva portuguesa funciona como objeto
direto: dou-me (obj. direto) ao trabalho (obj. indireto) de fazer.
Em francês e espanh , ol, esse pronome aparece como objeto indireto:
je me donne Ia peine de le faire; me doy el trabaio de hacerlo.

257
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Pronome possessivo

Seu e dele para evitar confusão. - Em algumas ocasiões, o possessivo
seu pode dar lugar a dúvida a respeito do possuidor. Remedeia-se o mal
com a substituição de seu, sua, seus, suas, pelas formas dele, dela, deles,
delas, de você, do senhor, etc., conforme convier.

Em

José, Pedro levou o seu chapéu,

o vocábulo seu não esclarece quem realmente possui o chapéu, se Pedro ou
José.
É verdade que a disposição dos termos nos leva a considerar José o
dono do chapéu; mas a referência a Pedro também é possível. Assim
sendo, serve-se o falante do substituto dele, se o possessivo pertence a
Pedro:

José, Pedro levou o chapéu dele.
"Com efeito, Margarida gostava imenso da presença do rapaz, mas não parecia
dar-lhe uma importAncia que lisonjeasse o coração dele". (M. M Assis, Contos Flu-
minenses, 24).

Se o autor usasse o possessivo seu, o coração poderia ser tanto de
Margarida quanto do rapaz.
Pode-se, para maior força de expressão, juntar dele a seu
José, Pedro levou o seu chapéu dele,
"Se Adelaide o amava como e quanto Calisto já podia duvidar, sua honra dele
era por peito à defesa da opressa..." (CAMILO, Queda dum Anjo, 109).

Menos usual, porém correta, é a união dos dois possessivos como no
seguinte exemplo da citada obra de Camilo:
"É certo, Sr. Presidente, que a feinina toca o requinte da depravaçao, e chega a
efeituar horrores cuja narração é de si para gelar ardências do sangue, para infundir
pavor em peitos equdnimos; porém, o móbil dos crimes seus dela é outro" (o que vern
sublinhado é transcrição de CAmiw, ibid., 86).

Os pronomes pessoais átonos ine, te, se, nos, vos, lhe, lhes, podem seu
usados com sentido possessivo:
Tomou-me o chapéu = Tomou o meu chapéu.

Ainda neste caso, é possível ocorrer a repetição enfática lhe .. . dele :
"D. Adelaide ficou embaçada. Seria agravar as meninas de dezoito anos, e edu.
cadu como a filha do desembargador, e amantes como elas de um comprometido
esposo, estar eu aqui a definir a entranhada zanga que lhe fez no espírito dela o
desprop69ito de Calisto" (CAmiLo, Queda dum Anjo, 104).

Foge-se ainda à confusão empregando-se o adjetivo próprio :
"Andrade contentou-se com o seu próprio sufrágio" (M. DE Assis, C. Fluni. 19).

258
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r

Posição do pronome possessivo. - De modo geral, o possessivo vem
anteposto ao nome a que se refere:
o meu livro. Tuas preocupações. Nossos deveres.

A posposição ocorre no estilo solene, em prosa ou verso, e, em nome
de pessoas ou de graus de parentesco, pode denotar carinho:

Deus meu, ajudai-mel
"Esta é a ditosa pátria minha amada" (CAMõEs, Lus.).
"Formosa filha minha, não temais" (ID., ibid.).

A ênfase permite também a posposição, principalmente se o substan-
tivo vem desacompanhado do artigo definido:

Conselho meu, ela não tem. Filho meu não faria tal.

Em certas situações, há notável diferença de sentido com a posposição
do possessivo (1).

Minhas saudades são saudades que sinto de alguém. Saudades minhas são saudades
que alguém sente de mim.
"Parece que Miss Dólar ficou com boas recordações suas, disse D. Antônia" (M.
DF. Assis, C. Flum., 2, 17).
Notamos o mesmo em suas cartas e cartas suas.
Recebi suas cartas (isto é, cartas que me mandaram ou que pertencem à pessoa
a quem me dirijo).
Recebi cartas suas (i. é., enviadas a mim pela pessoa).

Invariavelmente, usamos de notícias suas, como no seguinte exemplo:
"Peço-lhe que me mande notícias suas" (E. DA CUNHA).

Fora destas construções, a língua moderna evita tal emprego objetivo:

"Mova-te a piedade sua e minha" (CAm., Lus., 111, 127). Entenda-se: a piedade
delas (das criancinhas) e de mim.

Possessivo para indicar idéia de aproximação. - junto a números
o possessivo pode denotar uma quantidade aproximada:

Nessa época, tinha meus quinze anos (aproximadamente).
Era já homem de seus quarenta anos.

OBSERVAÇÃO: Valorizamos também uma noção quantitativa por meio do adje-
tiNo bom:
"O maior Vilela observava um rigoroso regímen que lhe ia entretendo a vida.
Tinha uns bons sessenta anos" (M. DE Assis, C. Flum., 2.a ed., 53).

(1) Diz-se que o Possessivo tem sentido objetivo quando designa o ser que é alvo de uma
ação ou sentimento qualquer. Fora deste caso, tem sentido subjetivo. É muitas vezes difícil
distinguirmos os dois casos.

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Valores afetivos do ossessivo - O possessivo como temos visto nã
se limita a exprimir apenas a idéia de posse. Adquire variados matizes d(

Assim, o possessivo pode apenas indicar a cousa que nos interessa, po
nos estarmos referindo, como ele, a causa que nos diz respeito, ou por qu(

O nosso herói (falando-se de um personagem de histórias) não soube que fazer.
Trabalho todo dia minhas oito horas (cf. JoÃo RiBEmo, Aut. Contemporâneos, pág. 206).

Além de exprimir a nossa simpatia, serve também o possessivo par

traduzir nosso afeto, cortesia, deferência, submissão, ou ironia:
Meu prezado amigo. Minha senhora, esta, é a mercadoria que lhe serv
Meus senhores e minhas senhorasl Meu Dresidente, todos o esDeram.

Meu coronel, os soldados estão prontos 1 Meu tolo, não vês que estou brincando?

"Qual cansadas, seu Antoninho 1" (LIMA BARRETO)
"Ande, seu diplomático, continue" (M. Dz Assis).

seu não é, como parece a alguns estudiosos, a forma possessiva de 3.11
pessoa do singular. Trata-se aqui de uma redução familiar do tratamento

Difere a forma seu~ (admite ainda as variantes seo, só) do termo

nobre, senhor, por traduzir nossa familiaridade ou depreciação.

Ocorrendo isoladamente, prevalece a forma plena senhor, conforme

"Depressa, depressa, que a filha do Lemos vai cantar; e depois é o senhor. Está

Um fingido respeito ou cortesia - bem entendido aliás pelos presentes

Pela forma abreviada seu modelou-se o feminino su

"E ri-se você, sua atrevida?f - exclamou o moleiro, voltando-se para Perpétua

Emprego do pessoal pelo possessivo. - Embora de pouca freqüência,
pode aparecer o possessivo por uma forma de pronome pessoal precedido
da preposição de. Neste caso está a expressão ao pé de + pronome

"Vós os que não credes em bruxas, nem em almas penadas, nem nas tropelias
de Satanás, assentai-vos aqui ao lar bem juntos ao pé de mim, e contax-vos-ei a
11

história de D. Diogo Lopes, senhor de Biscaia (HERc., Lendas, 11, 7).

"Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a
modista ao pé de si, para não andar atrás dela" (M. DE Assis, Várias Histórias, 31).
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Possessivo expresso por uma locução. - Expressa-se o possessivo ainda
por meio de uma perífrase em que entra o verbo ter, haver ou sinônimo:

"De um Rei que temos, alto e sublimado" (CAM., Lus., 11, 80). Isto é: de um
Rei nosso.

O possessivo em referência a um possuidor de sentido indefinido.
- Se o possessivo faz referência a pessoa de sentido indefinido expresso ou
sugerido pelo sentido da frase, emprega-se o pronome de 3.a pessoa:

"É verdade que a gente, às vezes, tem cá as suas birras - disse ele, com certo ar
que queria ser no e saía parvo" (HERC., Len as, 11, 158).

Se o falante se inclui no termo ou expressão indefinida, usar-se o
possessivo de 1.a pessoa do plural:
A gente compreende como estas cousas acontecem em nossas vidas (Cf. CAMILO,
Queda).

Repetição do possessivo. - Numa série de substantivos, pode-se usar
o possçssivo (como qualquer outro determinante do nome) apenas junto
ao primeiro nome, se não for nosso propósito enfatizar cada elemento da
série:

"A prova da sua perspicácia e diligência estava em ter já no caminho da forca
os desgraçados cuja sentença vinha trazer à confirmação real" (HERc., Lendas, 1, 187).

Note-se a ênfase e a oposição entre os possuidores (eu e tu):

"O teu amor era como o íris do céu: era a minha paz, a minha alegria, a minha
esperança (ID., ibid., 190).

Se o termo vem acompanhado de modificador, não se costuma omitir
o possessivo da série:

"Foi a tua dignidade real, a tua justiça, o teu nome que eu quis salvar da tua
própria brandura" (ID., ibid., 191).

Omite-se o possessivo na série sem ênfase ainda que os substantivos
sejam de gênero ou número (ou ambas as coisas) diferente:
... entendera (Calisto Elói) que a prudência o mandava viver em Lisboa
consoante os costumes de Lisboa, e na província, segundo o seu gênio e hábitos
aldeãos" (CAmiLo, Queda dum Anjo, 107).

Se. se trata de substantivo sinônimo, dispensa-se a repetição do
possessivo:
Teu filho, de quinze anos apenas, é teu orgulho e ufania.

Se os substantivos forem de significação oposta, o possessivo em regra
não é dispensado:
Teu perdão e teu ódio não conhecem o equilíbrio necessário à vida,

261
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Substituição do possessivo pelo artigo definido. - Sem ser norma
de rigor absoluto, pode-se substituir o possessivo pelo artigo definido,
quando a idéia de posse se patenteia pelo sentido total da oração. Este
fato ocorre principalmente junto dos nomes de partes do corpo, das peças
do vestuário, faculdades do espírito e certas frases-feitas:

"D. Fernando afastou-a suavemente de si: ela alevantou o rosto celeste orvalhado
de pranto... D. Leonor ergueu as mílos suplicantes, com um gesto de profunda an-
gústia" (HERc., Lendas, 1, 190).
aqui parou (Calisto Elói), e cruzando os braços, se esteve largo espaço
quedo, e fito nas janelas" (CAMILO, Queda dum Anjo, 110).
"E o vento assobiava no vigamento da casa, e nas orelhas de Calisto, o qual,
levado do instinto da conservação, levantou a gola do capote à altura das bossas
parietais..." (ID., ibid.).
Ele perdeu o juizo. Tem a vida por um fio. Recuperou a memória.

OBSERVAÇÃO: Dispensa-se o artigo definido nas expressões Nosso Senhor, Nossa
Senhora, assim como nas fórmulas de tratamento onde entra um possessivo, do tipo:
vossa excelência reverendissima, sua majestade, etc.

O possessivo e as expressões de tratamento do tipo Vossa Excelência.
- Empregando-se as expressões de tratamento do tipo de vossa excelência,
vossa reverendíssima, vossa majestade, vossa senhoria, onde aparece a
forma possessiva de 2.a pessoa do plural, a referência ao possuidor se
faz hoje em dia com os termos seu, sua, isto é, com possessivo de 3.a
pessoa do singular:

Vossa Excelência conseguiu realizar todos os seus propósitos (e não: todos
vossos propósitos).

Tais tipos de títulos honoríficos começaram a aparecer no português
entre os séculos xiv e xv e aí havia realmente uma possibilidade de alter-
nància de seu, sua, vosso, vossa. A luta durou até aproximadamente o
séc. xvii, quando as formas de 3.a pessoa saíram vitoriosas. Assim sendo,
modernamente só deve aparecer o possessivo conforme o exemplo dado.
Raras exceções em escritores do séc. xviii para cá são devidas a imitações
literárias, justamente repudiadas.como arcaicas, ou então porque o autor,
em romance ou novela histórica, para não cair em anacronismo, faz seus
personagens falar a linguagem da época.
Entre os escritores a cuja autoridade se abrigam os defensores do
arcaísmo aqui citado, se acha Alexandre Herculano. Ávido leitor e cons-
tante hóspede dos monumentos históricos, o autor da História de Portugal,
tratando do período de D. João 1 (1385-1433), no Monge de Cister (pro-
nuncie-se este último nome como oxítono), teve oportunidade de mostrar
o quanto sabia da, evolução de sua língua, conhecimento que o faz o
melhor prosador ou um dos melhores que as letras portuguesas tiveram.
Assim, pensamos que tal situação especialíssima do probo e perspicaz
historiador não abre a porta para a prática da velha construção.

262

I
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Pronome demonstrativo

A posição índicada pelo demonstrativo pode referir-se ao espaço, ao
tempo (demonstrativos dêicticos espaciais e temporais)(') ou ao discurso
(demonstrativo anafórico).

Demonstrativos referidos à noção de espaço. - Este (e flexões)
aplica-se aos seres que pertencem ou estão perto da 1.a pessoa, isto é,
daquela que fala:
Este livro é o livro que possuo ou tenho entre mãos.
Esta casa é a casa onde me encontro.

Esse (e flexões) aplica-se aos seres que pertencem ou estão perto da
2.a pessoa, isto é, daquela com quem se fala:
Esse livro é o livro que nono interlocutor traz.
Essa casa é a cata onde se encontra a pessoa a quem me dirijo.

Na correspondência, este se refere ao lugar donde se escreve, e esse
denota o lugar para onde a carta se destina. A referência à missiva que
escrevemos se faz com este, esta :

"Manaus, 13-1-1905
Meu bom amigo Dr. José Veríssimo, - escrevo-lhe dissentindo abertamente de
sua opinião sobre este singularíssimo clima da Arnazônia..." (E. DA CUNHA).
Escrevo-te estas linhas para dar-te notícia desta nossa cidade e pedir-te as novas
dessa região aonde foste descansar.

Quando se quer apenas indicar que o objeto se acha afastado da
pessoa que fala, sem nenhuma referência à 2.a pessoa, usa-se de esse
"Quero ver esse céu da minha terra
Tão lindo e tão azul V' (C. Dz ABazu),

Na linguagem animada, o interesse do falante pode favorecer uma
aproximação figurada, imaginária, de pessoa ou cousa que realmente
se acham afastadas dos que falam. Esta situação exige este:
"Dói-me a certeza de que estou morrendo desde o primeiro dia da tua união
com este homem... a certeza de que o hás de amar sempre, ainda que ele te des-
preze como já te desprezou" (CAMILO, Queda dum Anjo, 152).

Tal circunstància deve ter contribuído para Q emprego de este como
indicador de personagens que o escritor traz à baila.
"Este Lopo, bacharel em direito, homem de trinta e tantos anos, e sagaz até a
protérvia, vivia na companhia do irmão morgado..." (ID., ibid., 149).

1
(1) Sabemos que o termo ddictico não representa a boa forma portuguesa de adaptação
do vocábulo grego, conforme nos mostrou o Prof. CANDIDO JUCÁ (filho), In Categoria, 35 e os.
Adotamo-lo por ser empréstimo científico disseminado.

263
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19 r

Por outro lado, cabe a esse a missão de afastar de nós pessoa ou coisa
que na realidade se acham ou se poderiam achar próximas:
"Vês África, dos bens do mundo avara,

Olha essa terra toda, que se habita
Dessa gente sem lei, quase infinita" (C~Es, Lus. X, 92 apud SAm ALI).

Estas expressões não se separam por linhas rigorosas de demarcação;
por isso exemplos há de bons escritores que contrariam os princípios aqui
examinados e não faltam mesmo certas orientações momentâneas do es-
critor que fogem às perscrutações do gramático.

Demonstrativos referidos à noção de tempo. - Na designação de
tempo, o demonstrativo que denota um período mais ou menos extenso,
no qual se inclui o momento em que se fala, é este (e flexões):
Neste dia no dia de hoje) celebramos a nossa independência.
Este mês no mês corrente) não houve novidades.
Aplicado a tempo já passado, o demonstrativo usual é esse (e flexões):
Nessa época atravessávamos uma fase difícil.

Se o tempo passado ou vindouro está relativamente próximo do mo-
mento em que se fala, pode-se fazer uso de este, em algumas expressões:

Esta noite (= a noite passada) tive um sonho belíssimo.

Porém, com a mesma linguagem esta noite poderíamos indicar a noite
vindoura. Outro exemplo:

"Meu caro Barbosa:
Deves ter admirado o meu silêncio destes quinze dias, silêncio para ti, e silêncio
para o jornal" (CAmiLo, Cem Cartas, 56).

A indicação temporal de este e esse dispensa outra expressão adverbial,
se circunstância de tempo não se apresenta ao falante como elemento
principal do conjunto:

"Para o jogo bastava esse movimento de pelo" (M. LoBATo). Esse movimento
vale por: o movimento que se fez naquele momento.

Demonstrativos referidos a nossas próprias palavras. - No discurso,
quando o falante deseja fazer menção ao que ele acabou de narrar ou ao
que vai narrar, emprega este (e flexões):
"Entrou Calisto na sala um pouco mais tarde que o costume, porque fora vestir-se
de calça mais cordata em cor e feitio. Não me acoimem de arquivista de insignifi-
câncias. Este pormenor (isto é: o pormenor a que fiz referência) das calças prende
mui intimamente com o cataclismo que passa no coração de Barbuda" (CAMILO,
Queda dum Anjo, 93).

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"Se não existisse Ifigénia... acudiu Calisto. já este nome (i. é: o nome que
proferi) me soava docemente quando na minha mocidade, pela angústia da filha de
Agamenáo, cujo sacrifício o oráculo de Áulida demandava.

- Ali